SUBJECT: Re: [ciencialist] Primeiros passos na definição de representação mental
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DATE: 15/12/2014 10:05

> The mind must be more complicated than
> any theory of it: however complex the
> theory, a device that invented it must be
> still more complex. (P. Johnson -Laird)
 
Uia, uia, uia! Uêpa, uêpa, uêpa!
 
Gosto muito do Johnson-Laird, mas essa daí eu não engulo.
Pode ser que isso seja verdadeiro na maioria dos casos,
mas pode ser também que seja falso.
 
E porque isso? Oras, bolas, porque sabemos que existem
sistemas cagalhalmente simples capazes de exibir
comportamento enormemente complexo. Vejam o caso do
pêndulo de duas hastes:
 
 
É um sistema simpléééérrimo, mas capaz de um comportamento
mais complexo do que entender como a mulherada escolhe
a cor do sapato para combinar com a fitinha que sai da borda
da extremidade posterior do vestidinho decotado em formato
de V com cintinho de oncinha.
 
*PB*
 
 
 
 
 
 
 
 
Sent: Sunday, December 14, 2014 11:06 PM
Subject: [ciencialist] Primeiros passos na definição de representação mental
 


 

 

MODELOS MENTAIS(1)


Marco Antonio Moreira

Instituto de Física

Universidade Federal do Rio Grande do Sul

Porto Alegre, RS, Brasil

The mind must be more complicated than
any theory of it: however complex the
theory, a device that invented it must be
still more complex. (P. Johnson -Laird)


Resumo

Aborda-se o tema modelos mentais particularmente à luz da teoria de Johnson-Laird. A visão de outros autores é também apresentada, mas a ênfase do trabalho está no enfoque de Johnson-Laird que apresenta os modelos mentais como uma terceira via para a questão imagens x proposições. Nessa perspectiva, discute-se a natureza, conteúdo e tipologia dos modelos mentais e a questão da consciência e da computabilidade. Além disso, enfoca-se também a metodologia da pesquisa em modelos mentais e são dados exemplos de pesquisas. A intenção do trabalho é, principalmente, a de servir como introdução ao assunto modelos mentais, com vistas à pesquisa em ensino de ciências.

Abstract

The mental models subject is presented particularly in the light of Johnson-Laird’s theory. Views from different authors are also presented but the emphasis lies in Johson-Laird’s approach, proposing mental models as a third path in the images x propositions debate. In this perspective, the nature, content, and typology of mental models are discussed, as well as the issue of conciousness and computability. In addition, the methodology of research studies are provided. Essentially, the aim of the paper is to provide an introduction to the mental models topic, having science education research in mind.


Objetivo

Este trabalho pretende enfocar, com bastante detalhe, o tema “modelos mentais”, principalmente segundo a ótica de Philip Johnson-Laird (1983), a fim de subsidiar o ensino e a pesquisa em ensino de ciências à luz desse referencial.


Introdução

Representações internas, ou representações mentais, são maneiras de “re-presentar” internamente o mundo externo. As pessoas não captam o mundo exterior diretamente, elas constroem representações mentais (quer dizer, internas) dele.

Em princípio, pode-se distinguir entre representações mentais analógicas e proposicionais. A imagem visual é o exemplo típico de representação analógica, mas há outras como as auditivas, as olfativas, as tácteis.

As representações analógicas são não-discretas (não-individuais), concretas (representam entidades específicas do mundo exterior), organizadas por regras frouxas de combinação e específicas à modalidade através da qual a informação foi originalmente encontrada (Eisenck e Keane, p. 184).

As representações proposicionais são discretas (individuais), abstratas, organizadas segundo regras rígidas e captam o conteúdo ideacional da mente independente da modalidade original na qual a informação foi encontrada, em qualquer língua e através de qualquer dos sentidos (ibid.).

Estas representações são “tipo-linguagem”, mas trata-se de uma linguagem que não tem a ver com a língua nem com a modalidade de percepção, é uma linguagem da mente que poderíamos chamar de “mentalês”. Representações proposicionais não são frases em uma certa língua. São entidades individuais e abstratas formuladas em linguagem própria da mente.

Há psicólogos cognitivos para os quais a cognição deve ser analisada exclusivamente em termos de representações proposicionais, ou seja, não há necessidade de supor que as imagens são um tipo especial, separado, de representação mental. Para estes, “os proposicionalistas”, as imagens podem ser reduzidas a representações proposicionais; seriam também processadas no “mentalês”. Mas existem outros, os “imagistas” que não aceitam esta posição.

A questão imagens/proposições é polêmica na Psicologia Cognitiva. Há defensores ferrenhos de ambas posições. Mas há também uma terceira via, uma síntese, uma terceira forma de construto representacional, chamada modelos mentais, proposta por Johnson-Laird (1983).

Para ele, proposições são representações de significados, totalmente abstraídas, que são verbalmente expressáveis. O critério de expressabilidade verbal distingue Johnson-Laird de outros psicólogos cognitivos (Sternberg, 1996, p.181). Imagens são representações bastante específicas que retêm muitos dos aspectos perceptivos de determinados objetos ou eventos, vistos de um ângulo particular, com detalhes de uma certa instância do objeto ou evento. Modelos mentais são representações analógicas, um tanto quanto abstraídas, de conceitos, objetos ou eventos que são espacial e temporalmente análogos a impressões sensoriais, mas que podem ser vistos de qualquer ângulo (e aí temos imagens!) e que, em geral, não retêm aspectos distintivos de uma dada instância de um objeto ou evento (ibid.).

Por exemplo, a situação “o quadro está na parede” poderia ser representada mentalmente como uma proposição (porque é verbalmente expressável), como um modelo mental (de qualquer quadro em qualquer parede, possivelmente prototípicos) ou como uma imagem (de um quadro em particular em uma certa parede).

Modelos mentais, proposições e imagens

Johnsoh-Laird sugere que as pessoas raciocinam com modelos mentais. Modelos mentais são como blocos de construção cognitivos que podem ser combinados e recombinados conforme necessário. Como quaisquer outros modelos, eles representam o objeto ou situação em si; uma de suas características mais importantes é que sua estrutura capta a essência (se parece analogicamente) dessa situação ou objeto (Hampson e Morris, 1996, p. 243).

Um modelo mental é uma representação interna de informações que corresponde analogamente com aquilo que está sendo representado.

A analogia pode ser total ou parcial, isto é, um modelo mental é uma representação que pode ser totalmente analógica ou parcialmente analógica e parcialmente proposicional (Eisenck e Keane, 1994, p. 209). Quer dizer, um modelo mental pode conter proposições, mas estas podem existir como representação mental, no sentido de Johnson-Laird, sem fazer parte de um modelo mental. Contudo, para ele, as representações proposicionais são interpretadas em relação a modelos mentais: uma proposição é verdadeira ou falsa em relação a um modelo mental de um estado de coisas do mundo. As imagens, por sua vez, correspondem a vistas dos modelos.

Portanto, na perspectiva de Johnson-Laird, representações proposicionais são cadeias de símbolos que correspondem à linguagem natural, modelos mentais são análogos estruturais do mundo e imagens são modelos vistos de um determinado ponto de vista (1983, p. 165).

Segundo ele, os modelos mentais e as imagens são representações de alto nível, essenciais para o entendimento da cognição humana (Eisenck e Keane, 1994, p. 210). Ainda que em seu nível básico o cérebro humano possa computar as imagens e os modelos em algum código proposicional (o “mentalês”), o uso destas representações liberta a cognição humana da obrigação de operar proposicionalmente em “código de máquina”. Estas representações de alto nível podem ser comparadas às linguagens de programação dos computadores. Em última análise, o computador trabalha em um código binário, mas o programador não: ele usa linguagens de alto nível que lhe permitem pensar sobre o que o computador tem que fazer usando o código binário. As linguagens de programação de alto nível são traduzidas pelos computadores em códigos binários quando compiladas. Analogamente, as imagens e os modelos mentais poderiam ser traduzidos pela mente em algum código proposicional semelhante ao do código binário. A metáfora do computador, a mente como um sistema de cômputo, é um credo fundamental da psicologia cognitiva, mas isso não significa que a mente opere necessariamente em um código binário. A mente tem um código próprio, o “mentalês”, que não é consciente, ao qual não temos acesso e nem precisamos ter pois operamos muito bem com proposições, imagens e modelos mentais (todos no sentido de Johnson-Laird).

Modelos mentais

Suponhamos que a um grupo de pessoas seja dado um conjunto bem determinado de descrições de uma distribuição espacial (indicando a posição exata de cada objeto no arranjo espacial) e a outro grupo de pessoas seja dado um conjunto não bem determinado de descrições da mesma organização espacial (dando localizações ambíguas, pouco precisas, dos objetos no arranjo espacial).

Mani e Johnson-Laird (1982, apud. Sternberg, 1996, p. 181) fizeram uma investigação desse tipo e encontraram que os sujeitos que receberam informações bem determinadas foram capazes de inferir informações espaciais adicionais não incluídas nas descrições que receberam, mas tiveram dificuldades em lembrar literalmente das informações recebidas. Esta constatação foi interpretada como indicadora de que esses sujeitos formaram um modelo mental da informação recebida e, por isso mesmo, foram capazes de fazer inferências. Além disso, por terem formado o modelo passaram a confiar nele ao invés de ficarem dependendo de recordar descrições verbais literais detalhadas.

Por outro lado, os sujeitos que receberam informações pouco precisas raramente foram capazes de inferir informações espaciais não incluídas nas descrições recebidas, porém recordavam melhor do que o outro grupo estas descrições. Os pesquisadores sugeriram que neste caso os sujeitos não construíram um modelo mental devido às inúmeras possibilidades de modelos mentais que poderiam ser inferidos a partir das informações (indeterminadas) recebidas. Ao invés disso, os sujeitos parecem haver representado mentalmente as descrições recebidas como proposições verbalmente expressáveis (ibid.).

Quer dizer, em ambos os casos os sujeitos representaram mentalmente o arranjo espacial, mas no primeiro formaram um modelo mental que lhes permitiu fazer inferências e no segundo trabalharam apenas com um conjunto de proposições descritivas.

Os modelos mentais são, portanto, uma forma de representação analógica do conhecimento: existe uma correspondência direta entre entidades e relações presentes na estrutura dessa representação e as entidades e relações que se busca representar.

Um modelo mental é composto de elementos (“tokens”) e relações que representam um estado de coisas específico, estruturados de uma maneira adequada ao processo sobre o qual deverão operar. Ou seja, cada modelo já é construído de uma maneira coerente com o uso previsto (STAF11, 1996).

Não existe um único modelo mental para um determinado estado de coisas. Ao contrário, podem existir vários, mesmo que apenas um deles represente de maneira ótima esse estado de coisas (ibid.). Cada modelo mental é uma representação analógica desse estado de coisas e, reciprocamente, cada representação analógica corresponde a um modelo mental (vide p. 10, princípio da economia).

Estados de coisas muitas vezes são descritos por conceitos. O modelo mental de um conceito deve ser capaz de representar tanto o essencial como a amplitude de um conceito. O núcleo do modelo representa o essencial do conceito, ou seja, as propriedades características do estado de coisas que ele descreve; os procedimentos de gestão do modelo definem a amplitude desse conceito, isto é, o conjunto de estados de coisas possíveis que o conceito descreve (ibid.).

O modelo mental de avião, por exemplo, possui distintas versões conforme os diferentes usos que se possa fazer de um avião: reconhecê-lo, construí-lo, pilotá-lo, embarcar nele, falar sobre ele. O modelo varia também segundo outras dimensões: a competência aeronáutica do sujeito, sua idade, sua cultura, etc. Representar um avião em vôo ou um avião aberto para mostrar os lugares aos passageiros também corresponde a diferentes versões do modelo mental de avião. Cada versão, no entanto, deve incluir o núcleo central que identifica o modelo com sendo de avião. Deve também incluir proposições e procedimentos de manipulação diversificados, visto que, conforme o uso, são outros os aspectos do modelo que são acionados. É possível que dois exemplares do mesmo modelo pouco ou nada tenham em comum se forem construídos com finalidades totalmente diferentes (ibid.).

Neste ponto, é conveniente antecipar a distinção feita por Norman (em Gentner e Stevens, 1983, p. 8) entre modelos conceituais e modelos mentais, a ser discutida mais adiante: modelos conceituais são projetados como instrumentos para a compreensão ou para o ensino de sistemas físicos; modelos mentais são o que as pessoas realmente têm em suas cabeças e o que guia o uso que fazem das coisas.Idealmente, deveria haver uma relação direta e simples entre o modelo conceitual e o modelo mental. Muito freqüentemente, no entanto, não é bem isso que acontece.

Os modelos a que se refere Johnson-Laird, dos quais estivemos falando até aqui (inclusive no caso do modelo do conceito do avião), são, portanto, mentais e podem não ter uma relação direta e simples com algum modelo conceitual no significado dado por Norman. É importante que isto fique claro!

Repetindo, modelo mental é uma representação interna de informações que corresponde, analogamente, ao estado de coisas que estiver sendo representado, seja qual for ele. Modelos mentais são análogos estruturais do mundo.

Modelos mentais e raciocínio dedutivo

Para Johnson-Laird, ao invés de uma lógica mental, as pessoas usam modelos mentais para raciocinar. Modelos mentais, como já foi dito, são como blocos de construção cognitivos que podem ser combinados e recombinados conforme necessário. O aspecto essencial do raciocínio através de modelos não está só na construção de modelos adequados para captar distintos estados de coisas, mas também na habilidade em testar quaisquer conclusões a que se chegue usando tais modelos. A lógica, se é que aparece em algum lugar não está na construção de modelos e sim na testagem das conclusões pois esta implica que o sujeito saiba apreciar a importância lógica de falsear uma conclusão, e não apenas buscar evidência positiva que a apóie (Hampson e Morris, 1996, p. 243).

Nessa perspectiva, o raciocínio dedutivo é melhor interpretado como uma destreza prática do que como uma habilidade esotérica, abstrata. Além disso, o que separaria “especialistas e novatos”, “experimentados e iniciantes”, em termos de raciocínio seriam diferenças no espaço disponível na memória de trabalho para construir e manipular modelos mentais complexos, bem como a persistência na testagem de conclusões (embora, o êxito em tarefas de raciocínio dependa também do conhecimento e experiência do indivíduo) (ibid.).

Na teoria de Johnson-Laird, estão ausentes as regras de inferência da lógica formal. Por isso, é dita não-racionalista. Nela, a resolução de tarefas de inferência silogística está baseada na manipulação de modelos mentais, não na lógica formal. Um exemplo adaptado de outro dado pelo próprio Johnson-Laird (1981; apud de Vega, 1984, p.453-454) é o que considera as seguintes premissas:

  • Todos os pesquisadores são professores.
  • Todos os licenciados são professores.

A elaboração de modelos mentais que satisfaçam estas premissas pode ser levada a cabo em um cenário hipotético, no qual se disponham de atores que desempenhem papéis de pesquisador, licenciado e professor, estabelecendo-se relações adequadas. Tal elaboração pode levar muitos sujeitos a conclusões erradas como a de que “todos os pesquisadores são licenciados”. Mas um raciocinador cuidadoso continuará elaborando modelos alternativos, com a intenção de falsear ou confirmar a conclusão, observando sempre as premissas. Nesse processo, pode concluir que “alguns pesquisadores são licenciados”, mas tal conclusão deve ser testada e pode ser falseada por um novo modelo no qual todos os pesquisadores são professores, mas nenhum é licenciado. A conseqüência, agora correta, é que dessas premissas não se pode tirar nenhuma conclusão válida que relacione os papéis de pesquisador e licenciado.

Consideremos mais um exemplo, adaptado de outro dado por Hampson e Morris (1996, p. 243-244). Suponhamos os seguintes enunciados:

O lápis está à esquerda da caneta.

A borracha está na frente da caneta.

A régua está na frente do lápis.

Sem o uso da lógica formal, se pode construir um modelo mental que capta o arranjo espacial desses objetos:

lápis

caneta

régua

borracha

Examinando este modelo se pode tirar a conclusão simples e não ambígua de que “a régua está à esquerda da borracha”.

Obviamente, quanto mais complicadas as proposições originais, mais difícil será a construção e a manutenção de um modelo integrado. Além disso, em alguns casos a combinação de enunciados pode admitir mais de uma interpretação.

Suponhamos que os enunciados são os seguintes:

O lápis está a esquerda da caneta.

A borracha está a esquerda da caneta.

Rapidamente se pode formar um modelo mental tal como:

lápis

borracha

caneta

e concluir que a borracha está a direita do lápis.

Contudo, uma pessoa mais experimentada em raciocínio tentará falsear esta conclusão buscando outro modelo que satisfaça os enunciados. Esse modelo poderia ser:

borracha

lápis

caneta

A existência de dois modelos possíveis significa, neste caso, que não existe uma única conclusão não ambígua que se possa tirar da relação entre lápis e borracha a partir das proposições iniciais.

É claro que para Johnson-Laird a teoria dos modelos mentais se aplica a muito mais do que distribuições espaciais irrefutáveis como as deste exemplo. Para ele, a teoria dá conta também de raciocínios silogísticos abstratos que incluem termos como “todos”, “nenhum” e “alguns”.

Segundo de Vega (1984, p. 454), o procedimento de elaboração de inferências silogísticas de Johnson-Laird envolve três etapas:

1. construir um modelo mental da primeira premissa;

2. agregar a informação da segunda premissa ao modelo mental da primeira, tendo em conta os modos alternativos em que isso pode ser feito;

3. inferir uma conclusão que expresse a relação, se existir, entre os termos extremos, que seja comum a todos os modelos das premissas construídos nas etapas prévias.

No exemplo dos pesquisadores e licenciados não existe esta relação entre os termos extremos, pesquisador e licenciado, comum a todos modelos e, portanto, não se deriva nenhuma conclusão de interesse.

etapa 1:

pesquisador =

professor

professor

(professor não pesquisador)

etapa 2:

pesquisador =

professor =

licenciado

professor

(professor não pesquisador e não licenciado)

modelo alternativo:

pesquisador =

professor = licenciado

pesquisador =

professor

(pesquisador não licenciado)

professor = licenciado

(licenciado não pesquisador)

Segundo Johnson-Laird, as dificuldades de muitos problemas de raciocínio dedutivo estão relacionadas com o número de modelos mentais necessários para representar adequadamente as premissas do argumento dedutivo. Argumentos que envolvem apenas um modelo mental podem ser resolvidos rápida e acuradamente. Entretanto, é muito difícil tirar conclusões precisas baseadas em argumentos que podem ser representados por múltiplos modelos alternativos devido à grande demanda feita sobre a memória de trabalho. O indivíduo nesse caso deve manter na memória de trabalho cada um dos vários modelos para poder chegar a uma conclusão ou para testar uma conclusão (Sternberg, 1996, p. 410). Uma maneira de contornar essa limitação da memória de trabalho é representar a informação implicitamente o máximo possível, ao invés de explicitamente.

Modelos conceituais e modelos mentais

Modelos conceituais são inventados por professores, pesquisadores, engenheiros, arquitetos, para facilitar a compreensão ou o ensino de sistemas físicos, ou estados de coisas físicos. São representações precisas, consistentes e completas de sistemas físicos. São projetados como ferramentas para o entendimento ou para o ensino de sistemas físicos (Norman, apud Gentner e Stevens, 1983, p. 7).

Modelos mentais são modelos que as pessoas constroem para representar estados físicos (assim como estados de coisas abstratos). Esses modelos não precisam ser tecnicamente acurados (e geralmente não são), mas devem ser funcionais. Eles evoluem naturalmente. Interagindo com o sistema, a pessoa continuamente modifica seu modelo mental a fim de chegar a uma funcionalidade que lhe satisfaça. É claro que os modelos mentais de uma pessoa são limitados por fatores tais como seu conhecimento e sua experiência prévia com sistemas similares e pela própria estrutura do sistema de processamento de informação humano (op. cit. p. 8).

Norman (ibid.) sugere que os modelos mentais têm as seguintes características gerais:

1. modelos mentais são incompletos;

2. a habilidade das pessoas em “rodar” seus modelos mentais é muito limitada;

3. modelos mentais são instáveis: as pessoas esquecem detalhes do sistema modelado, particularmente quando esses detalhes (ou todo o sistema) não é utilizado por um certo período de tempo;

4. modelos mentais não têm fronteiras bem definidas: dispositivos e operações similares são confundidos uns com os outros;

5. modelos mentais são “não-científicos”: as pessoas mantêm padrões de comportamento “supersticiosos”, mesmo quando sabem que não são necessários (por exemplo, apertar a tecla CLEAR, ou a tecla ENTER, de uma calculadora várias vezes, desnecessariamente, “só para ter certeza”); os modelos mentais de uma pessoa refletem suas crenças sobre o sistema físico;

6. modelos mentais são parcimoniosos: freqüentemente as pessoas optam por operações físicas adicionais ao invés de um planejamento mental que evitaria tais operações; as pessoas preferem gastar mais energia física em troca de menor complexidade mental.

A principal função do modelo mental é permitir ao seu construtor explicar e fazer previsões sobre o sistema físico que o modelo analogicamente representa. Tais previsões não implicam necessariamente “rodar” o modelo (previsibilidade procedimental), pois ele deve também permitir previsões resultantes de inferência direta (previsibilidade declarativa) (op. cit, p. 13).

Mas qual é a relação entre modelos conceituais e modelos mentais? Idealmente, deveria haver uma relação direta e simples entre ambos. Na prática, no entanto, não é bem o caso.

Os modelos conceituais são delineados, projetados, por pessoas que usam modelos mentais, para facilitar a compreensão de sistemas físicos por parte de outras pessoas que também utilizam modelos mentais. No ensino, o professor ensina modelos conceituais e espera que o aprendiz construa modelos mentais consistentes com esses modelos conceituais que, por sua vez, devem ser consistentes com os sistemas físicos modelados. Os modelos conceituais são, portanto, instrumentais, meios não fins. O objetivo do ensino é, através de modelos conceituais, levar o aprendiz a formar modelos mentais adequados (i.e., consistentes com os próprios modelos conceituais) de sistemas físicos. Quer dizer, a mente humana opera só com modelos mentais, mas modelos conceituais podem ajudar na construção de modelos mentais que explicam e predizem consistentemente com o conhecimento aceito em uma certa área.

Para isso, os modelos conceituais ensinados devem, segundo Norman (ibid.), ser aprendíveis, funcionais e utilizáveis.

Estes critérios parecem óbvios (para que serviria um modelo conceitual que é difícil demais para ser aprendido? ou um modelo que não explica ou prediz importantes aspectos do sistema físico? ou que não pode ser facilmente utilizado dentro da limitada memória de trabalho ou limitada capacidade computacional humanas?), mas nem sempre são observados no ensino.

E a questão de modelar os modelos mentais de uma pessoa? Como identificar o modelo mental que uma pessoa formou para um determinado estado de coisas, um certo sistema físico por exemplo? Certamente é necessário ter um modelo conceitual desse estado de coisas, mas é preciso também distinguir entre o modelo de modelo mental (a conceitualização de modelo mental) de quem investiga e o modelo mental que se pensa que a pessoa, cujos modelos se investiga, de fato tem.

Norman (op. cit, p. 12) sugere que três fatores funcionais se aplicam tanto ao modelo mental como ao modelo conceitual de modelo mental:

O sistema de crenças. Os modelos mentais de uma pessoa refletem suas crenças sobre o sistema físico representado, adquiridas por observação, instrução ou inferência. O modelo conceitual de modelo mental deve contemplar o sistema de crenças da pessoa.

Observabilidade. Deve haver uma correspondência entre parâmetros e estados do modelo mental que são acessíveis à pessoa e parâmetros e estados do sistema físico que a pessoa pode observar. Esta mesma correspondência deve existir entre parâmetros e estados do modelo conceitual de modelo mental e o sistema físico.

Potência preditiva. A finalidade de um modelo mental é permitir que a pessoa entenda e antecipe o comportamento do sistema físico. Isso significa que o modelo deve ter uma potência preditiva tanto através de regras de inferência como por meio de derivações procedimentais; ou seja, a pessoa deve poder “rodar” mentalmente o modelo. Portanto, o modelo conceitual de modelo mental deve considerar também as estruturas de conhecimento e de processamento de informação humanas que tornam possível à pessoa usar seu modelo mental para compreender e prever o sistema físico.

Resumindo esta seção: 1. É preciso distinguir entre sistema físico, modelo conceitual do sistema físico e modelo mental do sistema físico. O modelo conceitual é um modelo preciso, consistente e completo do sistema físico que é inventado para facilitar a construção de um modelo mental (que não é preciso, consistente e completo, mas deve ser funcional) adequado (com poder explicativo e preditivo) do sistema físico. É importante notar que os modelos conceituais são inventados por pessoas que operam mentalmente com modelos mentais. É também importante observar que para indentificar modelos mentais de outras pessoas é preciso ter um modelo de modelo mental, isto é, um modelo conceitual de modelo mental.

2. Os modelos mentais das pessoas podem ser deficientes em vários aspectos, talvez incluindo elementos desnecessários, errôneos ou contraditórios. No ensino, é preciso desenvolver modelos conceituais e também materiais e estratégias instrucionais que ajudem os aprendizes a construir modelos mentais adequados. Na pesquisa, é necessário desenvolver técnicas de investigação apropriadas e, ao invés de buscar modelos mentais claros e elegantes, procurar entender os modelos confusos, “bagunçados”, incompletos, instáveis, que as pessoas realmente têm.

Natureza dos modelos mentais

De tudo o que foi dito até aqui deve ter ficado claro que é difícil dizer e identificar exatamente o que são modelos mentais e como eles diferem de outras formas postuladas de representações mentais como os esquemas de Piaget, os subsunçores de Ausubel e os construtos pessoais de Kelly. Johnson-Laird reconhece isso (1983, cap. 15), mas em vez de continuar diferenciando diretamente o conceito de modelo mental, distinguindo-o explicitamente de propostas de outros autores, prefere apontar uma série de princípios que impõem vínculos à natureza dos modelos mentais e limitam tais modelos (op. cit. p. 398).

1. Princípio da computabilidade: modelos mentais são computáveis, i.e., devem poder ser descritos na forma de procedimentos efetivos que possam ser executados por uma máquina. (Este vínculo vem do “núcleo duro” da Psicologia Cognitiva que supõe a mente como um sistema de cômputo). Procedimento efetivo é aquele que pode ser levado a cabo sem implicar nenhuma decisão na base da intuição ou qualquer outro ingrediente “misterioso” ou “mágico”.

2. Princípio da finitude: modelos mentais são finitos em tamanho e não podem representar diretamente um domínio infinito. Este vínculo decorre da premissa de que o cérebro é um organismo finito.

3. Princípio do construtivismo: modelos mentais são construídos a partir de elementos básicos (“tokens”) organizados em uma certa estrutura para representar um determinado estado de coisas. Este vínculo surge da função primária dos modelos mentais que é a de representar mentalmente estados de coisas. Como existe um número infinito de estados de coisas que pode ser representado mas somente um mecanismo finito para construir modelos que os representem decorre que tais modelos devem ser construídos a partir de constituintes mais elementares.

4. Princípio da economia: uma descrição de um único estado de coisas é representada por um único modelo mental, mesmo se a descrição é incompleta ou indeterminada. Mas um único modelo mental pode representar um número infinito de possíveis estados de coisas porque esse modelo pode ser revisado recursivamente. Cada nova asserção descritiva de um estado de coisas pode implicar revisão do modelo para acomodá-la. Este vínculo se refere à construção de modelos a partir do discurso, pois este é sempre indeterminado e compatível com muitos estados de coisas diferentes; para contornar isso, a mente constrói um modelo mental inicial e o revisa recursivamente conforme necessário. Naturalmente há limites para essa revisão: em última análise, o processo de revisão recursiva é governado pelas condições de verdade do discurso no qual o modelo está baseado (op. cit. p. 408).

5. Princípio da não-indeterminação: modelos mentais podem representar indeterminações diretamente se e somente se seu uso não for computacionalmente intratável, i.e., se não existir um crescimento exponencial em complexidade. Este vínculo é um corolário do primeiro e do anterior: se se tratar de acomodar cada vez mais indeterminações em um modelo mental isso levará rapidamente a um crescimento intratável no número de possíveis interpretações do modelo que, na prática, ele deixará de ser um modelo mental (op. cit. p. 409).

