SUBJECT: Livro sobre Mecânica Relacional
FROM: Marcelo Carvalho <mpinto2009@gmail.com>
TO: ciencialist@yahoogrupos.com.br
DATE: 07/05/2015 10:59

http://www.ifi.unicamp.br/~assis/Mecanica-Relacional-Mach-Weber.pdf

Marcelo C Pinto

SUBJECT: Pergunta crucial para o Prof. Belmiro
FROM: "Mtnos Calil" <mtnoscalil@terra.com.br>
TO: ciencialist@yahoogrupos.com.br
DATE: 08/05/2015 17:15

"Tenha santa paciência!! Não existe essa tal precisão linguística!"  Belmiro Wolski

O sr. quis dizer que existe outra precisão linguistica que não essa tal, ou que não existe nenhuma precisão linguistica? 

Se existe outra, qual seria a diferença entre a outra e essa tal? 

Obrigado, pacientemente.

Mtnos Calil 

Ps. Considero a hipótese de que o sr. não tenha compreendido os fundamentos da matematização da linguagem, hipótese essa que estaria associada a esta outra hipótese, segundo a qual eu não informei ou expliquei a contento quais seriam estes fundamentos. 

============================

Em Qui 07/05/15 19:43, Belmiro Wolski belmirow@yahoo.com.br [ciencialist] ciencialist@yahoogrupos.com.br escreveu:

 

>> "A persistência é o caminho da vitória".
- Persistir no erro é caminho para a vitória?
- Não existem outros caminhos para a vitória? ( se ainda fosse: "é um dos caminhos...")
- Persistir na frente de combate e levar um tiro é caminho para a vitória?( depende do contexto, vitória em que sentido  e de quem? dele ?ou do grupo?)
- que vitória? Em que sentido?
Tenha santa paciência!! Não existe essa tal precisão linguística! Existe comunicação. E é o que interessa. A interpretação fora de contexto é uma deficiência. Não é regra! 
Tradução: santa nesse caso não tem nada a ver com a religião, auréola, etc, onde etc quer dizer outras coisas relacionadas à santa mas que não no sentido de santidade. Paciência não é aquele jogo de cartas, cartas não são as do correio, são não é antônimo de doente. E por aí vai... Bacana!
*BW*



Em Quinta-feira, 7 de Maio de 2015 17:50, "Mtnos Calil" mtnoscalil@terra.com.br [ciencialist]" <ciencialist@yahoogrupos.com.br> escreveu:

 
Impressionante! Essa palavrinha assanhada que tu jogaste na mesa - contexto -  abriu um campo conceitual rico de conteúdo para a matematização da linguagem. Este novo conceito para o processo de matematizaçao da linguagem (sem números, fórmulas, teoremas,etc) é o seguinte:  quando um enunciado é elaborado de uma forma lógico-semântica precisa, a sua compreensão não depende de nenhum contexto. 
Porém para obedecer submissamente ao nosso désposta do rigor linguistico fui googlear uma pesquisa sobre o termo, quando me deparei com um artigo redigido por uma professora de filosofia da PUC e autora de uma tese de doutorado no âmbito da filosofia da linguagem
 
Neste artigo ela referenda esse elogio ao teu aclamado contexto:
 
O contexto da enunciação é de uma importância tal, que é quase impossível avaliar. Por 'contexto' entendo, pelo menos, o tempo, o lugar, a situação, os temas que constituem o foco imediato de interesse e as histórias pessoais tanto do locutor, quanto daqueles a quem ele se endereça. Além do contexto existe, é claro, a convenção lingüística [...]. O requisito [...] para que uma expressão na sua utilização referencial seja corretamente aplicada [...] é de que a coisa se encontre em certa relação com o locutor e com o contexto de elocução (STRAWSON, 1977, p. 29).
 
Imediatamente lhe enviei esta mensagem:
 
Prezada Professora. 
Estou trabalhando há alguns anos no tema "lógica e precisão na comunicação" e acabei criando um modelo de comunicação para ser utilizado em algumas circunstâncias, baseado em alguns pressupostos como este:
Todo enunciado deve ser feito de tal maneira que não dê margem a nenhuma "interpretação. Para tanto o seu autor deve deixar muito claro qual é o significado que está atribuindo aos termos chaves utilizados.
Como a sra. defende a tese de que a compreensão de um enunciado depende do contexto, gostaria de abrir uma comunicação entre nós para que a minha tese possa ser derrubada. Estou montando um curso de lógica na comunicação para psicólogos com a participação de uma psicóloga e psicoterapeuta.
abraços
Mtnos Calil
Consultor organizacional multidisciplinar - São Paulo, SP.

Ps1. Exemplos de frases que não dependem de contexto e que tiveram - e continuam tendo - fortissima influência na minha vida:

a) A depressão é um processo emocional que paralisa as forças vitais
b) Para enfrentar a ansiedade da velhice, viva intensamente
c) Para ser feliz realize suas potencialidades
d) Deus, dai-me a coragem para mudar as coisas que eu posso mudar, a serenidade para aceitar as coisas que eu não posso mudar e a sabedoria para distinguir a diferença.
f) O sentido da vida está no prazer de viver
g) O bom humor é pré-requisito da felicidade
e) Para realizar suas potencialidades, se puder, faça uso deste triângulo estratégico quântico: caos, acaso e imprevisibilidade.

Ps2. Estou em contato com um prof. da PUC de São Paulo que é fã da univocidade para ver se faremos algo em conjunto.

 
Algumas horas depois ela me respondeu concordando com a minha proposta de discutirmos o assunto.
 
Prossigo agora respondendo à tua última mensagem:
 
 Mais uma frase que não depende de contexto, do Chaplin:
> "A persistência é o caminho da vitória"
Aquele sujeito (ligeiramente amalucado, salientemos) resolveu absorver integralmente o ditado do Chaplin e está iniciando
os procedimentos para fixar um prego de 12 cm em uma parede de concreto através da repetida "bordoagem" de sua testa na
cabeça do dito prego.
 
Pensa ele: "Porra, o Chaplin foi um sujeito prá lá de
genial, então o que ele disse servirá para a minha
tarefa: vou pregar essa porra de prego com a testa!"
A persistência é o caminho da vitória! Verdade!
(contexto: a persistência desse amalucado é o Caminho da vitória profissional do médico da UTI que
Irá atender esse mané, após ele desmaiar com a testa estropiadáça". Viu só como o ditado do Chaplin é mesmo verdadeiro? hahahahahaha
*PB*
 
Prezado PB
 
O que tu chamaste de contexto é apenas uma informação a respeito da maluquice do seguidor da frase. E de fato informações como essa, são (exageradamente) consideradas como um contexto necessário para a compreensão do enunciado. A forma que eu encontrei de matar o contexto é transformá-lo numa simples informação, necessária e suficiente para a perfeita compreensão do enunciado. No seu exemplo, basta informar que o sujeito é maluco para a frase ter uma ÚNICA e PRECISA compreensão. Essa informação não tem, porém, sequer a  consistência suficiente para constituir um contexto.

Abraços fora de contexto (ou com o contexto explicito ou implicito). 
Mtnos Calil 


Ps.  Ocorre que muitos filósofos  (e até  cientistas) não utilizam um modelo de comunicação que facilita a compreensão dos enunciados – pelo contrário, eles dificultam! Por sua vez, os leitores adoram “interpretar” o que os outros escrevem ou falam. Grande parte das interpretações transformam – ou seja adulteram - o significado original. . 

Em Qui 07/05/15 12:11, Pesky Bee peskybee2@gmail.com [ciencialist] ciencialist@yahoogrupos.com.br escreveu:

 
> Mais uma frase que não depende de contexto, do Chaplin:
> "A persistência é o caminho da vitória"
Aquele sujeito (ligeiramente amalucado, salientemos) resolveu
absorver integralmente o ditado do Chaplin e está iniciando
os procedimentos
para fixar um prego de 12 cm em uma parede
de concreto
através da repetida "bordoagem" de sua testa na
cabeça do dito prego.
Pensa ele: "Porra, o Chaplin foi um sujeito prá lá de
genial, então o que ele disse servirá para a minha
tarefa: vou pregar essa porra de prego com a testa!"
A persistência é o caminho da vitória! Verdade!
(contexto: a persistência desse amalucado é o
caminho
da vitória profissional do médico da UTI que
irá
atender esse mané, após ele desmaiar com a testa
estropiadáça". Viu só como o ditado do Chaplin é mesmo
verdadeiro? hahahahahaha
*PB*

From: "Mtnos Calil" mtnoscalil@terra.com.br [ciencialist]
Sent: Thursday, May 07, 2015 11:49 AM
To: ciencialist@yahoogrupos.com.br
Subject: [ciencialist] Enc: Re: Matematização da linguagem
Prezado Pesky.
Agora vou sair e na volta respondo sua ultima mensagem que fala em "100% definida".
Abraços
Mtnos Calil
Ps1. Mais uma frase que não depende de contexto, do Chaplin: "A persistência é o caminho da vitória"  
Ps2. Uma profa. de filosofia da PUC aceitou o desafio. Ela, como você, afirma que a compreensão de um enunciado depende do contexto. Aliás todo o mundo fala isso, né?



SUBJECT: Re: [ciencialist] Pergunta crucial para o Prof. Belmiro
FROM: Belmiro Wolski <belmirow@yahoo.com.br>
TO: "ciencialist@yahoogrupos.com.br" <ciencialist@yahoogrupos.com.br>
DATE: 08/05/2015 19:16

Caro MC,

    Já ouviu o José Simão na Band News? Ele sempre diz o seguinte, antes de comentar sobre placas que os ouvintes enviam a ele de todo o lugar do Brasil, com avisos engraçados e escritos de forma errada. Ele diz: o brasileiro escreve errado mas todo mundo se entende! Taí! Esse é o objetivo da coisa. Precisamos nos entender. E, com raras exceções, é isso que sempre acontece. Nos entendemos, quer pela linguagem escrita ou falada. Não precisamos de uma única palavra para designar uma única coisa. Aquilo que você conhece por salsicha, aqui em Curitiba chamamos de vina. E, se alguém pedir uma vina no Rio, a princípio não vai receber, mas é só mencionar seu sinônimo que tá tudo certo. E o balconista da lanchonete terá aprendido que salsicha e vina são a mesma coisa. O próximo curitibano que pedir vina será atendido. 
    A riqueza de um vocabulário se mede pela quantidade de sinônimos, pela adequação no contexto, pelas figuras de linguagem, pelas expressões idiomáticas, até pelas gírias. O que você está se propondo a fazer e que jamais chegará perto de conseguí-lo, é robotizar a linguagem. E isso é empobrecê-la. Imagine um diálogo entre duas pessoas falando Calilzês. Piadas não serão mais possíveis pois a graça delas, em sua maioria está no contexto. Exageros na hora de contar vantagens também não dá. Histórias de pescador perderão a graça. Gírias, nem pensar. Imagine se alguém inventar de pegar no seu pé!
     Terão de ser criadas milhões de novas palavras para que não hajam sinônimos, verbos terão que ser revistos e também criados aos milhões. O Kid Bengala terá que encontrar novo apelido porque bengala será apenas outra coisa. Pé de mesa será apenas uma catacrese. Aliás, nem esta poderá mais existir. Deverá ser inventado um nome para o pé da mesa. Sugiro blastrocrana. Que tal? As palavras ficarão cada vez mais difíceis de pronunciar porque a combinação de letras para formá-las está ficando cada vez mais complexa.  Enfim, meu caro, pare de se preocupar com essas coisas. E não venha se fazendo de herói, imaginando ser o salvador da pátria. Que alguém tem que acabar com a polissemia e quetais. Se alguém não entende algumas coisas dentro do contexto, e me parece que você é um desses casos, tanto que não entendeu a minha ironia do artigo do Roundup X autismo, então o problema é localizado. Não vale a pena adaptar o idioma a esses casos, simplificando-o binariamente. É melhor se adaptar ao idioma, tentar compreendê-lo em toda a sua magnitude e riqueza. Algo que foi construído ao longo de séculos não pode ser desprezado dessa forma. Tente entender melhor nossa linguagem. A graça está em tudo isso. Nos diferentes significados das palavras conforme o caso, na entonação de uma frase que lhe confere diferentes conotações, nas vírgulas, que, se trocadas mudam o sentido da frase. A língua portuguesa é maravilhosa. O Calilzês é horroroso! É chato pacacete!!

     *BW*



Em Sexta-feira, 8 de Maio de 2015 17:15, "Mtnos Calil" mtnoscalil@terra.com.br [ciencialist]" <ciencialist@yahoogrupos.com.br> escreveu:


 


"Tenha santa paciência!! Não existe essa tal precisão linguística!"  Belmiro Wolski

O sr. quis dizer que existe outra precisão linguistica que não essa tal, ou que não existe nenhuma precisão linguistica? 

Se existe outra, qual seria a diferença entre a outra e essa tal? 

Obrigado, pacientemente.

Mtnos Calil 

Ps. Considero a hipótese de que o sr. não tenha compreendido os fundamentos da matematização da linguagem, hipótese essa que estaria associada a esta outra hipótese, segundo a qual eu não informei ou expliquei a contento quais seriam estes fundamentos. 

============================

Em Qui 07/05/15 19:43, Belmiro Wolski belmirow@yahoo.com.br [ciencialist] ciencialist@yahoogrupos.com.br escreveu:

 
>> "A persistência é o caminho da vitória".
- Persistir no erro é caminho para a vitória?
- Não existem outros caminhos para a vitória? ( se ainda fosse: "é um dos caminhos...")
- Persistir na frente de combate e levar um tiro é caminho para a vitória?( depende do contexto, vitória em que sentido  e de quem? dele ?ou do grupo?)
- que vitória? Em que sentido?
Tenha santa paciência!! Não existe essa tal precisão linguística! Existe comunicação. E é o que interessa. A interpretação fora de contexto é uma deficiência. Não é regra! 
Tradução: santa nesse caso não tem nada a ver com a religião, auréola, etc, onde etc quer dizer outras coisas relacionadas à santa mas que não no sentido de santidade. Paciência não é aquele jogo de cartas, cartas não são as do correio, são não é antônimo de doente. E por aí vai... Bacana!
*BW*



Em Quinta-feira, 7 de Maio de 2015 17:50, "Mtnos Calil" mtnoscalil@terra.com.br [ciencialist]" <ciencialist@yahoogrupos.com.br> escreveu:

 
Impressionante! Essa palavrinha assanhada que tu jogaste na mesa - contexto -  abriu um campo conceitual rico de conteúdo para a matematização da linguagem. Este novo conceito para o processo de matematizaçao da linguagem (sem números, fórmulas, teoremas,etc) é o seguinte:  quando um enunciado é elaborado de uma forma lógico-semântica precisa, a sua compreensão não depende de nenhum contexto. 
Porém para obedecer submissamente ao nosso désposta do rigor linguistico fui googlear uma pesquisa sobre o termo, quando me deparei com um artigo redigido por uma professora de filosofia da PUC e autora de uma tese de doutorado no âmbito da filosofia da linguagem
 
Neste artigo ela referenda esse elogio ao teu aclamado contexto:
 
O contexto da enunciação é de uma importância tal, que é quase impossível avaliar. Por 'contexto' entendo, pelo menos, o tempo, o lugar, a situação, os temas que constituem o foco imediato de interesse e as histórias pessoais tanto do locutor, quanto daqueles a quem ele se endereça. Além do contexto existe, é claro, a convenção lingüística [...]. O requisito [...] para que uma expressão na sua utilização referencial seja corretamente aplicada [...] é de que a coisa se encontre em certa relação com o locutor e com o contexto de elocução (STRAWSON, 1977, p. 29).
 
Imediatamente lhe enviei esta mensagem:
 
Prezada Professora. 
Estou trabalhando há alguns anos no tema "lógica e precisão na comunicação" e acabei criando um modelo de comunicação para ser utilizado em algumas circunstâncias, baseado em alguns pressupostos como este:
Todo enunciado deve ser feito de tal maneira que não dê margem a nenhuma "interpretação. Para tanto o seu autor deve deixar muito claro qual é o significado que está atribuindo aos termos chaves utilizados.
Como a sra. defende a tese de que a compreensão de um enunciado depende do contexto, gostaria de abrir uma comunicação entre nós para que a minha tese possa ser derrubada. Estou montando um curso de lógica na comunicação para psicólogos com a participação de uma psicóloga e psicoterapeuta.
abraços
Mtnos Calil
Consultor organizacional multidisciplinar - São Paulo, SP.

Ps1. Exemplos de frases que não dependem de contexto e que tiveram - e continuam tendo - fortissima influência na minha vida:

a) A depressão é um processo emocional que paralisa as forças vitais
b) Para enfrentar a ansiedade da velhice, viva intensamente
c) Para ser feliz realize suas potencialidades
d) Deus, dai-me a coragem para mudar as coisas que eu posso mudar, a serenidade para aceitar as coisas que eu não posso mudar e a sabedoria para distinguir a diferença.
f) O sentido da vida está no prazer de viver
g) O bom humor é pré-requisito da felicidade
e) Para realizar suas potencialidades, se puder, faça uso deste triângulo estratégico quântico: caos, acaso e imprevisibilidade.

Ps2. Estou em contato com um prof. da PUC de São Paulo que é fã da univocidade para ver se faremos algo em conjunto.

 
Algumas horas depois ela me respondeu concordando com a minha proposta de discutirmos o assunto.
 
Prossigo agora respondendo à tua última mensagem:
 
 Mais uma frase que não depende de contexto, do Chaplin:
> "A persistência é o caminho da vitória"
Aquele sujeito (ligeiramente amalucado, salientemos) resolveu absorver integralmente o ditado do Chaplin e está iniciando
os procedimentos para fixar um prego de 12 cm em uma parede de concreto através da repetida "bordoagem" de sua testa na
cabeça do dito prego.
 
Pensa ele: "Porra, o Chaplin foi um sujeito prá lá de
genial, então o que ele disse servirá para a minha
tarefa: vou pregar essa porra de prego com a testa!"
A persistência é o caminho da vitória! Verdade!
(contexto: a persistência desse amalucado é o Caminho da vitória profissional do médico da UTI que
Irá atender esse mané, após ele desmaiar com a testa estropiadáça". Viu só como o ditado do Chaplin é mesmo verdadeiro? hahahahahaha
*PB*
 
Prezado PB
 
O que tu chamaste de contexto é apenas uma informação a respeito da maluquice do seguidor da frase. E de fato informações como essa, são (exageradamente) consideradas como um contexto necessário para a compreensão do enunciado. A forma que eu encontrei de matar o contexto é transformá-lo numa simples informação, necessária e suficiente para a perfeita compreensão do enunciado. No seu exemplo, basta informar que o sujeito é maluco para a frase ter uma ÚNICA e PRECISA compreensão. Essa informação não tem, porém, sequer a  consistência suficiente para constituir um contexto.

Abraços fora de contexto (ou com o contexto explicito ou implicito). 
Mtnos Calil 


Ps.  Ocorre que muitos filósofos  (e até  cientistas) não utilizam um modelo de comunicação que facilita a compreensão dos enunciados – pelo contrário, eles dificultam! Por sua vez, os leitores adoram “interpretar” o que os outros escrevem ou falam. Grande parte das interpretações transformam – ou seja adulteram - o significado original. . 

Em Qui 07/05/15 12:11, Pesky Bee peskybee2@gmail.com [ciencialist] ciencialist@yahoogrupos.com.br escreveu:

 
> Mais uma frase que não depende de contexto, do Chaplin:
> "A persistência é o caminho da vitória"
Aquele sujeito (ligeiramente amalucado, salientemos) resolveu
absorver integralmente o ditado do Chaplin e está iniciando
os procedimentos
para fixar um prego de 12 cm em uma parede
de concreto
através da repetida "bordoagem" de sua testa na
cabeça do dito prego.
Pensa ele: "Porra, o Chaplin foi um sujeito prá lá de
genial, então o que ele disse servirá para a minha
tarefa: vou pregar essa porra de prego com a testa!"
A persistência é o caminho da vitória! Verdade!
(contexto: a persistência desse amalucado é o
caminho
da vitória profissional do médico da UTI que
irá
atender esse mané, após ele desmaiar com a testa
estropiadáça". Viu só como o ditado do Chaplin é mesmo
verdadeiro? hahahahahaha
*PB*

From: "Mtnos Calil" mtnoscalil@terra.com.br [ciencialist]
Sent: Thursday, May 07, 2015 11:49 AM
To: ciencialist@yahoogrupos.com.br
Subject: [ciencialist] Enc: Re: Matematização da linguagem
Prezado Pesky.
Agora vou sair e na volta respondo sua ultima mensagem que fala em "100% definida".
Abraços
Mtnos Calil
Ps1. Mais uma frase que não depende de contexto, do Chaplin: "A persistência é o caminho da vitória"  
Ps2. Uma profa. de filosofia da PUC aceitou o desafio. Ela, como você, afirma que a compreensão de um enunciado depende do contexto. Aliás todo o mundo fala isso, né?





SUBJECT: Re: [ciencialist] Pergunta crucial para o Prof. Belmiro
FROM: Mtnos Calil <mtnoscalil@terra.com.br>
TO: <ciencialist@yahoogrupos.com.br>
DATE: 08/05/2015 20:54

Caro BW

Eu agradeço a sua critica pois ela está revelando que eu preciso EXPLICAR melhor a coisa. 

a) eu não estou propondo criar uma nova linguagem - é  apenas um modelo para ser aplicado em situações especificas, além é claro da comunicação cientifica, que por sua própria natureza "precisa ser precisa"
b) um fato já suficientemente pesquisado revela que as empresas, por exemplo, sofrem de sérios problemas de comunicação interna (e também externa)
c) é comum também os escritores não informarem o significado de algumas palavras chaves de seus textos o que gera interpretações subjetivas; fazer-se entender é um pré-requisito básico da comunicação, assim como VERIFICAR se o ouvinte realmente entendeu o que ouviu .
d) não é a beleza da lingua portuguesa ou de qualquer outra lingua que está em questão e sim o uso da palavra certa no lugar certo, nas ocasiões em que o uso do sistema é recomendado
e) a proposta é que as pessoas interessadas em adquirir (ou aprimorar) a clareza e a precisão na comunicacão, adotem o modelo do LPC sem abandonar o (s) seu (s) modelos preferidos; trata-se, portanto de adotar um novo modelo sem abandonar os já utilizados. A comunicação eficaz requer diferentes estilos, dependendo inclusive de quem seja nosso interlocutor (ou leitor). 

MC

Ps. Existe sim um modelo de comunicação em que o escritor pode deixar o leitor à vontade para interpretar como quiser o seu texto. A música, a poesia, o romance, o cinema, o teatro usam livremente a linguagem sem ter que se submeter ao rigor semântico. Mas o artista cria também uma "linguagem estruturada" (ou sistêmica) conforme revela esse excelente artigo sobre a linguagem de Shakespeare:

 

Shakespeare, um artista da palavra

Barbara Heliodora
especial para a Folha

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/mais/fs2506200005.htm


Depois de cerca de duas décadas dominadas pela crítica daquilo que Harold Bloom rotula de "a escola dos ressentidos", é um prazer ver sair, tão logo depois do personalíssimo livro do mesmo Bloom, a notável e mais do que objetiva "Shakespeare's Language" (A Linguagem de Shakespeare), análise da obra de William Shakespeare (1564-1616) por Frank Kermode, um dos mais notáveis estudiosos da poesia em nosso tempo. Kermode começa sua obra explicando que a dedica a um público não-profissional, por acreditar que este tem sido muito mal servido pela crítica moderna. Esta tem dado pouca atenção justamente a seu tema principal, a linguagem de Shakespeare, pela qual, considera ele, ou passam quase sem lhe notar a existência ou a ela se referem em termos recônditos, que levam os leitores a vê-la como relíquia complicadora e não como elemento vivo. 


Pois é essa linguagem que Kermode, que foi professor "Lord Northcliffe" de inglês moderno no University College, em Londres, professor "Edward 7º" de literatura inglesa em Cambridge e professor "Charles Eliot Norton" de poesia em Harvard, analisa com imenso conhecimento de teoria literária -voltado, igualmente, para o grande processo evolutivo graças ao qual, para usar seus termos precisos, Shakespeare passa da poesia da página para a poesia da cena. As grandes mudanças nos meios de expressão, para Kermode, levam seu livro a uma divisão em duas partes: na primeira são englobadas todas as peças escritas até 1599, analisadas de modo mais sucinto em um só conjunto, enquanto a segunda, mais longa, examina separadamente "Julio Cesar", "Hamlet", "Troilus e Cressida", "Medida por Medida", "Otelo", "Rei Lear", "Macbeth", "Antônio e Cleópatra", "Tímon de Atenas", "Coriolano", "Péricles", "Cymbeline", "Conto de Inverno", "A Tempestade" e, finalmente, "Henrique 8º" com "The Two Noble Kinsmen", do mesmo modo que já havia incluído peças com linguagem semelhante junto a um ou outro título. 


"Shakespeare's Language" se propõe básica e essencialmente como um estudo da poesia na obra dramática do bardo de Stratford; mas ao longo do caminho encontramos repetidas referências aos sonetos e, principalmente, ao poema "The Phoenix and Turtle", sempre citados como ilustrações do domínio de Shakespeare sobre a expressividade da linguagem poética. O que distingue a posição de Kermode é a lucidez de sua imensa admiração por Shakespeare como supremo artista da palavra, que permanece em todos os momentos aquém da "bardolatria". Aos puristas delirantes, que não aceitam nenhuma possibilidade de interferência de colaboradores nos textos dramáticos, ele lembra o quanto eram estes vulneráveis em razão da precariedade dos métodos e meios de publicação, alterações em remontagens devidas à transmissão oral etc. (afora os casos de verdadeira colaboração). 

Ouvido treinado


Na introdução que antecede as duas partes de análise das obras, Kermode é magistralmente esclarecedor. Além de referir-se às reconhecidas dificuldades de compreensão devidas a mudanças semânticas ocorridas desde a época em que Shakespeare viveu, lembra o autor ao shakespeariano não-profissional a maior facilidade que tinha o público original do poeta de entender trechos que hoje nos pedem mais de uma leitura, simplesmente porque aquele tinha o ouvido muito mais treinado do que o nosso para a apreciação da literatura oral, enquanto a nossa época é muito mais visual. Não é à toa que o elisabetano ia ao teatro "ouvir" uma peça.


Outro aspecto pouco lembrado que aqui merece sua devida atenção é o fato de William Shakespeare ter vivido em uma época em que era regra aprender a ser poeta, primordialmente, pela obediência às regras da retórica; e em toda a primeira parte do livro o que Kermode destaca é justamente o caminho traçado por Shakespeare desde sua fase inicial, de grande uso da retórica.


Fica a poesia, nas primeiras aventuras dramáticas, estritamente voltada para o uso das regras e dos recursos segundo os quais o poeta seria bom ou mau, e o processo de libertação, de individualização, pode ser apreciado também pelo uso inicial, como em "A Comédia dos Erros", da permanente equivalência da frase com o verso, com cada dez sílabas (ou pentâmetros iâmbicos) contendo um pensamento completo. O pensamento expressado em vários versos, como o uso de versos quebrados em dois ou três pequenas frases ditas por personagens diversos, é produto do amadurecimento no domínio da forma essencialmente dramática.


Mas talvez a contribuição mais significativa da análise de Kermode seja a que concerne ao crescente uso da hendíadis, que o autor explica como "um modo de tornar estranha uma única idéia por partir a expressão em dois, de modo que ela passa a exigir uma explicação, como uma metáfora pequenina e muitas vezes um tanto sinistra", e que aqui usamos segundo a definição do "Aurélio": "Figura de retórica que consiste em exprimir por dois substantivos ligados por coordenação uma idéia que normalmente se representaria subordinando um deles ao outro".


Muito embora Kermode já encontre alguns exemplos desse uso em peças anteriores, é no "Hamlet" que ele se assevera como recurso de imenso potencial para a evocação de idéias e climas: "Things rank and gross", "the book and volume", "oppressed and fear-surprised eye" etc. Depois do altíssimo número de exemplos dessa figura de retórica em sua primeira grande tragédia, quando tanto pesa para a criação do clima de ambiguidades, incertezas e hesitações, ela continua presente, mas reduzida a um dentre muitos recursos retóricos, mesmo que sempre um pouco favorita.


Nas análises específicas da segunda parte, o trabalho de Kermode é sempre revelador: mesmo contestando as interpretações redutoras recentes que vêem Shakespeare apenas como um produto sociopolítico de seu tempo, ele escreve sobre a alta qualidade da linguagem do "Julio César", a primeira peça escrita para o novo teatro da companhia para a qual Shakespeare escrevia, o Globe, notando que, ao mesmo tempo em que ele usa sua imensa inventividade para compactar, omitir, dar mais foco e alterar relacionamentos tais como os encontrou em Plutarco, a peça é "intensamente política, fato que tem influência determinante sobre a sua linguagem", mas nada a faz político-partidária como querem alguns críticos das últimas décadas.


O longo capítulo sobre "Hamlet" enfoca em particular a total novidade da obra, impossível de ser enquadrada em qualquer fórmula e, em termos de amplitude dramática, efetivamente nova, incomparavelmente mais abrangente do que tudo o que existe de anterior a ela. A tragédia exibe uma variedade de situações, condições e personagens que só puderam existir porque, àquela altura, em 1601, Shakespeare dominava a tal ponto o seu uso da língua inglesa, já conquistara uma tal flexibilidade de formas, que foi capaz de criar esse universo dramático inteiramente novo.


Isso não significa que o poeta esquecesse de qualquer de seus estágios anteriores, pois nada o impede de recorrer a eles quando conveniente ou necessário, como nos antiquados versos da "comédia-dentro-da-comédia".


A ênfase sobre a justiça e os valores éticos nas chamadas "problem plays" ("Troilus e Cressida", "All's Well That Ends Well" e "Medida por Medida") é interessante em particular quando Kermode as vê como experiências com a linguagem nem sempre bem-sucedidas, mais interessante nos grandes debates da primeira, em boa parte da última, e dura e contorcida na segunda, com determinados versos de tal modo compactos que simplesmente descobrir o que está na verdade sendo dito é muitas vezes mais difícil do que qualquer interpretação posterior do pensamento.


Já em "Otelo", o nível do vocabulário de Iago é usado para a caracterização da sordidez e mesquinhez de sua verdadeira personalidade, quando ele está só ou no ambiente de caserna que as atividades militares da tragédia sugerem; o nível é alterado, no entanto, quando interessa a ele apresentar sua aparência de "honest Iago". Essa espécie de quase dupla personalidade é parte integrante da importância do tema verdade/aparência que domina a peça, expressado pela frequência dos verbos "to think", "to seem" ou, a fim de determinar o que pensar, "to see" e "to observe".


A linguagem vai ficando cada vez mais densa e oblíqua, mas é ocioso continuar a tentar resumir os comentários de Frank Kermode sobre todas as obras pós-1599, porque o realmente significativo em "Shakespeare's Language" não é este ou aquele comentário ou esclarecimento, mas o conjunto. Não é possível, no entanto, deixar de chamar a atenção para o fato de o crítico considerar, com grande justeza, que nas obras da maturidade o leitor, se quiser realmente apreciar as peças de Shakespeare, terá de se dar ao trabalho de prestar muita atenção aos detalhes, pois estes são profundamente reveladores.


O aspecto mais interessante do notável trabalho de Kermode, no entanto, me parece ser sua consciência da importância da linguagem na obra dramática de Shakespeare, mas também sua clara consciência de que as peças, justamente enquanto obras dramáticas, são muito mais do que isso, e que a importância da linguagem só se faz notar por ser ela um dos instrumentos para a expressão da imaginação, da capacidade criativa com que o poeta cria aqueles textos que foram concebidos para tomar vida no palco.


O puro e simples conhecimento, a total intimidade que Frank Kermode tem tanto com as obras de Shakespeare quanto com os idiomas da poesia, a acuidade com que ele analisa as obras sem jamais permitir que a perfeita objetividade diminua em qualquer mínima medida sua inesgotável admiração por Shakespeare fazem de "Shakespeare's Language" uma contribuição à exegese das peças que tem tudo para vir a se juntar ao pequeno e precioso núcleo de obras críticas de interesse permanente, que se destaca do dilúvio do que podemos chamar de "shakespearianices" de momento.




On Sex 08/05/15 19:16 , "Belmiro Wolski belmirow@yahoo.com.br [ciencialist]" ciencialist@yahoogrupos.com.br sent:
 

Caro MC,

    Já ouviu o José Simão na Band News? Ele sempre diz o seguinte, antes de comentar sobre placas que os ouvintes enviam a ele de todo o lugar do Brasil, com avisos engraçados e escritos de forma errada. Ele diz: o brasileiro escreve errado mas todo mundo se entende! Taí! Esse é o objetivo da coisa. Precisamos nos entender. E, com raras exceções, é isso que sempre acontece. Nos entendemos, quer pela linguagem escrita ou falada. Não precisamos de uma única palavra para designar uma única coisa. Aquilo que você conhece por salsicha, aqui em Curitiba chamamos de vina. E, se alguém pedir uma vina no Rio, a princípio não vai receber, mas é só mencionar seu sinônimo que tá tudo certo. E o balconista da lanchonete terá aprendido que salsicha e vina são a mesma coisa. O próximo curitibano que pedir vina será atendido. 
    A riqueza de um vocabulário se mede pela quantidade de sinônimos, pela adequação no contexto, pelas figuras de linguagem, pelas expressões idiomáticas, até pelas gírias. O que você está se propondo a fazer e que jamais chegará perto de conseguí-lo, é robotizar a linguagem. E isso é empobrecê-la. Imagine um diálogo entre duas pessoas falando Calilzês. Piadas não serão mais possíveis pois a graça delas, em sua maioria está no contexto. Exageros na hora de contar vantagens também não dá. Histórias de pescador perderão a graça. Gírias, nem pensar. Imagine se alguém inventar de pegar no seu pé!
     Terão de ser criadas milhões de novas palavras para que não hajam sinônimos, verbos terão que ser revistos e também criados aos milhões. O Kid Bengala terá que encontrar novo apelido porque bengala será apenas outra coisa. Pé de mesa será apenas uma catacrese. Aliás, nem esta poderá mais existir. Deverá ser inventado um nome para o pé da mesa. Sugiro blastrocrana. Que tal? As palavras ficarão cada vez mais difíceis de pronunciar porque a combinação de letras para formá-las está ficando cada vez mais complexa.  Enfim, meu caro, pare de se preocupar com essas coisas. E não venha se fazendo de herói, imaginando ser o salvador da pátria. Que alguém tem que acabar com a polissemia e quetais. Se alguém não entende algumas coisas dentro do contexto, e me parece que você é um desses casos, tanto que não entendeu a minha ironia do artigo do Roundup X autismo, então o problema é localizado. Não vale a pena adaptar o idioma a esses casos, simplificando-o binariamente. É melhor se adaptar ao idioma, tentar compreendê-lo em toda a sua magnitude e riqueza. Algo que foi construído ao longo de séculos não pode ser desprezado dessa forma. Tente entender melhor nossa linguagem. A graça está em tudo isso. Nos diferentes significados das palavras conforme o caso, na entonação de uma frase que lhe confere diferentes conotações, nas vírgulas, que, se trocadas mudam o sentido da frase. A língua portuguesa é maravilhosa. O Calilzês é horroroso! É chato pacacete!!

     *BW*



Em Sexta-feira, 8 de Maio de 2015 17:15, "Mtnos Calil" mtnoscalil@terra.com.br [ciencialist]" escreveu:


 


"Tenha santa paciência!! Não existe essa tal precisão linguística!"  Belmiro Wolski

O sr. quis dizer que existe outra precisão linguistica que não essa tal, ou que não existe nenhuma precisão linguistica? 

Se existe outra, qual seria a diferença entre a outra e essa tal? 

Obrigado, pacientemente.

Mtnos Calil 

Ps. Considero a hipótese de que o sr. não tenha compreendido os fundamentos da matematização da linguagem, hipótese essa que estaria associada a esta outra hipótese, segundo a qual eu não informei ou expliquei a contento quais seriam estes fundamentos. 

============================

Em Qui 07/05/15 19:43, Belmiro Wolski belmirow@yahoo.com.br [ciencialist] ciencialist@yahoogrupos.com.br escreveu:

 
>> "A persistência é o caminho da vitória".
- Persistir no erro é caminho para a vitória?
- Não existem outros caminhos para a vitória? ( se ainda fosse: "é um dos caminhos...")
- Persistir na frente de combate e levar um tiro é caminho para a vitória?( depende do contexto, vitória em que sentido  e de quem? dele ?ou do grupo?)
- que vitória? Em que sentido?
Tenha santa paciência!! Não existe essa tal precisão linguística! Existe comunicação. E é o que interessa. A interpretação fora de contexto é uma deficiência. Não é regra! 
Tradução: santa nesse caso não tem nada a ver com a religião, auréola, etc, onde etc quer dizer outras coisas relacionadas à santa mas que não no sentido de santidade. Paciência não é aquele jogo de cartas, cartas não são as do correio, são não é antônimo de doente. E por aí vai... Bacana!
*BW*



Em Quinta-feira, 7 de Maio de 2015 17:50, "Mtnos Calil" mtnoscalil@terra.com.br [ciencialist]" escreveu:

 
Impressionante! Essa palavrinha assanhada que tu jogaste na mesa - contexto -  abriu um campo conceitual rico de conteúdo para a matematização da linguagem. Este novo conceito para o processo de matematizaçao da linguagem (sem números, fórmulas, teoremas,etc) é o seguinte:  quando um enunciado é elaborado de uma forma lógico-semântica precisa, a sua compreensão não depende de nenhum contexto. 
Porém para obedecer submissamente ao nosso désposta do rigor linguistico fui googlear uma pesquisa sobre o termo, quando me deparei com um artigo redigido por uma professora de filosofia da PUC e autora de uma tese de doutorado no âmbito da filosofia da linguagem
 
Neste artigo ela referenda esse elogio ao teu aclamado contexto:
 
O contexto da enunciação é de uma importância tal, que é quase impossível avaliar. Por 'contexto' entendo, pelo menos, o tempo, o lugar, a situação, os temas que constituem o foco imediato de interesse e as histórias pessoais tanto do locutor, quanto daqueles a quem ele se endereça. Além do contexto existe, é claro, a convenção lingüística [...]. O requisito [...] para que uma expressão na sua utilização referencial seja corretamente aplicada [...] é de que a coisa se encontre em certa relação com o locutor e com o contexto de elocução (STRAWSON, 1977, p. 29).
 
Imediatamente lhe enviei esta mensagem:
 
Prezada Professora. 
Estou trabalhando há alguns anos no tema "lógica e precisão na comunicação" e acabei criando um modelo de comunicação para ser utilizado em algumas circunstâncias, baseado em alguns pressupostos como este:
Todo enunciado deve ser feito de tal maneira que não dê margem a nenhuma "interpretação. Para tanto o seu autor deve deixar muito claro qual é o significado que está atribuindo aos termos chaves utilizados.
Como a sra. defende a tese de que a compreensão de um enunciado depende do contexto, gostaria de abrir uma comunicação entre nós para que a minha tese possa ser derrubada. Estou montando um curso de lógica na comunicação para psicólogos com a participação de uma psicóloga e psicoterapeuta.
abraços
Mtnos Calil
Consultor organizacional multidisciplinar - São Paulo, SP.

Ps1. Exemplos de frases que não dependem de contexto e que tiveram - e continuam tendo - fortissima influência na minha vida:

a) A depressão é um processo emocional que paralisa as forças vitais
b) Para enfrentar a ansiedade da velhice, viva intensamente
c) Para ser feliz realize suas potencialidades
d) Deus, dai-me a coragem para mudar as coisas que eu posso mudar, a serenidade para aceitar as coisas que eu não posso mudar e a sabedoria para distinguir a diferença.
f) O sentido da vida está no prazer de viver
g) O bom humor é pré-requisito da felicidade
e) Para realizar suas potencialidades, se puder, faça uso deste triângulo estratégico quântico: caos, acaso e imprevisibilidade.

Ps2. Estou em contato com um prof. da PUC de São Paulo que é fã da univocidade para ver se faremos algo em conjunto.

 
Algumas horas depois ela me respondeu concordando com a minha proposta de discutirmos o assunto.
 
Prossigo agora respondendo à tua última mensagem:
 
 Mais uma frase que não depende de contexto, do Chaplin:
> "A persistência é o caminho da vitória"
Aquele sujeito (ligeiramente amalucado, salientemos) resolveu absorver integralmente o ditado do Chaplin e está iniciando
os procedimentos para fixar um prego de 12 cm em uma parede de concreto através da repetida "bordoagem" de sua testa na
cabeça do dito prego.
 
Pensa ele: "Porra, o Chaplin foi um sujeito prá lá de
genial, então o que ele disse servirá para a minha
tarefa: vou pregar essa porra de prego com a testa!"
A persistência é o caminho da vitória! Verdade!
(contexto: a persistência desse amalucado é o Caminho da vitória profissional do médico da UTI que
Irá atender esse mané, após ele desmaiar com a testa estropiadáça". Viu só como o ditado do Chaplin é mesmo verdadeiro? hahahahahaha
*PB*
 
Prezado PB
 
O que tu chamaste de contexto é apenas uma informação a respeito da maluquice do seguidor da frase. E de fato informações como essa, são (exageradamente) consideradas como um contexto necessário para a compreensão do enunciado. A forma que eu encontrei de matar o contexto é transformá-lo numa simples informação, necessária e suficiente para a perfeita compreensão do enunciado. No seu exemplo, basta informar que o sujeito é maluco para a frase ter uma ÚNICA e PRECISA compreensão. Essa informação não tem, porém, sequer a  consistência suficiente para constituir um contexto.

Abraços fora de contexto (ou com o contexto explicito ou implicito). 
Mtnos Calil 


Ps.  Ocorre que muitos filósofos  (e até  cientistas) não utilizam um modelo de comunicação que facilita a compreensão dos enunciados – pelo contrário, eles dificultam! Por sua vez, os leitores adoram “interpretar” o que os outros escrevem ou falam. Grande parte das interpretações transformam – ou seja adulteram - o significado original. . 

Em Qui 07/05/15 12:11, Pesky Bee peskybee2@gmail.com [ciencialist] ciencialist@yahoogrupos.com.br escreveu:

 
> Mais uma frase que não depende de contexto, do Chaplin:
> "A persistência é o caminho da vitória"
Aquele sujeito (ligeiramente amalucado, salientemos) resolveu
absorver integralmente o ditado do Chaplin e está iniciando
os procedimentos
para fixar um prego de 12 cm em uma parede
de concreto
através da repetida "bordoagem" de sua testa na
cabeça do dito prego.
Pensa ele: "Porra, o Chaplin foi um sujeito prá lá de
genial, então o que ele disse servirá para a minha
tarefa: vou pregar essa porra de prego com a testa!"
A persistência é o caminho da vitória! Verdade!
(contexto: a persistência desse amalucado é o
caminho
da vitória profissional do médico da UTI que
irá
atender esse mané, após ele desmaiar com a testa
estropiadáça". Viu só como o ditado do Chaplin é mesmo
verdadeiro? hahahahahaha
*PB*

From: "Mtnos Calil" mtnoscalil@terra.com.br [ciencialist]
Sent: Thursday, May 07, 2015 11:49 AM
To: ciencialist@yahoogrupos.com.br
Subject: [ciencialist] Enc: Re: Matematização da linguagem
Prezado Pesky.
Agora vou sair e na volta respondo sua ultima mensagem que fala em "100% definida".
Abraços
Mtnos Calil
Ps1. Mais uma frase que não depende de contexto, do Chaplin: "A persistência é o caminho da vitória"  
Ps2. Uma profa. de filosofia da PUC aceitou o desafio. Ela, como você, afirma que a compreensão de um enunciado depende do contexto. Aliás todo o mundo fala isso, né?






SUBJECT: Re: [ciencialist] Pergunta crucial para o Prof. Belmiro
FROM: "Alberto Mesquita Filho" <albmesq@uol.com.br>
TO: <ciencialist@yahoogrupos.com.br>
DATE: 09/05/2015 01:22

Mtnos escreveu”
 
> Eu agradeço a sua critica (a cr[itica do BW) pois ela está revelando que eu preciso EXPLICAR melhor a coisa
 
De fato precisa. Ou seja, você está há vários meses tentando nos comunicar alguma coisa e até agora não conseguiu transmitir nada. Conseguiu unicamente locupletar o espaço da Ciencialist com gigabytes de textos extremamente confusos acrescidos de esclarecimentos de rodapé (ou PS’s) ainda mais confusos e totalmente desinteressantes.
 
Seria então conveniente que você contratasse o Frank Kermode (para os que não o conhecem, vide nota de rodapé da msg abaixo do Mtnos) para que ele possa traduzir para nós o que seria esta magnífica obra prima a que você chama por modelo do LPC. Pois você não está conseguindo EXPLICAR absolutamente nada, nem mesmo a respeito de algo que, salvo maior juízo, tem a pretensão de facilitar a comunicação entre cientistas e/ou empresários e/ou sabe-se lá mais o que. Sugiro então que o Kermode escreva um livro que poderia ser intitulado “Mtnos LPC Language” ou então “Mtnos, o cientista incompreendido da palavra”.
 
[ ]´s
Alberto
http://ecientificocultural.com.br
Mas indiferentemente a tudo isso, o elétron não é uma carga elétrica
coulombiana e a Terra se move. E a história se repetirá.
 
 
 
Sent: Friday, May 8, 2015 8:54 PM
Subject: Re: [ciencialist] Pergunta crucial para o Prof. Belmiro
 
 

Caro BW


Eu agradeço a sua critica pois ela está revelando que eu preciso EXPLICAR melhor a coisa.

a) eu não estou propondo criar uma nova linguagem - é  apenas um modelo para ser aplicado em situações especificas, além é claro da comunicação cientifica, que por sua própria natureza "precisa ser precisa"
b) um fato já suficientemente pesquisado revela que as empresas, por exemplo, sofrem de sérios problemas de comunicação interna (e também externa)
c) é comum também os escritores não informarem o significado de algumas palavras chaves de seus textos o que gera interpretações subjetivas; fazer-se entender é um pré-requisito básico da comunicação, assim como VERIFICAR se o ouvinte realmente entendeu o que ouviu .
d) não é a beleza da lingua portuguesa ou de qualquer outra lingua que está em questão e sim o uso da palavra certa no lugar certo, nas ocasiões em que o uso do sistema é recomendado
e) a proposta é que as pessoas interessadas em adquirir (ou aprimorar) a clareza e a precisão na comunicacão, adotem o modelo do LPC sem abandonar o (s) seu (s) modelos preferidos; trata-se, portanto de adotar um novo modelo sem abandonar os já utilizados. A comunicação eficaz requer diferentes estilos, dependendo inclusive de quem seja nosso interlocutor (ou leitor).

MC

Ps. Existe sim um modelo de comunicação em que o escritor pode deixar o leitor à vontade para interpretar como quiser o seu texto. A música, a poesia, o romance, o cinema, o teatro usam livremente a linguagem sem ter que se submeter ao rigor semântico. Mas o artista cria também uma "linguagem estruturada" (ou sistêmica) conforme revela esse excelente artigo sobre a linguagem de Shakespeare:

 

Shakespeare, um artista da palavra

Barbara Heliodora
especial para a Folha

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/mais/fs2506200005.htm


Depois de cerca de duas décadas dominadas pela crítica daquilo que Harold Bloom rotula de "a escola dos ressentidos", é um prazer ver sair, tão logo depois do personalíssimo livro do mesmo Bloom, a notável e mais do que objetiva "Shakespeare's Language" (A Linguagem de Shakespeare), análise da obra de William Shakespeare (1564-1616) por Frank Kermode, um dos mais notáveis estudiosos da poesia em nosso tempo. Kermode começa sua obra explicando que a dedica a um público não-profissional, por acreditar que este tem sido muito mal servido pela crítica moderna. Esta tem dado pouca atenção justamente a seu tema principal, a linguagem de Shakespeare, pela qual, considera ele, ou passam quase sem lhe notar a existência ou a ela se referem em termos recônditos, que levam os leitores a vê-la como relíquia complicadora e não como elemento vivo.


Pois é essa linguagem que Kermode, que foi professor "Lord Northcliffe" de inglês moderno no University College, em Londres, professor "Edward 7º" de literatura inglesa em Cambridge e professor "Charles Eliot Norton" de poesia em Harvard, analisa com imenso conhecimento de teoria literária -voltado, igualmente, para o grande processo evolutivo graças ao qual, para usar seus termos precisos, Shakespeare passa da poesia da página para a poesia da cena. As grandes mudanças nos meios de expressão, para Kermode, levam seu livro a uma divisão em duas partes: na primeira são englobadas todas as peças escritas até 1599, analisadas de modo mais sucinto em um só conjunto, enquanto a segunda, mais longa, examina separadamente "Julio Cesar", "Hamlet", "Troilus e Cressida", "Medida por Medida", "Otelo", "Rei Lear", "Macbeth", "Antônio e Cleópatra", "Tímon de Atenas", "Coriolano", "Péricles", "Cymbeline", "Conto de Inverno", "A Tempestade" e, finalmente, "Henrique 8º" com "The Two Noble Kinsmen", do mesmo modo que já havia incluído peças com linguagem semelhante junto a um ou outro título.


"Shakespeare's Language" se propõe básica e essencialmente como um estudo da poesia na obra dramática do bardo de Stratford; mas ao longo do caminho encontramos repetidas referências aos sonetos e, principalmente, ao poema "The Phoenix and Turtle", sempre citados como ilustrações do domínio de Shakespeare sobre a expressividade da linguagem poética. O que distingue a posição de Kermode é a lucidez de sua imensa admiração por Shakespeare como supremo artista da palavra, que permanece em todos os momentos aquém da "bardolatria". Aos puristas delirantes, que não aceitam nenhuma possibilidade de interferência de colaboradores nos textos dramáticos, ele lembra o quanto eram estes vulneráveis em razão da precariedade dos métodos e meios de publicação, alterações em remontagens devidas à transmissão oral etc. (afora os casos de verdadeira colaboração).

Ouvido treinado


Na introdução que antecede as duas partes de análise das obras, Kermode é magistralmente esclarecedor. Além de referir-se às reconhecidas dificuldades de compreensão devidas a mudanças semânticas ocorridas desde a época em que Shakespeare viveu, lembra o autor ao shakespeariano não-profissional a maior facilidade que tinha o público original do poeta de entender trechos que hoje nos pedem mais de uma leitura, simplesmente porque aquele tinha o ouvido muito mais treinado do que o nosso para a apreciação da literatura oral, enquanto a nossa época é muito mais visual. Não é à toa que o elisabetano ia ao teatro "ouvir" uma peça.


Outro aspecto pouco lembrado que aqui merece sua devida atenção é o fato de William Shakespeare ter vivido em uma época em que era regra aprender a ser poeta, primordialmente, pela obediência às regras da retórica; e em toda a primeira parte do livro o que Kermode destaca é justamente o caminho traçado por Shakespeare desde sua fase inicial, de grande uso da retórica.


Fica a poesia, nas primeiras aventuras dramáticas, estritamente voltada para o uso das regras e dos recursos segundo os quais o poeta seria bom ou mau, e o processo de libertação, de individualização, pode ser apreciado também pelo uso inicial, como em "A Comédia dos Erros", da permanente equivalência da frase com o verso, com cada dez sílabas (ou pentâmetros iâmbicos) contendo um pensamento completo. O pensamento expressado em vários versos, como o uso de versos quebrados em dois ou três pequenas frases ditas por personagens diversos, é produto do amadurecimento no domínio da forma essencialmente dramática.


Mas talvez a contribuição mais significativa da análise de Kermode seja a que concerne ao crescente uso da hendíadis, que o autor explica como "um modo de tornar estranha uma única idéia por partir a expressão em dois, de modo que ela passa a exigir uma explicação, como uma metáfora pequenina e muitas vezes um tanto sinistra", e que aqui usamos segundo a definição do "Aurélio": "Figura de retórica que consiste em exprimir por dois substantivos ligados por coordenação uma idéia que normalmente se representaria subordinando um deles ao outro".


Muito embora Kermode já encontre alguns exemplos desse uso em peças anteriores, é no "Hamlet" que ele se assevera como recurso de imenso potencial para a evocação de idéias e climas: "Things rank and gross", "the book and volume", "oppressed and fear-surprised eye" etc. Depois do altíssimo número de exemplos dessa figura de retórica em sua primeira grande tragédia, quando tanto pesa para a criação do clima de ambiguidades, incertezas e hesitações, ela continua presente, mas reduzida a um dentre muitos recursos retóricos, mesmo que sempre um pouco favorita.


Nas análises específicas da segunda parte, o trabalho de Kermode é sempre revelador: mesmo contestando as interpretações redutoras recentes que vêem Shakespeare apenas como um produto sociopolítico de seu tempo, ele escreve sobre a alta qualidade da linguagem do "Julio César", a primeira peça escrita para o novo teatro da companhia para a qual Shakespeare escrevia, o Globe, notando que, ao mesmo tempo em que ele usa sua imensa inventividade para compactar, omitir, dar mais foco e alterar relacionamentos tais como os encontrou em Plutarco, a peça é "intensamente política, fato que tem influência determinante sobre a sua linguagem", mas nada a faz político-partidária como querem alguns críticos das últimas décadas.


O longo capítulo sobre "Hamlet" enfoca em particular a total novidade da obra, impossível de ser enquadrada em qualquer fórmula e, em termos de amplitude dramática, efetivamente nova, incomparavelmente mais abrangente do que tudo o que existe de anterior a ela. A tragédia exibe uma variedade de situações, condições e personagens que só puderam existir porque, àquela altura, em 1601, Shakespeare dominava a tal ponto o seu uso da língua inglesa, já conquistara uma tal flexibilidade de formas, que foi capaz de criar esse universo dramático inteiramente novo.


Isso não significa que o poeta esquecesse de qualquer de seus estágios anteriores, pois nada o impede de recorrer a eles quando conveniente ou necessário, como nos antiquados versos da "comédia-dentro-da-comédia".


A ênfase sobre a justiça e os valores éticos nas chamadas "problem plays" ("Troilus e Cressida", "All's Well That Ends Well" e "Medida por Medida") é interessante em particular quando Kermode as vê como experiências com a linguagem nem sempre bem-sucedidas, mais interessante nos grandes debates da primeira, em boa parte da última, e dura e contorcida na segunda, com determinados versos de tal modo compactos que simplesmente descobrir o que está na verdade sendo dito é muitas vezes mais difícil do que qualquer interpretação posterior do pensamento.


Já em "Otelo", o nível do vocabulário de Iago é usado para a caracterização da sordidez e mesquinhez de sua verdadeira personalidade, quando ele está só ou no ambiente de caserna que as atividades militares da tragédia sugerem; o nível é alterado, no entanto, quando interessa a ele apresentar sua aparência de "honest Iago". Essa espécie de quase dupla personalidade é parte integrante da importância do tema verdade/aparência que domina a peça, expressado pela frequência dos verbos "to think", "to seem" ou, a fim de determinar o que pensar, "to see" e "to observe".


A linguagem vai ficando cada vez mais densa e oblíqua, mas é ocioso continuar a tentar resumir os comentários de Frank Kermode sobre todas as obras pós-1599, porque o realmente significativo em "Shakespeare's Language" não é este ou aquele comentário ou esclarecimento, mas o conjunto. Não é possível, no entanto, deixar de chamar a atenção para o fato de o crítico considerar, com grande justeza, que nas obras da maturidade o leitor, se quiser realmente apreciar as peças de Shakespeare, terá de se dar ao trabalho de prestar muita atenção aos detalhes, pois estes são profundamente reveladores.


O aspecto mais interessante do notável trabalho de Kermode, no entanto, me parece ser sua consciência da importância da linguagem na obra dramática de Shakespeare, mas também sua clara consciência de que as peças, justamente enquanto obras dramáticas, são muito mais do que isso, e que a importância da linguagem só se faz notar por ser ela um dos instrumentos para a expressão da imaginação, da capacidade criativa com que o poeta cria aqueles textos que foram concebidos para tomar vida no palco.


O puro e simples conhecimento, a total intimidade que Frank Kermode tem tanto com as obras de Shakespeare quanto com os idiomas da poesia, a acuidade com que ele analisa as obras sem jamais permitir que a perfeita objetividade diminua em qualquer mínima medida sua inesgotável admiração por Shakespeare fazem de "Shakespeare's Language" uma contribuição à exegese das peças que tem tudo para vir a se juntar ao pequeno e precioso núcleo de obras críticas de interesse permanente, que se destaca do dilúvio do que podemos chamar de "shakespearianices" de momento.

 


On Sex 08/05/15 19:16 , "Belmiro Wolski belmirow@yahoo.com.br [ciencialist]" ciencialist@yahoogrupos.com.br sent:
 
Caro MC,
 
    Já ouviu o José Simão na Band News? Ele sempre diz o seguinte, antes de comentar sobre placas que os ouvintes enviam a ele de todo o lugar do Brasil, com avisos engraçados e escritos de forma errada. Ele diz: o brasileiro escreve errado mas todo mundo se entende! Taí! Esse é o objetivo da coisa. Precisamos nos entender. E, com raras exceções, é isso que sempre acontece. Nos entendemos, quer pela linguagem escrita ou falada. Não precisamos de uma única palavra para designar uma única coisa. Aquilo que você conhece por salsicha, aqui em Curitiba chamamos de vina. E, se alguém pedir uma vina no Rio, a princípio não vai receber, mas é só mencionar seu sinônimo que tá tudo certo. E o balconista da lanchonete terá aprendido que salsicha e vina são a mesma coisa. O próximo curitibano que pedir vina será atendido.
    A riqueza de um vocabulário se mede pela quantidade de sinônimos, pela adequação no contexto, pelas figuras de linguagem, pelas expressões idiomáticas, até pelas gírias. O que você está se propondo a fazer e que jamais chegará perto de conseguí-lo, é robotizar a linguagem. E isso é empobrecê-la. Imagine um diálogo entre duas pessoas falando Calilzês. Piadas não serão mais possíveis pois a graça delas, em sua maioria está no contexto. Exageros na hora de contar vantagens também não dá. Histórias de pescador perderão a graça. Gírias, nem pensar. Imagine se alguém inventar de pegar no seu pé!
     Terão de ser criadas milhões de novas palavras para que não hajam sinônimos, verbos terão que ser revistos e também criados aos milhões. O Kid Bengala terá que encontrar novo apelido porque bengala será apenas outra coisa. Pé de mesa será apenas uma catacrese. Aliás, nem esta poderá mais existir. Deverá ser inventado um nome para o pé da mesa. Sugiro blastrocrana. Que tal? As palavras ficarão cada vez mais difíceis de pronunciar porque a combinação de letras para formá-las está ficando cada vez mais complexa.  Enfim, meu caro, pare de se preocupar com essas coisas. E não venha se fazendo de herói, imaginando ser o salvador da pátria. Que alguém tem que acabar com a polissemia e quetais. Se alguém não entende algumas coisas dentro do contexto, e me parece que você é um desses casos, tanto que não entendeu a minha ironia do artigo do Roundup X autismo, então o problema é localizado. Não vale a pena adaptar o idioma a esses casos, simplificando-o binariamente. É melhor se adaptar ao idioma, tentar compreendê-lo em toda a sua magnitude e riqueza. Algo que foi construído ao longo de séculos não pode ser desprezado dessa forma. Tente entender melhor nossa linguagem. A graça está em tudo isso. Nos diferentes significados das palavras conforme o caso, na entonação de uma frase que lhe confere diferentes conotações, nas vírgulas, que, se trocadas mudam o sentido da frase. A língua portuguesa é maravilhosa. O Calilzês é horroroso! É chato pacacete!!
 
     *BW*
 


Em Sexta-feira, 8 de Maio de 2015 17:15, "Mtnos Calil" mtnoscalil@terra.com.br [ciencialist]" escreveu:


 


"Tenha santa paciência!! Não existe essa tal precisão linguística!"  Belmiro Wolski

O sr. quis dizer que existe outra precisão linguistica que não essa tal, ou que não existe nenhuma precisão linguistica?

Se existe outra, qual seria a diferença entre a outra e essa tal?

Obrigado, pacientemente.

Mtnos Calil

Ps. Considero a hipótese de que o sr. não tenha compreendido os fundamentos da matematização da linguagem, hipótese essa que estaria associada a esta outra hipótese, segundo a qual eu não informei ou expliquei a contento quais seriam estes fundamentos.

