Os ‘nativos digitais’ existem?

Uma parte dos pesquisadores da área da educação e psicologia tentam caracterizar e descrever o que seria uma ‘nova geração’. E como é comum na construção de categorias e classes, os parâmetros são comumente artificiais e nem sempre muito bem embasados em evidências.

O batismo dessa ‘nova geração’ é uma disputa, com cada grupo de pesquisadores querendo despontar na paternidade das definições.
– Millenials
– Net generation
– Nativos digitais
– IM Generation (instant messenger)
– Homo Zapiens
– Geração Y (Z… e acabando o alfabeto querem começar com a geração alpha)
– Geração digital
– Geração gamer
– Geração Google
– …

Infelizmente a criação solta e arbitrária de definição de gerações parece gerar uma série de problemas. Principalmente quando as analogias e categorizações são utilizadas indevidamente em questões que precisam de uma segurança muito maior do que oferecem as ideias originais.

Fiz uma coleção (não exaustiva) de artigos que de alguma forma criticam o mau uso desse tipo de definição de gerações. O meu objetivo aqui não é o de encerrar a questão, mas de oferecer espaço para a crítica.


Debate em torno dos Nativos Digitais
Odete Girão, Sara Pereira, Manuel Pinto

“Vários estudos foram realizados e há já uma ideia generalizada de que não se pode considerar esta geração como uma realidade homogénea, na medida em que vários fatores contribuem para a sua diferenciação.”
Fonte: http://revistacomsoc.pt/index.php/cecs_ebooks/article/view/1949/1874
captura de tela do resumo do artigo

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The digital native – myth and reality (Nativos digitais – Mito e realidade)
Neil Selwyn

“As constatações mostram que os engajamento dos jovens com as tecnologias digitais são variadas e muitas vezes nada espetaculares – em contraste com representações populares do nativo digital.”

Fonte: http://dx.doi.org/10.1108/00012530910973776
captura de tela do resumo do artigo citado

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Net generation or digital natives: Is there a distinct new generation entering university? (Geração net ou nativos digitais: Exista uma nova geração entrando na universidade?”
Chris Jones, Ruslan Ramanau, Simon Cross e Graham Healing

“Os autores descobriram que a geração não é homogênea na apreciação e uso das novas tecnologias e que existe uma significativa variação entre os estudantes que pertencem à faixa etária da geração net.”
Fonte: http://dx.doi.org/doi:10.1016/j.compedu.2009.09.022
captura de tela do resumo do artigo citado

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Digital natives: where is the evidence? (Nativos digitais: onde estão as evidências?)

“Embora os jovens usem mais a internet, nossa análise não dá suporte à ideia de que existam diferenças irreconciliáveis entre aqueles que possam ser classificados como nativos digitais ou os imigrantes digitais se baseado em quando eles nasceram.”

Fonte: http://dx.doi.org/10.1080/01411920902989227
captura do resumo do artigo

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Technology use and learning characteristics of students in higher education: Do generational differences exist? (O uso da tecnologia e as características de aprendizagem dos estudantes do ensino superior: Existem diferenças geracionais?)
Kwok-Wing Lai e Kian-Sam Hong

“As conclusões deste artigo apoiam o que já foi descoberto na literatura de que o uso das tecnologias digitais pela geração net é mais complexo do que tem sido caracterizado. Embora o uso das tecnologias digitais é parte integrante do cotidiano dos jovens, o como eles usam não é homogêneo. Além disso, as descobertas deste estudo não dão suporte à noção de um único estilo de aprendizado para a atual geração de jovens. Embora a geração de jovens estudantes possa fazer coisas e aprender de forma levemente diferente, a forma deles usarem as tecnologias digitais é similar aos estudantes de antigas gerações.”

Fonte: http://dx.doi.org/10.1111/bjet.12161
captura do início do artigo