6. Princípio da predicabilidade: um predicado pode ser aplicável a todos os termos aos quais um outro predicado é aplicável, mas eles não podem ter âmbitos de aplicação que não se intersectam. Por exemplo, os predicados “animado” e “humano” são aplicáveis a certas coisas em comum, “animado” aplica-se a algumas coisas as quais “humano” não se aplica, mas não existe nada a que “humano” se aplique e “animado” não. Para Johnson-Laird (p. 411), a virtude desse vínculo é que ele permite identificar um conceito artificial ou não natural. Um conceito que fosse definido por predicados que não tivessem nada em comum violaria o princípio da predicabilidade e não estaria, normalmente, representado em modelos mentais.

7. Princípio do inatismo: todos os primitivos conceituais são inatos. Primitivos conceituais subjazem nossas experiências perceptivas, habilidades motoras, estratégias, enfim, nossa capacidade de representar o mundo (ibid.). Indefinibilidade é uma condição suficiente, mas não necessária para identificar conceitos primitivos. Movimento, por exemplo, é uma palavra que corresponde a um primitivo conceitual, mas que pode ser definida. Embora proponha este vínculo aos modelos mentais, Johnson-Laird rejeita o inatismo extremo de que todos os conceitos são inatos embora alguns tenham que ser “disparados” pela experiência. Ele defende a aprendizagem de conceitos a partir de primitivos conceituais inatos ou de conceitos previamente adquiridos (p. 412). Além dos primitivos conceituais inatos, ele admite também a existência de primitivos procedimentais que são acionados automaticamente quando um indivíduo constrói um modelo mental. Os primitivos procedimentais não podem ser adquiridos através da experiência porque a representação mental da experiência já requer habilidade de construir modelos da realidade a partir da percepção. Estes primitivos devem ser inatos (op. cit. p. 413).

8. Princípio do número finito de primitivos conceituais: existe um conjunto finito de primitivos conceituais que origina um conjunto correspondente de campos semânticos e outro conjunto finito de conceitos, ou “operadores semânticos”, que ocorre em cada campo semântico e serve para construir conceitos mais complexos a partir dos primitivos subjacentes. Um campo semântico se reflete no léxico por um grande número de palavras que compartilham no núcleo dos seus significados um conceito comum. Por exemplo, verbos associados à percepção visual como avistar, olhar, escrutinar e observar compartilham um núcleo subjacente que corresponde ao conceito de ver. Operadores semânticos incluem os conceitos de tempo, espaço, possibilidade, permissibilidade, causa e intenção. Por exemplo, se as pessoas olham alguma coisa, elas focalizam seus olhos durante um certo intervalo de tempo com a intenção de ver o que acontece. Os campos semânticos nos provêem nossa concepção sobre o que existe no mundo, sobre o mobiliário do mundo, enquanto os operadores semânticos nos provêem nosso conceito sobre as várias relações que podem ser inerentes a esses objetos (p. 414).

9. Princípio da identidade estrutural: as estruturas dos modelos mentais são idênticas às estruturas dos estados de coisas, percebidos ou concebidos, que os modelos representam. Este vínculo decorre, em parte, da idéia de que as representações mentais devem ser econômicas e, portanto, cada elemento de um modelo mental, incluindo suas relações estruturais, deve ter um papel simbólico. Não deve haver na estrutura do modelo nenhum aspecto sem função ou significado (p. 419).

Estrutura e conteúdo dos modelos mentais

Diferentemente das representações proposicionais, os modelos mentais não têm uma estrutura sintática; a sua estrutura é análoga à estrutura dos estados de coisas do mundo, tal como os percebemos ou concebemos, que eles representam; modelos mentais são análogos estruturais de estados de coisas do mundo (p. 156). Contudo, a estrutura analógica dos modelos mentais pode variar bastante: modelos construídos a partir de proposições discretas podem ter apenas um mínimo de estrutura analógica, enquanto modelos mentais de leiautes espaciais, com um labirinto, por exemplo, podem ter grande analogia estrutural em duas, três, ou quem sabe mais, dimensões (ibid.).

As representações proposicionais podem ser esquadrinhadas somente nas direções permitidas pela sintaxe e pelas codificações desse tipo de representação. Os modelos mentais, por sua estrutura dimensional podem ser manipulados mais livremente, de maneira controlada apenas pelas próprias dimensões do modelo. As imagens, como já foi destacado anteriormente, correspondem a vistas de modelos: resultantes de percepção ou imaginação, elas representam aspectos perceptíveis dos objetos ou eventos correspondentes do mundo real (p. 157).

Em termos de conteúdo, os modelos mentais, as imagens e as proposições apresentam uma diferença importante no que se refere à especificidade: os modelos mentais, assim como as imagens são altamente específicos. Por exemplo, não é possível formar uma imagem de um objeto (um quadro, uma mesa, um avião) em geral mas sim de um objeto específico (um determinado quadro, mesa ou avião). As representações proposicionais, no entanto, não implicam tanta especificidade: é perfeitamente aceitável, por exemplo, uma representação mental proposicional que estabeleça a relação espacial entre dois objetos como sendo “ao lado de”, sem explicitar “esquerda” ou “direita”. Para uma imagem isso não seria possível (p. 158).

Ainda no que se refere ao conteúdo dos modelos mentais, Johnson-Laird (op. cit. p. 410) diz que “como eles podem ter muitas formas e servir para muitas finalidades seus conteúdos são muito variados: podem conter nada mais do que elementos que representam indivíduos e identidades entre eles, como nos modelos necessários ao raciocínio silogístico; podem representar relações espaciais entre entidades ou relações temporais ou causais entre eventos. Os modelos mentais têm o conteúdo e forma que servem às finalidades para as quais foram construídos, sejam elas explicar, predizer ou controlar.” A estrutura dos modelos corresponde à estrutura dos estados de coisas do mundo, tal como percebidos ou concebidos pelo indivíduo, assim representados.

A natureza dos modelos mentais é, portanto, mais restringida que seus conteúdos. Quer dizer, na medida que os modelos mentais são análogos estruturais do mundo, sua estrutura está limitada pela estrutura dos estados de coisas do mundo. A questão dos conteúdos, por outro lado, é ontológica (do ser humano como ser humano): nossa concepção do que existe é função do mundo e de nossa capacidade de conceber, a qual seria, em princípio, ilimitada. Mas Johnson-Laird argumenta (ibid.) que há limites e que eles estariam nos conceitos que subjazem os significados das coisas, uma vez que os conceitos são restringidos pela natureza do aparato cognitivo humano. Os princípios da predicabilidade, do inatismo e do número finito de primitivos conceituais, introduzidos na seção anterior, são os três principais vínculos que ele diz afetarem os conteúdos possíveis dos modelos mentais. O primeiro deles explica porque certos conceitos não são naturais e normalmente não aparecem nos modelos mentais, o segundo e o terceiro limitam o conteúdo dos modelos mentais em termos de seus componentes básicos e de como eles podem ser organizados. Ou seja, existe um conjunto finito de primitivos conceituais, um conjunto finito correspondente de campos semânticos e um outro conjunto finito de operadores semânticos que impõem limites aos modelos possíveis.

Modelos mentais segundo outros autores

Neste ponto, é interessante ver o que os outros autores dizem sobre a natureza e conteúdo dos modelos mentais. Para Williams, Hollan e Stevens (1983, p. 133) os modelos mentais são compostos de objetos autônomos com uma certa topologia, são “rodáveis” por meio de inferências qualitativas locais e podem ser decompostos. A noção de objeto autônomo é central em sua concepção de modelos mentais: trata-se de um objeto mental que representa explicitamente alguma coisa, cujas conexões topológicas com outros objetos é também explícita, e que tem um certo número de parâmetros internos. Associado a cada objeto autônomo existe um conjunto de regras (internas) para modificar seus parâmetros e, assim, especificar seu comportamento.

Para esses autores, um modelo mental é, então, um conjunto de objetos autônomos “conectados”. Por exemplo (op. cit. p. 134), uma “região de fluido” pode funcionar como um objeto autônomo em um modelo e ter como parâmetro a temperatura, a qual pode assumir um de quatro “valores” (aumentando, diminuindo, constante ou indeterminada). Este objeto está conectado, explicitamente, com um número limitado de outros objetos e interage com eles transmitindo mudanças nos valores de seus parâmetros através do que os autores chamam de “portos”(conexões mentais entre os objetos autônomos que compõem o modelo mental). Assim, o modelo mental de um “trocador de calor” (“heat exchanger”) pode incluir um objeto autônomo representando o mecanismo de transferência de energia térmica e vários outros objetos autônomos representando “regiões de fluido”. Alguns destes objetos autônomos estarão conectados ao que corresponde ao mecanismo de transferência e somente eles poderão passar adiante a informação de que houve uma mudança nos parâmetros de uma certa região de fluido. É essa propagação das mudanças em valores dos parâmetros que dá o sentido de “rodar” o modelo, sempre presente no raciocínio sobre sistemas físicos.

Os objetos autônomos de Williams, Hollan e Stevens são objetos mentais (que possivelmente seriam também modelos mentais) que têm fronteiras definidas. Seu comportamento, definido como mudanças nos valores dos parâmetros, é governado por operações (regras) internas não diretamente acessíveis, não significativas. O resultado disso é uma certa opacidade do objeto autônomo de modo que não se poderia perguntar como ocorre um determinado comportamento, mas sim observá-lo.

Contudo, embora os objetos autônomos sejam normalmente opacos, eles podem, às vezes, ser decompostos, O resultado dessa decomposição é um novo modelo mental, composto também de objetos autônomos com uma dada topologia, os quais podem ser usados para produzir explicações do comportamento do objeto autônomo de nível mais alto original (op. cit. p. 135). Este novo modelo estaria embebido, encaixado, incrustado, no modelo original.

Isso significaria que o “funcionamento” de um modelo mental poderia ser explicado por um outro modelo mental, resultante da decomposição do anterior, que estaria subjacente. Quer dizer, este modelo subjacente poderia ser usado para inferir o comportamento (mudanças nos valores dos parâmetros) de um objeto autônomo em condições não especificadas (talvez esquecidas) no funcionamento do modelo inicial de “nível mais alto”. Nessa linha de raciocínio, o novo modelo poderia, em princípio, ser também decomposto gerando outro modelo subjacente de “nível mais baixo”. O limite inferior deste processo seria, talvez, função daqueles conjuntos finitos de primitivos conceituais, de campos semânticos e de operadores semânticos dos quais fala Johnson-Laird.

Outros autores cujo trabalho na área de modelos mentais tem sido muito citado são de Kleer e Brown (1983). Seu objetivo é o de desenvolver modelos sobre como o indivíduo compreende o funcionamento de dispositivos tais como máquinas, aparelhos eletrônicos, hidráulicos, térmicos. A esses modelos eles dão o nome de modelos mentais mecanísticos (op. cit. p. 155). Sua construção envolve quatro aspectos relacionados: o mais básico é a topologia do dispositivo (uma representação de sua estrutura, sua organização física, seus componentes); o segundo é um processo de inferência, chamado “visionamento” (“envisioning”), que a partir da estrutura (topologia) do dispositivo determina sua função; o terceiro, denominado modelo causal, descreve o funcionamento do dispositivo (i.e., uma descrição de como o comportamento do dispositivo decorre de interações causais entre os componentes); o último é a execução (“rodagem”) do modelo causal, através de uma série de eventos cada um deles relacionado causalmente com o anterior, para produzir um comportamento específico do dispositivo (p. 158).

O modelo de de Kleer e Brown é aparentemente simples, mas, baseados em suas pesquisas, eles dizem que é surpreendentemente difícil construir modelos mentais de dispositivos eletro-mecânicos, por exemplo, se estes modelos devem ser capazes de prever conseqüências de eventos que não foram considerados na criação do modelo. Para eles, o processo de construção de um modelo mecanístico envolve dois problemas distintos: um é a construção de uma simulação qualitativa mental do dispositivo e o outro é a simulação mental do resultado do funcionamento desta construção; o primeiro destes problemas está relacionado com o processo que eles chamam de “visionamento” e o segundo com o que eles denominam execução (“rodagem”) do modelo causal.

Idealmente, um modelo causal deve ser consistente, correspondente e robusto (p. 167). Um modelo causal consistente é aquele que não tem contradições internas: distintos componentes não podem dar valores diferentes para um mesmo atributo de um estado do dispositivo. Correspondência significa que o modelo causal deve ser fiel ao comportamento real do dispositivo modelado. Robustez tem a ver com a utilidade do modelo causal em situações atípicas, por exemplo quando a estrutura do dispositivo for perturbada. Um modelo robusto deve prever o comportamento do dispositivo quando, por exemplo, uma de suas partes está com defeito. Segundo estes autores, a melhor maneira de se ter um modelo causal robusto é ter robustos os próprios componentes do modelo (p. 168).

Mais adiante serão dados exemplos de modelos mentais mecanísticos (causais) de de Kleer e Brown, assim como daqueles propostos por Williams, Hollan e Stevens. No momento, é importante dar-se conta que a concepção de modelo mental de Johnson-Laird é muito mais abrangente do que a destes autores. (Isso deverá ficar claro na seção seguinte.)

Em um artigo recente, Ibrahim Halloun (1996), enfocando o que ele chama de modelagem esquemática, também se refere a modelos mentais (p. 1021):

“A modelagem esquemática é uma teoria epistemológica em desenvolvimento, fundamentada na pesquisa cognitiva. Esta teoria sustenta que os modelos são componentes principais do conhecimento de qualquer pessoa e que a modelagem é um processo cognitivo básico para construir e usar o conhecimento no mundo real. Três das mais fundamentais premissas da modelagem esquemática são:

1. Construímos modelos mentais que representam aspectos significativos do nosso mundo físico e social, e manipulamos elementos desses modelos quando pensamos, planejamos e tentamos explicar eventos desse mundo.

2. Nossa visão do mundo é causalmente dependente tanto de como o mundo é como de como nós somos. Decorre daí um óbvio mas importante corolário: ‘Todo nosso conhecimento sobre o mundo depende da nossa habilidade de construir modelos dele.’(Johnson-Laird, 1983).

3. Modelos mentais são internos às mentes das pessoas. Eles são tácitos e não podem ser explorados diretamente. Podem, no entanto, ser investigados indiretamente via modelos conceituais com o quais as pessoas se comunicam com as outras verbalmente, simbolicamente ou pictoricamente (e/ou via modelos físicos, que são artefatos materiais). Modelos conceituais usados na vida diária são freqüentemente subjetivos, idiossincráticos e não estruturados coerentemente.”

A concepção de modelo mental de Halloun é, portanto, a de Johnson-Laird, mas o que ele enfatiza é o processo de modelagem, o qual será retomado neste trabalho na seção correspondente às pesquisas sobre modelos mentais.

A tipologia dos modelos mentais Johnson-Laird

Levando em conta todos os princípios (vínculos), referidos anteriormente, que restringem a natureza dos modelos mentais, Johnson-Laird propõe o que ele chama (1983, p. 422) de uma tipologia informal e tentativa para os modelos mentais.

Primeiramente, ele distingue entre modelos físicos que são os que representam o mundo físico e modelos conceituais(2) que são os que representam coisas mais abstratas. Depois identifica seis tipos principais de modelos físicos:

1. Modelo relacional é um quadro (“frame”) estático que consiste de um conjunto finito de elementos (“tokens”) que representam um conjunto finito de entidades físicas, de um conjunto finito de propriedades dos elementos que representam propriedades físicas das entidades e de um conjunto finito de relações entre os elementos que representam relações físicas entre as entidades (ibid.).

2. Modelo espacial é um modelo relacional no qual as únicas relações que existem entre as entidades físicas representadas são espaciais e o modelo representa estas relações localizando os elementos (“tokens”) em um espaço dimensional (tipicamente de duas ou três dimensões). Este tipo de modelo pode satisfazer as propriedades do espaço métrico ordinário, em particular a continuidade psicológica de suas dimensões e a desigualdade triangular (a distância entre dois pontos nunca é mais do que a soma das distâncias entre cada um deles e um terceiro ponto qualquer) (ibid.).

3. Modelo temporal é o que consiste de uma seqüência de quadros “frames” espaciais (de uma determinada dimensionalidade) que ocorre em uma ordem temporal que corresponde à ordem dos eventos (embora não necessariamente em tempo real) (ibid.).

4. Modelo cinemático é um modelo temporal que é psicologicamente contínuo; é um modelo que representa mudanças e movimentos das entidades representadas sem descontinuidades temporais. Naturalmente, este tipo de modelo pode funcionar (“rodar”) em tempo real e certamente o fará se for construído pela percepção (p. 423).

5. Modelo dinâmico é um modelo cinemático no qual existem também relações entre certos quadros (“frames”) representando relações causais entre os eventos representados (ibid.).

6. Imagem é uma representação, centrada no observador, das características visíveis de um modelo espacial tridimensional ou cinemático subjacente. Corresponde, portanto, a uma vista (ou projeção) do objeto ou evento representado no modelo subjacente (ibid.).

Johnson-Laird diz não haver uma linha divisória precisa entre percepção e concepção, mas ele acha plausível concordar com Marr (1982, apud Johnson-Laird, 1983, p. 423) e supor que a percepção normalmente produz modelos dinâmicos, métricos, tridimensionais de estados de coisas do mundo, nos quais cada quadro (“frame”) caracteriza as formas volumétricas dos objetos e as relações espaciais entre eles em termos de um sistema de coordenadas referido aos objetos. O único problema é a causalidade (por ser uma relação abstrata), mas o sistema perceptivo parece ser sensível a ela, ou melhor, a pistas dela.

Então, estes seis tipos de modelos são por ele classificados como físicos no sentido de que, com exceção da causalidade, eles correspondem diretamente ao mundo físico. Eles podem representar situações perceptíveis, mas não relações abstratas ou qualquer coisa além de descrições de situações físicas determinadas.

Modelos mentais não derivados da percepção podem ser construídos para representar situações verdadeiras, possíveis ou imaginárias. Tais modelos podem, em princípio, ser físicos ou conceituais, mas, em geral, são construídos a partir do discurso e este requer um modelo conceitual. Modelos conceituais por não terem o referencial do mundo físico exigem, mais do que os modelos físicos, um mecanismo de auto-revisão recursiva.

Johnson-Laird (p. 425) distingue quatro tipos principais de modelos conceituais (3):

1. Modelo monádico é o que representa afirmações (como aquelas do raciocínio silogístico) sobre individualidades, suas propriedades e identidades entre elas. Este tipo de modelo tem três componentes: um número finito de elementos (“tokens”) representando entidades individuais e suas propriedades; duas relações binárias -- identidade (=) e não identidade (¹); e uma notação especial para indicar que é incerto se existem determinadas identidades (p. 425).

Por exemplo, o modelo conceitual monádico da asserção “Todos licenciados são professores” pode ser o seguinte:

licenciado =

professor

(professor)

onde o elemento (“token”) licenciado é uma notação(4) para indicar que o correspondente elemento (“token”) mental representa um indivíduo que é licenciado. A notação de incluir um elemento entre parêntesis corresponde a essa notação especial dos modelos mentais conceituais que indica que é incerto se a individualidade correspondente existe ou não no domínio do modelo. Quer dizer, pode haver professor não licenciado.

Os modelos monádicos podem acomodar apenas asserções simples de um único predicado indicando propriedades, identidades e não identidades. Para asserções mais gerais é necessário empregar outro tipo de modelo, o relacional (ibid.).

2. Modelo relacional é aquele que agrega um número finito de relações, possivelmente abstratas, entre as entidades individuais representadas em um modelo monádico. Este tipo de modelo é necessário para representar uma asserção do tipo “existem mais as do que bês”, que requer uma representação do seguinte tipo (p. 425):

a -

b

a -

b

a

3. Modelo meta-lingüístico é o que contém elementos (“tokens”) correspondentes a certas expressões lingüísticas e certas relações abstratas entre elas e elementos do modelo (de qualquer tipo, incluindo o próprio modelo meta-ligüístico) (ibid.).

Por exemplo, a asserção “Um dos operários se chama João” requer um modelo meta-lingüístico da seguinte espécie:

http://www.if.ufrgs.br/public/ensino/N3/joao.jpg

onde as aspas estão sendo usadas para significar uma expressão lingüística e a flecha denota referência: a expressão lingüística “João” se refere a tal operário.

4. Modelo conjunto teórico é aquele que contém um número finito de elementos (“tokens”) que representam diretamente conjuntos; pode conter também um conjunto finito de elementos (“tokens”) representando propriedades abstratas do conjunto e um número finito de relações (incluindo identidade e não-identidade) entre os elementos que representam conjuntos.

Por exemplo, consideremos a asserção “Algumas bibliografias listam a si mesmas e outras não”; um modelo mental na forma

http://www.if.ufrgs.br/public/ensino/N3/b1.jpg(p. 428)

representa o fato de que uma bibliografia b1 consiste de três nomes, incluindo o seu próprio.

Analogamente, um modelo da forma

http://www.if.ufrgs.br/public/ensino/N3/b6.jpg(ibid.)

representa uma bibliografia das bibliografias que não listam a si mesmas.

Nestes modelos, os elementos (“tokens”) b1, b2, ..., b6 representam conjuntos (bibliografias) diretamente e a chave representa a relação de inclusão.

Johnson-Laird classifica esta tipologia de informal e tentativa, pois, em última análise, é a pesquisa que vai dizer como são os modelos mentais que as pessoas têm na cabeça. Contudo, os diferentes tipos de modelos físicos e conceituais por ele propostos revelam o caráter essencial dos modelos mentais: eles derivam de um número relativamente pequeno de elementos e de operações recursivas sobre tais elementos; seu poder representacional depende de procedimentos adicionais para construí-los e avaliá-los; as maiores restrições sobre eles decorrem da estrutura percebida ou concebida dos estados de coisas do mundo, dos conceitos que subjazem os significados dos objetos e eventos e da necessidade de mantê-los livres de contradições (p. 430).

A metodologia da pesquisa em modelos mentais

Se uma pessoa é capaz de andar pela casa no escuro sem grandes problemas é porque ela tem um modelo mental espacial de sua casa. Se uma pessoa é capaz de explicar como funciona uma geladeira é porque ela tem um modelo mental relacional, ou dinâmico, desse dispositivo físico. Se ela for capaz de dar significado a uma asserção como “Nem todos os doutores em Física são pesquisadores”, é porque ela tem um modelo mental conceitual (no sentido de Johnson-Laird) onde existem elementos (“tokens”) correspondendo a “doutores em Física”, a “pesquisadores” e à relação “nem todos” que lhe permitem representar tal situação.

Quer dizer, os modelos mentais estão na cabeça das pessoas. Como, então, investigá-los? Como construir modelos mentais dos modelos mentais das pessoas? Ou modelos conceituais (no sentido de Norman) dos modelos mentais compartilhados por várias pessoas (se é que isso existe)?

Possíveis metodologias para investigar modelos mentais estão baseadas na premissa de que as representações mentais das pessoas podem ser inferidas (modeladas) a partir de seus comportamentos e verbalizações. Além disso, supõe-se também que esses modelos podem ser simulados em computador.

Todavia, sejam quais forem tais metodologias, a pesquisa nessa área é bastante difícil, por duas razões principais.

Em primeiro lugar, porque não se pode simplesmente perguntar à pessoa qual o modelo mental que ela tem para determinado estado de coisas, pois ela pode não ter plena consciência desse modelo. Ela pode dizer que acredita em alguma coisa e proceder em desacordo com esta crença; quer dizer, ela de fato crê que acredita, mas o que ela faz não confirma isso. As crenças das pessoas, particularmente quando são de natureza procedimental, não estão disponíveis para exame (Norman, 1983, p. 11). Ademais, quando se pergunta a uma pessoa por que ou como fez alguma coisa ela pode sentir-se compelida a dar uma razão, mesmo que não a tivesse antes de a pergunta ser feita. Ela pode (usando um modelo mental das expectativas de quem faz a pergunta) dar uma razão que lhe parece ser a que a pessoa que faz a pergunta gostaria de ouvir (ibid.). Aí ela pode passar a acreditar nessa razão apesar de ter sido gerada na hora para responder à pergunta. (Por este motivo, protocolos verbais descrevendo o que a pessoa faz enquanto resolve um problema, por exemplo, são mais confiáveis do que explicações).

Em segundo, por que não adianta buscar modelos mentais claros, nítidos, elegantes, pois os modelos que as pessoas de fato têm são estruturas confusas, mal feitas, incompletas, difusas (Norman, 1983, p. 14). É com esse tipo de representação mental que o pesquisador nessa área tem que lidar e tentar entender.

Apesar das dificuldades, a análise de protocolos, o uso de informações verbais do sujeito como fonte de dados tem sido, provavelmente, a técnica mais usada para investigar a cognição humana. Não se trata, no entanto, de introspecção, pois nesta as verbalizações do sujeito já se constituem em teoria acerca de seus próprios processos de pensamento enquanto na análise de protocolos as verbalizações são consideradas como dados a serem explicados por teorias geradas pelo pesquisador, talvez na forma de simulação computacional (Simon e Kaplan, 1989, p. 21).

Há várias maneiras de fazer com que as pessoas gerem protocolos verbais, incluindo entrevistá-las, pedir-lhes que falem livremente, pensem em voz alta, descrevam o que estão fazendo enquanto executam uma tarefa. Protocolos que são gerados quando a pessoa pensa em voz alta enquanto se desempenha em uma tarefa como, por exemplo, a solução de um problema, são chamados protocolos concorrentes. Quando se pede ao sujeito que diga tudo o que consegue lembrar sobre a solução de um problema imediatamente após tê-la obtido, o protocolo é dito retrospectivo (ibid.). (Neste caso, é preciso precaução, pois o sujeito pode ser capaz de reconstituir eventos que não ocorreram).

Tipicamente, as verbalizações que geram os protocolos são gravadas, transcritas e analisadas à luz de alguma teoria.

Os estudos relatados na seção seguinte deverão ajudar a esclarecer como a análise de protocolos, e outras técnicas, têm sido usadas na pesquisa sobre modelos mentais.

Algumas pesquisas sobre modelos mentais

Gentner e Gentner (1983), descrevem pesquisas nas quais fizeram previsões sobre o desempenho de alunos em problemas de circuitos elétricos a partir de duas analogias que, segundo eles, são os modelos mais comumente usados pelos estudantes nesta área: o modelo do “fluido em movimento” (analogia hidráulica) e o modelo da “multidão em movimento”. No primeiro, o fluido em movimento corresponde à corrente elétrica, os canos aos fios, os estreitamentos dos canos aos resistores, os reservatórios às baterias e a diferença de pressão (função da altura da água no reservatório) à diferença de potencial. No segundo, a quantidade de pessoas que passa por um “portão” por unidade de tempo corresponde à corrente elétrica, o portão (passagem, saída) à resistência elétrica e a “força com que as pessoas se empurram” à diferença de potencial; neste modelo não há um análogo adequado para as baterias.

Na previsão desses autores, a adoção de um ou outro destes modelos resultaria em desempenhos diferentes em problemas de circuitos elétricos. Por exemplo, o primeiro modelo poderia levar a conclusões erradas sobre circuitos com resistores em série ou paralelo: os sujeitos poderiam tender a considerar que, independente de como estão ligados, quanto mais resistores maior a resistência do circuito e menor a corrente. Por outro lado, o segundo modelo tenderia a levar à previsão de que dependendo de como estão dispostos os “portões” a corrente será maior ou menor; por exemplo, se os resistores estiverem em paralelo (portões lado a lado) a corrente será maior (mais gente passará). Mas este modelo teria dificuldades com problemas que envolvessem baterias em série ou em paralelo.

A partir dessa previsão fizeram um estudo com 36 estudantes de segundo grau e calouros universitários que pouco sabiam de eletricidade (op. cit. p. 117). Eles deram aos alunos um folheto contendo várias questões sobre eletricidade que eles deveriam responder, trabalhando com ritmo próprio. Na primeira página havia um circuito simples com uma bateria e um resistor, como o da figura 1a. Nas quatro páginas seguintes havia, em cada uma delas, um circuito um pouco mais complicado como os das figuras 1b, 1c, 1d, 1e.