============================

Em Qui 07/05/15 19:43, Belmiro Wolski belmirow@yahoo.com.br [ciencialist] ciencialist@yahoogrupos.com.br escreveu:

 
>> "A persistência é o caminho da vitória".
- Persistir no erro é caminho para a vitória?
- Não existem outros caminhos para a vitória? ( se ainda fosse: "é um dos caminhos...")
- Persistir na frente de combate e levar um tiro é caminho para a vitória?( depende do contexto, vitória em que sentido  e de quem? dele ?ou do grupo?)
- que vitória? Em que sentido?
Tenha santa paciência!! Não existe essa tal precisão linguística! Existe comunicação. E é o que interessa. A interpretação fora de contexto é uma deficiência. Não é regra!
Tradução: santa nesse caso não tem nada a ver com a religião, auréola, etc, onde etc quer dizer outras coisas relacionadas à santa mas que não no sentido de santidade. Paciência não é aquele jogo de cartas, cartas não são as do correio, são não é antônimo de doente. E por aí vai... Bacana!
*BW*
 


Em Quinta-feira, 7 de Maio de 2015 17:50, "Mtnos Calil" mtnoscalil@terra.com.br [ciencialist]" escreveu:
 
 
Impressionante! Essa palavrinha assanhada que tu jogaste na mesa - contexto -  abriu um campo conceitual rico de conteúdo para a matematização da linguagem. Este novo conceito para o processo de matematizaçao da linguagem (sem números, fórmulas, teoremas,etc) é o seguinte:  quando um enunciado é elaborado de uma forma lógico-semântica precisa, a sua compreensão não depende de nenhum contexto.
Porém para obedecer submissamente ao nosso désposta do rigor linguistico fui googlear uma pesquisa sobre o termo, quando me deparei com um artigo redigido por uma professora de filosofia da PUC e autora de uma tese de doutorado no âmbito da filosofia da linguagem.
 
Neste artigo ela referenda esse elogio ao teu aclamado contexto:
 
O contexto da enunciação é de uma importância tal, que é quase impossível avaliar. Por 'contexto' entendo, pelo menos, o tempo, o lugar, a situação, os temas que constituem o foco imediato de interesse e as histórias pessoais tanto do locutor, quanto daqueles a quem ele se endereça. Além do contexto existe, é claro, a convenção lingüística [...]. O requisito [...] para que uma expressão na sua utilização referencial seja corretamente aplicada [...] é de que a coisa se encontre em certa relação com o locutor e com o contexto de elocução (STRAWSON, 1977, p. 29).
 
Imediatamente lhe enviei esta mensagem:
 
Prezada Professora.
Estou trabalhando há alguns anos no tema "lógica e precisão na comunicação" e acabei criando um modelo de comunicação para ser utilizado em algumas circunstâncias, baseado em alguns pressupostos como este:
Todo enunciado deve ser feito de tal maneira que não dê margem a nenhuma "interpretação. Para tanto o seu autor deve deixar muito claro qual é o significado que está atribuindo aos termos chaves utilizados.
Como a sra. defende a tese de que a compreensão de um enunciado depende do contexto, gostaria de abrir uma comunicação entre nós para que a minha tese possa ser derrubada. Estou montando um curso de lógica na comunicação para psicólogos com a participação de uma psicóloga e psicoterapeuta.
abraços
Mtnos Calil
Consultor organizacional multidisciplinar - São Paulo, SP.

Ps1. Exemplos de frases que não dependem de contexto e que tiveram - e continuam tendo - fortissima influência na minha vida:

a) A depressão é um processo emocional que paralisa as forças vitais
b) Para enfrentar a ansiedade da velhice, viva intensamente
c) Para ser feliz realize suas potencialidades
d) Deus, dai-me a coragem para mudar as coisas que eu posso mudar, a serenidade para aceitar as coisas que eu não posso mudar e a sabedoria para distinguir a diferença.
f) O sentido da vida está no prazer de viver
g) O bom humor é pré-requisito da felicidade
e) Para realizar suas potencialidades, se puder, faça uso deste triângulo estratégico quântico: caos, acaso e imprevisibilidade.

Ps2. Estou em contato com um prof. da PUC de São Paulo que é fã da univocidade para ver se faremos algo em conjunto.

 
Algumas horas depois ela me respondeu concordando com a minha proposta de discutirmos o assunto.
 
Prossigo agora respondendo à tua última mensagem:
 
 Mais uma frase que não depende de contexto, do Chaplin:
> "A persistência é o caminho da vitória"
Aquele sujeito (ligeiramente amalucado, salientemos) resolveu absorver integralmente o ditado do Chaplin e está iniciando
os procedimentos para fixar um prego de 12 cm em uma parede de concreto através da repetida "bordoagem" de sua testa na
cabeça do dito prego.
 
Pensa ele: "Porra, o Chaplin foi um sujeito prá lá de
genial, então o que ele disse servirá para a minha
tarefa: vou pregar essa porra de prego com a testa!"
A persistência é o caminho da vitória! Verdade!
(contexto: a persistência desse amalucado é o Caminho da vitória profissional do médico da UTI que
Irá atender esse mané, após ele desmaiar com a testa estropiadáça". Viu só como o ditado do Chaplin é mesmo verdadeiro? hahahahahaha
*PB*
 
Prezado PB
 
O que tu chamaste de contexto é apenas uma informação a respeito da maluquice do seguidor da frase. E de fato informações como essa, são (exageradamente) consideradas como um contexto necessário para a compreensão do enunciado. A forma que eu encontrei de matar o contexto é transformá-lo numa simples informação, necessária e suficiente para a perfeita compreensão do enunciado. No seu exemplo, basta informar que o sujeito é maluco para a frase ter uma ÚNICA e PRECISA compreensão. Essa informação não tem, porém, sequer a  consistência suficiente para constituir um contexto.

Abraços fora de contexto (ou com o contexto explicito ou implicito).
Mtnos Calil


Ps.  Ocorre que muitos filósofos  (e até  cientistas) não utilizam um modelo de comunicação que facilita a compreensão dos enunciados – pelo contrário, eles dificultam! Por sua vez, os leitores adoram “interpretar” o que os outros escrevem ou falam. Grande parte das interpretações transformam – ou seja adulteram - o significado original. .

Em Qui 07/05/15 12:11, Pesky Bee peskybee2@gmail.com [ciencialist] ciencialist@yahoogrupos.com.br escreveu:

 
> Mais uma frase que não depende de contexto, do Chaplin:
> "A persistência é o caminho da vitória"
Aquele sujeito (ligeiramente amalucado, salientemos) resolveu
absorver integralmente o ditado do Chaplin e está iniciando
os procedimentos
para fixar um prego de 12 cm em uma parede
de concreto
através da repetida "bordoagem" de sua testa na
cabeça do dito prego.
Pensa ele: "Porra, o Chaplin foi um sujeito prá lá de
genial, então o que ele disse servirá para a minha
tarefa: vou pregar essa porra de prego com a testa!"
A persistência é o caminho da vitória! Verdade!
(contexto: a persistência desse amalucado é o
caminho
da vitória profissional do médico da UTI que
irá
atender esse mané, após ele desmaiar com a testa
estropiadáça". Viu só como o ditado do Chaplin é mesmo
verdadeiro? hahahahahaha
*PB*

From: "Mtnos Calil" mtnoscalil@terra.com.br [ciencialist]
Sent: Thursday, May 07, 2015 11:49 AM
To: ciencialist@yahoogrupos.com.br
Subject: [ciencialist] Enc: Re: Matematização da linguagem
Prezado Pesky.
Agora vou sair e na volta respondo sua ultima mensagem que fala em "100% definida".
Abraços
Mtnos Calil
Ps1. Mais uma frase que não depende de contexto, do Chaplin: "A persistência é o caminho da vitória" 
Ps2. Uma profa. de filosofia da PUC aceitou o desafio. Ela, como você, afirma que a compreensão de um enunciado depende do contexto. Aliás todo o mundo fala isso, né?




 

SUBJECT: ENC: COSMOS: Einstein, Mach e Assis
FROM: "JVictor" <j.victor.neto@uol.com.br>
TO: <ciencialist@yahoogrupos.com.br>
DATE: 09/05/2015 09:42

Olá,

 

Novo Post de D.Soares, enfocando apectos que envolvem o Princípio de Mach. Sugiro, também, um click no link para uma aprumada resenha obra “Subtil é o Senhor...” , obra indispensável a todos que se interessam, de alguma maneira, pelo trabalho de Einstein. Trata-se de uma passagem para o Nirvana...

 

Sds,

Victor.

 

De: Domingos S.L. Soares [mailto:dsoares@fisica.ufmg.br]
Enviada em: terça-feira, 5 de maio de 2015 16:10
Assunto: COSMOS: Einstein, Mach e Assis

 


_____________________________________________05 de maio de 2015

Caros Amigos da Cosmologia,

O artigo A Machian Version of Einstein's Variable Speed of Light Theory (Uma Versão Machiana da Teoria de Velocidade da Luz Variável de Einstein), dos professores alemães Alexander Unzicker e Jan Preuss, é interessante principalmente pelos aspectos históricos e conceituais que apresenta. O resumo do artigo segue abaixo.

Resumo
(Unzicker e Preuss)


É um fato pouco conhecido que enquanto desenvolvia a sua teoria de relatividade geral, a ideia inicial de Einstein era uma teoria de velocidade da luz variável. De fato, a curvatura do espaço-tempo pode ser reproduzida por uma velocidade da luz c(r) que depende da distribuição de massas. A teoria de Einstein de 1911 foi consideravelmente aperfeiçoada por Robert Dicke em 1957, mas apenas recentemente a equivalência entre a abordagem de velocidade da luz variável e o formalismo convencional foi demonstrada (Broekaert, 2008).
(…)
Contrastando com a formulação convencional, esta permite uma interpretação machiana da relatividade geral e da constante gravitacional G. A gravidade, apesar de descrita por equações locais, tem a sua origem em todas as outras massas no universo.

Deixo de lado os resultados teóricos dos alemães, que ainda devem ser confirmados, e passo à apresentação das questões que me chamaram a atenção. Enumero-as a seguir.

1) Em 1907, dois anos após a apresentação da Teoria da Relatividade Restrita (TRR), Einstein propôs o Princípio da Equivalência: “É impossível distinguir um campo gravitacional de um referencial acelerado.” Baseado neste princípio Einstein concluiu que os raios de luz deveriam ser encurvados tanto em referenciais acelerados quanto em referencias influenciados por um campo gravitacional (detalhes em Introdução à Cosmologia, de Ronaldo E. de Souza, Capítulo 3 , e no meu artigo sobre o encurvamento da luz). A ideia de Einstein era de que as massas podiam influenciar a velocidade da luz nas suas vizinhanças. Isto não contradiz o princípio de constância da velocidade da luz nos referenciais de Lorentz (i.e., referenciais tetradimensionais x,y,z,t) da TRR. Einstein declarou explicitamente que “O princípio de constância da velocidade da luz só pode ser sustentado quando se está restrito a regiões de potencial gravitacional constante”. Ou seja, regiões de força gravitacional nula.

2) As ideias de Einstein sobre a velocidade da luz variável não obtiveram a devida atenção por causa de dois fatos principais, de acordo com os autores (págs. 1 e 2). Primeiro, as expedições comandadas por Arthur Eddington, em 1919, para observação do eclipse solar e consequente tentativa de verificação observacional do encurvamento da trajetória da luz nas proximidades do Sol (detalhes em Visita ao Museu do Eclípse em Sobral); a previsão da Teoria da Relatividade Geral (TRG) foi (precariamente) confirmada, e ela era o dobro da previsão obtida com a teoria da velocidade de luz variável (e também da teoria gravitacional newtoniana). Com isto, proclamou-se universalmente a supremacia da TRG sobre a teoria newtoniana e Einstein tornou-se uma celebridade. Os autores do presente artigo indicam um segundo fato: o cálculo de Einstein com a teoria de velocidade da luz variável não tinha considerado escalas de comprimento e ele obteve 0,83 segundos de arco para a deflexão da luz, a metade do valor da TRG. Isto não foi percebido na época e resultou na supervalorização da TRG, que destacava o papel da geometria espacio-temporal na descrição da gravitação. Einstein errou em 1911 porque ele não considerou a variação das escalas de comprimento; esta é a tese dos autores. Segundo eles, somente em 1957, o astrofísico estadunidense Robert Dicke — conhecido por, entre outras coisas, sua contribuição ao estudo da Radiação de Fundo de Microondas e sua suposta origem cósmica — corrigiu o erro de Einstein. Dicke notou que quando ele incluía as escalas de comprimento, a formulação de velocidade variável estava de acordo com os resultados da TRG; ele ainda obteve uma fórmula explícita para a variação de c, a velocidade da luz no vácuo.

3) Dicke apresentou no trabalho de 1957 a hipótese de que a teoria de velocidade da luz variável era consistente com a visão machiana do universo.

4) Pág. 4: “A grande diferença epistemológica entre a gravidade convencional e a machiana é que esta permite a eliminação de uma constante fundamental, a constante de Newton G. Todos os desenvolvimentos revolucionários na física reduziram o número de constantes fundamentais na medida em que expressam uma constante em termos das outras. Calcular G pela distribuição do universo, como sugerido inicialmente por Dicke, é portanto uma ideia radical que precisa ser examinada com atenção.”

O artigo de Unzicker e Preuss está em arxiv.org/abs/1503.06763, onde além do texto original estão listadas todas as referências bibliográficas.

Um pouco sobre a vida e a obra de Ernst Mach está apresentado no ensaio de meu ex-aluno de cosmologia Tuiã A. Linhares. Leiam-no aqui.

Para aqueles que ficaram interessados no Princípio de Mach sugiro dois textos, ambos de um pesquisador adepto do princípio, o físico André Assis, da UNICAMP. Em 1989, as suas ideias foram apresentadas no artigo On Mach's principle. Em 1998 ele expandiu a apresentação em livro, que teve uma segunda edição em 2013. Trata-se do Mecânica Relacional e Implementação do Princípio de Mach com a Força de Weber Gravitacional; veja também a sua Errata.

Vocês verão que não é de se estranhar porque este princípio tanto fascinou ao próprio Einstein, o qual tentou implementá-lo em sua TRG até a desistência final (algo sobre isto na seção 2 de Sutil é o Senhor… Abraham Pais).

Um abraço a todos.

Saudações Cosmológicas,

Domingos

=========================
Domingos Sávio de Lima Soares
http://www.fisica.ufmg.br/~dsoares/
=========================


Para não receber mais mensagens desta lista: envie uma mensagem para dsoares@fisica.ufmg.br escrevendo no ASSUNTO "DESCADASTRAR COSMOS".

Para se cadastrar: envie uma mensagem para dsoares@fisica.ufmg.br escrevendo no ASSUNTO "CADASTRAR COSMOS".


ATENÇÃO: Esta e todas as outras mensagens enviadas para COSMOS estão disponíveis em http://www.fisica.ufmg.br/~dsoares/cosmos/cosmos.htm


 


SUBJECT: Re: [ciencialist] Pergunta crucial para o Prof. Belmiro
FROM: "Mtnos Calil" <mtnoscalil@terra.com.br>
TO: ciencialist@yahoogrupos.com.br
DATE: 09/05/2015 10:42

Prezado Alberto.

Agradeço-lhe também pela sua crítica que me levou às reflexões que seguem. 

Algo estranho está acontecendo. Estranho e  imprevisível. Me parece que também os fenômenos imprevisiveis são dificeis de explicar. Vejamos: 

1. Recentemente perguntei para a minha parceira psicóloga porque ela manifestou tanto interesse neste projeto de lógica na comunicação. (ela prefere chamar assim: "lógica da comunicação"). A resposta dela me surpreendeu - ela disse que queria saber como é que a coisa funcionaria e que a proposta não tinha ficado claro para ela. 

2. Quando eu voltei para o Ciencialist depois de 2 anos de férias, minha intenção foi simplesmente recolher subsidios para escrever um pequeno capitulo de outro projeto, o de tênis, intitulado "metodologia cientifica do ensino de tênis". Ai verificamos que nem a palavra ciência tinha uma definição aceita pelos próprios cientistas e filósofos da ciência e que tinha gente que era até contra o método. 

3. No meio de tanta discussão sobre os significados dos termos ciência e método, surgiu uma nova idéia - a de definir alguns termos (ou ressignificá-los) , com base numa metodologia, para assim termos um exemplo prático de como usar o LPC.   Toda essa agitação alimentou o projeto do curso que teria ( ou terá) como primeiro público- alvo profissionais de psicoterapia porque a ferramenta básica do trabalho deles é a palavra - apenas a palavra (falada e não escrita). Profissão rara essa que usa apenas a palavra nao escrita como ferramenta. 

4. Ao mesmo tempo que essa proposta  criou uma repulsa por parte de algumas pessoas do grupo que foram apelidadas de insurgentes, ela foi ricamente alimentada pelo contraditorio. Ou seja: pessoas que não entenderam a coisa porque ela não foi explicada (ou demonstrada), ajudaram a fortalecer a própria coisa. ?! - me parece, porém,  que o Pesky Bee captou o espírito da coisa. 

5. Um professor da PUC se interessou por uma das idéias do projeto que é dar assessoria para a uma tese de doutorado. Está pendente um encontro com este professor. Também está pendente um encontro com o coordenador do curso de psicologia de uma faculdade para discutirmos o curso do LPC. 

6. Por mais que falte uma boa explicação ou demonstração, tudo que foi dito sobre o assunto deveria ter dado  ao srs. Belmiro e Alberto pelo menos uma noção razoável da coisa. A hipótese para explicar porque essa compreensão foi nula é que o assunto não é familiar a ambos. Essa hipótese tem fundamento porque bastou duas simples mensagens sobre o assunto para uma professora de filosofia e autora de uma tese de doutorado sobre linguagem, mostrar interesse em discutir o assunto (cf. as  mensagens transcritas abaixo). 

7. Outra coisa inesperada é que as discussões que aqui tiveram lugar vão alimentar a apostila do curso. O Pesky Bee trouxe o argumento do contexto, que levou a outro evento inesperado. Pesquisando o termo  “contexto” na web localizei o artigo de uma professora de filosofia da linguagem dizendo exatamente o que o Pesky tinha me dito: que a compreensão de um enunciado exige a informação do "contexto", o que tornaria o meu método inviável. Eu propus à professora que fez um doutorado no assunto, que derrubasse a minha tese segundo a qual a compreensão de um enunciado independe do contexto. Para a minha surpresa - mais um fato inesperado - ela me disse que a tese de doutorado dela abordava as questões que eu coloquei na  mensagem. 

Abraços

Mtnos Calil 

Ps. É a segunda vez que ocorre de algo que eu proponho ser ao mesmo tempo: não compreendido, recusado e alimentado com o contraditorio. A primeira vez foi com a proposta da IDEOLOGIA ZERO, que recebeu muita paulada de pessoas que sequer perguntaram o que a coisa significava. O curioso é que as maiores pauladas vieram pelos ideólogos de esquerda. Alguns direitistas apoiaram a proposta, mas fizeram a sua "leitura" com viés da própria direita! 

========================

Texto de 2 mensagens  enviadas à professora de filosofia da linguagem 

Em 6 de maio de 2015 19:01, "Mtnos Calil" <mtnoscalil@terra.com.br> escreveu:

Prezada Professora.

Estou trabalhando há alguns anos no tema "lógica e precisão na comunicação" e acabei criando um modelo de comunicação para ser utilizado em algumas circunstâncias, baseado em alguns pressupostos como este:

Todo enunciado deve ser feito de tal maneira que não dê margem a nenhuma "interpretação. Para tanto o seu autor deve deixar muito claro qual é o significado que está atribuindo aos termos chaves utilizados.

Como a sra. defende a tese de que a compreensão de um enunciado depende do contexto, gostaria de abrir uma comunicação entre nós para que a minha tese possa ser derrubada. Estou montando um curso de lógica na comunicação para psicólogos com a participação de uma psicóloga e psicoterapeuta.

abraços

Mtnos Calil

Consultor organizacional multidisciplinar - São Paulo, SP.

Ps1. Exemplos de frases que não dependem de contexto e que tiveram - e continuam tendo - fortíssima influência na minha vida:

a) A depressão é um processo emocional que paralisa as forças vitais
b) Para enfrentar a ansiedade da velhice, viva intensamente
c) Para ser feliz realize suas potencialidades
d) Deus, dai-me a coragem para mudar as coisas que eu posso mudar, a serenidade para aceitar as coisas que eu não posso mudar e a sabedoria para distinguir a diferença.
f) O sentido da vida está no prazer de viver
g) O bom humor é pré-requisito da felicidade
e) Para realizar suas potencialidades, se puder, faça uso deste triângulo estratégico quântico: caos, acaso e imprevisibilidade.

Ps2. Quando uma frase suscita (ou estimula) diferentes "leituras" - que na verdade são interpretações - ela não atende aos pré-requisitos do rigor linguistico e precisa ser melhor construida, apresentando detalhes que evitem as interpretações. Sugiro examinarmos a primeira frase da lista.

Na sua visão qual é o "contexto" que falta  a esta frase para que ela seja compreendida de forma unívoca?: 

A depressão é um processo emocional que paralisa as forças vitais

Obs. Dizem que "'unívoca" é a frase que admite apenas uma "interpretação". Estou fazendo uma lista de palavras que não deveriam ser utilizadas na linguagem matematizada - interpretação é uma delas. Deveria ter seu uso restrito às artes, onde cada um interpreta o que quiser como quiser. Na linguagem cientifica não pode ser assim... (rsrs) Se alguém me diz que Pedro Alvares Cabral descobriu o Brasil por acaso porque estava se dirigindo para outro lugar, para entender isso eu não tenho que interpretar nada e apenas saber qual é o significado das palavras que compõem a frase e não ter meus neurônios afetados por alguma enfermidade grave. Ressignificação das palavras, é um item da matematização da linguagem. Na linguagem matematizada cada palavra deve ter um único sentido, como aliás já acontece com a grande maioria dos termos não abstratos: vestido, terno, gravata, telefone, mesa, cadeira, estrela, lua, etc. etc. Quando uma palavra tem vários significados cabe ao seu usuário INFORMAR o significado que lhe está atribuindo . O diálogo de surdos muitas vezes se deve a essa desinformação. . Dei o seguinte apelido para este transtorno: esquizofrenia linguística.

Ps3. Poderia me enviar sua tese de doutorado que não localizei na internet?

Respostas da professora 

 É possível encontrar outras leituras para cada uma das frases que vc citou. Isso não impede que todo comunicador pretenda que suas enunciações recebam leitura única por parte do auditório para se fazer compreender e para que sua mensagem chegue intacta ao destinatário. Justamente, esse é o contexto em que significar algo para alguém requer univocidade...

Como "testar" se isso ocorreu?

Podemos, sim, trocar idéias.

Minha tese foi publicada pela editora........ Várias de suas abordagens são ali discutidas. Dê uma olhada para prosseguir a discussão.

==========================================

On Sáb 09/05/15 01:22 , "'Alberto Mesquita Filho' albmesq@uol.com.br [ciencialist]" ciencialist@yahoogrupos.com.br sent:
 

Mtnos escreveu”
> Eu agradeço a sua critica (a cr[itica do BW) pois ela está revelando que eu preciso EXPLICAR melhor a coisa
De fato precisa. Ou seja, você está há vários meses tentando nos comunicar alguma coisa e até agora não conseguiu transmitir nada. Conseguiu unicamente locupletar o espaço da Ciencialist com gigabytes de textos extremamente confusos acrescidos de esclarecimentos de rodapé (ou PS’s) ainda mais confusos e totalmente desinteressantes.
Seria então conveniente que você contratasse o Frank Kermode (para os que não o conhecem, vide nota de rodapé da msg abaixo do Mtnos) para que ele possa traduzir para nós o que seria esta magnífica obra prima a que você chama por modelo do LPC. Pois você não está conseguindo EXPLICAR absolutamente nada, nem mesmo a respeito de algo que, salvo maior juízo, tem a pretensão de facilitar a comunicação entre cientistas e/ou empresários e/ou sabe-se lá mais o que. Sugiro então que o Kermode escreva um livro que poderia ser intitulado “Mtnos LPC Language” ou então “Mtnos, o cientista incompreendido da palavra”.
[ ]´s
Alberto
http://ecientificocultural.com.br
Mas indiferentemente a tudo isso, o elétron não é uma carga elétrica
coulombiana e a Terra se move. E a história se repetirá.
Sent: Friday, May 8, 2015 8:54 PM
Subject: Re: [ciencialist] Pergunta crucial para o Prof. Belmiro

Caro BW

Eu agradeço a sua critica pois ela está revelando que eu preciso EXPLICAR melhor a coisa.
a) eu não estou propondo criar uma nova linguagem - é  apenas um modelo para ser aplicado em situações especificas, além é claro da comunicação cientifica, que por sua própria natureza "precisa ser precisa"
b) um fato já suficientemente pesquisado revela que as empresas, por exemplo, sofrem de sérios problemas de comunicação interna (e também externa)
c) é comum também os escritores não informarem o significado de algumas palavras chaves de seus textos o que gera interpretações subjetivas; fazer-se entender é um pré-requisito básico da comunicação, assim como VERIFICAR se o ouvinte realmente entendeu o que ouviu .
d) não é a beleza da lingua portuguesa ou de qualquer outra lingua que está em questão e sim o uso da palavra certa no lugar certo, nas ocasiões em que o uso do sistema é recomendado
e) a proposta é que as pessoas interessadas em adquirir (ou aprimorar) a clareza e a precisão na comunicacão, adotem o modelo do LPC sem abandonar o (s) seu (s) modelos preferidos; trata-se, portanto de adotar um novo modelo sem abandonar os já utilizados. A comunicação eficaz requer diferentes estilos, dependendo inclusive de quem seja nosso interlocutor (ou leitor).
MC
Ps. Existe sim um modelo de comunicação em que o escritor pode deixar o leitor à vontade para interpretar como quiser o seu texto. A música, a poesia, o romance, o cinema, o teatro usam livremente a linguagem sem ter que se submeter ao rigor semântico. Mas o artista cria também uma "linguagem estruturada" (ou sistêmica) conforme revela esse excelente artigo sobre a linguagem de Shakespeare:

Shakespeare, um artista da palavra

Barbara Heliodora
especial para a Folha

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/mais/fs2506200005.htm

Depois de cerca de duas décadas dominadas pela crítica daquilo que Harold Bloom rotula de "a escola dos ressentidos", é um prazer ver sair, tão logo depois do personalíssimo livro do mesmo Bloom, a notável e mais do que objetiva "Shakespeare's Language" (A Linguagem de Shakespeare), análise da obra de William Shakespeare (1564-1616) por Frank Kermode, um dos mais notáveis estudiosos da poesia em nosso tempo. Kermode começa sua obra explicando que a dedica a um público não-profissional, por acreditar que este tem sido muito mal servido pela crítica moderna. Esta tem dado pouca atenção justamente a seu tema principal, a linguagem de Shakespeare, pela qual, considera ele, ou passam quase sem lhe notar a existência ou a ela se referem em termos recônditos, que levam os leitores a vê-la como relíquia complicadora e não como elemento vivo.

Pois é essa linguagem que Kermode, que foi professor "Lord Northcliffe" de inglês moderno no University College, em Londres, professor "Edward 7º" de literatura inglesa em Cambridge e professor "Charles Eliot Norton" de poesia em Harvard, analisa com imenso conhecimento de teoria literária -voltado, igualmente, para o grande processo evolutivo graças ao qual, para usar seus termos precisos, Shakespeare passa da poesia da página para a poesia da cena. As grandes mudanças nos meios de expressão, para Kermode, levam seu livro a uma divisão em duas partes: na primeira são englobadas todas as peças escritas até 1599, analisadas de modo mais sucinto em um só conjunto, enquanto a segunda, mais longa, examina separadamente "Julio Cesar", "Hamlet", "Troilus e Cressida", "Medida por Medida", "Otelo", "Rei Lear", "Macbeth", "Antônio e Cleópatra", "Tímon de Atenas", "Coriolano", "Péricles", "Cymbeline", "Conto de Inverno", "A Tempestade" e, finalmente, "Henrique 8º" com "The Two Noble Kinsmen", do mesmo modo que já havia incluído peças com linguagem semelhante junto a um ou outro título.

"Shakespeare's Language" se propõe básica e essencialmente como um estudo da poesia na obra dramática do bardo de Stratford; mas ao longo do caminho encontramos repetidas referências aos sonetos e, principalmente, ao poema "The Phoenix and Turtle", sempre citados como ilustrações do domínio de Shakespeare sobre a expressividade da linguagem poética. O que distingue a posição de Kermode é a lucidez de sua imensa admiração por Shakespeare como supremo artista da palavra, que permanece em todos os momentos aquém da "bardolatria". Aos puristas delirantes, que não aceitam nenhuma possibilidade de interferência de colaboradores nos textos dramáticos, ele lembra o quanto eram estes vulneráveis em razão da precariedade dos métodos e meios de publicação, alterações em remontagens devidas à transmissão oral etc. (afora os casos de verdadeira colaboração).

Ouvido treinado


Na introdução que antecede as duas partes de análise das obras, Kermode é magistralmente esclarecedor. Além de referir-se às reconhecidas dificuldades de compreensão devidas a mudanças semânticas ocorridas desde a época em que Shakespeare viveu, lembra o autor ao shakespeariano não-profissional a maior facilidade que tinha o público original do poeta de entender trechos que hoje nos pedem mais de uma leitura, simplesmente porque aquele tinha o ouvido muito mais treinado do que o nosso para a apreciação da literatura oral, enquanto a nossa época é muito mais visual. Não é à toa que o elisabetano ia ao teatro "ouvir" uma peça.
Outro aspecto pouco lembrado que aqui merece sua devida atenção é o fato de William Shakespeare ter vivido em uma época em que era regra aprender a ser poeta, primordialmente, pela obediência às regras da retórica; e em toda a primeira parte do livro o que Kermode destaca é justamente o caminho traçado por Shakespeare desde sua fase inicial, de grande uso da retórica.


Fica a poesia, nas primeiras aventuras dramáticas, estritamente voltada para o uso das regras e dos recursos segundo os quais o poeta seria bom ou mau, e o processo de libertação, de individualização, pode ser apreciado também pelo uso inicial, como em "A Comédia dos Erros", da permanente equivalência da frase com o verso, com cada dez sílabas (ou pentâmetros iâmbicos) contendo um pensamento completo. O pensamento expressado em vários versos, como o uso de versos quebrados em dois ou três pequenas frases ditas por personagens diversos, é produto do amadurecimento no domínio da forma essencialmente dramática.
Mas talvez a contribuição mais significativa da análise de Kermode seja a que concerne ao crescente uso da hendíadis, que o autor explica como "um modo de tornar estranha uma única idéia por partir a expressão em dois, de modo que ela passa a exigir uma explicação, como uma metáfora pequenina e muitas vezes um tanto sinistra", e que aqui usamos segundo a definição do "Aurélio": "Figura de retórica que consiste em exprimir por dois substantivos ligados por coordenação uma idéia que normalmente se representaria subordinando um deles ao outro".
Muito embora Kermode já encontre alguns exemplos desse uso em peças anteriores, é no "Hamlet" que ele se assevera como recurso de imenso potencial para a evocação de idéias e climas: "Things rank and gross", "the book and volume", "oppressed and fear-surprised eye" etc. Depois do altíssimo número de exemplos dessa figura de retórica em sua primeira grande tragédia, quando tanto pesa para a criação do clima de ambiguidades, incertezas e hesitações, ela continua presente, mas reduzida a um dentre muitos recursos retóricos, mesmo que sempre um pouco favorita.
Nas análises específicas da segunda parte, o trabalho de Kermode é sempre revelador: mesmo contestando as interpretações redutoras recentes que vêem Shakespeare apenas como um produto sociopolítico de seu tempo, ele escreve sobre a alta qualidade da linguagem do "Julio César", a primeira peça escrita para o novo teatro da companhia para a qual Shakespeare escrevia, o Globe, notando que, ao mesmo tempo em que ele usa sua imensa inventividade para compactar, omitir, dar mais foco e alterar relacionamentos tais como os encontrou em Plutarco, a peça é "intensamente política, fato que tem influência determinante sobre a sua linguagem", mas nada a faz político-partidária como querem alguns críticos das últimas décadas.
O longo capítulo sobre "Hamlet" enfoca em particular a total novidade da obra, impossível de ser enquadrada em qualquer fórmula e, em termos de amplitude dramática, efetivamente nova, incomparavelmente mais abrangente do que tudo o que existe de anterior a ela. A tragédia exibe uma variedade de situações, condições e personagens que só puderam existir porque, àquela altura, em 1601, Shakespeare dominava a tal ponto o seu uso da língua inglesa, já conquistara uma tal flexibilidade de formas, que foi capaz de criar esse universo dramático inteiramente novo.
Isso não significa que o poeta esquecesse de qualquer de seus estágios anteriores, pois nada o impede de recorrer a eles quando conveniente ou necessário, como nos antiquados versos da "comédia-dentro-da-comédia".
A ênfase sobre a justiça e os valores éticos nas chamadas "problem plays" ("Troilus e Cressida", "All's Well That Ends Well" e "Medida por Medida") é interessante em particular quando Kermode as vê como experiências com a linguagem nem sempre bem-sucedidas, mais interessante nos grandes debates da primeira, em boa parte da última, e dura e contorcida na segunda, com determinados versos de tal modo compactos que simplesmente descobrir o que está na verdade sendo dito é muitas vezes mais difícil do que qualquer interpretação posterior do pensamento.


Já em "Otelo", o nível do vocabulário de Iago é usado para a caracterização da sordidez e mesquinhez de sua verdadeira personalidade, quando ele está só ou no ambiente de caserna que as atividades militares da tragédia sugerem; o nível é alterado, no entanto, quando interessa a ele apresentar sua aparência de "honest Iago". Essa espécie de quase dupla personalidade é parte integrante da importância do tema verdade/aparência que domina a peça, expressado pela frequência dos verbos "to think", "to seem" ou, a fim de determinar o que pensar, "to see" e "to observe".
A linguagem vai ficando cada vez mais densa e oblíqua, mas é ocioso continuar a tentar resumir os comentários de Frank Kermode sobre todas as obras pós-1599, porque o realmente significativo em "Shakespeare's Language" não é este ou aquele comentário ou esclarecimento, mas o conjunto. Não é possível, no entanto, deixar de chamar a atenção para o fato de o crítico considerar, com grande justeza, que nas obras da maturidade o leitor, se quiser realmente apreciar as peças de Shakespeare, terá de se dar ao trabalho de prestar muita atenção aos detalhes, pois estes são profundamente reveladores.


O aspecto mais interessante do notável trabalho de Kermode, no entanto, me parece ser sua consciência da importância da linguagem na obra dramática de Shakespeare, mas também sua clara consciência de que as peças, justamente enquanto obras dramáticas, são muito mais do que isso, e que a importância da linguagem só se faz notar por ser ela um dos instrumentos para a expressão da imaginação, da capacidade criativa com que o poeta cria aqueles textos que foram concebidos para tomar vida no palco.
O puro e simples conhecimento, a total intimidade que Frank Kermode tem tanto com as obras de Shakespeare quanto com os idiomas da poesia, a acuidade com que ele analisa as obras sem jamais permitir que a perfeita objetividade diminua em qualquer mínima medida sua inesgotável admiração por Shakespeare fazem de "Shakespeare's Language" uma contribuição à exegese das peças que tem tudo para vir a se juntar ao pequeno e precioso núcleo de obras críticas de interesse permanente, que se destaca do dilúvio do que podemos chamar de "shakespearianices" de momento.



On Sex 08/05/15 19:16 , "Belmiro Wolski belmirow@yahoo.com.br [ciencialist]" ciencialist@yahoogrupos.com.br sent:
 
Caro MC,
    Já ouviu o José Simão na Band News? Ele sempre diz o seguinte, antes de comentar sobre placas que os ouvintes enviam a ele de todo o lugar do Brasil, com avisos engraçados e escritos de forma errada. Ele diz: o brasileiro escreve errado mas todo mundo se entende! Taí! Esse é o objetivo da coisa. Precisamos nos entender. E, com raras exceções, é isso que sempre acontece. Nos entendemos, quer pela linguagem escrita ou falada. Não precisamos de uma única palavra para designar uma única coisa. Aquilo que você conhece por salsicha, aqui em Curitiba chamamos de vina. E, se alguém pedir uma vina no Rio, a princípio não vai receber, mas é só mencionar seu sinônimo que tá tudo certo. E o balconista da lanchonete terá aprendido que salsicha e vina são a mesma coisa. O próximo curitibano que pedir vina será atendido.
    A riqueza de um vocabulário se mede pela quantidade de sinônimos, pela adequação no contexto, pelas figuras de linguagem, pelas expressões idiomáticas, até pelas gírias. O que você está se propondo a fazer e que jamais chegará perto de conseguí-lo, é robotizar a linguagem. E isso é empobrecê-la. Imagine um diálogo entre duas pessoas falando Calilzês. Piadas não serão mais possíveis pois a graça delas, em sua maioria está no contexto. Exageros na hora de contar vantagens também não dá. Histórias de pescador perderão a graça. Gírias, nem pensar. Imagine se alguém inventar de pegar no seu pé!
     Terão de ser criadas milhões de novas palavras para que não hajam sinônimos, verbos terão que ser revistos e também criados aos milhões. O Kid Bengala terá que encontrar novo apelido porque bengala será apenas outra coisa. Pé de mesa será apenas uma catacrese. Aliás, nem esta poderá mais existir. Deverá ser inventado um nome para o pé da mesa. Sugiro blastrocrana. Que tal? As palavras ficarão cada vez mais difíceis de pronunciar porque a combinação de letras para formá-las está ficando cada vez mais complexa.  Enfim, meu caro, pare de se preocupar com essas coisas. E não venha se fazendo de herói, imaginando ser o salvador da pátria. Que alguém tem que acabar com a polissemia e quetais. Se alguém não entende algumas coisas dentro do contexto, e me parece que você é um desses casos, tanto que não entendeu a minha ironia do artigo do Roundup X autismo, então o problema é localizado. Não vale a pena adaptar o idioma a esses casos, simplificando-o binariamente. É melhor se adaptar ao idioma, tentar compreendê-lo em toda a sua magnitude e riqueza. Algo que foi construído ao longo de séculos não pode ser desprezado dessa forma. Tente entender melhor nossa linguagem. A graça está em tudo isso. Nos diferentes significados das palavras conforme o caso, na entonação de uma frase que lhe confere diferentes conotações, nas vírgulas, que, se trocadas mudam o sentido da frase. A língua portuguesa é maravilhosa. O Calilzês é horroroso! É chato pacacete!!
     *BW*


Em Sexta-feira, 8 de Maio de 2015 17:15, "Mtnos Calil" mtnoscalil@terra.com.br [ciencialist]" escreveu:

"Tenha santa paciência!! Não existe essa tal precisão linguística!"  Belmiro Wolski

O sr. quis dizer que existe outra precisão linguistica que não essa tal, ou que não existe nenhuma precisão linguistica?

Se existe outra, qual seria a diferença entre a outra e essa tal?

Obrigado, pacientemente.

Mtnos Calil

Ps. Considero a hipótese de que o sr. não tenha compreendido os fundamentos da matematização da linguagem, hipótese essa que estaria associada a esta outra hipótese, segundo a qual eu não informei ou expliquei a contento quais seriam estes fundamentos.

============================


Em Qui 07/05/15 19:43, Belmiro Wolski belmirow@yahoo.com.br [ciencialist] ciencialist@yahoogrupos.com.br escreveu:

>> "A persistência é o caminho da vitória".
- Persistir no erro é caminho para a vitória?
- Não existem outros caminhos para a vitória? ( se ainda fosse: "é um dos caminhos...")
- Persistir na frente de combate e levar um tiro é caminho para a vitória?( depende do contexto, vitória em que sentido  e de quem? dele ?ou do grupo?)
- que vitória? Em que sentido?
Tenha santa paciência!! Não existe essa tal precisão linguística! Existe comunicação. E é o que interessa. A interpretação fora de contexto é uma deficiência. Não é regra!
Tradução: santa nesse caso não tem nada a ver com a religião, auréola, etc, onde etc quer dizer outras coisas relacionadas à santa mas que não no sentido de santidade. Paciência não é aquele jogo de cartas, cartas não são as do correio, são não é antônimo de doente. E por aí vai... Bacana!
*BW*


Em Quinta-feira, 7 de Maio de 2015 17:50, "Mtnos Calil" mtnoscalil@terra.com.br [ciencialist]" escreveu:

Impressionante! Essa palavrinha assanhada que tu jogaste na mesa - contexto -  abriu um campo conceitual rico de conteúdo para a matematização da linguagem. Este novo conceito para o processo de matematizaçao da linguagem (sem números, fórmulas, teoremas,etc) é o seguinte:  quando um enunciado é elaborado de uma forma lógico-semântica precisa, a sua compreensão não depende de nenhum contexto.
Porém para obedecer submissamente ao nosso désposta do rigor linguistico fui googlear uma pesquisa sobre o termo, quando me deparei com um artigo redigido por uma professora de filosofia da PUC e autora de uma tese de doutorado no âmbito da filosofia da linguagem.
 
Neste artigo ela referenda esse elogio ao teu aclamado contexto:
 
O contexto da enunciação é de uma importância tal, que é quase impossível avaliar. Por 'contexto' entendo, pelo menos, o tempo, o lugar, a situação, os temas que constituem o foco imediato de interesse e as histórias pessoais tanto do locutor, quanto daqueles a quem ele se endereça. Além do contexto existe, é claro, a convenção lingüística [...]. O requisito [...] para que uma expressão na sua utilização referencial seja corretamente aplicada [...] é de que a coisa se encontre em certa relação com o locutor e com o contexto de elocução (STRAWSON, 1977, p. 29).
 
Imediatamente lhe enviei esta mensagem:
 
Prezada Professora.
Estou trabalhando há alguns anos no tema "lógica e precisão na comunicação" e acabei criando um modelo de comunicação para ser utilizado em algumas circunstâncias, baseado em alguns pressupostos como este:
Todo enunciado deve ser feito de tal maneira que não dê margem a nenhuma "interpretação. Para tanto o seu autor deve deixar muito claro qual é o significado que está atribuindo aos termos chaves utilizados.
Como a sra. defende a tese de que a compreensão de um enunciado depende do contexto, gostaria de abrir uma comunicação entre nós para que a minha tese possa ser derrubada. Estou montando um curso de lógica na comunicação para psicólogos com a participação de uma psicóloga e psicoterapeuta.
abraços
Mtnos Calil
Consultor organizacional multidisciplinar - São Paulo, SP.

Ps1. Exemplos de frases que não dependem de contexto e que tiveram - e continuam tendo - fortissima influência na minha vida:

a) A depressão é um processo emocional que paralisa as forças vitais
b) Para enfrentar a ansiedade da velhice, viva intensamente
cPara ser feliz realize suas potencialidades
d) Deus, dai-me a coragem para mudar as coisas que eu posso mudar, a serenidade para aceitar as coisas que eu não posso mudar e a sabedoria para distinguir a diferença.
f) O sentido da vida está no prazer de viver
g) O bom humor é pré-requisito da felicidade
e) Para realizar suas potencialidades, se puder, faça uso deste triângulo estratégico quântico: caos, acaso e imprevisibilidade.

Ps2. Estou em contato com um prof. da PUC de São Paulo que é fã da univocidade para ver se faremos algo em conjunto.

 
Algumas horas depois ela me respondeu concordando com a minha proposta de discutirmos o assunto.
 
Prossigo agora respondendo à tua última mensagem:
 
 Mais uma frase que não depende de contexto, do Chaplin:
> "A persistência é o caminho da vitória"
Aquele sujeito (ligeiramente amalucado, salientemos) resolveu absorver integralmente o ditado do Chaplin e está iniciando
os procedimentos para fixar um prego de 12 cm em uma parede de concreto através da repetida "bordoagem" de sua testa na
cabeça do dito prego.
 
Pensa ele: "Porra, o Chaplin foi um sujeito prá lá de
genial, então o que ele disse servirá para a minha
tarefa: vou pregar essa porra de prego com a testa!"
A persistência é o caminho da vitória! Verdade!
(contexto: a persistência desse amalucado é o Caminho da vitória profissional do médico da UTI que
Irá atender esse mané, após ele desmaiar com a testa estropiadáça". Viu só como o ditado do Chaplin é mesmo verdadeiro? hahahahahaha
*PB*
 
Prezado PB
 
O que tu chamaste de contexto é apenas uma informação a respeito da maluquice do seguidor da frase. E de fato informações como essa, são (exageradamente) consideradas como um contexto necessário para a compreensão do enunciado. A forma que eu encontrei de matar o contexto é transformá-lo numa simples informação, necessária e suficiente para a perfeita compreensão do enunciado. No seu exemplo, basta informar que o sujeito é maluco para a frase ter uma ÚNICA e PRECISA compreensão. Essa informação não tem, porém, sequer a  consistência suficiente para constituir um contexto.

Abraços fora de contexto (ou com o contexto explicito ou implicito).
Mtnos Calil


Ps.  Ocorre que muitos filósofos  (e até  cientistas) não utilizam um modelo de comunicação que facilita a compreensão dos enunciados – pelo contrário, eles dificultam! Por sua vez, os leitores adoram “interpretar” o que os outros escrevem ou falam. Grande parte das interpretações transformam – ou seja adulteram - o significado original. .

Em Qui 07/05/15 12:11, Pesky Bee peskybee2@gmail.com [ciencialist] ciencialist@yahoogrupos.com.br escreveu:

> Mais uma frase que não depende de contexto, do Chaplin:
> "A persistência é o caminho da vitória"
Aquele sujeito (ligeiramente amalucado, salientemos) resolveu
absorver integralmente o ditado do Chaplin e está iniciando
os procedimentos
para fixar um prego de 12 cm em uma parede
de concreto
através da repetida "bordoagem" de sua testa na
cabeça do dito prego.
Pensa ele: "Porra, o Chaplin foi um sujeito prá lá de
genial, então o que ele disse servirá para a minha
tarefa: vou pregar essa porra de prego com a testa!"
A persistência é o caminho da vitória! Verdade!
(contexto: a persistência desse amalucado é o
caminho
da vitória profissional do médico da UTI que
irá
atender esse mané, após ele desmaiar com a testa
estropiadáça". Viu só como o ditado do Chaplin é mesmo
verdadeiro? hahahahahaha
*PB*

From: "Mtnos Calil" mtnoscalil@terra.com.br [ciencialist]
Sent: Thursday, May 07, 2015 11:49 AM
To: ciencialist@yahoogrupos.com.br
Subject: [ciencialist] Enc: Re: Matematização da linguagem
Prezado Pesky.
Agora vou sair e na volta respondo sua ultima mensagem que fala em "100% definida".
Abraços
Mtnos Calil
Ps1. Mais uma frase que não depende de contexto, do Chaplin: "A persistência é o caminho da vitória" 
Ps2. Uma profa. de filosofia da PUC aceitou o desafio. Ela, como você, afirma que a compreensão de um enunciado depende do contexto. Aliás todo o mundo fala isso, né?





SUBJECT: Como cientistas desviam a luz para tornar objetos imperceptíveis aos seus olhos
FROM: Simon Viegas <simonviegas@gmail.com>
TO: ciencialist@yahoogrupos.com.br
DATE: 09/05/2015 12:18

Para conhecimento...

Link: http://gizmodo.uol.com.br/estudo-invisibilidade-objetos/

---

Como cientistas desviam a luz para tornar objetos imperceptíveis aos seus olhos

Por:
4 de maio de 2015 às 15:47
476
0
Luz em foco

Pesquisadores vêm tentando criar formas de atingir a invisibilidade na vida real. Na última década, eles passaram a apostar em ilusões de óptica inteligentes, que desviam a luz em torno de um objeto, tornando-o indetectável aos olhos.

Essa tecnologia só foi demonstrada com objetos muito pequenos, mas cientistas do Instituto de Tecnologia de Karlsruhe (Alemanha) alegam ter desenvolvido um sistema portátil que faz pequenos objetos desaparecerem de vista, e que pode ser usado para demonstrações em sala de aula.

>>> Cientistas usam ilusão de ótica para fazer com que objetos fiquem “invisíveis”

Como ser invisível

Para tornar um objeto invisível, é preciso mudar a trajetória da luz que passa ao redor dele, de tal forma que ela chegue ao outro lado com pouca distorção. Isso faz parecer que o objeto não está lá, mesmo quando olhamos diretamente para ele.

Além de desviar a trajetória da luz, é preciso fazê-la viajar mais rápido ao redor do objeto. Infelizmente, isso não é fácil: a luz viaja muito rápido no ar, quase à velocidade no vácuo – o limite inquebrável da natureza.

O físico Martin Wegener, um dos autores do estudo, explica em comunicado à imprensa:

Capas de invisibilidade óptica no ar têm uma desvantagem: elas violam a teoria da relatividade de Albert Einstein, que prescreve um limite superior para a velocidade da luz. Mas em meios difusos, no qual a luz se dispersa várias vezes, a velocidade da luz é reduzida. Aqui, é possível criar capas de invisibilidade ideais.

Criar um manto de invisibilidade que funcione no ar é algo complexo: as leis da física impedem que ela faça objetos sumirem em qualquer direção e cor. Mas se você usar outro meio – como vidro fosco ou um líquido turvo – fica muito mais fácil esconder objetos.

Invisibilidade (3)

Schittny et. al./Science via Physics World

O experimento

Os pesquisadores criaram um material que dispersa as ondas de luz para reduzir sua velocidade. Trata-se de um polímero orgânico à base de silício, coberto com nanopartículas de dióxido de titânio.

Dessa forma, a luz pode se acelerar novamente para compensar o caminho mais longo ao redor do objeto, escondendo-o da sua visão.

No experimento, Robert Schittny – um dos autores do estudo – começou mergulhando objetos em um tanque com líquido turvo. Eles projetavam sombras na superfície do tanque, e ainda eram visíveis.

Para torná-los invisíveis, Schittny fez duas coisas: primeiro, pintou-os com uma tinta acrílica que reflete a luz; e depois os revestiu com o polímero que criaram.

Invisibilidade
À esquerda, um cilindro de aço inoxidável; à direita, um cilindro tratado com polímero da invisibilidade (R. Schittny, KIT)

Com isso, a luz se dispersou muito mais rápido: sua trajetória foi desviada, e os objetos não projetavam mais sombra – ou seja, estavam invisíveis.

Os cientistas prepararam duas misturas diferentes de água e tinta, e fizeram o teste com um cilindro comum e um cilindro tratado com o polímero. Este é o resultado:

Invisibilidade (2)

Schittny et. al./Science via Business Insider

Nas duas imagens acima, você consegue ver a sombra do objeto não-tratado; nas imagens abaixo, do cilindro com o polímero da invisibilidade, ele basicamente desaparece.

Usos

Ainda é difícil conceber aplicações no mundo real para esta descoberta. Schittny sugere que “talvez seja possível produzir painéis de vidro fosco para banheiros, com barras de metal invisíveis ou sensores antifurto”.

Por enquanto, ele espera que este experimento seja usado em salas de aula. Em vez de um líquido, você pode colocar objetos dentro de vidro fosco: se eles estiverem cobertos pelo polímero, você não os verá.

“É um manto macroscópico que você pode ver a olho nu e pegar com a mão”, diz ele em comunicado. “Nada de equipamento caro de laboratório, nem microscópio, nem pós-processamento de dados – o efeito está lá para todo mundo ver.”

O estudo foi publicado na revista Science, e sua primeira demonstração no mundo real vai acontecer no dia 12 de maio, na CLEO (Conferência sobre Lasers e Eletro-óptica), nos EUA.

Desde 2006, físicos vêm tentando criar mantos de invisibilidade através de metamateriais, que curvam a luz de forma nunca antes vista na natureza. Até então, eles tinham estruturas complexas e só funcionavam em determinadas situações – então estamos decididamente avançando nessa área.

Mas, como explicamos, é difícil ficar invisível no ar, por causa da velocidade máxima da luz. “Usar um manto de Harry Potter não é possível agora, e talvez nunca seja”, diz Jason Valentine, engenheiro mecânico da Universidade de Vanderbilt, à ScienceNews.

Foto por atmtx/Flickr


--
Simon Viegas



SUBJECT: Exercicio de lógica para os professores Belmiro e Alberto
FROM: Mtnos Calil <mtnoscalil@terra.com.br>
TO: <ciencialist@yahoogrupos.com.br>
DATE: 09/05/2015 14:41

De fato a explicação sobre os fundamentos do LPC não é nada fácil, inclusive porque esbarra na cultura consagrada do "contexto" segundo a qual nada pode ser compreendido plenamente se o contexto não estiver devidamente esclarecido. 

Para demonstrar o contrário, o caminho a percorrer infelizmente é pedregoso.
Para a remoção de tantas pedras é necessário paciência e persistência. 
Um dos pré-requisitos (ou fundamentos) do LPC é o rigor linguistico na comunicação normal vigente em nossa sociedade. 

Me parece, a respeito, que essa idéia é fácil de ser entendida e aceita: 
existem pessoas - e escritores - que se comunicam com mais clareza do que outros, facilitando a compreensão dos seus textos. 

Porém a "lógica" é dificil de ser compreendida porque é um conceito demasiado abstrato. A expressão "lógica na comunicação" me parecia algo trivial. Mas infelizmente não é!  O uso da lógica, na linguagem humana é feito de forma automática e inconsciente. As crianças aprendem a estrutrurar frases sem ter a menor consciência da relação que existe entre as palavras. As palavras são visiveis (ou audíveis) mas a relação sintática existente entre elas é completamente invisivel e inconsciente. Como as crianças aprendem a pensar e expressar seus pensamentos é um mistério que dificilmente será desvendado. Está claro que nós nascemos com um "software" que foi sofrendo up grades ao longo do tempo e que assimilou a linguagem das palavras (antes das palavras já existia no cérebro humano o sistema da linguagem não verbal - sonora e gestual - , como se nota facilmente nos animais). 

A lógica semântica - ou seja a lógica do significado das palavras e das frases - se processa de uma forma tão natural que não precisamos levar em conta a sua existência quando falamos, lemos ou ouvimos. Talvez daí advém a dificuldade de explicar o que é o sistema (ou modelo) LPC - Lógica e Precisão na Comunicação. O exercicio agora sugerido consiste na leitura de um pequeno texto que analisa as palavras de um advogado de defesa de um dos réus da Lava Jato, com o objetivo de respondermos a esta pergunta:  o que falta de informação a este texto para que fiquem precisamente claras as idéias que o redator expressou (ou quis expressar). 

Abraços
Mtnos Calil 
.

                               Estranha defesa de um réu da Lava Jato

O advogado do réu revelou uma surpreendente convicção a respeito da inocência do seu cliente, Renato Duque, ex-diretor deserviços da Petrobrás, manifestada nestas frases publicadas pelo Estadão:

a) ‘nunca foi apadrinhado de ninguém, é honesto, competente e dedicado funcionário’

b) ‘jamais praticou e deixou de praticar ato de ofício, mediante solicitação ou recebimento de vantagem indevida’

c) ‘jamais interferiu nos procedimentos licitatórios da Petrobrás para beneficiar empresas concorrentes’

d)‘nunca integrou quadrilha ou bando, sendo que sequer conhecealguns dos denunciados’.

É comum (ou normal) um advogado defender seu cliente com tamanha convicção?

Como ele pode ter tanta certeza sobre a inocência do réu?

Além disso, o advogado coloca em dúvida a seriedade da acusação com esta veemência:

a) “A inversão levada a efeito, no particular, ao prender-se semprocesso/condenação, visando à pressão psicológica, pois investigado/delator,que promete devolver US$ 100.000.000, nada sofre, e o investigado que nega osfatos, presta depoimento às claras, no primeiro momento, e busca, fincado na Constituição Federal, exercer o sacrossanto direito de defesa, sofre com aprisão ilegal e o escárnio público”,

b) “Quem, simplesmente, se defende do teor das “caguetagens”, é preso, solto, preso de novo e mantido preso; quem bate às portas da Polícia e do Ministério Público Federal para entregar parte do dinheiro sujo e delatar os outros, recebe o beneplácito estatal, sem ameaça de prisão, sequestro de bens, busca e apreensão, linchamento público ou mandado de condução coercitiva.”

c) “É a hipótese, destarte, de absolvição sumária, por não constituir o relatado na denúncia as infrações penais fantasiadas pelo acusador. Aliás, o que se dizer de uma denúncia que teve de ser explicada, em exposição, à imprensa, convocada para tanto, pela Procuradoria, com a utilização de sistema power point?”

A conclusão que se impõe com base nestas declarações da defesa é que a Justiça estaria cometendo um gravíssimo erro – e irreparável do ponto de vista moral – com um funcionário de carreira da Petrobrás que teve  (ou teria tido) uma conduta irrepreensível no exercício de seu ofício.

Também é estranho que o delator tenha “fantasiado” as infrações penais, o que daria a entender que estas fantasias seriam de fundamental importância para ele receber a premiação. Ou essa fantasia teria alguma outra motivação? Psicológica? Neurótica? 

Não estou com isso, manifestando nenhum juízo de valor a respeito da defesa ou da acusação. Porém com base nas frases da defesa acima arroladas, a lógica do direito nos impõe essa conclusão obrigatória: ou a defesa ou a acusação está** cometendo um erro gravíssimo e incompatível com o bom exercício de suas funções. Se a acusação errou, não apenas o réu teria que ser ressarcido, como a imagem pública de sua pessoa teria sofrido danos morais irreparáveis. E se a defesa errou, qual seria a forma jurídica (e lógica) de reparar-se o erro?

**A forma correta de escrever esta frase é “ou a defesa ou a acusação estão” (e não “está”). Mas se apenas uma das duas está cometendo o erro, o certo não seria o verbo ficar no singular? 

MtnosCalil

IdeologiaZero, Ilusão Zero e Simulacro Zero

Ps1. A minha tese de "lógica do direito" segundo a qual não deveria existir nem advogado de defesa nem de acusação, pois por dever de oficio, eles são condicionados a puxar a sardinha para seus clientes que os remuneram, foi bem recebida por alguns advogados. No lugar de acusação e defesa deveria existir apenas uma peritagem voltada exclusivamente para a apuração da verdade, a qual, infelizmente, nem sempre é acessivel ao mais  arguto e competente investigador. Por isso muitos culpados são inocentados por falta de provas. E outros são condenados com base em provas fabricadas. Fabricar provas de defesa e acusação é uma prática do direito cuja incidência estatistica não foi ainda apurada. Já o treinamento das testemunhas é algo normal, sobretudo quando as mesmas têm dificuldade de comunicação. 

Ps2. Um lema ético inspirado por Maquiavel: “Ninguém é confiável até prova emcontrário, inclusive eu”. 

=============================


Duque chama Gabrielli e 32 funcionários da Petrobrás para sua defesa

REDAÇÃO

09 Maio 2015 | 05:00 - Estadão

Ex-diretor da Petrobrás, suposto elo do PT no esquema de propinas na estatael, pede absolvição sumária e diz que ‘nunca foi apadrinhado de ninguém, é honesto, competente e dedicado funcionário’

Renato Duque, que passou a fazer consultorias, após deixar a Petrobrás. Foto: Fábio Motta/Estadão

Renato Duque. Foto: Fábio Motta/Estadão

Por Ricardo Brandt, enviado especial a Curitiba, Julia Affonso e Fausto Macedo

O ex-diretor de Serviços da Petrobrás Renato Duque, réu da Operação Lava Jato, arrolou como testemunhas de defesa, em uma das ações a que responde na Justiça Federal do Paraná, o ex-presidente da estatal petrolífera José Sérgio Gabrielli e 32 funcionários da companhia, na quarta-feira, 6. Duque é acusado de lavagem de dinheiro e corrupção no esquema de propinas instalado na Petrobrás.

A defesa arrolou também uma testemunha que mora em Houston, nos EUA. O juiz federal Sérgio Moro, que conduz as ações penais da Lava Jato, decidiu, em despacho de 7 de maio, que os advogados de Renato Duque deverão ‘justificar a imprescindibilidade de sua oitiva, no prazo de 5 dias”.

VEJA AS TESTEMUNHAS DE RENATO DUQUE

Na resposta à acusação, enviada à Justiça, no início de abril, a defesa de Renato Duque negou que ele tenha recebido propinas, afirmou que o ex-diretor ‘jamais praticou e deixou de praticar ato de ofício, mediante solicitação ou recebimento de vantagem indevida’, ‘jamais interferiu nos procedimentos licitatórios da Petrobrás para beneficiar empresas concorrentes’ e ‘nunca integrou quadrilha ou bando, sendo que sequer conhece alguns dos denunciados’.

José Sérgio Gabrielli. Foto:  Tasso Marcelo

José Sérgio Gabrielli. Foto: Tasso Marcelo

Duque está preso no Paraná. A força tarefa da Lava Jato achou 20 milhões de euros em conta atribuída a ele no Principado de Monaco.

