Craniometria de Antônio Conselheiro
Publicado em 5 Sep 2008 às1:53 pm.
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Categoria - Ceticismo, História.
Esta semana assisti o filme ´Guerra de Canudos´ e fiquei interessado pelo assunto, em particular sobre a morte do líder do movimento, Antônio Conselheiro.
O roteiro do filme parece indicar que ele cometeu suicídio, mas alguns historiadores afirmam que a morte seria resultado de estilhaços de granadas ou de uma diarréia.
O estranho desta história é que o cadáver de Antônio Conselheiro foi retirado de sua sepultura e a cabeça foi cortada para ser levada até a faculdade de Medicina de Salvador.
Isto foi feito pois se acreditava na época que “a loucura, a demência e o fanatismo” estariam estampados na mistura de raças e nos traços faciais característicos.
Esta técnica de medida é conhecida como craniometria, e era muito utilizada por ingleses, no século 19, para classificar pessoas de acordo com a raça, temperamento criminoso, inteligência, etc. A mesma idéia também foi empregada pelos nazistas para realizar as classificações entre arianos e não-arianos.
Um artigo na revista Psicologia em Estudo, relata o estudo feito na época pelao pesquisadora da Bahia, Nina Rodrigues, e os resultados obtidos por ela indicavam que Antônio Conselheiro teria os tais ´índices craniométricos normais´, mas mesmo assim Rodrigues relatou que o crânio denotava a sua condição de mestiço.
É certo que atualmente a craniometria é considerada sem validade para determinação de temperamento criminoso e/ou inteligência.
Sempre que leio sobre assuntos desta natureza acabo vendo que indicam como referência o livro ´A Falsa Medida do Homem´ do Stephen Jay Gould. Apesar de eu nunca ter lido, penso ser uma boa fonte de informações.

(imagem de uma craniometria (sem relação com Antônio Conselheiro))
Ps: Obrigado, Robson Fernando, pelas dicas.
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1 Comentario para ‘Craniometria de Antônio Conselheiro’:
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Robson Fernando em 13 Sep 2008 às7:57 pm: 1
Uma correção: Nina Rodrigues era homem — se chavama Raimundo Nina Rodrigues.
Caso tenha se confundido com a autoria do artigo da revista, este foi escrito pela doutoranda Evenice Santos Chaves.
Para quem pouco ouviu falar de Nina Rodrigues, realmente fica aquela confusão, pensa-se que foi uma mulher. Mas é normal que isso aconteça.
Abs