Em cada um destes casos, os alunos deveriam dizer se a corrente no circuito era maior, igual ou menor do que a do circuito mais simples (1a). Depois de dar suas respostas a todas estas perguntas, eles deveriam descrever, com suas próprias palavras, como pensavam a eletricidade em um circuito. A seguir, na página seguinte do folheto, deveriam ser mais específicos e dizer, em cada um dos casos (1b, 1c, 1d e 1e), se haviam pensado em um fluido escoando, em objetos em movimento, ou alguma outra visão de eletricidade enquanto resolviam os problemas propostos.

http://www.if.ufrgs.br/public/ensino/N3/fig1.jpg

Os pesquisadores, então, analisaram os protocolos obtidos a partir das respostas dadas e identificaram sete alunos que usaram, consistentemente, em todas as questões o modelo do fluido em movimento e oito que usaram o modelo da multidão (objetos) em movimento. As respostas dos alunos que foram inconsistentes no uso de modelos não foram consideradas nessa etapa da pesquisa.

Os resultados obtidos confirmaram a previsão de que os alunos que usassem o modelo do fluido em movimento se sairiam melhor nas questões sobre baterias do que sobre resistores enquanto que os que preferissem o modelo da multidão em movimento teriam melhor desempenho nas questões sobre resistores, particularmente em paralelo, do que sobre baterias.

Como se pode depreender desta descrição, o conceito de modelo mental de Gentner e Gentner é, praticamente, o mesmo de analogia, no sentido bem tradicional -- aquele em que o análogo guarda uma correspondência muito próxima com aquilo que representa. A definição de Johnson-Laird -- modelo mental como análogo estrutural de um estado de coisas (um evento ou um objeto) do mundo -- parece ser mais abrangente.

Williams, Hollan e Stevens, aqueles autores de definem modelo mental como um conjunto de objetos autônomos(5) “conectados” (1983, p. 133), relatam experimentos (op. cit. p. 135-146) sobre modelos mentais de um sistema de resfriamento que eles denominam “trocador de calor” (“heat exchanger”). Tal sistema consiste no seguinte (p. 132):

“A função de um “trocador de calor” é resfriar um fluido quente. Este fluido pode ser a água ou o óleo usado para lubrificar e resfriar uma máquina. O calor é retirado (sic) por meio de um fluido frio, em geral água de rio ou de mar. Os parâmetros importantes do funcionamento do “trocador de calor” são o fluxo do fluido quente (f1), as temperaturas de entrada e de saída do fluido quente (T1 e T2), o fluxo do fluido frio (f2) e as temperaturas de entrada e saída do fluxo frio (T3 e T4).”

Esquematicamente, o trocador de calor pode ser representado da seguinte forma (ibid.):

http://www.if.ufrgs.br/public/ensino/N3/fig2.jpg

Para estes autores, o comportamento (i.e., mudanças nos parâmetros) de um objeto autônomo é governado por um conjunto de regras internas. No caso do “trocador de calor”, eles sugerem que um conjunto de oito regras seria suficiente para dar conta de seu funcionamento (op. cit. p. 136):

http://www.if.ufrgs.br/public/ensino/N3/dt1.jpg

O símbolo => significa que qualquer mudança no parâmetro da esquerda causa uma mudança na mesma direção no parâmetro da direita. O símbolo - => significa que uma mudança no parâmetro da esquerda causa uma mudança na direção oposta no parâmetro da direita.

Este é um modelo “compilado” de “trocador de calor” que um conhecedor de máquinas térmicas poderia ter sobre o funcionamento superficial desse dispositivo. Superficial porque estas regras não são suficientes para representar um entendimento profundo dos mecanismos subjacentes a um sistema térmico como esse.

Este conjunto de regras pode também ser interpretado como definindo o funcionamento de um objeto autônomo isolado, o qual seria, então, um caso degenerado de modelo mental (i.e., um modelo mental constituído de um só objeto autônomo).

Nos experimentos que fizeram, esses pesquisadores pediam aos sujeitos que pensassem em voz alta enquanto respondiam uma série de questões sobre os valores dos parâmetros T1, T2, T3, T4, f1 e f2 e sobre os efeitos qualitativos de variações nesses parâmetros. As respostas dos sujeitos e o que eles diziam enquanto pensavam em voz alta geraram os protocolos cuja análise permitiu identificar três modelos de “trocador de calor” (p. 137-146):

No modelo 1 - Modelo do “Container” - o sistema é representado como um “container” para dentro do qual se está bombeando calor e a maneira de sair dele é através do fluxo de fluido, água ou óleo, para fora. Esquematicamente, esse modelo seria assim:

http://www.if.ufrgs.br/public/ensino/N3/contain.jpg

A regra dT <=> dQ diz que uma variação na temperatura (T) resulta em uma variação equivalente no calor total (Q) do fluido e vice-versa. A regra dfp/fora =>dHp/fora diz que um aumento no fluxo de fluido para fora implica um aumento no fluxo de calor para fora do sistema.

Este modelo dá conta das quatro primeiras regras do “modelo do especialista”, mas é omisso em relação às quatro últimas embora não viole nenhuma delas (p. 138). Na concepção dos pesquisadores, o modelo é constituído de quatro objetos autônomos (a entrada de calor, o “container” e as duas saídas, água ou óleo) e três portos (conexões mentais entre objetos autônomos em um modelo mental).

Os outros dois modelos são suplementares ao modelo 1, contendo mais objetos autônomos e portos necessários para justificar respostas a determinadas questões.

O conceito de modelo mental usado nessa pesquisa, semelhante ao de modelo mecanístico proposto por de Kleer e Brown (1983, p. 155), é também mais restrito do que o de Johnson-Laird. Além disso, trata-se de um modelo basicamente proposicional.

Gutierrez e Ogborn (1992) usaram o conceito de modelo mental mecanístico proposto por de Kleer e Brown (1983) para analisar protocolos relativos a força e movimento, tanto dos sujeitos de sua pesquisa como de outros estudos já publicados por outros autores. O modelo de de Kleer e Brown já foi descrito neste trabalho (p. 13), porém vale a pena retomá-lo na interpretação de Gutierrez e Ogborn (op. cit. p. 201-203), a fim de clarificar ainda mais este conceito modelo mental.

Segundo estes autores, o modelo mecanístico de de Kleer e Brown procura responder à seguinte pergunta: o que necessita um sistema cognitivo que se depara com um sistema físico (como um dispositivo hidráulico, elétrico ou térmico) para ir desde como ele é feito até uma ou mais possibilidades de como ele funciona, suficientemente boas para explicar o que ele faz? (ibid. p. 201).

Este processo pode ser analisado em quatro etapas:

  • representar o sistema;
  • “bolar” um modelo de como ele poderia funcionar;
  • imaginar o modelo funcionando (simulação mental);
  • comparar com a realidade os resultados imaginados do modelo.

Estas etapas são repetidas se a última não for satisfatória. Cinco noções básicas introduzidas por de Kleer e Brown estão implícitas nestas etapas:

topologia do dispositivo: uma representação da estrutura do sistema físico;

visionamento (“envisioning”): ir desde a estrutura até como poderia funcionar o sistema;

modelo causal: resultado do processo de visionamento;

execução (rodagem, “running”): imaginar o que faria o modelo causal;

episódio: intervalo de tempo durante o qual a explicação permanece a mesma.

O modelo de de Kleer e Brown atribui ao sistema cognitivo um compromisso ontológico básico: tudo tem uma causa; o raciocínio com este tipo de modelo é causal, não legal; as explicações são em termos de ações e efeitos, não de leis e regularidades (ibid. p. 202). O sistema cognitivo pode inclusive gerar, i.e., inventar causas. Causas que são inventadas apenas porque são necessárias causas são chamadas de míticas.

Este tipo de modelo é basicamente qualitativo. Nele não existem leis e relações quantitativas, somente relações do tipo “se isso acontecer então tal coisa acontecerá”, usando propriedades do tipo “grande”, “pequeno”, “maior”, “menor”, “negligível”, “igual”, “mesmo”.

A topologia, o visionamento, o modelo causal e a execução podem ser discriminados como segue (ibid.):

Topologia -- materiais: partes cujos atributos podem ser afetados por uma ação causal componentes: partes que podem efetuar uma mudança causal condutos: partes que podem conduzir materiais ou ações causais

Visionamento -- causas cujos efeitos estão ausentes, ou são muito pequenos, são ignoradas; até prova em contrário, atributos desconhecidos têm valores negligíveis.

Modelo causal -- princípio da localidade: a causa está estruturalmente perto de seu efeito. Se é a estrutura, como um todo, que determina a causa, então, ela é não local. princípio da assimetria: causas precedem seus efeitos. Segundo este princípio, os episódios são construídos em uma dada seqüência determinada por relações causais.

Estes dois princípios são de de Kleer e Brown, porém Gutierrez e Ogborn julgam necessário agregar três outros (p. 203):

princípio da produtividade: se existe um efeito, ele terá sido sempre produzido por uma causa;

princípio da constância: se existe uma causa, invariavelmente haverá um efeito;

princípio da unicidade: a mesma causa sempre produzirá o mesmo efeito.

Execução -- um modelo aceitável, quando imaginado em funcionamento deve ter consistência, correspondência e robustez. Consistência significa que o modelo não deve ter contradições internas; correspondência requer que ele prediga o que de fato acontece; robustez implica que o modelo continue fazendo previsões corretas quando o contexto muda para outro similar.

Se estes vínculos não forem satisfeitos, o modelo deve ser reconstruído (reformulado): uma nova causa pode ser introduzida, ou um novo efeito, ou a topologia deve ser modificada. Esta reconstrução é chamada de “aprendizagem” por de Kleer e Brown (apud Gutierrez e Ogborn, p. 203), porém ela não implica “ensino”, apenas observação e reflexão.

Como se disse antes, Gutierrez e Ogborn utilizaram o modelo de de Kleer e Brown para analisar protocolos relativos a força e movimento. Eles trabalharam com 10 estudantes espanhóis, cinco na faixa de 13-14 anos que haviam tido apenas uma introdução elementar à mecânica de Newton na disciplina de ciências e cinco na de 17-18 anos que haviam já cursado dois anos de mecânica newtoniana.

A técnica utilizada foi a da entrevista clínica, propondo aos estudantes situações tiradas de histórias em quadrinhos envolvendo movimentos cotidianos. Com isso eles pretenderam afastar-se das situações problemáticas normalmente propostas em sala de aula e deixar os alunos mais à vontade. As entrevistas duraram aproximadamente uma hora, foram gravadas em fita magnética e transcritas.

Na análise dos protocolos assim obtidos, as explicações dos movimentos dadas pelos alunos foram divididas em episódios; cada vez que mudava a natureza da causa considerava-se um novo episódio.

De sua pesquisa e da reanálise de protocolos obtidos por outros pesquisadores, Gutierrez e Ogborn concluíram que, de modo geral, o modelo de de Kleer e Brown é adequado para descrever o raciocínio causal em uma ampla variedade de situações. Em particular, eles observaram que freqüentemente os entrevistados mudavam o modelo causal, modificando a natureza da explicação em um ou mais episódios e isso é uma coisa que o modelo dá conta (a mudança de idéia, ou aprendizagem, de de Kleer e Brown). Encontraram também evidências da causalidade mítica e dos vários princípios do modelo causal.

Stella Vosniadou (1994) diz que em suas pesquisas sobre mudança conceitual tem conseguido identificar um número relativamente pequeno de modelos mentais, concernentes aos conceitos enfocados em uma entrevista, que os estudantes usam consistentemente. Por exemplo, em relação ao conceito de Terra ela encontrou que 80% das crianças entrevistadas utilizavem de maneira consistente um dos seguintes modelos (p. 53):

1. Retangular

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2. Disco

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3. Dual

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4. Esfera oca

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5. Esfera achatada

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6. Esfera

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Os dois primeiros foram chamados de “iniciais” porque parecem estar baseados na experiência cotidiana e não apresentam influência do modelo científico, culturalmente aceito, de Terra esférica. Os três seguintes foram considerados sintéticos porque combinam aspectos dos modelos iniciais e do modelo científico: o modelo dual, segundo o qual há duas Terras, uma plana, na qual as pessoas vivem, e outra esférica que é um planeta no céu; o da esfera oca em que as pessoas vivem numa região plana interna; o da esfera achatada segundo o qual as pessoas vivem em regiões planas em cima e embaixo (ibid.).

Vosniadou interpreta a mudança conceitual como uma modificação progressiva dos modelos mentais que a pessoa tem sobre o mundo físico, conseguida por meio de enriquecimento ou revisão. Enriquecimento envolve a adição de informações às estruturas conceituais existentes, revisão implica nas mudanças nas crenças ou pressupostos individuais ou na estrutura relacional de uma teoria.

Esta autora estabelece uma distinção entre uma teoria física estrutural ingênua (“naive framework theory of physics”) que é constituída bem cedo na infância e teorias específicas que descrevem a estrutura interna de domínios conceituais nos quais os conceitos estão “encaixados”. Ela questiona a hipótese -- que é praticamente senso comum -- de que a construção do conhecimento começa pela formação de conceitos isolados que vão se relacionando até constituirem estruturas conceituais complexas. Sua hipótese é a de que os conceitos estão “encaixados”, desde o começo, em estruturas teóricas mais amplas. Ela argumenta, por exemplo, que desde muito pequenas as crianças desenvolvem cinco vínculos sobre o comportamento de objetos do mundo físico -- continuidade, solidez, não-ação-à-distância, gravidade e inércia -- e que estas “pressuposições entrincheiradas” (op. cit. p. 47) estão organizadas em uma teoria física estrutural ingênua não disponível para testagem consciente. Esta teoria restringe o processo de aquisição de conhecimento sobre o mundo físico.

As teorias específicas consistem de um conjunto de proposições ou crenças inter-relacionadas que descrevem as propriedades e comportamentos de determinados objetos físicos.

A mudança conceitual por revisão pode ocorrer tanto em nível de teorias específicas como ao nível da teoria estrutural, mas neste caso ela é muito mais difícil e é provável que gere as chamadas concepções alternativas (“misconceptions”). Essa pesquisadora interpreta as concepções alternativas como tentativas do aprendiz para interpretar a informação científica à luz de uma teoria estrutural que contém informações contraditórias com a visão científica.

No caso da Terra, as crianças têm dificuldade em construir mentalmente o modelo científico porque este modelo viola certas “pressuposições entrincheiradas” da teoria física estrutural ingênua na qual o conceito de Terra está “encaixado”.

O conceito de modelo mental de Vosniadou é o de “representação analógica que os indivíduos geram durante o funcionamento cognitivo e que tem a característica especial de preservar a estrutura daquilo que supostamente representa” (p. 48):

“Modelos mentais são representações dinâmicas e generativas que podem ser manipuladas mentalmente para prover explicações causais de fenômenos físicos e fazer previsões sobre estados de coisas do mundo físico. Supõe-se que muitos modelos mentais são criados na hora para resolver questões de situações problemáticas específicas. Contudo, é possível que alguns modelos mentais, ou parte deles, que foram úteis uma vez, sejam armazenados como estruturas separadas e recuperados da memória de longo prazo quando necessário.”

Esta definição é praticamente a de Johnson-laird. A partir dela, Vosniadou realizou várias pesquisas sobre mudança conceitual envolvendo o conceito de Terra, explicações sobre o dia e a noite, o conceito de força e o de calor. Em todos os casos, ela encontrou que os sujeitos usam consistentemente um de um pequeno conjunto de modelos mentais.

A metodologia utilizada nesses estudos consiste em formular várias questões sobre o conceito que está sendo pesquisado. Algumas delas requerem uma resposta verbal, outras estimulam a feitura de desenhos e outras implicam a construção de modelos físicos. A suposição que está por detrás é a de que os estudantes “acessam” o conhecimento relevante e constroem um modelo mental que lhes permite responder as questões propostas. A pesquisadora, então, busca entender e descrever esses modelos e usá-los para fazer inferências sobre a natureza das teorias específicas e estruturais que os restringem.

Dois aspectos dessa metodologia são destacados (p. 50): o tipo de questões utilizadas e o teste de consistência interna.

As questões são “generativas” (produtivas, não factuais), i.e., questões que não podem ser respondidas através de simples repetição de informação não assimilada. No caso da Terra, perguntas do tipo “Qual é a forma da Terra?” ou “A Terra se move?” não servem porque respostas corretas são significam necessariamente que os alunos tenham entendido o conceito em pauta. Perguntas como “Se você caminhasse muitos dias sempre em linha reta aonde chegaria?” ou “A Terra tem fim?” teriam maior potencial para fazer com que os alunos buscassem em sua base de conhecimentos a informação relevante para construir um modelo mental de Terra, ou recuperassem da memória de longo prazo um modelo já construído.

O teste de consistência interna consta em verificar se o padrão de respostas de um dado sujeito para todas as perguntas “generativas” relativas ao conceito pesquisado pode ser explicado pelo uso consistente de um único modelo mental genérico subjacente.

Harrison e Treagust (1996) fizeram um estudo sobre modelos mentais de 48 alunos de oitava a décima série (segunda do 2o grau no Brasil) relativos a átomos e moléculas. Estes autores usam o termo “modelo mental” para descrever as suas interpretações das concepções de átomos e moléculas dos alunos. Esses alunos eram de três diferentes escolas australianas e participaram voluntariamente da pesquisa. Foram utilizadas entrevistas semi-estruturadas com duração média de 20 minutos.

No início da entrevista, cada aluno recebia um pedaço de folha de alumínio e um bloco de ferro e lhe era perguntado: “De que você acha que são feitos estes materiais?” Normalmente, o estudante dizia que o alumínio e o ferro eram feitos de átomos e moléculas. Quando isto não acontecia depois de quatro ou cinco perguntas do tipo da inicial, o pesquisador dava uma pista usando o termo “átomo”. A seguir, pedia-se ao aluno que pensasse sobre seu modelo mental (sic) de átomo e que o desenhasse em uma folha de papel e descrevesse o desenho (p. 515).

Como a maioria dos entrevistados desenhava ou mencionava uma bola ou uma esfera, dava-se-lhes uma bola de poliestireno de 5 cm de diâmetro e um pompom (com núcleo duro) e perguntava-se-lhes qual desses dois modelos tinha alguma semelhança com seu desenho e descrição (p. 516).

A seguir, os alunos recebiam uma folha contendo seis “diagramas de átomos”, tirados de livros didáticos e/ou usados comumente pelos professores, e deviam indicar qual desses diagramas melhor se ajustava ao seu modelo mental de átomo, qual o segundo melhor ajuste, qual o terceiro (se possível) e quais os diagramas que não gostavam. Nessa ocasião, freqüentemente os alunos falavam em núcleo, camada eletrônica, nuvem eletrônica, movimento do elétron, prótons e nêutrons. Quando isso não acontecia, o entrevistador dava pistas e perguntava aos alunos sobre nuvens e camadas eletrônicas (ibid.).

A discussão passava então para moléculas e cada entrevistado recebia dois modelos concretos de molécula de água, dos quais devia escolher um e explicar as razões de sua escolha.

Cada entrevista foi gravada em áudio-teipe e transcrita literalmente. As transcrições mais os desenhos dos alunos formaram o conjunto de dados a ser analisado. Da análise qualitativa feita, foram identificadas categorias nas quais podiam ser enquadradas as preferências dos alunos. No artigo (Harrison e Treagust, 1996), são apresentadas tabelas com tais preferências e com os atributos atômicos e moleculares segundo os modelos dos estudantes. São também apresentadas e comentadas várias descrições dos alunos sobre seus modelos mentais.

Observe-se que a metodologia usada nesta pesquisa provavelmente não seria compartilhada por outros autores que também usam entrevistas, pois muita coisa parece ser sugerida aos entrevistados. Os modelos são apresentados ao sujeito e ele ou ela deve escolher dentre eles o que mais se assemelha ao seu. Entretanto, este tipo de entrevista “não tão clínica” tem sido usada na pesquisa em ensino de ciências. A entrevista “teachback”, por exemplo, consiste de uma conversação entre entrevistador e entrevistado até chegarem a um consenso sobre o pensamento do entrevistado (Pintó et al., 1996).

Greca e Moreira (1996, 1997) conduziram uma pesquisa com 50 estudantes de engenharia em uma disciplina de Física Geral, na qual se propuseram a investigar o tipo de representação mental usado pelos alunos quando trabalhavam com o conceito de campo, particularmente no domínio do eletromagnetismo, ao resolver problemas e questões conceituais. O estudo foi conduzido em dois semestres consecutivos e teve como base conceitual a teoria de Johnson-Laird. Como foi bastante discutido nas primeiras seções deste trabalho, para Johnson-Laird existem três tipos de representações mentais: modelos mentais, proposições e imagens. Modelos mentais são análogos estruturais do mundo; proposições são cadeias de símbolos expressáveis em linguagem natural e interpretadas (em termos de verdadeiras ou não) à luz de modelos mentais; imagens são vistas de modelos mentais.

A pesquisa objetivou, então, identificar se os alunos, ao resolver problemas e questões de Física, operavam mentalmente com modelos, proposições ou imagens, ou com alguma combinação destes tipos de representações mentais propostos por Johnson-Laird.

Todo o estudo foi conduzido em condições normais de sala de aula. No primeiro semestre, com 25 alunos, a metodologia de ensino foi totalmente individualizada: o conteúdo foi dividido em 20 unidades de estudo; para cada unidade havia um roteiro de estudo e um teste escrito; quando aprovado no teste, o aluno passava para a unidade seguinte; havia possibilidade de repetir o teste tantas vezes quanto fosse necessário para dominar o conteúdo da unidade; o aluno trabalhava com ritmo próprio e contava com a assistência de monitores e do professor ao preparar cada unidade de estudo. Nesta metodologia, se desejado, é possível atingir-se um elevado grau de interação pessoal entre os estudantes e o professor, bem como entre os estudantes e os monitores. No caso, os dois pesquisadores atuaram como professores e monitores durante todo o semestre e estimularam o máximo possível a interação pessoal; procuravam discutir Física com os alunos sempre que havia oportunidade. Além disso, a avaliação de cada unidade era também dialogada.

A partir dessa forte interação, pessoal e do exame das respostas dos alunos às questões propostas nos guias de estudo e nos testes de avaliação, foi possível distinguir entre estudantes que construíram ou não um modelo mental do trabalho para o conceito de campo eletromagnético. Na primeira categoria foram enquadrados sete alunos e seus modelos foram classificados como basicamente proposicionais (matemáticos) ou essencialmente analógicos (imagísticos). Na categoria dos não modeladores foram incluídos 14 estudantes. De um modo geral, eles trabalhavam com proposições soltas (não articuladas em um modelo) e não usavam imagens. Quatro casos foram considerados intermediários entre as duas categorias.

No segundo semestre da investigação, com outros 25 alunos, os pesquisadores continuaram com o mesmo objetivo de identificar o tipo de representação mental usado pelos alunos, porém mudaram a metodologia de ensino e coletaram mais materiais de análise. O curso tinha três períodos semanais de aulas, de duas horas cada um. Em cada período, em um primeiro momento havia uma aula expositiva de 30 a 35 minutos; depois, os alunos trabalhavam em pequenos grupos (máximo quatro participantes), geralmente resolvendo problemas e questões de uma lista. Em cinco ocasiões, a lista foi substituída por um experimento de laboratório e em três por um mapa conceitual. Ao final de cada aula, os estudantes entregavam o produto de seu trabalho ao professor ou ao ajudante. Um dos pesquisadores atuou como professor e o outro como ajudante; os dois estiveram sempre presentes e durante o trabalho em grupo interagiram o máximo possível com os alunos.

O curso teve três avaliações formais individuais e uma pequena entrevista final também individual.

Todas as respostas dos alunos às listas de problemas e questões de cada aula ou aos roteiros de laboratório, todas as provas e todos os mapas conceituais foram utilizados como material de análise acoplados às observações feitas durante a interação pessoal e na entrevista final.

Todo este material gerou variáveis e escores: “conceito”, “problema”, “laboratório”, “mapa conceitual”, “trabalho em grupo” e “modelo”. A variável “modelo” foi construída a partir dos indicadores obtidos no estudo do primeiro semestre, da análise qualitativa do material escrito produzido pelos alunos e, sobretudo, da observação feita pelos pesquisadores ao longo do semestre, interagindo bastante com os estudantes. Esta variável recebeu escores de 0 a 5 correspondentes a seis categorias:

Categoria 0 (N=3) -- estudantes que operavam na base do ensaio-e-erro;

Categoria 1 (N=3) -- alunos que trabalhavam exclusivamente com proposições, porém soltas, memorizadas mecanicamente;

Categoria 2 (N=3) -- alunos que usavam basicamente proposições, mas com alguma articulação;

Categoria 3 (N=7), 4 (N=7) e 5(N=2) -- estudantes que construíram algum tipo de modelo mental para o conceito de campo elétrico.

As demais variáveis foram também atribuídos escores e uma matriz de correlações foi construída. Observou-se nessa matriz que as correlações foram estatisticamente significativas e que as mais baixas em relação à variável modelo ocorreram com as variáveis “laboratório” e “trabalho em grupo”, enquanto as mais altas aconteceram com as variáveis “mapa conceitual” e “conceito”.

Tais correlações poderiam, em princípio, ser esperadas pois as variáveis “conceito” (construída a partir das respostas declarativas dos alunos) e “mapa conceitual” eram as mais “conceituais”, as quais, por sua vez, seriam mais dependentes do tipo de representação mental utilizado.

Uma análise fatorial mostrou que as variáveis “conceito”, “laboratório”, “problema”, “mapa conceitual” e “trabalho em grupo” correspondem a um único fator que correlaciona 0,72 (p=0.0001) com a variável “modelo”.

Estes resultados sugerem que a variável “modelo” explica boa parte dos escores das demais variáveis, especialmente das “conceituais”.

Esta pesquisa foi, segundo os autores (Greca e Moreira, 1996 e 1997), o começo de um programa de pesquisa(6) sobre modelos mentais e a aprendizagem de Física que partiu do zero em 1994. Nesse primeiro estudo, apenas tentaram, e aparentemente conseguiram, distinguir entre alunos que trabalhavam e não trabalhavam com modelos mentais, segundo a teoria de Johnson-Laird, enquanto se desempenhavam em tarefas instrucionais de Física.

Do ponto de vista metodológico, este estudo também usou a análise qualitativa de documentos e verbalizações dos alunos, mas, diferentemente dos outros já descritos, completou-a com um tratamento quantitativo.

Os resultados obtidos sugerem que nos cursos introdutórios universitários de Física a maioria dos alunos trabalha com proposições não integradas ou não interpretadas em um modelo mental. As proposições que eles usam são definições e fórmulas manipuladas mecanicamente para resolver problemas ou questões. Alguns, no entanto, dão evidência de construção de modelos e isso parece caracterizar uma aprendizagem mais significativa.

Ibrahim Halloun (1996) fez uma pesquisa sobre modelagem esquemática cuja base teórica vai na linha dos resultados de Greca e Moreira, pois na raiz de sua investigação está o princípio de que, em Física, a aprendizagem do aluno será tanto mais significativa quanto maior for sua capacidade de modelar. Ele argumenta que a Física é uma ciência de modelos e a modelagem é uma atividade sistemática dos físicos para construir e aplicar o conhecimento científico. Aprender Física implica, então, aprender e jogar o “jogo da modelagem”.

Como foi dito na página 14, Halloun usa o conceito de modelo mental de Johnson-Laird e supõe que, apesar de tácitos, os modelos mentais podem ser explorados, indiretamente, através dos modelos conceituais que a pessoa externaliza de maneira verbal, simbólica ou pictórica ao se comunicar com outra pessoa. Supõe também que através de instrução adequada os modelos conceituais -- que são geralmente subjetivos, idiossincráticos e não coerentemente estruturados -- podem se tornar relativamente objetivos e estruturados de maneira coerente. Esta evolução, segundo ele, é melhor atingida em ciências e matemática onde os modelos desempenham um papel central.

É na idéia de “instrução adequada” que entra a modelagem esquemática, ou processo de modelagem tal como proposto por Halloun, cujos cinco estágios são (op. cit. p. 1026-1028):

· seleção (identificação e descrição da composição de cada sistema físico da situação física e do respectivo fenômeno);

· construção do modelo (conceitual ou físico; no caso da resolução de problemas, os alunos são guiados na construção de um modelo conceitual matemático);

· validação do modelo (verificação da consistência interna);

· análise do modelo (no caso da resolução de problemas, consiste principalmente de executar o modelo matemático, obter respostas de problemas e interpretá-las);

· desdobramento do modelo (tem a ver com transferência).

Deve ficar claro, no entanto, que a modelagem esquemática, como estratégia instrucional, se refere principalmente a modelos conceituais que o aluno externaliza. Os cinco estágios do processo da modelagem sugeridos por este pesquisador não são hierárquicos; os três estágios do meio se superpõem; o primeiro e o segundo também podem se superpor pois, na prática, em particular na resolução de problemas, a construção do modelo pode se limitar à seleção de um modelo matemático adequado.