VEJA A RESPOSTA DE RENATO DUQUE NA ÍNTEGRA

Na peça de defesa à Justiça os advogados de Duque fazem menção a Pedro Barusco, ex-gerente de Engenharia da Petrobrás, que confessou ter recebido US$ 97 milhões em propinas e devolveu a fortuna espontaneamente. Em troca da delação, Barusco não foi preso.

“A inversão levada a efeito, no particular, ao prender-se sem processo/condenação, visando à pressão psicológica, pois investigado/delator, que promete devolver US$ 100.000.000, nada sofre, e o investigado que nega os fatos, presta depoimento às claras, no primeiro momento, e busca, fincado na Constituição Federal, exercer o sacrossanto direito de defesa, sofre com a prisão ilegal e o escárnio público”, afirmou a defesa de Renato Duque na resposta às acusações.

Este é primeiro processo criminal aberto contra o ex-diretor, suposto elo do PT no esquema. Além de Renato Duque, foram denunciados o doleiro Alberto Youssef, o ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto, o ex-diretor de Abastecimento da Petrobrás Paulo Roberto Costa, o ex-gerente da estatal petrolífera Pedro Barusco, ex-braço direito de Renato Duque, os lobistas Adir Assad, Julio Camargo, Mario Goes e seu filho Lucélio Goes, os executivos Augusto Mendonça, da Toyo Setal, Alberto Vilaça, Ângelo Mendes, Francisco Perdigão, José Diniz, José Resende, Rogério Cunha, Vicente Carvalho e Sérgio Mendes, todos da empreiteira Mendes Júnior, Agenor Medeiros, José Aldemário Pinheiro, o Léo Pinheiro, Luiz Almeida, Marcus Teixeira, Mateus Coutinho e Renato Siqueira, todos da OAS, e os auxiliares de Adir Assad, Sônia Branco e Dario Teixeira.

“Quem, simplesmente, se defende do teor das “caguetagens”, é preso, solto, preso de novo e mantido preso; quem bate às portas da Polícia e do Ministério Público Federal para entregar parte do dinheiro sujo e delatar os outros, recebe o beneplácito estatal, sem ameaça de prisão, sequestro de bens, busca e apreensão, linchamento público ou mandado de condução coercitiva.”

Destes denunciados, Alberto Youssef, Pedro Barusco, Paulo Roberto Costa e Julio Camargo firmaram acordo de delação premiada. Os depoimentos dos delatores da Lava Jato tiveram peso sobre esta denúncia.

Para a defesa do ex-diretor, “as acusações se mostram lacunosas, imprecisas, seletivas e, por isso, inviabilizam o exercício de defesa, que há de ser pleno”. Renato Duque ocupou a Diretoria de Serviços da Petrobrás entre 2003 e 2012. Segundo os advogados que subscrevem a resposta, Alexandre Lopes e Renato Moraes, o ex-diretor chegou ao cargo pelo ‘Conselho de Administração da Petrobrás, em face de seus muitos anos de relevantes serviços prestados à empresa, na qual ingressou em 1978, por concurso, como engenheiro, dirigindo, ao longo do tempo, por méritos próprios, várias gerências importantes’. Os investigadores suspeitam que ele tenha sido indicado pelo ex-ministro da Casa Civil José Dirceu.

“Nunca foi apadrinhado de ninguém. Trata-se de homem honesto, competente e dedicado funcionário, estando hoje aposentado”, afirma a defesa.

“É a hipótese, destarte, de absolvição sumária, por não constituir o relatado na denúncia as infrações penais fantasiadas pelo acusador. Aliás, o que se dizer de uma denúncia que teve de ser explicada, em exposição, à imprensa, convocada para tanto, pela Procuradoria, com a utilização de sistema power point?”







SUBJECT: Re: [ciencialist] Exercicio de lógica para os professores Belmiro e Alberto
FROM: Belmiro Wolski <belmirow@yahoo.com.br>
TO: "ciencialist@yahoogrupos.com.br" <ciencialist@yahoogrupos.com.br>
DATE: 09/05/2015 18:38

Mtnos:>>>> "É comum (ou normal) um advogado defender seu cliente com tamanha convicção?
Como ele pode ter tanta certeza sobre a inocência do réu?"

Confirma-se nessas perguntas o seu mais alto grau de ingenuidade. Eu diria até que dá para entender sua proposta. Mas não entenda entender como algo a ser entendido, entendeu? Dá para entender a razão pela qual você teima nessa LPC. Sem ofensas, mas creio que o seu psicanalista ou sei lá o que não deu conta do recado. Sobre os advogados:
Advogados não precisam ter certeza sobre a inocência do réu. Na verdade, na maioria dos casos, eles tem certeza de sua culpa, mas defendem com a aparente convicção de quem acredita em sua inocência. 

*BW*





Em Sábado, 9 de Maio de 2015 14:41, "Mtnos Calil mtnoscalil@terra.com.br [ciencialist]" <ciencialist@yahoogrupos.com.br> escreveu:


 
De fato a explicação sobre os fundamentos do LPC não é nada fácil, inclusive porque esbarra na cultura consagrada do "contexto" segundo a qual nada pode ser compreendido plenamente se o contexto não estiver devidamente esclarecido. 

Para demonstrar o contrário, o caminho a percorrer infelizmente é pedregoso.
Para a remoção de tantas pedras é necessário paciência e persistência. 
Um dos pré-requisitos (ou fundamentos) do LPC é o rigor linguistico na comunicação normal vigente em nossa sociedade. 

Me parece, a respeito, que essa idéia é fácil de ser entendida e aceita: 
existem pessoas - e escritores - que se comunicam com mais clareza do que outros, facilitando a compreensão dos seus textos. 

Porém a "lógica" é dificil de ser compreendida porque é um conceito demasiado abstrato. A expressão "lógica na comunicação" me parecia algo trivial. Mas infelizmente não é!  O uso da lógica, na linguagem humana é feito de forma automática e inconsciente. As crianças aprendem a estrutrurar frases sem ter a menor consciência da relação que existe entre as palavras. As palavras são visiveis (ou audíveis) mas a relação sintática existente entre elas é completamente invisivel e inconsciente. Como as crianças aprendem a pensar e expressar seus pensamentos é um mistério que dificilmente será desvendado. Está claro que nós nascemos com um "software" que foi sofrendo up grades ao longo do tempo e que assimilou a linguagem das palavras (antes das palavras já existia no cérebro humano o sistema da linguagem não verbal - sonora e gestual - , como se nota facilmente nos animais). 

A lógica semântica - ou seja a lógica do significado das palavras e das frases - se processa de uma forma tão natural que não precisamos levar em conta a sua existência quando falamos, lemos ou ouvimos. Talvez daí advém a dificuldade de explicar o que é o sistema (ou modelo) LPC - Lógica e Precisão na Comunicação. O exercicio agora sugerido consiste na leitura de um pequeno texto que analisa as palavras de um advogado de defesa de um dos réus da Lava Jato, com o objetivo de respondermos a esta pergunta:  o que falta de informação a este texto para que fiquem precisamente claras as idéias que o redator expressou (ou quis expressar). 

Abraços
Mtnos Calil 
.

                               Estranha defesa de um réu da Lava Jato

O advogado do réu revelou uma surpreendente convicção a respeito da inocência do seu cliente, Renato Duque, ex-diretor deserviços da Petrobrás, manifestada nestas frases publicadas pelo Estadão:
a) ‘nunca foi apadrinhado de ninguém, é honesto, competente e dedicado funcionário’
b) ‘jamais praticou e deixou de praticar ato de ofício, mediante solicitação ou recebimento de vantagem indevida’
c) ‘jamais interferiu nos procedimentos licitatórios da Petrobrás para beneficiar empresas concorrentes’
d)‘nunca integrou quadrilha ou bando, sendo que sequer conhecealguns dos denunciados’.
É comum (ou normal) um advogado defender seu cliente com tamanha convicção?
Como ele pode ter tanta certeza sobre a inocência do réu?
Além disso, o advogado coloca em dúvida a seriedade da acusação com esta veemência:
a) “A inversão levada a efeito, no particular, ao prender-se semprocesso/condenação, visando à pressão psicológica, pois investigado/delator,que promete devolver US$ 100.000.000, nada sofre, e o investigado que nega osfatos, presta depoimento às claras, no primeiro momento, e busca, fincado na Constituição Federal, exercer o sacrossanto direito de defesa, sofre com aprisão ilegal e o escárnio público”,
b) “Quem, simplesmente, se defende do teor das “caguetagens”, é preso, solto, preso de novo e mantido preso; quem bate às portas da Polícia e do Ministério Público Federal para entregar parte do dinheiro sujo e delatar os outros, recebe o beneplácito estatal, sem ameaça de prisão, sequestro de bens, busca e apreensão, linchamento público ou mandado de condução coercitiva.”
c) “É a hipótese, destarte, de absolvição sumária, por não constituir o relatado na denúncia as infrações penais fantasiadas pelo acusador. Aliás, o que se dizer de uma denúncia que teve de ser explicada, em exposição, à imprensa, convocada para tanto, pela Procuradoria, com a utilização de sistema power point?”
A conclusão que se impõe com base nestas declarações da defesa é que a Justiça estaria cometendo um gravíssimo erro – e irreparável do ponto de vista moral – com um funcionário de carreira da Petrobrás que teve  (ou teria tido) uma conduta irrepreensível no exercício de seu ofício.
Também é estranho que o delator tenha “fantasiado” as infrações penais, o que daria a entender que estas fantasias seriam de fundamental importância para ele receber a premiação. Ou essa fantasia teria alguma outra motivação? Psicológica? Neurótica? 
Não estou com isso, manifestando nenhum juízo de valor a respeito da defesa ou da acusação. Porém com base nas frases da defesa acima arroladas, a lógica do direito nos impõe essa conclusão obrigatória: ou a defesa ou a acusação está** cometendo um erro gravíssimo e incompatível com o bom exercício de suas funções. Se a acusação errou, não apenas o réu teria que ser ressarcido, como a imagem pública de sua pessoa teria sofrido danos morais irreparáveis. E se a defesa errou, qual seria a forma jurídica (e lógica) de reparar-se o erro?
**A forma correta de escrever esta frase é “ou a defesa ou a acusação estão” (e não “está”). Mas se apenas uma das duas está cometendo o erro, o certo não seria o verbo ficar no singular? 
MtnosCalil
IdeologiaZero, Ilusão Zero e Simulacro Zero
Ps1. A minha tese de "lógica do direito" segundo a qual não deveria existir nem advogado de defesa nem de acusação, pois por dever de oficio, eles são condicionados a puxar a sardinha para seus clientes que os remuneram, foi bem recebida por alguns advogados. No lugar de acusação e defesa deveria existir apenas uma peritagem voltada exclusivamente para a apuração da verdade, a qual, infelizmente, nem sempre é acessivel ao mais  arguto e competente investigador. Por isso muitos culpados são inocentados por falta de provas. E outros são condenados com base em provas fabricadas. Fabricar provas de defesa e acusação é uma prática do direito cuja incidência estatistica não foi ainda apurada. Já o treinamento das testemunhas é algo normal, sobretudo quando as mesmas têm dificuldade de comunicação. 
Ps2. Um lema ético inspirado por Maquiavel: “Ninguém é confiável até prova emcontrário, inclusive eu”. 
=============================

Renato Duque, que passou a fazer consultorias, após deixar a Petrobrás. Foto: Fábio Motta/Estadão
Renato Duque. Foto: Fábio Motta/Estadão
Por Ricardo Brandt, enviado especial a Curitiba, Julia Affonso e Fausto Macedo
O ex-diretor de Serviços da Petrobrás Renato Duque, réu da Operação Lava Jato, arrolou como testemunhas de defesa, em uma das ações a que responde na Justiça Federal do Paraná, o ex-presidente da estatal petrolífera José Sérgio Gabrielli e 32 funcionários da companhia, na quarta-feira, 6. Duque é acusado de lavagem de dinheiro e corrupção no esquema de propinas instalado na Petrobrás.
A defesa arrolou também uma testemunha que mora em Houston, nos EUA. O juiz federal Sérgio Moro, que conduz as ações penais da Lava Jato, decidiu, em despacho de 7 de maio, que os advogados de Renato Duque deverão ‘justificar a imprescindibilidade de sua oitiva, no prazo de 5 dias”.
Na resposta à acusação, enviada à Justiça, no início de abril, a defesa de Renato Duque negou que ele tenha recebido propinas, afirmou que o ex-diretor ‘jamais praticou e deixou de praticar ato de ofício, mediante solicitação ou recebimento de vantagem indevida’, ‘jamais interferiu nos procedimentos licitatórios da Petrobrás para beneficiar empresas concorrentes’ e ‘nunca integrou quadrilha ou bando, sendo que sequer conhece alguns dos denunciados’.
José Sérgio Gabrielli. Foto:  Tasso Marcelo
José Sérgio Gabrielli. Foto: Tasso Marcelo
Duque está preso no Paraná. A força tarefa da Lava Jato achou 20 milhões de euros em conta atribuída a ele no Principado de Monaco.
Na peça de defesa à Justiça os advogados de Duque fazem menção a Pedro Barusco, ex-gerente de Engenharia da Petrobrás, que confessou ter recebido US$ 97 milhões em propinas e devolveu a fortuna espontaneamente. Em troca da delação, Barusco não foi preso.
“A inversão levada a efeito, no particular, ao prender-se sem processo/condenação, visando à pressão psicológica, pois investigado/delator, que promete devolver US$ 100.000.000, nada sofre, e o investigado que nega os fatos, presta depoimento às claras, no primeiro momento, e busca, fincado na Constituição Federal, exercer o sacrossanto direito de defesa, sofre com a prisão ilegal e o escárnio público”, afirmou a defesa de Renato Duque na resposta às acusações.
Este é primeiro processo criminal aberto contra o ex-diretor, suposto elo do PT no esquema. Além de Renato Duque, foram denunciados o doleiro Alberto Youssef, o ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto, o ex-diretor de Abastecimento da Petrobrás Paulo Roberto Costa, o ex-gerente da estatal petrolífera Pedro Barusco, ex-braço direito de Renato Duque, os lobistas Adir Assad, Julio Camargo, Mario Goes e seu filho Lucélio Goes, os executivos Augusto Mendonça, da Toyo Setal, Alberto Vilaça, Ângelo Mendes, Francisco Perdigão, José Diniz, José Resende, Rogério Cunha, Vicente Carvalho e Sérgio Mendes, todos da empreiteira Mendes Júnior, Agenor Medeiros, José Aldemário Pinheiro, o Léo Pinheiro, Luiz Almeida, Marcus Teixeira, Mateus Coutinho e Renato Siqueira, todos da OAS, e os auxiliares de Adir Assad, Sônia Branco e Dario Teixeira.
“Quem, simplesmente, se defende do teor das “caguetagens”, é preso, solto, preso de novo e mantido preso; quem bate às portas da Polícia e do Ministério Público Federal para entregar parte do dinheiro sujo e delatar os outros, recebe o beneplácito estatal, sem ameaça de prisão, sequestro de bens, busca e apreensão, linchamento público ou mandado de condução coercitiva.”
Destes denunciados, Alberto Youssef, Pedro Barusco, Paulo Roberto Costa e Julio Camargo firmaram acordo de delação premiada. Os depoimentos dos delatores da Lava Jato tiveram peso sobre esta denúncia.
Para a defesa do ex-diretor, “as acusações se mostram lacunosas, imprecisas, seletivas e, por isso, inviabilizam o exercício de defesa, que há de ser pleno”. Renato Duque ocupou a Diretoria de Serviços da Petrobrás entre 2003 e 2012. Segundo os advogados que subscrevem a resposta, Alexandre Lopes e Renato Moraes, o ex-diretor chegou ao cargo pelo ‘Conselho de Administração da Petrobrás, em face de seus muitos anos de relevantes serviços prestados à empresa, na qual ingressou em 1978, por concurso, como engenheiro, dirigindo, ao longo do tempo, por méritos próprios, várias gerências importantes’. Os investigadores suspeitam que ele tenha sido indicado pelo ex-ministro da Casa Civil José Dirceu.
“Nunca foi apadrinhado de ninguém. Trata-se de homem honesto, competente e dedicado funcionário, estando hoje aposentado”, afirma a defesa.
“É a hipótese, destarte, de absolvição sumária, por não constituir o relatado na denúncia as infrações penais fantasiadas pelo acusador. Aliás, o que se dizer de uma denúncia que teve de ser explicada, em exposição, à imprensa, convocada para tanto, pela Procuradoria, com a utilização de sistema power point?”








SUBJECT: Re: [ciencialist] Exercicio de lógica para os professores Belmiro e Alberto
FROM: Mtnos Calil <mtnoscalil@terra.com.br>
TO: <ciencialist@yahoogrupos.com.br>
DATE: 09/05/2015 19:52

Olá Prof. Belmiro.

1. Não vejo nenhum problema em ser ingênuo,, pois considero a ingenuidade uma virtude que se encontra com frequencia em pessoas de boa indole que confiam nos outros. Infelizmente já não sou possuidor dessa qualidade, pois meu lema ético é este: ninguém é confiavel até prova em contrário, inclusive eu. 

Quanto à sua idéia alucinada, de que meu vinculo com o LPC seria produto de um trantorno não resolvido na minha análise (que teve a duração de 18 anos) , quero deixar claro que minha aproximação com a lógica se deve ao meu analista. Teria sido então ele o criador do transtorno? Que bom, pois o curso que estamos montando serve também como ginástica mental para ajudar na prevenção do mal de alzheimer ou de outras demências cujo risco aumenta com a idade. 

A sua rejeição (ou repulsa) à precisao lógica é completamente anti-cientifica revelando assim um transtorno que só pode ter uma causa mental ou emocional. Como um fã da ciência rejeita uma proposta que valoriza a linguagem e o espirito cientificos? 
Agora V,Sa vai dizer que eu é que estou faltando com o respeito. Mas quem colocou em dúvida a minha saúde mental EM PRIMEIRO LUGAR, foi V.Sa. Portanto, segundo a lógica do direito, eu fui atacado e respondi me defendendo, mantendo a proporcionalidade e a razoabilidade. Apenas devolvi o falso diagnóstico que na devolução pode ter adquirido até um "valor de verdade". 

A  sua última contribuição para o LPC  ( a da necessidade de explicar melhor a coisa) foi importante e por isso V.Sa. merece ser perdoado, mesmo que não se arrependa do mal cometido, como sugeriu Cristo. Pensei muito sobre a estratégia de explicação e cheguei à conclusão que os leigos na ciëncia ou filosofia da linguagem precisam participar de exercicios para comprender a coisa que requer uma experimentação. É como a psicanálise - NINGUEM PODE COMPREENDER  essa técnica de psicoterapia se não participar de várias sessões, e com profissionais de diferentes correntes. E não aprenderá nem com mil sessões se não tiver uma percepção do seu mundo interno, através de insights,

As pessoas aprendem a pensar sem que ninguém explique o que é o pensamento. 
Para resolver este problema estou pensando em passar exercicios. No caso é fazendo que se aprende. Mas será que existe alguma coisa que se possa aprender sem "fazer"? 

A melhor maneira de compreender o LPC é se treinando para falar ou escrever com precisão logico-semântica o que envolve clareza e objetividade, seja qual for o assunto abordado. 

Mtnos Calil 

Ps. Olha que coisa curiosa: mesmo com essa sua mensagem destrutiva, V.Sa. conseguiu dar mais uma contribuição.  Como é possivel tranformar tantas pauladas em contribuições? Espero encontrar uma resposta lógica para essa pergunta 





On Sáb 09/05/15 18:38 , "Belmiro Wolski belmirow@yahoo.com.br [ciencialist]" ciencialist@yahoogrupos.com.br sent:
 

Mtnos:>>>> "É comum (ou normal) um advogado defender seu cliente com tamanha convicção?
Como ele pode ter tanta certeza sobre a inocência do réu?"

Confirma-se nessas perguntas o seu mais alto grau de ingenuidade. Eu diria até que dá para entender sua proposta. Mas não entenda entender como algo a ser entendido, entendeu? Dá para entender a razão pela qual você teima nessa LPC. Sem ofensas, mas creio que o seu psicanalista ou sei lá o que não deu conta do recado. Sobre os advogados:
Advogados não precisam ter certeza sobre a inocência do réu. Na verdade, na maioria dos casos, eles tem certeza de sua culpa, mas defendem com a aparente convicção de quem acredita em sua inocência. 

*BW*





Em Sábado, 9 de Maio de 2015 14:41, "Mtnos Calil mtnoscalil@terra.com.br [ciencialist]" escreveu:


 
De fato a explicação sobre os fundamentos do LPC não é nada fácil, inclusive porque esbarra na cultura consagrada do "contexto" segundo a qual nada pode ser compreendido plenamente se o contexto não estiver devidamente esclarecido. 

Para demonstrar o contrário, o caminho a percorrer infelizmente é pedregoso.
Para a remoção de tantas pedras é necessário paciência e persistência. 
Um dos pré-requisitos (ou fundamentos) do LPC é o rigor linguistico na comunicação normal vigente em nossa sociedade. 

Me parece, a respeito, que essa idéia é fácil de ser entendida e aceita: 
existem pessoas - e escritores - que se comunicam com mais clareza do que outros, facilitando a compreensão dos seus textos. 

Porém a "lógica" é dificil de ser compreendida porque é um conceito demasiado abstrato. A expressão "lógica na comunicação" me parecia algo trivial. Mas infelizmente não é!  O uso da lógica, na linguagem humana é feito de forma automática e inconsciente. As crianças aprendem a estrutrurar frases sem ter a menor consciência da relação que existe entre as palavras. As palavras são visiveis (ou audíveis) mas a relação sintática existente entre elas é completamente invisivel e inconsciente. Como as crianças aprendem a pensar e expressar seus pensamentos é um mistério que dificilmente será desvendado. Está claro que nós nascemos com um "software" que foi sofrendo up grades ao longo do tempo e que assimilou a linguagem das palavras (antes das palavras já existia no cérebro humano o sistema da linguagem não verbal - sonora e gestual - , como se nota facilmente nos animais). 

A lógica semântica - ou seja a lógica do significado das palavras e das frases - se processa de uma forma tão natural que não precisamos levar em conta a sua existência quando falamos, lemos ou ouvimos. Talvez daí advém a dificuldade de explicar o que é o sistema (ou modelo) LPC - Lógica e Precisão na Comunicação. O exercicio agora sugerido consiste na leitura de um pequeno texto que analisa as palavras de um advogado de defesa de um dos réus da Lava Jato, com o objetivo de respondermos a esta pergunta:  o que falta de informação a este texto para que fiquem precisamente claras as idéias que o redator expressou (ou quis expressar). 

Abraços
Mtnos Calil 
.

                               Estranha defesa de um réu da Lava Jato

O advogado do réu revelou uma surpreendente convicção a respeito da inocência do seu cliente, Renato Duque, ex-diretor deserviços da Petrobrás, manifestada nestas frases publicadas pelo Estadão:
a) ‘nunca foi apadrinhado de ninguém, é honesto, competente e dedicado funcionário’
b) ‘jamais praticou e deixou de praticar ato de ofício, mediante solicitação ou recebimento de vantagem indevida’
c) ‘jamais interferiu nos procedimentos licitatórios da Petrobrás para beneficiar empresas concorrentes’
d)‘nunca integrou quadrilha ou bando, sendo que sequer conhecealguns dos denunciados’.
É comum (ou normal) um advogado defender seu cliente com tamanha convicção?
Como ele pode ter tanta certeza sobre a inocência do réu?
Além disso, o advogado coloca em dúvida a seriedade da acusação com esta veemência:
a) “A inversão levada a efeito, no particular, ao prender-se semprocesso/condenação, visando à pressão psicológica, pois investigado/delator,que promete devolver US$ 100.000.000, nada sofre, e o investigado que nega osfatos, presta depoimento às claras, no primeiro momento, e busca, fincado na Constituição Federal, exercer o sacrossanto direito de defesa, sofre com aprisão ilegal e o escárnio público”,
b) “Quem, simplesmente, se defende do teor das “caguetagens”, é preso, solto, preso de novo e mantido preso; quem bate às portas da Polícia e do Ministério Público Federal para entregar parte do dinheiro sujo e delatar os outros, recebe o beneplácito estatal, sem ameaça de prisão, sequestro de bens, busca e apreensão, linchamento público ou mandado de condução coercitiva.”
c) “É a hipótese, destarte, de absolvição sumária, por não constituir o relatado na denúncia as infrações penais fantasiadas pelo acusador. Aliás, o que se dizer de uma denúncia que teve de ser explicada, em exposição, à imprensa, convocada para tanto, pela Procuradoria, com a utilização de sistema power point?”
A conclusão que se impõe com base nestas declarações da defesa é que a Justiça estaria cometendo um gravíssimo erro – e irreparável do ponto de vista moral – com um funcionário de carreira da Petrobrás que teve  (ou teria tido) uma conduta irrepreensível no exercício de seu ofício.
Também é estranho que o delator tenha “fantasiado” as infrações penais, o que daria a entender que estas fantasias seriam de fundamental importância para ele receber a premiação. Ou essa fantasia teria alguma outra motivação? Psicológica? Neurótica? 
Não estou com isso, manifestando nenhum juízo de valor a respeito da defesa ou da acusação. Porém com base nas frases da defesa acima arroladas, a lógica do direito nos impõe essa conclusão obrigatória: ou a defesa ou a acusação está** cometendo um erro gravíssimo e incompatível com o bom exercício de suas funções. Se a acusação errou, não apenas o réu teria que ser ressarcido, como a imagem pública de sua pessoa teria sofrido danos morais irreparáveis. E se a defesa errou, qual seria a forma jurídica (e lógica) de reparar-se o erro?
**A forma correta de escrever esta frase é “ou a defesa ou a acusação estão” (e não “está”). Mas se apenas uma das duas está cometendo o erro, o certo não seria o verbo ficar no singular? 
MtnosCalil
IdeologiaZero, Ilusão Zero e Simulacro Zero
Ps1. A minha tese de "lógica do direito" segundo a qual não deveria existir nem advogado de defesa nem de acusação, pois por dever de oficio, eles são condicionados a puxar a sardinha para seus clientes que os remuneram, foi bem recebida por alguns advogados. No lugar de acusação e defesa deveria existir apenas uma peritagem voltada exclusivamente para a apuração da verdade, a qual, infelizmente, nem sempre é acessivel ao mais  arguto e competente investigador. Por isso muitos culpados são inocentados por falta de provas. E outros são condenados com base em provas fabricadas. Fabricar provas de defesa e acusação é uma prática do direito cuja incidência estatistica não foi ainda apurada. Já o treinamento das testemunhas é algo normal, sobretudo quando as mesmas têm dificuldade de comunicação. 
Ps2. Um lema ético inspirado por Maquiavel: “Ninguém é confiável até prova emcontrário, inclusive eu”. 
=============================

Renato Duque, que passou a fazer consultorias, após deixar a Petrobrás. Foto: Fábio Motta/Estadão
Renato Duque. Foto: Fábio Motta/Estadão
Por Ricardo Brandt, enviado especial a Curitiba, Julia Affonso e Fausto Macedo
O ex-diretor de Serviços da Petrobrás Renato Duque, réu da Operação Lava Jato, arrolou como testemunhas de defesa, em uma das ações a que responde na Justiça Federal do Paraná, o ex-presidente da estatal petrolífera José Sérgio Gabrielli e 32 funcionários da companhia, na quarta-feira, 6. Duque é acusado de lavagem de dinheiro e corrupção no esquema de propinas instalado na Petrobrás.
A defesa arrolou também uma testemunha que mora em Houston, nos EUA. O juiz federal Sérgio Moro, que conduz as ações penais da Lava Jato, decidiu, em despacho de 7 de maio, que os advogados de Renato Duque deverão ‘justificar a imprescindibilidade de sua oitiva, no prazo de 5 dias”.
Na resposta à acusação, enviada à Justiça, no início de abril, a defesa de Renato Duque negou que ele tenha recebido propinas, afirmou que o ex-diretor ‘jamais praticou e deixou de praticar ato de ofício, mediante solicitação ou recebimento de vantagem indevida’, ‘jamais interferiu nos procedimentos licitatórios da Petrobrás para beneficiar empresas concorrentes’ e ‘nunca integrou quadrilha ou bando, sendo que sequer conhece alguns dos denunciados’.
José Sérgio Gabrielli. Foto:  Tasso Marcelo
José Sérgio Gabrielli. Foto: Tasso Marcelo
Duque está preso no Paraná. A força tarefa da Lava Jato achou 20 milhões de euros em conta atribuída a ele no Principado de Monaco.
Na peça de defesa à Justiça os advogados de Duque fazem menção a Pedro Barusco, ex-gerente de Engenharia da Petrobrás, que confessou ter recebido US$ 97 milhões em propinas e devolveu a fortuna espontaneamente. Em troca da delação, Barusco não foi preso.
“A inversão levada a efeito, no particular, ao prender-se sem processo/condenação, visando à pressão psicológica, pois investigado/delator, que promete devolver US$ 100.000.000, nada sofre, e o investigado que nega os fatos, presta depoimento às claras, no primeiro momento, e busca, fincado na Constituição Federal, exercer o sacrossanto direito de defesa, sofre com a prisão ilegal e o escárnio público”, afirmou a defesa de Renato Duque na resposta às acusações.
Este é primeiro processo criminal aberto contra o ex-diretor, suposto elo do PT no esquema. Além de Renato Duque, foram denunciados o doleiro Alberto Youssef, o ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto, o ex-diretor de Abastecimento da Petrobrás Paulo Roberto Costa, o ex-gerente da estatal petrolífera Pedro Barusco, ex-braço direito de Renato Duque, os lobistas Adir Assad, Julio Camargo, Mario Goes e seu filho Lucélio Goes, os executivos Augusto Mendonça, da Toyo Setal, Alberto Vilaça, Ângelo Mendes, Francisco Perdigão, José Diniz, José Resende, Rogério Cunha, Vicente Carvalho e Sérgio Mendes, todos da empreiteira Mendes Júnior, Agenor Medeiros, José Aldemário Pinheiro, o Léo Pinheiro, Luiz Almeida, Marcus Teixeira, Mateus Coutinho e Renato Siqueira, todos da OAS, e os auxiliares de Adir Assad, Sônia Branco e Dario Teixeira.
“Quem, simplesmente, se defende do teor das “caguetagens”, é preso, solto, preso de novo e mantido preso; quem bate às portas da Polícia e do Ministério Público Federal para entregar parte do dinheiro sujo e delatar os outros, recebe o beneplácito estatal, sem ameaça de prisão, sequestro de bens, busca e apreensão, linchamento público ou mandado de condução coercitiva.”
Destes denunciados, Alberto Youssef, Pedro Barusco, Paulo Roberto Costa e Julio Camargo firmaram acordo de delação premiada. Os depoimentos dos delatores da Lava Jato tiveram peso sobre esta denúncia.
Para a defesa do ex-diretor, “as acusações se mostram lacunosas, imprecisas, seletivas e, por isso, inviabilizam o exercício de defesa, que há de ser pleno”. Renato Duque ocupou a Diretoria de Serviços da Petrobrás entre 2003 e 2012. Segundo os advogados que subscrevem a resposta, Alexandre Lopes e Renato Moraes, o ex-diretor chegou ao cargo pelo ‘Conselho de Administração da Petrobrás, em face de seus muitos anos de relevantes serviços prestados à empresa, na qual ingressou em 1978, por concurso, como engenheiro, dirigindo, ao longo do tempo, por méritos próprios, várias gerências importantes’. Os investigadores suspeitam que ele tenha sido indicado pelo ex-ministro da Casa Civil José Dirceu.
“Nunca foi apadrinhado de ninguém. Trata-se de homem honesto, competente e dedicado funcionário, estando hoje aposentado”, afirma a defesa.
“É a hipótese, destarte, de absolvição sumária, por não constituir o relatado na denúncia as infrações penais fantasiadas pelo acusador. Aliás, o que se dizer de uma denúncia que teve de ser explicada, em exposição, à imprensa, convocada para tanto, pela Procuradoria, com a utilização de sistema power point?”









SUBJECT: Manual da linguagem cientifica
FROM: "Mtnos Calil" <mtnoscalil@terra.com.br>
TO: ciencialist@yahoogrupos.com.br
DATE: 09/05/2015 22:28

Como a matematização da linguagem é baseada na linguagem cientifica, estamos dando inicio a uma nova jornada para atender à necessidade de darmos a melhor explicação possivel sobre os conceitos e a aplicação do sistema LPC - Lógica e Precisão na Comunicação que será constituído por diferentes modelos. Essa nova jornada consistirá na criação de um Manual de Linguagem Cientifica. A primeira etapa do manual consistirá no levantamento de instruções já escritas por diversos autores, sem entrarmos no seu mérito. A segunda etapa consistirá na seleção das instruções e a terceira na redação do nosso manual que fará referência a todos os autores, mesmo quando as suas instruções sofrerem alguma modificação. 

O curioso desta história é que tudo que eu estou propondo em termos de precisão linguistica já foi sistematizado em textos de linguagem cientifica, como ilustra o texto abaixo, extraido daqui: 
http://observadoras.blogspot.com.br/2011/11/linguagem-cientifica.html

O Curso de Lógica na Comunicação tem dentre outras finalidades, a de TREINAR OS PARTICIPANTES A ESCREVER E FALAR levando em conta tais instruções (ou boa parte delas - é claro que um texto como este pode ser aperfeiçoado, o que será feito apenas na 3a. e última etapa da construção do manual).

Cabe sempre lembrar aos insurgentes que o LPC não é para ser utilizado no lugar da linguagem já utilizada e sim nas ocasiões em que for útil para os usuários. 

Thanks
MC
Ps. Importante: a
o escrever (ou palestrar) o autor deve ter em mente que seu público-alvo poderá estar constituído não apenas por especialistas ou entendidos no assunto, mas também por leigos. Portanto deve dominar a linguagem técnica e a não técnica. Cuidado aqui:  linguagem técnica não é sinônimo de linguagem precisa. Um dos nossos objetivos é dar precisão à linguagem não técnica! 
 

CARACTERÍSTICAS DA LINGUAGEM CIENTÍFICA

Objetividade:

-Ausência de impressões subjetivas  que se referem a eventos ou características que não foram, de fato, observados.  A linguagem científica deve reproduzir  o que realmente aconteceu e/ou foi dito.

-É uma das características principais da linguagem científica, uma vez que permite a aproximação da realidade.

-Distingue o relato científico de outros tipos de relato, que têm como objetivo expressar a opinião das pessoas. O relato científico não busca a expressão das opiniões pessoais do cientista, mas a descrição do fenômeno estudado.

-No contexto da observação do comportamento, elimina as divergências  entre observadores diferentes,  na medida em que descreve exatamente as ações que aconteceram. Ou seja, a objetividade permite a fidedignidade nas observações.

PRINCIPAIS ERROS CONTRA A OBJETIVIDADE

 

-Utilização de termos que designem estados subjetivos, como ‘triste’, ‘cansado’, ‘alegre’, etc.

Por exemplo: Ao invés de registrar ‘S está alegre’, o observador deve registrar ‘S sorri, bate o pé direito no chão acompanhando o ritmo da música’.

-Atribuição de intenções ao sujeito. O observador deve descrever ou registrar o comportamento e as circunstâncias em que ele ocorre, sem  interpretar as ‘intenções’ do sujeito.

Por exemplo: Ao invés de registrar ‘S tenta pedir um lugar aos passageiros’, o observador deve registrar ‘S vira a cabeça em direção aos passageiros’.

-Atribuição de finalidades à ação observada. O observador deve descrever ou registrar o comportamento e as circunstâncias em que ele ocorre, sem atribuir uma finalidade ou objetivo ao comportamento observado.

Por exemplo: Ao invés de registrar ‘S fecha a porta porque venta’, o observador deve registrar ‘S fecha a porta. Venta lá fora.’.

Clareza e exatidão (precisão):

-Uso de uma linguagem de fácil compreensão (linguagem clara), e que represente as coisas com exatidão (linguagem precisa).

-A linguagem clara e precisa:

-Obedece  os critérios de estrutura gramatical do idioma.

-Usa termos cujo significado não é ambíguo.

-Indica as propriedades definidoras dos termos, fornecendo referências quantitativas e empíricas.

PRINCIPAIS ERROS CONTRA A CLAREZA E EXATIDÃO (PRECISÃO)

-Uso de termos amplos, cujo significado inclui uma série de ações.

O observador, em lugar de utilizar termos amplos, deve especificar os comportamentos apresentados pelo sujeito.

Por exemplo: Ao invés de registrar ‘o menino brinca com a bola’, o observador deve registrar ‘o menino anda em direção à bola, pega a bola, joga-a no chão, chuta-a com o pé’.

-Uso de termos indefinidos, que não identificam o objeto ou identificam parcialmente os atributos do objeto. 

O observador, em lugar de utilizar termos indefinidos ou vagos, deve especificar o objeto ao qual a ação é dirigida, e fornecer os referenciais físicos utilizados para a descrição dos atributos do objeto; referenciais relativos a cor, tamanho, direção, etc.

Por exemplo: Ao invés  de registrar ‘bola pequena’, o observador deve registrar ‘uma bola de 20 cm de diâmetro’.

-Uso de termos ou expressões ambíguas, que podem dificultar a compreensão.

-O observador deve usar termos adicionais que indiquem precisamente a que ou quem um termo determinado se refere.

Por exemplo: Ao invés de registrar ‘o menino pegou a bola. Encostou na parede’, o observador deve registrar ‘o menino pegou a bola. O menino se encostou na parede’.



.


SUBJECT: Re: [ciencialist] Exercicio de lógica para os professores Belmiro e Alberto
FROM: "Alberto Mesquita Filho" <albmesq@uol.com.br>
TO: <ciencialist@yahoogrupos.com.br>
DATE: 10/05/2015 00:08

Mtnos escreveu:
 
> A sua rejeição (ou repulsa) à precisao lógica é completamente anti-cientifica...
 
Olá Mtnos.
 
Não é minha pretensão defender o BW, pois ele não precisa disso. Creio não obstante que nenhum de nós apresentou aqui qualquer argumento a justificar uma rejeição e/ou repulsa à precisão lógica. Sim, alguns chegaram a dar a entender que a sua noção do que seja lógica é uma verdadeira palhaçada, ou seja, não seria a lógica científica que estaria em jogo mas a sua pretensa «lógica». Eu não cheguei a tanto, muito embora não descarte totalmente essa hipótese. Mantenho a idéia de que você é um troll que aparece aqui apenas por não ter coragem de sair às ruas com uma melancia pendurada no pescoço.
 
Nada contra o seu analista que a meu ver é um herói e deve ter um saco de elefante para conseguir te aguentar por 18 anos, mas a verdade é que aqui nenhum de nós é herói e você já está nos cansando em demasia. Sinto pelo fato da Acrópolis não ter te aceitado como membro, ao mesmo tempo que dou os parabéns ao moderador da lista. Sinto também que a Ciencialist não tenha o mesmo tipo de moderação pois do contrário você não teria mais lugar para expor aqui a sua pretensa «lógica».
 
Sem outros ressentimentos além dos já expostos
 
[ ]´s
Alberto
http://ecientificocultural.com.br
Mas indiferentemente a tudo isso, o elétron não é uma carga elétrica
coulombiana e a Terra se move. E a história se repetirá.
 
 
From: Mtnos Calil mtnoscalil@terra.com.br [ciencialist]
Sent: Saturday, May 9, 2015 7:52 PM
To: ciencialist@yahoogrupos.com.br
Subject: Re: [ciencialist] Exercicio de lógica para os professores Belmiro e Alberto
 
 

Olá Prof. Belmiro.


1. Não vejo nenhum problema em ser ingênuo,, pois considero a ingenuidade uma virtude que se encontra com frequencia em pessoas de boa indole que confiam nos outros. Infelizmente já não sou possuidor dessa qualidade, pois meu lema ético é este: ninguém é confiavel até prova em contrário, inclusive eu.

Quanto à sua idéia alucinada, de que meu vinculo com o LPC seria produto de um trantorno não resolvido na minha análise (que teve a duração de 18 anos) , quero deixar claro que minha aproximação com a lógica se deve ao meu analista. Teria sido então ele o criador do transtorno? Que bom, pois o curso que estamos montando serve também como ginástica mental para ajudar na prevenção do mal de alzheimer ou de outras demências cujo risco aumenta com a idade.

A sua rejeição (ou repulsa) à precisao lógica é completamente anti-cientifica revelando assim um transtorno que só pode ter uma causa mental ou emocional. Como um fã da ciência rejeita uma proposta que valoriza a linguagem e o espirito cientificos?
Agora V,Sa vai dizer que eu é que estou faltando com o respeito. Mas quem colocou em dúvida a minha saúde mental EM PRIMEIRO LUGAR, foi V.Sa. Portanto, segundo a lógica do direito, eu fui atacado e respondi me defendendo, mantendo a proporcionalidade e a razoabilidade. Apenas devolvi o falso diagnóstico que na devolução pode ter adquirido até um "valor de verdade".

A  sua última contribuição para o LPC  ( a da necessidade de explicar melhor a coisa) foi importante e por isso V.Sa. merece ser perdoado, mesmo que não se arrependa do mal cometido, como sugeriu Cristo. Pensei muito sobre a estratégia de explicação e cheguei à conclusão que os leigos na ciëncia ou filosofia da linguagem precisam participar de exercicios para comprender a coisa que requer uma experimentação. É como a psicanálise - NINGUEM PODE COMPREENDER  essa técnica de psicoterapia se não participar de várias sessões, e com profissionais de diferentes correntes. E não aprenderá nem com mil sessões se não tiver uma percepção do seu mundo interno, através de insights,

As pessoas aprendem a pensar sem que ninguém explique o que é o pensamento.
Para resolver este problema estou pensando em passar exercicios. No caso é fazendo que se aprende. Mas será que existe alguma coisa que se possa aprender sem "fazer"?
 
A melhor maneira de compreender o LPC é se treinando para falar ou escrever com precisão logico-semântica o que envolve clareza e objetividade, seja qual for o assunto abordado.

Mtnos Calil

Ps. Olha que coisa curiosa: mesmo com essa sua mensagem destrutiva, V.Sa. conseguiu dar mais uma contribuição.  Como é possivel tranformar tantas pauladas em contribuições? Espero encontrar uma resposta lógica para essa pergunta
 




On Sáb 09/05/15 18:38 , "Belmiro Wolski belmirow@yahoo.com.br [ciencialist]" ciencialist@yahoogrupos.com.br sent:
 
Mtnos:>>>> "É comum (ou normal) um advogado defender seu cliente com tamanha convicção?
Como ele pode ter tanta certeza sobre a inocência do réu?"

Confirma-se nessas perguntas o seu mais alto grau de ingenuidade. Eu diria até que dá para entender sua proposta. Mas não entenda entender como algo a ser entendido, entendeu? Dá para entender a razão pela qual você teima nessa LPC. Sem ofensas, mas creio que o seu psicanalista ou sei lá o que não deu conta do recado. Sobre os advogados:
Advogados não precisam ter certeza sobre a inocência do réu. Na verdade, na maioria dos casos, eles tem certeza de sua culpa, mas defendem com a aparente convicção de quem acredita em sua inocência.

*BW*


 


Em Sábado, 9 de Maio de 2015 14:41, "Mtnos Calil mtnoscalil@terra.com.br [ciencialist]" escreveu:


 
De fato a explicação sobre os fundamentos do LPC não é nada fácil, inclusive porque esbarra na cultura consagrada do "contexto" segundo a qual nada pode ser compreendido plenamente se o contexto não estiver devidamente esclarecido.

Para demonstrar o contrário, o caminho a percorrer infelizmente é pedregoso.
Para a remoção de tantas pedras é necessário paciência e persistência.
Um dos pré-requisitos (ou fundamentos) do LPC é o rigor linguistico na comunicação normal vigente em nossa sociedade.

Me parece, a respeito, que essa idéia é fácil de ser entendida e aceita:
existem pessoas - e escritores - que se comunicam com mais clareza do que outros, facilitando a compreensão dos seus textos.

Porém a "lógica" é dificil de ser compreendida porque é um conceito demasiado abstrato. A expressão "lógica na comunicação" me parecia algo trivial. Mas infelizmente não é!  O uso da lógica, na linguagem humana é feito de forma automática e inconsciente. As crianças aprendem a estrutrurar frases sem ter a menor consciência da relação que existe entre as palavras. As palavras são visiveis (ou audíveis) mas a relação sintática existente entre elas é completamente invisivel e inconsciente. Como as crianças aprendem a pensar e expressar seus pensamentos é um mistério que dificilmente será desvendado. Está claro que nós nascemos com um "software" que foi sofrendo up grades ao longo do tempo e que assimilou a linguagem das palavras (antes das palavras já existia no cérebro humano o sistema da linguagem não verbal - sonora e gestual - , como se nota facilmente nos animais).

A lógica semântica - ou seja a lógica do significado das palavras e das frases - se processa de uma forma tão natural que não precisamos levar em conta a sua existência quando falamos, lemos ou ouvimos. Talvez daí advém a dificuldade de explicar o que é o sistema (ou modelo) LPC - Lógica e Precisão na Comunicação. O exercicio agora sugerido consiste na leitura de um pequeno texto que analisa as palavras de um advogado de defesa de um dos réus da Lava Jato, com o objetivo de respondermos a esta pergunta:  o que falta de informação a este texto para que fiquem precisamente claras as idéias que o redator expressou (ou quis expressar).

Abraços
Mtnos Calil
.

                               Estranha defesa de um réu da Lava Jato

O advogado do réu revelou uma surpreendente convicção a respeito da inocência do seu cliente, Renato Duque, ex-diretor deserviços da Petrobrás, manifestada nestas frases publicadas pelo Estadão:
a) ‘nunca foi apadrinhado de ninguém, é honesto, competente e dedicado funcionário’
b) ‘jamais praticou e deixou de praticar ato de ofício, mediante solicitação ou recebimento de vantagem indevida’
c) ‘jamais interferiu nos procedimentos licitatórios da Petrobrás para beneficiar empresas concorrentes’
d)‘nunca integrou quadrilha ou bando, sendo que sequer conhecealguns dos denunciados’.
É comum (ou normal) um advogado defender seu cliente com tamanha convicção?
Como ele pode ter tanta certeza sobre a inocência do réu?
Além disso, o advogado coloca em dúvida a seriedade da acusação com esta veemência:
a) “A inversão levada a efeito, no particular, ao prender-se semprocesso/condenação, visando à pressão psicológica, pois investigado/delator,que promete devolver US$ 100.000.000, nada sofre, e o investigado que nega osfatos, presta depoimento às claras, no primeiro momento, e busca, fincado na Constituição Federal, exercer o sacrossanto direito de defesa, sofre com aprisão ilegal e o escárnio público”,
b) “Quem, simplesmente, se defende do teor das “caguetagens”, é preso, solto, preso de novo e mantido preso; quem bate às portas da Polícia e do Ministério Público Federal para entregar parte do dinheiro sujo e delatar os outros, recebe o beneplácito estatal, sem ameaça de prisão, sequestro de bens, busca e apreensão, linchamento público ou mandado de condução coercitiva.”
c) “É a hipótese, destarte, de absolvição sumária, por não constituir o relatado na denúncia as infrações penais fantasiadas pelo acusador. Aliás, o que se dizer de uma denúncia que teve de ser explicada, em exposição, à imprensa, convocada para tanto, pela Procuradoria, com a utilização de sistema power point?”
A conclusão que se impõe com base nestas declarações da defesa é que a Justiça estaria cometendo um gravíssimo erro – e irreparável do ponto de vista moral – com um funcionário de carreira da Petrobrás que teve  (ou teria tido) uma conduta irrepreensível no exercício de seu ofício.
Também é estranho que o delator tenha “fantasiado” as infrações penais, o que daria a entender que estas fantasias seriam de fundamental importância para ele receber a premiação. Ou essa fantasia teria alguma outra motivação? Psicológica? Neurótica?
Não estou com isso, manifestando nenhum juízo de valor a respeito da defesa ou da acusação. Porém com base nas frases da defesa acima arroladas, a lógica do direito nos impõe essa conclusão obrigatória: ou a defesa ou a acusação está** cometendo um erro gravíssimo e incompatível com o bom exercício de suas funções. Se a acusação errou, não apenas o réu teria que ser ressarcido, como a imagem pública de sua pessoa teria sofrido danos morais irreparáveis. E se a defesa errou, qual seria a forma jurídica (e lógica) de reparar-se o erro?
**A forma correta de escrever esta frase é “ou a defesa ou a acusação estão” (e não “está”). Mas se apenas uma das duas está cometendo o erro, o certo não seria o verbo ficar no singular?
MtnosCalil
IdeologiaZero, Ilusão Zero e Simulacro Zero
Ps1. A minha tese de "lógica do direito" segundo a qual não deveria existir nem advogado de defesa nem de acusação, pois por dever de oficio, eles são condicionados a puxar a sardinha para seus clientes que os remuneram, foi bem recebida por alguns advogados. No lugar de acusação e defesa deveria existir apenas uma peritagem voltada exclusivamente para a apuração da verdade, a qual, infelizmente, nem sempre é acessivel ao mais  arguto e competente investigador. Por isso muitos culpados são inocentados por falta de provas. E outros são condenados com base em provas fabricadas. Fabricar provas de defesa e acusação é uma prática do direito cuja incidência estatistica não foi ainda apurada. Já o treinamento das testemunhas é algo normal, sobretudo quando as mesmas têm dificuldade de comunicação.
Ps2. Um lema ético inspirado por Maquiavel: “Ninguém é confiável até prova emcontrário, inclusive eu”.
=============================
 
Renato Duque, que passou a fazer consultorias, após deixar a Petrobrás. Foto: Fábio Motta/Estadão
Renato Duque. Foto: Fábio Motta/Estadão
Por Ricardo Brandt, enviado especial a Curitiba, Julia Affonso e Fausto Macedo
O ex-diretor de Serviços da Petrobrás Renato Duque, réu da Operação Lava Jato, arrolou como testemunhas de defesa, em uma das ações a que responde na Justiça Federal do Paraná, o ex-presidente da estatal petrolífera José Sérgio Gabrielli e 32 funcionários da companhia, na quarta-feira, 6. Duque é acusado de lavagem de dinheiro e corrupção no esquema de propinas instalado na Petrobrás.
A defesa arrolou também uma testemunha que mora em Houston, nos EUA. O juiz federal Sérgio Moro, que conduz as ações penais da Lava Jato, decidiu, em despacho de 7 de maio, que os advogados de Renato Duque deverão ‘justificar a imprescindibilidade de sua oitiva, no prazo de 5 dias”.
Na resposta à acusação, enviada à Justiça, no início de abril, a defesa de Renato Duque negou que ele tenha recebido propinas, afirmou que o ex-diretor ‘jamais praticou e deixou de praticar ato de ofício, mediante solicitação ou recebimento de vantagem indevida’, ‘jamais interferiu nos procedimentos licitatórios da Petrobrás para beneficiar empresas concorrentes’ e ‘nunca integrou quadrilha ou bando, sendo que sequer conhece alguns dos denunciados’.
José Sérgio Gabrielli. Foto:  Tasso Marcelo
José Sérgio Gabrielli. Foto: Tasso Marcelo
Duque está preso no Paraná. A força tarefa da Lava Jato achou 20 milhões de euros em conta atribuída a ele no Principado de Monaco.
Na peça de defesa à Justiça os advogados de Duque fazem menção a Pedro Barusco, ex-gerente de Engenharia da Petrobrás, que confessou ter recebido US$ 97 milhões em propinas e devolveu a fortuna espontaneamente. Em troca da delação, Barusco não foi preso.
“A inversão levada a efeito, no particular, ao prender-se sem processo/condenação, visando à pressão psicológica, pois investigado/delator, que promete devolver US$ 100.000.000, nada sofre, e o investigado que nega os fatos, presta depoimento às claras, no primeiro momento, e busca, fincado na Constituição Federal, exercer o sacrossanto direito de defesa, sofre com a prisão ilegal e o escárnio público”, afirmou a defesa de Renato Duque na resposta às acusações.
Este é primeiro processo criminal aberto contra o ex-diretor, suposto elo do PT no esquema. Além de Renato Duque, foram denunciados o doleiro Alberto Youssef, o ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto, o ex-diretor de Abastecimento da Petrobrás Paulo Roberto Costa, o ex-gerente da estatal petrolífera Pedro Barusco, ex-braço direito de Renato Duque, os lobistas Adir Assad, Julio Camargo, Mario Goes e seu filho Lucélio Goes, os executivos Augusto Mendonça, da Toyo Setal, Alberto Vilaça, Ângelo Mendes, Francisco Perdigão, José Diniz, José Resende, Rogério Cunha, Vicente Carvalho e Sérgio Mendes, todos da empreiteira Mendes Júnior, Agenor Medeiros, José Aldemário Pinheiro, o Léo Pinheiro, Luiz Almeida, Marcus Teixeira, Mateus Coutinho e Renato Siqueira, todos da OAS, e os auxiliares de Adir Assad, Sônia Branco e Dario Teixeira.
“Quem, simplesmente, se defende do teor das “caguetagens”, é preso, solto, preso de novo e mantido preso; quem bate às portas da Polícia e do Ministério Público Federal para entregar parte do dinheiro sujo e delatar os outros, recebe o beneplácito estatal, sem ameaça de prisão, sequestro de bens, busca e apreensão, linchamento público ou mandado de condução coercitiva.”
Destes denunciados, Alberto Youssef, Pedro Barusco, Paulo Roberto Costa e Julio Camargo firmaram acordo de delação premiada. Os depoimentos dos delatores da Lava Jato tiveram peso sobre esta denúncia.
Para a defesa do ex-diretor, “as acusações se mostram lacunosas, imprecisas, seletivas e, por isso, inviabilizam o exercício de defesa, que há de ser pleno”. Renato Duque ocupou a Diretoria de Serviços da Petrobrás entre 2003 e 2012. Segundo os advogados que subscrevem a resposta, Alexandre Lopes e Renato Moraes, o ex-diretor chegou ao cargo pelo ‘Conselho de Administração da Petrobrás, em face de seus muitos anos de relevantes serviços prestados à empresa, na qual ingressou em 1978, por concurso, como engenheiro, dirigindo, ao longo do tempo, por méritos próprios, várias gerências importantes’. Os investigadores suspeitam que ele tenha sido indicado pelo ex-ministro da Casa Civil José Dirceu.
“Nunca foi apadrinhado de ninguém. Trata-se de homem honesto, competente e dedicado funcionário, estando hoje aposentado”, afirma a defesa.
“É a hipótese, destarte, de absolvição sumária, por não constituir o relatado na denúncia as infrações penais fantasiadas pelo acusador. Aliás, o que se dizer de uma denúncia que teve de ser explicada, em exposição, à imprensa, convocada para tanto, pela Procuradoria, com a utilização de sistema power point?”




 




SUBJECT: Re: [ciencialist] Manual da linguagem cientifica
FROM: Belmiro Wolski <belmirow@yahoo.com.br>
TO: "ciencialist@yahoogrupos.com.br" <ciencialist@yahoogrupos.com.br>
DATE: 10/05/2015 10:59

Taí! Agora gostei! Agora você foi mais objetivo. Se você tivesse feito isso desde o começo, não teria levado as "pauladas". O problema é que você precisou gastar milhares senão milhões de caracteres e alguns sacos de paciência de todos para revelar algo simples. Salvo exageros como: 

 Ao invés de registrar ‘o menino brinca com a bola’, o observador deve registrar ‘o menino anda em direção à bola, pega a bola, joga-a no chão, chuta-a com o pé’.

O observador ao registrar da segunda forma peca por não esclarecer características subjetivas da atitude do menino. Estaria ele enfurecido? Ou estaria ele "brincando" com a bola? É esse tipo de coisas que temos criticado. Quando você diz que o interlocutor deve explicar o real significado das palavras que usa, ao invés de facilitar a compreensão, vai dificultar. O "contexto" serve para isso. É evidente que sou absolutamente a favor da clareza da informação. Já dei palestras sobre eletromagnetismo para universitários e também para estudantes do segundo ano do ensino fundamental. Sei bem o que é diferenciar o enfoque e utilizar os termos que cada um possa entender dentro do contexto. Infelizmente, sei que muitos não se preocupam com esses detalhes. 

*BW*




Em Sábado, 9 de Maio de 2015 22:28, "Mtnos Calil" mtnoscalil@terra.com.br [ciencialist]" <ciencialist@yahoogrupos.com.br> escreveu:


 
Como a matematização da linguagem é baseada na linguagem cientifica, estamos dando inicio a uma nova jornada para atender à necessidade de darmos a melhor explicação possivel sobre os conceitos e a aplicação do sistema LPC - Lógica e Precisão na Comunicação que será constituído por diferentes modelos. Essa nova jornada consistirá na criação de um Manual de Linguagem Cientifica. A primeira etapa do manual consistirá no levantamento de instruções já escritas por diversos autores, sem entrarmos no seu mérito. A segunda etapa consistirá na seleção das instruções e a terceira na redação do nosso manual que fará referência a todos os autores, mesmo quando as suas instruções sofrerem alguma modificação. 

O curioso desta história é que tudo que eu estou propondo em termos de precisão linguistica já foi sistematizado em textos de linguagem cientifica, como ilustra o texto abaixo, extraido daqui: 
http://observadoras.blogspot.com.br/2011/11/linguagem-cientifica.html

O Curso de Lógica na Comunicação tem dentre outras finalidades, a de TREINAR OS PARTICIPANTES A ESCREVER E FALAR levando em conta tais instruções (ou boa parte delas - é claro que um texto como este pode ser aperfeiçoado, o que será feito apenas na 3a. e última etapa da construção do manual).

Cabe sempre lembrar aos insurgentes que o LPC não é para ser utilizado no lugar da linguagem já utilizada e sim nas ocasiões em que for útil para os usuários. 

Thanks
MC
Ps. Importante: a
o escrever (ou palestrar) o autor deve ter em mente que seu público-alvo poderá estar constituído não apenas por especialistas ou entendidos no assunto, mas também por leigos. Portanto deve dominar a linguagem técnica e a não técnica. Cuidado aqui:  linguagem técnica não é sinônimo de linguagem precisa. Um dos nossos objetivos é dar precisão à linguagem não técnica! 
 

CARACTERÍSTICAS DA LINGUAGEM CIENTÍFICA

Objetividade:

-Ausência de impressões subjetivas  que se referem a eventos ou características que não foram, de fato, observados.  A linguagem científica deve reproduzir  o que realmente aconteceu e/ou foi dito.

-É uma das características principais da linguagem científica, uma vez que permite a aproximação da realidade.

-Distingue o relato científico de outros tipos de relato, que têm como objetivo expressar a opinião das pessoas. O relato científico não busca a expressão das opiniões pessoais do cientista, mas a descrição do fenômeno estudado.

-No contexto da observação do comportamento, elimina as divergências  entre observadores diferentes,  na medida em que descreve exatamente as ações que aconteceram. Ou seja, a objetividade permite a fidedignidade nas observações.

PRINCIPAIS ERROS CONTRA A OBJETIVIDADE

 

-Utilização de termos que designem estados subjetivos, como ‘triste’, ‘cansado’, ‘alegre’, etc.

Por exemplo: Ao invés de registrar ‘S está alegre’, o observador deve registrar ‘S sorri, bate o pé direito no chão acompanhando o ritmo da música’.

-Atribuição de intenções ao sujeito. O observador deve descrever ou registrar o comportamento e as circunstâncias em que ele ocorre, sem  interpretar as ‘intenções’ do sujeito.

Por exemplo: Ao invés de registrar ‘S tenta pedir um lugar aos passageiros’, o observador deve registrar ‘S vira a cabeça em direção aos passageiros’.

-Atribuição de finalidades à ação observada. O observador deve descrever ou registrar o comportamento e as circunstâncias em que ele ocorre, sem atribuir uma finalidade ou objetivo ao comportamento observado.

Por exemplo: Ao invés de registrar ‘S fecha a porta porque venta’, o observador deve registrar ‘S fecha a porta. Venta lá fora.’.

Clareza e exatidão (precisão):

-Uso de uma linguagem de fácil compreensão (linguagem clara), e que represente as coisas com exatidão (linguagem precisa).

-A linguagem clara e precisa:

-Obedece  os critérios de estrutura gramatical do idioma.

-Usa termos cujo significado não é ambíguo.

-Indica as propriedades definidoras dos termos, fornecendo referências quantitativas e empíricas.

PRINCIPAIS ERROS CONTRA A CLAREZA E EXATIDÃO (PRECISÃO)

-Uso de termos amplos, cujo significado inclui uma série de ações.

O observador, em lugar de utilizar termos amplos, deve especificar os comportamentos apresentados pelo sujeito.

Por exemplo: Ao invés de registrar ‘o menino brinca com a bola’, o observador deve registrar ‘o menino anda em direção à bola, pega a bola, joga-a no chão, chuta-a com o pé’.