Halloun trabalhou com 87 estudantes libaneses, 59 de escola secundária e 28 universitários, aos quais deu aulas de recuperação durante o verão, pois não haviam passado em Física durante o semestre regular. Aos secundaristas deu cinco aulas de duas horas, nas quais usou a modelagem esquemática para ensinar-lhes problemas de estática. Aos universitários deu também cinco aulas nas quais ensinou-lhes a modelagem esquemática em mecânica da partícula.

Os problemas utilizados foram daqueles normalmente encontrados nos livros de texto de mecânica. Foram aplicados pré e pós-testes e comparados os resultados. Segundo o autor, tais resultados implicam que a modelagem esquemática é uma estratégia válida para o ensino da Física (op. cit. p. 1035). Contudo, sua pesquisa tem falhas metodológicas (por exemplo, falta de grupo de controle) que limitam sua validade interna e externa.

É preciso mais pesquisa sobre modelagem conceitual (aquela que se pode ensinar) e modelagem mental (aquela que se tenta investigar e, talvez, facilitar na instrução) e sua inter-relação. O valor da pesquisa de Halloun é que ela parece tentar algo nesse sentido.

Voltando à questão metodológica

Com exceção da última pesquisa descrita na seção anterior, a qual, na verdade, não investigou modelos mentais, todas as demais fizeram uso da análise qualitativa de protocolos verbais e documentos (desenhos, esquemas, soluções de problemas, mapas conceituais, ...) produzidos pelos sujeitos pesquisados em entrevistas ou tarefas instrucionais.

Isso é consistente com o fato de que “os modelos mentais estão na cabeça das pessoas” e a única maneira de investigá-los é, indiretamente, através daquilo que elas externalizam verbalmente, simbolicamente ou pictoricamente.

É interessante notar que esse tipo de metodologia é semelhante a que foi desenvolvida na “Escola de Würzburg”, na Alemanha, no final do século passado e início deste, pelos psicólogos Oswald Külpe e Karl Bühler, denominada “instropecção experimental sistemática”. Külpe foi discípulo de Wilhelm Wundt, considerado o fundador da ciência experimental da psicologia. Wundt estabeleceu na Universidade de Leipzig, também na Alemanha, em 1875, um laboratório de psicologia que ficou famoso e atraiu muitos estudantes interessados nessa nova ciência. Entre estes estava Külpe que mais tarde tornou-se professor na Universidade de Würzburg e criou seu próprio laboratório que logo começou a rivalizar com o de Wundt em importância (Schultz e Schultz, 1995).

A “introspecção experimental sistemática” de Külpe envolvia a realização de uma tarefa complexa (como o estabelecimento de ligações lógicas entre conceitos), depois da qual se pedia aos sujeitos que fizessem um relato retrospectivo de seus processos cognitivos durante a realização da tarefa (op. cit. p. 97). Tarefas semelhantes eram repetidas muitas vezes para que os relatos retrospectivos pudessem ser corrigidos, corroborados e ampliados. Esses relatos eram freqüentemente suplementados por perguntas que dirigiam a atenção do sujeito para pontos particulares (ibid.).

Wundt também usava a introspecção em suas pesquisas, porém raramente a do tipo qualitativa em que o sujeito descreve suas experiências mentais. A espécie de relato introspectivo que Wundt buscava em seu laboratório tratava principalmente dos julgamentos conscientes do sujeito acerca do tamanho, da intensidade e da duração de vários estímulos físicos -- julgamentos quantitativos típicos da pesquisa psicofísica (op. cit. p. 83).

Ele acreditava no estudo da experiência consciente tal como ocorria, não na memória dela após a ocorrência. Para ele, os psicólogos deveriam ocupar-se do estudo da experiência imediata, não da mediata. Isso porque ele considerava a experimentação científica impossível no caso do estudo dos processos mentais superiores como a aprendizagem, o pensamento, a memória: estes processos, por estarem condicionados por hábito lingüísticos e outros aspectos culturais, só podiam ser efetivamente estudados mediante as abordagem não experimentais da sociologia, da antropologia e da psicologia social (op. cit. p. 81).

A pesquisa de Wundt se restringia, então aos processos mentais mais simples, como a sensação e a percepção. Külpe procurou contornar essa limitação.

Segundo Schultz e Schultz (1995, p. 98):

Külpe não rejeitou o foco de Wundt sobre a experiência consciente, o instrumento de pesquisa que era a introspecção, nem a tarefa fundamental de analisar a consciência em seus elementos. O alvo de seu trabalho era expandir a concepção de objeto de estudo da psicologia de Wundt a fim de incluir os processos mentais superiores, bem como aprimorar o método da introspecção.

Wundt defendia o ponto de vista de que a experiência consciente podia ser reduzida aos seus elementos sensoriais ou imaginais componentes. Para ele, toda a experiência consciente se compunha de sensações ou imagens. Külpe através de sua introspecção experimental sistemática encontrou evidências na direção oposta, i.e., o pensamento pode ocorrer sem conteúdos sensoriais ou imaginais (pensamento sem imagens) (op. cit. p. 98).

Karl Bühler, também de Würzburg, usou em suas pesquisas um método que era praticamente o mesmo de Külpe e que também lembra muito a metodologia usada hoje nos estudos sobre modelos mentais na aprendizagem de ciências (ibid.):

“Seu método de pesquisa envolvia a apresentação ao sujeito de uma questão que exigia certa reflexão antes de poder ser respondida. Pedia-se a sujeitos que fizessem o relato mais completo possível das etapas envolvidas na formulação da resposta, enquanto o experimentador intercalava perguntas sobre o processo.”

Os resultados obtidos por Bühler reforçaram as descobertas de Külpe sobre os aspectos não sensoriais da consciência. (A existência de tais processos veio a ser, posteriormente, um pressuposto básico da Psicologia Cognitiva.)

Portanto, a metodologia da pesquisa em representações mentais, mais especificamente em modelos mentais não é nova. Vem sendo usada na psicologia experimental desde o final do século passado. Mas, como alertam Simon e Kaplan (1989, p. 21):

“Apesar de que os relatórios verbais remontam aos introspeccionistas, o uso de tais relatórios como dados não deve ser confundido com introspecção. A introspecção tomava as verbalizações dos sujeitos com valor nominal, constituindo uma teoria válida sobre seus próprios processos de pensamento. Hoje, no entanto, a análise de protocolos trata os relatórios verbais como fonte de dados que uma teoria gerada pelo pesquisador deve dar conta -- tal teoria talvez tenha a forma de uma simulação computacional.”

A questão da consciência e a computabilidade

A seção anterior nos remete inevitavelmente à questão da consciência, a qual, dentro do referencial da Psicologia Cognitiva, nos conduz ao tema da computabilidade.

Afinal os modelos mentais são conscientes? Não conscientes? Parcialmente conscientes?

Porque essa insistência com simulação computacional, “rodar” o modelo, procedimento efetivo, enfim, a metáfora do computador?

Comecemos com a segunda questão, cuja resposta parece ser mais imediata.

Modelos mentais é um tópico da Psicologia Cognitiva, a qual não deve ser confundida com outras áreas da Psicologia, ou com outras psicologias. A Psicologia Cognitiva é recente, data dos anos cinqüenta deste século. No núcleo duro desta “nova psicologia” estão a existência de processos mentais de “cima para baixo” e a metáfora do computador. Fazer Psicologia Cognitiva implica aceitar que existem outros processos mentais além daqueles “de baixo para cima” que caracterizam o processamento da informação recebida através dos órgãos dos sentidos. (Vide referência às pesquisas de Wundt e Külpe na seção anterior.) Implica também pensar a mente como um sistema de cômputo, o que não significa que ela seja um computador tal como o conhecemos, nem que as pessoas sejam computáveis. Provavelmente, há aspectos da mentalidade humana que nunca poderão ser explicados por uma teoria científica. Porém há outros que sim. Possivelmente, há aspectos da mentalidade humana que nunca poderão ser implementados em um programa de computador. Mas há outros que sim. E aí entramos na Psicologia Cognitiva, a qual pretende estudar a mente humana cientificamente.

Para Johnson-Laird (1983, p. 8) qualquer teoria científica da mente deve, necessariamente, tratá-la como um sistema de cômputo; deve ficar restrita a aspectos que possam ser formulados como programas de computador. “Abandonar este critério é permitir que as teorias científicas sejam vagas, confusas e, assim como as doutrinas místicas, propriedade apenas de seus proponentes”(ibid.). (O problema com este critério é que os computadores atuais são seriais e a mente é um sistema de processamento em paralelo.)

Como foi dito, a metodologia usada na pesquisa sobre modelos mentais trata os protocolos verbais e outros documentos simbólicos ou pictóricos produzidos pelos sujeitos como fontes de dados a serem explicados por teorias geradas pelo pesquisador. Obviamente, para que tais teorias não sejam vagas, confusas, místicas, elas devem poder ser descritas na forma de procedimentos efetivos. Procedimento efetivo é aquele que pode ser executado por uma máquina (um computador) sem que nenhuma decisão seja tomada na base da intuição ou de qualquer outro ingrediente “mágico”.

É por isso que, na ótica de Johnson-Laird, o critério de validade para os resultados da pesquisa sobre modelos mentais é a possibilidade de descrevê-los na forma de procedimentos efetivos que possam ser implementados em computadores.

Quer dizer, os modelos mentais estão nas cabeças das pessoas. Se, através da pesquisa, conseguimos identificar alguns desses modelos é porque interpretamos os dados (que estão nos protocolos) à luz de alguma teoria que temos. Aliás, o próprio modelo identificado é, por si só, uma teoria que temos sobre o que está na mente do outro. A maneira de testar a validade dessa teoria é descrevê-la na forma de um procedimento efetivo que possa ser formulado com um programa de computador. Naturalmente, a “rodagem” desse programa deve fornecer resultados compatíveis com as previsões da teoria.

Passemos agora à questão da consciência que, na visão de Johnson-Laird, tem a ver com a computabilidade.

Johnson-Laird assume uma posição funcionalista em relação ao problema cérebro-mente: os fenômenos mentais não dependem de como o cérebro é constituído mas de como ele está funcionalmente organizado, ou seja, os fenômenos mentais correspondem a computações do cérebro (op. cit. p. 448 e 474). A metáfora do computador serve muito bem para a doutrina funcionalista: a mente está para o cérebro assim como o “software” está para o “hardware” em um computador. Mas há um problema, talvez o maior de todos no que se refere a fenômenos mentais: a consciência.

Até hoje não se sabe realmente o que é a consciência, o que ela faz, qual sua função. As alternativas para que este problema vão desde considerar a consciência como um fenômeno sobrenatural até supor que ela é computável.

A alternativa funcionalista adotada por Johnson-Laird é a de que a consciência depende de cômputos do sistema nervoso (p. 450). Tais cômputos requerem um cérebro de certo tamanho e complexidade porque a capacidade computacional depende de memória e porque a velocidade computacional depende do tamanho das unidades que podem ser processadas simultaneamente, i.e., do número de processadores que podem ser postos em ação em uma tarefa (ibid.). Tanto a capacidade como a velocidade computacionais são importantes para a consciência. Basta lembrar o uso da linguagem (que requer grande habilidade mental computacional) e o fato de que decisões conscientes são tomadas em tempo real.

Outro ponto importante na visão funcionalista é o de que o processamento mental ocorre em paralelo. Três argumentos sustentam esta asserção (p. 451):

1. a mente emprega distintos níveis de organização; na linguagem, por exemplo, em um primeiro nível são processados os sons, os quais combinados formam morfemas que têm significados e devem ser processados em outro nível; morfemas combinados geram sentenças que implicam outro nível de processamento pois os significados das sentenças vão além dos significados dos morfemas; finalmente, inferências a partir dos significados das sentenças levam a modelos mentais do discurso;

2. o processamento mental, em cada nível, leva o contexto em consideração; novamente a linguagem surge como exemplo, pois a identificação e interpretação de palavras depende do contexto;

3. o processamento em diferentes níveis não é autônomo, mas interativo; por exemplo, significados de proposições podem ser obtidos por referência a outras proposições; o reconhecimento de uma palavra facilita o reconhecimento de outras semanticamente relacionadas.

Resumindo, a hipótese é que há diferentes níveis de organização mental porque processadores separados podem operar em distintos níveis simultaneamente; em um dado nível, um processador trabalha um certo item enquanto outros se encarregam do contexto; a comunicação entre processadores em diferentes níveis permite que interajam. Tudo isso leva a um aspecto essencial do processamento mental: ele ocorre em paralelo (p. 452).

Naturalmente, há distintas maneiras de implementar um processamento em paralelo. Uma possibilidade é um sistema completamente distribuído no qual cada processador está em pé de igualdade com os demais e não pode comunicar instruções a outros, apenas o produto do processamento realizado. Outra alternativa seria um sistema baseado em um processador central que “rodaria” um programa principal que daria instruções, e receberia informações, de processadores independentes.

Johnson-Laird imagina a mente humana funcionando em um sistema híbrido que tira partido tanto da organização centralizada como da distribuída: um processador de alto nível que monitora e controla os objetivos gerais de processadores de nível mais baixo que, por sua vez, monitoram e controlam processadores que operam mais abaixo do que eles, e assim por diante em uma hierarquia de processadores paralelos, a qual no seu nível mais inferior governa as interações sensoriais e motoras com o mundo externo (p. 463).

O processador de alto nível corresponderia ao que em um computador chama-se de sistema operacional, um conjunto de programas que permite ao operador humano manejar o computador. Quando o computador é ligado, o sistema operacional é automaticamente, ou através de algum comando simples, carregado e o operador tem a sua disposição mecanismos para recuperar programas e arquivos gravados no disco rígido, rodar os programas, ler os arquivos, editar, gravar, imprimir, etc.

A mente teria, então, um sistema operacional com considerável autonomia, mas sensível a demandas de outros processadores e que poderia ser ligado e desligado pelos mecanismos de controle do sono. Ele dependeria de processadores de segunda ordem para perceber, entender, agir, lembrar, comunicar e pensar. Estes processadores, por sua vez, dependeriam de processadores de terceira ordem para passar “para baixo” instruções mais detalhadas de controle e para passar “para cima” informações sensoriais parcialmente interpretadas. Haveria interações entre processadores de mesmo nível ou de distintos níveis e mecanismos que permitissem que mensagens prioritárias de um nível inferior interrompessem o processamento em andamento em um nível superior (p. 464).

Uma das mais importantes funções do sistema operacional mental seria o desenvolvimento de novos programas para dar conta de novas situações, visto que a mente humana pode desenvolver e rodar seus próprios programas (modelos mentais).

Mas os “programas” que as pessoas produzem para resolver problemas podem ter grandes defeitos (falhas, “bugs”), de modo que sua implementação poderia requerer configurações anômalas de processadores. Como o sistema operacional mental não tem proteção contra configurações anômalas, uma forma primitiva de consciência poderia ter emergido originalmente da rede de processadores paralelos como forma de contornar tais configurações e outras interações patológicas entre eles (ibid.).

Portanto, na base de considerações puramente computacionais, Johnson-Laird argumenta que há uma divisão na mente entre um sistema operacional de alto nível e uma organização hierárquica de processadores. E vai além: ele assume que “os conteúdos da consciência são os valores correntes dos parâmetros que governam as computações de alto nível do sistema operacional” (p. 465). O sistema operacional pode receber estes valores de outros processadores, mas não pode inspeccionar as operações internas desses processadores. A seleção natural teria assegurado que eles são necessariamente não-conscientes (p. 465).

O principal argumento de Johnson-Laird neste caso é exatamente o fato de que há coisas que o ser humano pode ser consciente e outras não.

Quando falamos com outra pessoa podemos ter consciência das palavras que ela usa e se entendemos ou não o que ela está dizendo, mas não podemos tornar conscientes os mecanismos que nos permitem entender as palavras e os significados das proposições formadas, isto é processado em nível não-consciente.

Podemos estar conscientes de muitas coisas -- sentimentos, atitudes, intenções, motivos, expectativas, temores -- mas não de mecanismos específicos subjacentes a elas.

Inclusive no que se refere a habilidades mentais, nunca estaremos completamente conscientes de como exercitá-las.

Analogamente, as pessoas não são conscientes da natureza e dos mecanismos subjacentes às representações mentais. Elas são conscientes do que está representado e de se é percebido ou imaginado, mas não da natureza intrínseca da representação em si (ibid.).

Em termos de modelos mentais, poderíamos então dizer que as pessoas são conscientes do conteúdo de seus modelos e de se eles são frutos de percepção ou imaginação, mas não de seus mecanismos intrínsecos.

É tambem importante notar que, segundo a hipótese de Johnson-Laird, qualquer tentativa de usar a introspecção para tornar consciente alguma coisa que é não-consciente, falhará: não só porque a informação é inacessível mas também porque um processo essencialmente paralelo teria que ser captado pelas operações em série do sistema operacional.

Quer dizer, há uma distinção entre as computações do sistema operacional que são em série e as computações em paralelo dos múltiplos processadores. A introspecção força noções intrinsecamente paralelas em um corredor serial.

Paradoxalmente, a mente humana consciente, que é um sistema operacional em série, não é capaz do grau de processamento paralelo necessário para produzir consciência (p. 475).

É também importante notar que além de não ter acesso às operações internas dos processadores de níveis inferiores, o sistema operacional mental também não tem completo controle sobre eles. Há muitos fenômenos sugerindo que certos processadores retêm bastante autonomia. Por exemplo, sentimentos de amor e ódio podem ser conscientemente experimentados, mas não podem ser invocados por uma decisão consciente.

A mente tentando entender a mente, i.e., buscando construir um modelo mental de um dispositivo que constrói modelos mentais, é um problema que além de ser paradoxal envolve um enigma que é a consciência.

Para Johnson-Laird, a construção de um modelo mental é um processo computacional e ele imagina que um componente da solução do paradoxo cognitivo (i.e., a mente tentando entender a mente) está na construção recursiva de modelos mentais, i.e., modelos dentro de modelos: “em um estágio 0, a mente constrói um modelo de uma proposição p; no estágio 1, ela pode construir um modelo de si mesma operando no estágio 0 e, em geral, em qualquer estágio pode construir um modelo de si mesma operando no estágio anterior (p. 472).

Este procedimento recursivo parece estar sempre presente nos fenômenos da consciência. Por exemplo, um indivíduo pode perceber alguma coisa, ter consciência de que está percebendo-a, ter consciência de que está consciente de que está percebendo essa coisa e assim por diante... Analogamente, a intencionalidade depende da construção recursiva de modelos dentro de modelos (“embedding of mental models”): um organismo pode ter uma intenção, i.e., uma decisão consciente de agir para atingir determinado fim, somente se ele tiver um sistema operacional capaz de construir um modelo mental de um estado de coisas futuro e, em um segundo estágio, capaz de construir um modelo de si mesmo construindo o modelo mental inicial e decidindo agir de acordo com tal modelo (p. 473). Quer dizer uma decisão consciente implica a construção recursiva de modelos mentais. Um sistema operacional necessita, então, apenas ter acesso a um modelo de si mesmo a fim de ter intenções (ibid.).

Obviamente, as pessoas têm intenções e, portanto, devem ter, e têm, modelos mentais de si mesmas. Seus modelos incluem lembranças de coisas que sentiram ou fizeram no passado e conhecimentos de seus gostos e preferências, habilidades e capacidades. Porém, como já foi dito, elas não têm acesso ao funcionamento interno dos múltiplos processadores paralelos ou ao processo que subjaz sua própria representação. Seus modelos mentais de si mesmas estão limitados às opções disponíveis aos seus sistemas operacionais.

Mas os modelos mentais não precisam ser nem completos nem inteiramente acurados para serem úteis. No caso das pessoas, o que seu limitado conhecimento de seu próprio sistema operacional lhes dá é um sentido de identidade, continuidade e individualidade (p. 474).

Para Johnson-Laird, a mente opera, então, em três níveis computacionais principais: processadores que computam em nível não-consciente, mecanismos que constroem modelos mentais do mundo externo e dispositivos com a habilidade recursiva de construir modelos dentro de modelos.

O primeiro nível é, portanto, não-consciente. E os outros dois? Bem, no segundo a hipótese é a de que são conscientes os conteúdo dos modelos mentais e se eles são percebidos ou imaginados, mas não são seus mecanismos intrínsecos. No terceiro, como foi recém visto, a intencionalidade depende da capacidade recursiva do organismo de construir modelos de si mesmo operando em estágios anteriores e a plena consciência humana depende da intencionalidade e de ter consciência de estar consciente.

Esta resposta não é totalmente esclarecedora. E nem poderia ser pois a consciência é o problema maior que enfrenta a doutrina funcionalista, segundo a qual os fenômenos mentais correspondem a computações do cérebro. Johnson-Laird tenta abordar este problema propondo a teoria apresentada nesta seção, a qual supõe a mente constituída por um sistema operacional de alto nível e uma organização hierárquica de processadores. Não obstante, como diz o próprio Johnson-Laird (op. cit. p. 470), a mente deve ser mais complicada do que qualquer teoria sobre ela.

Conclusão

Na pesquisa em ensino de ciências, a década de setenta foi a das concepções alternativas e a de oitenta a da mudança conceitual. É bem possível que estejamos hoje, nos anos noventa, vivendo a década das representações mentais, em particular dos modelos mentais.

Os dois livros básicos sobre modelos mentais -- o de Johnson-Laird e o organizado por Gentner e Stevens -- são de 1983, mas foi nos primeiros anos da década de noventa, como bem destacam Pintó et al. (1996), que esse referencial começou a ganhar corpo no domínio conceitual da pesquisa em ensino de ciências.

Não se trata, no entanto, simplesmente de uma questão de moda, mas de uma evolução, uma etapa que é conseqüência das anteriores. Com as pesquisas sobre concepções alternativas, típica dos anos setenta, ficamos sabendo, ou passamos a dar atenção, que os alunos vêm para a sala de aula com uma “ciência alternativa”. Logo em seguida, passamos a nos preocupar em como promover a mudança conceitual, i.e., como fazer com que os alunos abandonassem suas concepções alternativas em favor das concepções científicas que, afinal, eram muito mais explicativas e preditivas. Mas aí nos perdemos porque supusemos que a mudança conceitual era uma substituição de uma concepção por outra na cabeça do aluno e que isso poderia ser feito, até com certa facilidade, através de estratégias instrucionais adequadas. (Tais estratégias estavam, geralmente, baseadas no modelo kuhniano de mudança de paradigmas e na idéia piagetiana de conflito cognitivo.) Muita pesquisa foi feita tendo, implícita, essa suposição, porém, a modéstia dos resultados nos esclareceu que mudança conceitual é uma coisa muito complicada e deve ser pensada de outra maneira, muito mais como uma evolução conceitual do que como uma substituição de concepções (Moreira, 1994).

Vosniadou (1994), por exemplo, interpreta a mudança conceitual como uma modificação progressiva dos modelos mentais que o aluno tem sobre o mundo físico, conseguida por meio de enriquecimento ou revisão. Enriquecimento envolve a adição de informações aos modelos existentes, revisão implica mudanças nas crenças ou pressupostos individuais ou na estrutura relacional do modelo.

Ou seja, o aparecimento de um número cada vez maior de artigos e pesquisas sobre modelos mentais pode ser visto como uma conseqüência da grande ênfase na mudança conceitual que pautou muito da pesquisa em ensino de ciências na década passada. E talvez essa tenha sido uma etapa necessária, pois foram os resultados (no mínimo modestos) dessa pesquisa que levaram os pesquisadores a buscar outros referenciais teóricos e, nessa busca, chegar aos modelos mentais.

Possivelmente, este é um referencial teórico mais promissor, porém mais difícil metodologicamente. A idéia de que as pessoas, ou os alunos no caso, constroem modelos mentais do mundo, i.e., “re-presentam” internamente o mundo externo, é atraente. O problema é que é difícil investigar tais modelos. Os modelos mentais das pessoas, ao invés de serem precisos, consistentes e completos, como os modelos científicos, são, simplesmente, funcionais. Na pesquisa, ao invés de buscar modelos mentais claros e elegantes, teremos que procurar entender os modelos confusos, “poluídos”, incompletos, instáveis que os alunos realmente têm. E isso é difícil!

Em termos de teoria sobre modelos mentais, a de Johnson-Laird é, até hoje, a mais completa e articulada. Por esta razão, impregnou todo este trabalho.

No que se refere à metodologia, a análise qualitativa de protocolos verbais e de documentos produzidos pelos alunos, tem sido a técnica mais utilizada na pesquisa sobre modelos mentais. Através de referências históricas e descrição de pesquisas recentes, procurou-se neste artigo dar atenção ao aspecto metodológico do tema modelos mentais.

Além disso, procurou-se não deixar de lado a questão da consciência, uma vez que é praticamente impossível falar em modelos mentais, ou em qualquer teoria sobre a mente humana, sem falar da consciência. Aliás, para falar em modelo mental é preciso ter um modelo mental de modelo mental, é preciso estar consciente de que se trata de um modelo mental de modelo mental, e por aí vai...

Tudo isso, como foi dito no início, foi feito com o objetivo de subsidiar o ensino e a pesquisa em ensino de ciências à luz desse (novo) referencial que são os modelos mentais.


Bibliografia

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· Artigo arbitrado pela Comissão Organizadora do “Encontro sobre Teoria e Pesquisa em Ensino de Ciências - Linguagem, Cultura e Cognição, Reflexões para o ensino de Ciências”, Faculdade de Educação da UFMG, de 05 a 07 de março de 1997.

NOTAS DE RODAPÉ:

(1) Trabalho apresentado no Encontro sobre Teoria e Pesquisa em Ensino de Ciência - Linguagem, Cultura e Cognição, Faculdade de Educação da UFMG, Belo Horizonte, 5 a 7 de maró de 1997. (Volta para o texto)

(2) Os modelos conceituais de Johnson-Laird não são os mesmos de Norman (1983, p. 12) que são modelos precisos, consistentes e completos inventados por professores, pesquisadores, engenheiros, e projetados como instrumentos para a compreensão e o ensino. Os de Johnson-Laird são modelos que as pessoas têm nas suas cabeças e que represntam estados de coisas abstratos em relação aos estados de coisas físicos, representados pelos modelos físicos.(Volta para o texto)

(3) Reitera-se que não são os mesmos modelos de Norman.(Volta para o texto)

(4) Obviamente, estas notações são arbitrárias; é improvável que se venha a saber como estes elementos são de fato representados na mente.(Volta para o texto)

(5) Objeto autônomo é, para Williams, Hollan e Stevens (1983), um objeto mental que representa explicitamente alguma coisa, cujas conexões topológicas com outros objetos é também explícita, e que tem um certo número de parametros internos.(Volta para o texto)

(6) "Modelos Mentais e Aprendizagens de Física segundo a Tipologia de Johnson-Laird", apoio CNPq.(Volta para o texto)

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SUBJECT: Re: [ciencialist] Re: Seria mesmo PB vitima de transtorno bi-polar?
FROM: "Pesky Bee" <peskybee2@gmail.com>
TO: <ciencialist@yahoogrupos.com.br>
DATE: 15/12/2014 10:07

Vernerzão, bem que tu poderias me dizer o que é esse tal
de diálogo respeitoso, sempre ouvi falar disso mas não
faço a mínima ideia do que seja. Será que é quando a gente
vai conversar com alguém todo vestido de terno e gravata?
 
No meu caso, posso até vestir isso tudo, mas me recuso
a vestir as calças: vai de cueca mesmo, hahahahaha
 
*PB*
 
 
 
Sent: Wednesday, December 10, 2014 6:42 PM
Subject: RE: [ciencialist] Re: Seria mesmo PB vitima de transtorno bi-polar?
 


Safarelli, acho difícil você manter um DIÁLOGO RESPEITOSO com a abelhinha.



To: ciencialist@yahoogrupos.com.br
From: ciencialist@yahoogrupos.com.br
Date: Wed, 10 Dec 2014 06:09:50 -0800
Subject: [ciencialist] Re: Seria mesmo PB vitima de transtorno bi-polar?

 
A linguagem realmente é muito complicada,
 
Olha só, não sou psiquiatra, a psiquiatria, inclusive, é uma área praticamente desconhecida por mim, sei quase nada sobre transtorno bipolar, só quis dizer que as atitudes, o modo esculachado e o linguajá do PB são muito parecidas com aqueles modos do meu "colega de classe", um jeito não compatível com assuntos sérios, que se propõem a um consenso, a um dialogo respeitoso.
 