-Uso de termos indefinidos, que não identificam o objeto ou identificam parcialmente os atributos do objeto. 

O observador, em lugar de utilizar termos indefinidos ou vagos, deve especificar o objeto ao qual a ação é dirigida, e fornecer os referenciais físicos utilizados para a descrição dos atributos do objeto; referenciais relativos a cor, tamanho, direção, etc.

Por exemplo: Ao invés  de registrar ‘bola pequena’, o observador deve registrar ‘uma bola de 20 cm de diâmetro’.

-Uso de termos ou expressões ambíguas, que podem dificultar a compreensão.

-O observador deve usar termos adicionais que indiquem precisamente a que ou quem um termo determinado se refere.

Por exemplo: Ao invés de registrar ‘o menino pegou a bola. Encostou na parede’, o observador deve registrar ‘o menino pegou a bola. O menino se encostou na parede’.



.




SUBJECT: Re: Re: [ciencialist] Manual da linguagem cientifica
FROM: "Mtnos Calil" <mtnoscalil@terra.com.br>
TO: ciencialist@yahoogrupos.com.br
DATE: 10/05/2015 16:54

Viva!!! O prof. Belmiro Wolsky fez uma declaração unívoca e inédita em relação a este projeto cercado de mistérios e imprevisibilidades. ( eis que a ciência também é feita de mistérios e imprevisibilidades). O ineditismo da declaração está nesta frase de duas palavras e 11 letras     "Agora gostei" 

Mas atenção! Não exageremos : ele gostou apenas de um detalhe do projeto que está embutido no advérbio de tempo "agora". Respeitada esta limitação temporal, prossigo,respondendo ao ilustre professor de eletromagnetismo, nesta cor.  

Em Dom 10/05/15 10:59, Belmiro Wolski belmirow@yahoo.com.br [ciencialist] ciencialist@yahoogrupos.com.br escreveu:

 

Taí! Agora gostei! Agora você foi mais objetivo. Se você tivesse feito isso desde o começo, não teria levado as "pauladas". O problema é que você precisou gastar milhares senão milhões de caracteres e alguns sacos de paciência de todos para revelar algo simples.

Ah... se fosse simples... o problema é extremamente complexo, pois a humanidade se habituou a se comunicar com uma ampla liberdade linguistica atribuindo às palavras os significados que bem entendesse. Até para explicar a coisa, como verificamos, é complicado! Ocorre que a coisa não está pronta. Como explicar algo que ainda não é algo, mas um projeto de algo? E o pior é que esse protoalgo se contrapõe à tradição linguistica universal segundo a qual nada pode ser perfeitamente compreendido se não tiver seu contexto explicitado. 
Ilustre Prof. Belmiro: estamos num LABORATÓRIO de ciência linguistica que surgiu do espaço sem ninguém ter previsto ou planejado. Tratando-se de um laboratório temos duas variáveis básicas se agitando: o experimento e a imprevisibilidade. Por isso a expectativa de "explicações" não pode ser atendida na sua plenitude. 

Salvo exageros como: 

 Ao invés de registrar ‘o menino brinca com a bola’, o observador deve registrar ‘o menino anda em direção à bola, pega a bola, joga-a no chão, chuta-a com o pé’. O observador ao registrar da segunda forma peca por não esclarecer características subjetivas da atitude do menino. Estaria ele enfurecido? Ou estaria ele "brincando" com a bola? É esse tipo de coisas que temos criticado. Quando você diz que o interlocutor deve explicar o real significado das palavras que usa, ao invés de facilitar a compreensão, vai dificultar. O "contexto" serve para isso.

O contexto serve para isso? "Isso" o quê? Facilitar a compreensão? Mas então o enunciado deve estar acompanhado do seu respectivo contexto que estaria apresentado fora do enunciado?  A minha proposta é que o contexto deve estar inserido no enunciado, o que torna a comunicação mais objetiva (e precisa). A compreensão exata do enunciando depende dos detalhes essenciais - e não de todos os detalhes como defendem os recursivistas da linguagem aos quais o nosso amigo Pesky Bee está alinhado. Para alguém compreender que 1 + 1 é igual a dois, basta  ter alguns aninhos de vida. Cadê o "contexto"? Evaporou?  A frase "O professor Belmiro deu aula para universitáriso" não informa inúmeros detalhes, mas apesar disso é PERFEITAMENTE COMPREENSIVEL. Ninguém deve interpretar nada. Pode PERGUNTAR em que curso (s) ou universidade (s) aconteceu "isso".  Alguém também poderia perguntar porque 1+1=2. Porém 1+1 é sempre igual a 2, independente do contexto. Ou não? A lógica da compreensão (ou a compreensão lógica) requer que os detalhes sejam enunciados apenas na sua parte essencial. Essa "essencialidade" semântica requer um treinamento, inclusive para não ser afetada por detalhes não essenciais. É aí que os recursivistas se enganam: eles não distinguem o essencial do acessório no que diz respeito à precisão na comunicação. 

É evidente que sou absolutamente a favor da clareza da informação. Já dei palestras sobre eletromagnetismo para universitários e também para estudantes do segundo ano do ensino fundamental. Sei bem o que é diferenciar o enfoque e utilizar os termos que cada um possa entender dentro do contexto. Infelizmente, sei que muitos não se preocupam com esses detalhes. 

Esta atenção que o sr. da aos detalhes é uma das premissas básicas da linguagem cientifica. O objetivo deste projeto é exatamente o de implantar a linguagem cientifica na comunicação não cientifica. Trata-se de um "transpante " que exige TREINAMENTO CIRÚRGICO-LINGUISTICO. 

A minha "falha" foi ter percebido só depois de alguns meses de laboratório que o melhor caminho para desvendar o mistério é recorrer à linguagem cientifica que já existia! Me parecia que a verdade desta linguagem sendo reconhecida por todos era algo óbvio. Eis o que aprendi com este laboratório: O ÓBVIO PRECISA SIM SER EXPLICADO COM A MESMA ATENÇÃO QUE É DADA AO NÃO ÓBVIO!  
Não adianta dizer que o "óbvio é ululante",  *  pois, por mais estridente que seja, não pode ser ouvido pelos surdos. 

* Ulular =  gritar como aves noturnas. Se são noturnas é dificeis vê-las gritando (rsrs)
Ps1. O duro vai ser selecionar em meio a tantas mensagens o conteúdo para a apostila do curso. A boa noticia é que por algum tempo só falaremos da linguagem cientifica. As primeiras atividades do curso de lógica serão:  
a) construção de uma definição de lógica
b) manualização da linguagem cientifica ( eis uma excelente oportunidade para os matemáticos e fisiccos do grupo, bem como praticantes de outras ciências, escolherem uma teoria para ser traduzida na linguagem compreensível aos leigos. 

Ps. Quando o assunto for psicologia,  o "pau vai comer". É o pau que vai comer, ou na briga alguém come a madeira se perder? A psicologia está concorrendo com a filosofia para ver quem tem mais correntes. A psicologia já conseguiu se fragmentar em 400 correntes. É a estratégia fractal. Mas parece que os filósofos já brincaram muito com as correntes e alguns tratam agora de colocar alguma ordem neste coreto. **

** Coreto = reunião festiva regada a álcool -  Mas será a primeira silaba a única tônica desta palavra? .A junção dos dois "o" não seria também tônica?  - O esquartejamento das palavras é um bom exercicio para o curso. 
OOPSS... surgiu uma nova idéia no laboratório:  exercicio do esquartejamento linguistico. 

Em Sábado, 9 de Maio de 2015 22:28, "Mtnos Calil" mtnoscalil@terra.com.br [ciencialist]" <ciencialist@yahoogrupos.com.br> escreveu:

Como a matematização da linguagem é baseada na linguagem cientifica, estamos dando inicio a uma nova jornada para atender à necessidade de darmos a melhor explicação possivel sobre os conceitos e a aplicação do sistema LPC - Lógica e Precisão na Comunicação que será constituído por diferentes modelos. Essa nova jornada consistirá na criação de um Manual de Linguagem Cientifica. A primeira etapa do manual consistirá no levantamento de instruções já escritas por diversos autores, sem entrarmos no seu mérito. A segunda etapa consistirá na seleção das instruções e a terceira na redação do nosso manual que fará referência a todos os autores, mesmo quando as suas instruções sofrerem alguma modificação. 

O curioso desta história é que tudo que eu estou propondo em termos de precisão linguistica já foi sistematizado em textos de linguagem cientifica, como ilustra o texto abaixo, extraido daqui: 
http://observadoras.blogspot.com.br/2011/11/linguagem-cientifica.html

O Curso de Lógica na Comunicação tem dentre outras finalidades, a de TREINAR OS PARTICIPANTES A ESCREVER E FALAR levando em conta tais instruções (ou boa parte delas - é claro que um texto como este pode ser aperfeiçoado, o que será feito apenas na 3a. e última etapa da construção do manual).

Cabe sempre lembrar aos insurgentes que o LPC não é para ser utilizado no lugar da linguagem já utilizada e sim nas ocasiões em que for útil para os usuários. 

Thanks
MC
Ps. Importante: ao escrever (ou palestrar) o autor deve ter em mente que seu público-alvo poderá estar constituído não apenas por especialistas ou entendidos no assunto, mas também por leigos. Portanto deve dominar a linguagem técnica e a não técnica. Cuidado aqui:  linguagem técnica não é sinônimo de linguagem precisa. Um dos nossos objetivos é dar precisão à linguagem não técnica! 
 

CARACTERÍSTICAS DA LINGUAGEM CIENTÍFICA

Objetividade:

-Ausência de impressões subjetivas  que se referem a eventos ou características que não foram, de fato, observados.  A linguagem científica deve reproduzir  o que realmente aconteceu e/ou foi dito.

-É uma das características principais da linguagem científica, uma vez que permite a aproximação da realidade.

-Distingue o relato científico de outros tipos de relato, que têm como objetivo expressar a opinião das pessoas. O relato científico não busca a expressão das opiniões pessoais do cientista, mas a descrição do fenômeno estudado.

-No contexto da observação do comportamento, elimina as divergências  entre observadores diferentes,  na medida em que descreve exatamente as ações que aconteceram. Ou seja, a objetividade permite a fidedignidade nas observações.

PRINCIPAIS ERROS CONTRA A OBJETIVIDADE

 

-Utilização de termos que designem estados subjetivos, como ‘triste’, ‘cansado’, ‘alegre’, etc.

Por exemplo: Ao invés de registrar ‘S está alegre’, o observador deve registrar ‘S sorri, bate o pé direito no chão acompanhando o ritmo da música’.

-Atribuição de intenções ao sujeito. O observador deve descrever ou registrar o comportamento e as circunstâncias em que ele ocorre, sem  interpretar as ‘intenções’ do sujeito.

Por exemplo: Ao invés de registrar ‘S tenta pedir um lugar aos passageiros’, o observador deve registrar ‘S vira a cabeça em direção aos passageiros’.

-Atribuição de finalidades à ação observada. O observador deve descrever ou registrar o comportamento e as circunstâncias em que ele ocorre, sem atribuir uma finalidade ou objetivo ao comportamento observado.

Por exemplo: Ao invés de registrar ‘S fecha a porta porque venta’, o observador deve registrar ‘S fecha a porta. Venta lá fora.’.

Clareza e exatidão (precisão):

-Uso de uma linguagem de fácil compreensão (linguagem clara), e que represente as coisas com exatidão (linguagem precisa.

-A linguagem clara e precisa:

-Obedece  os critérios de estrutura gramatical do idioma.

-Usa termos cujo significado não é ambíguo.

-Indica as propriedades definidoras dos termos, fornecendo referências quantitativas e empíricas.

PRINCIPAIS ERROS CONTRA A CLAREZA E EXATIDÃO (PRECISÃO)

-Uso de termos amplos, cujo significado inclui uma série de ações.

O observador, em lugar de utilizar termos amplos, deve especificar os comportamentos apresentados pelo sujeito.

Por exemplo: Ao invés de registrar ‘o menino brinca com a bola’, o observador deve registrar ‘o menino anda em direção à bola, pega a bola, joga-a no chão, chuta-a com o pé’.

-Uso de termos indefinidos, que não identificam o objeto ou identificam parcialmente os atributos do objeto. 

O observador, em lugar de utilizar termos indefinidos ou vagos, deve especificar o objeto ao qual a ação é dirigida, e fornecer os referenciais físicos utilizados para a descrição dos atributos do objeto; referenciais relativos a cor, tamanho, direção, etc.

Por exemplo: Ao invés  de registrar ‘bola pequena’, o observador deve registrar ‘uma bola de 20 cm de diâmetro’.

-Uso de termos ou expressões ambíguas, que podem dificultar a compreensão.

-O observador deve usar termos adicionais que indiquem precisamente a que ou quem um termo determinado se refere.

Por exemplo: Ao invés de registrar ‘o menino pegou a bola. Encostou na parede’, o observador deve registrar ‘o menino pegou a bola. O menino se encostou na parede’.



.



------=_Part_245529_1586)

SUBJECT: Re: [ciencialist] Exercicio de lógica para os professores Belmiro e Alberto
FROM: "Pesky Bee" <peskybee2@gmail.com>
TO: <ciencialist@yahoogrupos.com.br>
DATE: 11/05/2015 11:24

> A lógica semântica - ou seja a lógica do significado das palavras e das frases 
 
A linguagem é mesmo complicadáça! E some-se a isso o fato
de que acabamos nos comunicando através de mecanismos que
podem ocasionalmente
falhar
(monitores, teclados, redes,
ouvidos cheios de cera, etc.)
.
 
Veja que isso pode ocorrer até mesmo quando o assuntóide
é deveras trivial. Como o caso de me perguntarem o que é
que eu acho dos criminosos petistóides que estão no comando
desta infeliz nação. Oras, eu diria que são todos Pilhas
da Fruta! É isso mesmo, todos Pilhas da Fruta!
 
E aí eu precisaria mencionar que meu teclado de vez em
quando palha um fouco, frocando altumas letras. Basta
dizer isso para ficar claro
o que eu quis dizer com
pilha da fruta (ainda mais quando se refere a petistas).
 
É póda, mermâo!
 
*PB*
 
 
 
From: Mtnos Calil mtnoscalil@terra.com.br [ciencialist]
Sent: Saturday, May 09, 2015 2:41 PM
To: ciencialist@yahoogrupos.com.br
Subject: [ciencialist] Exercicio de lógica para os professores Belmiro e Alberto
 
 
 
 
 
De fato a explicação sobre os fundamentos do LPC não é nada fácil, inclusive porque esbarra na cultura consagrada do "contexto" segundo a qual nada pode ser compreendido plenamente se o contexto não estiver devidamente esclarecido. 
 
 

Para demonstrar o contrário, o caminho a percorrer infelizmente é pedregoso.
Para a remoção de tantas pedras é necessário paciência e persistência.
Um dos pré-requisitos (ou fundamentos) do LPC é o rigor linguistico na comunicação normal vigente em nossa sociedade.
 

Me parece, a respeito, que essa idéia é fácil de ser entendida e aceita:
existem pessoas - e escritores - que se comunicam com mais clareza do que outros, facilitando a compreensão dos seus textos.
 

Porém a "lógica" é dificil de ser compreendida porque é um conceito demasiado abstrato. A expressão "lógica na comunicação" me parecia algo trivial. Mas infelizmente não é!  O uso da lógica, na linguagem humana é feito de forma automática e inconsciente. As crianças aprendem a estrutrurar frases sem ter a menor consciência da relação que existe entre as palavras. As palavras são visiveis (ou audíveis) mas a relação sintática existente entre elas é completamente invisivel e inconsciente. Como as crianças aprendem a pensar e expressar seus pensamentos é um mistério que dificilmente será desvendado. Está claro que nós nascemos com um "software" que foi sofrendo up grades ao longo do tempo e que assimilou a linguagem das palavras (antes das palavras já existia no cérebro humano o sistema da linguagem não verbal - sonora e gestual - , como se nota facilmente nos animais).
 

A lógica semântica - ou seja a lógica do significado das palavras e das frases - se processa de uma forma tão natural que não precisamos levar em conta a sua existência quando falamos, lemos ou ouvimos. Talvez daí advém a dificuldade de explicar o que é o sistema (ou modelo) LPC - Lógica e Precisão na Comunicação. O exercicio agora sugerido consiste na leitura de um pequeno texto que analisa as palavras de um advogado de defesa de um dos réus da Lava Jato, com o objetivo de respondermos a esta pergunta:  o que falta de informação a este texto para que fiquem precisamente claras as idéias que o redator expressou (ou quis expressar).
 
 
 
 

SUBJECT: Re: [ciencialist] Manual da linguagem cientifica
FROM: "Pesky Bee" <peskybee2@gmail.com>
TO: <ciencialist@yahoogrupos.com.br>
DATE: 11/05/2015 11:26

> Ao invés de registrar ‘o menino brinca com a bola’~
 
Pois então eu sou esse menino. Adoro brincar com a bola.
Só tomo o cuidado de, de vez em quando, brincar com
a outra também. É para as duas não ficarem com ciúmes
uma da outra. E o Calilzóvsky quer precisão na linguagem,
hahahahahahaha
 
*PB*
 
 
 
From: Belmiro Wolski belmirow@yahoo.com.br [ciencialist]
Sent: Sunday, May 10, 2015 10:59 AM
To: ciencialist@yahoogrupos.com.br
Subject: Re: [ciencialist] Manual da linguagem cientifica
 

Taí! Agora gostei! Agora você foi mais objetivo. Se você tivesse feito isso desde o começo, não teria levado as "pauladas". O problema é que você precisou gastar milhares senão milhões de caracteres e alguns sacos de paciência de todos para revelar algo simples. Salvo exageros como:
Ao invés de registrar ‘o menino brinca com a bola’, o observador deve registrar ‘o menino anda em direção à bola, pega a bola, joga-a no chão, chuta-a com o pé’.
O observador ao registrar da segunda forma peca por não esclarecer características subjetivas da atitude do menino. Estaria ele enfurecido? Ou estaria ele "brincando" com a bola? É esse tipo de coisas que temos criticado. Quando você diz que o interlocutor deve explicar o real significado das palavras que usa, ao invés de facilitar a compreensão, vai dificultar. O "contexto" serve para isso. É evidente que sou absolutamente a favor da clareza da informação. Já dei palestras sobre eletromagnetismo para universitários e também para estudantes do segundo ano do ensino fundamental. Sei bem o que é diferenciar o enfoque e utilizar os termos que cada um possa entender dentro do contexto. Infelizmente, sei que muitos não se preocupam com esses detalhes.
 
 
 

SUBJECT: Re: [ciencialist] Exercicio de lógica para os professores Belmiro e Alberto
FROM: Gilberto Morelli <gilmorelli@yahoo.com>
TO: "ciencialist@yahoogrupos.com.br" <ciencialist@yahoogrupos.com.br>
DATE: 11/05/2015 11:30

Dice bein cáru abêlia!


From: "'Pesky Bee' peskybee2@gmail.com [ciencialist]" <ciencialist@yahoogrupos.com.br>
To: ciencialist@yahoogrupos.com.br
Sent: Monday, May 11, 2015 11:24 AM
Subject: Re: [ciencialist] Exercicio de lógica para os professores Belmiro e Alberto

 
> A lógica semântica - ou seja a lógica do significado das palavras e das frases 
 
A linguagem é mesmo complicadáça! E some-se a isso o fato
de que acabamos nos comunicando através de mecanismos que
podem ocasionalmente
falhar
(monitores, teclados, redes,
ouvidos cheios de cera, etc.)
.
 
Veja que isso pode ocorrer até mesmo quando o assuntóide
é deveras trivial. Como o caso de me perguntarem o que é
que eu acho dos criminosos petistóides que estão no comando
desta infeliz nação. Oras, eu diria que são todos Pilhas
da Fruta! É isso mesmo, todos Pilhas da Fruta!
 
E aí eu precisaria mencionar que meu teclado de vez em
quando palha um fouco, frocando altumas letras. Basta
dizer isso para ficar claro
o que eu quis dizer com
pilha da fruta (ainda mais quando se refere a petistas).
 
É póda, mermâo!
 
*PB*
 
 
 
From: Mtnos Calil mtnoscalil@terra.com.br [ciencialist]
Sent: Saturday, May 09, 2015 2:41 PM
To: ciencialist@yahoogrupos.com.br
Subject: [ciencialist] Exercicio de lógica para os professores Belmiro e Alberto
 
 
 
 
 
De fato a explicação sobre os fundamentos do LPC não é nada fácil, inclusive porque esbarra na cultura consagrada do "contexto" segundo a qual nada pode ser compreendido plenamente se o contexto não estiver devidamente esclarecido. 
 
 

Para demonstrar o contrário, o caminho a percorrer infelizmente é pedregoso.
Para a remoção de tantas pedras é necessário paciência e persistência.
Um dos pré-requisitos (ou fundamentos) do LPC é o rigor linguistico na comunicação normal vigente em nossa sociedade.
 

Me parece, a respeito, que essa idéia é fácil de ser entendida e aceita:
existem pessoas - e escritores - que se comunicam com mais clareza do que outros, facilitando a compreensão dos seus textos.
 

Porém a "lógica" é dificil de ser compreendida porque é um conceito demasiado abstrato. A expressão "lógica na comunicação" me parecia algo trivial. Mas infelizmente não é!  O uso da lógica, na linguagem humana é feito de forma automática e inconsciente. As crianças aprendem a estrutrurar frases sem ter a menor consciência da relação que existe entre as palavras. As palavras são visiveis (ou audíveis) mas a relação sintática existente entre elas é completamente invisivel e inconsciente. Como as crianças aprendem a pensar e expressar seus pensamentos é um mistério que dificilmente será desvendado. Está claro que nós nascemos com um "software" que foi sofrendo up grades ao longo do tempo e que assimilou a linguagem das palavras (antes das palavras já existia no cérebro humano o sistema da linguagem não verbal - sonora e gestual - , como se nota facilmente nos animais).
 

A lógica semântica - ou seja a lógica do significado das palavras e das frases - se processa de uma forma tão natural que não precisamos levar em conta a sua existência quando falamos, lemos ou ouvimos. Talvez daí advém a dificuldade de explicar o que é o sistema (ou modelo) LPC - Lógica e Precisão na Comunicação. O exercicio agora sugerido consiste na leitura de um pequeno texto que analisa as palavras de um advogado de defesa de um dos réus da Lava Jato, com o objetivo de respondermos a esta pergunta:  o que falta de informação a este texto para que fiquem precisamente claras as idéias que o redator expressou (ou quis expressar).
 
 
 
 



SUBJECT: Re: [ciencialist] Pergunta crucial para o Prof. Belmiro
FROM: <oraculo@atibaia.com.br>
TO: <ciencialist@yahoogrupos.com.br>
DATE: 11/05/2015 12:07

A Praça É Nossa – Tudo nos “mínimos detalhes”.:- )

https://www.youtube.com/watch?v=itokTbVoNMk
 
Não resisti, é tão parecido que só pode ser gozação.:- )

Homero
 
Sent: Friday, May 08, 2015 5:15 PM
Subject: [ciencialist] Pergunta crucial para o Prof. Belmiro
 
 

"Tenha santa paciência!! Não existe essa tal precisão linguística!"  Belmiro Wolski

O sr. quis dizer que existe outra precisão linguistica que não essa tal, ou que não existe nenhuma precisão linguistica?

Se existe outra, qual seria a diferença entre a outra e essa tal?

Obrigado, pacientemente.

Mtnos Calil

Ps. Considero a hipótese de que o sr. não tenha compreendido os fundamentos da matematização da linguagem, hipótese essa que estaria associada a esta outra hipótese, segundo a qual eu não informei ou expliquei a contento quais seriam estes fundamentos.

============================

Em Qui 07/05/15 19:43, Belmiro Wolski belmirow@yahoo.com.br [ciencialist] ciencialist@yahoogrupos.com.br escreveu:

 
>> "A persistência é o caminho da vitória".
- Persistir no erro é caminho para a vitória?
- Não existem outros caminhos para a vitória? ( se ainda fosse: "é um dos caminhos...")
- Persistir na frente de combate e levar um tiro é caminho para a vitória?( depende do contexto, vitória em que sentido  e de quem? dele ?ou do grupo?)
- que vitória? Em que sentido?
Tenha santa paciência!! Não existe essa tal precisão linguística! Existe comunicação. E é o que interessa. A interpretação fora de contexto é uma deficiência. Não é regra!
Tradução: santa nesse caso não tem nada a ver com a religião, auréola, etc, onde etc quer dizer outras coisas relacionadas à santa mas que não no sentido de santidade. Paciência não é aquele jogo de cartas, cartas não são as do correio, são não é antônimo de doente. E por aí vai... Bacana!
*BW*
 


Em Quinta-feira, 7 de Maio de 2015 17:50, "Mtnos Calil" mtnoscalil@terra.com.br [ciencialist]" <ciencialist@yahoogrupos.com.br> escreveu:
 
 
Impressionante! Essa palavrinha assanhada que tu jogaste na mesa - contexto -  abriu um campo conceitual rico de conteúdo para a matematização da linguagem. Este novo conceito para o processo de matematizaçao da linguagem (sem números, fórmulas, teoremas,etc) é o seguinte:  quando um enunciado é elaborado de uma forma lógico-semântica precisa, a sua compreensão não depende de nenhum contexto.
Porém para obedecer submissamente ao nosso désposta do rigor linguistico fui googlear uma pesquisa sobre o termo, quando me deparei com um artigo redigido por uma professora de filosofia da PUC e autora de uma tese de doutorado no âmbito da filosofia da linguagem.
 
Neste artigo ela referenda esse elogio ao teu aclamado contexto:
 
O contexto da enunciação é de uma importância tal, que é quase impossível avaliar. Por 'contexto' entendo, pelo menos, o tempo, o lugar, a situação, os temas que constituem o foco imediato de interesse e as histórias pessoais tanto do locutor, quanto daqueles a quem ele se endereça. Além do contexto existe, é claro, a convenção lingüística [...]. O requisito [...] para que uma expressão na sua utilização referencial seja corretamente aplicada [...] é de que a coisa se encontre em certa relação com o locutor e com o contexto de elocução (STRAWSON, 1977, p. 29).
 
Imediatamente lhe enviei esta mensagem:
 
Prezada Professora.
Estou trabalhando há alguns anos no tema "lógica e precisão na comunicação" e acabei criando um modelo de comunicação para ser utilizado em algumas circunstâncias, baseado em alguns pressupostos como este:
Todo enunciado deve ser feito de tal maneira que não dê margem a nenhuma "interpretação. Para tanto o seu autor deve deixar muito claro qual é o significado que está atribuindo aos termos chaves utilizados.
Como a sra. defende a tese de que a compreensão de um enunciado depende do contexto, gostaria de abrir uma comunicação entre nós para que a minha tese possa ser derrubada. Estou montando um curso de lógica na comunicação para psicólogos com a participação de uma psicóloga e psicoterapeuta.
abraços
Mtnos Calil
Consultor organizacional multidisciplinar - São Paulo, SP.

Ps1. Exemplos de frases que não dependem de contexto e que tiveram - e continuam tendo - fortissima influência na minha vida:

a) A depressão é um processo emocional que paralisa as forças vitais
b) Para enfrentar a ansiedade da velhice, viva intensamente
c) Para ser feliz realize suas potencialidades
d) Deus, dai-me a coragem para mudar as coisas que eu posso mudar, a serenidade para aceitar as coisas que eu não posso mudar e a sabedoria para distinguir a diferença.
f) O sentido da vida está no prazer de viver
g) O bom humor é pré-requisito da felicidade
e) Para realizar suas potencialidades, se puder, faça uso deste triângulo estratégico quântico: caos, acaso e imprevisibilidade.

Ps2. Estou em contato com um prof. da PUC de São Paulo que é fã da univocidade para ver se faremos algo em conjunto.

 
Algumas horas depois ela me respondeu concordando com a minha proposta de discutirmos o assunto.
 
Prossigo agora respondendo à tua última mensagem:
 
 Mais uma frase que não depende de contexto, do Chaplin:
> "A persistência é o caminho da vitória"
Aquele sujeito (ligeiramente amalucado, salientemos) resolveu absorver integralmente o ditado do Chaplin e está iniciando
os procedimentos para fixar um prego de 12 cm em uma parede de concreto através da repetida "bordoagem" de sua testa na
cabeça do dito prego.
 
Pensa ele: "Porra, o Chaplin foi um sujeito prá lá de
genial, então o que ele disse servirá para a minha
tarefa: vou pregar essa porra de prego com a testa!"
A persistência é o caminho da vitória! Verdade!
(contexto: a persistência desse amalucado é o Caminho da vitória profissional do médico da UTI que
Irá atender esse mané, após ele desmaiar com a testa estropiadáça". Viu só como o ditado do Chaplin é mesmo verdadeiro? hahahahahaha
*PB*
 
Prezado PB
 
O que tu chamaste de contexto é apenas uma informação a respeito da maluquice do seguidor da frase. E de fato informações como essa, são (exageradamente) consideradas como um contexto necessário para a compreensão do enunciado. A forma que eu encontrei de matar o contexto é transformá-lo numa simples informação, necessária e suficiente para a perfeita compreensão do enunciado. No seu exemplo, basta informar que o sujeito é maluco para a frase ter uma ÚNICA e PRECISA compreensão. Essa informação não tem, porém, sequer a  consistência suficiente para constituir um contexto.

Abraços fora de contexto (ou com o contexto explicito ou implicito).
Mtnos Calil


Ps.  Ocorre que muitos filósofos  (e até  cientistas) não utilizam um modelo de comunicação que facilita a compreensão dos enunciados – pelo contrário, eles dificultam! Por sua vez, os leitores adoram “interpretar” o que os outros escrevem ou falam. Grande parte das interpretações transformam – ou seja adulteram - o significado original. .

Em Qui 07/05/15 12:11, Pesky Bee peskybee2@gmail.com [ciencialist] ciencialist@yahoogrupos.com.br escreveu:

 
> Mais uma frase que não depende de contexto, do Chaplin:
> "A persistência é o caminho da vitória"
Aquele sujeito (ligeiramente amalucado, salientemos) resolveu
absorver integralmente o ditado do Chaplin e está iniciando
os procedimentos
para fixar um prego de 12 cm em uma parede
de concreto
através da repetida "bordoagem" de sua testa na
cabeça do dito prego.
Pensa ele: "Porra, o Chaplin foi um sujeito prá lá de
genial, então o que ele disse servirá para a minha
tarefa: vou pregar essa porra de prego com a testa!"
A persistência é o caminho da vitória! Verdade!
(contexto: a persistência desse amalucado é o
caminho
da vitória profissional do médico da UTI que
irá
atender esse mané, após ele desmaiar com a testa
estropiadáça". Viu só como o ditado do Chaplin é mesmo
verdadeiro? hahahahahaha
*PB*

From: "Mtnos Calil" mtnoscalil@terra.com.br [ciencialist]
Sent: Thursday, May 07, 2015 11:49 AM
To: ciencialist@yahoogrupos.com.br
Subject: [ciencialist] Enc: Re: Matematização da linguagem
Prezado Pesky.
Agora vou sair e na volta respondo sua ultima mensagem que fala em "100% definida".
Abraços
Mtnos Calil
Ps1. Mais uma frase que não depende de contexto, do Chaplin: "A persistência é o caminho da vitória" 
Ps2. Uma profa. de filosofia da PUC aceitou o desafio. Ela, como você, afirma que a compreensão de um enunciado depende do contexto. Aliás todo o mundo fala isso, né?





Avast logo

Este email foi escaneado pelo Avast antivírus.
www.avast.com



SUBJECT: Manual da linguagem cientifica - Só a ciência pode nos salvar deste flagelo
FROM: "Mtnos Calil" <mtnoscalil@terra.com.br>
TO: ciencialist@yahoogrupos.com.br
DATE: 11/05/2015 17:39

                                       Narrativa sobre o flagelo linguístico que assola a humanidade

"...uma epidemia pestilenta atingiu a humanidade inteira em sua faculdade mais característica, ou seja, no uso da palavra, consistindo essa peste da língua numa perda de força cognoscitiva.   Não me interessa aqui indagar se as origens dessa epidemia devam ser pesquisadas na política, na ideologia, na uniformidade burocrática, na homogeneização dos mass-media ou na difusão acadêmica de uma cultura média. O que me interessa são as possibilidades de salvação. A literatura (e talvez somente a literatura) pode criar os anticorpos que coíbam a expansão desse flagelo lingüístico.” -  Italo Calvino, escritor italiano falecido em 1985 

Perdão Italo Calvino, que agora está na companhia dos deuses da precisão linguística: não é a literatura que vai nos salvar deste terrível flagelo que requer uma intervenção cirúrgica cientifica.
 A ciência que poderia salvar a humanidade do flagelo linguistico é a "ciência da linguagem" que ainda não está devidamente estruturada. Para se estruturar sistemicamente, a linguística precisaria se livrar de outro flagelo da ciência que é especialização. Uma ciência da linguagem humana (ou mesmo não humana) só poderá adquirir uma configuração sistêmica se trabalhar em conjunto com outras ciências como a psicologia, a biologia, a antropologia. 

Quanto ao flagelo linguístico, o mais grave  é que os cientistas ainda 
nem tomaram conhecimento da doença, da qual eles próprios foram vitimados. Por isso*, penso** que estamos condenados a viver nesta pandemia enquanto a esquizofrenia linguistica*** não enlouquecer a todos nós. Concordo com a sua idéia de que muitos problemas podem ser resolvidos sem o conhecimento das respectivas causas. Porém, no caso do flagelo linguistico, sendo ele de origem genética, penso que a causa do mal deva ser considerada. Ocorre que o homem criou a palavra com a dupla função de descrever a realidade e de alimentar fantasias de natureza instintiva. Assim a palavra se transformou numa arma de mentira e de destruição.
A ambiguidade da palavra, estimado Calvino, está impressa em nossos neurônios. **** Ela serve para o bem e para o mal. É ao mesmo tempo linda, maravihosa, cruel e mortífera. 

* Isso = o desconhecimento dos cientistas a respeito do mal
**Usei o verbo pensar no seu sentido legitimo e não no sentido de seu simulacro, o verbo crer.
***A esquizofrenia linguistica é uma variante da esquizofrenia social que milagrosamente foi objeto de um livro de uma psicóloga brasileira- Elza Pádua. Trata-se de uma inovação mundial da qual a midia tem um pavor supremo. Como os midiáticos poderiam combater a maior  fonte dos seus lucros?  (esquizofrenia social é uma expressão da autora e a esquizofrenia linguistica ficou por minha conta...Paciência! )
**** Não estou fazendo uso de uma metáfora ao afirmar a origem genética da ambiguidade linguística. Se quisermos aprimorar a estratégia da precisão linguistica é recomendável reduzirmos ao máximo o uso das metáforas. A origem genética citada constitui uma hipótese que talvez nunca venha a ser comprovada. Formular hipóteses que não podem ser testadas ou comprovadas é um dos ônus da ciência. Outro ônus da ciência é ser submissa aos politicos que não conseguem se livrar do instinto da guerra e de outros instintos malévolos como o da dominação,  que chamam de "Poder".  Para os politicos a ambição pelo poder é algo natural da espécie humana. É natural mesmo! Por isso a cultura é incapaz de extirpar esse mal. 
Mtnos Calil 


Com a palavra Italo Calvino (
Escritor italiano, 1923-1985) que morreu antes de proferir uma palestra em Harvard que ficou registrada num texto datilografado: 
  • A precisão, para os antigos egípcios, era simbolizada por uma pluma que servia de peso num dos pratos da balança em que se pesavam as almas. Essa pluma levíssima tinha o nome de Maat, deusa da balança. O hieróglifo de Maat indicava igualmente a unidade de comprimento — os 33 cm do tijolo unitário — e também o tom fundamental da flauta.
  • Essas informações provêm de uma conferência de Giorgio de Santillana sobre a precisão dos antigos no observar dos fenômenos celestes, conferência que ouvi na Itália em 1963 e que exerceu sobre mim profunda influência. Desde que aqui cheguei, tenho pensado freqüentemente em Santillana, por ter sido ele o meu cicerone em Massachusetts quando de minha primeira visita a este país em 1960. Em lembrança de sua amizade, abro esta conferência sobre a exatidão na literatura invocando o nome de Maat, a deusa da balança. Tanto mais que Balança é o meu signo zodiacal.
  • Antes de mais nada, procurarei definir o tema. Para mim, exatidão quer dizer principalmente três coisas: (1) um projeto de obra bem definido e calculado; (2) a evocação de imagens visuais nítidas, incisivas, memoráveis: temos em italiano um adjetivo que não existe em inglês, icastico, do grego eikastikos; (3) uma linguagem que seja a mais precisa possível como léxico e em sua capacidade de traduzir as nuanças do pensamento e da imaginação.
  • Por que me vem a necessidade de defender valores que a muitos parecerão simplesmente óbvios? Creio que o meu primeiro impulso decorra de uma hipersensibilidade ou alergia pessoal: a linguagem me parece sempre usada de modo aproximativo, casual, descuidado, e isso me causa intolerável repúdio. Que não vejam nessa reação minha um sinal de intolerância para com o próximo: sinto um repúdio ainda maior quando me ouço a mim mesmo. Por isso procuro falar o mínimo possível, e se prefiro escrever é que, escrevendo, posso emendar cada frase tantas vezes quanto ache necessário para chegar, não digo a me sentir satisfeito com minhas palavras, mas pelo menos a eliminar as razões de insatisfação de que me posso dar conta. A literatura — quero dizer, aquela que responde a essas exigências — é a Terra Prometida em que a linguagem se torna aquilo que na verdade deveria ser.
  • Às vezes me parece que uma epidemia pestilenta atingiu a humanidade inteira em sua faculdade mais característica, ou seja, no uso da palavra, consistindo essa peste da língua numa perda de força cognoscitiva e de imediaticidade, como um automatismo que tendesse a nivelar a expressão em fórmulas mais genéricas, anônimas, abstratas, a diluir os significados, a embotar os pontos expressivos, a extinguir toda centelha que crepite no encontro das palavras com novas circunstâncias.
  • Não me interessa aqui indagar se as origens dessa epidemia devam ser pesquisadas na política, na ideologia, na uniformidade burocrática, na homogeneização dos mass-media ou na difusão acadêmica de uma cultura média. O que me interessa são as possibilidades de salvação. A literatura (e talvez somente a literatura) pode criar os anticorpos que coíbam a expansão desse flagelo lingüístico.”
 

Seis propostas para o próximo milênio — “Exatidão” — Tradução de Ivo Barroso. (Companhia das Letras, 1991)
 
https://www.google.com.br/webhp?sourceid=chrome-instant&ion=1&espv=2&ie=UTF-8#q=livro+Exatid%C3%A3o%2C+Italo+Calvino+download
 

Sobre a Natureza da Ciência da Linguagem
http://www.pucrs.br/letras/pos/logica/natcien.htm

( Uma questão problemática de Filosofia da Lingüística)

Considere a afirmação (a) e as perguntas (b) e (c) relativas a (a):

  1. A Lingüística é a ciência da linguagem humana.
  2. Qual a natureza de seu método?
  3. Qual a natureza de seu objeto?

Enquanto (a) representa, certamente, uma afirmação verdadeira e trivial para a comunidade mais ampla dos lingüistas, (b) e (c) são perguntas sobre as quais não há absolutamente consenso, e que determinam um debate de extrema sofisticação mesmo que entre membros da mesma escola.

De fato, ainda que imprecisa e panorâmica, uma breve inspeção na história contemporânea da Lingüistica já é suficiente para justificar a constatação de que há um inegável desacordo entre alguns dos mais expressivos teóricos dessa disciplina. Para Saussure (1916), (a) é uma afirmação verdadeira desde que a resposta a (c) considere a linguagem humana constituída essencialmente pela língua, enquanto conjunto de signos depositado na mente dos usuários pela prática pessoal da fala e desde que a resposta a (b) defina a Lingüística como um ramo da Semiologia ou Psicologia Social, entendidas como uma espécie de Teoria da Comunicação; Chomsky (1986) também aceita, (a), mas não concordaria, absolutamente, com a resposta a (b) e (c) de seu antecessor.

Para o fundador da teoria gerativista, a faculdade da linguagem é a expressão de uma propriedade inata da natureza humana, cujo caráter essencial é uma espécie de gramática universal geneticamente determinada, e isso responde a (c). Quanto a (b), Chomsky considera que a Lingüística é um ramo da Psicologia Cognitiva, como ciência natural capaz de explicar como tal propriedade da mente/cérebro do ser humano se constitui e como possibilita a aquisição, o conhecimento e o uso da linguagem.

Contemporâneo de Chomsky e um dos seus mais expressivos adversários teóricos, Montague (1970) somente poderia aceitar (a) desde que a resposta a (c) seja encaminhada no sentido de que a linguagem natural não se distingue, em sua essência, das linguagens construídas e desde que a resposta a (b) obtenha a firmação de que a Lingüística é um ramo da matemática enquanto ciência formal.

Considere agora mais duas questões:

d) Se a Lingüística é a ciência da linguagem humana, que disciplina estuda os fundamentos de tal ciência?

e) Como se constitui tal disciplina?

A resposta a (d) envolve algumas observações preliminares. Toda a disciplina vai-se estabelecendo, historicamente, em sua cientificidade, mediante uma construção de conhecimentos proporcionados pela justa relação entre seu método e seu objeto, justificada pela plausibilidade de seus fundamentos. A construção propriamente dita caracteriza a teoria científica como tal; o estudo dos seus fundamentos, a filosofia daquela disciplina. Tal tem sido a história da Lingüística; paralelamente ao desenvolvimento de sua teoria, vão-se estabelecendo os fundamentos que a sustentam.

É justamente por isso, aliás, que os pioneiros de sua história como ciência têm sido, ao mesmo tempo, cientistas e filósofos de sua disciplina. Se Saussure, Chomsky e Montague, entre outros, trouxeram uma reconhecida contribuição a sua área de conhecimento é, sem dúvida, porque fizeram, concomitantemente, ciência e filosofia. Nesse sentido, então, encaminha-se para (d), a resposta de que se a Lingüística é a ciência da linguagem humana, a Filosofia da Lingüística é a disciplina que estuda os fundamentos de tal ciência.

A abordagem da questão (e) também merece algumas prévias considerações. Se a história da Lingüística, como se sugeriu, tem sido acompanhada pela história da Filosofia da Lingüística, é bem verdade que o desenvolvimento desta última tem ocorrido de forma intrínseca ao desenvolvimento da primeira. Isto significa, em última análise, que o estudo da teoria e de seus fundamentos tem avançado de maneira naturalmente conjugada de modo a não parece necessário o estabelecimento de uma disciplina específica como Filosofia da Lingüística. Realmente, parece trivial que a filosofia de uma área de conhecimento, que começa a construir-se como ciência, constitua-se, inicialmente, de forma implícita, para só ocupar um espaço mais específico a posteriori.

Nesses termos, se a Lingüística teórica é uma disciplina que apenas nesse século começa a solidificar-se em seu estatuto de cientificidade, é razoável que só agora a Filosofia da Lingüística comece a estabelecer-se como uma necessidade própria de investigação. Conseqüência disso, as formas de se encaminhar tal disciplina, o que constituiria a sua metodologia, não são senão alguns princípios muito gerais que podem ser sistematizados de maneira a tornar o estudo dos fundamentos da Lingüística consistente a ponto de caracterizá-la naquilo em que ela se pretende rigorosa e de esclarecê-la quanto às diversas formas de concebê-la. A resposta a (e), então, que propomos, passa por um pequeno conjunto de critérios cuja finalidade não é senão dotar a Filosofia da Lingüística de uma maior capacidade de avaliação das condições que constituem a disciplina que investiga.

1 Critério da Distinção entre Lingüística Pura e Aplicada

Trata-se de separar o conhecimento teórico a ser produzido com objetivos especificamente científicos, a saber, o da verdade sobre a natureza do objeto a ser esclarecido, do conhecimento aplicado diretamente a aspectos da realidade ou, indiretamente, através da relação com outras disciplinas. Por exemplo, trata-se de distinguir entre o conhecimento que busca, a partir do anterior, formas de ensinar uma segunda língua a uma criança.

2 Critério da distinção de Níveis de Constituição da Teoria Lingüística

A proposta aqui, é a de que se distingam os seguintes níveis: o nível da linguagem enquanto fenômeno geral acessível ao senso comum; o nível da linguagem enquanto objeto construído já no interior de uma teoria com perspectivas científicas; o nível da teoria lingüística, enquanto sistema de conceitos estruturados, o nível metateórico, ou de princípios que regem a metodologia de uma dada teoria lingüística e o nível de compromissos filosóficos, por exemplo, ontológicos, que sustentam todo o edifício teórico.

3 Critério de Tensão entre o Método Lingüístico e o seu Objeto

O critério acima sugere que se considere como essencial para o conhecimento científico a adequada tensão entre o método de investigação lingüística e as propriedades do seu objeto a serem esclarecidas. No interior de uma teoria lingüística, tal adequação consiste no surgimento de problemas que possam ser tratáveis e cujo tratamento permita originar problemas novos que caracterizam programas de investigação. Este critério sugere, ainda, que só dentro de tal relação é que se determina a relevância das propriedades do objeto e de seu método.

4 Critério da Distinção entre Propriedades Formais e Empíricas da Teoria Lingüística

Trata-se de distinguir a condição de uma teoria de adequar-se à experiência lingüística, considerando a evidência dos dados, da sua capacidade de expressar-se em uma linguagem formal, considerando-se questões de consistência, por exemplo, e outras.

5 Critério de Tensão entre Adequação Descritiva e Adequação Explanatória na Teoria Lingüística

Este critério consiste na necessidade de se entender o papel teórico da relação entre atividade de descrição lingüística e a de explanação. Sem descrição, a explanação pode ser indesejavelmente geral e sem valor explanatório, a descrição é vazia.

6 Critério da Avaliação Histórica dos Programas de Investigação Lingüística

Entende-se por este critério a condição de possibilidade de avaliação histórica dos resultados de um programa de pesquisa lingüística. Garante-se, através dele, a evolução da racionalidade científica na área, potencializando-se o progresso na construção de problemas lingüísticos relevantes e evitando-se a circularidade de propostas já ultrapassadas.

Uma vez caracterizados tais critérios, fica encaminhada a resposta à questão (e) e já se tem um conjunto mínimo de condições capazes de orientar o debate sobre (f), a problemática e central questão para a Filosofia da Lingüística, sugerida no início do presente texto.

(f) É a Lingüística uma ciência natural, formal ou social?


Referências Bibliográficas

CHOMSKY, N. (1984) Modular Approaches to the Study of the Mind. San Diego: San Diego University Press.

CHOMSKY, N. (1986) Knowledge of Language. Its Nature, Origin and Use. New York. Praeger

CHOMSKY, N. (1993) Language and Thought. London. Moyer Bell.

EARMAN, j. (ed) (1972) Inference, Explanation and Other Frustrations - Essays in the Philosophy of Science. Berckeley. University of California Press.

KATZ, J. (1985) The Philosophy of Linguistics. Oxford. Oxford University Press.

MONTAGUE,R.(1970) Formal Philosophy. New Haven. Yale University Press.

SAUSSURE, F. (1916/1974) Cours de Linguistique Générale. Paris. Payot.



SUBJECT: Re: [ciencialist] Manual da linguagem cientifica - Só a ciência pode nos salvar deste flagelo
FROM: Belmiro Wolski <belmirow@yahoo.com.br>
TO: "ciencialist@yahoogrupos.com.br" <ciencialist@yahoogrupos.com.br>
DATE: 11/05/2015 17:43

Muito longo...

Faltou saco!

*BW*



Em Segunda-feira, 11 de Maio de 2015 17:39, "Mtnos Calil" mtnoscalil@terra.com.br [ciencialist]" <ciencialist@yahoogrupos.com.br> escreveu:


 
                                       Narrativa sobre o flagelo linguístico que assola a humanidade

"...uma epidemia pestilenta atingiu a humanidade inteira em sua faculdade mais característica, ou seja, no uso da palavra, consistindo essa peste da língua numa perda de força cognoscitiva.   Não me interessa aqui indagar se as origens dessa epidemia devam ser pesquisadas na política, na ideologia, na uniformidade burocrática, na homogeneização dos mass-media ou na difusão acadêmica de uma cultura média. O que me interessa são as possibilidades de salvação. A literatura (e talvez somente a literatura) pode criar os anticorpos que coíbam a expansão desse flagelo lingüístico.” -  Italo Calvino, escritor italiano falecido em 1985 

Perdão Italo Calvino, que agora está na companhia dos deuses da precisão linguística: não é a literatura que vai nos salvar deste terrível flagelo que requer uma intervenção cirúrgica cientifica.
 A ciência que poderia salvar a humanidade do flagelo linguistico é a "ciência da linguagem" que ainda não está devidamente estruturada. Para se estruturar sistemicamente, a linguística precisaria se livrar de outro flagelo da ciência que é especialização. Uma ciência da linguagem humana (ou mesmo não humana) só poderá adquirir uma configuração sistêmica se trabalhar em conjunto com outras ciências como a psicologia, a biologia, a antropologia. 

Quanto ao flagelo linguístico, o mais grave  é que os cientistas ainda 
nem tomaram conhecimento da doença, da qual eles próprios foram vitimados. Por isso*, penso** que estamos condenados a viver nesta pandemia enquanto a esquizofrenia linguistica*** não enlouquecer a todos nós. Concordo com a sua idéia de que muitos problemas podem ser resolvidos sem o conhecimento das respectivas causas. Porém, no caso do flagelo linguistico, sendo ele de origem genética, penso que a causa do mal deva ser considerada. Ocorre que o homem criou a palavra com a dupla função de descrever a realidade e de alimentar fantasias de natureza instintiva. Assim a palavra se transformou numa arma de mentira e de destruição.
A ambiguidade da palavra, estimado Calvino, está impressa em nossos neurônios. **** Ela serve para o bem e para o mal. É ao mesmo tempo linda, maravihosa, cruel e mortífera. 

* Isso = o desconhecimento dos cientistas a respeito do mal
**Usei o verbo pensar no seu sentido legitimo e não no sentido de seu simulacro, o verbo crer.
***A esquizofrenia linguistica é uma variante da esquizofrenia social que milagrosamente foi objeto de um livro de uma psicóloga brasileira- Elza Pádua. Trata-se de uma inovação mundial da qual a midia tem um pavor supremo. Como os midiáticos poderiam combater a maior  fonte dos seus lucros?  (esquizofrenia social é uma expressão da autora e a esquizofrenia linguistica ficou por minha conta...Paciência! )
**** Não estou fazendo uso de uma metáfora ao afirmar a origem genética da ambiguidade linguística. Se quisermos aprimorar a estratégia da precisão linguistica é recomendável reduzirmos ao máximo o uso das metáforas. A origem genética citada constitui uma hipótese que talvez nunca venha a ser comprovada. Formular hipóteses que não podem ser testadas ou comprovadas é um dos ônus da ciência. Outro ônus da ciência é ser submissa aos politicos que não conseguem se livrar do instinto da guerra e de outros instintos malévolos como o da dominação,  que chamam de "Poder".  Para os politicos a ambição pelo poder é algo natural da espécie humana. É natural mesmo! Por isso a cultura é incapaz de extirpar esse mal. 
Mtnos Calil 


Com a palavra Italo Calvino (
Escritor italiano, 1923-1985) que morreu antes de proferir uma palestra em Harvard que ficou registrada num texto datilografado: 
  • A precisão, para os antigos egípcios, era simbolizada por uma pluma que servia de peso num dos pratos da balança em que se pesavam as almas. Essa pluma levíssima tinha o nome de Maat, deusa da balança. O hieróglifo de Maat indicava igualmente a unidade de comprimento — os 33 cm do tijolo unitário — e também o tom fundamental da flauta.
  • Essas informações provêm de uma conferência de Giorgio de Santillana sobre a precisão dos antigos no observar dos fenômenos celestes, conferência que ouvi na Itália em 1963 e que exerceu sobre mim profunda influência. Desde que aqui cheguei, tenho pensado freqüentemente em Santillana, por ter sido ele o meu cicerone em Massachusetts quando de minha primeira visita a este país em 1960. Em lembrança de sua amizade, abro esta conferência sobre a exatidão na literatura invocando o nome de Maat, a deusa da balança. Tanto mais que Balança é o meu signo zodiacal.
  • Antes de mais nada, procurarei definir o tema. Para mim, exatidão quer dizer principalmente três coisas: (1) um projeto de obra bem definido e calculado; (2) a evocação de imagens visuais nítidas, incisivas, memoráveis: temos em italiano um adjetivo que não existe em inglês, icastico, do grego eikastikos; (3) uma linguagem que seja a mais precisa possível como léxico e em sua capacidade de traduzir as nuanças do pensamento e da imaginação.
  • Por que me vem a necessidade de defender valores que a muitos parecerão simplesmente óbvios? Creio que o meu primeiro impulso decorra de uma hipersensibilidade ou alergia pessoal: a linguagem me parece sempre usada de modo aproximativo, casual, descuidado, e isso me causa intolerável repúdio. Que não vejam nessa reação minha um sinal de intolerância para com o próximo: sinto um repúdio ainda maior quando me ouço a mim mesmo. Por isso procuro falar o mínimo possível, e se prefiro escrever é que, escrevendo, posso emendar cada frase tantas vezes quanto ache necessário para chegar, não digo a me sentir satisfeito com minhas palavras, mas pelo menos a eliminar as razões de insatisfação de que me posso dar conta. A literatura — quero dizer, aquela que responde a essas exigências — é a Terra Prometida em que a linguagem se torna aquilo que na verdade deveria ser.
  • Às vezes me parece que uma epidemia pestilenta atingiu a humanidade inteira em sua faculdade mais característica, ou seja, no uso da palavra, consistindo essa peste da língua numa perda de força cognoscitiva e de imediaticidade, como um automatismo que tendesse a nivelar a expressão em fórmulas mais genéricas, anônimas, abstratas, a diluir os significados, a embotar os pontos expressivos, a extinguir toda centelha que crepite no encontro das palavras com novas circunstâncias.
  • Não me interessa aqui indagar se as origens dessa epidemia devam ser pesquisadas na política, na ideologia, na uniformidade burocrática, na homogeneização dos mass-media ou na difusão acadêmica de uma cultura média. O que me interessa são as possibilidades de salvação. A literatura (e talvez somente a literatura) pode criar os anticorpos que coíbam a expansão desse flagelo lingüístico.”
 
Seis propostas para o próximo milênio — “Exatidão” — Tradução de Ivo Barroso. (Companhia das Letras, 1991)
 
https://www.google.com.br/webhp?sourceid=chrome-instant&ion=1&espv=2&ie=UTF-8#q=livro+Exatid%C3%A3o%2C+Italo+Calvino+download
 
Sobre a Natureza da Ciência da Linguagem
http://www.pucrs.br/letras/pos/logica/natcien.htm
( Uma questão problemática de Filosofia da Lingüística)
Considere a afirmação (a) e as perguntas (b) e (c) relativas a (a):
  1. A Lingüística é a ciência da linguagem humana.
  2. Qual a natureza de seu método?
  3. Qual a natureza de seu objeto?
Enquanto (a) representa, certamente, uma afirmação verdadeira e trivial para a comunidade mais ampla dos lingüistas, (b) e (c) são perguntas sobre as quais não há absolutamente consenso, e que determinam um debate de extrema sofisticação mesmo que entre membros da mesma escola.

De fato, ainda que imprecisa e panorâmica, uma breve inspeção na história contemporânea da Lingüistica já é suficiente para justificar a constatação de que há um inegável desacordo entre alguns dos mais expressivos teóricos dessa disciplina. Para Saussure (1916), (a) é uma afirmação verdadeira desde que a resposta a (c) considere a linguagem humana constituída essencialmente pela língua, enquanto conjunto de signos depositado na mente dos usuários pela prática pessoal da fala e desde que a resposta a (b) defina a Lingüística como um ramo da Semiologia ou Psicologia Social, entendidas como uma espécie de Teoria da Comunicação; Chomsky (1986) também aceita, (a), mas não concordaria, absolutamente, com a resposta a (b) e (c) de seu antecessor.

Para o fundador da teoria gerativista, a faculdade da linguagem é a expressão de uma propriedade inata da natureza humana, cujo caráter essencial é uma espécie de gramática universal geneticamente determinada, e isso responde a (c). Quanto a (b), Chomsky considera que a Lingüística é um ramo da Psicologia Cognitiva, como ciência natural capaz de explicar como tal propriedade da mente/cérebro do ser humano se constitui e como possibilita a aquisição, o conhecimento e o uso da linguagem.

Contemporâneo de Chomsky e um dos seus mais expressivos adversários teóricos, Montague (1970) somente poderia aceitar (a) desde que a resposta a (c) seja encaminhada no sentido de que a linguagem natural não se distingue, em sua essência, das linguagens construídas e desde que a resposta a (b) obtenha a firmação de que a Lingüística é um ramo da matemática enquanto ciência formal.
Considere agora mais duas questões:
d) Se a Lingüística é a ciência da linguagem humana, que disciplina estuda os fundamentos de tal ciência?
e) Como se constitui tal disciplina?
A resposta a (d) envolve algumas observações preliminares. Toda a disciplina vai-se estabelecendo, historicamente, em sua cientificidade, mediante uma construção de conhecimentos proporcionados pela justa relação entre seu método e seu objeto, justificada pela plausibilidade de seus fundamentos. A construção propriamente dita caracteriza a teoria científica como tal; o estudo dos seus fundamentos, a filosofia daquela disciplina. Tal tem sido a história da Lingüística; paralelamente ao desenvolvimento de sua teoria, vão-se estabelecendo os fundamentos que a sustentam.

É justamente por isso, aliás, que os pioneiros de sua história como ciência têm sido, ao mesmo tempo, cientistas e filósofos de sua disciplina. Se Saussure, Chomsky e Montague, entre outros, trouxeram uma reconhecida contribuição a sua área de conhecimento é, sem dúvida, porque fizeram, concomitantemente, ciência e filosofia. Nesse sentido, então, encaminha-se para (d), a resposta de que se a Lingüística é a ciência da linguagem humana, a Filosofia da Lingüística é a disciplina que estuda os fundamentos de tal ciência.
A abordagem da questão (e) também merece algumas prévias considerações. Se a história da Lingüística, como se sugeriu, tem sido acompanhada pela história da Filosofia da Lingüística, é bem verdade que o desenvolvimento desta última tem ocorrido de forma intrínseca ao desenvolvimento da primeira. Isto significa, em última análise, que o estudo da teoria e de seus fundamentos tem avançado de maneira naturalmente conjugada de modo a não parece necessário o estabelecimento de uma disciplina específica como Filosofia da Lingüística. Realmente, parece trivial que a filosofia de uma área de conhecimento, que começa a construir-se como ciência, constitua-se, inicialmente, de forma implícita, para só ocupar um espaço mais específico a posteriori.

Nesses termos, se a Lingüística teórica é uma disciplina que apenas nesse século começa a solidificar-se em seu estatuto de cientificidade, é razoável que só agora a Filosofia da Lingüística comece a estabelecer-se como uma necessidade própria de investigação. Conseqüência disso, as formas de se encaminhar tal disciplina, o que constituiria a sua metodologia, não são senão alguns princípios muito gerais que podem ser sistematizados de maneira a tornar o estudo dos fundamentos da Lingüística consistente a ponto de caracterizá-la naquilo em que ela se pretende rigorosa e de esclarecê-la quanto às diversas formas de concebê-la. A resposta a (e), então, que propomos, passa por um pequeno conjunto de critérios cuja finalidade não é senão dotar a Filosofia da Lingüística de uma maior capacidade de avaliação das condições que constituem a disciplina que investiga.
1 Critério da Distinção entre Lingüística Pura e Aplicada
Trata-se de separar o conhecimento teórico a ser produzido com objetivos especificamente científicos, a saber, o da verdade sobre a natureza do objeto a ser esclarecido, do conhecimento aplicado diretamente a aspectos da realidade ou, indiretamente, através da relação com outras disciplinas. Por exemplo, trata-se de distinguir entre o conhecimento que busca, a partir do anterior, formas de ensinar uma segunda língua a uma criança.
2 Critério da distinção de Níveis de Constituição da Teoria Lingüística
A proposta aqui, é a de que se distingam os seguintes níveis: o nível da linguagem enquanto fenômeno geral acessível ao senso comum; o nível da linguagem enquanto objeto construído já no interior de uma teoria com perspectivas científicas; o nível da teoria lingüística, enquanto sistema de conceitos estruturados, o nível metateórico, ou de princípios que regem a metodologia de uma dada teoria lingüística e o nível de compromissos filosóficos, por exemplo, ontológicos, que sustentam todo o edifício teórico.
3 Critério de Tensão entre o Método Lingüístico e o seu Objeto
O critério acima sugere que se considere como essencial para o conhecimento científico a adequada tensão entre o método de investigação lingüística e as propriedades do seu objeto a serem esclarecidas. No interior de uma teoria lingüística, tal adequação consiste no surgimento de problemas que possam ser tratáveis e cujo tratamento permita originar problemas novos que caracterizam programas de investigação. Este critério sugere, ainda, que só dentro de tal relação é que se determina a relevância das propriedades do objeto e de seu método.
4 Critério da Distinção entre Propriedades Formais e Empíricas da Teoria Lingüística
Trata-se de distinguir a condição de uma teoria de adequar-se à experiência lingüística, considerando a evidência dos dados, da sua capacidade de expressar-se em uma linguagem formal, considerando-se questões de consistência, por exemplo, e outras.
5 Critério de Tensão entre Adequação Descritiva e Adequação Explanatória na Teoria Lingüística
Este critério consiste na necessidade de se entender o papel teórico da relação entre atividade de descrição lingüística e a de explanação. Sem descrição, a explanação pode ser indesejavelmente geral e sem valor explanatório, a descrição é vazia.
6 Critério da Avaliação Histórica dos Programas de Investigação Lingüística
Entende-se por este critério a condição de possibilidade de avaliação histórica dos resultados de um programa de pesquisa lingüística. Garante-se, através dele, a evolução da racionalidade científica na área, potencializando-se o progresso na construção de problemas lingüísticos relevantes e evitando-se a circularidade de propostas já ultrapassadas.
Uma vez caracterizados tais critérios, fica encaminhada a resposta à questão (e) e já se tem um conjunto mínimo de condições capazes de orientar o debate sobre (f), a problemática e central questão para a Filosofia da Lingüística, sugerida no início do presente texto.
(f) É a Lingüística uma ciência natural, formal ou social?