Sarafelli
 
 

SUBJECT: RE: [ciencialist] Re: Seria mesmo PB vitima de transtorno bi-polar?
FROM: Verner Stranz <verner64@hotmail.com>
TO: ciencialist@yahoogrupos.com.br
DATE: 15/12/2014 11:03

Pois é por isso mesmo q eu me estupidifiquei. Safarelli e Mtnos parecem ser especialistas em caprichar na última flor, o que já não é meu caso.



To: ciencialist@yahoogrupos.com.br
From: ciencialist@yahoogrupos.com.br
Date: Mon, 15 Dec 2014 10:07:54 -0200
Subject: Re: [ciencialist] Re: Seria mesmo PB vitima de transtorno bi-polar?

 

Vernerzão, bem que tu poderias me dizer o que é esse tal
de diálogo respeitoso, sempre ouvi falar disso mas não
faço a mínima ideia do que seja. Será que é quando a gente
vai conversar com alguém todo vestido de terno e gravata?
 
No meu caso, posso até vestir isso tudo, mas me recuso
a vestir as calças: vai de cueca mesmo, hahahahaha
 
*PB*
 
 
 
Sent: Wednesday, December 10, 2014 6:42 PM
Subject: RE: [ciencialist] Re: Seria mesmo PB vitima de transtorno bi-polar?
 


Safarelli, acho difícil você manter um DIÁLOGO RESPEITOSO com a abelhinha.



To: ciencialist@yahoogrupos.com.br
From: ciencialist@yahoogrupos.com.br
Date: Wed, 10 Dec 2014 06:09:50 -0800
Subject: [ciencialist] Re: Seria mesmo PB vitima de transtorno bi-polar?

 
A linguagem realmente é muito complicada,
 
Olha só, não sou psiquiatra, a psiquiatria, inclusive, é uma área praticamente desconhecida por mim, sei quase nada sobre transtorno bipolar, só quis dizer que as atitudes, o modo esculachado e o linguajá do PB são muito parecidas com aqueles modos do meu "colega de classe", um jeito não compatível com assuntos sérios, que se propõem a um consenso, a um dialogo respeitoso.
 
Sarafelli
 
 


SUBJECT: Re: [ciencialist] É a lógica, mano Pibófilo, é a lógica... EXISTENCIAL
FROM: "Pesky Bee" <peskybee2@gmail.com>
TO: <ciencialist@yahoogrupos.com.br>
DATE: 15/12/2014 12:39

> E para aliviar este esforço você poderá dividir o resumo em 52 itens, redigindo um por semana
 
Vou começar a leitura fazendo uma palavra por semestre, assim
acho que conseguirei. Então lá vai: "1. Introdução". Pronto.
No semestre que vem continuo.
 
*PB*
 
 
 
Sent: Monday, December 15, 2014 10:03 AM
Subject: RES: [ciencialist] É a lógica, mano Pibófilo, é a lógica... EXISTENCIAL
 


Se você fizer este resumo, o esforço nele aplicado será equivalente ao de um ano de psicoterapia, com a grande vantagem que você não precisará gastar nenhum tostão.

E para aliviar este esforço você poderá dividir o resumo em 52 itens, redigindo um por semana.

A psicoterapia requer um trabalho disciplinado e continuo para produzir os resultados inesperados.

 

*MC*

 

De: ciencialist@yahoogrupos.com.br [mailto:ciencialist@yahoogrupos.com.br]
Enviada em: segunda-feira, 15 de dezembro de 2014 09:56
Para: ciencialist@yahoogrupos.com.br
Assunto: Re: [ciencialist] É a lógica, mano Pibófilo, é a lógica... EXISTENCIAL

 

 

Alguma boa alma conseguiria fazer um resumófilo

dessa textarada inacreditavelmente gigantesca em

não mais do que 3 parágrafos?

 

*PB*

 

 

 

Sent: Friday, December 12, 2014 10:37 PM

Subject: RES: [ciencialist] É a lógica, mano Pibófilo, é a lógica... EXISTENCIAL

 




Olá Mano Bee.

 

1. Freud não bebia cachaça. Se o fizesse teria passado pela vida com algum bom humor.

2. Tendo em vista que estamos quebrando a cachola na definição de termos essenciais como existência, em homenagem aos nossos pesquisadores do ciencialist envio essa incrível matéria sobre a psicoterapia EXISTENCIAL.  Incrivel pela objetividade, pela qualidade do conteúdo, pela didática, etc. etc. É claro que se trata de uma introdução. Mas quantas introduções neste mundo são escritas com tamanha proficiência?

3. A humanidade está caminhando para a beira do abismo conduzida pelos psicopatas do poder. A psicoterapia é uma ferramenta essencial para evitar essa tragédia, mas o narcisismo dos poderosos não admite que eles passem sequer por um breve diagnóstico.

 

Mtnos Calil

Em campanha permanente contra todas as forma de engano e auto-engano.

 

 

Introdução à psicoterapia existencial

JOSÉ A. CARVALHO TEIXEIRA (*)

(*) Médico Psiquiatra. Instituto Superior de Psicologia Aplicada, Lisboa. Sociedade Portuguesa de Psicoterapia Existencial.

http://www.scielo.oces.mctes.pt/pdf/aps/v24n3/v24n3a03

 

 

1. INTRODUÇÃO

Com as influências da fenomenologia e do existencialismo desenvolveram-se vários modelos terapêuticos que podem ser genericamente designados por psicoterapia existencial e definidos como métodos de relação interpessoal e de análise psicológica cujo objectivo é o de facilitar na pessoa do cliente um auto-conhecimento e uma autonomia psicológica suficiente para que ele possa assumir livremente a sua existência (Villegas, 1988). Importa desde já referir que não se constituem como técnicas de cura da perturbação mental, mas sim como intervenções cuja finalidade principal é ajudar o crescimento pessoal e facilitar o encontro do indivíduo com a autenticidade da sua existência, de forma assumi-la e a projectá-la mais livremente no mundo.

 

Em qualquer caso, o centro é o indivíduo e não a perturbação mental. Esta, quando presente, é vista como resultado de dificuldades do indivíduo em fazer escolhas mais autênticas e significativas, pelo que as intervenções terapêuticas privilegiam a auto-consciência, a auto-compreensão e a auto-determinação. Do encontro entre a fenomenologia, o existencialismo, a Psicologia e a Psicopatologia resultou um amplo movimento de ideias, reflexão, investigação e intervenção (Jonckeere, 1989).

 

Trata-se de um conjunto heterogéneo de possibilidades de intervenção terapêutica de base fenomenológico-existencial, uma pluralidade de métodos e de teorias que, contudo, podem classificar-se em dois grupos diferentes: a psicoterapia experiencial e a psicoterapia existencial. As diferenças podem estabelecer-se ao nível dos seus objecto, objectivos e propostas ou modelos de intervenção (Quadro 1). As diferenças essenciais entre psicoterapia experiencial (humanista) e psicoterapia existencial situam-se na forma como conceptualizam a capacidade do indivíduo para o processo de mudança, nos conceitos-chave que estão em jogo e, ainda, na finalidade da intervenção (Villegas, 1989). A finalidade da intervenção define-se pela auto-descoberta (conhecer-se e compreender-se) na psicoterapia experiencial e pela construção mais autêntica e significativa da sua existência na psicoterapia existencial (Quadro 2). Na psicoterapia existencial enfatizam-se as dimensões histórica e de projecto e a responsabilidade individual na construção do seu-mundo. Visa a mudança e a autonomia pessoal. Contudo, vários autores definem a finalidade principal da psicoterapia existencial de diferentes modos: procura de si próprio (May, 1958); procura do sentido da existência (Frankl, 1984); tornar-se mais autêntico na relação consigo próprio e com os outros (Bugental, 1978); superar os dilemas, tensões, paradoxos e desafios do viver (Van Deurzen-Smith, 2002); facilitar um modo mais autêntico de existir (Cohn, 1997); promover o encontro consigo próprio para assumir a sua existência e projectá-la mais livremente no mundo (Villegas, 1989) e aumentar a auto-consciência, aceitar a liberdade e ser capaz de usar as suas possibilidades de existir (Erthal, 1999). No essencial, a perspectiva existencial pretende ajudar o cliente a escolher-se e a agir de forma cada vez mais autêntica e responsável. Em qualquer caso, resulta claro que o conceito de psicoterapia não é o de uma técnica destinada a “curar” perturbações mentais, mas sim o de uma intervenção psicológica que contribui para o crescimento e para a transformação do cliente como pessoa. Mais especificamente, que promove o encontro da pessoa com a autenticidade da sua existência, para que venha a assumi-la e possa projectá-la mais livremente no mundo.

 

QUADRO 1  - Diferenças entre psicoterapia experiencial e psicoterapia existencial

 

Influências

 

        Experiencial

Kierkegaard/Buber/William James         

 

         Existencial

Husserl / Heidegger / Sartre

Objecto

Vivência

Existência

Dimensão

Actual

Histórica

Objectivo

Crescimento

Autonomia

Método

Hermenêutica

Heurística

Dinâmica Psicológica

Emoções

Constructos pessoais

 

 

 

QUADRO 2 -  Diferenças entre psicoterapia experiencial e psicoterapia existencial

 

 

Experiencial

Kierkegaard/Buber/William James           

Existencial

Husserl /  Heidegger/ Sartre

Capacidade de mudança

 

Concretização de potencialidades

Responsabilidade da liberdade de escolha

Conceitos-chave

Actualização. Descoberta

Construção. Projecto

Finalidade

Autodescobrir-se

Construir a sua existência

 

 

 

2. FUNDAMENTOS

 

2.1. Psicologia existencial

 

A psicologia existencial é a psicologia da existência humana com toda a sua complexidade e paradoxos (Wong, 2004), considerando que a existência humana

envolve pessoas reais em situações concretas. Com a finalidade de introduzir fundamentos de psicologia existencial em que assentam diferentes propostas de psicoterapia existencial, faz-se uma revisão sumária sobre o que caracteriza a existência individual, o que é estar-no-mundo, como se caracteriza o confronto do indivíduo com os dados da existência e procura-se situar o perturbar-se mentalmente como uma possibilidade do existir.

 

2.1.1. O que caracteriza a existência individual

 

O que caracteriza a existência individual é o ser que se escolhe a si-mesmo com autenticidade, construindo assim o seu destino, num processo dinâmico de vir-a-ser. O indivíduo é um ser consciente, capaz de fazer escolhas livres e intencionais, isto é, escolhas das quais resulta o sentido da sua existência. Ele faz-se a si próprio escolhendo-se e é uma combinação de realidades/capacidades e possibilidades/potencialidades, está “em aberto” ou melhor está em projecto. Este, é a maneira como ele escolhe estar-no-mundo, o que se permite ser através da sua liberdade, sendo que as escolhas podem ser feitas em função do futuro ou em função do passado: escolher o futuro envolve ansiedade (associada ao medo do desconhecido) e escolher o passado envolve culpabilidade (associada à consciência das possibilidades perdidas). A autenticidade(Cabestan, 2005) implica aceitar a condição humana tal como é vivida e conseguir confrontar-se com a ansiedade e escolher o futuro, reduzindo a culpabilidade existencial. A autenticidade caracteriza a maturidade no desenvolvimento pessoal e social. A escolha é um processo central e inevitável na existência individual e a liberdade de escolher-se envolve responsabilidade pela autoria do seu destino e compromisso com o seu projecto. A liberdade de escolha não só é parte integrante da experiência como o indivíduo é as suas escolhas: a identidade e as características do indivíduo seriam consequências das suas próprias escolhas.

 

O projecto existencial é a união, o “fio condutor” entre o passado, presente e futuro, a continuidade compreensível das vivências, coerência interna do mundo individual, que reflecte a escolha originária que o indivíduo fez de si e que aparece em todas as suas realizações significativas, quer ao nível dos sentimentos, quer ao nível das realizações pessoais e profissionais. O mundo interno exprime-se na simbolização (categorias cognitivas que representam a experiência na sua ausência), na imaginação (recombinação de categorias mentais que se assemelham à experiência mas sem interacção com o meio) e juízo (avaliação em relação à experiência), associadas à intimidade, ao amor, à espontaneidade e à criatividade. O processo de individuação opõe-se ao conformismo com as normas e papéis sociais, o que conduz a um funcionamento estereotipado e inibidor da simbolização e da imaginação. O indivíduo está comprometido com a tarefa, sempre inacabada, de dar sentido à sua própria existência. Em síntese, a existência individual caracteriza-se por três palavras-chave – cuidado, construção e responsabilidade – na medida em que o indivíduo cuida da sua existência procurando conhecer-se e compreender-se, descobrindo-se na relação com o outro, constrói o seu-mundo dando sentido à sua existência e escolhendo viver de acordo com os seus valores (o que confere um carácter único e singular) e responsabiliza-se por si próprio na realização do seu projecto. Assim, a existência individual é uma totalidade, única (singular) e concreta.

 

2.1.2. O que é estar-no-mundo

 

A existência enquanto estar-no-mundo envolve a unidade entre o indivíduo e o meio em quatro dimensões, que são as dimensões da existência (Van Deurzen-Smith, 1996, 1998) e o processo terapêutico seria a exploração do mundo do cliente nas suas várias dimensões (Cohn, 1997):

 

- Física – É o mundo natural (Umwelt), o da relação do indivíduo com os aspectos biológicos do existir e com o ambiente e que envolve as suas atitudes em relação ao corpo, aos objectos, à saúde e à doença e no qual se exprime em permanência uma procura de domínio sobre o meio natural, que se opõe a submissão e aceitação das limitações impostas, nomeadamente pela idade e pelo ambiente. O sentimento de segurança é aqui dado pela saúde e bem-estar

- Social– É o mundo da relação com os outros (Mitwelt), do estar-com e da inter subjectividade onde se revela e descobre o que se é, mundo que envolve as atitudes e os sentimentos em relação aos outros, tais como amor/ódio, cooperação/competição, aceitação/rejeição e partilha/isolamento. Inclui os significados que os outros têm para nós, quer sejam os familiares, os amigos ou os colegas de trabalho, significados que dependem das modalidades da nossa relação com eles. Esta dimensão relacional é uma premissa fundamental do modelo existencial (Spinelli, 2003)

- Psicológica – É o mundo da relação consigo próprio (Eigenwelt), da existência subjectiva e fenomenológica de si-mesmo, da construção do mundo pessoal, com auto-percepção de si, da sua experiência passada e das suas possibilidades, recursos, fragilidade e contradições, profundamente marcado pela procura da identidade própria, assente na auto-afirmação e numa polaridade de actividade/passividade

- Espiritual – É o mundo da relação com o desconhecido (Ueberwelt), que envolve uma relação com o mundo ideal, a ideologia e os valores, onde se pode exprimir o propósito da existência individual, numa tensão permanente entre o propósito/absurdo e esperança/ /desespero.

 

Cada indivíduo centra-se na construção de significados com que luta contra o vazio e a falta de sentido, sendo responsável (existencialmente) pela sua auto-afirmação e desenvolvimento, estando consciente do que sentiu e pensou, do que sente e pensa e podendo antecipar o que poderá vir a ser no futuro. Cada indivíduo necessita e deseja estar-com-os-outros, com os quais pode empatizar e aprender, através dos quais se descobre e com os quais constrói projectos e relações significativas. A importância do estar-com, da abertura aos outros tem sido tratada de modo diferente por diferente autores.

 

2.1.3. A ansiedade resulta do confronto com os dados da existência

 

O desenvolvimento individual e a integração envolvem um confronto incontornável e inevitável do indivíduo com os dados da existência, confronto do qual resulta experiências de ansiedade na gestão da qual o indivíduo pode utilizar estratégias variadas. Existir envolve, por um lado, a consciência de tragédia inerente à condição humana e construída por insegurança, frustração e perdas irreparáveis e, por outro, pela consciência da esperança que resulta da liberdade de escolha, da auto-realização, da dignidade individual, do amor e da criatividade. Os dados da existência são:

 

- Consciência da morte– Implica a experiência de contingência, enquanto possibilidade do fim de todas as suas possibilidades (existência/ /finitude), geradora da ansiedade e medo da morte, que emerge do conflito entre a consciência de finitude e o desejo de continuar sendo

- Consciência da liberdade – Implica a experiência de responsabilidade e autonomia no sentido das escolhas concretas e situadas que envolvem medo do incerto e do desconhecido. A ansiedade emerge do conflito/dependência - Consciência da solidão – Implica a experiência de isolamento, com medo da separação. A ansiedade emerge do conflito solidão/sociabilidade

- Consciência da falta de sentido – Implica a experiência de vazio e desespero associado ao absurdo de existir. A ansiedade emerge do conflito falta de sentido/projecto e a coragem é a capacidade para continuar em direcção ao futuro apesar do desespero.

 

O indivíduo não pode escolher as limitações da sua existência, mas pode escolher os modos de confronto com essas limitações, isto é, como é que se confronta com elas. Assim, diferentes autores têm enfatizado preferencialmente diferentes dados da existência, o que também tem contribuído para a heterogeneidade das concepções mesmo dentro da perspectiva existencial. No entanto, quase todos deram importância que pode ter a negação da liberdade de escolha e/ou à negação das limitações inerentes à facticidade. Assim surgiu o conceito de inautenticidade, usado como sinónimo de auto-decepção por Heidegger e correspondendo ao conceito de má féde Sartre. Negando a sua liberdade de escolha e a sua responsabilidade, o indivíduo nega a possibilidade de escolher livremente o seu futuro. A ansiedade é, ela própria um dado da existência com que o indivíduo se confronta inevitavelmente e que pode ser experimentada de forma mais intensa e significativa mais em certos momentos da trajectória existencial do que noutros. Por exemplo, pode associar-se a crises pessoais, luto, doença física, fases de transição do ciclo de vida individual ou familiar, entre outras situações.

 

2.1.4. Perturbar-se é uma possibilidade do existir

 

No quadro existencial é importante situar o estatuto da perturbação mental, uma vez que parte significativa das psicoterapias existenciais não a tomam necessariamente como foco da sua intervenção, por considerarem que isso seria uma perspectiva redutora ou, pelo menos, não tomam a psicopatologia como foco principal de intervenção. Até porque a valorização da dignidade existencial opõe-se às classificações psiquiátricas (Erthal, 1999), que fragmentam a totalidade da existência individual. Nesta medida, as perturbações mentais são vistas como aspectos integrado na totalidade da existência individual, expressões parciais das modalidades de construção do seu-mundo. Sem uma finalidade exaustiva, uma vez que o objectivo desta revisão não é a relação entre a psicopatologia e a existência mas sim introduzir as psicoterapias existenciais, referem-se aspectos valorizados por autores relevantes sobre o significado existencial da psicopatologia, tendo em conta que ela é uma possibilidade humana universal (pode acontecer a qualquer um…).

 

Com Binswanger (1981, 1971) a psicopatologia é o que se afasta da estrutura apriorística do ser (categorias ontológicas) e se tornou uma estrutura existencial modificada. Para May (1958), que introduziu a psicoterapia existencial nos Estados Unidos da América, a ansiedade patológica resultaria do indivíduo não se confrontar com a ansiedade normal, sendo esta a que deriva do confronto com os dados da existência. Denominando-a ansiedade neurótica, desproporcionada ao perigo, May conceptualizou-a como resultado das tentativas feitas pelo indivíduo para diminuir ou negar a ansiedade resultante do confronto com os dados da existência. Assim, a ansiedade neurótica poderia significar, por exemplo, negação do medo da morte, negação da liberdade de escolha, evitamento de assumir responsabilidades ou conformismo com as normas sociais impostas. Assim, serviria para proteger o indivíduo contra a ansiedade que emerge dos dados da existência, na medida em que resultaria da tentativa de reduzir ou negar a ansiedade ligada à existência, na busca duma existência segura, certa e livre de ansiedade. Desta maneira, o que denominamos por sintomas em psicopatologia poderiam ser considerados como possibilidades escolhidas: ao escolher não se confrontar directamente com a ansiedade associada aos conflitos existenciais, o indivíduo poderia perturbar-se mentalmente. Isto é, os sintomas derivariam de escolhas não autênticas que, não reduzindo a ansiedade associada aos dados da existência, apareceria sob a forma de ansiedade neurótica. Portanto, os sintomas poderiam ser compreendidos como expressões parciais da forma como o indivíduo constrói o seu mundo.

 

Ou, se se quiser, o desajustamento é o resultado de uma escolha do próprio indivíduo, que experimenta uma inabilidade para contactar com o mundo e consigo mesmo, mantendo-se  bloqueado num falso projecto de ser, uma forma pouco autêntica de realizar o projecto. Por exemplo, o esforço do indivíduo neurótico para ser o que deseja afasta-o da possibilidade de ser o que é (Erthal, 1999). Isto não significa, de modo algum, que o indivíduo seja culpado pela perturbação mental que experimenta. Apenas quer dizer que a perturbação mental se relaciona compreensivelmente com as modalidades de construção do seu-mundo. Com Yalom (1980), o comportamento perturbado surge directamente associado ao fracasso na resolução dos conflitos existenciais, entendidos estes como confrontos entre o indivíduo e os dados da existência. Ou seja, são definidas modalidades de perturbação mental especificamente associadas ao medo da morte, ao medo da liberdade de escolha, ao medo do isolamento e à falta de sentido. Também Frankl (1986, 1984) e Maddi (1970), cada um por seu lado, enfatizaram que a procura de sentido seria a motivação fundamental do indivíduo e que a psicopatologia estaria associada à falta de sentido para a vida e que, nesse sentido, teria o estatuto de frustração existencial que apareceria em modalidades diferentes de comportamentos desajustados (vegetativo, niilista, aventureiro, conformista). Seja como for, a compreensão do significado da psicopatologia implica contextualizá-la na existência.

 

Os fenómenos psicopatológicos relacionam-se com estranheza e afastamento do indivíduo em relação a si próprio com evitamento de dados da existência (Cohn, 1997), associado a escolhas feitas em desacordo consigo mesmo, isto é, não autênticas. Teriam relação com o fracasso do indivíduo em relacionar-se de forma significativa com o seu mundo interno (fracasso no seu confronto com a autenticidade) conhecendo-se mal e tendo dificuldade em compreender-se (Van Deurzen-Smith, 1996). Incapaz de aceder ao seu mundo interno, o indivíduo teria dificuldades também em aceder ao mundo interno dos outros, pelo que não seriam possíveis relações significativas. Desta impossibilidade resultam sentimentos de vazio e de falta de sentido. O existente com perturbação mental experimenta frequentemente um impasse em relação a projectos e modos-de-ser: não consegue realizá-los nem consegue abandoná-los. A psicopatologia surge quando o projecto se desvia da intenção, quando a realidade da história (projecto histórico) se desvia ou afasta do projecto existencial. A história afasta-se do projecto por intermédio de vivência de contradição (interpessoal e/ou interpessoal) na sequência da qual o indivíduo escolhe afastar-se ou é afastado. A psicopatologia caracteriza-se essencialmente por uma existência limitada, tematizada e bloqueada. Limitada e aprisionada, porque afastada dos seus valores e da sua possibilidade de auto-afirmação. O indivíduo não experimenta a sua existência como uma realidade. Tematizada pelo seu passado, na medida em que o indivíduo continua a viver em função de identidade e características que já não são as presentes. Bloqueada no seu desenvolvimento, porque não consegue projectar-se no devir. Importa compreender o existente com perturbação mental a partir dos diferentes modos como a sua consciência se relaciona com o mundo, com os outros e consigo próprio ou, pelo contrário, como tenta fugir ou evitar a angústia que resulta do seu confronto com a sua liberdade e responsabilidade.

 

3. OBJECTIVOS DA PSICOTERAPIA EXISTENCIAL

 

Tendo em conta que não existe uma mas sim várias propostas de psicoterapia existencial, apenas podem delimitar-se objectivos gerais uma vez que cada proposta tem os seus objectivos específicos (Deurzen-Smith, 1996):

 

- Facilitar ao indivíduo uma atitude mais autêntica em relação a si próprio – O conceito de autenticidade assume aqui importância central. Trata-se de um processo gradual de auto-compreensão com a finalidade do sujeito vir-a-ser mais verdadeiro e coerente consigo próprio, para que possa responder às situações com sentimento de domínio e maior percepção de controlo pessoal. Para Cohn (1997), trata-se de ajudar o cliente a libertar-se das consequências perturbadoras da negação e evasão no seu confronto com os dados da existência, acedendo a uma forma de existir mais autêntica

- Promover uma abertura cada vez maior das perspectivas do indivíduo em relação a si próprio e ao mundo – Esta abertura, que consiste num trabalho focalizado na relação do indivíduo consigo mesmo, pode ser promovida através da facilitação de uma auto-avaliação das suas crenças, valores e aspirações que sirva para atingir maior clareza na exploração das suas experiências. O foco é a auto-consciência, enquanto consciência de si mesmo, em particular a auto-consciência do tempo perdido (possibilidades perdidas) e da necessidade de viver agora. O principal objectivo é proporcionar o máximo de auto-consciência para favorecer um aumento do potencial de escolha (Erthal, 1999)

- Clarificar como agir no futuro em novas direcções – Trata-se de facilitar a abertura a novas possibilidades de vir-a-ser, diferentes das desenvolvidas até aí e de acordo com o seu projecto, em relação ao qual se facilita o confronto. Pretende-se ajudar o cliente a descobrir o seu poder de auto-criação e a aceitar a liberdade de ser capaz de usar as suas próprias capacidades para existir (Erthal, 1999). O foco é a autodeterminação, enquanto poder do indivíduo de decidir o que lhe convém ser e fazer, exercendo a sua liberdade de escolha. Trata-se de facilitar a abertura à construção de novas alternativas

- Facilitar o encontro do indivíduo com o significado da sua existência – Trata-se de promover o confronto e a re-avaliação da compreensão que o indivíduo tem da vida, dos problemas que tem enfrentado e dos limites impostos ao seu estar-no-mundo. O foco é a procura de sentido que permite a auto-realização, enquanto tudo o que o indivíduo é capaz de vir-a-ser.

- Promover o confronto com e a superação da ansiedade que emerge dos dados da existência, nomeadamente da inevitabilidade da morte, da liberdade de escolha em situação, da solidão e da falta de sentido para a vida.

Em síntese, trata-se de facilitar ao indivíduo o desenvolvimento de maior autenticidade em relação a si próprio, uma maior abertura das suas perspectivas sobre si próprio e o mundo e, ainda, de ajudar a clarificar como é que poderá agir no futuro de forma mais significativa. O centro é a responsabilidade da liberdade de escolha do indivíduo. A palavra-chave é construção, uma vez que se trata de desafiar o indivíduo a ser o construtor da sua existência.

3.2. Selecção de clientes

Tendo em conta que a psicoterapia existencial não é conceptualizada como um tratamento nem como uma terapêutica da perturbação mental, nem se focaliza necessariamente no alívio dos sintomas, mas que é essencialmente um processo de confronto com as potencialidades e de mudança pessoal, os indivíduos que mais podem beneficiar são os que: -

- Apresentam um pedido de ajuda no qual já mostram a percepção de que os seus problemas são acerca do existir e não uma forma de patologia, ou que acabam por reconhecer isto ao fim dalgumas entrevistas –

- Consultam por motivos relacionados com crises pessoais e/ou psicopatologia mas conseguem relacionar o seu mal-estar com a sua trajectória existencial

-  Têm interesse genuíno em aumentarem o seu auto-conhecimento e auto-compreensão, isto é, re-situarem-se em relação a si próprios e à situação que vivem

-  Desejam ser mais autênticos, considerando mais o futuro do que o seu passado nos momentos de tomada de decisão e que querem desenvolver expressões mais significativas nas suas relações com os outros

- Desejam pensar sobre si próprios e sobre os significados que atribuem aos seus comportamentos e relações interpessoais

- Enfrentam crises pessoais, tais como luto, separações, desemprego, transição de fase do ciclo de vida, solidão e anomia

- Estão em confronto com doença física grave ou pelo menos percepcionada como ameaçadora, ou com consequências de acidentes e/ou incapacidades

- Têm facilidade em verbalizar sobre as suas experiências, ideias intenções, emoções e sentimentos

 

Em princípio, a psicoterapia existencial não beneficiará significativamente indivíduos que procuram apenas alívio de sintomas, em que o mal-estar que motiva o pedido de ajuda está exclusivamente relacionado com representações de doença, buscam dependência ou não desejam ou temem pôr-se em questão, não desejando confrontar-se com as suas contradições e possibilidades de mudança.