Referências Bibliográficas
CHOMSKY, N. (1984) Modular Approaches to the Study of the Mind. San Diego: San Diego University Press.
CHOMSKY, N. (1986) Knowledge of Language. Its Nature, Origin and Use. New York. Praeger
CHOMSKY, N. (1993) Language and Thought. London. Moyer Bell.
EARMAN, j. (ed) (1972) Inference, Explanation and Other Frustrations - Essays in the Philosophy of Science. Berckeley. University of California Press.
KATZ, J. (1985) The Philosophy of Linguistics. Oxford. Oxford University Press.
MONTAGUE,R.(1970) Formal Philosophy. New Haven. Yale University Press.
SAUSSURE, F. (1916/1974) Cours de Linguistique Générale. Paris. Payot.




SUBJECT: Re: [ciencialist] Manual da linguagem cientifica - Só a ciência pode nos salvar deste flagelo
FROM: "Pesky Bee" <peskybee2@gmail.com>
TO: <ciencialist@yahoogrupos.com.br>
DATE: 11/05/2015 18:02

Já eu me interessei sobremaneira por um detalhéco específico
dessa textaiada desgramadamente gigantesca: o tal do Ítalo Calvino
por um acaso era carecóide para ter esse nome? Ou será que a mamãe
dele deu
esse nome porque quando viu ele pela primeira, ainda como
feto recém saído da búça, notou que
ele dispunha de cabeleira de fazer
inveja a rapunzelóides? E aí para tentar contrabalançar a
vergonha
alheia escolheu esse nomezófilo só para tentar minimizar
o choque?
São tantas
dúvidas! (mas uma coisa é certa: eu certamente sou
um imbecil, hahahahahaha)
 
*PB*
 
 

From: Belmiro Wolski belmirow@yahoo.com.br [ciencialist]
Sent: Monday, May 11, 2015 5:43 PM
To: ciencialist@yahoogrupos.com.br
Subject: Re: [ciencialist] Manual da linguagem cientifica - Só a ciência pode nos salvar deste flagelo

Muito longo...

Faltou saco!

*BW*
 
 

Em Segunda-feira, 11 de Maio de 2015 17:39, "Mtnos Calil" mtnoscalil@terra.com.br [ciencialist]" <ciencialist@yahoogrupos.com.br> escreveu:
 

 
                                       Narrativa sobre o flagelo linguístico que assola a humanidade
 
"...uma epidemia pestilenta atingiu a humanidade inteira em sua faculdade mais característica, ou seja, no uso da palavra, consistindo essa peste da língua numa perda de força cognoscitiva.   Não me interessa aqui indagar se as origens dessa epidemia devam ser pesquisadas na política, na ideologia, na uniformidade burocrática, na homogeneização dos mass-media ou na difusão acadêmica de uma cultura média. O que me interessa são as possibilidades de salvação. A literatura (e talvez somente a literatura) pode criar os anticorpos que coíbam a expansão desse flagelo lingüístico.” -  Italo Calvino, escritor italiano falecido em 1985
 
Perdão Italo Calvino, que agora está na companhia dos deuses da precisão linguística: não é a literatura que vai nos salvar deste terrível flagelo que requer uma intervenção cirúrgica cientifica.  A ciência que poderia salvar a humanidade do flagelo linguistico é a "ciência da linguagem" que ainda não está devidamente estruturada. Para se estruturar sistemicamente, a linguística precisaria se livrar de outro flagelo da ciência que é especialização. Uma ciência da linguagem humana (ou mesmo não humana) só poderá adquirir uma configuração sistêmica se trabalhar em conjunto com outras ciências como a psicologia, a biologia, a antropologia.
 
Quanto ao flagelo linguístico, o mais grave  é que os cientistas ainda nem tomaram conhecimento da doença, da qual eles próprios foram vitimados. Por isso*, penso** que estamos condenados a viver nesta pandemia enquanto a esquizofrenia linguistica*** não enlouquecer a todos nós. Concordo com a sua idéia de que muitos problemas podem ser resolvidos sem o conhecimento das respectivas causas. Porém, no caso do flagelo linguistico, sendo ele de origem genética, penso que a causa do mal deva ser considerada. Ocorre que o homem criou a palavra com a dupla função de descrever a realidade e de alimentar fantasias de natureza instintiva. Assim a palavra se transformou numa arma de mentira e de destruição.
 
 
 
 

SUBJECT: Re: Re: [ciencialist] Manual da linguagem cientifica - Só a ciência pode nos salvar deste flagelo
FROM: "Mtnos Calil" <mtnoscalil@terra.com.br>
TO: ciencialist@yahoogrupos.com.br
DATE: 11/05/2015 18:02

O texto que fala do flagelo possui 1104 palavras. 
Me informe por gentileza qual é, aproximadamente,  a quantidade de palavras que cabe no seu saco
Obrigado!
M.Calil 

Em Seg 11/05/15 17:43, Belmiro Wolski belmirow@yahoo.com.br [ciencialist] ciencialist@yahoogrupos.com.br escreveu:

 

Muito longo...
Faltou saco!
*BW*



Em Segunda-feira, 11 de Maio de 2015 17:39, "Mtnos Calil" mtnoscalil@terra.com.br [ciencialist]" <ciencialist@yahoogrupos.com.br> escreveu:

 
                                       Narrativa sobre o flagelo linguístico que assola a humanidade

"...uma epidemia pestilenta atingiu a humanidade inteira em sua faculdade mais característica, ou seja, no uso da palavra, consistindo essa peste da língua numa perda de força cognoscitiva.   Não me interessa aqui indagar se as origens dessa epidemia devam ser pesquisadas na política, na ideologia, na uniformidade burocrática, na homogeneização dos mass-media ou na difusão acadêmica de uma cultura média. O que me interessa são as possibilidades de salvação. A literatura (e talvez somente a literatura) pode criar os anticorpos que coíbam a expansão desse flagelo lingüístico.” -  Italo Calvino, escritor italiano falecido em 1985 

Perdão Italo Calvino, que agora está na companhia dos deuses da precisão linguística: não é a literatura que vai nos salvar deste terrível flagelo que requer uma intervenção cirúrgica cientifica.  A ciência que poderia salvar a humanidade do flagelo linguistico é a "ciência da linguagem" que ainda não está devidamente estruturada. Para se estruturar sistemicamente, a linguística precisaria se livrar de outro flagelo da ciência que é especialização. Uma ciência da linguagem humana (ou mesmo não humana) só poderá adquirir uma configuração sistêmica se trabalhar em conjunto com outras ciências como a psicologia, a biologia, a antropologia. 

Quanto ao flagelo linguístico, o mais grave  é que os cientistas ainda nem tomaram conhecimento da doença, da qual eles próprios foram vitimados. Por isso*, penso** que estamos condenados a viver nesta pandemia enquanto a esquizofrenia linguistica*** não enlouquecer a todos nós. Concordo com a sua idéia de que muitos problemas podem ser resolvidos sem o conhecimento das respectivas causas. Porém, no caso do flagelo linguistico, sendo ele de origem genética, penso que a causa do mal deva ser considerada. Ocorre que o homem criou a palavra com a dupla função de descrever a realidade e de alimentar fantasias de natureza instintiva. Assim a palavra se transformou numa arma de mentira e de destruição.
A ambiguidade da palavra, estimado Calvino, está impressa em nossos neurônios. **** Ela serve para o bem e para o mal. É ao mesmo tempo linda, maravihosa, cruel e mortífera. 

* Isso = o desconhecimento dos cientistas a respeito do mal
**Usei o verbo pensar no seu sentido legitimo e não no sentido de seu simulacro, o verbo crer.
***A esquizofrenia linguistica é uma variante da esquizofrenia social que milagrosamente foi objeto de um livro de uma psicóloga brasileira- Elza Pádua. Trata-se de uma inovação mundial da qual a midia tem um pavor supremo. Como os midiáticos poderiam combater a maior  fonte dos seus lucros?  (esquizofrenia social é uma expressão da autora e a esquizofrenia linguistica ficou por minha conta...Paciência! )
**** Não estou fazendo uso de uma metáfora ao afirmar a origem genética da ambiguidade linguística. Se quisermos aprimorar a estratégia da precisão linguistica é recomendável reduzirmos ao máximo o uso das metáforas. A origem genética citada constitui uma hipótese que talvez nunca venha a ser comprovada. Formular hipóteses que não podem ser testadas ou comprovadas é um dos ônus da ciência. Outro ônus da ciência é ser submissa aos politicos que não conseguem se livrar do instinto da guerra e de outros instintos malévolos como o da dominação,  que chamam de "Poder".  Para os politicos a ambição pelo poder é algo natural da espécie humana. É natural mesmo! Por isso a cultura é incapaz de extirpar esse mal. 
Mtnos Calil 



Com a palavra Italo Calvino (
Escritor italiano, 1923-1985) que morreu antes de proferir uma palestra em Harvard que ficou registrada num texto datilografado: 
  • A precisão, para os antigos egípcios, era simbolizada por uma pluma que servia de peso num dos pratos da balança em que se pesavam as almas. Essa pluma levíssima tinha o nome de Maat, deusa da balança. O hieróglifo de Maat indicava igualmente a unidade de comprimento — os 33 cm do tijolo unitário — e também o tom fundamental da flauta.
  • Essas informações provêm de uma conferência de Giorgio de Santillana sobre a precisão dos antigos no observar dos fenômenos celestes, conferência que ouvi na Itália em 1963 e que exerceu sobre mim profunda influência. Desde que aqui cheguei, tenho pensado freqüentemente em Santillana, por ter sido ele o meu cicerone em Massachusetts quando de minha primeira visita a este país em 1960. Em lembrança de sua amizade, abro esta conferência sobre a exatidão na literatura invocando o nome de Maat, a deusa da balança. Tanto mais que Balança é o meu signo zodiacal.
  • Antes de mais nada, procurarei definir o tema. Para mim, exatidão quer dizer principalmente três coisas: (1) um projeto de obra bem definido e calculado; (2) a evocação de imagens visuais nítidas, incisivas, memoráveis: temos em italiano um adjetivo que não existe em inglês, icastico, do grego eikastikos; (3) uma linguagem que seja a mais precisa possível como léxico e em sua capacidade de traduzir as nuanças do pensamento e da imaginação.
  • Por que me vem a necessidade de defender valores que a muitos parecerão simplesmente óbvios? Creio que o meu primeiro impulso decorra de uma hipersensibilidade ou alergia pessoal: a linguagem me parece sempre usada de modo aproximativo, casual, descuidado, e isso me causa intolerável repúdio. Que não vejam nessa reação minha um sinal de intolerância para com o próximo: sinto um repúdio ainda maior quando me ouço a mim mesmo. Por isso procuro falar o mínimo possível, e se prefiro escrever é que, escrevendo, posso emendar cada frase tantas vezes quanto ache necessário para chegar, não digo a me sentir satisfeito com minhas palavras, mas pelo menos a eliminar as razões de insatisfação de que me posso dar conta. A literatura — quero dizer, aquela que responde a essas exigências — é a Terra Prometida em que a linguagem se torna aquilo que na verdade deveria ser.
  • Às vezes me parece que uma epidemia pestilenta atingiu a humanidade inteira em sua faculdade mais característica, ou seja, no uso da palavra, consistindo essa peste da língua numa perda de força cognoscitiva e de imediaticidade, como um automatismo que tendesse a nivelar a expressão em fórmulas mais genéricas, anônimas, abstratas, a diluir os significados, a embotar os pontos expressivos, a extinguir toda centelha que crepite no encontro das palavras com novas circunstâncias.
  • Não me interessa aqui indagar se as origens dessa epidemia devam ser pesquisadas na política, na ideologia, na uniformidade burocrática, na homogeneização dos mass-media ou na difusão acadêmica de uma cultura média. O que me interessa são as possibilidades de salvação. A literatura (e talvez somente a literatura) pode criar os anticorpos que coíbam a expansão desse flagelo lingüístico.”
 
Seis propostas para o próximo milênio — “Exatidão” — Tradução de Ivo Barroso. (Companhia das Letras, 1991)
 
https://www.google.com.br/webhp?sourceid=chrome-instant&ion=1&espv=2&ie=UTF-8#q=livro+Exatid%C3%A3o%2C+Italo+Calvino+download

Sobre a Natureza da Ciência da Linguagem
http://www.pucrs.br/letras/pos/logica/natcien.htm
( Uma questão problemática de Filosofia da Lingüística)
Considere a afirmação (a) e as perguntas (b) e (c) relativas a (a):
  1. A Lingüística é a ciência da linguagem humana.
  2. Qual a natureza de seu método?
  3. Qual a natureza de seu objeto?
Enquanto (a) representa, certamente, uma afirmação verdadeira e trivial para a comunidade mais ampla dos lingüistas, (b) e (c) são perguntas sobre as quais não há absolutamente consenso, e que determinam um debate de extrema sofisticação mesmo que entre membros da mesma escola.

De fato, ainda que imprecisa e panorâmica, uma breve inspeção na história contemporânea da Lingüistica já é suficiente para justificar a constatação de que há um inegável desacordo entre alguns dos mais expressivos teóricos dessa disciplina. Para Saussure (1916), (a) é uma afirmação verdadeira desde que a resposta a (c) considere a linguagem humana constituída essencialmente pela língua, enquanto conjunto de signos depositado na mente dos usuários pela prática pessoal da fala e desde que a resposta a (b) defina a Lingüística como um ramo da Semiologia ou Psicologia Social, entendidas como uma espécie de Teoria da Comunicação; Chomsky (1986) também aceita, (a), mas não concordaria, absolutamente, com a resposta a (b) e (c) de seu antecessor.

Para o fundador da teoria gerativista, a faculdade da linguagem é a expressão de uma propriedade inata da natureza humana, cujo caráter essencial é uma espécie de gramática universal geneticamente determinada, e isso responde a (c). Quanto a (b), Chomsky considera que a Lingüística é um ramo da Psicologia Cognitiva, como ciência natural capaz de explicar como tal propriedade da mente/cérebro do ser humano se constitui e como possibilita a aquisição, o conhecimento e o uso da linguagem.

Contemporâneo de Chomsky e um dos seus mais expressivos adversários teóricos, Montague (1970) somente poderia aceitar (a) desde que a resposta a (c) seja encaminhada no sentido de que a linguagem natural não se distingue, em sua essência, das linguagens construídas e desde que a resposta a (bobtenha a firmação de que a Lingüística é um ramo da matemática enquanto ciência formal.
Considere agora mais duas questões:
d) Se a Lingüística é a ciência da linguagem humana, que disciplina estuda os fundamentos de tal ciência?
e) Como se constitui tal disciplina?
A resposta a (d) envolve algumas observações preliminares. Toda a disciplina vai-se estabelecendo, historicamente, em sua cientificidade, mediante uma construção de conhecimentos proporcionados pela justa relação entre seu método e seu objeto, justificada pela plausibilidade de seus fundamentos. A construção propriamente dita caracteriza a teoria científica como tal; o estudo dos seus fundamentos, a filosofia daquela disciplina. Tal tem sido a história da Lingüística; paralelamente ao desenvolvimento de sua teoria, vão-se estabelecendo os fundamentos que a sustentam.

É justamente por isso, aliás, que os pioneiros de sua história como ciência têm sido, ao mesmo tempo, cientistas e filósofos de sua disciplina. Se Saussure, Chomsky e Montague, entre outros, trouxeram uma reconhecida contribuição a sua área de conhecimento é, sem dúvida, porque fizeram, concomitantemente, ciência e filosofia. Nesse sentido, então, encaminha-se para (d), a resposta de que se a Lingüística é a ciência da linguagem humana, a Filosofia da Lingüística é a disciplina que estuda os fundamentos de tal ciência.
A abordagem da questão (e) também merece algumas prévias considerações. Se a história da Lingüística, como se sugeriu, tem sido acompanhada pela história da Filosofia da Lingüística, é bem verdade que o desenvolvimento desta última tem ocorrido de forma intrínseca ao desenvolvimento da primeira. Isto significa, em última análise, que o estudo da teoria e de seus fundamentos tem avançado de maneira naturalmente conjugada de modo a não parece necessário o estabelecimento de uma disciplina específica como Filosofia da Lingüística. Realmente, parece trivial que a filosofia de uma área de conhecimento, que começa a construir-se como ciência, constitua-se, inicialmente, de forma implícita, para só ocupar um espaço mais específico a posteriori.

Nesses termos, se a Lingüística teórica é uma disciplina que apenas nesse século começa a solidificar-se em seu estatuto de cientificidade, é razoável que só agora a Filosofia da Lingüística comece a estabelecer-se como uma necessidade própria de investigação. Conseqüência disso, as formas de se encaminhar tal disciplina, o que constituiria a sua metodologia, não são senão alguns princípios muito gerais que podem ser sistematizados de maneira a tornar o estudo dos fundamentos da Lingüística consistente a ponto de caracterizá-la naquilo em que ela se pretende rigorosa e de esclarecê-la quanto às diversas formas de concebê-la. A resposta a (e), então, que propomos, passa por um pequeno conjunto de critérios cuja finalidade não é senão dotar a Filosofia da Lingüística de uma maior capacidade de avaliação das condições que constituem a disciplina que investiga.
1 Critério da Distinção entre Lingüística Pura e Aplicada
Trata-se de separar o conhecimento teórico a ser produzido com objetivos especificamente científicos, a saber, o da verdade sobre a natureza do objeto a ser esclarecido, do conhecimento aplicado diretamente a aspectos da realidade ou, indiretamente, através da relação com outras disciplinas. Por exemplo, trata-se de distinguir entre o conhecimento que busca, a partir do anterior, formas de ensinar uma segunda língua a uma criança.
2 Critério da distinção de Níveis de Constituição da Teoria Lingüística
A proposta aqui, é a de que se distingam os seguintes níveis: o nível da linguagem enquanto fenômeno geral acessível ao senso comum; o nível da linguagem enquanto objeto construído já no interior de uma teoria com perspectivas científicas; o nível da teoria lingüística, enquanto sistema de conceitos estruturados, o nível metateórico, ou de princípios que regem a metodologia de uma dada teoria lingüística e o nível de compromissos filosóficos, por exemplo, ontológicos, que sustentam todo o edifício teórico.
3 Critério de Tensão entre o Método Lingüístico e o seu Objeto
O critério acima sugere que se considere como essencial para o conhecimento científico a adequada tensão entre o método de investigação lingüística e as propriedades do seu objeto a serem esclarecidas. No interior de uma teoria lingüística, tal adequação consiste no surgimento de problemas que possam ser tratáveis e cujo tratamento permita originar problemas novos que caracterizam programas de investigação. Este critério sugere, ainda, que só dentro de tal relação é que se determina a relevância das propriedades do objeto e de seu método.
4 Critério da Distinção entre Propriedades Formais e Empíricas da Teoria Lingüística
Trata-se de distinguir a condição de uma teoria de adequar-se à experiência lingüística, considerando a evidência dos dados, da sua capacidade de expressar-se em uma linguagem formal, considerando-se questões de consistência, por exemplo, e outras.
5 Critério de Tensão entre Adequação Descritiva e Adequação Explanatória na Teoria Lingüística
Este critério consiste na necessidade de se entender o papel teórico da relação entre atividade de descrição lingüística e a de explanação. Sem descrição, a explanação pode ser indesejavelmente geral e sem valor explanatório, a descrição é vazia.
6 Critério da Avaliação Histórica dos Programas de Investigação Lingüística
Entende-se por este critério a condição de possibilidade de avaliação histórica dos resultados de um programa de pesquisa lingüística. Garante-se, através dele, a evolução da racionalidade científica na área, potencializando-se o progresso na construção de problemas lingüísticos relevantes e evitando-se a circularidade de propostas já ultrapassadas.
Uma vez caracterizados tais critérios, fica encaminhada a resposta à questão (e) e já se tem um conjunto mínimo de condições capazes de orientar o debate sobre (f), a problemática e central questão para a Filosofia da Lingüística, sugerida no início do presente texto.
(f) É a Lingüística uma ciência natural, formal ou social?

Referências Bibliográficas
CHOMSKY, N. (1984) Modular Approaches to the Study of the Mind. San Diego: San Diego University Press.
CHOMSKY, N. (1986) Knowledge of Language. Its Nature, Origin and Use. New York. Praeger
CHOMSKY, N. (1993) Language and Thought. London. Moyer Bell.
EARMAN, j. (ed) (1972) Inference, Explanation and Other Frustrations - Essays in the Philosophy of Science. Berckeley. University of California Press.
KATZ, J. (1985) The Philosophy of Linguistics. Oxford. Oxford University Press.
MONTAGUE,R.(1970) Formal Philosophy. New Haven. Yale University Press.
SAUSSURE, F. (1916/1974) Cours de Linguistique Générale. Paris. Payot.


------=_Part_692276_2011)

SUBJECT: Re: [ciencialist] Manual da linguagem cientifica - Só a ciência pode nos salvar deste flagelo
FROM: Belmiro Wolski <belmirow@yahoo.com.br>
TO: "ciencialist@yahoogrupos.com.br" <ciencialist@yahoogrupos.com.br>
DATE: 11/05/2015 18:09

30!

*BW*



Em Segunda-feira, 11 de Maio de 2015 18:03, "'Pesky Bee' peskybee2@gmail.com [ciencialist]" <ciencialist@yahoogrupos.com.br> escreveu:


 
Já eu me interessei sobremaneira por um detalhéco específico
dessa textaiada desgramadamente gigantesca: o tal do Ítalo Calvino
por um acaso era carecóide para ter esse nome? Ou será que a mamãe
dele deu
esse nome porque quando viu ele pela primeira, ainda como
feto recém saído da búça, notou que
ele dispunha de cabeleira de fazer
inveja a rapunzelóides? E aí para tentar contrabalançar a
vergonha
alheia escolheu esse nomezófilo só para tentar minimizar
o choque?
São tantas
dúvidas! (mas uma coisa é certa: eu certamente sou
um imbecil, hahahahahaha)
 
*PB*
 
 

From: Belmiro Wolski belmirow@yahoo.com.br [ciencialist]
Sent: Monday, May 11, 2015 5:43 PM
To: ciencialist@yahoogrupos.com.br
Subject: Re: [ciencialist] Manual da linguagem cientifica - Só a ciência pode nos salvar deste flagelo

Muito longo...

Faltou saco!

*BW*
 
 

Em Segunda-feira, 11 de Maio de 2015 17:39, "Mtnos Calil" mtnoscalil@terra.com.br [ciencialist]" <ciencialist@yahoogrupos.com.br> escreveu:
 

 
                                       Narrativa sobre o flagelo linguístico que assola a humanidade
 
"...uma epidemia pestilenta atingiu a humanidade inteira em sua faculdade mais característica, ou seja, no uso da palavra, consistindo essa peste da língua numa perda de força cognoscitiva.   Não me interessa aqui indagar se as origens dessa epidemia devam ser pesquisadas na política, na ideologia, na uniformidade burocrática, na homogeneização dos mass-media ou na difusão acadêmica de uma cultura média. O que me interessa são as possibilidades de salvação. A literatura (e talvez somente a literatura) pode criar os anticorpos que coíbam a expansão desse flagelo lingüístico.” -  Italo Calvino, escritor italiano falecido em 1985
 
Perdão Italo Calvino, que agora está na companhia dos deuses da precisão linguística: não é a literatura que vai nos salvar deste terrível flagelo que requer uma intervenção cirúrgica cientifica.  A ciência que poderia salvar a humanidade do flagelo linguistico é a "ciência da linguagem" que ainda não está devidamente estruturada. Para se estruturar sistemicamente, a linguística precisaria se livrar de outro flagelo da ciência que é especialização. Uma ciência da linguagem humana (ou mesmo não humana) só poderá adquirir uma configuração sistêmica se trabalhar em conjunto com outras ciências como a psicologia, a biologia, a antropologia.
 
Quanto ao flagelo linguístico, o mais grave  é que os cientistas ainda nem tomaram conhecimento da doença, da qual eles próprios foram vitimados. Por isso*, penso** que estamos condenados a viver nesta pandemia enquanto a esquizofrenia linguistica*** não enlouquecer a todos nós. Concordo com a sua idéia de que muitos problemas podem ser resolvidos sem o conhecimento das respectivas causas. Porém, no caso do flagelo linguistico, sendo ele de origem genética, penso que a causa do mal deva ser considerada. Ocorre que o homem criou a palavra com a dupla função de descrever a realidade e de alimentar fantasias de natureza instintiva. Assim a palavra se transformou numa arma de mentira e de destruição.
 
 
 
 



SUBJECT: Re: [ciencialist] Manual da linguagem cientifica - Só a ciência pode nos salvar deste flagelo
FROM: "Pesky Bee" <peskybee2@gmail.com>
TO: <ciencialist@yahoogrupos.com.br>
DATE: 11/05/2015 18:13

Vamos ver o que o Belmiróvsky vai responder. Já no meu caso,
o número de palavras que cabem no meu saco é da ordem de
alguns trilhões (pelo menos em termos potenciais).
 
Como exemplo, dentro do meu saco tem o José, a Marta, a Flávia,
o Bruno, o Henrique, a Débora, a Sônia, o Humberto, o Jorge,
o Rodrigo/Ronaldo (são gêmeos), a Andréia, o Lucas, etc.
Êita contexto danado de dominar, hahahahahahaha
 
*PB*
 
 

From: "Mtnos Calil" mtnoscalil@terra.com.br [ciencialist]
Sent: Monday, May 11, 2015 6:02 PM
To: ciencialist@yahoogrupos.com.br
Subject: Re: Re: [ciencialist] Manual da linguagem cientifica - Só a ciência pode nos salvar deste flagelo
 
 
 
O texto que fala do flagelo possui 1104 palavras.
Me informe por gentileza qual é, aproximadamente,  a quantidade de palavras que cabe no seu saco
Obrigado!
M.Calil
 
Em Seg 11/05/15 17:43, Belmiro Wolski belmirow@yahoo.com.br [ciencialist] ciencialist@yahoogrupos.com.br escreveu:
 
 
Muito longo...
Faltou saco!
*BW*
 
 
 

SUBJECT: Re: [ciencialist] Manual da linguagem cientifica - Só a ciência pode nos salvar deste flagelo
FROM: Mtnos Calil <mtnoscalil@terra.com.br>
TO: <ciencialist@yahoogrupos.com.br>
DATE: 11/05/2015 18:14


Olá Peskófilo. 

A sua mensagem falando da "textaiada desgramadamente gigantesca"  teve 92 palavras.
Em homenagem a você foi fiz um resumo da textaiada em 105 palavras: 

===============================================


                  Narrativa sobre o flagelo linguístico que assola a humanidade

 

"...uma epidemia pestilenta atingiu a humanidade inteira em sua faculdade mais característica, ou seja, no uso da palavra, consistindo essa peste da língua numa perda de força cognoscitiva.   A literatura (e talvez somente a literatura) pode criar os anticorpos que coíbam a expansão desse flagelo lingüístico.” -  Italo Calvino, escritor italiano falecido em 1985

 

Perdão Italo Calvino, não é a literatura que vai nos salvar deste terrível flagelo que requer uma intervenção cirúrgica cientifica.  A ciência que poderia salvar a humanidade do flagelo linguistico é a "ciência da linguagem" que ainda não está devidamente estruturada.

MC


========================================================


On Seg 11/05/15 18:02 , "'Pesky Bee' peskybee2@gmail.com [ciencialist]" ciencialist@yahoogrupos.com.br sent:
 

Já eu me interessei sobremaneira por um detalhéco específico
dessa textaiada desgramadamente gigantesca: o tal do Ítalo Calvino
por um acaso era carecóide para ter esse nome? Ou será que a mamãe
dele deu
esse nome porque quando viu ele pela primeira, ainda como
feto recém saído da búça, notou que
ele dispunha de cabeleira de fazer
inveja a rapunzelóides? E aí para tentar contrabalançar a
vergonha
alheia escolheu esse nomezófilo só para tentar minimizar
o choque?
São tantas
dúvidas! (mas uma coisa é certa: eu certamente sou
um imbecil, hahahahahaha)
 
*PB*
 
 

From: Belmiro Wolski belmirow@yahoo.com.br [ciencialist]
Sent: Monday, May 11, 2015 5:43 PM
To: ciencialist@yahoogrupos.com.br
Subject: Re: [ciencialist] Manual da linguagem cientifica - Só a ciência pode nos salvar deste flagelo

Muito longo...

Faltou saco!

*BW*
 
 

Em Segunda-feira, 11 de Maio de 2015 17:39, "Mtnos Calil" mtnoscalil@terra.com.br [ciencialist]" <ciencialist@yahoogrupos.com.br> escreveu:
 

 
                                       Narrativa sobre o flagelo linguístico que assola a humanidade
 
"...uma epidemia pestilenta atingiu a humanidade inteira em sua faculdade mais característica, ou seja, no uso da palavra, consistindo essa peste da língua numa perda de força cognoscitiva.   Não me interessa aqui indagar se as origens dessa epidemia devam ser pesquisadas na política, na ideologia, na uniformidade burocrática, na homogeneização dos mass-media ou na difusão acadêmica de uma cultura média. O que me interessa são as possibilidades de salvação. A literatura (e talvez somente a literatura) pode criar os anticorpos que coíbam a expansão desse flagelo lingüístico.” -  Italo Calvino, escritor italiano falecido em 1985
 
Perdão Italo Calvino, que agora está na companhia dos deuses da precisão linguística: não é a literatura que vai nos salvar deste terrível flagelo que requer uma intervenção cirúrgica cientifica.  A ciência que poderia salvar a humanidade do flagelo linguistico é a "ciência da linguagem" que ainda não está devidamente estruturada. Para se estruturar sistemicamente, a linguística precisaria se livrar de outro flagelo da ciência que é especialização. Uma ciência da linguagem humana (ou mesmo não humana) só poderá adquirir uma configuração sistêmica se trabalhar em conjunto com outras ciências como a psicologia, a biologia, a antropologia.
 
Quanto ao flagelo linguístico, o mais grave  é que os cientistas ainda nem tomaram conhecimento da doença, da qual eles próprios foram vitimados. Por isso*, penso** que estamos condenados a viver nesta pandemia enquanto a esquizofrenia linguistica*** não enlouquecer a todos nós. Concordo com a sua idéia de que muitos problemas podem ser resolvidos sem o conhecimento das respectivas causas. Porém, no caso do flagelo linguistico, sendo ele de origem genética, penso que a causa do mal deva ser considerada. Ocorre que o homem criou a palavra com a dupla função de descrever a realidade e de alimentar fantasias de natureza instintiva. Assim a palavra se transformou numa arma de mentira e de destruição.
 
 
 
 



SUBJECT: Re: [ciencialist] Manual da linguagem cientifica - Só a ciência pode nos salvar deste flagelo
FROM: "Pesky Bee" <peskybee2@gmail.com>
TO: <ciencialist@yahoogrupos.com.br>
DATE: 11/05/2015 18:21

> 30!
 
Trinta fatorial! Caráca! Que numerosidade exponencialesca!
 
É palavra que não acaba mais! Belmiróvsky, tu agora virastes
o meu ídalo! Um sujeito que consegue aguardalhar 30 fatorial
de palavras no sacóide só pode ser um super-herói!
 
*PB*
 
 

From: Belmiro Wolski belmirow@yahoo.com.br [ciencialist]
Sent: Monday, May 11, 2015 6:09 PM
To: ciencialist@yahoogrupos.com.br
Subject: Re: [ciencialist] Manual da linguagem cientifica - Só a ciência pode nos salvar deste flagelo
 

30!

*BW*
 

Em Segunda-feira, 11 de Maio de 2015 18:03, "'Pesky Bee' peskybee2@gmail.com [ciencialist]" <ciencialist@yahoogrupos.com.br> escreveu:
 
 
 

 
Já eu me interessei sobremaneira por um detalhéco específico
dessa textaiada desgramadamente gigantesca: o tal do Ítalo Calvino
 
 
 

SUBJECT: Re: [ciencialist] Manual da linguagem cientifica - Só a ciência pode nos salvar deste flagelo
FROM: "Pesky Bee" <peskybee2@gmail.com>
TO: <ciencialist@yahoogrupos.com.br>
DATE: 11/05/2015 18:30

> ...numa perda de força cognoscitiva
 
Cognoscitiva? Pode isso, Arnaldo?
Tive que aprócurár no méstre google. Pensei que tinha
mais gente imitando minha maneirófila de inventacionar
palavróides estranhafúrdios.
 
>... salvar deste terrível flagelo que requer uma intervenção
> cirúrgica cientifica
 
Para aqueles que estiverem interessados na dita intervenção
cirúrgica que poderá consecutar os objetivos Calilzófilos
(e porque não dizer, Calvinófilos), basta mencionar para
o neurocirurgião que se deseja remover todo o lobo
esquerdo do cérebro (frontal, parietal, dorso-lateral).
Pronto. Isso
deve dar um jeito em qualquer tergiversação
hiper-escalafobética
provocadora das inúmeras cataclismices
linguistico-desgraçóides. Pode ser também que o pau não
levante mais, mas isso é um mero detalhe, hahahahahahaha
 
*PB*
 
 
 
From: Mtnos Calil mtnoscalil@terra.com.br [ciencialist]
Sent: Monday, May 11, 2015 6:14 PM
To: ciencialist@yahoogrupos.com.br
Subject: Re: [ciencialist] Manual da linguagem cientifica - Só a ciência pode nos salvar deste flagelo
 
 
 
 
 

Olá Peskófilo. 
 

A sua mensagem falando da "textaiada desgramadamente gigantesca"  teve 92 palavras.
Em homenagem a você foi fiz um resumo da textaiada em 105 palavras:
 

===============================================
 

                  Narrativa sobre o flagelo linguístico que assola a humanidade
 
 
 
"...uma epidemia pestilenta atingiu a humanidade inteira em sua faculdade mais característica, ou seja, no uso da palavra, consistindo essa peste da língua numa perda de força cognoscitiva.   A literatura (e talvez somente a literatura) pode criar os anticorpos que coíbam a expansão desse flagelo lingüístico.” -  Italo Calvino, escritor italiano falecido em 1985
 
 
 
Perdão Italo Calvino, não é a literatura que vai nos salvar deste terrível flagelo que requer uma intervenção cirúrgica cientifica.  A ciência que poderia salvar a humanidade do flagelo linguistico é a "ciência da linguagem" que ainda não está devidamente estruturada.
 
MC
 
 
 
 
 

SUBJECT: Re: [ciencialist] Manual da linguagem cientifica - Só a ciência pode nos salvar deste flagelo
FROM: Mtnos Calil <mtnoscalil@terra.com.br>
TO: <ciencialist@yahoogrupos.com.br>
DATE: 11/05/2015 18:39

Pronto BW:  aí vão as 30 palavras. 

Segundo  Italo Calvino a humanidade foi vitimada pelo flagelo da imprecisão linguística que apenas a literatura poderia sanar.  Eu penso que somente a ciência da linguagem  poderia exterminar este flagelo. 


Ps. As palavras deste conjunto de 30, formadas por no máximo 3 letras, concentram apenas 9 letras,  que podem ser  equivalentes a uma unica palavra de 9 letras, a exemplo de "linguagem". Neste caso as 30 palavras têm a mesma ordem de grandeza de 22, pois nesta contagem cada letra escrita isoladamente corresponde a uma palavra! 

On Seg 11/05/15 18:09 , "Belmiro Wolski belmirow@yahoo.com.br [ciencialist]" ciencialist@yahoogrupos.com.br sent:
 

30!

*BW*



From: Belmiro Wolski belmirow@yahoo.com.br [ciencialist]
Sent: Monday, May 11, 2015 5:43 PM
To: ciencialist@yahoogrupos.com.br
Subject: Re: [ciencialist] Manual da linguagem cientifica - Só a ciência pode nos salvar deste flagelo

Muito longo...

Faltou saco!

*BW*
 
 

Em Segunda-feira, 11 de Maio de 2015 17:39, "Mtnos Calil" mtnoscalil@terra.com.br [ciencialist]" <ciencialist@yahoogrupos.com.br> escreveu:
 

 
                                       Narrativa sobre o flagelo linguístico que assola a humanidade
 
"...uma epidemia pestilenta atingiu a humanidade inteira em sua faculdade mais característica, ou seja, no uso da palavra, consistindo essa peste da língua numa perda de força cognoscitiva.   Não me interessa aqui indagar se as origens dessa epidemia devam ser pesquisadas na política, na ideologia, na uniformidade burocrática, na homogeneização dos mass-media ou na difusão acadêmica de uma cultura média. O que me interessa são as possibilidades de salvação. A literatura (e talvez somente a literatura) pode criar os anticorpos que coíbam a expansão desse flagelo lingüístico.” -  Italo Calvino, escritor italiano falecido em 1985
 
Perdão Italo Calvino, que agora está na companhia dos deuses da precisão linguística: não é a literatura que vai nos salvar deste terrível flagelo que requer uma intervenção cirúrgica cientifica.  A ciência que poderia salvar a humanidade do flagelo linguistico é a "ciência da linguagem" que ainda não está devidamente estruturada. Para se estruturar sistemicamente, a linguística precisaria se livrar de outro flagelo da ciência que é especialização. Uma ciência da linguagem humana (ou mesmo não humana) só poderá adquirir uma configuração sistêmica se trabalhar em conjunto com outras ciências como a psicologia, a biologia, a antropologia.
 
Quanto ao flagelo linguístico, o mais grave  é que os cientistas ainda nem tomaram conhecimento da doença, da qual eles próprios foram vitimados. Por isso*, penso** que estamos condenados a viver nesta pandemia enquanto a esquizofrenia linguistica*** não enlouquecer a todos nós. Concordo com a sua idéia de que muitos problemas podem ser resolvidos sem o conhecimento das respectivas causas. Porém, no caso do flagelo linguistico, sendo ele de origem genética, penso que a causa do mal deva ser considerada. Ocorre que o homem criou a palavra com a dupla função de descrever a realidade e de alimentar fantasias de natureza instintiva. Assim a palavra se transformou numa arma de mentira e de destruição.
 
 
 
 




SUBJECT: Re: [ciencialist] Manual da linguagem cientifica - Só a ciência pode nos salvar deste flagelo
FROM: "Alberto Mesquita Filho" <albmesq@uol.com.br>
TO: <ciencialist@yahoogrupos.com.br>
DATE: 11/05/2015 19:12

Nestas condições utilizo uma única palavra: EXCLUIR.
 
[ ]´s
Alberto
http://ecientificocultural.com.br
Mas indiferentemente a tudo isso, o elétron não é uma carga elétrica
coulombiana e a Terra se move. E a história se repetirá.
 
 
Sent: Monday, May 11, 2015 6:02 PM
Subject: Re: Re: [ciencialist] Manual da linguagem cientifica - Só a ciência pode nos salvar deste flagelo
 
 

O texto que fala do flagelo possui 1104 palavras.
Me informe por gentileza qual é, aproximadamente,  a quantidade de palavras que cabe no seu saco
Obrigado!
M.Calil

Em Seg 11/05/15 17:43, Belmiro Wolski belmirow@yahoo.com.br [ciencialist] ciencialist@yahoogrupos.com.br escreveu:

 
Muito longo...
Faltou saco!
*BW*
 


Em Segunda-feira, 11 de Maio de 2015 17:39, "Mtnos Calil" mtnoscalil@terra.com.br [ciencialist]" <ciencialist@yahoogrupos.com.br> escreveu:
 
 
                                       Narrativa sobre o flagelo linguístico que assola a humanidade

"...uma epidemia pestilenta atingiu a humanidade inteira em sua faculdade mais característica, ou seja, no uso da palavra, consistindo essa peste da língua numa perda de força cognoscitiva.   Não me interessa aqui indagar se as origens dessa epidemia devam ser pesquisadas na política, na ideologia, na uniformidade burocrática, na homogeneização dos mass-media ou na difusão acadêmica de uma cultura média. O que me interessa são as possibilidades de salvação. A literatura (e talvez somente a literatura) pode criar os anticorpos que coíbam a expansão desse flagelo lingüístico.” -  Italo Calvino, escritor italiano falecido em 1985

Perdão Italo Calvino, que agora está na companhia dos deuses da precisão linguística: não é a literatura que vai nos salvar deste terrível flagelo que requer uma intervenção cirúrgica cientifica. A ciência que poderia salvar a humanidade do flagelo linguistico é a "ciência da linguagem" que ainda não está devidamente estruturada. Para se estruturar sistemicamente, a linguística precisaria se livrar de outro flagelo da ciência que é especialização. Uma ciência da linguagem humana (ou mesmo não humana) só poderá adquirir uma configuração sistêmica se trabalhar em conjunto com outras ciências como a psicologia, a biologia, a antropologia.

Quanto ao flagelo linguístico, o mais grave  é que os cientistas ainda nem tomaram conhecimento da doença, da qual eles próprios foram vitimados. Por isso*, penso** que estamos condenados a viver nesta pandemia enquanto a esquizofrenia linguistica*** não enlouquecer a todos nós. Concordo com a sua idéia de que muitos problemas podem ser resolvidos sem o conhecimento das respectivas causas. Porém, no caso do flagelo linguistico, sendo ele de origem genética, penso que a causa do mal deva ser considerada. Ocorre que o homem criou a palavra com a dupla função de descrever a realidade e de alimentar fantasias de natureza instintiva. Assim a palavra se transformou numa arma de mentira e de destruição.
A ambiguidade da palavra, estimado Calvino, está impressa em nossos neurônios. **** Ela serve para o bem e para o mal. É ao mesmo tempo linda, maravihosa, cruel e mortífera.

* Isso = o desconhecimento dos cientistas a respeito do mal
**Usei o verbo pensar no seu sentido legitimo e não no sentido de seu simulacro, o verbo crer.
***A esquizofrenia linguistica é uma variante da esquizofrenia social que milagrosamente foi objeto de um livro de uma psicóloga brasileira- Elza Pádua. Trata-se de uma inovação mundial da qual a midia tem um pavor supremo. Como os midiáticos poderiam combater a maior  fonte dos seus lucros?  (esquizofrenia social é uma expressão da autora e a esquizofrenia linguistica ficou por minha conta...Paciência! )
**** Não estou fazendo uso de uma metáfora ao afirmar a origem genética da ambiguidade linguística. Se quisermos aprimorar a estratégia da precisão linguistica é recomendável reduzirmos ao máximo o uso das metáforas. A origem genética citada constitui uma hipótese que talvez nunca venha a ser comprovada. Formular hipóteses que não podem ser testadas ou comprovadas é um dos ônus da ciência. Outro ônus da ciência é ser submissa aos politicos que não conseguem se livrar do instinto da guerra e de outros instintos malévolos como o da dominação,  que chamam de "Poder".  Para os politicos a ambição pelo poder é algo natural da espécie humana. É natural mesmo! Por isso a cultura é incapaz de extirpar esse mal.
Mtnos Calil



Com a palavra Italo Calvino (
Escritor italiano, 1923-1985) que morreu antes de proferir uma palestra em Harvard que ficou registrada num texto datilografado:
  • A precisão, para os antigos egípcios, era simbolizada por uma pluma que servia de peso num dos pratos da balança em que se pesavam as almas. Essa pluma levíssima tinha o nome de Maat, deusa da balança. O hieróglifo de Maat indicava igualmente a unidade de comprimento — os 33 cm do tijolo unitário — e também o tom fundamental da flauta.
  • Essas informações provêm de uma conferência de Giorgio de Santillana sobre a precisão dos antigos no observar dos fenômenos celestes, conferência que ouvi na Itália em 1963 e que exerceu sobre mim profunda influência. Desde que aqui cheguei, tenho pensado freqüentemente em Santillana, por ter sido ele o meu cicerone em Massachusetts quando de minha primeira visita a este país em 1960. Em lembrança de sua amizade, abro esta conferência sobre a exatidão na literatura invocando o nome de Maat, a deusa da balança. Tanto mais que Balança é o meu signo zodiacal.
  • Antes de mais nada, procurarei definir o tema. Para mim, exatidão quer dizer principalmente três coisas: (1) um projeto de obra bem definido e calculado; (2) a evocação de imagens visuais nítidas, incisivas, memoráveis: temos em italiano um adjetivo que não existe em inglês, icastico, do grego eikastikos; (3) uma linguagem que seja a mais precisa possível como léxico e em sua capacidade de traduzir as nuanças do pensamento e da imaginação.
  • Por que me vem a necessidade de defender valores que a muitos parecerão simplesmente óbvios? Creio que o meu primeiro impulso decorra de uma hipersensibilidade ou alergia pessoal: a linguagem me parece sempre usada de modo aproximativo, casual, descuidado, e isso me causa intolerável repúdio. Que não vejam nessa reação minha um sinal de intolerância para com o próximo: sinto um repúdio ainda maior quando me ouço a mim mesmo. Por isso procuro falar o mínimo possível, e se prefiro escrever é que, escrevendo, posso emendar cada frase tantas vezes quanto ache necessário para chegar, não digo a me sentir satisfeito com minhas palavras, mas pelo menos a eliminar as razões de insatisfação de que me posso dar conta. A literatura — quero dizer, aquela que responde a essas exigências — é a Terra Prometida em que a linguagem se torna aquilo que na verdade deveria ser.
  • Às vezes me parece que uma epidemia pestilenta atingiu a humanidade inteira em sua faculdade mais característica, ou seja, no uso da palavra, consistindo essa peste da língua numa perda de força cognoscitiva e de imediaticidade, como um automatismo que tendesse a nivelar a expressão em fórmulas mais genéricas, anônimas, abstratas, a diluir os significados, a embotar os pontos expressivos, a extinguir toda centelha que crepite no encontro das palavras com novas circunstâncias.
  • Não me interessa aqui indagar se as origens dessa epidemia devam ser pesquisadas na política, na ideologia, na uniformidade burocrática, na homogeneização dos mass-media ou na difusão acadêmica de uma cultura média. O que me interessa são as possibilidades de salvação. A literatura (e talvez somente a literatura) pode criar os anticorpos que coíbam a expansão desse flagelo lingüístico.”
 
Seis propostas para o próximo milênio — “Exatidão” — Tradução de Ivo Barroso. (Companhia das Letras, 1991)
 
https://www.google.com.br/webhp?sourceid=chrome-instant&ion=1&espv=2&ie=UTF-8#q=livro+Exatid%C3%A3o%2C+Italo+Calvino+download

Sobre a Natureza da Ciência da Linguagem
http://www.pucrs.br/letras/pos/logica/natcien.htm
( Uma questão problemática de Filosofia da Lingüística)
Considere a afirmação (a) e as perguntas (b) e (c) relativas a (a):
  1. A Lingüística é a ciência da linguagem humana.
  2. Qual a natureza de seu método?
  3. Qual a natureza de seu objeto?
Enquanto (a) representa, certamente, uma afirmação verdadeira e trivial para a comunidade mais ampla dos lingüistas, (b) e (c) são perguntas sobre as quais não há absolutamente consenso, e que determinam um debate de extrema sofisticação mesmo que entre membros da mesma escola.

De fato, ainda que imprecisa e panorâmica, uma breve inspeção na história contemporânea da Lingüistica já é suficiente para justificar a constatação de que há um inegável desacordo entre alguns dos mais expressivos teóricos dessa disciplina. Para Saussure (1916), (a) é uma afirmação verdadeira desde que a resposta a (c) considere a linguagem humana constituída essencialmente pela língua, enquanto conjunto de signos depositado na mente dos usuários pela prática pessoal da fala e desde que a resposta a (b) defina a Lingüística como um ramo da Semiologia ou Psicologia Social, entendidas como uma espécie de Teoria da Comunicação; Chomsky (1986) também aceita, (a), mas não concordaria, absolutamente, com a resposta a (b) e (c) de seu antecessor.

Para o fundador da teoria gerativista, a faculdade da linguagem é a expressão de uma propriedade inata da natureza humana, cujo caráter essencial é uma espécie de gramática universal geneticamente determinada, e isso responde a (c). Quanto a (b), Chomsky considera que a Lingüística é um ramo da Psicologia Cognitiva, como ciência natural capaz de explicar como tal propriedade da mente/cérebro do ser humano se constitui e como possibilita a aquisição, o conhecimento e o uso da linguagem.

Contemporâneo de Chomsky e um dos seus mais expressivos adversários teóricos, Montague (1970) somente poderia aceitar (a) desde que a resposta a (c) seja encaminhada no sentido de que a linguagem natural não se distingue, em sua essência, das linguagens construídas e desde que a resposta a (bobtenha a firmação de que a Lingüística é um ramo da matemática enquanto ciência formal.
Considere agora mais duas questões:
d) Se a Lingüística é a ciência da linguagem humana, que disciplina estuda os fundamentos de tal ciência?
e) Como se constitui tal disciplina?
A resposta a (d) envolve algumas observações preliminares. Toda a disciplina vai-se estabelecendo, historicamente, em sua cientificidade, mediante uma construção de conhecimentos proporcionados pela justa relação entre seu método e seu objeto, justificada pela plausibilidade de seus fundamentos. A construção propriamente dita caracteriza a teoria científica como tal; o estudo dos seus fundamentos, a filosofia daquela disciplina. Tal tem sido a história da Lingüística; paralelamente ao desenvolvimento de sua teoria, vão-se estabelecendo os fundamentos que a sustentam.

É justamente por isso, aliás, que os pioneiros de sua história como ciência têm sido, ao mesmo tempo, cientistas e filósofos de sua disciplina. Se Saussure, Chomsky e Montague, entre outros, trouxeram uma reconhecida contribuição a sua área de conhecimento é, sem dúvida, porque fizeram, concomitantemente, ciência e filosofia. Nesse sentido, então, encaminha-se para (d), a resposta de que se a Lingüística é a ciência da linguagem humana, a Filosofia da Lingüística é a disciplina que estuda os fundamentos de tal ciência.
A abordagem da questão (e) também merece algumas prévias considerações. Se a história da Lingüística, como se sugeriu, tem sido acompanhada pela história da Filosofia da Lingüística, é bem verdade que o desenvolvimento desta última tem ocorrido de forma intrínseca ao desenvolvimento da primeira. Isto significa, em última análise, que o estudo da teoria e de seus fundamentos tem avançado de maneira naturalmente conjugada de modo a não parece necessário o estabelecimento de uma disciplina específica como Filosofia da Lingüística. Realmente, parece trivial que a filosofia de uma área de conhecimento, que começa a construir-se como ciência, constitua-se, inicialmente, de forma implícita, para só ocupar um espaço mais específico a posteriori.

Nesses termos, se a Lingüística teórica é uma disciplina que apenas nesse século começa a solidificar-se em seu estatuto de cientificidade, é razoável que só agora a Filosofia da Lingüística comece a estabelecer-se como uma necessidade própria de investigação. Conseqüência disso, as formas de se encaminhar tal disciplina, o que constituiria a sua metodologia, não são senão alguns princípios muito gerais que podem ser sistematizados de maneira a tornar o estudo dos fundamentos da Lingüística consistente a ponto de caracterizá-la naquilo em que ela se pretende rigorosa e de esclarecê-la quanto às diversas formas de concebê-la. A resposta a (e), então, que propomos, passa por um pequeno conjunto de critérios cuja finalidade não é senão dotar a Filosofia da Lingüística de uma maior capacidade de avaliação das condições que constituem a disciplina que investiga.
1 Critério da Distinção entre Lingüística Pura e Aplicada
Trata-se de separar o conhecimento teórico a ser produzido com objetivos especificamente científicos, a saber, o da verdade sobre a natureza do objeto a ser esclarecido, do conhecimento aplicado diretamente a aspectos da realidade ou, indiretamente, através da relação com outras disciplinas. Por exemplo, trata-se de distinguir entre o conhecimento que busca, a partir do anterior, formas de ensinar uma segunda língua a uma criança.
2 Critério da distinção de Níveis de Constituição da Teoria Lingüística
A proposta aqui, é a de que se distingam os seguintes níveis: o nível da linguagem enquanto fenômeno geral acessível ao senso comum; o nível da linguagem enquanto objeto construído já no interior de uma teoria com perspectivas científicas; o nível da teoria lingüística, enquanto sistema de conceitos estruturados, o nível metateórico, ou de princípios que regem a metodologia de uma dada teoria lingüística e o nível de compromissos filosóficos, por exemplo, ontológicos, que sustentam todo o edifício teórico.
3 Critério de Tensão entre o Método Lingüístico e o seu Objeto
O critério acima sugere que se considere como essencial para o conhecimento científico a adequada tensão entre o método de investigação lingüística e as propriedades do seu objeto a serem esclarecidas. No interior de uma teoria lingüística, tal adequação consiste no surgimento de problemas que possam ser tratáveis e cujo tratamento permita originar problemas novos que caracterizam programas de investigação. Este critério sugere, ainda, que só dentro de tal relação é que se determina a relevância das propriedades do objeto e de seu método.
4 Critério da Distinção entre Propriedades Formais e Empíricas da Teoria Lingüística
Trata-se de distinguir a condição de uma teoria de adequar-se à experiência lingüística, considerando a evidência dos dados, da sua capacidade de expressar-se em uma linguagem formal, considerando-se questões de consistência, por exemplo, e outras.
5 Critério de Tensão entre Adequação Descritiva e Adequação Explanatória na Teoria Lingüística
Este critério consiste na necessidade de se entender o papel teórico da relação entre atividade de descrição lingüística e a de explanação. Sem descrição, a explanação pode ser indesejavelmente geral e sem valor explanatório, a descrição é vazia.
6 Critério da Avaliação Histórica dos Programas de Investigação Lingüística
Entende-se por este critério a condição de possibilidade de avaliação histórica dos resultados de um programa de pesquisa lingüística. Garante-se, através dele, a evolução da racionalidade científica na área, potencializando-se o progresso na construção de problemas lingüísticos relevantes e evitando-se a circularidade de propostas já ultrapassadas.
Uma vez caracterizados tais critérios, fica encaminhada a resposta à questão (e) e já se tem um conjunto mínimo de condições capazes de orientar o debate sobre (f), a problemática e central questão para a Filosofia da Lingüística, sugerida no início do presente texto.
(f) É a Lingüística uma ciência natural, formal ou social?

Referências Bibliográficas
CHOMSKY, N. (1984) Modular Approaches to the Study of the Mind. San Diego: San Diego University Press.
CHOMSKY, N. (1986) Knowledge of Language. Its Nature, Origin and Use. New York. Praeger
CHOMSKY, N. (1993) Language and Thought. London. Moyer Bell.
EARMAN, j. (ed) (1972) Inference, Explanation and Other Frustrations - Essays in the Philosophy of Science. Berckeley. University of California Press.
KATZ, J. (1985) The Philosophy of Linguistics. Oxford. Oxford University Press.
MONTAGUE,R.(1970) Formal Philosophy. New Haven. Yale University Press.
SAUSSURE, F. (1916/1974) Cours de Linguistique Générale. Paris. Payot.


------=_Part_692276_2011)

SUBJECT: Re: [ciencialist] Manual da linguagem cientifica - Só a ciência pode nos salvar deste flagelo
FROM: Mtnos Calil <mtnoscalil@terra.com.br>
TO: <ciencialist@yahoogrupos.com.br>
DATE: 11/05/2015 19:17

O que V.Sa. quiz dizer com o termo "condições"? 

MC

Ps. Lembro que no saco de BW cabem 30 palavras (para este assunto). E o saco do PB não se sentiu inflado com 41 palavras! 



On Seg 11/05/15 19:12 , "'Alberto Mesquita Filho' albmesq@uol.com.br [ciencialist]" ciencialist@yahoogrupos.com.br sent:
 

Nestas condições utilizo uma única palavra: EXCLUIR.
 
[ ]´s
Alberto
http://ecientificocultural.com.br
Mas indiferentemente a tudo isso, o elétron não é uma carga elétrica
coulombiana e a Terra se move. E a história se repetirá.
 
 
Sent: Monday, May 11, 2015 6:02 PM
Subject: Re: Re: [ciencialist] Manual da linguagem cientifica - Só a ciência pode nos salvar deste flagelo
 
 

O texto que fala do flagelo possui 1104 palavras.
Me informe por gentileza qual é, aproximadamente,  a quantidade de palavras que cabe no seu saco
Obrigado!
M.Calil

Em Seg 11/05/15 17:43, Belmiro Wolski belmirow@yahoo.com.br [ciencialist] ciencialist@yahoogrupos.com.br escreveu:

 
Muito longo...
Faltou saco!
*BW*
 


Em Segunda-feira, 11 de Maio de 2015 17:39, "Mtnos Calil" mtnoscalil@terra.com.br [ciencialist]" escreveu:
 
 
                                       Narrativa sobre o flagelo linguístico que assola a humanidade

"...uma epidemia pestilenta atingiu a humanidade inteira em sua faculdade mais característica, ou seja, no uso da palavra, consistindo essa peste da língua numa perda de força cognoscitiva.   Não me interessa aqui indagar se as origens dessa epidemia devam ser pesquisadas na política, na ideologia, na uniformidade burocrática, na homogeneização dos mass-media ou na difusão acadêmica de uma cultura média. O que me interessa são as possibilidades de salvação. A literatura (e talvez somente a literatura) pode criar os anticorpos que coíbam a expansão desse flagelo lingüístico.” -  Italo Calvino, escritor italiano falecido em 1985

Perdão Italo Calvino, que agora está na companhia dos deuses da precisão linguística: não é a literatura que vai nos salvar deste terrível flagelo que requer uma intervenção cirúrgica cientifica. A ciência que poderia salvar a humanidade do flagelo linguistico é a "ciência da linguagem" que ainda não está devidamente estruturada. Para se estruturar sistemicamente, a linguística precisaria se livrar de outro flagelo da ciência que é especialização. Uma ciência da linguagem humana (ou mesmo não humana) só poderá adquirir uma configuração sistêmica se trabalhar em conjunto com outras ciências como a psicologia, a biologia, a antropologia.

Quanto ao flagelo linguístico, o mais grave  é que os cientistas ainda nem tomaram conhecimento da doença, da qual eles próprios foram vitimados. Por isso*, penso** que estamos condenados a viver nesta pandemia enquanto a esquizofrenia linguistica*** não enlouquecer a todos nós. Concordo com a sua idéia de que muitos problemas podem ser resolvidos sem o conhecimento das respectivas causas. Porém, no caso do flagelo linguistico, sendo ele de origem genética, penso que a causa do mal deva ser considerada. Ocorre que o homem criou a palavra com a dupla função de descrever a realidade e de alimentar fantasias de natureza instintiva. Assim a palavra se transformou numa arma de mentira e de destruição.
A ambiguidade da palavra, estimado Calvino, está impressa em nossos neurônios. **** Ela serve para o bem e para o mal. É ao mesmo tempo linda, maravihosa, cruel e mortífera.

* Isso = o desconhecimento dos cientistas a respeito do mal
**Usei o verbo pensar no seu sentido legitimo e não no sentido de seu simulacro, o verbo crer.
***A esquizofrenia linguistica é uma variante da esquizofrenia social que milagrosamente foi objeto de um livro de uma psicóloga brasileira- Elza Pádua. Trata-se de uma inovação mundial da qual a midia tem um pavor supremo. Como os midiáticos poderiam combater a maior  fonte dos seus lucros?  (esquizofrenia social é uma expressão da autora e a esquizofrenia linguistica ficou por minha conta...Paciência! )
**** Não estou fazendo uso de uma metáfora ao afirmar a origem genética da ambiguidade linguística. Se quisermos aprimorar a estratégia da precisão linguistica é recomendável reduzirmos ao máximo o uso das metáforas. A origem genética citada constitui uma hipótese que talvez nunca venha a ser comprovada. Formular hipóteses que não podem ser testadas ou comprovadas é um dos ônus da ciência. Outro ônus da ciência é ser submissa aos politicos que não conseguem se livrar do instinto da guerra e de outros instintos malévolos como o da dominação,  que chamam de "Poder".  Para os politicos a ambição pelo poder é algo natural da espécie humana. É natural mesmo! Por isso a cultura é incapaz de extirpar esse mal.
Mtnos Calil



Com a palavra Italo Calvino (
Escritor italiano, 1923-1985) que morreu antes de proferir uma palestra em Harvard que ficou registrada num texto datilografado:
  • A precisão, para os antigos egípcios, era simbolizada por uma pluma que servia de peso num dos pratos da balança em que se pesavam as almas. Essa pluma levíssima tinha o nome de Maat, deusa da balança. O hieróglifo de Maat indicava igualmente a unidade de comprimento — os 33 cm do tijolo unitário — e também o tom fundamental da flauta.
  • Essas informações provêm de uma conferência de Giorgio de Santillana sobre a precisão dos antigos no observar dos fenômenos celestes, conferência que ouvi na Itália em 1963 e que exerceu sobre mim profunda influência. Desde que aqui cheguei, tenho pensado freqüentemente em Santillana, por ter sido ele o meu cicerone em Massachusetts quando de minha primeira visita a este país em 1960. Em lembrança de sua amizade, abro esta conferência sobre a exatidão na literatura invocando o nome de Maat, a deusa da balança. Tanto mais que Balança é o meu signo zodiacal.
  • Antes de mais nada, procurarei definir o tema. Para mim, exatidão quer dizer principalmente três coisas: (1) um projeto de obra bem definido e calculado; (2) a evocação de imagens visuais nítidas, incisivas, memoráveis: temos em italiano um adjetivo que não existe em inglês, icastico, do grego eikastikos; (3) uma linguagem que seja a mais precisa possível como léxico e em sua capacidade de traduzir as nuanças do pensamento e da imaginação.
  • Por que me vem a necessidade de defender valores que a muitos parecerão simplesmente óbvios? Creio que o meu primeiro impulso decorra de uma hipersensibilidade ou alergia pessoal: a linguagem me parece sempre usada de modo aproximativo, casual, descuidado, e isso me causa intolerável repúdio. Que não vejam nessa reação minha um sinal de intolerância para com o próximo: sinto um repúdio ainda maior quando me ouço a mim mesmo. Por isso procuro falar o mínimo possível, e se prefiro escrever é que, escrevendo, posso emendar cada frase tantas vezes quanto ache necessário para chegar, não digo a me sentir satisfeito com minhas palavras, mas pelo menos a eliminar as razões de insatisfação de que me posso dar conta. A literatura — quero dizer, aquela que responde a essas exigências — é a Terra Prometida em que a linguagem se torna aquilo que na verdade deveria ser.
  • Às vezes me parece que uma epidemia pestilenta atingiu a humanidade inteira em sua faculdade mais característica, ou seja, no uso da palavra, consistindo essa peste da língua numa perda de força cognoscitiva e de imediaticidade, como um automatismo que tendesse a nivelar a expressão em fórmulas mais genéricas, anônimas, abstratas, a diluir os significados, a embotar os pontos expressivos, a extinguir toda centelha que crepite no encontro das palavras com novas circunstâncias.
  • Não me interessa aqui indagar se as origens dessa epidemia devam ser pesquisadas na política, na ideologia, na uniformidade burocrática, na homogeneização dos mass-media ou na difusão acadêmica de uma cultura média. O que me interessa são as possibilidades de salvação. A literatura (e talvez somente a literatura) pode criar os anticorpos que coíbam a expansão desse flagelo lingüístico.”
 
Seis propostas para o próximo milênio — “Exatidão” — Tradução de Ivo Barroso. (Companhia das Letras, 1991)
 
https://www.google.com.br/webhp?sourceid=chrome-instant&ion=1&espv=2&ie=UTF-8#q=livro+Exatid%C3%A3o%2C+Italo+Calvino+download

Sobre a Natureza da Ciência da Linguagem
http://www.pucrs.br/letras/pos/logica/natcien.htm
( Uma questão problemática de Filosofia da Lingüística)
Considere a afirmação (a) e as perguntas (b) e (c) relativas a (a):
  1. A Lingüística é a ciência da linguagem humana.
  2. Qual a natureza de seu método?
  3. Qual a natureza de seu objeto?
Enquanto (a) representa, certamente, uma afirmação verdadeira e trivial para a comunidade mais ampla dos lingüistas, (b) e (c) são perguntas sobre as quais não há absolutamente consenso, e que determinam um debate de extrema sofisticação mesmo que entre membros da mesma escola.

De fato, ainda que imprecisa e panorâmica, uma breve inspeção na história contemporânea da Lingüistica já é suficiente para justificar a constatação de que há um inegável desacordo entre alguns dos mais expressivos teóricos dessa disciplina. Para Saussure (1916), (a) é uma afirmação verdadeira desde que a resposta a (c) considere a linguagem humana constituída essencialmente pela língua, enquanto conjunto de signos depositado na mente dos usuários pela prática pessoal da fala e desde que a resposta a (b) defina a Lingüística como um ramo da Semiologia ou Psicologia Social, entendidas como uma espécie de Teoria da Comunicação; Chomsky (1986) também aceita, (a), mas não concordaria, absolutamente, com a resposta a (b) e (c) de seu antecessor.

Para o fundador da teoria gerativista, a faculdade da linguagem é a expressão de uma propriedade inata da natureza humana, cujo caráter essencial é uma espécie de gramática universal geneticamente determinada, e isso responde a (c). Quanto a (b), Chomsky considera que a Lingüística é um ramo da Psicologia Cognitiva, como ciência natural capaz de explicar como tal propriedade da mente/cérebro do ser humano se constitui e como possibilita a aquisição, o conhecimento e o uso da linguagem.

Contemporâneo de Chomsky e um dos seus mais expressivos adversários teóricos, Montague (1970) somente poderia aceitar (a) desde que a resposta a (c) seja encaminhada no sentido de que a linguagem natural não se distingue, em sua essência, das linguagens construídas e desde que a resposta a (bobtenha a firmação de que a Lingüística é um ramo da matemática enquanto ciência formal.
Considere agora mais duas questões:
d) Se a Lingüística é a ciência da linguagem humana, que disciplina estuda os fundamentos de tal ciência?
e) Como se constitui tal disciplina?
A resposta a (d) envolve algumas observações preliminares. Toda a disciplina vai-se estabelecendo, historicamente, em sua cientificidade, mediante uma construção de conhecimentos proporcionados pela justa relação entre seu método e seu objeto, justificada pela plausibilidade de seus fundamentos. A construção propriamente dita caracteriza a teoria científica como tal; o estudo dos seus fundamentos, a filosofia daquela disciplina. Tal tem sido a história da Lingüística; paralelamente ao desenvolvimento de sua teoria, vão-se estabelecendo os fundamentos que a sustentam.

É justamente por isso, aliás, que os pioneiros de sua história como ciência têm sido, ao mesmo tempo, cientistas e filósofos de sua disciplina. Se Saussure, Chomsky e Montague, entre outros, trouxeram uma reconhecida contribuição a sua área de conhecimento é, sem dúvida, porque fizeram, concomitantemente, ciência e filosofia. Nesse sentido, então, encaminha-se para (d), a resposta de que se a Lingüística é a ciência da linguagem humana, a Filosofia da Lingüística é a disciplina que estuda os fundamentos de tal ciência.
A abordagem da questão (e) também merece algumas prévias considerações. Se a história da Lingüística, como se sugeriu, tem sido acompanhada pela história da Filosofia da Lingüística, é bem verdade que o desenvolvimento desta última tem ocorrido de forma intrínseca ao desenvolvimento da primeira. Isto significa, em última análise, que o estudo da teoria e de seus fundamentos tem avançado de maneira naturalmente conjugada de modo a não parece necessário o estabelecimento de uma disciplina específica como Filosofia da Lingüística. Realmente, parece trivial que a filosofia de uma área de conhecimento, que começa a construir-se como ciência, constitua-se, inicialmente, de forma implícita, para só ocupar um espaço mais específico a posteriori.

Nesses termos, se a Lingüística teórica é uma disciplina que apenas nesse século começa a solidificar-se em seu estatuto de cientificidade, é razoável que só agora a Filosofia da Lingüística comece a estabelecer-se como uma necessidade própria de investigação. Conseqüência disso, as formas de se encaminhar tal disciplina, o que constituiria a sua metodologia, não são senão alguns princípios muito gerais que podem ser sistematizados de maneira a tornar o estudo dos fundamentos da Lingüística consistente a ponto de caracterizá-la naquilo em que ela se pretende rigorosa e de esclarecê-la quanto às diversas formas de concebê-la. A resposta a (e), então, que propomos, passa por um pequeno conjunto de critérios cuja finalidade não é senão dotar a Filosofia da Lingüística de uma maior capacidade de avaliação das condições que constituem a disciplina que investiga.
1 Critério da Distinção entre Lingüística Pura e Aplicada
Trata-se de separar o conhecimento teórico a ser produzido com objetivos especificamente científicos, a saber, o da verdade sobre a natureza do objeto a ser esclarecido, do conhecimento aplicado diretamente a aspectos da realidade ou, indiretamente, através da relação com outras disciplinas. Por exemplo, trata-se de distinguir entre o conhecimento que busca, a partir do anterior, formas de ensinar uma segunda língua a uma criança.
2 Critério da distinção de Níveis de Constituição da Teoria Lingüística
A proposta aqui, é a de que se distingam os seguintes níveis: o nível da linguagem enquanto fenômeno geral acessível ao senso comum; o nível da linguagem enquanto objeto construído já no interior de uma teoria com perspectivas científicas; o nível da teoria lingüística, enquanto sistema de conceitos estruturados, o nível metateórico, ou de princípios que regem a metodologia de uma dada teoria lingüística e o nível de compromissos filosóficos, por exemplo, ontológicos, que sustentam todo o edifício teórico.
3 Critério de Tensão entre o Método Lingüístico e o seu Objeto
O critério acima sugere que se considere como essencial para o conhecimento científico a adequada tensão entre o método de investigação lingüística e as propriedades do seu objeto a serem esclarecidas. No interior de uma teoria lingüística, tal adequação consiste no surgimento de problemas que possam ser tratáveis e cujo tratamento permita originar problemas novos que caracterizam programas de investigação. Este critério sugere, ainda, que só dentro de tal relação é que se determina a relevância das propriedades do objeto e de seu método.
4 Critério da Distinção entre Propriedades Formais e Empíricas da Teoria Lingüística
Trata-se de distinguir a condição de uma teoria de adequar-se à experiência lingüística, considerando a evidência dos dados, da sua capacidade de expressar-se em uma linguagem formal, considerando-se questões de consistência, por exemplo, e outras.
5 Critério de Tensão entre Adequação Descritiva e Adequação Explanatória na Teoria Lingüística
Este critério consiste na necessidade de se entender o papel teórico da relação entre atividade de descrição lingüística e a de explanação. Sem descrição, a explanação pode ser indesejavelmente geral e sem valor explanatório, a descrição é vazia.
6 Critério da Avaliação Histórica dos Programas de Investigação Lingüística
Entende-se por este critério a condição de possibilidade de avaliação histórica dos resultados de um programa de pesquisa lingüística. Garante-se, através dele, a evolução da racionalidade científica na área, potencializando-se o progresso na construção de problemas lingüísticos relevantes e evitando-se a circularidade de propostas já ultrapassadas.
Uma vez caracterizados tais critérios, fica encaminhada a resposta à questão (e) e já se tem um conjunto mínimo de condições capazes de orientar o debate sobre (f), a problemática e central questão para a Filosofia da Lingüística, sugerida no início do presente texto.
(f) É a Lingüística uma ciência natural, formal ou social?

Referências Bibliográficas
CHOMSKY, N. (1984) Modular Approaches to the Study of the Mind. San Diego: San Diego University Press.
CHOMSKY, N. (1986) Knowledge of Language. Its Nature, Origin and Use. New York. Praeger
CHOMSKY, N. (1993) Language and Thought. London. Moyer Bell.
EARMAN, j. (ed) (1972) Inference, Explanation and Other Frustrations - Essays in the Philosophy of Science. Berckeley. University of California Press.
KATZ, J. (1985) The Philosophy of Linguistics. Oxford. Oxford University Press.
MONTAGUE,R.(1970) Formal Philosophy. New Haven. Yale University Press.
SAUSSURE, F. (1916/1974) Cours de Linguistique Générale. Paris. Payot.


------=_Part_692276_2011)



SUBJECT: Re: [ciencialist] Manual da linguagem cientifica - Só a ciência pode nos salvar deste flagelo
FROM: "Alberto Mesquita Filho" <albmesq@uol.com.br>
TO: <ciencialist@yahoogrupos.com.br>
DATE: 11/05/2015 23:49

Utilizei a palavra fora do contexto, mas como estamos em uma fase de economizar palavras e para o bom entendedor meia palavra basta, vou parar por aqui (27 palavras).
 
[ ]´s
Alberto
http://ecientificocultural.com.br
Mas indiferentemente a tudo isso, o elétron não é uma carga elétrica
coulombiana e a Terra se move. E a história se repetirá.
 
 
 
Sent: Monday, May 11, 2015 7:17 PM
Subject: Re: [ciencialist] Manual da linguagem cientifica - Só a ciência pode nos salvar deste flagelo
 
 

O que V.Sa. quiz dizer com o termo "condições"?

 
MC
 
Ps. Lembro que no saco de BW cabem 30 palavras (para este assunto). E o saco do PB não se sentiu inflado com 41 palavras!



On Seg 11/05/15 19:12 , "'Alberto Mesquita Filho' albmesq@uol.com.br [ciencialist]" ciencialist@yahoogrupos.com.br sent:
 
Nestas condições utilizo uma única palavra: EXCLUIR.
 
[ ]´s
Alberto
http://ecientificocultural.com.br
Mas indiferentemente a tudo isso, o elétron não é uma carga elétrica
coulombiana e a Terra se move. E a história se repetirá.
 
 
Sent: Monday, May 11, 2015 6:02 PM
Subject: Re: Re: [ciencialist] Manual da linguagem cientifica - Só a ciência pode nos salvar deste flagelo
 
 

O texto que fala do flagelo possui 1104 palavras.
Me informe por gentileza qual é, aproximadamente,  a quantidade de palavras que cabe no seu saco
Obrigado!
M.Calil

Em Seg 11/05/15 17:43, Belmiro Wolski belmirow@yahoo.com.br [ciencialist] ciencialist@yahoogrupos.com.br escreveu:

 
Muito longo...
Faltou saco!
*BW*
 


Em Segunda-feira, 11 de Maio de 2015 17:39, "Mtnos Calil" mtnoscalil@terra.com.br [ciencialist]" escreveu:
 
 
                                       Narrativa sobre o flagelo linguístico que assola a humanidade

"...uma epidemia pestilenta atingiu a humanidade inteira em sua faculdade mais característica, ou seja, no uso da palavra, consistindo essa peste da língua numa perda de força cognoscitiva.   Não me interessa aqui indagar se as origens dessa epidemia devam ser pesquisadas na política, na ideologia, na uniformidade burocrática, na homogeneização dos mass-media ou na difusão acadêmica de uma cultura média. O que me interessa são as possibilidades de salvação. A literatura (e talvez somente a literatura) pode criar os anticorpos que coíbam a expansão desse flagelo lingüístico.” -  Italo Calvino, escritor italiano falecido em 1985

Perdão Italo Calvino, que agora está na companhia dos deuses da precisão linguística: não é a literatura que vai nos salvar deste terrível flagelo que requer uma intervenção cirúrgica cientifica. A ciência que poderia salvar a humanidade do flagelo linguistico é a "ciência da linguagem" que ainda não está devidamente estruturada. Para se estruturar sistemicamente, a linguística precisaria se livrar de outro flagelo da ciência que é especialização. Uma ciência da linguagem humana (ou mesmo não humana) só poderá adquirir uma configuração sistêmica se trabalhar em conjunto com outras ciências como a psicologia, a biologia, a antropologia.

Quanto ao flagelo linguístico, o mais grave  é que os cientistas ainda nem tomaram conhecimento da doença, da qual eles próprios foram vitimados. Por isso*, penso** que estamos condenados a viver nesta pandemia enquanto a esquizofrenia linguistica*** não enlouquecer a todos nós. Concordo com a sua idéia de que muitos problemas podem ser resolvidos sem o conhecimento das respectivas causas. Porém, no caso do flagelo linguistico, sendo ele de origem genética, penso que a causa do mal deva ser considerada. Ocorre que o homem criou a palavra com a dupla função de descrever a realidade e de alimentar fantasias de natureza instintiva. Assim a palavra se transformou numa arma de mentira e de destruição.
A ambiguidade da palavra, estimado Calvino, está impressa em nossos neurônios. **** Ela serve para o bem e para o mal. É ao mesmo tempo linda, maravihosa, cruel e mortífera.

* Isso = o desconhecimento dos cientistas a respeito do mal
**Usei o verbo pensar no seu sentido legitimo e não no sentido de seu simulacro, o verbo crer.
***A esquizofrenia linguistica é uma variante da esquizofrenia social que milagrosamente foi objeto de um livro de uma psicóloga brasileira- Elza Pádua. Trata-se de uma inovação mundial da qual a midia tem um pavor supremo. Como os midiáticos poderiam combater a maior  fonte dos seus lucros?  (esquizofrenia social é uma expressão da autora e a esquizofrenia linguistica ficou por minha conta...Paciência! )
**** Não estou fazendo uso de uma metáfora ao afirmar a origem genética da ambiguidade linguística. Se quisermos aprimorar a estratégia da precisão linguistica é recomendável reduzirmos ao máximo o uso das metáforas. A origem genética citada constitui uma hipótese que talvez nunca venha a ser comprovada. Formular hipóteses que não podem ser testadas ou comprovadas é um dos ônus da ciência. Outro ônus da ciência é ser submissa aos politicos que não conseguem se livrar do instinto da guerra e de outros instintos malévolos como o da dominação,  que chamam de "Poder".  Para os politicos a ambição pelo poder é algo natural da espécie humana. É natural mesmo! Por isso a cultura é incapaz de extirpar esse mal.
Mtnos Calil



Com a palavra Italo Calvino (
Escritor italiano, 1923-1985) que morreu antes de proferir uma palestra em Harvard que ficou registrada num texto datilografado:
  • A precisão, para os antigos egípcios, era simbolizada por uma pluma que servia de peso num dos pratos da balança em que se pesavam as almas. Essa pluma levíssima tinha o nome de Maat, deusa da balança. O hieróglifo de Maat indicava igualmente a unidade de comprimento — os 33 cm do tijolo unitário — e também o tom fundamental da flauta.
  • Essas informações provêm de uma conferência de Giorgio de Santillana sobre a precisão dos antigos no observar dos fenômenos celestes, conferência que ouvi na Itália em 1963 e que exerceu sobre mim profunda influência. Desde que aqui cheguei, tenho pensado freqüentemente em Santillana, por ter sido ele o meu cicerone em Massachusetts quando de minha primeira visita a este país em 1960. Em lembrança de sua amizade, abro esta conferência sobre a exatidão na literatura invocando o nome de Maat, a deusa da balança. Tanto mais que Balança é o meu signo zodiacal.
  • Antes de mais nada, procurarei definir o tema. Para mim, exatidão quer dizer principalmente três coisas: (1) um projeto de obra bem definido e calculado; (2) a evocação de imagens visuais nítidas, incisivas, memoráveis: temos em italiano um adjetivo que não existe em inglês, icastico, do grego eikastikos; (3) uma linguagem que seja a mais precisa possível como léxico e em sua capacidade de traduzir as nuanças do pensamento e da imaginação.
  • Por que me vem a necessidade de defender valores que a muitos parecerão simplesmente óbvios? Creio que o meu primeiro impulso decorra de uma hipersensibilidade ou alergia pessoal: a linguagem me parece sempre usada de modo aproximativo, casual, descuidado, e isso me causa intolerável repúdio. Que não vejam nessa reação minha um sinal de intolerância para com o próximo: sinto um repúdio ainda maior quando me ouço a mim mesmo. Por isso procuro falar o mínimo possível, e se prefiro escrever é que, escrevendo, posso emendar cada frase tantas vezes quanto ache necessário para chegar, não digo a me sentir satisfeito com minhas palavras, mas pelo menos a eliminar as razões de insatisfação de que me posso dar conta. A literatura — quero dizer, aquela que responde a essas exigências — é a Terra Prometida em que a linguagem se torna aquilo que na verdade deveria ser.
  • Às vezes me parece que uma epidemia pestilenta atingiu a humanidade inteira em sua faculdade mais característica, ou seja, no uso da palavra, consistindo essa peste da língua numa perda de força cognoscitiva e de imediaticidade, como um automatismo que tendesse a nivelar a expressão em fórmulas mais genéricas, anônimas, abstratas, a diluir os significados, a embotar os pontos expressivos, a extinguir toda centelha que crepite no encontro das palavras com novas circunstâncias.
  • Não me interessa aqui indagar se as origens dessa epidemia devam ser pesquisadas na política, na ideologia, na uniformidade burocrática, na homogeneização dos mass-media ou na difusão acadêmica de uma cultura média. O que me interessa são as possibilidades de salvação. A literatura (e talvez somente a literatura) pode criar os anticorpos que coíbam a expansão desse flagelo lingüístico.”
 
Seis propostas para o próximo milênio — “Exatidão” — Tradução de Ivo Barroso. (Companhia das Letras, 1991)
 
https://www.google.com.br/webhp?sourceid=chrome-instant&ion=1&espv=2&ie=UTF-8#q=livro+Exatid%C3%A3o%2C+Italo+Calvino+download

Sobre a Natureza da Ciência da Linguagem
http://www.pucrs.br/letras/pos/logica/natcien.htm
( Uma questão problemática de Filosofia da Lingüística)
Considere a afirmação (a) e as perguntas (b) e (c) relativas a (a):
  1. A Lingüística é a ciência da linguagem humana.
  2. Qual a natureza de seu método?
  3. Qual a natureza de seu objeto?
Enquanto (a) representa, certamente, uma afirmação verdadeira e trivial para a comunidade mais ampla dos lingüistas, (b) e (c) são perguntas sobre as quais não há absolutamente consenso, e que determinam um debate de extrema sofisticação mesmo que entre membros da mesma escola.

De fato, ainda que imprecisa e panorâmica, uma breve inspeção na história contemporânea da Lingüistica já é suficiente para justificar a constatação de que há um inegável desacordo entre alguns dos mais expressivos teóricos dessa disciplina. Para Saussure (1916), (a) é uma afirmação verdadeira desde que a resposta a (c) considere a linguagem humana constituída essencialmente pela língua, enquanto conjunto de signos depositado na mente dos usuários pela prática pessoal da fala e desde que a resposta a (b) defina a Lingüística como um ramo da Semiologia ou Psicologia Social, entendidas como uma espécie de Teoria da Comunicação; Chomsky (1986) também aceita, (a), mas não concordaria, absolutamente, com a resposta a (b) e (c) de seu antecessor.

Para o fundador da teoria gerativista, a faculdade da linguagem é a expressão de uma propriedade inata da natureza humana, cujo caráter essencial é uma espécie de gramática universal geneticamente determinada, e isso responde a (c). Quanto a (b), Chomsky considera que a Lingüística é um ramo da Psicologia Cognitiva, como ciência natural capaz de explicar como tal propriedade da mente/cérebro do ser humano se constitui e como possibilita a aquisição, o conhecimento e o uso da linguagem.

Contemporâneo de Chomsky e um dos seus mais expressivos adversários teóricos, Montague (1970) somente poderia aceitar (a) desde que a resposta a (c) seja encaminhada no sentido de que a linguagem natural não se distingue, em sua essência, das linguagens construídas e desde que a resposta a (bobtenha a firmação de que a Lingüística é um ramo da matemática enquanto ciência formal.
Considere agora mais duas questões:
d) Se a Lingüística é a ciência da linguagem humana, que disciplina estuda os fundamentos de tal ciência?
e) Como se constitui tal disciplina?
A resposta a (d) envolve algumas observações preliminares. Toda a disciplina vai-se estabelecendo, historicamente, em sua cientificidade, mediante uma construção de conhecimentos proporcionados pela justa relação entre seu método e seu objeto, justificada pela plausibilidade de seus fundamentos. A construção propriamente dita caracteriza a teoria científica como tal; o estudo dos seus fundamentos, a filosofia daquela disciplina. Tal tem sido a história da Lingüística; paralelamente ao desenvolvimento de sua teoria, vão-se estabelecendo os fundamentos que a sustentam.

É justamente por isso, aliás, que os pioneiros de sua história como ciência têm sido, ao mesmo tempo, cientistas e filósofos de sua disciplina. Se Saussure, Chomsky e Montague, entre outros, trouxeram uma reconhecida contribuição a sua área de conhecimento é, sem dúvida, porque fizeram, concomitantemente, ciência e filosofia. Nesse sentido, então, encaminha-se para (d), a resposta de que se a Lingüística é a ciência da linguagem humana, a Filosofia da Lingüística é a disciplina que estuda os fundamentos de tal ciência.
A abordagem da questão (e) também merece algumas prévias considerações. Se a história da Lingüística, como se sugeriu, tem sido acompanhada pela história da Filosofia da Lingüística, é bem verdade que o desenvolvimento desta última tem ocorrido de forma intrínseca ao desenvolvimento da primeira. Isto significa, em última análise, que o estudo da teoria e de seus fundamentos tem avançado de maneira naturalmente conjugada de modo a não parece necessário o estabelecimento de uma disciplina específica como Filosofia da Lingüística. Realmente, parece trivial que a filosofia de uma área de conhecimento, que começa a construir-se como ciência, constitua-se, inicialmente, de forma implícita, para só ocupar um espaço mais específico a posteriori.

Nesses termos, se a Lingüística teórica é uma disciplina que apenas nesse século começa a solidificar-se em seu estatuto de cientificidade, é razoável que só agora a Filosofia da Lingüística comece a estabelecer-se como uma necessidade própria de investigação. Conseqüência disso, as formas de se encaminhar tal disciplina, o que constituiria a sua metodologia, não são senão alguns princípios muito gerais que podem ser sistematizados de maneira a tornar o estudo dos fundamentos da Lingüística consistente a ponto de caracterizá-la naquilo em que ela se pretende rigorosa e de esclarecê-la quanto às diversas formas de concebê-la. A resposta a (e), então, que propomos, passa por um pequeno conjunto de critérios cuja finalidade não é senão dotar a Filosofia da Lingüística de uma maior capacidade de avaliação das condições que constituem a disciplina que investiga.
1 Critério da Distinção entre Lingüística Pura e Aplicada
Trata-se de separar o conhecimento teórico a ser produzido com objetivos especificamente científicos, a saber, o da verdade sobre a natureza do objeto a ser esclarecido, do conhecimento aplicado diretamente a aspectos da realidade ou, indiretamente, através da relação com outras disciplinas. Por exemplo, trata-se de distinguir entre o conhecimento que busca, a partir do anterior, formas de ensinar uma segunda língua a uma criança.
2 Critério da distinção de Níveis de Constituição da Teoria Lingüística
A proposta aqui, é a de que se distingam os seguintes níveis: o nível da linguagem enquanto fenômeno geral acessível ao senso comum; o nível da linguagem enquanto objeto construído já no interior de uma teoria com perspectivas científicas; o nível da teoria lingüística, enquanto sistema de conceitos estruturados, o nível metateórico, ou de princípios que regem a metodologia de uma dada teoria lingüística e o nível de compromissos filosóficos, por exemplo, ontológicos, que sustentam todo o edifício teórico.
3 Critério de Tensão entre o Método Lingüístico e o seu Objeto
O critério acima sugere que se considere como essencial para o conhecimento científico a adequada tensão entre o método de investigação lingüística e as propriedades do seu objeto a serem esclarecidas. No interior de uma teoria lingüística, tal adequação consiste no surgimento de problemas que possam ser tratáveis e cujo tratamento permita originar problemas novos que caracterizam programas de investigação. Este critério sugere, ainda, que só dentro de tal relação é que se determina a relevância das propriedades do objeto e de seu método.
4 Critério da Distinção entre Propriedades Formais e Empíricas da Teoria Lingüística
Trata-se de distinguir a condição de uma teoria de adequar-se à experiência lingüística, considerando a evidência dos dados, da sua capacidade de expressar-se em uma linguagem formal, considerando-se questões de consistência, por exemplo, e outras.
5 Critério de Tensão entre Adequação Descritiva e Adequação Explanatória na Teoria Lingüística
Este critério consiste na necessidade de se entender o papel teórico da relação entre atividade de descrição lingüística e a de explanação. Sem descrição, a explanação pode ser indesejavelmente geral e sem valor explanatório, a descrição é vazia.
6 Critério da Avaliação Histórica dos Programas de Investigação Lingüística
Entende-se por este critério a condição de possibilidade de avaliação histórica dos resultados de um programa de pesquisa lingüística. Garante-se, através dele, a evolução da racionalidade científica na área, potencializando-se o progresso na construção de problemas lingüísticos relevantes e evitando-se a circularidade de propostas já ultrapassadas.
Uma vez caracterizados tais critérios, fica encaminhada a resposta à questão (e) e já se tem um conjunto mínimo de condições capazes de orientar o debate sobre (f), a problemática e central questão para a Filosofia da Lingüística, sugerida no início do presente texto.
(f) É a Lingüística uma ciência natural, formal ou social?

Referências Bibliográficas
CHOMSKY, N. (1984) Modular Approaches to the Study of the Mind. San Diego: San Diego University Press.
CHOMSKY, N. (1986) Knowledge of Language. Its Nature, Origin and Use. New York. Praeger
CHOMSKY, N. (1993) Language and Thought. London. Moyer Bell.
EARMAN, j. (ed) (1972) Inference, Explanation and Other Frustrations - Essays in the Philosophy of Science. Berckeley. University of California Press.
KATZ, J. (1985) The Philosophy of Linguistics. Oxford. Oxford University Press.
MONTAGUE,R.(1970) Formal Philosophy. New Haven. Yale University Press.
SAUSSURE, F. (1916/1974) Cours de Linguistique Générale. Paris. Payot.


------=_Part_692276_2011)


SUBJECT: Re: Re: [ciencialist] Manual da linguagem cientifica - Só a ciência pode nos salvar deste flagelo
FROM: "Mtnos Calil" <mtnoscalil@terra.com.br>
TO: ciencialist@yahoogrupos.com.br
DATE: 12/05/2015 00:48

Ilmo. Dr. Alberto
 
1) Se considerarmos a sua longa assinatura, a sua mensagem teve 56 palavras. 
2) Obrigado por mais uma interessante contribuição para o LPC - esse ditado "para bom entendedor meia palavra basta" requer um esquartejamento pois a meia palavra pode ser às vezes precisa e às vezes imprecisa. Não é aconselhável, portanto, correr-se o risco de cair na imprecisão ou na simples falta de clareza.  No caso, a sua meia palavra foi "condições" e, inserida no contexto, não ficou nada clara. Mas foi muito bom tê-la trazido à baila - ela será inserida na relação das palavras e locuções condenadas. 
3) Aguardo a informação a respeito do número de palavras que não espreme (ou oprime) o seu saco, quando o assunto for linguagem cientifica (ou ciência da linguagem). Podemos até montar uma tabela fixando o limite de palavras por assunto. Por exemplo

ASSUNTOS 
Ciência da linguagem
Ciência da vida
Espirito cientifico
A psicologia é uma ciência? 
Precisão linguistica
Relação entre a ciência e a política
Matemática sem números
Teoria quântica aplicada ao mundo social

Ginástica mental
Outros

Obrigado, novamente.
MC

Ps1. Esta mensagem teve 292 palavras, incluindo as dos Ps.

Ps2. Que tal propormos ao moderador que fixe o número máximo de palavras por mensagem?
Ps3. Neste sistema de contagem, os números, a exemplo do 205 são considerados palavras.
Ps4. O número dos Ps. não são considerados números para efeito de contagem e sim letras.
Ps5.Se não for dado um espaço entre a frase e o número do post scriptum, como ocorreu neste Ps5, o dito cujo  é incorporado à palavra à qual precede, não valendo para a contagem.  
Ps6. “Deus está nos detalhes”, disse um poeta alemão de nome complicadíssimo para quem não domina este idioma, como eu



Em Seg 11/05/15 23:49, Alberto Mesquita Filho albmesq@uol.com.br [ciencialist] ciencialist@yahoogrupos.com.br escreveu:

 

Utilizei a palavra fora do contexto, mas como estamos em uma fase de economizar palavras e para o bom entendedor meia palavra basta, vou parar por aqui (27 palavras).
[ ]´s
Alberto
http://ecientificocultural.com.br
Mas indiferentemente a tudo isso, o elétron não é uma carga elétrica
coulombiana e a Terra se move. E a história se repetirá.
Sent: Monday, May 11, 2015 7:17 PM
Subject: Re: [ciencialist] Manual da linguagem cientifica - Só a ciência pode nos salvar deste flagelo
 

O que V.Sa. quiz dizer com o termo "condições"?

MC
Ps. Lembro que no saco de BW cabem 30 palavras (para este assunto). E o saco do PB não se sentiu inflado com 41 palavras!



On Seg 11/05/15 19:12 , "'Alberto Mesquita Filho' albmesq@uol.com.br [ciencialist]" ciencialist@yahoogrupos.com.br sent:
 
Nestas condições utilizo uma única palavra: EXCLUIR.
[ ]´s
Alberto
http://ecientificocultural.com.br
Mas indiferentemente a tudo isso, o elétron não é uma carga elétrica
coulombiana e a Terra se move. E a história se repetirá.
Sent: Monday, May 11, 2015 6:02 PM
Subject: Re: Re: [ciencialist] Manual da linguagem cientifica - Só a ciência pode nos salvar deste flagelo

O texto que fala do flagelo possui 1104 palavras.
Me informe por gentileza qual é, aproximadamente,  a quantidade de palavras que cabe no seu saco
Obrigado!

M.Calil

Em Seg 11/05/15 17:43, Belmiro Wolski belmirow@yahoo.com.br [ciencialist] ciencialist@yahoogrupos.com.br escreveu:

 
Muito longo...
Faltou saco!
*BW*


Em Segunda-feira, 11 de Maio de 2015 17:39, "Mtnos Calil" mtnoscalil@terra.com.br [ciencialist]" escreveu:

                                       Narrativa sobre o flagelo linguístico que assola a humanidade

"...uma epidemia pestilenta atingiu a humanidade inteira em sua faculdade mais característica, ou seja, no uso da palavra, consistindo essa peste da língua numa perda de força cognoscitiva.   Não me interessa aqui indagar se as origens dessa epidemia devam ser pesquisadas na política, na ideologia, na uniformidade burocrática, na homogeneização dos mass-media ou na difusão acadêmica de uma cultura média. O que me interessa são as possibilidades de salvação. A literatura (e talvez somente a literatura) pode criar os anticorpos que coíbam a expansão desse flagelo lingüístico.” -  Italo Calvino, escritor italiano falecido em 1985

Perdão Italo Calvino, que agora está na companhia dos deuses da precisão linguística: não é a literatura que vai nos salvar deste terrível flagelo que requer uma intervenção cirúrgica cientifica. A ciência que poderia salvar a humanidade do flagelo linguistico é a "ciência da linguagem" que ainda não está devidamente estruturada. Para se estruturar sistemicamente, a linguística precisaria se livrar de outro flagelo da ciência que é especialização. Uma ciência da linguagem humana (ou mesmo não humana) só poderá adquirir uma configuração sistêmica se trabalhar em conjunto com outras ciências como a psicologia, a biologia, a antropologia.

Quanto ao flagelo linguístico, o mais grave  é que os cientistas ainda nem tomaram conhecimento da doença, da qual eles próprios foram vitimados. Por isso*, penso** que estamos condenados a viver nesta pandemia enquanto a esquizofrenia linguistica*** não enlouquecer a todos nós. Concordo com a sua idéia de que muitos problemas podem ser resolvidos sem o conhecimento das respectivas causas. Porém, no caso do flagelo linguistico, sendo ele de origem genética, penso que a causa do mal deva ser considerada. Ocorre que o homem criou a palavra com a dupla função de descrever a realidade e de alimentar fantasias de natureza instintiva. Assim a palavra se transformou numa arma de mentira e de destruição.
A ambiguidade da palavra, estimado Calvino, está impressa em nossos neurônios. **** Ela serve para o bem e para o mal. É ao mesmo tempo linda, maravihosa, cruel e mortífera.

* Isso = o desconhecimento dos cientistas a respeito do mal
**Usei o verbo pensar no seu sentido legitimo e não no sentido de seu simulacro, o verbo crer.
***A esquizofrenia linguistica é uma variante da esquizofrenia social que milagrosamente foi objeto de um livro de uma psicóloga brasileira- Elza Pádua. Trata-se de uma inovação mundial da qual a midia tem um pavor supremo. Como os midiáticos poderiam combater a maior  fonte dos seus lucros?  (esquizofrenia social é uma expressão da autora e a esquizofrenia linguistica ficou por minha conta...Paciência! )
**** Não estou fazendo uso de uma metáfora ao afirmar a origem genética da ambiguidade linguística. Se quisermos aprimorar a estratégia da precisão linguistica é recomendável reduzirmos ao máximo o uso das metáforas. A origem genética citada constitui uma hipótese que talvez nunca venha a ser comprovada. Formular hipóteses que não podem ser testadas ou comprovadas é um dos ônus da ciência. Outro ônus da ciência é ser submissa aos politicos que não conseguem se livrar do instinto da guerra e de outros instintos malévolos como o da dominação,  que chamam de "Poder".  Para os politicos a ambição pelo poder é algo natural da espécie humana. É natural mesmo! Por isso a cultura é incapaz de extirpar esse mal.
Mtnos Calil



Com a palavra Italo Calvino (
Escritor italiano, 1923-1985) que morreu antes de proferir uma palestra em Harvard que ficou registrada num texto datilografado:
  • A precisão, para os antigos egípcios, era simbolizada por uma pluma que servia de peso num dos pratos da balança em que se pesavam as almas. Essa pluma levíssima tinha o nome de Maat, deusa da balança. O hieróglifo de Maat indicava igualmente a unidade de comprimento — os 33 cm do tijolo unitário — e também o tom fundamental da flauta.
  • Essas informações provêm de uma conferência de Giorgio de Santillana sobre a precisão dos antigos no observar dos fenômenos celestes, conferência que ouvi na Itália em 1963 e que exerceu sobre mim profunda influência. Desde que aqui cheguei, tenho pensado freqüentemente em Santillana, por ter sido ele o meu cicerone em Massachusetts quando de minha primeira visita a este país em 1960. Em lembrança de sua amizade, abro esta conferência sobre a exatidão na literatura invocando o nome de Maat, a deusa da balança. Tanto mais que Balança é o meu signo zodiacal.
  • Antes de mais nada, procurarei definir o tema. Para mim, exatidão quer dizer principalmente três coisas: (1) um projeto de obra bem definido e calculado; (2) a evocação de imagens visuais nítidas, incisivas, memoráveis: temos em italiano um adjetivo que não existe em inglês, icastico, do grego eikastikos; (3) uma linguagem que seja a mais precisa possível como léxico e em sua capacidade de traduzir as nuanças do pensamento e da imaginação.
  • Por que me vem a necessidade de defender valores que a muitos parecerão simplesmente óbvios? Creio que o meu primeiro impulso decorra de uma hipersensibilidade ou alergia pessoal: a linguagem me parece sempre usada de modo aproximativo, casual, descuidado, e isso me causa intolerável repúdio. Que não vejam nessa reação minha um sinal de intolerância para com o próximo: sinto um repúdio ainda maior quando me ouço a mim mesmo. Por isso procuro falar o mínimo possível, e se prefiro escrever é que, escrevendo, posso emendar cada frase tantas vezes quanto ache necessário para chegar, não digo a me sentir satisfeito com minhas palavras, mas pelo menos a eliminar as razões de insatisfação de que me posso dar conta. A literatura — quero dizer, aquela que responde a essas exigências — é a Terra Prometida em que a linguagem se torna aquilo que na verdade deveria ser.
  • Às vezes me parece que uma epidemia pestilenta atingiu a humanidade inteira em sua faculdade mais característica, ou seja, no uso da palavra, consistindo essa peste da língua numa perda de força cognoscitiva e de imediaticidade, como um automatismo que tendesse a nivelar a expressão em fórmulas mais genéricas, anônimas, abstratas, a diluir os significados, a embotar os pontos expressivos, a extinguir toda centelha que crepite no encontro das palavras com novas circunstâncias.
  • Não me interessa aqui indagar se as origens dessa epidemia devam ser pesquisadas na política, na ideologia, na uniformidade burocrática, na homogeneização dos mass-media ou na difusão acadêmica de uma cultura média. O que me interessa são as possibilidades de salvação. A literatura (e talvez somente a literatura) pode criar os anticorpos que coíbam a expansão desse flagelo lingüístico.”
 
Seis propostas para o próximo milênio — “Exatidão” — Tradução de Ivo Barroso. (Companhia das Letras, 1991)
 
https://www.google.com.br/webhp?sourceid=chrome-instant&ion=1&espv=2&ie=UTF-8#q=livro+Exatid%C3%A3o%2C+Italo+Calvino+download

Sobre a Natureza da Ciência da Linguagem
http://www.pucrs.br/letras/pos/logica/natcien.htm
( Uma questão problemática de Filosofia da Lingüística)
Considere a afirmação (a) e as perguntas (b) e (c) relativas a (a):
  1. A Lingüística é a ciência da linguagem humana.
  2. Qual a natureza de seu método?
  3. Qual a natureza de seu objeto?
Enquanto (a) representa, certamente, uma afirmação verdadeira e trivial para a comunidade mais ampla dos lingüistas, (b) e (c) são perguntas sobre as quais não há absolutamente consenso, e que determinam um debate de extrema sofisticação mesmo que entre membros da mesma escola.

De fato, ainda que imprecisa e panorâmica, uma breve inspeção na história contemporânea da Lingüistica já é suficiente para justificar a constatação de que há um inegável desacordo entre alguns dos mais expressivos teóricos dessa disciplina. Para Saussure (1916), (a) é uma afirmação verdadeira desde que a resposta a (c) considere a linguagem humana constituída essencialmente pela língua, enquanto conjunto de signos depositado na mente dos usuários pela prática pessoal da fala e desde que a resposta a (b) defina a Lingüística como um ramo da Semiologia ou Psicologia Social, entendidas como uma espécie de Teoria da Comunicação; Chomsky (1986) também aceita, (a), mas não concordaria, absolutamente, com a resposta a (b) e (c) de seu antecessor.

Para o fundador da teoria gerativista, a faculdade da linguagem é a expressão de uma propriedade inata da natureza humana, cujo caráter essencial é uma espécie de gramática universal geneticamente determinada, e isso responde a (c). Quanto a (b), Chomsky considera que a Lingüística é um ramo da Psicologia Cognitiva, como ciência natural capaz de explicar como tal propriedade da mente/cérebro do ser humano se constitui e como possibilita a aquisição, o conhecimento e o uso da linguagem.

Contemporâneo de Chomsky e um dos seus mais expressivos adversários teóricos, Montague (1970) somente poderia aceitar (a) desde que a resposta a (c) seja encaminhada no sentido de que a linguagem natural não se distingue, em sua essência, das linguagens construídas e desde que a resposta a (bobtenha a firmação de que a Lingüística é um ramo da matemática enquanto ciência formal.
Considere agora mais duas questões:
d) Se a Lingüística é a ciência da linguagem humana, que disciplina estuda os fundamentos de tal ciência?
e) Como se constitui tal disciplina?
A resposta a (d) envolve algumas observações preliminares. Toda a disciplina vai-se estabelecendo, historicamente, em sua cientificidade, mediante uma construção de conhecimentos proporcionados pela justa relação entre seu método e seu objeto, justificada pela plausibilidade de seus fundamentos. A construção propriamente dita caracteriza a teoria científica como tal; o estudo dos seus fundamentos, a filosofia daquela disciplina. Tal tem sido a história da Lingüística; paralelamente ao desenvolvimento de sua teoria, vão-se estabelecendo os fundamentos que a sustentam.

É justamente por isso, aliás, que os pioneiros de sua história como ciência têm sido, ao mesmo tempo, cientistas e filósofos de sua disciplina. Se Saussure, Chomsky e Montague, entre outros, trouxeram uma reconhecida contribuição a sua área de conhecimento é, sem dúvida, porque fizeram, concomitantemente, ciência e filosofia. Nesse sentido, então, encaminha-se para (d), a resposta de que se a Lingüística é a ciência da linguagem humana, a Filosofia da Lingüística é a disciplina que estuda os fundamentos de tal ciência.
A abordagem da questão (e) também merece algumas prévias considerações. Se a história da Lingüística, como se sugeriu, tem sido acompanhada pela história da Filosofia da Lingüística, é bem verdade que o desenvolvimento desta última tem ocorrido de forma intrínseca ao desenvolvimento da primeira. Isto significa, em última análise, que o estudo da teoria e de seus fundamentos tem avançado de maneira naturalmente conjugada de modo a não parece necessário o estabelecimento de uma disciplina específica como Filosofia da Lingüística. Realmente, parece trivial que a filosofia de uma área de conhecimento, que começa a construir-se como ciência, constitua-se, inicialmente, de forma implícita, para só ocupar um espaço mais específico a posteriori.

Nesses termos, se a Lingüística teórica é uma disciplina que apenas nesse século começa a solidificar-se em seu estatuto de cientificidade, é razoável que só agora a Filosofia da Lingüística comece a estabelecer-se como uma necessidade própria de investigação. Conseqüência disso, as formas de se encaminhar tal disciplina, o que constituiria a sua metodologia, não são senão alguns princípios muito gerais que podem ser sistematizados de maneira a tornar o estudo dos fundamentos da Lingüística consistente a ponto de caracterizá-la naquilo em que ela se pretende rigorosa e de esclarecê-la quanto às diversas formas de concebê-la. A resposta a (e), então, que propomos, passa por um pequeno conjunto de critérios cuja finalidade não é senão dotar a Filosofia da Lingüística de uma maior capacidade de avaliação das condições que constituem a disciplina que investiga.
1 Critério da Distinção entre Lingüística Pura e Aplicada
Trata-se de separar o conhecimento teórico a ser produzido com objetivos especificamente científicos, a saber, o da verdade sobre a natureza do objeto a ser esclarecido, do conhecimento aplicado diretamente a aspectos da realidade ou, indiretamente, através da relação com outras disciplinas. Por exemplo, trata-se de distinguir entre o conhecimento que busca, a partir do anterior, formas de ensinar uma segunda língua a uma criança.
2 Critério da distinção de Níveis de Constituição da Teoria Lingüística
A proposta aqui, é a de que se distingam os seguintes níveis: o nível da linguagem enquanto fenômeno geral acessível ao senso comum; o nível da linguagem enquanto objeto construído já no interior de uma teoria com perspectivas científicas; o nível da teoria lingüística, enquanto sistema de conceitos estruturados, o nível metateórico, ou de princípios que regem a metodologia de uma dada teoria lingüística e o nível de compromissos filosóficos, por exemplo, ontológicos, que sustentam todo o edifício teórico.
3 Critério de Tensão entre o Método Lingüístico e o seu Objeto
O critério acima sugere que se considere como essencial para o conhecimento científico a adequada tensão entre o método de investigação lingüística e as propriedades do seu objeto a serem esclarecidas. No interior de uma teoria lingüística, tal adequação consiste no surgimento de problemas que possam ser tratáveis e cujo tratamento permita originar problemas novos que caracterizam programas de investigação. Este critério sugere, ainda, que só dentro de tal relação é que se determina a relevância das propriedades do objeto e de seu método.
4 Critério da Distinção entre Propriedades Formais e Empíricas da Teoria Lingüística
Trata-se de distinguir a condição de uma teoria de adequar-se à experiência lingüística, considerando a evidência dos dados, da sua capacidade de expressar-se em uma linguagem formal, considerando-se questões de consistência, por exemplo, e outras.
5 Critério de Tensão entre Adequação Descritiva e Adequação Explanatória na Teoria Lingüística
Este critério consiste na necessidade de se entender o papel teórico da relação entre atividade de descrição lingüística e a de explanação. Sem descrição, a explanação pode ser indesejavelmente geral e sem valor explanatório, a descrição é vazia.
6 Critério da Avaliação Histórica dos Programas de Investigação Lingüística
Entende-se por este critério a condição de possibilidade de avaliação histórica dos resultados de um programa de pesquisa lingüística. Garante-se, através dele, a evolução da racionalidade científica na área, potencializando-se o progresso na construção de problemas lingüísticos relevantes e evitando-se a circularidade de propostas já ultrapassadas.
Uma vez caracterizados tais critérios, fica encaminhada a resposta à questão (e) e já se tem um conjunto mínimo de condições capazes de orientar o debate sobre (f), a problemática e central questão para a Filosofia da Lingüística, sugerida no início do presente texto.
(f) É a Lingüística uma ciência natural, formal ou social?

Referências Bibliográficas
CHOMSKY, N. (1984) Modular Approaches to the Study of the Mind. San Diego: San Diego University Press.
CHOMSKY, N. (1986) Knowledge of Language. Its Nature, Origin and Use. New York. Praeger
CHOMSKY, N. (1993) Language and Thought. London. Moyer Bell.
EARMAN, j. (ed) (1972) Inference, Explanation and Other Frustrations - Essays in the Philosophy of Science. Berckeley. University of California Press.
KATZ, J. (1985) The Philosophy of Linguistics. Oxford. Oxford University Press.
MONTAGUE,R.(1970) Formal Philosophy. New Haven. Yale University Press.
SAUSSURE, F. (1916/1974) Cours de Linguistique Générale. Paris. Payot.


------=_Part_692276_2011)

SUBJECT: Re: [ciencialist] Manual da linguagem cientifica - Só a ciência pode nos salvar deste flagelo
FROM: "Pesky Bee" <peskybee2@gmail.com>
TO: <ciencialist@yahoogrupos.com.br>
DATE: 12/05/2015 11:51

> Segundo  Italo Calvino a humanidade foi vitimada pelo flagelo
> da imprecisão linguística que apenas a literatura poderia sanar.
 
Mas Calilzóvsky, homem de zeus, eu cá com meus botões
acho que justamente a literatura é que ácáfunde mais
ainda as interpretacionices linguistóides! Porque os
autores de literatura muitas vezes usam de metáforas,
parábolas e hipérboles (essa putada deveriam ser
matemáticos, hahahahaha), e isso depõe contra um
entendilhamento mais horizontalizóide das cãomunicações
linguistóides, tu não achas?
 
*PB*
 
 
 
From: Mtnos Calil mtnoscalil@terra.com.br [ciencialist]
Sent: Monday, May 11, 2015 6:39 PM
To: ciencialist@yahoogrupos.com.br
Subject: Re: [ciencialist] Manual da linguagem cientifica - Só a ciência pode nos salvar deste flagelo
 
 
 
 
 
Pronto BW:  aí vão as 30 palavras. 
 
 
Segundo  Italo Calvino a humanidade foi vitimada pelo flagelo da imprecisão linguística que apenas a literatura poderia sanar.  Eu penso que somente a ciência da linguagem  poderia exterminar este flagelo.
 
 
 
 
 
 

SUBJECT: Re: [ciencialist] Manual da linguagem cientifica - Só a ciência pode nos salvar deste flagelo
FROM: "Pesky Bee" <peskybee2@gmail.com>
TO: <ciencialist@yahoogrupos.com.br>
DATE: 12/05/2015 11:53

> "para bom entendedor meia palavra basta"
 
E eu que pensava que o ditado era "para bom entendedor,
meia palavra bósta", mas acho que devo estar errado, né?
E se vocês acham que estou muito desbocado ultimamente,
esperem só para ver como estarei na sexta-feira, hahahahaha
 
*PB*
 
 

From: "Mtnos Calil" mtnoscalil@terra.com.br [ciencialist]
Sent: Tuesday, May 12, 2015 12:48 AM
To: ciencialist@yahoogrupos.com.br
Subject: Re: Re: [ciencialist] Manual da linguagem cientifica - Só a ciência pode nos salvar deste flagelo
 
 
 
Ilmo. Dr. Alberto
 
1) Se considerarmos a sua longa assinatura, a sua mensagem teve 56 palavras.
2) Obrigado por mais uma interessante contribuição para o LPC - esse ditado "para bom entendedor meia palavra basta" requer um esquartejamento pois a meia palavra pode ser às vezes precisa e às vezes imprecisa. Não é aconselhável, portanto, correr-se
  
 
 

SUBJECT: Re: [ciencialist] Manual da linguagem cientifica - Só a ciência pode nos salvar deste flagelo
FROM: "Alberto Mesquita Filho" <albmesq@uol.com.br>
TO: <ciencialist@yahoogrupos.com.br>
DATE: 12/05/2015 11:54

Mtnos escreveu:
 
> Aguardo a informação a respeito do número de palavras que não espreme (ou oprime) o seu saco, quando o assunto for linguagem cientifica (ou ciência da linguagem). Podemos até montar uma tabela fixando o limite de palavras por assunto.
 
A coisa não é tão simples assim. Mensagens quilométricas e com conteúdo científico de boa qualidade são sempre bem-vindas na Ciencialist. Com respeito às suas msgs, com raríssimas exceções, creio que o limite proposto pelo BW (30) está de bom tamanho.
 
[ ]´s
Alberto
http://ecientificocultural.com.br
Mas indiferentemente a tudo isso, o elétron não é uma carga elétrica
coulombiana e a Terra se move. E a história se repetirá.
.
 
 
Sent: Tuesday, May 12, 2015 12:48 AM
Subject: Re: Re: [ciencialist] Manual da linguagem cientifica - Só a ciência pode nos salvar deste flagelo
 
 

Ilmo. Dr. Alberto
 
1) Se considerarmos a sua longa assinatura, a sua mensagem teve 56 palavras.
2) Obrigado por mais uma interessante contribuição para o LPC - esse ditado "para bom entendedor meia palavra basta" requer um esquartejamento pois a meia palavra pode ser às vezes precisa e às vezes imprecisa. Não é aconselhável, portanto, correr-se o risco de cair na imprecisão ou na simples falta de clareza.  No caso, a sua meia palavra foi "condições" e, inserida no contexto, não ficou nada clara. Mas foi muito bom tê-la trazido à baila - ela será inserida na relação das palavras e locuções condenadas.
3) Aguardo a informação a respeito do número de palavras que não espreme (ou oprime) o seu saco, quando o assunto for linguagem cientifica (ou ciência da linguagem). Podemos até montar uma tabela fixando o limite de palavras por assunto. Por exemplo

ASSUNTOS
Ciência da linguagem
Ciência da vida
Espirito cientifico
A psicologia é uma ciência?
Precisão linguistica
Relação entre a ciência e a política
Matemática sem números
Teoria quântica aplicada ao mundo social

Ginástica mental
Outros

Obrigado, novamente.
MC

Ps1. Esta mensagem teve 292 palavras, incluindo as dos Ps.

Ps2. Que tal propormos ao moderador que fixe o número máximo de palavras por mensagem?
Ps3. Neste sistema de contagem, os números, a exemplo do 205 são considerados palavras.
Ps4. O número dos Ps. não são considerados números para efeito de contagem e sim letras.
Ps5.Se não for dado um espaço entre a frase e o número do post scriptum, como ocorreu neste Ps5, o dito cujo  é incorporado à palavra à qual precede, não valendo para a contagem. 
Ps6. “Deus está nos detalhes”, disse um poeta alemão de nome complicadíssimo para quem não domina este idioma, como eu



Em Seg 11/05/15 23:49, Alberto Mesquita Filho albmesq@uol.com.br [ciencialist] ciencialist@yahoogrupos.com.br escreveu:

 
Utilizei a palavra fora do contexto, mas como estamos em uma fase de economizar palavras e para o bom entendedor meia palavra basta, vou parar por aqui (27 palavras).
[ ]´s
Alberto
http://ecientificocultural.com.br
Mas indiferentemente a tudo isso, o elétron não é uma carga elétrica
coulombiana e a Terra se move. E a história se repetirá.
Sent: Monday, May 11, 2015 7:17 PM
Subject: Re: [ciencialist] Manual da linguagem cientifica - Só a ciência pode nos salvar deste flagelo
 

O que V.Sa. quiz dizer com o termo "condições"?

MC
Ps. Lembro que no saco de BW cabem 30 palavras (para este assunto). E o saco do PB não se sentiu inflado com 41 palavras!



On Seg 11/05/15 19:12 , "'Alberto Mesquita Filho' albmesq@uol.com.br [ciencialist]" ciencialist@yahoogrupos.com.br sent:
 
Nestas condições utilizo uma única palavra: EXCLUIR.
[ ]´s
Alberto
http://ecientificocultural.com.br
Mas indiferentemente a tudo isso, o elétron não é uma carga elétrica
coulombiana e a Terra se move. E a história se repetirá.
Sent: Monday, May 11, 2015 6:02 PM
Subject: Re: Re: [ciencialist] Manual da linguagem cientifica - Só a ciência pode nos salvar deste flagelo
 

O texto que fala do flagelo possui 1104 palavras.
Me informe por gentileza qual é, aproximadamente,  a quantidade de palavras que cabe no seu saco
Obrigado!

M.Calil

Em Seg 11/05/15 17:43, Belmiro Wolski belmirow@yahoo.com.br [ciencialist] ciencialist@yahoogrupos.com.br escreveu:

 
Muito longo...
Faltou saco!
*BW*


Em Segunda-feira, 11 de Maio de 2015 17:39, "Mtnos Calil" mtnoscalil@terra.com.br [ciencialist]" escreveu:
 
                                       Narrativa sobre o flagelo linguístico que assola a humanidade

"...uma epidemia pestilenta atingiu a humanidade inteira em sua faculdade mais característica, ou seja, no uso da palavra, consistindo essa peste da língua numa perda de força cognoscitiva.   Não me interessa aqui indagar se as origens dessa epidemia devam ser pesquisadas na política, na ideologia, na uniformidade burocrática, na homogeneização dos mass-media ou na difusão acadêmica de uma cultura média. O que me interessa são as possibilidades de salvação. A literatura (e talvez somente a literatura) pode criar os anticorpos que coíbam a expansão desse flagelo lingüístico.” -  Italo Calvino, escritor italiano falecido em 1985

Perdão Italo Calvino, que agora está na companhia dos deuses da precisão linguística: não é a literatura que vai nos salvar deste terrível flagelo que requer uma intervenção cirúrgica cientifica. A ciência que poderia salvar a humanidade do flagelo linguistico é a "ciência da linguagem" que ainda não está devidamente estruturada. Para se estruturar sistemicamente, a linguística precisaria se livrar de outro flagelo da ciência que é especialização. Uma ciência da linguagem humana (ou mesmo não humana) só poderá adquirir uma configuração sistêmica se trabalhar em conjunto com outras ciências como a psicologia, a biologia, a antropologia.

Quanto ao flagelo linguístico, o mais grave  é que os cientistas ainda nem tomaram conhecimento da doença, da qual eles próprios foram vitimados. Por isso*, penso** que estamos condenados a viver nesta pandemia enquanto a esquizofrenia linguistica*** não enlouquecer a todos nós. Concordo com a sua idéia de que muitos problemas podem ser resolvidos sem o conhecimento das respectivas causas. Porém, no caso do flagelo linguistico, sendo ele de origem genética, penso que a causa do mal deva ser considerada. Ocorre que o homem criou a palavra com a dupla função de descrever a realidade e de alimentar fantasias de natureza instintiva. Assim a palavra se transformou numa arma de mentira e de destruição.
A ambiguidade da palavra, estimado Calvino, está impressa em nossos neurônios. **** Ela serve para o bem e para o mal. É ao mesmo tempo linda, maravihosa, cruel e mortífera.