 

4. ENCONTRO TERAPÊUTICO

O encontro terapêutico enraíza no método fenomenológico, de tal modo que é apreensão da presença do outro “tal como” ele aparece diante do terapeuta – apreensão da presença do outro tal como ele se fenomenaliza frente ao terapeuta, sem distorsões interpretativas – pelo que é necessário estabelecer contacto (sintonizando), aceder ao seu estado de consciência (empatizando) e compreender, captando as modalidades de constituição da sua presença no mundo. O foco é a realidade do outro, isto é, a experiência que ele tem do mundo. Caracteriza-se por uma relação existencial que envolve estar-com e estar-para.

 

4.1. Características da relação existencial em terapia

A relação existencial é estar-com porque é encontro enquanto tal (Spinelli, 2003), de uma existência com outra existência, implicando uma presença sentida (estar-por-si), a reciprocidade (estar-para-o-outro), cuidado (acolher o outro na sua esfera vital), o laço emocional (eu/tu que criam um “nós”, numa reciprocidade activa para que o outro se ilumine e descubra) e convite ao diálogo autêntico, a partir das vivências ou intencionalidades significativas. A atitude fundamental é a atitude fenomenológica, de aproximação ao mundo do outro com abertura e espírito de descoberta dos significados que ele atribui (O quê? Como?), permitindo aumentar a consciência que ele tem da sua experiência (auto-consciência), compreender a importância que dá ao futuro nas suas decisões (auto-realização) e perspectivar a autenticidade em termos de agir interacções determinadas (autodeterminação) e fundadas na sua individualidade e integradas no seu projecto. A psicoterapia desenvolve-se a partir da aplicação do método fenomenológico aplicado à existência. As características principais do encontro terapêutico em psicoterapia existencial são: a coerência (comportamento mútuo de co-relação), o carácter fortuito, uma vez que o encontro pode chegar no instante de forma imprevista (acontece…), a liberdade de deixar o outro ser como é, e a abertura a novas possibilidades. Envolve também o face-a-face, porque o encontro acontece no olhar. As grandes finalidades relacionam-se com facilitar ao cliente o aceitar-se (como se é), querer-se (a si mesmo), sentir-se e escolher-se. Na entrevista clínica de avaliação inicial é necessário considerar um conjunto de focos e dinâmicas existenciais. Entre os focos salientam-se: experiência subjectiva, intencionalidade, liberdade e responsabilidade, escolhas, autenticidade e o mundo pessoal (dimensões da existência, sonhos). Entre as dinâmicas existenciais salientam-se a incorporação do passado e do futuro no presente e, também, o comprometimento para vir-a-ser.

4.2. Estilo terapêutico

O estilo terapêutico é marcado pela variabilidade adaptável às necessidades individuais, passividade/actividade, ritmo que segue as preocupações do cliente, temas considerados e explorados em diálogo e interesse por aquilo que interessa ao sujeito. As intervenções mais essenciais destinam-se a contrariar a persistência, na pessoa do cliente, em evitar o reconhecimento da sua auto-afirmação (responsabilidade) e a facilitar-lhe a identificação de alternativas pessoalmente viáveis. É possível sistematizar as estratégias de intervenção que são mais utilizadas em psicoterapia existencial (Deurzen-Smith, 1996):

 

- Utilizar a atitude fenomenológica na abordagem dos conteúdos temáticos que estão implícitos nas produções discursivas do indivíduo, dos seus valores e crenças pessoais, explorando as suas construções mais significativas sobre si próprio e o mundo (Qual a minha natureza essencial? Quais as minhas qualidades? O que é importante para mim? Quais as pessoas mais importantes para mim? O que é o mundo? É seguro ou ameaçador?).  O método fenomenológico é usado para compreender o existente tal como ele é e se escolhe

 

– Confrontar com as limitações existenciais, nomeadamente no que concerne à auto-decepção/ /frustração (ajudando a redescobrir as oportunidades e desafios esquecidos), à angústia existencial (facilitando a consciência das limitações provenientes da inevitabilidade da morte), à culpabilidade existencial, às consequências das escolhas passadas e futuras (reconhecendo limitações e possibilidades) e as contradições próprias relacionadas com sucesso/fracasso, liberdade/necessidade e certeza/dúvida

- Facilitar a exploração do mundo pessoal em relação às quatro dimensões da existência (física, psicológica, social e espiritual) para identificar prioridades e impasses, bem como eventuais preocupações em níveis particulares da existência, o que exige a facilitação de uma atitude expressiva de auto-exploração e envolvimento emocional. Inclui também a eventual exploração dos sonhos, entendidos como mensagens do sonhador para si próprio e reflectindo as várias dimensões da existência

- Facilitar a elucidação de significados, encorajando uma atitude de procura focalizada em si próprio, com abertura à auto-descoberta para se encontrar (Como se identifica a si próprio e ao mundo? O que é que lhe interessa realmente neste momento? Que conflitos encontra? Quais são os desejos? Quais são os obstáculos?).

 

Assim, as intervenções deverão facilitar as alternativas ao cliente, pelo que beneficiam de aspectos tais como: 

- Porque não? Haverá outras possibilidades?  – Encoraja a reflexão, cria uma oportunidade para a auto-exploração e pode gerar alternativas

- Poderia…? – Promove o confronto com a responsabilidade existencial e com a liberdade

- O que terá feito para criar essa situação? – Permite aumentar a consciência da autoria das suas escolhas

- O que é que isto quer dizer para si?– Solicita uma compreensão do significado dos acontecimentos para o próprio

- O que vai fazer para o futuro?– Perspectiva a possibilidade de vir-a-ser - Será que poderia fazer de outra maneira? – Proporciona a possibilidade de mudança ao desafiar o cliente a compreender como poderá fazer outras escolhas.

 

Pretende-se facilitar o confronto activo do cliente com o seu projecto, questionando a sua existência e facilitando a abertura à construção de alternativas, para que possa mudar o presente e o futuro. Esta reconstrução alternativa da experiência destina-se a proporcionar mudança e deve ter em conta que a mudança terapêutica é um processo de construção gradual que implica comprometimento com o desejo (projecto), escolha e acção. Trata-se de ajudar o outro a ser o seu nome (o “quem”), fazendo aquilo que deseja e se permite, convertendo a história na sua história e a realidade individual em realização pessoal. Procura-se activar as zonas de desenvolvimento potencial da pessoa do cliente que se integrem no seu projecto, para que ele possa cuidar de si e da situação.

 

4.3. Atitudes e qualidades profissionais e pessoais desejáveis

 

As atitudes do terapeuta permitem escrutinar o nível de consciência que o cliente tem da sua experiência e devem também facilitar-lhe tomar ainda mais consciência de si. Devem permitir também ao cliente perspectivar a sua autenticidade para agir acções determinadas e fundadas na sua individualidade, integradas no seu projecto. Entre essas atitudes clínicas destacam-se (Carvalho Teixeira, 1996):

 

- A autenticidade de apresentar-se “tal como se é”, evitando esconder-se atrás do profissionalismo, estando consciente dos seus próprios sentimentos em relação à pessoa do cliente. Implica uma atitude natural e espontânea, com vontade da ser verdadeiro para a pessoa do outro, que lhe facilite o auto-conhecimento e seja sensível e factor de confiança

- A aceitação incondicional da pessoa do cliente, sem pré-juízos nem ideias preconcebidas da originalidade do cliente, tal como se apresenta. Implica recusa de qualquer atitude avaliativa, para que venha a ser possível libertar o medo e confirmar a responsabilidade de cuidar de si e da situação. Envolve interesse positivo, respeito por todas as manifestações da personalidade do cliente, escuta acreditante, consideração pelo seu sistema explicativo e respeito pela sua capacidade potencial de vir-a-ser mais autêntico

- A compreensão empática, enquanto partilha baseada na intuição participante, uma aproximação que permitirá ressoar as referências internas do outros tal como ele as experimenta e que alternará com o distanciamento analítico que permite a distância terapêutica óptima para a compreensão da totalidade da existência do cliente.

 

No seu conjunto, as atitudes de autenticidade, aceitação incondicional e compreensão empática permitem o escrutínio do nível de consciência que o cliente tem sobre a sua experiência (para facilitar uma maior consciência de si) e, também, compreender a importância que ele confere ao futuro ou ao seu passado nas decisões pessoais. Pode questionar-se se existem qualidades desejáveis para ser terapeuta existencial. Para além dos conhecimentos teóricos e do treino profissional que são necessários, a natureza específica da psicoterapia existencial torna desejável a presença de certas características pessoais e de certa experiência de vida. Entre as características pessoais destacam-se: capacidade de auto-reflexão, atitude de procura de significados e abertura a várias perspectivas. A experiência de vida envolve diferentes experiências profissionais em diferentes contextos, experiência de crises existenciais e de conflito satisfatoriamente resolvidas e capacidade de lidar com um número muito diverso de contradições, atitudes, sentimentos, pensamentos, valores e experiências. A relação terapêutica deverá caracterizar-se por um movimento para a reciprocidade positiva, no interior de uma relação real em desenvolvimento (Cannon, 1993).

 

5. MODALIDADES DE PSICOTERAPIA EXISTENCIAL

 

Um dos aspectos difíceis para quem se inicia é o confronto com a diversidade de concepções e de propostas de intervenção existencial, dada a heterogeneidade de metodologias. Tal como Cooper (2003), distinguimos os seguintes seis modalidades principais de psicoterapia existencial, que apresentam fundamentações teóricas consistentes e objectivos coerentemente delimitados,

 

QUADRO 3 - Modalidades de psicoterapia existencial

 

MODALIDADES

AUTORES

 

Daseinanálise

L. Binswanger, M. Boss,  G. Condrau

Logoterapia

V. Frankl, J.P. Fabry, A. Tengan, P. Wong

Psicoterapia existencial-humanista norte-americana

Rollo May, J. Bugental, I. Yalom, Kirk Schneider

Psicoterapia existencial britânica

D. Laing E. Spinelli, E. Van Deurzen-Smith, H. Cohn

Psicoterapia existencial breve

F. Strasser & A. Strasser

Psicoterapia existencial sartreana

M. Villegas, T. Erthal, B. Cannon

 

 

5.1. Dasein análise

 

A Dasein análise, também designada por Análise Existencial ou Análise do Dasein foi introduzida por Binswanger e teve influência predominante da filosofia de Heidegger. A proposta inicial de Binswanger (1971) foi a de utilizar o método fenomenológico para tentar a descrição e compreensão do Dasein perturbado (que o autor chegou mesmo a designar por “Dasein psiquiátrico”), ou seja, uma análise fenomenológica das formas de existência frustrada.

 

Assim, partindo das categorias da psicopatologia, focalizou na presença perturbada (melancólica, esquizofrénica, entre outras) procurou, numa primeira fase, compreender a estrutura do Dasein perturbado em termos de alterações das categorias existenciais. O seu questionamento inicial foi o seguinte: Como é que o Dasein perturbado se projecta no mundo?Concluiu que a psicopatologia está associada ao que denominou por flexões existenciais do ser: uma tematização numa ou mais categorias (ontológicas do ser) em detrimento das outras, tornando-o unidimensional. O que é patológico é o que se afasta da estrutura apriorística do ser. Uma só categoria existencial serve de fio condutor ao projecto de mundo, o que é restritivo e limitado. Por exemplo: a corporalidade domina ou tematiza o Daseinhipocondríaco, dismorfofóbico, anoréxico e bulímico; a temporalidade domina o Dasein melancólico na detenção do tempo vivido e o Dasein esquizofrénico na atomatização da vivência do tempo, que fragmenta o vivido; a espacialidade domina o Daseinagorafóbico.

 

Presenças tematizadas (frustradas) em torno de uma categoria existencial. Numa segunda fase, Binswanger procurou a compreensão da existência perturbada em termos da abertura do ser da presença perturbada, concluindo que o Dasein perturbado é um extravio da sua realização ontológica que o tornaria opaco a si próprio, esvaziado e limitado, pelo que a psicopatologia associa-se a frustração existencial. Para Binswanger, os diferentes quadros psicopatológicos são assim entendidos como desvios ou alterações da norma ontológica, ou seja, formas de existência frustrada. A saúde mental seria caracterizada pela abertura ao mundo próprio, enquanto as diferentes perturbações mentais seriam caracterizadas pelo encerramento do Dasein, uma privação e bloqueio da relação consigo mesmo, na qual o individuo se fecha ao seu mundo. O indivíduo mentalmente perturbado seria um ser restrito e oprimido, no qual prevaleceria uma opacidade para si mesmo e uma perda da comunalidade com o mundo do outro.

 

Assim, seria ainda possível identificar as características essenciais da presença perturbada em diferentes estados psicopatológicos: presença perdida (melancolia), presença momentânea (mania), presença vazia (esquizofrenia), presença de exibição (histeria) e presença controlada (neurose obsessiva). A tematização da existência, resultante da psicopatologia, implicaria a reconstrução da experiência. Assim, o factor terapêutico seria a investigação metódica da biografia interna, onde apareceria uma nova forma de comunicação e reconstituição mental das vivências com um retorno à pluridimensionalidade do Dasein. Enquanto Bisnwanger se focalizou essencialmente na análise fenomenológica do Dasein perturbado, Boss centrou-se no método terapêutico, no qual enfatizou como finalidade principal a facilitação duma maior consciência das experiências actualmente vividas através da relação terapêutica, cuja permissividade e abertura permitiria ao cliente descobrir outras possibilidades de relação com as outras pessoas que encontra. Rejeitando o inconsciente e a transferência, Boss definiu que, utilizando o método fenomenológico, os objectivos são: ajudar a ver a forma como o paciente experimenta o seu-mundo, identificar as suas escolhas, promover a abertura completa em relação a si próprio e mobilizar as suas capacidades e potencialidades. Comporta a análise dos sonhos, que poderiam revelar a abertura do ser ao mundo e, portanto, devem ser analisados a partir das suas analogias com a vida de quem sonha. Entre outros aspectos, a Daseinanálise tem sido criticada por estar excessivamente centrada nas categorias psicopatológicas e por, apesar de propôr um método terapêutico, não utilizar uma técnica específica para promover a mudança individual. Neste último aspecto não está sozinha. Partilha a crítica com outras modalidades de psicoterapia existencial. Por outro lado, ao centrar-se numa estrutura apriorística do ser, saiu da relação sujeito-objecto e, portanto, saiu da dimensão psicológica para trabalhar apenas com o sujeito transcendental.

 

5.2. Logoterapia

 

Para Frankl (1986, 1984) a motivação fundamental da existência seria a procura de significado, único e específico da existência individual, sendo que a falta de significado conduziria à frustração existencial e esta, por sua vez, à neurose. Frankl qualificou a neurose como noogénica, para evidenciar a sua relação com a dimensão existencial. Elegendo a procura de significado como central na existência individual, a proposta de Logoterapia é a de facilitar ao cliente a procura do significado (logos) e propósito da sua vida, procurando superar o vazio e o desespero. Influenciado essencialmente pela filosofia dos valores de Max Scheler e pela psicanálise de Freud, Frankl foi também influenciado pelo pensamento religioso – o ser humano deve viver de acordo com valores e tem um núcleo de espiritualidade e uma tarefa específica na sua vida; o sofrimento, a culpa e a ansiedade podem algum ter papel positivo – e pela sua própria experiência como prisioneiro dos nazis num campo de concentração, no qual encontrou suporte para a ideia de que, mesmo nas circunstâncias mais adversas, o ser humano pode escolher o modo de se confrontar com essas circunstâncias. O método da logoterapia tem por finalidade ajudar os indivíduos que sofrem ou não de neuroses noogénicas a redescobrirem o significado e propósito das suas vidas, em situações em que o sofrimento seja induzido por factores externos ou por factores internos, uma vez que Frankl defendeu que o espírito humano é a capacidade para transcender e desafiar as experiências corporais (por exemplo, as experiências dolorosas mas também as experiências psicológicas (normais e perturbadas). Assim, assume importância a procura de significado para o próprio sofrimento psicológico. Trata-se, portanto, de ajudar a descobrir o significado da experiência – “O que é que eu posso fazer com esta situação? Em que é que esta situação me desafia?” – fundamentalmente a partir de valores atitudinais, que podem ser actualizados através da mudança da atitude individual em relação à situação. Para atingir as suas finalidades, a logoterapia tem proposto várias técnicas de intervenção, nomeadamente:

 

- Apelo– Intervenção mais directiva que consiste em recordar que cada situação de vida tem um significado e/ou que o cliente tem sempre a possibilidade de mudar a sua atitude em relação ao sofrimento

- Diálogo socrático – Tal como utilizado pela terapia racional-emotiva, consiste em colocar questões de tal maneira ao cliente que este se torna cada vez mais consciente das suas decisões pré-reflexivas, das suas esperanças reprimidas e do seu conhecimento até aí não admitido por ele

- Fast-forwarding – Consiste em encorajar o cliente a imaginar o tipo de cenários que seriam consequências desta ou daquela escolha que ele possa fazer e questionar-se sobre os significados daí decorrentes para a sua vida

- Intervenção paradoxal– Trata-se de encorajar o cliente a deixar de lutar contra as suas dificuldades e a evocar desejos ou intenções fortes mesmo que sejam muito embaraçosas ou aterrorizadores para ele. Ou seja, o cliente é solicitado a desejar aquilo de que tem medo. Esta técnica pode ser facilitada com algum humor que ajude o cliente a distanciar-se das suas dificuldades e, no final, encará-las de uma outra forma

- De-reflexão – partindo do pressuposto que em certas perturbações os indivíduos estariam demasiado centrados em si próprios (estado de hiperreflexão) ao ponto de escotomizarem a sua orientação para o exterior, Frankl introduziu a técnica de de-reflexão que consiste em encorajar o cliente a ignorar os seus sintomas e a orientar a sua atenção para o mundo externo.

 

Mais recentemente, Wong (1998), propôs uma integração da logoterapia com terapia cognitivo-comportamental (aconselhamento centrado nos significados) e sistematizou como objectivos terapêuticos para ajudar o cliente a descobrir novos significados para o seu passado, presente e futuro: propósito da sua vida, compreensão de si próprio, modos de viver e de se relacionar e os seus papéis sociais. O foco do trabalho terapêutico, que procura clarificar significados passados, presentes e futuros, pode incluir as distorções cognitivas, dificuldades de aprendizagem, regulação afectiva, dificuldades relacionais, confronto com problemas e potencialidades, dificuldades de identidade, significação e projecção ao futuro, bem como as tarefas do crescimento, os desafios do fracasso (doença, morte) e os obstáculos internos ao significado.

 

5.3. Psicoterapia existencial-humanista norte-americana

 

O desenvolvimento da psicoterapia existencial nos Estados Unidos da América foi iniciado em 1958 quando Rollo May (1909-1994) publicou o livro Existence: A New Dimension in Psychiatry and Psychology, tendo Bugental (1981, 1978), Yalom (2001, 1980) e, mais recentemente, Kirk Schneider (1999) como representantes principais. Esse desenvolvimento assentou em influência múltiplas: filosofias existenciais de Tillich, Kierkegaard, Nietzsche e pragamatismo de William James; movimento da psicologia humanista, nomeadamente Carl Rogers e a A. Maslow; psicanálise, sobretudo através de Adler, Otto Rank, E. Fromm e F. Fromm-Reichman. Centrada no mundo próprio individual, o mundo das experiências subjectivas individuais, a psicoterapia existencial-humanista norte-americana tem enfatizado os seguintes aspectos essenciais:

 

-  A consciência da realidade da existência é que conduz à ansiedade . A ansiedade aparece a partir da consciência da realidade duma existência incerta livre e sem sentido e não os impulsos sexuais e agressivos, mas aceitando que o problema é inconsciente e que a ansiedade conduz  a mecanismos de defesa que servem para negar ou distorcer aquela realidade. As estratégias defensivas que são usadas para proteger contra a ansiedade existencial poderiam conduzir a ansiedade neurótica

-  A finalidade principal da intervenção terapêutica é ajudar o cliente a identificar e superar as suas resistências ou modos de evitamento da ansiedade existencial.  A proposta terapêutica passa por ajudar o cliente a identificar as suas auto-decepções, facilitar o encontro com a sua ansiedade existencial através de uma atitude de compromisso e resolução e voltar a relacionar-se com o seu potencial de crescimento

- O confronto com a existência implica a tomada de consciência do mundo próprio da experiência subjectiva– A intervenção terapêutica implica a facilitação no cliente duma consciencialização das suas experiências  

   actuais, a partir de uma focalização nas preocupações principais e num processo de associações livres em torno dessas preocupações. A finalidade é colocar o cliente cada vez em maior relação com a sua realidade

   subjectiva interna. O papel do terapeuta consiste aqui em identificar quando o cliente resiste a esse processo e confrontá-lo com isso

- A autenticidade existencial define-se na relação consigo próprio mas também  com as relações interpessoais – É dada ênfase à importância da presença interpessoal para a autenticidade, pelo que uma das finalidades principais da intervenção terapêutica é tornar o cliente mais autêntico nas  relações com os outros. Assim, Bugental e Yalom consideram mesmo que é importante questionar o cliente a consciencializar o que experimenta no encontro terapêutico no confronto com a presença do terapeuta

- A experiência de confronto com os dados da existência é a fonte da ansiedade – A compreensão do funcionamento mental (normal e patológico) assenta na forma como o indivíduo se confronta com a ansiedade que emerge da experiência de confronto com os dados da existência. Para Yalom são a morte, a liberdade, a solidão e a falta de sentido. Para Bugental são a finitude, capacidade potencial para agir, a escolha, a corporalidade e o isolamento.

 

Mais recentemente, Kirk Schneider (1999) introduziu o conceito de polaridade constritiva/ /expansiva da realidade, que seria aplicável à experiência. Considerou que a saúde mental se caracterizaria pela capacidade de se movimentar com abertura e flexibilidade ao longo desse continuum e que a psicopatologia seria caracterizada por uma tendência do indivíduo para se situar nos extremos dessa polaridade. Assim, seria possível diferenciar entre disfunções hiper-constritivas (depressão, agorafobia, dependência) hiper-expansivas (impulsividade, mania, claustrofobia) e hiperconstritivas/expansivas (perturbação bipolar e esquizofrenia). As críticas principais que têm sido apontadas à psicoterapia existencial-humanista norte-americana têm-se relacionado com a sua dependência excessiva dos processos inconscientes (nomeadamente as resistências), com a sua focalização predominante na experiência subjectiva individual em detrimento da inter-subjectiva e com a importância, também excessiva, que é dada ao desenvolvimento da autenticidade quase como se fosse uma forma superior de ser

 

5.4. Psicoterapia existencial de Ronald Laing

 

Influenciado pelo pensamento filosófico de Kirkegaard, Nietzsche, Heidegger, Jaspers, Husserl e Sartre, bem como pela psicanálise e pelo marxismo, pela psiquiatria interpessoal de Harry Stack Sullivan e estudos da comunicação de Gregory Bateson e da escola de Palo Alto (Califórnia), Ronald Laing (1927-1989) centrou a sua investigação na psicopatologia, em particular na esquizofrenia, procurando o seu significado. Destacou essencialmente a importância da insegurança ontológica e do contexto social da perturbação mental. Introduziu o conceito de insegurança ontológica para designar o sentimento fundamental dos indivíduos com patologia esquizofrénica caracterizado por uma diminuição do sentimento de identidade e de realidade acompanhada pelo medo da aniquilação. Este, poderia incluir três medos específicos: o medo do engolfamento ou de que a sua autonomia seja submetida a outros; o medo da implosão ou de ser esmagado pelo mundo externo e o medo da petrificação ou de se tornar num objecto inanimado. A insegurança ontológica poderia conduzir à esquizofrenia na medida em que o indivíduo tentaria proteger-se dividindo o self em dois: retiraria a sua verdadeiro self do seu corpo e permaneceria retirado num local privado da mente (o delírio) no qual tem esperança de estar defendido contra a aniquilação. Desta forma, tornar-se-ia cada vez menos capaz de experimentar relações reais com os outros. Refugiando-se no delírio procuraria ainda recuperar a segurança ontológica.

 

A perturbação esquizofrénica não poderia ser compreendida apenas em termos de disfuncionamentos intra-psíquicos, mas sim como uma estratégia que o indivíduo desenvolveria para sobreviver a determinadas situações do contexto social. Em particular, enfatizou a importância das fantasias familiares que podem invalidar os sentimentos e as percepções do indivíduo, bem como da comunicação em duplo vínculo (double bind) no contexto família, podendo conduzir ao que denominou por posição insustentável em relação à qual a única saída poderia ser a psicose, uma espécie de tentativa de se manter saudável num mundo doente: fechando aos canais de comunicação (retirada autista), escolhendo ao acaso (desorganização hebefrénica) ou construindo novos significados (delírio paranóide). Do ponto de vista da intervenção, a proposta terapêutica de Laing baseia-se na escuta que permite ao cliente articular e relacionar as suas experiências, mas de forma não invasiva nem intrusiva para facilitar a sua auto-recuperação e reintegração. No seu conjunto preconizou um encontro autêntico (sem máscaras) e designou esse percurso por metanóia. A finalidade seria a de restabelecer a capacidade do cliente se relacionar com os outros e com a possibilidade de se encontrar com as suas necessidades existenciais: amor, segurança ontológica, liberdade, auto-descoberta, afirmação pelos outros e capacidade de relacionamento. Do ponto de vista crítico tem sido apontado o facto da perspectiva da Laing não ter superado os modelos de doença e de cura, ter conceptualizado o selfcomo se fosse algo com existência concreta e localizada, bem como ter atribuído um significado exclusivo ao que chamou insegurança ontológica, ligando-a especificamente à esquizofrenia quando, na realidade, pode ser experimentada mais generalizadamente como ansiedade existencial.

 

5.5. Psicoterapia existencial britânica

 

A análise existencial e psicoterapia desenvolvida na Grã-Bretanha teve influências das filosofias de Heidegger, Kierkeggard, Nietzsche, Sartre, Jaspers, Buber e Merleau-Ponty, mas também da filosofia de Husserl, com alguma proximidade em relação à Daseinanálise e tendo também influências significativas das concepções de Laing. Rejeitando o individualismo, o subjectivismo e o modelo médico da saúde mental, esta corrente tem como representantes principais Van Deurzen-Smith, Spinelli, DuPlock e Cohn e, mais recentemente, Wolf, Milton e Madison. Como característica essencial refira-se a recusa da patologização e a grande importância de compreensão do mundo próprio do cliente e dos seus problemas com o viver. Van Deurzen-Smith (2002, 1997) centra a sua abordagem na superação dos desafios e vicissitudes da existência, pelo que definiu que a finalidade principal da intervenção terapêutica é ajudar o cliente a confrontar-se com os desafios da vida quotidiana, muito mais do que com os dados da existência. O questionamento central é: Como é que eu posso viver uma vida melhor?

 

O ponto de partida é a ideia de que a ansiedade existencial é inevitável, dadas as imperfeições, tensões, dilemas, paradoxos e desafios do viver. Confrontando-se com a ansiedade, o indivíduo tentaria reduzi-la fantasiando a existência de um mundo perfeito, sem problemas, mostrando-se relutante em confrontar-se com a realidade da sua vida. Seria uma atitude de auto-decepção que proporcionaria uma segurança temporária, mas que ao mesmo tempo seria uma forma de se distanciar da realidade. No confronto crucial com a situação de crise pessoal, o indivíduo pode escolher confrontar-se resolutamente com os problemas ou, então, afastar-se ainda mais da realidade, o que acabaria por conduzir a situações vividas com desespero. Do seu ponto de vista, o indivíduo em sofrimento psicológico não estaria doente. Pelo contrário, teria desenvolvido uma filosofia de vida enganadora que conduz à autodestruição. Assim, a grande finalidade da intervenção terapêutica é ajudar o cliente a confrontar-se com a realidade da sua situação e deixar atitudes de auto-decepção, envolvendo-se criativamente com problemas da vida. O que é proposto é uma atitude de encorajamento ao confronto com as tensões e dilemas e à descoberta de modos de superação desses desafios. Os objectivos são:

 

- Ajudar a retomar o controlo sobre a sua própria vida, com sentimento de mestria

- Facilitar uma compreensão de si próprio com mais capacidades e poder do que as anteriormente auto-percepcionadas

- Substituir percepções de ameaça por percepções de desafio

- Experimentar os seus diferentes e mais flexíveis modos de ser e responder o mais construtivamente possível aos desafios da existência, redescobrindo o entusiasmo e o comprometimento

- Superar o medo de viver e descobrir como a vida pode ser vivida de forma mais satisfatória e feliz.

 

A proposta de Van Deurzen-Smith (1998, 1997) tem impregnação filosófica marcada e, em última análise, pretende ajudar o cliente a identificar os seus valores mais essenciais: o que realmente importa para ele. Assim, centra-se em grande parte na dimensão espiritual dos valores e significados, passo considerado indispensável para que possa considerar melhor a sua projecção ao futuro.

Esta proposta é operacionalizada através de uma abordagem descritiva da experiência vivida actual, dos modos de relação com o seu-mundo em quatro dimensões: física, social, pessoal e espiritual. Nestas quatro dimensões o cliente é encorajado a explorar os dilemas e paradoxos com que se confronta.

 

Spinelli (2003, 1994, 1989) representa a corrente inspirada predominante pela fenomenologia de Husserl, interessada numa perspectiva descritiva, com grande ênfase na atitude de abertura ao ser e à qualidade da relação do terapeuta com o cliente. Acentuou no método fenomenológico aplicado à entrevista a importância da époché(“pôr o mundo entre parêntesis”), da descrição (do vivido) e da equalização (evitamento da hierarquização dos fenómenos observados). Mais especificamente, chamou a atenção para:

 

- A distinção entre o modo com o indivíduo desenvolve a estrutura do self e a actualidade das experiências vividas, e a sua tendência para se dissociar daquelas experiências que não são vividas como concordantes com aquela estrutura, procurando então atribuições externas. A estrutura do self não é conceptualizada como uma entidade independente, mas sim construída e mantida na relação com os outros

- O facto das recordações do passado serem interpretações construídas a partir da forma com o indivíduo se vê no presente e se antecipa em relação ao futuro.  Desta forma, o relato de acontecimentos passados pode ter interesse para compreender quais são as características da estrutura do self e o que projecta para o seu futuro

- A necessidade de respeitar e aceitar a existência do cliente tal como é vivida. Em consequência, a finalidade da intervenção terapêutica não é no sentido do que deveria ser mas sim é o encorajamento à mudança ou adoptar um modo mais existencial de viver, reflectindo e clarificando a sua experiência de estar-no-mundo

- A importância da atitude terapêutica do estar-com e estar-para.  Isto significa estar com a experiência vivida pelo cliente, no sentido fenomenológico da sua compreensão tal como é vivida, pelo que se procura facilitar-lhe uma exploração dos seus valores, significados, interpretações, sentimentos e crenças. Em particular, é dada grande importância às interpretações do cliente acerca de si próprio, acerca daquilo que ele acha que é, de forma a compreender como é que certos comportamentos estão relacionados com a estrutura do self e como é que poderia encontrar modalidades alternativas de se representar a si e ao seu-mundo.

 

Hans Cohn (1997) representou a corrente inspirada predominantemente pelo pensamento de Heidegger, defendendo que as dificuldades psicológicas seriam experimentadas quando o individuo tenta lutar contra os dados da existência – estar-no-mundo, estar-com-os-outros; mortalidade, inevitabilidade da escolha, corporalidade, espacialidade, temporalidade, humor e sexualidade – não relacionando essas dificuldades com ansiedades existenciais específicas.

 

5.6. Psicoterapia existencial breve

 

Têm sido propostas diferentes abordagens breves em psicoterapia existencial, nomeadamente por Bugental (1995) e Strasser e Strasser (1997).

 

5.6.1. Psicoterapia existencial-humanista breve

A proposta de Bugental de psicoterapia existencial-humanista breve envolve uma intervenção por fases sequenciais, cada uma das quais ocupando uma sessão ou mais consoante os casos. Trata-se de uma versão curta da sua proposta de terapia existencial de longa duração, considerando esta última mais eficaz. O modelo breve desenvolve-se nas seguintes fases: avaliação, identificação da preocupação, consciencialização das experiências subjectivas, identificação de resistências, trabalho terapêutico focalizado e terminação. Admite-se a possibilidade de realizar novas séries de terapia breve.

 

5.6.2. Psicoterapia existencial limitada no tempo

 

Strasser e Strasser (1997) enfatizaram as vantagens que, a seu ver, podem ter os modelos breves: uma intervenção limitada no tempo é mais concordante com a natureza também finita da existência humana; impulsiona mais facilmente para a mudança, uma vez que a permanente recordação da terminação da terapia intensiva o comprometimento no processo terapêutico. Diferem de Bugental uma vez que não procuram focalizar numa preocupação específica nem num conjunto de objectivos, embora estipulem um conjunto de doze sessões, seguidas por duas sessões de follow-up de seis em seis semanas. A abordagem está estruturada em torno de duas rodas da existência (existencial wheels), que são representações esquemáticas sob a forma de roda que os autores consideram acelerar o processo terapêutico:

 

- A primeira é uma representação dos dados da existência – Incerteza, relações interpessoais, tempo e temporalidade, criação de padrões de valores e comportamentos, criação de sedimentações de valores e comportamentos, polaridades, quatro dimensões da existência (física, social, psicológica e espiritual), auto-conceito e auto-estima, ansiedade existencial e liberdade de escolha

- A segunda é uma representação dos métodos e skills que o terapeuta pode usar para cada uma das possibilidades e limitações do estar-no-mundo– Estabelecer o contrato, método fenomenológico e investigação das relações interpessoais, estabelecer a percepção do tempo e o momento (timing) das intervenções, identificar o sistema de valores e as polaridades, desafiar sedimentações rígidas, identificar polaridades e paradoxos, explorar os quatro mundos, identificar o auto-conceito e auto-estima, desafiar interpretações distorcidas sobre a ansiedade, identificar escolhas e significados.

 

A primeira roda serve para, num primeiro momento, identificar o tipo de problemas que o cliente coloca, bem como os que não coloca, permitindo ao terapeuta compreender o cliente de uma forma ampla. A segunda roda contém estratégias para ajudar o terapeuta a facilitar o percurso do cliente no processo terapêutico, quer tornando-se mais consciente de aspectos particulares da sua existência, quer desafiando algumas das suas concepções do mundo.

 

5.7. Psicoterapia existencial sartreana

 

A Análise da Existência, que é uma análise do existente com preocupação primordial com a sua existência concreta (o seu-mundo), parte do pressuposto que a existência é um projecto que tem estrutura narrativa. Foi predominantemente influenciada pela filosofia de J. P. Sartre, em especial por aquilo a que o autor chamou “psicanálise existencial”, na qual a proposta é a de compreender o existente a partir dos diferentes modos como a consciência se relaciona com o mundo, com os outros e consigo mesmo, e como tenta evitar a angústia que se associa ao confronto com a sua liberdade e a sua responsabilidade (Rodriguez, 2001). O Homem é aquilo que se projecta ser e não existe antes desse projecto. Assim, a análise da existência toma por objecto a análise do projecto existencialenquanto chave organizadora da existência, continuidade compreensível (coerência) de vivências passadas, presentes e futuras que está presente no discurso e que envolve construções pessoais duradouras e significativas dos sentimentos, compromissos e auto-realização, bem como as escolhas que faz de si mesmo em situação. Assim, a finalidade é identificar as escolhas que o indivíduo faz para se tornar pessoa, ou seja, o seu projecto originário, matriz dos demais projectos e determinante das acções concretas. O ponto de partida não é a psicopatologia mas sim a existência concreta do indivíduo. A finalidade é analisar a existência como expressão dum projecto concreto para que, ao promover o seu questionamento, o indivíduo possa compreender-se e a mudança seja possível. O questionamento central é: Como é que eu me escolho e me projecto? Pretende-se que o projecto que emerge da análise do passado e do presente seja assumido e enfrentado e, se necessário, seja modificado no sentido da auto-realização e da autonomia. Villegas (1991) defendeu que é essencial delimitar bem o método e a técnica. O método proposto é a hermenêutica do discurso, sendo este o lugar de construção do seu-mundo, onde reside o significado, a intencionalidade que unifica as dimensões afectiva, cognitiva e comportamental/relacional da experiência psicológica. O método hermenêutico (compreensivo) toma por objecto a forma como o indivíduo constitui a relação com o mundo, sendo o projecto o que dá o sentido. Os fenómenos psicológicos estão em coerência com o projecto.

 

Não se trata de conhecer o mundo projectado mas sim de ter acesso ao como é que o indivíduo se projecta no mundo, com unidade, coerência e continuidade, condicionado pela facticidade mas gerindo a sua liberdade de escolha de várias possibilidades. Ou seja, trata-se de determinar o projecto originário, matriz dos demais projectos (Erthal, 1994).  A técnica envolve a análise semântica de textos de auto-descrição, com a finalidade de identificar os significados. Assim, é uma análise textual da redundância (conteúdos) e da coerência (relações estruturais). A finalidade última é a descoberta das intencionalidades significativas e a identificação da coerência global, que é homóloga do projecto. Permite identificar e fornecer ao indivíduo significados e colocá-lo em confronto com a maneira como estrutura o seu-mundo. Permite-lhe questionar a sua existência e re-situar-se. Escolher outras possibilidades. Introduzir mudança no presente e no futuro, pondo-se mais de acordo consigo próprio, mais próximo do seu projecto. O objectivo da psicoterapia é facilitar ao indivíduo o encontro com formas de se tornar mais coerente com o seu projecto ou, então, questionar e reformular o seu projecto. Assim podemos dizer que, a partir desta perspectiva de análise da existência, a intervenção psicoterapêutica envolve uma dimensão analítica e uma dimensão terapêutica.

 

5.7.1. Dimensão analítica

 

A finalidade é descobrir as estruturas ontológicas da existência que se manifestam na experiência, o que envolve três fases sucessivas (Cannon, 1993): explorar a estrutura ontológica do projecto fundamental (escolha original do ser), compreender as dificuldades actuais do indivíduo nas suas relações com as experiências passadas que suportaram a escolha do seu modo de ser-no-mundo e, ao mesmo tempo, dos significados futuros, facilitando-lhe o questionamento do seu projecto e, se necessário, facilitando novas escolhas, que lhe permitam projectar-se num futuro diferente mas escolhido por ele.  É a análise da existência que toma por objecto o projecto existencial do sujeito, isto é, a existência enquanto projecto que tem estrutura narrativa e que é continuidade compreensível das vivências passadas, presentes e futuras. Tem-se em conta que o ser não é analisável, porque abstracto. O que é analisável é o seu-mundo, isto é, o existente. Assim, o ponto de partida não são as categorias da psicopatologia nem as categorias transcendentes do Dasein, mas sim o mundo da experiência (Lebenswelt), ou seja, a estrutura das vivências individuais que têm continuidade compreensível, intencionalidade (que unifica as dimensões afectiva, cognitiva e comportamental) e forma narrativa.

 

A análise da existência é a análise dessa continuidade compreensível na dialéctica Eu/Mundo que é o projecto. Centra-se na totalidade unificada da existência, que se exprime numa estrutura do mundo ou sistema de constructos pessoais, produto da constante reconstrução da experiência passada a partir do presente e projectada para a antecipação do futuro. A análise da existência é um regresso à história (movimento analítico-regressivo) para facilitar a compreensão do estar-no-mundo, isto é, como é que o problema actual faz parte da pessoa e qual foi a escolha que fez de si próprio (projecto). A elucidação do projecto permitirá re-descobrir o presente (movimento progressivo-sintético) e compreender os significados pessoais. Neste âmbito assumem importância particular (Cannon, 1993):

 

- A reconstrução do passado para interpretar o presente e o futuro em função da escolha de um projecto fundamental (existencial), uma vez que o projecto existencial e a acção individual livre (praxis) estão no centro   das relações com os outros; neste particular, importa identificar as condições que se relacionaram mesmo com a escolha do projecto mas também como é que o indivíduo procura desenvolvê-lo no futuro

- A relação do projecto com a temporalidade (passado, presente e futuro), mas também com a espacialidade em termos de proximidade ou distanciamento dos outros

- A focalização sobre a experiência pré-reflexiva para descobrir as estruturas da má fé, isto é, para saber como é que as escolhas pré-reflexivas poderão ter sido deformadas reflexivamente - O acesso ao mundo individual e concreto que se mostra na experiência, promovendo uma reflexão sobre si próprio que permita ao cliente compreender como se relaciona com os objectos do mundo (ser-em-si), como se relaciona com os outros (ser-para-o-outro) e como se relaciona consigo próprio (ser-para-si).

 

O objectivo é, assim, a elucidação do significado (intencionalidade), aumentando a auto-consciência para facilitar a possibilidade de escolha, ajudando a aceitar os riscos e responsabilidade das decisões próprias, aceitando a sua liberdade e sendo capaz de gerir as suas próprias possibilidades de existir. A metodologia é uma hermenêutica do discurso, uma vez que se entende que este é a representação mental das vivências pessoais, o lugar da construção do mundo do sujeito que pode ser estudada por uma técnica de análise semântica textual de textos de auto-descrição e auto-biográficos (Quadro 4).

 

A análise da existência exige uma técnica que permita reler a existência como um texto que projecta a pessoa, considerando que o seu projecto existencial manifesta-se nas várias modalidades fenoménicas (linguagem, emoções, comportamento, entre outras). Assim, Villegas (1990) propôs a análise semântica textual baseada em critérios existenciais como a técnica que permitiria remeter para um discurso, projecto de possibilidades. A análise semântica centra-se na redundância (conteúdos) e na coerência (relações estruturais) e destina-se a responder ao questionamento central: Como é que este Homem constrói o seu-mundo?Se existirem perturbações mentais, elas não interessam aqui como categorias nosológicas mas sim como formas de compreender as estratégias que o indivíduo usa para resolver o problema de ser. A análise da existência é, assim, uma análise do projecto existencial (a existência enquanto projecto que tem estrutura narrativa), tem por objectivo a elucidação do significado (intencionalidade), o seu método é a hermenêutica do discurso, usando a análise semântica de textos de auto-descrição como técnica. A finalidade última é aqui colocar a pessoa em contacto com o seu projecto, facilitando-lhe a autenticidade.

 

QUADRO 4 -  Características da análise da existência segundo Villegas

 

 

    ANÁLISE DA EXISTÊNCIA

 

Objecto

        Projecto existencial

Objectivo

       Elucidar o significado

Metodologia

  Hermenêutica do discurso

Técnica

   Análise semântica textual

 

5.7.2. Dimensão Terapêutica

 

Como foi referido por Martín-Santos (1964), a análise existencial poderia ser considerada num sentido mais de conhecimento (compreensão) e num sentido mais dinâmico e modificador. A análise da existência fornece a chave para a dimensão da compreensão ou interpretação, isto é, coloca o indivíduo em contacto com o seu projecto (como se escolheu). Contudo, a psicoterapia relaciona-se com uma dimensão de mudança e transformação, que supõe a dimensão analítica mas ultrapassa-a largamente para:

 

- Considerar mais o futuro do que o passado nos momentos de tomada de decisão

- Desenvolver as expressões significativas que proporcionam as escolhas, nomeadamente ao nível da simbolização (palavras) e da imaginação (exploração interior)

- Desenvolver mais livremente interacções determinadas e apoiadas na sua individualidade, relacionando-se mais profundamente consigo próprio

- Abrir-se a novos modos de ser e de agir, mais autênticos e concordantes com o projecto

 

A relação de ajuda que poderá facilitar a mudança é a que ajude o cliente a (re)encontrar a sua liberdade ontológica (condição humana) e uma maior liberdade prática (Cannon, 1993), comprometendo-se num processo mais autêntico de criação de si próprio no seu contexto social. 

 

É assim que Villegas (1981) considera que a análise do passado e do comportamento como expressão dum projecto fundamental permite enfrentar directamente esse projecto para modificá-lo, o que só é possível em relação ao futuro e como integração, assumido e compreendido numa nova dimensão. O passado não pode ser mudado mas pode ser assumido. O presente e o futuro são os tempos de mudança, expansão e realização. A dimensão terapêutica centra-se na restauração da liberdade que permita uma reconstrução alternativa da experiência.

 

5.8. Diferentes métodos, diferentes posicionamentos e novos desafios

 

Como é possível verificar, dentro das propostas de psicoterapia existencial existe uma diversidade de concepções, que acaba por caracterizar esta área de intervenção terapêutica por uma grande heterogeneidade de possibilidades. Neste aspecto, interessa saber que os diferentes autores e propostas terapêuticas podem posicionar-se de forma diversa em relação a diferentes dimensões (Cooper, 2003):

 

- Influências fenomenológica/existencial – A influência fenomenológica é mais notória em Spinelli (centração na experiência vivida) e a existencial na logoterapia de Frankl (procura de significado) e na análise da existência (questionamento do projecto). Numa posição intermédia ficam a Daseinanálise, a psicoterapia existencial-humanista norte americana e as concepções de Van Deurzen-Smith e de Laing

- Directividade/não directividade– A directividade é mais notória na logoterapia de Frankl e a não-directividade na psicoterapia existencial britânica. Numa posição intermédia ficam a Daseinanálise, a psicoterapia existencial-humanista norte-americana, a terapia existencial de Laing e a análise da existência. A directividade é uma tendência mais marcada nas perspectivas que associam o mal-estar e as crises existenciais ao evitamento do confronto com os dados da existência

- Metodologias descritivas/compreensivas – A metodologia descritiva é a mais notória na psicoterapia existencial britânica e a compreensiva na análise da existência. Numa posição intermédia situam-se a Daseinanálise, a psicoterapia existencial-humanista norte americana e a psicoterapia existencial de Laing

- Abordagem psicológica/filosófica – A abordagem é mais psicológica na análise da existência, na psicoterapia existencial-humanista norte- americana e na psicoterapia existencial de Laing e mais filosófica na análise existencial proposta por Van Deurzen-Smith. Numa posição intermédia situam-se a Daseinanálise e a logoterapia. Em geral, as abordagens mais psicológicas são mais focalizadas nas emoções, com excepção da a análise da existência que se centra nos significados, enquanto as abordagens mais filosóficas são mais centradas nos significados e valores

- Centração pessoal/transpessoal– Uma centração individual encontra-se mais na Daseinanálise, análise da existência, psicoterapia existencial-humanista norte-americana e psicoterapia existencial de Laing; as concepções de Van Deurzen-Smith são mais transpessoais, sendo que a logoterapia ocupa posição intermédia

- Centração na psicopatologia – A centração na psicopatologia é mais notória na Daseinanálise e na logoterapia e menos notória na análise existencial britânica. A psicoterapia existencial-humanista norte americana, a psicoterapia existencial de Laing e a análise da existência ocupam posição intermédia

- Centração na subjectividade/inter-subjectividade – Uma centração na subjectividade encontra-se mais na psicoterapia existencial-humanista norte-americana e na psicoterapia existencial de Laing, enquanto a centração na intersubjectividade é mais notória na análise existencial britânica e na logoterapia. A análise da existência e a Daseinanálise ocupam posição intermédia

- Espontaneidade/uso de técnicas– A espontaneidade é mais evidente na análise existencial britânica e na psicoterapia existencial de Laing, enquanto o uso de técnicas é mais notório na logoterapia e na análise da existência. A Daseinanálise e a psicoterapia existencial-humanista norte-americana situam-se numa posição intermédia.

 

Finalmente, é importante identificar quais os desafios principais que a psicoterapia existencial enfrenta no nosso tempo. Assim, é possível identificar os seguintes desafios:

- Necessidade de demonstrar a eficácia terapêutica

- Atender a exigências profissionais

- Contextualizar a intervenção terapêutica em termos sociais e culturais

- Assegurar a qualidade do serviço prestado aos utilizadores (clientes).

 

A psicoterapia existencial compartilha actualmente com outras modalidades de psicoterapia a necessidade de demonstrar a sua eficácia terapêutica. A questão central é “como” demonstrar a eficácia terapêutica: com resultados baseados na evidência ou com resultados baseados na experiência? Dada a natureza específica da psicoterapia existencial parece desejável contribuir para ultrapassar o distanciamento tradicional entre a investigação e a prática, nomeadamente desenvolvendo investigação empírica com metodologias qualitativas que procurem identificar as chamadas mudanças clínicas significativas e compreender como aparecem e com que factores do processo psicoterapêutico se relacionam. Atender a exigências profissionais é imperioso, sobretudo na área da formação de psicoterapeutas existenciais, quer no plano do desenvolvimento de competências quer na observância da ética profissional.

 

Assim, será desejável adoptar as recomendações da Associação Europeia de Psicoterapia, para assegurar padrões de qualidade em termos de formação, treino e supervisão. Importa cada vez mais situar a existência individual no contexto familiar e social e integrar as novas realidades decorrentes das mudanças sociais aceleradas que conduziram à fragmentação da vida social, a novas desigualdades sociais, ao predomínio da racionalização da existência, à inovação tecnológica, ao predomínio de uma cultura do efémero e da superficialidade e à generalização das relações de exterioridade com desvalorização do envolvimento emocional nas relações interpessoais e ao desaparecimento da família como fonte tradicional de suporte. Importa ter em conta também o aumento da longevidade, o aumento da sobrevivência com doenças crónicas, a tendência crescente para a medicalização do stress, a pressão para o consumo de medicamentos psicotropos face a qualquer problema e a insegurança laboral, com precaridade dos vínculos, grande mobilidade e aumento do desemprego. Ao mesmo tempo, importa cada vez mais contrabalançar pressupostos filosóficos excessivamente centrados na ideologia individualista com a consideração que parte significativa do mal-estar e das crises existenciais associam-se à presença de estruturas de alienação e de opressão, exploração, desigualdades, discriminação, pobreza, desemprego e violência; ou seja, compreender as condições históricas e sociais da subjectividade (Gomez-Muller, 2004) ou, se se quiser, compreender o biográfico no seu contexto sócio-material (Cannon, 1993).

 

A psicoterapia existencial, se estiver excessivamente centrada no chamado “mundo interno”, pode não assumir valores de justiça, defesa dos direitos dos clientes e de solidariedade. Pode não ajudar a lutar contra as injustiças e desigualdades associadas ao sofrimento. Convém recordar que a psicologia existencial considera o Eu indissociável da situação: o Eu existe em situação e a situação faz parte do Eu. É o estar-no-mundo. Ora, a subjectividade individual é uma síntese de experiências vividas, de uma multiplicidade de relações que nos ligam a nós próprios e aos outros, memórias, projectos e significações. Estar-no-mundo através de um movimento duplo de interiorização do exterior (das relações sociais e sócio-materiais) e da exteriorização do interior.

 

A subjectividade responde ao contexto social ao mesmo tempo que o molda (Thomé Ferreira, 2005). Como elo de ligação entre o indivíduo e o social, a própria subjectividade está em mudança, por vezes fragmentada, incerta ou mesmo desnorteada. Assim, a compreensão do existente enquanto compreensão da subjectividade que está-no-mundo tem que ser contextualizada na sua situação sócio-histórica, enfatizar o desenvolvimento do empowerment individual do cliente e contribuir para a sua libertação, comprometendo-se na luta contra todas as formas de opressão e alienação. Para tal, é necessário adoptar uma ética de liberdade em situação, tomar consciência da opressão, compreender como é que a opressão afecta a existência individual e identificar quais a estratégias adequadas de luta contra a opressão, quer a nível individual quer a nível social. A psicoterapia existencial implica ser-se político na relação com os clientes. Implica adoptar claramente uma perspectiva crítica que dê relevância no trabalho clínico à responsabilidade existencial (liberdade de escolha e projecto) e à responsabilidade social (comunitária) do cliente.

 

Uma relação de ajuda existencial servirá para facilitar o exercício da liberdade de escolha, ajudar a identificar factores de vazio existencial e de falta de poder pessoal e a aumentar a consciência crítica e o sentido do colectivo, facilitando atitudes positivas face à participação na vida colectiva. Só desta maneira se atingirá a finalidade de ajudar o cliente a re-encontrar a sua liberdade ontológica e uma maior liberdade prática, comprometendo-se com um processo mais autêntico de criação de si próprio no contexto social em que vive. Para assegurar a qualidade do serviço prestado aos utilizadores é necessário desenvolver dispositivos de melhoria contínua, nomeadamente relacionados com a formação profissional dos terapeutas, com o sistema de supervisão das práticas profissionais, com a avaliação de conformidade com os padrões que forem recomendados e com o necessário desenvolvimento de indicadores de processo e de resultados, em função da investigação da eficácia terapêutica.

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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RESUMO

Neste artigo o autor introduz diferentes modalidades de psicoterapia existencial. Faz uma descrição breve das várias propostas terapêuticas, nomeadamente análise do Dasein, logoterapia, psicoterapia existencial humanista norte-americana, psicoterapia existencial de Laing, psicoterapia existencial britânica, psicoterapia existencial breve e psicoterapia existencial sartreana. Palavras-chave: Existência, psicoterapia existencial.

ABSTRACT

In this article the author introduces the different perspectives of existential psychotherapy. He describes different therapeutical proposals, namely Daseinanalyse, logotherapy, nort-american existential-humanist psychotherapy, Laing’s existential psychotherapy, british existential psychotherapy, brief existential psychotherapy and sartrean existential and psychotherapy. Key words: Existence, existential psychotherapy

 

De: ciencialist@yahoogrupos.com.br [mailto:ciencialist@yahoogrupos.com.br]
Enviada em: sexta-feira, 12 de dezembro de 2014 11:53
Para: ciencialist@yahoogrupos.com.br
Assunto: Re: [ciencialist] É a lógica, mano Pibófilo, é a lógica...

 

 

> A nossa sorte é que Ele está de plantão aqui pertinho.

 

Rapaz, o Freudófilo está aí perto de ti? Por gentileza,

eu lhe imploro, diga lá qual é a marca da caninha que

tu estás sorvendo, a que eu estou usando não está

fazendo tanto efeito, hahahaha

 

*PB*

 

 

Sent: Thursday, December 11, 2014 5:41 PM

Subject: [ciencialist] É a lógica, mano Pibófilo, é a lógica...

 





Mano Pibófilo.

 

A “minha” frase é apenas o prolegômeno da definição de ciência.

A ATIVIDADE CIENTIFICA é uma coisa muito diferente de “CIÊNCIA ESTRUTURADA” com base nos conceitos vigentes no mundo cientifico. (ou dos cartolas da ciência).

Essa atividade surgiu muito antes dos cientistas. Já dei o exemplo da revolução tecnológica da agricultura, realizada por analfabetos há 10 mil anos ou mais.

Lamento informá-lo, mano, você FALSIFICOU minhas palavras que foram estas:

 

================================================

O principio da definição ( ou um dos seus elementos) é o seguinte:

CIÊNCIA É CONHECIMENTO APLICADO COM BASE NUMA METODOLOGIA

================================================

Como resultado da sua falsificação,  um feto foi TRANSFORMADO num recém-nascido,   é um transtorno comum da humanidade, mas que ainda é desconhecido pelos cientistas que abominam a psicologia dos fenômenos inconscientes. Nós temos em nosso misterioso “mundo interior” algumas ferramentas mentais invisíveis e imateriais, como por exemplo um TRANSFORMADOR PSICO-LINGUISTICO, que altera as palavras e frases de nossos interlocutores com a finalidade de atender ao PRINCIPIO DO PRAZER,  que orienta a vida dos humanos – e de outros animais. No seu caso este transformador está também a serviço do processo de desqualificação de seus colegas de espécie, o que lhe proporciona prazer. Se o homem tem prazer até em matar seus semelhantes, desqualificar o próximo pode ser considerado até um transtorno virtuoso porque sublima a vontade de matar. O homem é um sublimador da guerra. Por isso o futebol é uma paixão nacional (e mundial) – o povo brasileiro prefere assistir e jogar futebol do que fazer por exemplo uma revolução para que o Brasil deixe de ser eternamente o país do futuro. Mas enquanto Deus for Brasileiro, a revolução continuará sendo sublimada pelo Futebol.

*MC* (Muito Calmo)

 

Ps. Podes tirar o cavalo da chuva que tu não conseguirás me chatear, desde, é claro, que mantenhas teus limites já conhecidos. Porém, diante de minhas provocações malignas, poderás ultrapassar esses limites, provocando uma indesejável crise emocional que exigirá a intervenção do Freud. A nossa sorte é que Ele está de plantão aqui pertinho.