* Isso = o desconhecimento dos cientistas a respeito do mal
**Usei o verbo pensar no seu sentido legitimo e não no sentido de seu simulacro, o verbo crer.
***A esquizofrenia linguistica é uma variante da esquizofrenia social que milagrosamente foi objeto de um livro de uma psicóloga brasileira- Elza Pádua. Trata-se de uma inovação mundial da qual a midia tem um pavor supremo. Como os midiáticos poderiam combater a maior  fonte dos seus lucros?  (esquizofrenia social é uma expressão da autora e a esquizofrenia linguistica ficou por minha conta...Paciência! )
**** Não estou fazendo uso de uma metáfora ao afirmar a origem genética da ambiguidade linguística. Se quisermos aprimorar a estratégia da precisão linguistica é recomendável reduzirmos ao máximo o uso das metáforas. A origem genética citada constitui uma hipótese que talvez nunca venha a ser comprovada. Formular hipóteses que não podem ser testadas ou comprovadas é um dos ônus da ciência. Outro ônus da ciência é ser submissa aos politicos que não conseguem se livrar do instinto da guerra e de outros instintos malévolos como o da dominação,  que chamam de "Poder".  Para os politicos a ambição pelo poder é algo natural da espécie humana. É natural mesmo! Por isso a cultura é incapaz de extirpar esse mal.
Mtnos Calil



Com a palavra Italo Calvino (
Escritor italiano, 1923-1985) que morreu antes de proferir uma palestra em Harvard que ficou registrada num texto datilografado:
  • A precisão, para os antigos egípcios, era simbolizada por uma pluma que servia de peso num dos pratos da balança em que se pesavam as almas. Essa pluma levíssima tinha o nome de Maat, deusa da balança. O hieróglifo de Maat indicava igualmente a unidade de comprimento — os 33 cm do tijolo unitário — e também o tom fundamental da flauta.
  • Essas informações provêm de uma conferência de Giorgio de Santillana sobre a precisão dos antigos no observar dos fenômenos celestes, conferência que ouvi na Itália em 1963 e que exerceu sobre mim profunda influência. Desde que aqui cheguei, tenho pensado freqüentemente em Santillana, por ter sido ele o meu cicerone em Massachusetts quando de minha primeira visita a este país em 1960. Em lembrança de sua amizade, abro esta conferência sobre a exatidão na literatura invocando o nome de Maat, a deusa da balança. Tanto mais que Balança é o meu signo zodiacal.
  • Antes de mais nada, procurarei definir o tema. Para mim, exatidão quer dizer principalmente três coisas: (1) um projeto de obra bem definido e calculado; (2) a evocação de imagens visuais nítidas, incisivas, memoráveis: temos em italiano um adjetivo que não existe em inglês, icastico, do grego eikastikos; (3) uma linguagem que seja a mais precisa possível como léxico e em sua capacidade de traduzir as nuanças do pensamento e da imaginação.
  • Por que me vem a necessidade de defender valores que a muitos parecerão simplesmente óbvios? Creio que o meu primeiro impulso decorra de uma hipersensibilidade ou alergia pessoal: a linguagem me parece sempre usada de modo aproximativo, casual, descuidado, e isso me causa intolerável repúdio. Que não vejam nessa reação minha um sinal de intolerância para com o próximo: sinto um repúdio ainda maior quando me ouço a mim mesmo. Por isso procuro falar o mínimo possível, e se prefiro escrever é que, escrevendo, posso emendar cada frase tantas vezes quanto ache necessário para chegar, não digo a me sentir satisfeito com minhas palavras, mas pelo menos a eliminar as razões de insatisfação de que me posso dar conta. A literatura — quero dizer, aquela que responde a essas exigências — é a Terra Prometida em que a linguagem se torna aquilo que na verdade deveria ser.
  • Às vezes me parece que uma epidemia pestilenta atingiu a humanidade inteira em sua faculdade mais característica, ou seja, no uso da palavra, consistindo essa peste da língua numa perda de força cognoscitiva e de imediaticidade, como um automatismo que tendesse a nivelar a expressão em fórmulas mais genéricas, anônimas, abstratas, a diluir os significados, a embotar os pontos expressivos, a extinguir toda centelha que crepite no encontro das palavras com novas circunstâncias.
  • Não me interessa aqui indagar se as origens dessa epidemia devam ser pesquisadas na política, na ideologia, na uniformidade burocrática, na homogeneização dos mass-media ou na difusão acadêmica de uma cultura média. O que me interessa são as possibilidades de salvação. A literatura (e talvez somente a literatura) pode criar os anticorpos que coíbam a expansão desse flagelo lingüístico.”
 
Seis propostas para o próximo milênio — “Exatidão” — Tradução de Ivo Barroso. (Companhia das Letras, 1991)
 
https://www.google.com.br/webhp?sourceid=chrome-instant&ion=1&espv=2&ie=UTF-8#q=livro+Exatid%C3%A3o%2C+Italo+Calvino+download

Sobre a Natureza da Ciência da Linguagem
http://www.pucrs.br/letras/pos/logica/natcien.htm
( Uma questão problemática de Filosofia da Lingüística)
Considere a afirmação (a) e as perguntas (b) e (c) relativas a (a):
  1. A Lingüística é a ciência da linguagem humana.
  2. Qual a natureza de seu método?
  3. Qual a natureza de seu objeto?
Enquanto (a) representa, certamente, uma afirmação verdadeira e trivial para a comunidade mais ampla dos lingüistas, (b) e (c) são perguntas sobre as quais não há absolutamente consenso, e que determinam um debate de extrema sofisticação mesmo que entre membros da mesma escola.

De fato, ainda que imprecisa e panorâmica, uma breve inspeção na história contemporânea da Lingüistica já é suficiente para justificar a constatação de que há um inegável desacordo entre alguns dos mais expressivos teóricos dessa disciplina. Para Saussure (1916), (a) é uma afirmação verdadeira desde que a resposta a (c) considere a linguagem humana constituída essencialmente pela língua, enquanto conjunto de signos depositado na mente dos usuários pela prática pessoal da fala e desde que a resposta a (b) defina a Lingüística como um ramo da Semiologia ou Psicologia Social, entendidas como uma espécie de Teoria da Comunicação; Chomsky (1986) também aceita, (a), mas não concordaria, absolutamente, com a resposta a (b) e (c) de seu antecessor.

Para o fundador da teoria gerativista, a faculdade da linguagem é a expressão de uma propriedade inata da natureza humana, cujo caráter essencial é uma espécie de gramática universal geneticamente determinada, e isso responde a (c). Quanto a (b), Chomsky considera que a Lingüística é um ramo da Psicologia Cognitiva, como ciência natural capaz de explicar como tal propriedade da mente/cérebro do ser humano se constitui e como possibilita a aquisição, o conhecimento e o uso da linguagem.

Contemporâneo de Chomsky e um dos seus mais expressivos adversários teóricos, Montague (1970) somente poderia aceitar (a) desde que a resposta a (c) seja encaminhada no sentido de que a linguagem natural não se distingue, em sua essência, das linguagens construídas e desde que a resposta a (bobtenha a firmação de que a Lingüística é um ramo da matemática enquanto ciência formal.
Considere agora mais duas questões:
d) Se a Lingüística é a ciência da linguagem humana, que disciplina estuda os fundamentos de tal ciência?
e) Como se constitui tal disciplina?
A resposta a (d) envolve algumas observações preliminares. Toda a disciplina vai-se estabelecendo, historicamente, em sua cientificidade, mediante uma construção de conhecimentos proporcionados pela justa relação entre seu método e seu objeto, justificada pela plausibilidade de seus fundamentos. A construção propriamente dita caracteriza a teoria científica como tal; o estudo dos seus fundamentos, a filosofia daquela disciplina. Tal tem sido a história da Lingüística; paralelamente ao desenvolvimento de sua teoria, vão-se estabelecendo os fundamentos que a sustentam.

É justamente por isso, aliás, que os pioneiros de sua história como ciência têm sido, ao mesmo tempo, cientistas e filósofos de sua disciplina. Se Saussure, Chomsky e Montague, entre outros, trouxeram uma reconhecida contribuição a sua área de conhecimento é, sem dúvida, porque fizeram, concomitantemente, ciência e filosofia. Nesse sentido, então, encaminha-se para (d), a resposta de que se a Lingüística é a ciência da linguagem humana, a Filosofia da Lingüística é a disciplina que estuda os fundamentos de tal ciência.
A abordagem da questão (e) também merece algumas prévias considerações. Se a história da Lingüística, como se sugeriu, tem sido acompanhada pela história da Filosofia da Lingüística, é bem verdade que o desenvolvimento desta última tem ocorrido de forma intrínseca ao desenvolvimento da primeira. Isto significa, em última análise, que o estudo da teoria e de seus fundamentos tem avançado de maneira naturalmente conjugada de modo a não parece necessário o estabelecimento de uma disciplina específica como Filosofia da Lingüística. Realmente, parece trivial que a filosofia de uma área de conhecimento, que começa a construir-se como ciência, constitua-se, inicialmente, de forma implícita, para só ocupar um espaço mais específico a posteriori.

Nesses termos, se a Lingüística teórica é uma disciplina que apenas nesse século começa a solidificar-se em seu estatuto de cientificidade, é razoável que só agora a Filosofia da Lingüística comece a estabelecer-se como uma necessidade própria de investigação. Conseqüência disso, as formas de se encaminhar tal disciplina, o que constituiria a sua metodologia, não são senão alguns princípios muito gerais que podem ser sistematizados de maneira a tornar o estudo dos fundamentos da Lingüística consistente a ponto de caracterizá-la naquilo em que ela se pretende rigorosa e de esclarecê-la quanto às diversas formas de concebê-la. A resposta a (e), então, que propomos, passa por um pequeno conjunto de critérios cuja finalidade não é senão dotar a Filosofia da Lingüística de uma maior capacidade de avaliação das condições que constituem a disciplina que investiga.
1 Critério da Distinção entre Lingüística Pura e Aplicada
Trata-se de separar o conhecimento teórico a ser produzido com objetivos especificamente científicos, a saber, o da verdade sobre a natureza do objeto a ser esclarecido, do conhecimento aplicado diretamente a aspectos da realidade ou, indiretamente, através da relação com outras disciplinas. Por exemplo, trata-se de distinguir entre o conhecimento que busca, a partir do anterior, formas de ensinar uma segunda língua a uma criança.
2 Critério da distinção de Níveis de Constituição da Teoria Lingüística
A proposta aqui, é a de que se distingam os seguintes níveis: o nível da linguagem enquanto fenômeno geral acessível ao senso comum; o nível da linguagem enquanto objeto construído já no interior de uma teoria com perspectivas científicas; o nível da teoria lingüística, enquanto sistema de conceitos estruturados, o nível metateórico, ou de princípios que regem a metodologia de uma dada teoria lingüística e o nível de compromissos filosóficos, por exemplo, ontológicos, que sustentam todo o edifício teórico.
3 Critério de Tensão entre o Método Lingüístico e o seu Objeto
O critério acima sugere que se considere como essencial para o conhecimento científico a adequada tensão entre o método de investigação lingüística e as propriedades do seu objeto a serem esclarecidas. No interior de uma teoria lingüística, tal adequação consiste no surgimento de problemas que possam ser tratáveis e cujo tratamento permita originar problemas novos que caracterizam programas de investigação. Este critério sugere, ainda, que só dentro de tal relação é que se determina a relevância das propriedades do objeto e de seu método.
4 Critério da Distinção entre Propriedades Formais e Empíricas da Teoria Lingüística
Trata-se de distinguir a condição de uma teoria de adequar-se à experiência lingüística, considerando a evidência dos dados, da sua capacidade de expressar-se em uma linguagem formal, considerando-se questões de consistência, por exemplo, e outras.
5 Critério de Tensão entre Adequação Descritiva e Adequação Explanatória na Teoria Lingüística
Este critério consiste na necessidade de se entender o papel teórico da relação entre atividade de descrição lingüística e a de explanação. Sem descrição, a explanação pode ser indesejavelmente geral e sem valor explanatório, a descrição é vazia.
6 Critério da Avaliação Histórica dos Programas de Investigação Lingüística
Entende-se por este critério a condição de possibilidade de avaliação histórica dos resultados de um programa de pesquisa lingüística. Garante-se, através dele, a evolução da racionalidade científica na área, potencializando-se o progresso na construção de problemas lingüísticos relevantes e evitando-se a circularidade de propostas já ultrapassadas.
Uma vez caracterizados tais critérios, fica encaminhada a resposta à questão (e) e já se tem um conjunto mínimo de condições capazes de orientar o debate sobre (f), a problemática e central questão para a Filosofia da Lingüística, sugerida no início do presente texto.
(f) É a Lingüística uma ciência natural, formal ou social?

Referências Bibliográficas
CHOMSKY, N. (1984) Modular Approaches to the Study of the Mind. San Diego: San Diego University Press.
CHOMSKY, N. (1986) Knowledge of Language. Its Nature, Origin and Use. New York. Praeger
CHOMSKY, N. (1993) Language and Thought. London. Moyer Bell.
EARMAN, j. (ed) (1972) Inference, Explanation and Other Frustrations - Essays in the Philosophy of Science. Berckeley. University of California Press.
KATZ, J. (1985) The Philosophy of Linguistics. Oxford. Oxford University Press.
MONTAGUE,R.(1970) Formal Philosophy. New Haven. Yale University Press.
SAUSSURE, F. (1916/1974) Cours de Linguistique Générale. Paris. Payot.


------=_Part_692276_2011)

SUBJECT: Re: [ciencialist] Manual da linguagem cientifica - Só a ciência pode nos salvar deste flagelo
FROM: Mtnos Calil <mtnoscalil@terra.com.br>
TO: <ciencialist@yahoogrupos.com.br>
DATE: 12/05/2015 13:14


Ok. Resolvido - as minhas mensagens dirigidas ao prof. Belmiro e ao Dr. Alberto terão no máximo 30 palavras. 
Obrigado
MC


On Ter 12/05/15 11:54 , "'Alberto Mesquita Filho' albmesq@uol.com.br [ciencialist]" ciencialist@yahoogrupos.com.br sent:
 

Mtnos escreveu:
 
> Aguardo a informação a respeito do número de palavras que não espreme (ou oprime) o seu saco, quando o assunto for linguagem cientifica (ou ciência da linguagem). Podemos até montar uma tabela fixando o limite de palavras por assunto.
 
A coisa não é tão simples assim. Mensagens quilométricas e com conteúdo científico de boa qualidade são sempre bem-vindas na Ciencialist. Com respeito às suas msgs, com raríssimas exceções, creio que o limite proposto pelo BW (30) está de bom tamanho.
 
[ ]´s
Alberto
http://ecientificocultural.com.br
Mas indiferentemente a tudo isso, o elétron não é uma carga elétrica
coulombiana e a Terra se move. E a história se repetirá.
.
 
 
Sent: Tuesday, May 12, 2015 12:48 AM
Subject: Re: Re: [ciencialist] Manual da linguagem cientifica - Só a ciência pode nos salvar deste flagelo
 
 

Ilmo. Dr. Alberto
 
1) Se considerarmos a sua longa assinatura, a sua mensagem teve 56 palavras.
2) Obrigado por mais uma interessante contribuição para o LPC - esse ditado "para bom entendedor meia palavra basta" requer um esquartejamento pois a meia palavra pode ser às vezes precisa e às vezes imprecisa. Não é aconselhável, portanto, correr-se o risco de cair na imprecisão ou na simples falta de clareza.  No caso, a sua meia palavra foi "condições" e, inserida no contexto, não ficou nada clara. Mas foi muito bom tê-la trazido à baila - ela será inserida na relação das palavras e locuções condenadas.
3) Aguardo a informação a respeito do número de palavras que não espreme (ou oprime) o seu saco, quando o assunto for linguagem cientifica (ou ciência da linguagem). Podemos até montar uma tabela fixando o limite de palavras por assunto. Por exemplo

ASSUNTOS
Ciência da linguagem
Ciência da vida
Espirito cientifico
A psicologia é uma ciência?
Precisão linguistica
Relação entre a ciência e a política
Matemática sem números
Teoria quântica aplicada ao mundo social

Ginástica mental
Outros

Obrigado, novamente.
MC

Ps1. Esta mensagem teve 292 palavras, incluindo as dos Ps.

Ps2. Que tal propormos ao moderador que fixe o número máximo de palavras por mensagem?
Ps3. Neste sistema de contagem, os números, a exemplo do 205 são considerados palavras.
Ps4. O número dos Ps. não são considerados números para efeito de contagem e sim letras.
Ps5.Se não for dado um espaço entre a frase e o número do post scriptum, como ocorreu neste Ps5, o dito cujo  é incorporado à palavra à qual precede, não valendo para a contagem. 
Ps6. “Deus está nos detalhes”, disse um poeta alemão de nome complicadíssimo para quem não domina este idioma, como eu



Em Seg 11/05/15 23:49, Alberto Mesquita Filho albmesq@uol.com.br [ciencialist] ciencialist@yahoogrupos.com.br escreveu:

 
Utilizei a palavra fora do contexto, mas como estamos em uma fase de economizar palavras e para o bom entendedor meia palavra basta, vou parar por aqui (27 palavras).
[ ]´s
Alberto
http://ecientificocultural.com.br
Mas indiferentemente a tudo isso, o elétron não é uma carga elétrica
coulombiana e a Terra se move. E a história se repetirá.
Sent: Monday, May 11, 2015 7:17 PM
Subject: Re: [ciencialist] Manual da linguagem cientifica - Só a ciência pode nos salvar deste flagelo
 

O que V.Sa. quiz dizer com o termo "condições"?

MC
Ps. Lembro que no saco de BW cabem 30 palavras (para este assunto). E o saco do PB não se sentiu inflado com 41 palavras!



On Seg 11/05/15 19:12 , "'Alberto Mesquita Filho' albmesq@uol.com.br [ciencialist]" ciencialist@yahoogrupos.com.br sent:
 
Nestas condições utilizo uma única palavra: EXCLUIR.
[ ]´s
Alberto
http://ecientificocultural.com.br
Mas indiferentemente a tudo isso, o elétron não é uma carga elétrica
coulombiana e a Terra se move. E a história se repetirá.
Sent: Monday, May 11, 2015 6:02 PM
Subject: Re: Re: [ciencialist] Manual da linguagem cientifica - Só a ciência pode nos salvar deste flagelo
 

O texto que fala do flagelo possui 1104 palavras.
Me informe por gentileza qual é, aproximadamente,  a quantidade de palavras que cabe no seu saco
Obrigado!

M.Calil

Em Seg 11/05/15 17:43, Belmiro Wolski belmirow@yahoo.com.br [ciencialist] ciencialist@yahoogrupos.com.br escreveu:

 
Muito longo...
Faltou saco!
*BW*


Em Segunda-feira, 11 de Maio de 2015 17:39, "Mtnos Calil" mtnoscalil@terra.com.br [ciencialist]" escreveu:
 
                                       Narrativa sobre o flagelo linguístico que assola a humanidade

"...uma epidemia pestilenta atingiu a humanidade inteira em sua faculdade mais característica, ou seja, no uso da palavra, consistindo essa peste da língua numa perda de força cognoscitiva.   Não me interessa aqui indagar se as origens dessa epidemia devam ser pesquisadas na política, na ideologia, na uniformidade burocrática, na homogeneização dos mass-media ou na difusão acadêmica de uma cultura média. O que me interessa são as possibilidades de salvação. A literatura (e talvez somente a literatura) pode criar os anticorpos que coíbam a expansão desse flagelo lingüístico.” -  Italo Calvino, escritor italiano falecido em 1985

Perdão Italo Calvino, que agora está na companhia dos deuses da precisão linguística: não é a literatura que vai nos salvar deste terrível flagelo que requer uma intervenção cirúrgica cientifica. A ciência que poderia salvar a humanidade do flagelo linguistico é a "ciência da linguagem" que ainda não está devidamente estruturada. Para se estruturar sistemicamente, a linguística precisaria se livrar de outro flagelo da ciência que é especialização. Uma ciência da linguagem humana (ou mesmo não humana) só poderá adquirir uma configuração sistêmica se trabalhar em conjunto com outras ciências como a psicologia, a biologia, a antropologia.

Quanto ao flagelo linguístico, o mais grave  é que os cientistas ainda nem tomaram conhecimento da doença, da qual eles próprios foram vitimados. Por isso*, penso** que estamos condenados a viver nesta pandemia enquanto a esquizofrenia linguistica*** não enlouquecer a todos nós. Concordo com a sua idéia de que muitos problemas podem ser resolvidos sem o conhecimento das respectivas causas. Porém, no caso do flagelo linguistico, sendo ele de origem genética, penso que a causa do mal deva ser considerada. Ocorre que o homem criou a palavra com a dupla função de descrever a realidade e de alimentar fantasias de natureza instintiva. Assim a palavra se transformou numa arma de mentira e de destruição.
A ambiguidade da palavra, estimado Calvino, está impressa em nossos neurônios. **** Ela serve para o bem e para o mal. É ao mesmo tempo linda, maravihosa, cruel e mortífera.

* Isso = o desconhecimento dos cientistas a respeito do mal
**Usei o verbo pensar no seu sentido legitimo e não no sentido de seu simulacro, o verbo crer.
***A esquizofrenia linguistica é uma variante da esquizofrenia social que milagrosamente foi objeto de um livro de uma psicóloga brasileira- Elza Pádua. Trata-se de uma inovação mundial da qual a midia tem um pavor supremo. Como os midiáticos poderiam combater a maior  fonte dos seus lucros?  (esquizofrenia social é uma expressão da autora e a esquizofrenia linguistica ficou por minha conta...Paciência! )
**** Não estou fazendo uso de uma metáfora ao afirmar a origem genética da ambiguidade linguística. Se quisermos aprimorar a estratégia da precisão linguistica é recomendável reduzirmos ao máximo o uso das metáforas. A origem genética citada constitui uma hipótese que talvez nunca venha a ser comprovada. Formular hipóteses que não podem ser testadas ou comprovadas é um dos ônus da ciência. Outro ônus da ciência é ser submissa aos politicos que não conseguem se livrar do instinto da guerra e de outros instintos malévolos como o da dominação,  que chamam de "Poder".  Para os politicos a ambição pelo poder é algo natural da espécie humana. É natural mesmo! Por isso a cultura é incapaz de extirpar esse mal.
Mtnos Calil



Com a palavra Italo Calvino (
Escritor italiano, 1923-1985) que morreu antes de proferir uma palestra em Harvard que ficou registrada num texto datilografado:
  • A precisão, para os antigos egípcios, era simbolizada por uma pluma que servia de peso num dos pratos da balança em que se pesavam as almas. Essa pluma levíssima tinha o nome de Maat, deusa da balança. O hieróglifo de Maat indicava igualmente a unidade de comprimento — os 33 cm do tijolo unitário — e também o tom fundamental da flauta.
  • Essas informações provêm de uma conferência de Giorgio de Santillana sobre a precisão dos antigos no observar dos fenômenos celestes, conferência que ouvi na Itália em 1963 e que exerceu sobre mim profunda influência. Desde que aqui cheguei, tenho pensado freqüentemente em Santillana, por ter sido ele o meu cicerone em Massachusetts quando de minha primeira visita a este país em 1960. Em lembrança de sua amizade, abro esta conferência sobre a exatidão na literatura invocando o nome de Maat, a deusa da balança. Tanto mais que Balança é o meu signo zodiacal.
  • Antes de mais nada, procurarei definir o tema. Para mim, exatidão quer dizer principalmente três coisas: (1) um projeto de obra bem definido e calculado; (2) a evocação de imagens visuais nítidas, incisivas, memoráveis: temos em italiano um adjetivo que não existe em inglês, icastico, do grego eikastikos; (3) uma linguagem que seja a mais precisa possível como léxico e em sua capacidade de traduzir as nuanças do pensamento e da imaginação.
  • Por que me vem a necessidade de defender valores que a muitos parecerão simplesmente óbvios? Creio que o meu primeiro impulso decorra de uma hipersensibilidade ou alergia pessoal: a linguagem me parece sempre usada de modo aproximativo, casual, descuidado, e isso me causa intolerável repúdio. Que não vejam nessa reação minha um sinal de intolerância para com o próximo: sinto um repúdio ainda maior quando me ouço a mim mesmo. Por isso procuro falar o mínimo possível, e se prefiro escrever é que, escrevendo, posso emendar cada frase tantas vezes quanto ache necessário para chegar, não digo a me sentir satisfeito com minhas palavras, mas pelo menos a eliminar as razões de insatisfação de que me posso dar conta. A literatura — quero dizer, aquela que responde a essas exigências — é a Terra Prometida em que a linguagem se torna aquilo que na verdade deveria ser.
  • Às vezes me parece que uma epidemia pestilenta atingiu a humanidade inteira em sua faculdade mais característica, ou seja, no uso da palavra, consistindo essa peste da língua numa perda de força cognoscitiva e de imediaticidade, como um automatismo que tendesse a nivelar a expressão em fórmulas mais genéricas, anônimas, abstratas, a diluir os significados, a embotar os pontos expressivos, a extinguir toda centelha que crepite no encontro das palavras com novas circunstâncias.
  • Não me interessa aqui indagar se as origens dessa epidemia devam ser pesquisadas na política, na ideologia, na uniformidade burocrática, na homogeneização dos mass-media ou na difusão acadêmica de uma cultura média. O que me interessa são as possibilidades de salvação. A literatura (e talvez somente a literatura) pode criar os anticorpos que coíbam a expansão desse flagelo lingüístico.”
 
Seis propostas para o próximo milênio — “Exatidão” — Tradução de Ivo Barroso. (Companhia das Letras, 1991)
 
https://www.google.com.br/webhp?sourceid=chrome-instant&ion=1&espv=2&ie=UTF-8#q=livro+Exatid%C3%A3o%2C+Italo+Calvino+download

Sobre a Natureza da Ciência da Linguagem
http://www.pucrs.br/letras/pos/logica/natcien.htm
( Uma questão problemática de Filosofia da Lingüística)
Considere a afirmação (a) e as perguntas (b) e (c) relativas a (a):
  1. A Lingüística é a ciência da linguagem humana.
  2. Qual a natureza de seu método?
  3. Qual a natureza de seu objeto?
Enquanto (a) representa, certamente, uma afirmação verdadeira e trivial para a comunidade mais ampla dos lingüistas, (b) e (c) são perguntas sobre as quais não há absolutamente consenso, e que determinam um debate de extrema sofisticação mesmo que entre membros da mesma escola.

De fato, ainda que imprecisa e panorâmica, uma breve inspeção na história contemporânea da Lingüistica já é suficiente para justificar a constatação de que há um inegável desacordo entre alguns dos mais expressivos teóricos dessa disciplina. Para Saussure (1916), (a) é uma afirmação verdadeira desde que a resposta a (c) considere a linguagem humana constituída essencialmente pela língua, enquanto conjunto de signos depositado na mente dos usuários pela prática pessoal da fala e desde que a resposta a (b) defina a Lingüística como um ramo da Semiologia ou Psicologia Social, entendidas como uma espécie de Teoria da Comunicação; Chomsky (1986) também aceita, (a), mas não concordaria, absolutamente, com a resposta a (b) e (c) de seu antecessor.

Para o fundador da teoria gerativista, a faculdade da linguagem é a expressão de uma propriedade inata da natureza humana, cujo caráter essencial é uma espécie de gramática universal geneticamente determinada, e isso responde a (c). Quanto a (b), Chomsky considera que a Lingüística é um ramo da Psicologia Cognitiva, como ciência natural capaz de explicar como tal propriedade da mente/cérebro do ser humano se constitui e como possibilita a aquisição, o conhecimento e o uso da linguagem.

Contemporâneo de Chomsky e um dos seus mais expressivos adversários teóricos, Montague (1970) somente poderia aceitar (a) desde que a resposta a (c) seja encaminhada no sentido de que a linguagem natural não se distingue, em sua essência, das linguagens construídas e desde que a resposta a (bobtenha a firmação de que a Lingüística é um ramo da matemática enquanto ciência formal.
Considere agora mais duas questões:
d) Se a Lingüística é a ciência da linguagem humana, que disciplina estuda os fundamentos de tal ciência?
e) Como se constitui tal disciplina?
A resposta a (d) envolve algumas observações preliminares. Toda a disciplina vai-se estabelecendo, historicamente, em sua cientificidade, mediante uma construção de conhecimentos proporcionados pela justa relação entre seu método e seu objeto, justificada pela plausibilidade de seus fundamentos. A construção propriamente dita caracteriza a teoria científica como tal; o estudo dos seus fundamentos, a filosofia daquela disciplina. Tal tem sido a história da Lingüística; paralelamente ao desenvolvimento de sua teoria, vão-se estabelecendo os fundamentos que a sustentam.

É justamente por isso, aliás, que os pioneiros de sua história como ciência têm sido, ao mesmo tempo, cientistas e filósofos de sua disciplina. Se Saussure, Chomsky e Montague, entre outros, trouxeram uma reconhecida contribuição a sua área de conhecimento é, sem dúvida, porque fizeram, concomitantemente, ciência e filosofia. Nesse sentido, então, encaminha-se para (d), a resposta de que se a Lingüística é a ciência da linguagem humana, a Filosofia da Lingüística é a disciplina que estuda os fundamentos de tal ciência.
A abordagem da questão (e) também merece algumas prévias considerações. Se a história da Lingüística, como se sugeriu, tem sido acompanhada pela história da Filosofia da Lingüística, é bem verdade que o desenvolvimento desta última tem ocorrido de forma intrínseca ao desenvolvimento da primeira. Isto significa, em última análise, que o estudo da teoria e de seus fundamentos tem avançado de maneira naturalmente conjugada de modo a não parece necessário o estabelecimento de uma disciplina específica como Filosofia da Lingüística. Realmente, parece trivial que a filosofia de uma área de conhecimento, que começa a construir-se como ciência, constitua-se, inicialmente, de forma implícita, para só ocupar um espaço mais específico a posteriori.

Nesses termos, se a Lingüística teórica é uma disciplina que apenas nesse século começa a solidificar-se em seu estatuto de cientificidade, é razoável que só agora a Filosofia da Lingüística comece a estabelecer-se como uma necessidade própria de investigação. Conseqüência disso, as formas de se encaminhar tal disciplina, o que constituiria a sua metodologia, não são senão alguns princípios muito gerais que podem ser sistematizados de maneira a tornar o estudo dos fundamentos da Lingüística consistente a ponto de caracterizá-la naquilo em que ela se pretende rigorosa e de esclarecê-la quanto às diversas formas de concebê-la. A resposta a (e), então, que propomos, passa por um pequeno conjunto de critérios cuja finalidade não é senão dotar a Filosofia da Lingüística de uma maior capacidade de avaliação das condições que constituem a disciplina que investiga.
1 Critério da Distinção entre Lingüística Pura e Aplicada
Trata-se de separar o conhecimento teórico a ser produzido com objetivos especificamente científicos, a saber, o da verdade sobre a natureza do objeto a ser esclarecido, do conhecimento aplicado diretamente a aspectos da realidade ou, indiretamente, através da relação com outras disciplinas. Por exemplo, trata-se de distinguir entre o conhecimento que busca, a partir do anterior, formas de ensinar uma segunda língua a uma criança.
2 Critério da distinção de Níveis de Constituição da Teoria Lingüística
A proposta aqui, é a de que se distingam os seguintes níveis: o nível da linguagem enquanto fenômeno geral acessível ao senso comum; o nível da linguagem enquanto objeto construído já no interior de uma teoria com perspectivas científicas; o nível da teoria lingüística, enquanto sistema de conceitos estruturados, o nível metateórico, ou de princípios que regem a metodologia de uma dada teoria lingüística e o nível de compromissos filosóficos, por exemplo, ontológicos, que sustentam todo o edifício teórico.
3 Critério de Tensão entre o Método Lingüístico e o seu Objeto
O critério acima sugere que se considere como essencial para o conhecimento científico a adequada tensão entre o método de investigação lingüística e as propriedades do seu objeto a serem esclarecidas. No interior de uma teoria lingüística, tal adequação consiste no surgimento de problemas que possam ser tratáveis e cujo tratamento permita originar problemas novos que caracterizam programas de investigação. Este critério sugere, ainda, que só dentro de tal relação é que se determina a relevância das propriedades do objeto e de seu método.
4 Critério da Distinção entre Propriedades Formais e Empíricas da Teoria Lingüística
Trata-se de distinguir a condição de uma teoria de adequar-se à experiência lingüística, considerando a evidência dos dados, da sua capacidade de expressar-se em uma linguagem formal, considerando-se questões de consistência, por exemplo, e outras.
5 Critério de Tensão entre Adequação Descritiva e Adequação Explanatória na Teoria Lingüística
Este critério consiste na necessidade de se entender o papel teórico da relação entre atividade de descrição lingüística e a de explanação. Sem descrição, a explanação pode ser indesejavelmente geral e sem valor explanatório, a descrição é vazia.
6 Critério da Avaliação Histórica dos Programas de Investigação Lingüística
Entende-se por este critério a condição de possibilidade de avaliação histórica dos resultados de um programa de pesquisa lingüística. Garante-se, através dele, a evolução da racionalidade científica na área, potencializando-se o progresso na construção de problemas lingüísticos relevantes e evitando-se a circularidade de propostas já ultrapassadas.
Uma vez caracterizados tais critérios, fica encaminhada a resposta à questão (e) e já se tem um conjunto mínimo de condições capazes de orientar o debate sobre (f), a problemática e central questão para a Filosofia da Lingüística, sugerida no início do presente texto.
(f) É a Lingüística uma ciência natural, formal ou social?

Referências Bibliográficas
CHOMSKY, N. (1984) Modular Approaches to the Study of the Mind. San Diego: San Diego University Press.
CHOMSKY, N. (1986) Knowledge of Language. Its Nature, Origin and Use. New York. Praeger
CHOMSKY, N. (1993) Language and Thought. London. Moyer Bell.
EARMAN, j. (ed) (1972) Inference, Explanation and Other Frustrations - Essays in the Philosophy of Science. Berckeley. University of California Press.
KATZ, J. (1985) The Philosophy of Linguistics. Oxford. Oxford University Press.
MONTAGUE,R.(1970) Formal Philosophy. New Haven. Yale University Press.
SAUSSURE, F. (1916/1974) Cours de Linguistique Générale. Paris. Payot.


------=_Part_692276_2011)



SUBJECT: Re: [ciencialist] Manual da linguagem cientifica - Só a ciência pode nos salvar deste flagelo
FROM: Belmiro Wolski <belmirow@yahoo.com.br>
TO: "ciencialist@yahoogrupos.com.br" <ciencialist@yahoogrupos.com.br>
DATE: 12/05/2015 14:24

Não vale usar palavras muito extensas...

*BW*




Em Terça-feira, 12 de Maio de 2015 13:14, "Mtnos Calil mtnoscalil@terra.com.br [ciencialist]" <ciencialist@yahoogrupos.com.br> escreveu:


 

Ok. Resolvido - as minhas mensagens dirigidas ao prof. Belmiro e ao Dr. Alberto terão no máximo 30 palavras. 
Obrigado
MC


On Ter 12/05/15 11:54 , "'Alberto Mesquita Filho' albmesq@uol.com.br [ciencialist]" ciencialist@yahoogrupos.com.br sent:
 
Mtnos escreveu:
 
> Aguardo a informação a respeito do número de palavras que não espreme (ou oprime) o seu saco, quando o assunto for linguagem cientifica (ou ciência da linguagem). Podemos até montar uma tabela fixando o limite de palavras por assunto.
 
A coisa não é tão simples assim. Mensagens quilométricas e com conteúdo científico de boa qualidade são sempre bem-vindas na Ciencialist. Com respeito às suas msgs, com raríssimas exceções, creio que o limite proposto pelo BW (30) está de bom tamanho.
 
[ ]´s
Alberto
http://ecientificocultural.com.br
Mas indiferentemente a tudo isso, o elétron não é uma carga elétrica
coulombiana e a Terra se move. E a história se repetirá.
.
 
 
Sent: Tuesday, May 12, 2015 12:48 AM
Subject: Re: Re: [ciencialist] Manual da linguagem cientifica - Só a ciência pode nos salvar deste flagelo
 
 
Ilmo. Dr. Alberto
 
1) Se considerarmos a sua longa assinatura, a sua mensagem teve 56 palavras.
2) Obrigado por mais uma interessante contribuição para o LPC - esse ditado "para bom entendedor meia palavra basta" requer um esquartejamento pois a meia palavra pode ser às vezes precisa e às vezes imprecisa. Não é aconselhável, portanto, correr-se o risco de cair na imprecisão ou na simples falta de clareza.  No caso, a sua meia palavra foi "condições" e, inserida no contexto, não ficou nada clara. Mas foi muito bom tê-la trazido à baila - ela será inserida na relação das palavras e locuções condenadas.
3) Aguardo a informação a respeito do número de palavras que não espreme (ou oprime) o seu saco, quando o assunto for linguagem cientifica (ou ciência da linguagem). Podemos até montar uma tabela fixando o limite de palavras por assunto. Por exemplo

ASSUNTOS
Ciência da linguagem
Ciência da vida
Espirito cientifico
A psicologia é uma ciência?
Precisão linguistica
Relação entre a ciência e a política
Matemática sem números
Teoria quântica aplicada ao mundo social

Ginástica mental
Outros

Obrigado, novamente.
MC

Ps1. Esta mensagem teve 292 palavras, incluindo as dos Ps.

Ps2. Que tal propormos ao moderador que fixe o número máximo de palavras por mensagem?
Ps3. Neste sistema de contagem, os números, a exemplo do 205 são considerados palavras.
Ps4. O número dos Ps. não são considerados números para efeito de contagem e sim letras.
Ps5.Se não for dado um espaço entre a frase e o número do post scriptum, como ocorreu neste Ps5, o dito cujo  é incorporado à palavra à qual precede, não valendo para a contagem. 
Ps6. “Deus está nos detalhes”, disse um poeta alemão de nome complicadíssimo para quem não domina este idioma, como eu



Em Seg 11/05/15 23:49, Alberto Mesquita Filho albmesq@uol.com.br [ciencialist] ciencialist@yahoogrupos.com.br escreveu:
 
Utilizei a palavra fora do contexto, mas como estamos em uma fase de economizar palavras e para o bom entendedor meia palavra basta, vou parar por aqui (27 palavras).
[ ]´s
Alberto
http://ecientificocultural.com.br
Mas indiferentemente a tudo isso, o elétron não é uma carga elétrica
coulombiana e a Terra se move. E a história se repetirá.
Sent: Monday, May 11, 2015 7:17 PM
Subject: Re: [ciencialist] Manual da linguagem cientifica - Só a ciência pode nos salvar deste flagelo
 
O que V.Sa. quiz dizer com o termo "condições"?
MC
Ps. Lembro que no saco de BW cabem 30 palavras (para este assunto). E o saco do PB não se sentiu inflado com 41 palavras!



On Seg 11/05/15 19:12 , "'Alberto Mesquita Filho' albmesq@uol.com.br [ciencialist]" ciencialist@yahoogrupos.com.br sent:
 
Nestas condições utilizo uma única palavra: EXCLUIR.
[ ]´s
Alberto
http://ecientificocultural.com.br
Mas indiferentemente a tudo isso, o elétron não é uma carga elétrica
coulombiana e a Terra se move. E a história se repetirá.
Sent: Monday, May 11, 2015 6:02 PM
Subject: Re: Re: [ciencialist] Manual da linguagem cientifica - Só a ciência pode nos salvar deste flagelo
 
O texto que fala do flagelo possui 1104 palavras.
Me informe por gentileza qual é, aproximadamente,  a quantidade de palavras que cabe no seu saco
Obrigado!

M.Calil
Em Seg 11/05/15 17:43, Belmiro Wolski belmirow@yahoo.com.br [ciencialist] ciencialist@yahoogrupos.com.br escreveu:
 
Muito longo...
Faltou saco!
*BW*


Em Segunda-feira, 11 de Maio de 2015 17:39, "Mtnos Calil" mtnoscalil@terra.com.br [ciencialist]" escreveu:
 
                                       Narrativa sobre o flagelo linguístico que assola a humanidade

"...uma epidemia pestilenta atingiu a humanidade inteira em sua faculdade mais característica, ou seja, no uso da palavra, consistindo essa peste da língua numa perda de força cognoscitiva.   Não me interessa aqui indagar se as origens dessa epidemia devam ser pesquisadas na política, na ideologia, na uniformidade burocrática, na homogeneização dos mass-media ou na difusão acadêmica de uma cultura média. O que me interessa são as possibilidades de salvação. A literatura (e talvez somente a literatura) pode criar os anticorpos que coíbam a expansão desse flagelo lingüístico.” -  Italo Calvino, escritor italiano falecido em 1985

Perdão Italo Calvino, que agora está na companhia dos deuses da precisão linguística: não é a literatura que vai nos salvar deste terrível flagelo que requer uma intervenção cirúrgica cientifica. A ciência que poderia salvar a humanidade do flagelo linguistico é a "ciência da linguagem" que ainda não está devidamente estruturada. Para se estruturar sistemicamente, a linguística precisaria se livrar de outro flagelo da ciência que é especialização. Uma ciência da linguagem humana (ou mesmo não humana) só poderá adquirir uma configuração sistêmica se trabalhar em conjunto com outras ciências como a psicologia, a biologia, a antropologia.

Quanto ao flagelo linguístico, o mais grave  é que os cientistas ainda nem tomaram conhecimento da doença, da qual eles próprios foram vitimados. Por isso*, penso** que estamos condenados a viver nesta pandemia enquanto a esquizofrenia linguistica*** não enlouquecer a todos nós. Concordo com a sua idéia de que muitos problemas podem ser resolvidos sem o conhecimento das respectivas causas. Porém, no caso do flagelo linguistico, sendo ele de origem genética, penso que a causa do mal deva ser considerada. Ocorre que o homem criou a palavra com a dupla função de descrever a realidade e de alimentar fantasias de natureza instintiva. Assim a palavra se transformou numa arma de mentira e de destruição.
A ambiguidade da palavra, estimado Calvino, está impressa em nossos neurônios. **** Ela serve para o bem e para o mal. É ao mesmo tempo linda, maravihosa, cruel e mortífera.

* Isso = o desconhecimento dos cientistas a respeito do mal
**Usei o verbo pensar no seu sentido legitimo e não no sentido de seu simulacro, o verbo crer.
***A esquizofrenia linguistica é uma variante da esquizofrenia social que milagrosamente foi objeto de um livro de uma psicóloga brasileira- Elza Pádua. Trata-se de uma inovação mundial da qual a midia tem um pavor supremo. Como os midiáticos poderiam combater a maior  fonte dos seus lucros?  (esquizofrenia social é uma expressão da autora e a esquizofrenia linguistica ficou por minha conta...Paciência! )
**** Não estou fazendo uso de uma metáfora ao afirmar a origem genética da ambiguidade linguística. Se quisermos aprimorar a estratégia da precisão linguistica é recomendável reduzirmos ao máximo o uso das metáforas. A origem genética citada constitui uma hipótese que talvez nunca venha a ser comprovada. Formular hipóteses que não podem ser testadas ou comprovadas é um dos ônus da ciência. Outro ônus da ciência é ser submissa aos politicos que não conseguem se livrar do instinto da guerra e de outros instintos malévolos como o da dominação,  que chamam de "Poder".  Para os politicos a ambição pelo poder é algo natural da espécie humana. É natural mesmo! Por isso a cultura é incapaz de extirpar esse mal.
Mtnos Calil



Com a palavra Italo Calvino (
Escritor italiano, 1923-1985) que morreu antes de proferir uma palestra em Harvard que ficou registrada num texto datilografado:
  • A precisão, para os antigos egípcios, era simbolizada por uma pluma que servia de peso num dos pratos da balança em que se pesavam as almas. Essa pluma levíssima tinha o nome de Maat, deusa da balança. O hieróglifo de Maat indicava igualmente a unidade de comprimento — os 33 cm do tijolo unitário — e também o tom fundamental da flauta.
  • Essas informações provêm de uma conferência de Giorgio de Santillana sobre a precisão dos antigos no observar dos fenômenos celestes, conferência que ouvi na Itália em 1963 e que exerceu sobre mim profunda influência. Desde que aqui cheguei, tenho pensado freqüentemente em Santillana, por ter sido ele o meu cicerone em Massachusetts quando de minha primeira visita a este país em 1960. Em lembrança de sua amizade, abro esta conferência sobre a exatidão na literatura invocando o nome de Maat, a deusa da balança. Tanto mais que Balança é o meu signo zodiacal.
  • Antes de mais nada, procurarei definir o tema. Para mim, exatidão quer dizer principalmente três coisas: (1) um projeto de obra bem definido e calculado; (2) a evocação de imagens visuais nítidas, incisivas, memoráveis: temos em italiano um adjetivo que não existe em inglês, icastico, do grego eikastikos; (3) uma linguagem que seja a mais precisa possível como léxico e em sua capacidade de traduzir as nuanças do pensamento e da imaginação.
  • Por que me vem a necessidade de defender valores que a muitos parecerão simplesmente óbvios? Creio que o meu primeiro impulso decorra de uma hipersensibilidade ou alergia pessoal: a linguagem me parece sempre usada de modo aproximativo, casual, descuidado, e isso me causa intolerável repúdio. Que não vejam nessa reação minha um sinal de intolerância para com o próximo: sinto um repúdio ainda maior quando me ouço a mim mesmo. Por isso procuro falar o mínimo possível, e se prefiro escrever é que, escrevendo, posso emendar cada frase tantas vezes quanto ache necessário para chegar, não digo a me sentir satisfeito com minhas palavras, mas pelo menos a eliminar as razões de insatisfação de que me posso dar conta. A literatura — quero dizer, aquela que responde a essas exigências — é a Terra Prometida em que a linguagem se torna aquilo que na verdade deveria ser.
  • Às vezes me parece que uma epidemia pestilenta atingiu a humanidade inteira em sua faculdade mais característica, ou seja, no uso da palavra, consistindo essa peste da língua numa perda de força cognoscitiva e de imediaticidade, como um automatismo que tendesse a nivelar a expressão em fórmulas mais genéricas, anônimas, abstratas, a diluir os significados, a embotar os pontos expressivos, a extinguir toda centelha que crepite no encontro das palavras com novas circunstâncias.
  • Não me interessa aqui indagar se as origens dessa epidemia devam ser pesquisadas na política, na ideologia, na uniformidade burocrática, na homogeneização dos mass-media ou na difusão acadêmica de uma cultura média. O que me interessa são as possibilidades de salvação. A literatura (e talvez somente a literatura) pode criar os anticorpos que coíbam a expansão desse flagelo lingüístico.”
 
Seis propostas para o próximo milênio — “Exatidão” — Tradução de Ivo Barroso. (Companhia das Letras, 1991)
 
https://www.google.com.br/webhp?sourceid=chrome-instant&ion=1&espv=2&ie=UTF-8#q=livro+Exatid%C3%A3o%2C+Italo+Calvino+download

Sobre a Natureza da Ciência da Linguagem
http://www.pucrs.br/letras/pos/logica/natcien.htm
( Uma questão problemática de Filosofia da Lingüística)
Considere a afirmação (a) e as perguntas (b) e (c) relativas a (a):
  1. A Lingüística é a ciência da linguagem humana.
  2. Qual a natureza de seu método?
  3. Qual a natureza de seu objeto?
Enquanto (a) representa, certamente, uma afirmação verdadeira e trivial para a comunidade mais ampla dos lingüistas, (b) e (c) são perguntas sobre as quais não há absolutamente consenso, e que determinam um debate de extrema sofisticação mesmo que entre membros da mesma escola.

De fato, ainda que imprecisa e panorâmica, uma breve inspeção na história contemporânea da Lingüistica já é suficiente para justificar a constatação de que há um inegável desacordo entre alguns dos mais expressivos teóricos dessa disciplina. Para Saussure (1916), (a) é uma afirmação verdadeira desde que a resposta a (c) considere a linguagem humana constituída essencialmente pela língua, enquanto conjunto de signos depositado na mente dos usuários pela prática pessoal da fala e desde que a resposta a (b) defina a Lingüística como um ramo da Semiologia ou Psicologia Social, entendidas como uma espécie de Teoria da Comunicação; Chomsky (1986) também aceita, (a), mas não concordaria, absolutamente, com a resposta a (b) e (c) de seu antecessor.

Para o fundador da teoria gerativista, a faculdade da linguagem é a expressão de uma propriedade inata da natureza humana, cujo caráter essencial é uma espécie de gramática universal geneticamente determinada, e isso responde a (c). Quanto a (b), Chomsky considera que a Lingüística é um ramo da Psicologia Cognitiva, como ciência natural capaz de explicar como tal propriedade da mente/cérebro do ser humano se constitui e como possibilita a aquisição, o conhecimento e o uso da linguagem.

Contemporâneo de Chomsky e um dos seus mais expressivos adversários teóricos, Montague (1970) somente poderia aceitar (a) desde que a resposta a (c) seja encaminhada no sentido de que a linguagem natural não se distingue, em sua essência, das linguagens construídas e desde que a resposta a (bobtenha a firmação de que a Lingüística é um ramo da matemática enquanto ciência formal.
Considere agora mais duas questões:
d) Se a Lingüística é a ciência da linguagem humana, que disciplina estuda os fundamentos de tal ciência?
e) Como se constitui tal disciplina?
A resposta a (d) envolve algumas observações preliminares. Toda a disciplina vai-se estabelecendo, historicamente, em sua cientificidade, mediante uma construção de conhecimentos proporcionados pela justa relação entre seu método e seu objeto, justificada pela plausibilidade de seus fundamentos. A construção propriamente dita caracteriza a teoria científica como tal; o estudo dos seus fundamentos, a filosofia daquela disciplina. Tal tem sido a história da Lingüística; paralelamente ao desenvolvimento de sua teoria, vão-se estabelecendo os fundamentos que a sustentam.

É justamente por isso, aliás, que os pioneiros de sua história como ciência têm sido, ao mesmo tempo, cientistas e filósofos de sua disciplina. Se Saussure, Chomsky e Montague, entre outros, trouxeram uma reconhecida contribuição a sua área de conhecimento é, sem dúvida, porque fizeram, concomitantemente, ciência e filosofia. Nesse sentido, então, encaminha-se para (d), a resposta de que se a Lingüística é a ciência da linguagem humana, a Filosofia da Lingüística é a disciplina que estuda os fundamentos de tal ciência.
A abordagem da questão (e) também merece algumas prévias considerações. Se a história da Lingüística, como se sugeriu, tem sido acompanhada pela história da Filosofia da Lingüística, é bem verdade que o desenvolvimento desta última tem ocorrido de forma intrínseca ao desenvolvimento da primeira. Isto significa, em última análise, que o estudo da teoria e de seus fundamentos tem avançado de maneira naturalmente conjugada de modo a não parece necessário o estabelecimento de uma disciplina específica como Filosofia da Lingüística. Realmente, parece trivial que a filosofia de uma área de conhecimento, que começa a construir-se como ciência, constitua-se, inicialmente, de forma implícita, para só ocupar um espaço mais específico a posteriori.

Nesses termos, se a Lingüística teórica é uma disciplina que apenas nesse século começa a solidificar-se em seu estatuto de cientificidade, é razoável que só agora a Filosofia da Lingüística comece a estabelecer-se como uma necessidade própria de investigação. Conseqüência disso, as formas de se encaminhar tal disciplina, o que constituiria a sua metodologia, não são senão alguns princípios muito gerais que podem ser sistematizados de maneira a tornar o estudo dos fundamentos da Lingüística consistente a ponto de caracterizá-la naquilo em que ela se pretende rigorosa e de esclarecê-la quanto às diversas formas de concebê-la. A resposta a (e), então, que propomos, passa por um pequeno conjunto de critérios cuja finalidade não é senão dotar a Filosofia da Lingüística de uma maior capacidade de avaliação das condições que constituem a disciplina que investiga.
1 Critério da Distinção entre Lingüística Pura e Aplicada
Trata-se de separar o conhecimento teórico a ser produzido com objetivos especificamente científicos, a saber, o da verdade sobre a natureza do objeto a ser esclarecido, do conhecimento aplicado diretamente a aspectos da realidade ou, indiretamente, através da relação com outras disciplinas. Por exemplo, trata-se de distinguir entre o conhecimento que busca, a partir do anterior, formas de ensinar uma segunda língua a uma criança.
2 Critério da distinção de Níveis de Constituição da Teoria Lingüística
A proposta aqui, é a de que se distingam os seguintes níveis: o nível da linguagem enquanto fenômeno geral acessível ao senso comum; o nível da linguagem enquanto objeto construído já no interior de uma teoria com perspectivas científicas; o nível da teoria lingüística, enquanto sistema de conceitos estruturados, o nível metateórico, ou de princípios que regem a metodologia de uma dada teoria lingüística e o nível de compromissos filosóficos, por exemplo, ontológicos, que sustentam todo o edifício teórico.
3 Critério de Tensão entre o Método Lingüístico e o seu Objeto
O critério acima sugere que se considere como essencial para o conhecimento científico a adequada tensão entre o método de investigação lingüística e as propriedades do seu objeto a serem esclarecidas. No interior de uma teoria lingüística, tal adequação consiste no surgimento de problemas que possam ser tratáveis e cujo tratamento permita originar problemas novos que caracterizam programas de investigação. Este critério sugere, ainda, que só dentro de tal relação é que se determina a relevância das propriedades do objeto e de seu método.
4 Critério da Distinção entre Propriedades Formais e Empíricas da Teoria Lingüística
Trata-se de distinguir a condição de uma teoria de adequar-se à experiência lingüística, considerando a evidência dos dados, da sua capacidade de expressar-se em uma linguagem formal, considerando-se questões de consistência, por exemplo, e outras.
5 Critério de Tensão entre Adequação Descritiva e Adequação Explanatória na Teoria Lingüística
Este critério consiste na necessidade de se entender o papel teórico da relação entre atividade de descrição lingüística e a de explanação. Sem descrição, a explanação pode ser indesejavelmente geral e sem valor explanatório, a descrição é vazia.
6 Critério da Avaliação Histórica dos Programas de Investigação Lingüística
Entende-se por este critério a condição de possibilidade de avaliação histórica dos resultados de um programa de pesquisa lingüística. Garante-se, através dele, a evolução da racionalidade científica na área, potencializando-se o progresso na construção de problemas lingüísticos relevantes e evitando-se a circularidade de propostas já ultrapassadas.
Uma vez caracterizados tais critérios, fica encaminhada a resposta à questão (e) e já se tem um conjunto mínimo de condições capazes de orientar o debate sobre (f), a problemática e central questão para a Filosofia da Lingüística, sugerida no início do presente texto.
(f) É a Lingüística uma ciência natural, formal ou social?

Referências Bibliográficas
CHOMSKY, N. (1984) Modular Approaches to the Study of the Mind. San Diego: San Diego University Press.
CHOMSKY, N. (1986) Knowledge of Language. Its Nature, Origin and Use. New York. Praeger
CHOMSKY, N. (1993) Language and Thought. London. Moyer Bell.
EARMAN, j. (ed) (1972) Inference, Explanation and Other Frustrations - Essays in the Philosophy of Science. Berckeley. University of California Press.
KATZ, J. (1985) The Philosophy of Linguistics. Oxford. Oxford University Press.
MONTAGUE,R.(1970) Formal Philosophy. New Haven. Yale University Press.
SAUSSURE, F. (1916/1974) Cours de Linguistique Générale. Paris. Payot.


------=_Part_692276_2011)




SUBJECT: Ciência do álcool - Mensagem 1 - 265 palavras
FROM: Mtnos Calil <mtnoscalil@terra.com.br>
TO: <ciencialist@yahoogrupos.com.br>
DATE: 12/05/2015 14:31

Iniciamos uma série de matérias cientificas sobre o álcool que vai precisar de uma revisão lógico-semânticados entendidos no assunto.

Na minha visão amadorística,o estudo cientifico do álcool deveria levar em conta 3 áreas:

1.Neurofisiológica –que envolve as reações físico-quimicas

2.Mental – que envolve questões como o controle mental sobre os efeitos negativos do álcool

3.Efeitos benéficos doálcool para a saúde física.

Vejamos agora o que acontece com o Pesky Bee.

1.O fígado peskyano só consegue metabolizar 10 mg. de álcool, o equivalente encontrado numa latinha de cerveja.

2.Depois de ingerido, o álcool é transformado pelo fígado numa substância chamada acetaldeído, que retorna à corrente sanguínea e depois volta para o fígado, quando  é novamente filtrado, se transformando agora no ácido acetaldeído, que é mais tóxico que o próprio álcool e que o fígado não suporta.  Como o excesso não pode ser filtrado, o álcool chega ao cérebro em seu estado original.

3.Ao chegar na cabeça do Pesky Bee, o álcool se acumula no córtex cerebral provocando mudanças comportamentais. Por exemplo: se o Pesky Bee é tímido, ele passa a exibir o comportamento extrovertido que todos nós conhecemos. Se porém ele continuar bebendo depois que ficou bem humorado, uma porção do álcool chega ao hipotálamo quando as emoções peskyanas se exacerbam e aí seu bom humor pode se transformar num acesso de raiva muito perigoso. Mas se ele continuar a beber a próxima vitima será o cerebelo, que cuida do equilíbrio corporal do nosso amigo. O risco agora é de ele levar um tombo terminal.

Favor informar o queestá errado neste texto

Grato

MC




SUBJECT: Re: [ciencialist] Manual da linguagem cientifica - Só a ciência pode nos salvar deste flagelo
FROM: Mtnos Calil <mtnoscalil@terra.com.br>
TO: <ciencialist@yahoogrupos.com.br>
DATE: 12/05/2015 14:38


Ok, Prof. Belmiro. 
Me informe por favor qual é o número máximo de letras que devo usar em cada palavra. 
Prometo que jamais usarei esta:  anticonstitucionalissimamente 
Thanks
MC


On Ter 12/05/15 14:24 , "Belmiro Wolski belmirow@yahoo.com.br [ciencialist]" ciencialist@yahoogrupos.com.br sent:
 

Não vale usar palavras muito extensas...

*BW*




Em Terça-feira, 12 de Maio de 2015 13:14, "Mtnos Calil mtnoscalil@terra.com.br [ciencialist]" escreveu:


 

Ok. Resolvido - as minhas mensagens dirigidas ao prof. Belmiro e ao Dr. Alberto terão no máximo 30 palavras. 
Obrigado
MC


On Ter 12/05/15 11:54 , "'Alberto Mesquita Filho' albmesq@uol.com.br [ciencialist]" ciencialist@yahoogrupos.com.br sent:
 
Mtnos escreveu:
 
> Aguardo a informação a respeito do número de palavras que não espreme (ou oprime) o seu saco, quando o assunto for linguagem cientifica (ou ciência da linguagem). Podemos até montar uma tabela fixando o limite de palavras por assunto.
 
A coisa não é tão simples assim. Mensagens quilométricas e com conteúdo científico de boa qualidade são sempre bem-vindas na Ciencialist. Com respeito às suas msgs, com raríssimas exceções, creio que o limite proposto pelo BW (30) está de bom tamanho.
 
[ ]´s
Alberto
http://ecientificocultural.com.br
Mas indiferentemente a tudo isso, o elétron não é uma carga elétrica
coulombiana e a Terra se move. E a história se repetirá.
.
 
 
Sent: Tuesday, May 12, 2015 12:48 AM
Subject: Re: Re: [ciencialist] Manual da linguagem cientifica - Só a ciência pode nos salvar deste flagelo
 
 
Ilmo. Dr. Alberto
 
1) Se considerarmos a sua longa assinatura, a sua mensagem teve 56 palavras.
2) Obrigado por mais uma interessante contribuição para o LPC - esse ditado "para bom entendedor meia palavra basta" requer um esquartejamento pois a meia palavra pode ser às vezes precisa e às vezes imprecisa. Não é aconselhável, portanto, correr-se o risco de cair na imprecisão ou na simples falta de clareza.  No caso, a sua meia palavra foi "condições" e, inserida no contexto, não ficou nada clara. Mas foi muito bom tê-la trazido à baila - ela será inserida na relação das palavras e locuções condenadas.
3) Aguardo a informação a respeito do número de palavras que não espreme (ou oprime) o seu saco, quando o assunto for linguagem cientifica (ou ciência da linguagem). Podemos até montar uma tabela fixando o limite de palavras por assunto. Por exemplo

ASSUNTOS
Ciência da linguagem
Ciência da vida
Espirito cientifico
A psicologia é uma ciência?
Precisão linguistica
Relação entre a ciência e a política
Matemática sem números
Teoria quântica aplicada ao mundo social

Ginástica mental
Outros

Obrigado, novamente.
MC

Ps1. Esta mensagem teve 292 palavras, incluindo as dos Ps.

Ps2. Que tal propormos ao moderador que fixe o número máximo de palavras por mensagem?
Ps3. Neste sistema de contagem, os números, a exemplo do 205 são considerados palavras.
Ps4. O número dos Ps. não são considerados números para efeito de contagem e sim letras.
Ps5.Se não for dado um espaço entre a frase e o número do post scriptum, como ocorreu neste Ps5, o dito cujo  é incorporado à palavra à qual precede, não valendo para a contagem. 
Ps6. “Deus está nos detalhes”, disse um poeta alemão de nome complicadíssimo para quem não domina este idioma, como eu



Em Seg 11/05/15 23:49, Alberto Mesquita Filho albmesq@uol.com.br [ciencialist] ciencialist@yahoogrupos.com.br escreveu:
 
Utilizei a palavra fora do contexto, mas como estamos em uma fase de economizar palavras e para o bom entendedor meia palavra basta, vou parar por aqui (27 palavras).
[ ]´s
Alberto
http://ecientificocultural.com.br
Mas indiferentemente a tudo isso, o elétron não é uma carga elétrica
coulombiana e a Terra se move. E a história se repetirá.
Sent: Monday, May 11, 2015 7:17 PM
Subject: Re: [ciencialist] Manual da linguagem cientifica - Só a ciência pode nos salvar deste flagelo
 
O que V.Sa. quiz dizer com o termo "condições"?
MC
Ps. Lembro que no saco de BW cabem 30 palavras (para este assunto). E o saco do PB não se sentiu inflado com 41 palavras!



On Seg 11/05/15 19:12 , "'Alberto Mesquita Filho' albmesq@uol.com.br [ciencialist]" ciencialist@yahoogrupos.com.br sent:
 
Nestas condições utilizo uma única palavra: EXCLUIR.
[ ]´s
Alberto
http://ecientificocultural.com.br
Mas indiferentemente a tudo isso, o elétron não é uma carga elétrica
coulombiana e a Terra se move. E a história se repetirá.
Sent: Monday, May 11, 2015 6:02 PM
Subject: Re: Re: [ciencialist] Manual da linguagem cientifica - Só a ciência pode nos salvar deste flagelo
 
O texto que fala do flagelo possui 1104 palavras.
Me informe por gentileza qual é, aproximadamente,  a quantidade de palavras que cabe no seu saco
Obrigado!

M.Calil
Em Seg 11/05/15 17:43, Belmiro Wolski belmirow@yahoo.com.br [ciencialist] ciencialist@yahoogrupos.com.br escreveu:
 
Muito longo...
Faltou saco!
*BW*


Em Segunda-feira, 11 de Maio de 2015 17:39, "Mtnos Calil" mtnoscalil@terra.com.br [ciencialist]" escreveu:
 
                                       Narrativa sobre o flagelo linguístico que assola a humanidade

"...uma epidemia pestilenta atingiu a humanidade inteira em sua faculdade mais característica, ou seja, no uso da palavra, consistindo essa peste da língua numa perda de força cognoscitiva.   Não me interessa aqui indagar se as origens dessa epidemia devam ser pesquisadas na política, na ideologia, na uniformidade burocrática, na homogeneização dos mass-media ou na difusão acadêmica de uma cultura média. O que me interessa são as possibilidades de salvação. A literatura (e talvez somente a literatura) pode criar os anticorpos que coíbam a expansão desse flagelo lingüístico.” -  Italo Calvino, escritor italiano falecido em 1985

Perdão Italo Calvino, que agora está na companhia dos deuses da precisão linguística: não é a literatura que vai nos salvar deste terrível flagelo que requer uma intervenção cirúrgica cientifica. A ciência que poderia salvar a humanidade do flagelo linguistico é a "ciência da linguagem" que ainda não está devidamente estruturada. Para se estruturar sistemicamente, a linguística precisaria se livrar de outro flagelo da ciência que é especialização. Uma ciência da linguagem humana (ou mesmo não humana) só poderá adquirir uma configuração sistêmica se trabalhar em conjunto com outras ciências como a psicologia, a biologia, a antropologia.

Quanto ao flagelo linguístico, o mais grave  é que os cientistas ainda nem tomaram conhecimento da doença, da qual eles próprios foram vitimados. Por isso*, penso** que estamos condenados a viver nesta pandemia enquanto a esquizofrenia linguistica*** não enlouquecer a todos nós. Concordo com a sua idéia de que muitos problemas podem ser resolvidos sem o conhecimento das respectivas causas. Porém, no caso do flagelo linguistico, sendo ele de origem genética, penso que a causa do mal deva ser considerada. Ocorre que o homem criou a palavra com a dupla função de descrever a realidade e de alimentar fantasias de natureza instintiva. Assim a palavra se transformou numa arma de mentira e de destruição.
A ambiguidade da palavra, estimado Calvino, está impressa em nossos neurônios. **** Ela serve para o bem e para o mal. É ao mesmo tempo linda, maravihosa, cruel e mortífera.

* Isso = o desconhecimento dos cientistas a respeito do mal
**Usei o verbo pensar no seu sentido legitimo e não no sentido de seu simulacro, o verbo crer.
***A esquizofrenia linguistica é uma variante da esquizofrenia social que milagrosamente foi objeto de um livro de uma psicóloga brasileira- Elza Pádua. Trata-se de uma inovação mundial da qual a midia tem um pavor supremo. Como os midiáticos poderiam combater a maior  fonte dos seus lucros?  (esquizofrenia social é uma expressão da autora e a esquizofrenia linguistica ficou por minha conta...Paciência! )
**** Não estou fazendo uso de uma metáfora ao afirmar a origem genética da ambiguidade linguística. Se quisermos aprimorar a estratégia da precisão linguistica é recomendável reduzirmos ao máximo o uso das metáforas. A origem genética citada constitui uma hipótese que talvez nunca venha a ser comprovada. Formular hipóteses que não podem ser testadas ou comprovadas é um dos ônus da ciência. Outro ônus da ciência é ser submissa aos politicos que não conseguem se livrar do instinto da guerra e de outros instintos malévolos como o da dominação,  que chamam de "Poder".  Para os politicos a ambição pelo poder é algo natural da espécie humana. É natural mesmo! Por isso a cultura é incapaz de extirpar esse mal.
Mtnos Calil



Com a palavra Italo Calvino (
Escritor italiano, 1923-1985) que morreu antes de proferir uma palestra em Harvard que ficou registrada num texto datilografado:
  • A precisão, para os antigos egípcios, era simbolizada por uma pluma que servia de peso num dos pratos da balança em que se pesavam as almas. Essa pluma levíssima tinha o nome de Maat, deusa da balança. O hieróglifo de Maat indicava igualmente a unidade de comprimento — os 33 cm do tijolo unitário — e também o tom fundamental da flauta.
  • Essas informações provêm de uma conferência de Giorgio de Santillana sobre a precisão dos antigos no observar dos fenômenos celestes, conferência que ouvi na Itália em 1963 e que exerceu sobre mim profunda influência. Desde que aqui cheguei, tenho pensado freqüentemente em Santillana, por ter sido ele o meu cicerone em Massachusetts quando de minha primeira visita a este país em 1960. Em lembrança de sua amizade, abro esta conferência sobre a exatidão na literatura invocando o nome de Maat, a deusa da balança. Tanto mais que Balança é o meu signo zodiacal.
  • Antes de mais nada, procurarei definir o tema. Para mim, exatidão quer dizer principalmente três coisas: (1) um projeto de obra bem definido e calculado; (2) a evocação de imagens visuais nítidas, incisivas, memoráveis: temos em italiano um adjetivo que não existe em inglês, icastico, do grego eikastikos; (3) uma linguagem que seja a mais precisa possível como léxico e em sua capacidade de traduzir as nuanças do pensamento e da imaginação.
  • Por que me vem a necessidade de defender valores que a muitos parecerão simplesmente óbvios? Creio que o meu primeiro impulso decorra de uma hipersensibilidade ou alergia pessoal: a linguagem me parece sempre usada de modo aproximativo, casual, descuidado, e isso me causa intolerável repúdio. Que não vejam nessa reação minha um sinal de intolerância para com o próximo: sinto um repúdio ainda maior quando me ouço a mim mesmo. Por isso procuro falar o mínimo possível, e se prefiro escrever é que, escrevendo, posso emendar cada frase tantas vezes quanto ache necessário para chegar, não digo a me sentir satisfeito com minhas palavras, mas pelo menos a eliminar as razões de insatisfação de que me posso dar conta. A literatura — quero dizer, aquela que responde a essas exigências — é a Terra Prometida em que a linguagem se torna aquilo que na verdade deveria ser.
  • Às vezes me parece que uma epidemia pestilenta atingiu a humanidade inteira em sua faculdade mais característica, ou seja, no uso da palavra, consistindo essa peste da língua numa perda de força cognoscitiva e de imediaticidade, como um automatismo que tendesse a nivelar a expressão em fórmulas mais genéricas, anônimas, abstratas, a diluir os significados, a embotar os pontos expressivos, a extinguir toda centelha que crepite no encontro das palavras com novas circunstâncias.
  • Não me interessa aqui indagar se as origens dessa epidemia devam ser pesquisadas na política, na ideologia, na uniformidade burocrática, na homogeneização dos mass-media ou na difusão acadêmica de uma cultura média. O que me interessa são as possibilidades de salvação. A literatura (e talvez somente a literatura) pode criar os anticorpos que coíbam a expansão desse flagelo lingüístico.”
 
Seis propostas para o próximo milênio — “Exatidão” — Tradução de Ivo Barroso. (Companhia das Letras, 1991)
 
https://www.google.com.br/webhp?sourceid=chrome-instant&ion=1&espv=2&ie=UTF-8#q=livro+Exatid%C3%A3o%2C+Italo+Calvino+download

Sobre a Natureza da Ciência da Linguagem
http://www.pucrs.br/letras/pos/logica/natcien.htm
( Uma questão problemática de Filosofia da Lingüística)
Considere a afirmação (a) e as perguntas (b) e (c) relativas a (a):
  1. A Lingüística é a ciência da linguagem humana.
  2. Qual a natureza de seu método?
  3. Qual a natureza de seu objeto?
Enquanto (a) representa, certamente, uma afirmação verdadeira e trivial para a comunidade mais ampla dos lingüistas, (b) e (c) são perguntas sobre as quais não há absolutamente consenso, e que determinam um debate de extrema sofisticação mesmo que entre membros da mesma escola.

De fato, ainda que imprecisa e panorâmica, uma breve inspeção na história contemporânea da Lingüistica já é suficiente para justificar a constatação de que há um inegável desacordo entre alguns dos mais expressivos teóricos dessa disciplina. Para Saussure (1916), (a) é uma afirmação verdadeira desde que a resposta a (c) considere a linguagem humana constituída essencialmente pela língua, enquanto conjunto de signos depositado na mente dos usuários pela prática pessoal da fala e desde que a resposta a (b) defina a Lingüística como um ramo da Semiologia ou Psicologia Social, entendidas como uma espécie de Teoria da Comunicação; Chomsky (1986) também aceita, (a), mas não concordaria, absolutamente, com a resposta a (b) e (c) de seu antecessor.

Para o fundador da teoria gerativista, a faculdade da linguagem é a expressão de uma propriedade inata da natureza humana, cujo caráter essencial é uma espécie de gramática universal geneticamente determinada, e isso responde a (c). Quanto a (b), Chomsky considera que a Lingüística é um ramo da Psicologia Cognitiva, como ciência natural capaz de explicar como tal propriedade da mente/cérebro do ser humano se constitui e como possibilita a aquisição, o conhecimento e o uso da linguagem.

Contemporâneo de Chomsky e um dos seus mais expressivos adversários teóricos, Montague (1970) somente poderia aceitar (a) desde que a resposta a (c) seja encaminhada no sentido de que a linguagem natural não se distingue, em sua essência, das linguagens construídas e desde que a resposta a (bobtenha a firmação de que a Lingüística é um ramo da matemática enquanto ciência formal.
Considere agora mais duas questões:
d) Se a Lingüística é a ciência da linguagem humana, que disciplina estuda os fundamentos de tal ciência?
e) Como se constitui tal disciplina?
A resposta a (d) envolve algumas observações preliminares. Toda a disciplina vai-se estabelecendo, historicamente, em sua cientificidade, mediante uma construção de conhecimentos proporcionados pela justa relação entre seu método e seu objeto, justificada pela plausibilidade de seus fundamentos. A construção propriamente dita caracteriza a teoria científica como tal; o estudo dos seus fundamentos, a filosofia daquela disciplina. Tal tem sido a história da Lingüística; paralelamente ao desenvolvimento de sua teoria, vão-se estabelecendo os fundamentos que a sustentam.

É justamente por isso, aliás, que os pioneiros de sua história como ciência têm sido, ao mesmo tempo, cientistas e filósofos de sua disciplina. Se Saussure, Chomsky e Montague, entre outros, trouxeram uma reconhecida contribuição a sua área de conhecimento é, sem dúvida, porque fizeram, concomitantemente, ciência e filosofia. Nesse sentido, então, encaminha-se para (d), a resposta de que se a Lingüística é a ciência da linguagem humana, a Filosofia da Lingüística é a disciplina que estuda os fundamentos de tal ciência.
A abordagem da questão (e) também merece algumas prévias considerações. Se a história da Lingüística, como se sugeriu, tem sido acompanhada pela história da Filosofia da Lingüística, é bem verdade que o desenvolvimento desta última tem ocorrido de forma intrínseca ao desenvolvimento da primeira. Isto significa, em última análise, que o estudo da teoria e de seus fundamentos tem avançado de maneira naturalmente conjugada de modo a não parece necessário o estabelecimento de uma disciplina específica como Filosofia da Lingüística. Realmente, parece trivial que a filosofia de uma área de conhecimento, que começa a construir-se como ciência, constitua-se, inicialmente, de forma implícita, para só ocupar um espaço mais específico a posteriori.

Nesses termos, se a Lingüística teórica é uma disciplina que apenas nesse século começa a solidificar-se em seu estatuto de cientificidade, é razoável que só agora a Filosofia da Lingüística comece a estabelecer-se como uma necessidade própria de investigação. Conseqüência disso, as formas de se encaminhar tal disciplina, o que constituiria a sua metodologia, não são senão alguns princípios muito gerais que podem ser sistematizados de maneira a tornar o estudo dos fundamentos da Lingüística consistente a ponto de caracterizá-la naquilo em que ela se pretende rigorosa e de esclarecê-la quanto às diversas formas de concebê-la. A resposta a (e), então, que propomos, passa por um pequeno conjunto de critérios cuja finalidade não é senão dotar a Filosofia da Lingüística de uma maior capacidade de avaliação das condições que constituem a disciplina que investiga.
1 Critério da Distinção entre Lingüística Pura e Aplicada
Trata-se de separar o conhecimento teórico a ser produzido com objetivos especificamente científicos, a saber, o da verdade sobre a natureza do objeto a ser esclarecido, do conhecimento aplicado diretamente a aspectos da realidade ou, indiretamente, através da relação com outras disciplinas. Por exemplo, trata-se de distinguir entre o conhecimento que busca, a partir do anterior, formas de ensinar uma segunda língua a uma criança.
2 Critério da distinção de Níveis de Constituição da Teoria Lingüística
A proposta aqui, é a de que se distingam os seguintes níveis: o nível da linguagem enquanto fenômeno geral acessível ao senso comum; o nível da linguagem enquanto objeto construído já no interior de uma teoria com perspectivas científicas; o nível da teoria lingüística, enquanto sistema de conceitos estruturados, o nível metateórico, ou de princípios que regem a metodologia de uma dada teoria lingüística e o nível de compromissos filosóficos, por exemplo, ontológicos, que sustentam todo o edifício teórico.
3 Critério de Tensão entre o Método Lingüístico e o seu Objeto
O critério acima sugere que se considere como essencial para o conhecimento científico a adequada tensão entre o método de investigação lingüística e as propriedades do seu objeto a serem esclarecidas. No interior de uma teoria lingüística, tal adequação consiste no surgimento de problemas que possam ser tratáveis e cujo tratamento permita originar problemas novos que caracterizam programas de investigação. Este critério sugere, ainda, que só dentro de tal relação é que se determina a relevância das propriedades do objeto e de seu método.
4 Critério da Distinção entre Propriedades Formais e Empíricas da Teoria Lingüística
Trata-se de distinguir a condição de uma teoria de adequar-se à experiência lingüística, considerando a evidência dos dados, da sua capacidade de expressar-se em uma linguagem formal, considerando-se questões de consistência, por exemplo, e outras.
5 Critério de Tensão entre Adequação Descritiva e Adequação Explanatória na Teoria Lingüística
Este critério consiste na necessidade de se entender o papel teórico da relação entre atividade de descrição lingüística e a de explanação. Sem descrição, a explanação pode ser indesejavelmente geral e sem valor explanatório, a descrição é vazia.
6 Critério da Avaliação Histórica dos Programas de Investigação Lingüística
Entende-se por este critério a condição de possibilidade de avaliação histórica dos resultados de um programa de pesquisa lingüística. Garante-se, através dele, a evolução da racionalidade científica na área, potencializando-se o progresso na construção de problemas lingüísticos relevantes e evitando-se a circularidade de propostas já ultrapassadas.
Uma vez caracterizados tais critérios, fica encaminhada a resposta à questão (e) e já se tem um conjunto mínimo de condições capazes de orientar o debate sobre (f), a problemática e central questão para a Filosofia da Lingüística, sugerida no início do presente texto.
(f) É a Lingüística uma ciência natural, formal ou social?

Referências Bibliográficas
CHOMSKY, N. (1984) Modular Approaches to the Study of the Mind. San Diego: San Diego University Press.
CHOMSKY, N. (1986) Knowledge of Language. Its Nature, Origin and Use. New York. Praeger
CHOMSKY, N. (1993) Language and Thought. London. Moyer Bell.
EARMAN, j. (ed) (1972) Inference, Explanation and Other Frustrations - Essays in the Philosophy of Science. Berckeley. University of California Press.
KATZ, J. (1985) The Philosophy of Linguistics. Oxford. Oxford University Press.
MONTAGUE,R.(1970) Formal Philosophy. New Haven. Yale University Press.
SAUSSURE, F. (1916/1974) Cours de Linguistique Générale. Paris. Payot.


------=_Part_692276_2011)





SUBJECT: Re: [ciencialist] Manual da linguagem cientifica - Só a ciência pode nos salvar deste flagelo
FROM: <oraculo@atibaia.com.br>
TO: <ciencialist@yahoogrupos.com.br>
DATE: 12/05/2015 14:41

Sugire esta palavra, para acabar com o problema.:- )

Supercalifragilisticexpialidocious
 
Homero
 
Sent: Tuesday, May 12, 2015 2:38 PM
Subject: Re: [ciencialist] Manual da linguagem cientifica - Só a ciência pode nos salvar deste flagelo
 
 


Ok, Prof. Belmiro.

Me informe por favor qual é o número máximo de letras que devo usar em cada palavra.
Prometo que jamais usarei esta: anticonstitucionalissimamente 
Thanks
MC


On Ter 12/05/15 14:24 , "Belmiro Wolski belmirow@yahoo.com.br [ciencialist]" ciencialist@yahoogrupos.com.br sent:
 
Não vale usar palavras muito extensas...
 
*BW*
 
 


Em Terça-feira, 12 de Maio de 2015 13:14, "Mtnos Calil mtnoscalil@terra.com.br [ciencialist]" escreveu:


 

Ok. Resolvido - as minhas mensagens dirigidas ao prof. Belmiro e ao Dr. Alberto terão no máximo 30 palavras.
Obrigado
MC


On Ter 12/05/15 11:54 , "'Alberto Mesquita Filho' albmesq@uol.com.br [ciencialist]" ciencialist@yahoogrupos.com.br sent:
 
Mtnos escreveu:
 
> Aguardo a informação a respeito do número de palavras que não espreme (ou oprime) o seu saco, quando o assunto for linguagem cientifica (ou ciência da linguagem). Podemos até montar uma tabela fixando o limite de palavras por assunto.
 
A coisa não é tão simples assim. Mensagens quilométricas e com conteúdo científico de boa qualidade são sempre bem-vindas na Ciencialist. Com respeito às suas msgs, com raríssimas exceções, creio que o limite proposto pelo BW (30) está de bom tamanho.
 
[ ]´s
Alberto
http://ecientificocultural.com.br
Mas indiferentemente a tudo isso, o elétron não é uma carga elétrica
coulombiana e a Terra se move. E a história se repetirá.
.
 
 
Sent: Tuesday, May 12, 2015 12:48 AM
Subject: Re: Re: [ciencialist] Manual da linguagem cientifica - Só a ciência pode nos salvar deste flagelo
 
 
Ilmo. Dr. Alberto
 
1) Se considerarmos a sua longa assinatura, a sua mensagem teve 56 palavras.
2) Obrigado por mais uma interessante contribuição para o LPC - esse ditado "para bom entendedor meia palavra basta" requer um esquartejamento pois a meia palavra pode ser às vezes precisa e às vezes imprecisa. Não é aconselhável, portanto, correr-se o risco de cair na imprecisão ou na simples falta de clareza.  No caso, a sua meia palavra foi "condições" e, inserida no contexto, não ficou nada clara. Mas foi muito bom tê-la trazido à baila - ela será inserida na relação das palavras e locuções condenadas.
3) Aguardo a informação a respeito do número de palavras que não espreme (ou oprime) o seu saco, quando o assunto for linguagem cientifica (ou ciência da linguagem). Podemos até montar uma tabela fixando o limite de palavras por assunto. Por exemplo

ASSUNTOS
Ciência da linguagem
Ciência da vida
Espirito cientifico
A psicologia é uma ciência?
Precisão linguistica
Relação entre a ciência e a política
Matemática sem números
Teoria quântica aplicada ao mundo social

Ginástica mental
Outros

Obrigado, novamente.
MC

Ps1. Esta mensagem teve 292 palavras, incluindo as dos Ps.

Ps2. Que tal propormos ao moderador que fixe o número máximo de palavras por mensagem?
Ps3. Neste sistema de contagem, os números, a exemplo do 205 são considerados palavras.
Ps4. O número dos Ps. não são considerados números para efeito de contagem e sim letras.
Ps5.Se não for dado um espaço entre a frase e o número do post scriptum, como ocorreu neste Ps5, o dito cujo  é incorporado à palavra à qual precede, não valendo para a contagem. 
Ps6. “Deus está nos detalhes”, disse um poeta alemão de nome complicadíssimo para quem não domina este idioma, como eu



Em Seg 11/05/15 23:49, Alberto Mesquita Filho albmesq@uol.com.br [ciencialist] ciencialist@yahoogrupos.com.br escreveu:
 
Utilizei a palavra fora do contexto, mas como estamos em uma fase de economizar palavras e para o bom entendedor meia palavra basta, vou parar por aqui (27 palavras).
[ ]´s
Alberto
http://ecientificocultural.com.br
Mas indiferentemente a tudo isso, o elétron não é uma carga elétrica
coulombiana e a Terra se move. E a história se repetirá.
Sent: Monday, May 11, 2015 7:17 PM
Subject: Re: [ciencialist] Manual da linguagem cientifica - Só a ciência pode nos salvar deste flagelo
 
O que V.Sa. quiz dizer com o termo "condições"?
MC
Ps. Lembro que no saco de BW cabem 30 palavras (para este assunto). E o saco do PB não se sentiu inflado com 41 palavras!



On Seg 11/05/15 19:12 , "'Alberto Mesquita Filho' albmesq@uol.com.br [ciencialist]" ciencialist@yahoogrupos.com.br sent:
 
Nestas condições utilizo uma única palavra: EXCLUIR.
[ ]´s
Alberto
http://ecientificocultural.com.br
Mas indiferentemente a tudo isso, o elétron não é uma carga elétrica
coulombiana e a Terra se move. E a história se repetirá.
Sent: Monday, May 11, 2015 6:02 PM
Subject: Re: Re: [ciencialist] Manual da linguagem cientifica - Só a ciência pode nos salvar deste flagelo
 
O texto que fala do flagelo possui 1104 palavras.
Me informe por gentileza qual é, aproximadamente,  a quantidade de palavras que cabe no seu saco
Obrigado!

M.Calil
Em Seg 11/05/15 17:43, Belmiro Wolski belmirow@yahoo.com.br [ciencialist] ciencialist@yahoogrupos.com.br escreveu:
 
Muito longo...
Faltou saco!
*BW*


Em Segunda-feira, 11 de Maio de 2015 17:39, "Mtnos Calil" mtnoscalil@terra.com.br [ciencialist]" escreveu:
 
                                       Narrativa sobre o flagelo linguístico que assola a humanidade

"...uma epidemia pestilenta atingiu a humanidade inteira em sua faculdade mais característica, ou seja, no uso da palavra, consistindo essa peste da língua numa perda de força cognoscitiva.   Não me interessa aqui indagar se as origens dessa epidemia devam ser pesquisadas na política, na ideologia, na uniformidade burocrática, na homogeneização dos mass-media ou na difusão acadêmica de uma cultura média. O que me interessa são as possibilidades de salvação. A literatura (e talvez somente a literatura) pode criar os anticorpos que coíbam a expansão desse flagelo lingüístico.” -  Italo Calvino, escritor italiano falecido em 1985

Perdão Italo Calvino, que agora está na companhia dos deuses da precisão linguística: não é a literatura que vai nos salvar deste terrível flagelo que requer uma intervenção cirúrgica cientifica. A ciência que poderia salvar a humanidade do flagelo linguistico é a "ciência da linguagem" que ainda não está devidamente estruturada. Para se estruturar sistemicamente, a linguística precisaria se livrar de outro flagelo da ciência que é especialização. Uma ciência da linguagem humana (ou mesmo não humana) só poderá adquirir uma configuração sistêmica se trabalhar em conjunto com outras ciências como a psicologia, a biologia, a antropologia.

Quanto ao flagelo linguístico, o mais grave  é que os cientistas ainda nem tomaram conhecimento da doença, da qual eles próprios foram vitimados. Por isso*, penso** que estamos condenados a viver nesta pandemia enquanto a esquizofrenia linguistica*** não enlouquecer a todos nós. Concordo com a sua idéia de que muitos problemas podem ser resolvidos sem o conhecimento das respectivas causas. Porém, no caso do flagelo linguistico, sendo ele de origem genética, penso que a causa do mal deva ser considerada. Ocorre que o homem criou a palavra com a dupla função de descrever a realidade e de alimentar fantasias de natureza instintiva. Assim a palavra se transformou numa arma de mentira e de destruição.
A ambiguidade da palavra, estimado Calvino, está impressa em nossos neurônios. **** Ela serve para o bem e para o mal. É ao mesmo tempo linda, maravihosa, cruel e mortífera.

* Isso = o desconhecimento dos cientistas a respeito do mal
**Usei o verbo pensar no seu sentido legitimo e não no sentido de seu simulacro, o verbo crer.
***A esquizofrenia linguistica é uma variante da esquizofrenia social que milagrosamente foi objeto de um livro de uma psicóloga brasileira- Elza Pádua. Trata-se de uma inovação mundial da qual a midia tem um pavor supremo. Como os midiáticos poderiam combater a maior  fonte dos seus lucros?  (esquizofrenia social é uma expressão da autora e a esquizofrenia linguistica ficou por minha conta...Paciência! )
**** Não estou fazendo uso de uma metáfora ao afirmar a origem genética da ambiguidade linguística. Se quisermos aprimorar a estratégia da precisão linguistica é recomendável reduzirmos ao máximo o uso das metáforas. A origem genética citada constitui uma hipótese que talvez nunca venha a ser comprovada. Formular hipóteses que não podem ser testadas ou comprovadas é um dos ônus da ciência. Outro ônus da ciência é ser submissa aos politicos que não conseguem se livrar do instinto da guerra e de outros instintos malévolos como o da dominação,  que chamam de "Poder".  Para os politicos a ambição pelo poder é algo natural da espécie humana. É natural mesmo! Por isso a cultura é incapaz de extirpar esse mal.
Mtnos Calil



Com a palavra Italo Calvino (
Escritor italiano, 1923-1985) que morreu antes de proferir uma palestra em Harvard que ficou registrada num texto datilografado:
  • A precisão, para os antigos egípcios, era simbolizada por uma pluma que servia de peso num dos pratos da balança em que se pesavam as almas. Essa pluma levíssima tinha o nome de Maat, deusa da balança. O hieróglifo de Maat indicava igualmente a unidade de comprimento — os 33 cm do tijolo unitário — e também o tom fundamental da flauta.
  • Essas informações provêm de uma conferência de Giorgio de Santillana sobre a precisão dos antigos no observar dos fenômenos celestes, conferência que ouvi na Itália em 1963 e que exerceu sobre mim profunda influência. Desde que aqui cheguei, tenho pensado freqüentemente em Santillana, por ter sido ele o meu cicerone em Massachusetts quando de minha primeira visita a este país em 1960. Em lembrança de sua amizade, abro esta conferência sobre a exatidão na literatura invocando o nome de Maat, a deusa da balança. Tanto mais que Balança é o meu signo zodiacal.
  • Antes de mais nada, procurarei definir o tema. Para mim, exatidão quer dizer principalmente três coisas: (1) um projeto de obra bem definido e calculado; (2) a evocação de imagens visuais nítidas, incisivas, memoráveis: temos em italiano um adjetivo que não existe em inglês, icastico, do grego eikastikos; (3) uma linguagem que seja a mais precisa possível como léxico e em sua capacidade de traduzir as nuanças do pensamento e da imaginação.
  • Por que me vem a necessidade de defender valores que a muitos parecerão simplesmente óbvios? Creio que o meu primeiro impulso decorra de uma hipersensibilidade ou alergia pessoal: a linguagem me parece sempre usada de modo aproximativo, casual, descuidado, e isso me causa intolerável repúdio. Que não vejam nessa reação minha um sinal de intolerância para com o próximo: sinto um repúdio ainda maior quando me ouço a mim mesmo. Por isso procuro falar o mínimo possível, e se prefiro escrever é que, escrevendo, posso emendar cada frase tantas vezes quanto ache necessário para chegar, não digo a me sentir satisfeito com minhas palavras, mas pelo menos a eliminar as razões de insatisfação de que me posso dar conta. A literatura — quero dizer, aquela que responde a essas exigências — é a Terra Prometida em que a linguagem se torna aquilo que na verdade deveria ser.
  • Às vezes me parece que uma epidemia pestilenta atingiu a humanidade inteira em sua faculdade mais característica, ou seja, no uso da palavra, consistindo essa peste da língua numa perda de força cognoscitiva e de imediaticidade, como um automatismo que tendesse a nivelar a expressão em fórmulas mais genéricas, anônimas, abstratas, a diluir os significados, a embotar os pontos expressivos, a extinguir toda centelha que crepite no encontro das palavras com novas circunstâncias.
  • Não me interessa aqui indagar se as origens dessa epidemia devam ser pesquisadas na política, na ideologia, na uniformidade burocrática, na homogeneização dos mass-media ou na difusão acadêmica de uma cultura média. O que me interessa são as possibilidades de salvação. A literatura (e talvez somente a literatura) pode criar os anticorpos que coíbam a expansão desse flagelo lingüístico.”
 
Seis propostas para o próximo milênio — “Exatidão” — Tradução de Ivo Barroso. (Companhia das Letras, 1991)
 
https://www.google.com.br/webhp?sourceid=chrome-instant&ion=1&espv=2&ie=UTF-8#q=livro+Exatid%C3%A3o%2C+Italo+Calvino+download

Sobre a Natureza da Ciência da Linguagem
http://www.pucrs.br/letras/pos/logica/natcien.htm
( Uma questão problemática de Filosofia da Lingüística)
Considere a afirmação (a) e as perguntas (b) e (c) relativas a (a):
  1. A Lingüística é a ciência da linguagem humana.
  2. Qual a natureza de seu método?
  3. Qual a natureza de seu objeto?
Enquanto (a) representa, certamente, uma afirmação verdadeira e trivial para a comunidade mais ampla dos lingüistas, (b) e (c) são perguntas sobre as quais não há absolutamente consenso, e que determinam um debate de extrema sofisticação mesmo que entre membros da mesma escola.

De fato, ainda que imprecisa e panorâmica, uma breve inspeção na história contemporânea da Lingüistica já é suficiente para justificar a constatação de que há um inegável desacordo entre alguns dos mais expressivos teóricos dessa disciplina. Para Saussure (1916), (a) é uma afirmação verdadeira desde que a resposta a (c) considere a linguagem humana constituída essencialmente pela língua, enquanto conjunto de signos depositado na mente dos usuários pela prática pessoal da fala e desde que a resposta a (b) defina a Lingüística como um ramo da Semiologia ou Psicologia Social, entendidas como uma espécie de Teoria da Comunicação; Chomsky (1986) também aceita, (a), mas não concordaria, absolutamente, com a resposta a (b) e (c) de seu antecessor.

Para o fundador da teoria gerativista, a faculdade da linguagem é a expressão de uma propriedade inata da natureza humana, cujo caráter essencial é uma espécie de gramática universal geneticamente determinada, e isso responde a (c). Quanto a (b), Chomsky considera que a Lingüística é um ramo da Psicologia Cognitiva, como ciência natural capaz de explicar como tal propriedade da mente/cérebro do ser humano se constitui e como possibilita a aquisição, o conhecimento e o uso da linguagem.

Contemporâneo de Chomsky e um dos seus mais expressivos adversários teóricos, Montague (1970) somente poderia aceitar (a) desde que a resposta a (c) seja encaminhada no sentido de que a linguagem natural não se distingue, em sua essência, das linguagens construídas e desde que a resposta a (bobtenha a firmação de que a Lingüística é um ramo da matemática enquanto ciência formal.
Considere agora mais duas questões:
d) Se a Lingüística é a ciência da linguagem humana, que disciplina estuda os fundamentos de tal ciência?
e) Como se constitui tal disciplina?
A resposta a (d) envolve algumas observações preliminares. Toda a disciplina vai-se estabelecendo, historicamente, em sua cientificidade, mediante uma construção de conhecimentos proporcionados pela justa relação entre seu método e seu objeto, justificada pela plausibilidade de seus fundamentos. A construção propriamente dita caracteriza a teoria científica como tal; o estudo dos seus fundamentos, a filosofia daquela disciplina. Tal tem sido a história da Lingüística; paralelamente ao desenvolvimento de sua teoria, vão-se estabelecendo os fundamentos que a sustentam.

É justamente por isso, aliás, que os pioneiros de sua história como ciência têm sido, ao mesmo tempo, cientistas e filósofos de sua disciplina. Se Saussure, Chomsky e Montague, entre outros, trouxeram uma reconhecida contribuição a sua área de conhecimento é, sem dúvida, porque fizeram, concomitantemente, ciência e filosofia. Nesse sentido, então, encaminha-se para (d), a resposta de que se a Lingüística é a ciência da linguagem humana, a Filosofia da Lingüística é a disciplina que estuda os fundamentos de tal ciência.
A abordagem da questão (e) também merece algumas prévias considerações. Se a história da Lingüística, como se sugeriu, tem sido acompanhada pela história da Filosofia da Lingüística, é bem verdade que o desenvolvimento desta última tem ocorrido de forma intrínseca ao desenvolvimento da primeira. Isto significa, em última análise, que o estudo da teoria e de seus fundamentos tem avançado de maneira naturalmente conjugada de modo a não parece necessário o estabelecimento de uma disciplina específica como Filosofia da Lingüística. Realmente, parece trivial que a filosofia de uma área de conhecimento, que começa a construir-se como ciência, constitua-se, inicialmente, de forma implícita, para só ocupar um espaço mais específico a posteriori.

Nesses termos, se a Lingüística teórica é uma disciplina que apenas nesse século começa a solidificar-se em seu estatuto de cientificidade, é razoável que só agora a Filosofia da Lingüística comece a estabelecer-se como uma necessidade própria de investigação. Conseqüência disso, as formas de se encaminhar tal disciplina, o que constituiria a sua metodologia, não são senão alguns princípios muito gerais que podem ser sistematizados de maneira a tornar o estudo dos fundamentos da Lingüística consistente a ponto de caracterizá-la naquilo em que ela se pretende rigorosa e de esclarecê-la quanto às diversas formas de concebê-la. A resposta a (e), então, que propomos, passa por um pequeno conjunto de critérios cuja finalidade não é senão dotar a Filosofia da Lingüística de uma maior capacidade de avaliação das condições que constituem a disciplina que investiga.
1 Critério da Distinção entre Lingüística Pura e Aplicada
Trata-se de separar o conhecimento teórico a ser produzido com objetivos especificamente científicos, a saber, o da verdade sobre a natureza do objeto a ser esclarecido, do conhecimento aplicado diretamente a aspectos da realidade ou, indiretamente, através da relação com outras disciplinas. Por exemplo, trata-se de distinguir entre o conhecimento que busca, a partir do anterior, formas de ensinar uma segunda língua a uma criança.
2 Critério da distinção de Níveis de Constituição da Teoria Lingüística
A proposta aqui, é a de que se distingam os seguintes níveis: o nível da linguagem enquanto fenômeno geral acessível ao senso comum; o nível da linguagem enquanto objeto construído já no interior de uma teoria com perspectivas científicas; o nível da teoria lingüística, enquanto sistema de conceitos estruturados, o nível metateórico, ou de princípios que regem a metodologia de uma dada teoria lingüística e o nível de compromissos filosóficos, por exemplo, ontológicos, que sustentam todo o edifício teórico.
3 Critério de Tensão entre o Método Lingüístico e o seu Objeto
O critério acima sugere que se considere como essencial para o conhecimento científico a adequada tensão entre o método de investigação lingüística e as propriedades do seu objeto a serem esclarecidas. No interior de uma teoria lingüística, tal adequação consiste no surgimento de problemas que possam ser tratáveis e cujo tratamento permita originar problemas novos que caracterizam programas de investigação. Este critério sugere, ainda, que só dentro de tal relação é que se determina a relevância das propriedades do objeto e de seu método.
4 Critério da Distinção entre Propriedades Formais e Empíricas da Teoria Lingüística
Trata-se de distinguir a condição de uma teoria de adequar-se à experiência lingüística, considerando a evidência dos dados, da sua capacidade de expressar-se em uma linguagem formal, considerando-se questões de consistência, por exemplo, e outras.
5 Critério de Tensão entre Adequação Descritiva e Adequação Explanatória na Teoria Lingüística
Este critério consiste na necessidade de se entender o papel teórico da relação entre atividade de descrição lingüística e a de explanação. Sem descrição, a explanação pode ser indesejavelmente geral e sem valor explanatório, a descrição é vazia.
6 Critério da Avaliação Histórica dos Programas de Investigação Lingüística
Entende-se por este critério a condição de possibilidade de avaliação histórica dos resultados de um programa de pesquisa lingüística. Garante-se, através dele, a evolução da racionalidade científica na área, potencializando-se o progresso na construção de problemas lingüísticos relevantes e evitando-se a circularidade de propostas já ultrapassadas.
Uma vez caracterizados tais critérios, fica encaminhada a resposta à questão (e) e já se tem um conjunto mínimo de condições capazes de orientar o debate sobre (f), a problemática e central questão para a Filosofia da Lingüística, sugerida no início do presente texto.
(f) É a Lingüística uma ciência natural, formal ou social?

Referências Bibliográficas
CHOMSKY, N. (1984) Modular Approaches to the Study of the Mind. San Diego: San Diego University Press.
CHOMSKY, N. (1986) Knowledge of Language. Its Nature, Origin and Use. New York. Praeger
CHOMSKY, N. (1993) Language and Thought. London. Moyer Bell.
EARMAN, j. (ed) (1972) Inference, Explanation and Other Frustrations - Essays in the Philosophy of Science. Berckeley. University of California Press.
KATZ, J. (1985) The Philosophy of Linguistics. Oxford. Oxford University Press.
MONTAGUE,R.(1970) Formal Philosophy. New Haven. Yale University Press.
SAUSSURE, F. (1916/1974) Cours de Linguistique Générale. Paris. Payot.


------=_Part_692276_2011)
 






Avast logo

Este email foi escaneado pelo Avast antivírus.
www.avast.com



SUBJECT: Re: [ciencialist] Manual da linguagem cientifica - Só a ciência pode nos salvar deste flagelo
FROM: Mtnos Calil <mtnoscalil@terra.com.br>
TO: <ciencialist@yahoogrupos.com.br>
DATE: 12/05/2015 15:06


Mr. Homero. 
Here we speak and write in portuguese
Thank for your attention
MC


On Ter 12/05/15 14:41 , "oraculo@atibaia.com.br [ciencialist]" ciencialist@yahoogrupos.com.br sent:
 

Sugire esta palavra, para acabar com o problema.:- )

Supercalifragilisticexpialidocious
 
Homero
 
Sent: Tuesday, May 12, 2015 2:38 PM
Subject: Re: [ciencialist] Manual da linguagem cientifica - Só a ciência pode nos salvar deste flagelo
 
 


Ok, Prof. Belmiro.

Me informe por favor qual é o número máximo de letras que devo usar em cada palavra.
Prometo que jamais usarei esta: anticonstitucionalissimamente 
Thanks
MC


On Ter 12/05/15 14:24 , "Belmiro Wolski belmirow@yahoo.com.br [ciencialist]" ciencialist@yahoogrupos.com.br sent:
 
Não vale usar palavras muito extensas...
 
*BW*
 
 


Em Terça-feira, 12 de Maio de 2015 13:14, "Mtnos Calil mtnoscalil@terra.com.br [ciencialist]" escreveu:


 

Ok. Resolvido - as minhas mensagens dirigidas ao prof. Belmiro e ao Dr. Alberto terão no máximo 30 palavras.
Obrigado
MC


On Ter 12/05/15 11:54 , "'Alberto Mesquita Filho' albmesq@uol.com.br [ciencialist]" ciencialist@yahoogrupos.com.br sent:
 
Mtnos escreveu:
 
> Aguardo a informação a respeito do número de palavras que não espreme (ou oprime) o seu saco, quando o assunto for linguagem cientifica (ou ciência da linguagem). Podemos até montar uma tabela fixando o limite de palavras por assunto.
 
A coisa não é tão simples assim. Mensagens quilométricas e com conteúdo científico de boa qualidade são sempre bem-vindas na Ciencialist. Com respeito às suas msgs, com raríssimas exceções, creio que o limite proposto pelo BW (30) está de bom tamanho.
 
[ ]´s
Alberto
http://ecientificocultural.com.br
Mas indiferentemente a tudo isso, o elétron não é uma carga elétrica
coulombiana e a Terra se move. E a história se repetirá.
.
 
 
Sent: Tuesday, May 12, 2015 12:48 AM
Subject: Re: Re: [ciencialist] Manual da linguagem cientifica - Só a ciência pode nos salvar deste flagelo
 
 
Ilmo. Dr. Alberto
 
1) Se considerarmos a sua longa assinatura, a sua mensagem teve 56 palavras.
2) Obrigado por mais uma interessante contribuição para o LPC - esse ditado "para bom entendedor meia palavra basta" requer um esquartejamento pois a meia palavra pode ser às vezes precisa e às vezes imprecisa. Não é aconselhável, portanto, correr-se o risco de cair na imprecisão ou na simples falta de clareza.  No caso, a sua meia palavra foi "condições" e, inserida no contexto, não ficou nada clara. Mas foi muito bom tê-la trazido à baila - ela será inserida na relação das palavras e locuções condenadas.
3) Aguardo a informação a respeito do número de palavras que não espreme (ou oprime) o seu saco, quando o assunto for linguagem cientifica (ou ciência da linguagem). Podemos até montar uma tabela fixando o limite de palavras por assunto. Por exemplo

ASSUNTOS
Ciência da linguagem
Ciência da vida
Espirito cientifico
A psicologia é uma ciência?
Precisão linguistica
Relação entre a ciência e a política
Matemática sem números
Teoria quântica aplicada ao mundo social

Ginástica mental
Outros

Obrigado, novamente.
MC

Ps1. Esta mensagem teve 292 palavras, incluindo as dos Ps.

Ps2. Que tal propormos ao moderador que fixe o número máximo de palavras por mensagem?
Ps3. Neste sistema de contagem, os números, a exemplo do 205 são considerados palavras.
Ps4. O número dos Ps. não são considerados números para efeito de contagem e sim letras.
Ps5.Se não for dado um espaço entre a frase e o número do post scriptum, como ocorreu neste Ps5, o dito cujo  é incorporado à palavra à qual precede, não valendo para a contagem. 
Ps6. “Deus está nos detalhes”, disse um poeta alemão de nome complicadíssimo para quem não domina este idioma, como eu



Em Seg 11/05/15 23:49, Alberto Mesquita Filho albmesq@uol.com.br [ciencialist] ciencialist@yahoogrupos.com.br escreveu:
 
Utilizei a palavra fora do contexto, mas como estamos em uma fase de economizar palavras e para o bom entendedor meia palavra basta, vou parar por aqui (27 palavras).
[ ]´s
Alberto
http://ecientificocultural.com.br
Mas indiferentemente a tudo isso, o elétron não é uma carga elétrica
coulombiana e a Terra se move. E a história se repetirá.
Sent: Monday, May 11, 2015 7:17 PM
Subject: Re: [ciencialist] Manual da linguagem cientifica - Só a ciência pode nos salvar deste flagelo
 
O que V.Sa. quiz dizer com o termo "condições"?
MC
Ps. Lembro que no saco de BW cabem 30 palavras (para este assunto). E o saco do PB não se sentiu inflado com 41 palavras!



On Seg 11/05/15 19:12 , "'Alberto Mesquita Filho' albmesq@uol.com.br [ciencialist]" ciencialist@yahoogrupos.com.br sent:
 
Nestas condições utilizo uma única palavra: EXCLUIR.
[ ]´s
Alberto
http://ecientificocultural.com.br
Mas indiferentemente a tudo isso, o elétron não é uma carga elétrica
coulombiana e a Terra se move. E a história se repetirá.
Sent: Monday, May 11, 2015 6:02 PM
Subject: Re: Re: [ciencialist] Manual da linguagem cientifica - Só a ciência pode nos salvar deste flagelo
 
O texto que fala do flagelo possui 1104 palavras.
Me informe por gentileza qual é, aproximadamente,  a quantidade de palavras que cabe no seu saco
Obrigado!

M.Calil
Em Seg 11/05/15 17:43, Belmiro Wolski belmirow@yahoo.com.br [ciencialist] ciencialist@yahoogrupos.com.br escreveu:
 
Muito longo...
Faltou saco!
*BW*


Em Segunda-feira, 11 de Maio de 2015 17:39, "Mtnos Calil" mtnoscalil@terra.com.br [ciencialist]" escreveu:
 
                                       Narrativa sobre o flagelo linguístico que assola a humanidade

"...uma epidemia pestilenta atingiu a humanidade inteira em sua faculdade mais característica, ou seja, no uso da palavra, consistindo essa peste da língua numa perda de força cognoscitiva.   Não me interessa aqui indagar se as origens dessa epidemia devam ser pesquisadas na política, na ideologia, na uniformidade burocrática, na homogeneização dos mass-media ou na difusão acadêmica de uma cultura média. O que me interessa são as possibilidades de salvação. A literatura (e talvez somente a literatura) pode criar os anticorpos que coíbam a expansão desse flagelo lingüístico.” -  Italo Calvino, escritor italiano falecido em 1985

Perdão Italo Calvino, que agora está na companhia dos deuses da precisão linguística: não é a literatura que vai nos salvar deste terrível flagelo que requer uma intervenção cirúrgica cientifica. A ciência que poderia salvar a humanidade do flagelo linguistico é a "ciência da linguagem" que ainda não está devidamente estruturada. Para se estruturar sistemicamente, a linguística precisaria se livrar de outro flagelo da ciência que é especialização. Uma ciência da linguagem humana (ou mesmo não humana) só poderá adquirir uma configuração sistêmica se trabalhar em conjunto com outras ciências como a psicologia, a biologia, a antropologia.

Quanto ao flagelo linguístico, o mais grave  é que os cientistas ainda nem tomaram conhecimento da doença, da qual eles próprios foram vitimados. Por isso*, penso** que estamos condenados a viver nesta pandemia enquanto a esquizofrenia linguistica*** não enlouquecer a todos nós. Concordo com a sua idéia de que muitos problemas podem ser resolvidos sem o conhecimento das respectivas causas. Porém, no caso do flagelo linguistico, sendo ele de origem genética, penso que a causa do mal deva ser considerada. Ocorre que o homem criou a palavra com a dupla função de descrever a realidade e de alimentar fantasias de natureza instintiva. Assim a palavra se transformou numa arma de mentira e de destruição.
A ambiguidade da palavra, estimado Calvino, está impressa em nossos neurônios. **** Ela serve para o bem e para o mal. É ao mesmo tempo linda, maravihosa, cruel e mortífera.

* Isso = o desconhecimento dos cientistas a respeito do mal
**Usei o verbo pensar no seu sentido legitimo e não no sentido de seu simulacro, o verbo crer.
***A esquizofrenia linguistica é uma variante da esquizofrenia social que milagrosamente foi objeto de um livro de uma psicóloga brasileira- Elza Pádua. Trata-se de uma inovação mundial da qual a midia tem um pavor supremo. Como os midiáticos poderiam combater a maior  fonte dos seus lucros?  (esquizofrenia social é uma expressão da autora e a esquizofrenia linguistica ficou por minha conta...Paciência! )
**** Não estou fazendo uso de uma metáfora ao afirmar a origem genética da ambiguidade linguística. Se quisermos aprimorar a estratégia da precisão linguistica é recomendável reduzirmos ao máximo o uso das metáforas. A origem genética citada constitui uma hipótese que talvez nunca venha a ser comprovada. Formular hipóteses que não podem ser testadas ou comprovadas é um dos ônus da ciência. Outro ônus da ciência é ser submissa aos politicos que não conseguem se livrar do instinto da guerra e de outros instintos malévolos como o da dominação,  que chamam de "Poder".  Para os politicos a ambição pelo poder é algo natural da espécie humana. É natural mesmo! Por isso a cultura é incapaz de extirpar esse mal.
Mtnos Calil



Com a palavra Italo Calvino (
Escritor italiano, 1923-1985) que morreu antes de proferir uma palestra em Harvard que ficou registrada num texto datilografado:
  • A precisão, para os antigos egípcios, era simbolizada por uma pluma que servia de peso num dos pratos da balança em que se pesavam as almas. Essa pluma levíssima tinha o nome de Maat, deusa da balança. O hieróglifo de Maat indicava igualmente a unidade de comprimento — os 33 cm do tijolo unitário — e também o tom fundamental da flauta.
  • Essas informações provêm de uma conferência de Giorgio de Santillana sobre a precisão dos antigos no observar dos fenômenos celestes, conferência que ouvi na Itália em 1963 e que exerceu sobre mim profunda influência. Desde que aqui cheguei, tenho pensado freqüentemente em Santillana, por ter sido ele o meu cicerone em Massachusetts quando de minha primeira visita a este país em 1960. Em lembrança de sua amizade, abro esta conferência sobre a exatidão na literatura invocando o nome de Maat, a deusa da balança. Tanto mais que Balança é o meu signo zodiacal.
  • Antes de mais nada, procurarei definir o tema. Para mim, exatidão quer dizer principalmente três coisas: (1) um projeto de obra bem definido e calculado; (2) a evocação de imagens visuais nítidas, incisivas, memoráveis: temos em italiano um adjetivo que não existe em inglês, icastico, do grego eikastikos; (3) uma linguagem que seja a mais precisa possível como léxico e em sua capacidade de traduzir as nuanças do pensamento e da imaginação.
  • Por que me vem a necessidade de defender valores que a muitos parecerão simplesmente óbvios? Creio que o meu primeiro impulso decorra de uma hipersensibilidade ou alergia pessoal: a linguagem me parece sempre usada de modo aproximativo, casual, descuidado, e isso me causa intolerável repúdio. Que não vejam nessa reação minha um sinal de intolerância para com o próximo: sinto um repúdio ainda maior quando me ouço a mim mesmo. Por isso procuro falar o mínimo possível, e se prefiro escrever é que, escrevendo, posso emendar cada frase tantas vezes quanto ache necessário para chegar, não digo a me sentir satisfeito com minhas palavras, mas pelo menos a eliminar as razões de insatisfação de que me posso dar conta. A literatura — quero dizer, aquela que responde a essas exigências — é a Terra Prometida em que a linguagem se torna aquilo que na verdade deveria ser.
  • Às vezes me parece que uma epidemia pestilenta atingiu a humanidade inteira em sua faculdade mais característica, ou seja, no uso da palavra, consistindo essa peste da língua numa perda de força cognoscitiva e de imediaticidade, como um automatismo que tendesse a nivelar a expressão em fórmulas mais genéricas, anônimas, abstratas, a diluir os significados, a embotar os pontos expressivos, a extinguir toda centelha que crepite no encontro das palavras com novas circunstâncias.
  • Não me interessa aqui indagar se as origens dessa epidemia devam ser pesquisadas na política, na ideologia, na uniformidade burocrática, na homogeneização dos mass-media ou na difusão acadêmica de uma cultura média. O que me interessa são as possibilidades de salvação. A literatura (e talvez somente a literatura) pode criar os anticorpos que coíbam a expansão desse flagelo lingüístico.”
 
Seis propostas para o próximo milênio — “Exatidão” — Tradução de Ivo Barroso. (Companhia das Letras, 1991)
 
https://www.google.com.br/webhp?sourceid=chrome-instant&ion=1&espv=2&ie=UTF-8#q=livro+Exatid%C3%A3o%2C+Italo+Calvino+download

Sobre a Natureza da Ciência da Linguagem
http://www.pucrs.br/letras/pos/logica/natcien.htm
( Uma questão problemática de Filosofia da Lingüística)
Considere a afirmação (a) e as perguntas (b) e (c) relativas a (a):
  1. A Lingüística é a ciência da linguagem humana.
  2. Qual a natureza de seu método?
  3. Qual a natureza de seu objeto?
Enquanto (a) representa, certamente, uma afirmação verdadeira e trivial para a comunidade mais ampla dos lingüistas, (b) e (c) são perguntas sobre as quais não há absolutamente consenso, e que determinam um debate de extrema sofisticação mesmo que entre membros da mesma escola.

De fato, ainda que imprecisa e panorâmica, uma breve inspeção na história contemporânea da Lingüistica já é suficiente para justificar a constatação de que há um inegável desacordo entre alguns dos mais expressivos teóricos dessa disciplina. Para Saussure (1916), (a) é uma afirmação verdadeira desde que a resposta a (c) considere a linguagem humana constituída essencialmente pela língua, enquanto conjunto de signos depositado na mente dos usuários pela prática pessoal da fala e desde que a resposta a (b) defina a Lingüística como um ramo da Semiologia ou Psicologia Social, entendidas como uma espécie de Teoria da Comunicação; Chomsky (1986) também aceita, (a), mas não concordaria, absolutamente, com a resposta a (b) e (c) de seu antecessor.

Para o fundador da teoria gerativista, a faculdade da linguagem é a expressão de uma propriedade inata da natureza humana, cujo caráter essencial é uma espécie de gramática universal geneticamente determinada, e isso responde a (c). Quanto a (b), Chomsky considera que a Lingüística é um ramo da Psicologia Cognitiva, como ciência natural capaz de explicar como tal propriedade da mente/cérebro do ser humano se constitui e como possibilita a aquisição, o conhecimento e o uso da linguagem.

Contemporâneo de Chomsky e um dos seus mais expressivos adversários teóricos, Montague (1970) somente poderia aceitar (a) desde que a resposta a (c) seja encaminhada no sentido de que a linguagem natural não se distingue, em sua essência, das linguagens construídas e desde que a resposta a (bobtenha a firmação de que a Lingüística é um ramo da matemática enquanto ciência formal.
Considere agora mais duas questões:
d) Se a Lingüística é a ciência da linguagem humana, que disciplina estuda os fundamentos de tal ciência?
e) Como se constitui tal disciplina?
A resposta a (d) envolve algumas observações preliminares. Toda a disciplina vai-se estabelecendo, historicamente, em sua cientificidade, mediante uma construção de conhecimentos proporcionados pela justa relação entre seu método e seu objeto, justificada pela plausibilidade de seus fundamentos. A construção propriamente dita caracteriza a teoria científica como tal; o estudo dos seus fundamentos, a filosofia daquela disciplina. Tal tem sido a história da Lingüística; paralelamente ao desenvolvimento de sua teoria, vão-se estabelecendo os fundamentos que a sustentam.

É justamente por isso, aliás, que os pioneiros de sua história como ciência têm sido, ao mesmo tempo, cientistas e filósofos de sua disciplina. Se Saussure, Chomsky e Montague, entre outros, trouxeram uma reconhecida contribuição a sua área de conhecimento é, sem dúvida, porque fizeram, concomitantemente, ciência e filosofia. Nesse sentido, então, encaminha-se para (d), a resposta de que se a Lingüística é a ciência da linguagem humana, a Filosofia da Lingüística é a disciplina que estuda os fundamentos de tal ciência.
A abordagem da questão (e) também merece algumas prévias considerações. Se a história da Lingüística, como se sugeriu, tem sido acompanhada pela história da Filosofia da Lingüística, é bem verdade que o desenvolvimento desta última tem ocorrido de forma intrínseca ao desenvolvimento da primeira. Isto significa, em última análise, que o estudo da teoria e de seus fundamentos tem avançado de maneira naturalmente conjugada de modo a não parece necessário o estabelecimento de uma disciplina específica como Filosofia da Lingüística. Realmente, parece trivial que a filosofia de uma área de conhecimento, que começa a construir-se como ciência, constitua-se, inicialmente, de forma implícita, para só ocupar um espaço mais específico a posteriori.

Nesses termos, se a Lingüística teórica é uma disciplina que apenas nesse século começa a solidificar-se em seu estatuto de cientificidade, é razoável que só agora a Filosofia da Lingüística comece a estabelecer-se como uma necessidade própria de investigação. Conseqüência disso, as formas de se encaminhar tal disciplina, o que constituiria a sua metodologia, não são senão alguns princípios muito gerais que podem ser sistematizados de maneira a tornar o estudo dos fundamentos da Lingüística consistente a ponto de caracterizá-la naquilo em que ela se pretende rigorosa e de esclarecê-la quanto às diversas formas de concebê-la. A resposta a (e), então, que propomos, passa por um pequeno conjunto de critérios cuja finalidade não é senão dotar a Filosofia da Lingüística de uma maior capacidade de avaliação das condições que constituem a disciplina que investiga.
1 Critério da Distinção entre Lingüística Pura e Aplicada
Trata-se de separar o conhecimento teórico a ser produzido com objetivos especificamente científicos, a saber, o da verdade sobre a natureza do objeto a ser esclarecido, do conhecimento aplicado diretamente a aspectos da realidade ou, indiretamente, através da relação com outras disciplinas. Por exemplo, trata-se de distinguir entre o conhecimento que busca, a partir do anterior, formas de ensinar uma segunda língua a uma criança.
2 Critério da distinção de Níveis de Constituição da Teoria Lingüística
A proposta aqui, é a de que se distingam os seguintes níveis: o nível da linguagem enquanto fenômeno geral acessível ao senso comum; o nível da linguagem enquanto objeto construído já no interior de uma teoria com perspectivas científicas; o nível da teoria lingüística, enquanto sistema de conceitos estruturados, o nível metateórico, ou de princípios que regem a metodologia de uma dada teoria lingüística e o nível de compromissos filosóficos, por exemplo, ontológicos, que sustentam todo o edifício teórico.
3 Critério de Tensão entre o Método Lingüístico e o seu Objeto
O critério acima sugere que se considere como essencial para o conhecimento científico a adequada tensão entre o método de investigação lingüística e as propriedades do seu objeto a serem esclarecidas. No interior de uma teoria lingüística, tal adequação consiste no surgimento de problemas que possam ser tratáveis e cujo tratamento permita originar problemas novos que caracterizam programas de investigação. Este critério sugere, ainda, que só dentro de tal relação é que se determina a relevância das propriedades do objeto e de seu método.
4 Critério da Distinção entre Propriedades Formais e Empíricas da Teoria Lingüística
Trata-se de distinguir a condição de uma teoria de adequar-se à experiência lingüística, considerando a evidência dos dados, da sua capacidade de expressar-se em uma linguagem formal, considerando-se questões de consistência, por exemplo, e outras.
5 Critério de Tensão entre Adequação Descritiva e Adequação Explanatória na Teoria Lingüística
Este critério consiste na necessidade de se entender o papel teórico da relação entre atividade de descrição lingüística e a de explanação. Sem descrição, a explanação pode ser indesejavelmente geral e sem valor explanatório, a descrição é vazia.
6 Critério da Avaliação Histórica dos Programas de Investigação Lingüística
Entende-se por este critério a condição de possibilidade de avaliação histórica dos resultados de um programa de pesquisa lingüística. Garante-se, através dele, a evolução da racionalidade científica na área, potencializando-se o progresso na construção de problemas lingüísticos relevantes e evitando-se a circularidade de propostas já ultrapassadas.
Uma vez caracterizados tais critérios, fica encaminhada a resposta à questão (e) e já se tem um conjunto mínimo de condições capazes de orientar o debate sobre (f), a problemática e central questão para a Filosofia da Lingüística, sugerida no início do presente texto.
(f) É a Lingüística uma ciência natural, formal ou social?