 

 

Sent: Thursday, December 11, 2014 3:51 PM

Subject: Re: [ciencialist] Parabéns ao elocubrador Sarafelli + Definição de ciência

 

 

CIÊNCIA É CONHECIMENTO APLICADO COM BASE NUMA METODOLOGIA

 

Mano Calilzófilo, tu vais ficar muito chateado se eu disser

que essa definição deveria ser impressa em papel picotado

e com folha dupla para uso subsequente na higienização de

orifícios corrugados traseiros? (ou então, o que é quase a

mesma coisa, como guardanapo pela Graça Fóster).

 

Porque segundo essa definição, o "Espiritismo das pernas

bambas das centopéias que beberam demais" também deve ser

considerado ciência. É um conhecimento aplicado através

de uma metodologia. Tô certo ou tô errado?

 

*PB*

 

 

 

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Este email está limpo de vírus e malwares porque a proteção do avast! Antivírus está ativa.

 


SUBJECT: RES: [ciencialist] É a lógica animal, mano Pibófilo ....
FROM: "Mtnos Calil" <mtnoscalil@terra.com.br>
TO: <ciencialist@yahoogrupos.com.br>
DATE: 15/12/2014 13:29

Desta vez faltou criatividade à sua manifestação de bom humor ... ou será que foi de mau humor?

E para melhorar seu bom humor  informo que tive este insight animal:  as abelhas formam conceitos?  O insight veio sob a forma de pergunta.

Mas de uma coisa agora tenho certeza – os animais mais inteligentes formam sim conceitos porque o conceito é apenas matéria prima do pensamento.

Não estou portanto dizendo que os animais pensam.

As abelhas parece que formam conceitos porque tem um cérebro com muitos neurônios.

Minha duvida é em relação às formigas – como elas poderiam adquirir uma inteligência coletiva sem formar conceitos?

Elas produziriam conceitos em grupo?

 

Absmc

 

Ps. Sugiro que você faça uma ressonância magnética do cérebro para verificar se a área do humor cresceu mais do que o normal.

 

De: ciencialist@yahoogrupos.com.br [mailto:ciencialist@yahoogrupos.com.br]
Enviada em: segunda-feira, 15 de dezembro de 2014 12:39
Para: ciencialist@yahoogrupos.com.br
Assunto: Re: [ciencialist] É a lógica, mano Pibófilo, é a lógica... EXISTENCIAL

 

 

> E para aliviar este esforço você poderá dividir o resumo em 52 itens, redigindo um por semana

 

Vou começar a leitura fazendo uma palavra por semestre, assim

acho que conseguirei. Então lá vai: "1. Introdução". Pronto.

No semestre que vem continuo.

 

*PB*

 

 

 

Sent: Monday, December 15, 2014 10:03 AM

Subject: RES: [ciencialist] É a lógica, mano Pibófilo, é a lógica... EXISTENCIAL

 




Se você fizer este resumo, o esforço nele aplicado será equivalente ao de um ano de psicoterapia, com a grande vantagem que você não precisará gastar nenhum tostão.

E para aliviar este esforço você poderá dividir o resumo em 52 itens, redigindo um por semana.

A psicoterapia requer um trabalho disciplinado e continuo para produzir os resultados inesperados.

 

*MC*

 

De: ciencialist@yahoogrupos.com.br [mailto:ciencialist@yahoogrupos.com.br]
Enviada em: segunda-feira, 15 de dezembro de 2014 09:56
Para: ciencialist@yahoogrupos.com.br
Assunto: Re: [ciencialist] É a lógica, mano Pibófilo, é a lógica... EXISTENCIAL

 

 

Alguma boa alma conseguiria fazer um resumófilo

dessa textarada inacreditavelmente gigantesca em

não mais do que 3 parágrafos?

 

*PB*

 

 

 

Sent: Friday, December 12, 2014 10:37 PM

Subject: RES: [ciencialist] É a lógica, mano Pibófilo, é a lógica... EXISTENCIAL

 





Olá Mano Bee.

 

1. Freud não bebia cachaça. Se o fizesse teria passado pela vida com algum bom humor.

2. Tendo em vista que estamos quebrando a cachola na definição de termos essenciais como existência, em homenagem aos nossos pesquisadores do ciencialist envio essa incrível matéria sobre a psicoterapia EXISTENCIAL.  Incrivel pela objetividade, pela qualidade do conteúdo, pela didática, etc. etc. É claro que se trata de uma introdução. Mas quantas introduções neste mundo são escritas com tamanha proficiência?

3. A humanidade está caminhando para a beira do abismo conduzida pelos psicopatas do poder. A psicoterapia é uma ferramenta essencial para evitar essa tragédia, mas o narcisismo dos poderosos não admite que eles passem sequer por um breve diagnóstico.

 

Mtnos Calil

Em campanha permanente contra todas as forma de engano e auto-engano.

 

 

Introdução à psicoterapia existencial

JOSÉ A. CARVALHO TEIXEIRA (*)

(*) Médico Psiquiatra. Instituto Superior de Psicologia Aplicada, Lisboa. Sociedade Portuguesa de Psicoterapia Existencial.

http://www.scielo.oces.mctes.pt/pdf/aps/v24n3/v24n3a03

 

 

1. INTRODUÇÃO

Com as influências da fenomenologia e do existencialismo desenvolveram-se vários modelos terapêuticos que podem ser genericamente designados por psicoterapia existencial e definidos como métodos de relação interpessoal e de análise psicológica cujo objectivo é o de facilitar na pessoa do cliente um auto-conhecimento e uma autonomia psicológica suficiente para que ele possa assumir livremente a sua existência (Villegas, 1988). Importa desde já referir que não se constituem como técnicas de cura da perturbação mental, mas sim como intervenções cuja finalidade principal é ajudar o crescimento pessoal e facilitar o encontro do indivíduo com a autenticidade da sua existência, de forma assumi-la e a projectá-la mais livremente no mundo.

 

Em qualquer caso, o centro é o indivíduo e não a perturbação mental. Esta, quando presente, é vista como resultado de dificuldades do indivíduo em fazer escolhas mais autênticas e significativas, pelo que as intervenções terapêuticas privilegiam a auto-consciência, a auto-compreensão e a auto-determinação. Do encontro entre a fenomenologia, o existencialismo, a Psicologia e a Psicopatologia resultou um amplo movimento de ideias, reflexão, investigação e intervenção (Jonckeere, 1989).

 

Trata-se de um conjunto heterogéneo de possibilidades de intervenção terapêutica de base fenomenológico-existencial, uma pluralidade de métodos e de teorias que, contudo, podem classificar-se em dois grupos diferentes: a psicoterapia experiencial e a psicoterapia existencial. As diferenças podem estabelecer-se ao nível dos seus objecto, objectivos e propostas ou modelos de intervenção (Quadro 1). As diferenças essenciais entre psicoterapia experiencial (humanista) e psicoterapia existencial situam-se na forma como conceptualizam a capacidade do indivíduo para o processo de mudança, nos conceitos-chave que estão em jogo e, ainda, na finalidade da intervenção (Villegas, 1989). A finalidade da intervenção define-se pela auto-descoberta (conhecer-se e compreender-se) na psicoterapia experiencial e pela construção mais autêntica e significativa da sua existência na psicoterapia existencial (Quadro 2). Na psicoterapia existencial enfatizam-se as dimensões histórica e de projecto e a responsabilidade individual na construção do seu-mundo. Visa a mudança e a autonomia pessoal. Contudo, vários autores definem a finalidade principal da psicoterapia existencial de diferentes modos: procura de si próprio (May, 1958); procura do sentido da existência (Frankl, 1984); tornar-se mais autêntico na relação consigo próprio e com os outros (Bugental, 1978); superar os dilemas, tensões, paradoxos e desafios do viver (Van Deurzen-Smith, 2002); facilitar um modo mais autêntico de existir (Cohn, 1997); promover o encontro consigo próprio para assumir a sua existência e projectá-la mais livremente no mundo (Villegas, 1989) e aumentar a auto-consciência, aceitar a liberdade e ser capaz de usar as suas possibilidades de existir (Erthal, 1999). No essencial, a perspectiva existencial pretende ajudar o cliente a escolher-se e a agir de forma cada vez mais autêntica e responsável. Em qualquer caso, resulta claro que o conceito de psicoterapia não é o de uma técnica destinada a “curar” perturbações mentais, mas sim o de uma intervenção psicológica que contribui para o crescimento e para a transformação do cliente como pessoa. Mais especificamente, que promove o encontro da pessoa com a autenticidade da sua existência, para que venha a assumi-la e possa projectá-la mais livremente no mundo.

 

QUADRO 1  - Diferenças entre psicoterapia experiencial e psicoterapia existencial

 

Influências

 

        Experiencial

Kierkegaard/Buber/William James         

 

         Existencial

Husserl / Heidegger / Sartre

Objecto

Vivência

Existência

Dimensão

Actual

Histórica

Objectivo

Crescimento

Autonomia

Método

Hermenêutica

Heurística

Dinâmica Psicológica

Emoções

Constructos pessoais

 

 

 

QUADRO 2 -  Diferenças entre psicoterapia experiencial e psicoterapia existencial

 

 

Experiencial

Kierkegaard/Buber/William James           

Existencial

Husserl /  Heidegger/ Sartre

Capacidade de mudança

 

Concretização de potencialidades

Responsabilidade da liberdade de escolha

Conceitos-chave

Actualização. Descoberta

Construção. Projecto

Finalidade

Autodescobrir-se

Construir a sua existência

 

 

 

2. FUNDAMENTOS

 

2.1. Psicologia existencial

 

A psicologia existencial é a psicologia da existência humana com toda a sua complexidade e paradoxos (Wong, 2004), considerando que a existência humana

envolve pessoas reais em situações concretas. Com a finalidade de introduzir fundamentos de psicologia existencial em que assentam diferentes propostas de psicoterapia existencial, faz-se uma revisão sumária sobre o que caracteriza a existência individual, o que é estar-no-mundo, como se caracteriza o confronto do indivíduo com os dados da existência e procura-se situar o perturbar-se mentalmente como uma possibilidade do existir.

 

2.1.1. O que caracteriza a existência individual

 

O que caracteriza a existência individual é o ser que se escolhe a si-mesmo com autenticidade, construindo assim o seu destino, num processo dinâmico de vir-a-ser. O indivíduo é um ser consciente, capaz de fazer escolhas livres e intencionais, isto é, escolhas das quais resulta o sentido da sua existência. Ele faz-se a si próprio escolhendo-se e é uma combinação de realidades/capacidades e possibilidades/potencialidades, está “em aberto” ou melhor está em projecto. Este, é a maneira como ele escolhe estar-no-mundo, o que se permite ser através da sua liberdade, sendo que as escolhas podem ser feitas em função do futuro ou em função do passado: escolher o futuro envolve ansiedade (associada ao medo do desconhecido) e escolher o passado envolve culpabilidade (associada à consciência das possibilidades perdidas). A autenticidade(Cabestan, 2005) implica aceitar a condição humana tal como é vivida e conseguir confrontar-se com a ansiedade e escolher o futuro, reduzindo a culpabilidade existencial. A autenticidade caracteriza a maturidade no desenvolvimento pessoal e social. A escolha é um processo central e inevitável na existência individual e a liberdade de escolher-se envolve responsabilidade pela autoria do seu destino e compromisso com o seu projecto. A liberdade de escolha não só é parte integrante da experiência como o indivíduo é as suas escolhas: a identidade e as características do indivíduo seriam consequências das suas próprias escolhas.

 

O projecto existencial é a união, o “fio condutor” entre o passado, presente e futuro, a continuidade compreensível das vivências, coerência interna do mundo individual, que reflecte a escolha originária que o indivíduo fez de si e que aparece em todas as suas realizações significativas, quer ao nível dos sentimentos, quer ao nível das realizações pessoais e profissionais. O mundo interno exprime-se na simbolização (categorias cognitivas que representam a experiência na sua ausência), na imaginação (recombinação de categorias mentais que se assemelham à experiência mas sem interacção com o meio) e juízo (avaliação em relação à experiência), associadas à intimidade, ao amor, à espontaneidade e à criatividade. O processo de individuação opõe-se ao conformismo com as normas e papéis sociais, o que conduz a um funcionamento estereotipado e inibidor da simbolização e da imaginação. O indivíduo está comprometido com a tarefa, sempre inacabada, de dar sentido à sua própria existência. Em síntese, a existência individual caracteriza-se por três palavras-chave – cuidado, construção e responsabilidade – na medida em que o indivíduo cuida da sua existência procurando conhecer-se e compreender-se, descobrindo-se na relação com o outro, constrói o seu-mundo dando sentido à sua existência e escolhendo viver de acordo com os seus valores (o que confere um carácter único e singular) e responsabiliza-se por si próprio na realização do seu projecto. Assim, a existência individual é uma totalidade, única (singular) e concreta.

 

2.1.2. O que é estar-no-mundo

 

A existência enquanto estar-no-mundo envolve a unidade entre o indivíduo e o meio em quatro dimensões, que são as dimensões da existência (Van Deurzen-Smith, 1996, 1998) e o processo terapêutico seria a exploração do mundo do cliente nas suas várias dimensões (Cohn, 1997):

 

- Física – É o mundo natural (Umwelt), o da relação do indivíduo com os aspectos biológicos do existir e com o ambiente e que envolve as suas atitudes em relação ao corpo, aos objectos, à saúde e à doença e no qual se exprime em permanência uma procura de domínio sobre o meio natural, que se opõe a submissão e aceitação das limitações impostas, nomeadamente pela idade e pelo ambiente. O sentimento de segurança é aqui dado pela saúde e bem-estar

- Social– É o mundo da relação com os outros (Mitwelt), do estar-com e da inter subjectividade onde se revela e descobre o que se é, mundo que envolve as atitudes e os sentimentos em relação aos outros, tais como amor/ódio, cooperação/competição, aceitação/rejeição e partilha/isolamento. Inclui os significados que os outros têm para nós, quer sejam os familiares, os amigos ou os colegas de trabalho, significados que dependem das modalidades da nossa relação com eles. Esta dimensão relacional é uma premissa fundamental do modelo existencial (Spinelli, 2003)

- Psicológica – É o mundo da relação consigo próprio (Eigenwelt), da existência subjectiva e fenomenológica de si-mesmo, da construção do mundo pessoal, com auto-percepção de si, da sua experiência passada e das suas possibilidades, recursos, fragilidade e contradições, profundamente marcado pela procura da identidade própria, assente na auto-afirmação e numa polaridade de actividade/passividade

- Espiritual – É o mundo da relação com o desconhecido (Ueberwelt), que envolve uma relação com o mundo ideal, a ideologia e os valores, onde se pode exprimir o propósito da existência individual, numa tensão permanente entre o propósito/absurdo e esperança/ /desespero.

 

Cada indivíduo centra-se na construção de significados com que luta contra o vazio e a falta de sentido, sendo responsável (existencialmente) pela sua auto-afirmação e desenvolvimento, estando consciente do que sentiu e pensou, do que sente e pensa e podendo antecipar o que poderá vir a ser no futuro. Cada indivíduo necessita e deseja estar-com-os-outros, com os quais pode empatizar e aprender, através dos quais se descobre e com os quais constrói projectos e relações significativas. A importância do estar-com, da abertura aos outros tem sido tratada de modo diferente por diferente autores.

 

2.1.3. A ansiedade resulta do confronto com os dados da existência

 

O desenvolvimento individual e a integração envolvem um confronto incontornável e inevitável do indivíduo com os dados da existência, confronto do qual resulta experiências de ansiedade na gestão da qual o indivíduo pode utilizar estratégias variadas. Existir envolve, por um lado, a consciência de tragédia inerente à condição humana e construída por insegurança, frustração e perdas irreparáveis e, por outro, pela consciência da esperança que resulta da liberdade de escolha, da auto-realização, da dignidade individual, do amor e da criatividade. Os dados da existência são:

 

- Consciência da morte– Implica a experiência de contingência, enquanto possibilidade do fim de todas as suas possibilidades (existência/ /finitude), geradora da ansiedade e medo da morte, que emerge do conflito entre a consciência de finitude e o desejo de continuar sendo

- Consciência da liberdade – Implica a experiência de responsabilidade e autonomia no sentido das escolhas concretas e situadas que envolvem medo do incerto e do desconhecido. A ansiedade emerge do conflito/dependência - Consciência da solidão – Implica a experiência de isolamento, com medo da separação. A ansiedade emerge do conflito solidão/sociabilidade

- Consciência da falta de sentido – Implica a experiência de vazio e desespero associado ao absurdo de existir. A ansiedade emerge do conflito falta de sentido/projecto e a coragem é a capacidade para continuar em direcção ao futuro apesar do desespero.

 

O indivíduo não pode escolher as limitações da sua existência, mas pode escolher os modos de confronto com essas limitações, isto é, como é que se confronta com elas. Assim, diferentes autores têm enfatizado preferencialmente diferentes dados da existência, o que também tem contribuído para a heterogeneidade das concepções mesmo dentro da perspectiva existencial. No entanto, quase todos deram importância que pode ter a negação da liberdade de escolha e/ou à negação das limitações inerentes à facticidade. Assim surgiu o conceito de inautenticidade, usado como sinónimo de auto-decepção por Heidegger e correspondendo ao conceito de má féde Sartre. Negando a sua liberdade de escolha e a sua responsabilidade, o indivíduo nega a possibilidade de escolher livremente o seu futuro. A ansiedade é, ela própria um dado da existência com que o indivíduo se confronta inevitavelmente e que pode ser experimentada de forma mais intensa e significativa mais em certos momentos da trajectória existencial do que noutros. Por exemplo, pode associar-se a crises pessoais, luto, doença física, fases de transição do ciclo de vida individual ou familiar, entre outras situações.

 

2.1.4. Perturbar-se é uma possibilidade do existir

 

No quadro existencial é importante situar o estatuto da perturbação mental, uma vez que parte significativa das psicoterapias existenciais não a tomam necessariamente como foco da sua intervenção, por considerarem que isso seria uma perspectiva redutora ou, pelo menos, não tomam a psicopatologia como foco principal de intervenção. Até porque a valorização da dignidade existencial opõe-se às classificações psiquiátricas (Erthal, 1999), que fragmentam a totalidade da existência individual. Nesta medida, as perturbações mentais são vistas como aspectos integrado na totalidade da existência individual, expressões parciais das modalidades de construção do seu-mundo. Sem uma finalidade exaustiva, uma vez que o objectivo desta revisão não é a relação entre a psicopatologia e a existência mas sim introduzir as psicoterapias existenciais, referem-se aspectos valorizados por autores relevantes sobre o significado existencial da psicopatologia, tendo em conta que ela é uma possibilidade humana universal (pode acontecer a qualquer um…).

 

Com Binswanger (1981, 1971) a psicopatologia é o que se afasta da estrutura apriorística do ser (categorias ontológicas) e se tornou uma estrutura existencial modificada. Para May (1958), que introduziu a psicoterapia existencial nos Estados Unidos da América, a ansiedade patológica resultaria do indivíduo não se confrontar com a ansiedade normal, sendo esta a que deriva do confronto com os dados da existência. Denominando-a ansiedade neurótica, desproporcionada ao perigo, May conceptualizou-a como resultado das tentativas feitas pelo indivíduo para diminuir ou negar a ansiedade resultante do confronto com os dados da existência. Assim, a ansiedade neurótica poderia significar, por exemplo, negação do medo da morte, negação da liberdade de escolha, evitamento de assumir responsabilidades ou conformismo com as normas sociais impostas. Assim, serviria para proteger o indivíduo contra a ansiedade que emerge dos dados da existência, na medida em que resultaria da tentativa de reduzir ou negar a ansiedade ligada à existência, na busca duma existência segura, certa e livre de ansiedade. Desta maneira, o que denominamos por sintomas em psicopatologia poderiam ser considerados como possibilidades escolhidas: ao escolher não se confrontar directamente com a ansiedade associada aos conflitos existenciais, o indivíduo poderia perturbar-se mentalmente. Isto é, os sintomas derivariam de escolhas não autênticas que, não reduzindo a ansiedade associada aos dados da existência, apareceria sob a forma de ansiedade neurótica. Portanto, os sintomas poderiam ser compreendidos como expressões parciais da forma como o indivíduo constrói o seu mundo.

 

Ou, se se quiser, o desajustamento é o resultado de uma escolha do próprio indivíduo, que experimenta uma inabilidade para contactar com o mundo e consigo mesmo, mantendo-se  bloqueado num falso projecto de ser, uma forma pouco autêntica de realizar o projecto. Por exemplo, o esforço do indivíduo neurótico para ser o que deseja afasta-o da possibilidade de ser o que é (Erthal, 1999). Isto não significa, de modo algum, que o indivíduo seja culpado pela perturbação mental que experimenta. Apenas quer dizer que a perturbação mental se relaciona compreensivelmente com as modalidades de construção do seu-mundo. Com Yalom (1980), o comportamento perturbado surge directamente associado ao fracasso na resolução dos conflitos existenciais, entendidos estes como confrontos entre o indivíduo e os dados da existência. Ou seja, são definidas modalidades de perturbação mental especificamente associadas ao medo da morte, ao medo da liberdade de escolha, ao medo do isolamento e à falta de sentido. Também Frankl (1986, 1984) e Maddi (1970), cada um por seu lado, enfatizaram que a procura de sentido seria a motivação fundamental do indivíduo e que a psicopatologia estaria associada à falta de sentido para a vida e que, nesse sentido, teria o estatuto de frustração existencial que apareceria em modalidades diferentes de comportamentos desajustados (vegetativo, niilista, aventureiro, conformista). Seja como for, a compreensão do significado da psicopatologia implica contextualizá-la na existência.

 

Os fenómenos psicopatológicos relacionam-se com estranheza e afastamento do indivíduo em relação a si próprio com evitamento de dados da existência (Cohn, 1997), associado a escolhas feitas em desacordo consigo mesmo, isto é, não autênticas. Teriam relação com o fracasso do indivíduo em relacionar-se de forma significativa com o seu mundo interno (fracasso no seu confronto com a autenticidade) conhecendo-se mal e tendo dificuldade em compreender-se (Van Deurzen-Smith, 1996). Incapaz de aceder ao seu mundo interno, o indivíduo teria dificuldades também em aceder ao mundo interno dos outros, pelo que não seriam possíveis relações significativas. Desta impossibilidade resultam sentimentos de vazio e de falta de sentido. O existente com perturbação mental experimenta frequentemente um impasse em relação a projectos e modos-de-ser: não consegue realizá-los nem consegue abandoná-los. A psicopatologia surge quando o projecto se desvia da intenção, quando a realidade da história (projecto histórico) se desvia ou afasta do projecto existencial. A história afasta-se do projecto por intermédio de vivência de contradição (interpessoal e/ou interpessoal) na sequência da qual o indivíduo escolhe afastar-se ou é afastado. A psicopatologia caracteriza-se essencialmente por uma existência limitada, tematizada e bloqueada. Limitada e aprisionada, porque afastada dos seus valores e da sua possibilidade de auto-afirmação. O indivíduo não experimenta a sua existência como uma realidade. Tematizada pelo seu passado, na medida em que o indivíduo continua a viver em função de identidade e características que já não são as presentes. Bloqueada no seu desenvolvimento, porque não consegue projectar-se no devir. Importa compreender o existente com perturbação mental a partir dos diferentes modos como a sua consciência se relaciona com o mundo, com os outros e consigo próprio ou, pelo contrário, como tenta fugir ou evitar a angústia que resulta do seu confronto com a sua liberdade e responsabilidade.

 

3. OBJECTIVOS DA PSICOTERAPIA EXISTENCIAL

 

Tendo em conta que não existe uma mas sim várias propostas de psicoterapia existencial, apenas podem delimitar-se objectivos gerais uma vez que cada proposta tem os seus objectivos específicos (Deurzen-Smith, 1996):

 

- Facilitar ao indivíduo uma atitude mais autêntica em relação a si próprio – O conceito de autenticidade assume aqui importância central. Trata-se de um processo gradual de auto-compreensão com a finalidade do sujeito vir-a-ser mais verdadeiro e coerente consigo próprio, para que possa responder às situações com sentimento de domínio e maior percepção de controlo pessoal. Para Cohn (1997), trata-se de ajudar o cliente a libertar-se das consequências perturbadoras da negação e evasão no seu confronto com os dados da existência, acedendo a uma forma de existir mais autêntica

- Promover uma abertura cada vez maior das perspectivas do indivíduo em relação a si próprio e ao mundo – Esta abertura, que consiste num trabalho focalizado na relação do indivíduo consigo mesmo, pode ser promovida através da facilitação de uma auto-avaliação das suas crenças, valores e aspirações que sirva para atingir maior clareza na exploração das suas experiências. O foco é a auto-consciência, enquanto consciência de si mesmo, em particular a auto-consciência do tempo perdido (possibilidades perdidas) e da necessidade de viver agora. O principal objectivo é proporcionar o máximo de auto-consciência para favorecer um aumento do potencial de escolha (Erthal, 1999)

- Clarificar como agir no futuro em novas direcções – Trata-se de facilitar a abertura a novas possibilidades de vir-a-ser, diferentes das desenvolvidas até aí e de acordo com o seu projecto, em relação ao qual se facilita o confronto. Pretende-se ajudar o cliente a descobrir o seu poder de auto-criação e a aceitar a liberdade de ser capaz de usar as suas próprias capacidades para existir (Erthal, 1999). O foco é a autodeterminação, enquanto poder do indivíduo de decidir o que lhe convém ser e fazer, exercendo a sua liberdade de escolha. Trata-se de facilitar a abertura à construção de novas alternativas

- Facilitar o encontro do indivíduo com o significado da sua existência – Trata-se de promover o confronto e a re-avaliação da compreensão que o indivíduo tem da vida, dos problemas que tem enfrentado e dos limites impostos ao seu estar-no-mundo. O foco é a procura de sentido que permite a auto-realização, enquanto tudo o que o indivíduo é capaz de vir-a-ser.

- Promover o confronto com e a superação da ansiedade que emerge dos dados da existência, nomeadamente da inevitabilidade da morte, da liberdade de escolha em situação, da solidão e da falta de sentido para a vida.

Em síntese, trata-se de facilitar ao indivíduo o desenvolvimento de maior autenticidade em relação a si próprio, uma maior abertura das suas perspectivas sobre si próprio e o mundo e, ainda, de ajudar a clarificar como é que poderá agir no futuro de forma mais significativa. O centro é a responsabilidade da liberdade de escolha do indivíduo. A palavra-chave é construção, uma vez que se trata de desafiar o indivíduo a ser o construtor da sua existência.

3.2. Selecção de clientes

Tendo em conta que a psicoterapia existencial não é conceptualizada como um tratamento nem como uma terapêutica da perturbação mental, nem se focaliza necessariamente no alívio dos sintomas, mas que é essencialmente um processo de confronto com as potencialidades e de mudança pessoal, os indivíduos que mais podem beneficiar são os que: -

- Apresentam um pedido de ajuda no qual já mostram a percepção de que os seus problemas são acerca do existir e não uma forma de patologia, ou que acabam por reconhecer isto ao fim dalgumas entrevistas –

- Consultam por motivos relacionados com crises pessoais e/ou psicopatologia mas conseguem relacionar o seu mal-estar com a sua trajectória existencial

-  Têm interesse genuíno em aumentarem o seu auto-conhecimento e auto-compreensão, isto é, re-situarem-se em relação a si próprios e à situação que vivem

-  Desejam ser mais autênticos, considerando mais o futuro do que o seu passado nos momentos de tomada de decisão e que querem desenvolver expressões mais significativas nas suas relações com os outros

- Desejam pensar sobre si próprios e sobre os significados que atribuem aos seus comportamentos e relações interpessoais

- Enfrentam crises pessoais, tais como luto, separações, desemprego, transição de fase do ciclo de vida, solidão e anomia

- Estão em confronto com doença física grave ou pelo menos percepcionada como ameaçadora, ou com consequências de acidentes e/ou incapacidades

- Têm facilidade em verbalizar sobre as suas experiências, ideias intenções, emoções e sentimentos

 

Em princípio, a psicoterapia existencial não beneficiará significativamente indivíduos que procuram apenas alívio de sintomas, em que o mal-estar que motiva o pedido de ajuda está exclusivamente relacionado com representações de doença, buscam dependência ou não desejam ou temem pôr-se em questão, não desejando confrontar-se com as suas contradições e possibilidades de mudança.

 

4. ENCONTRO TERAPÊUTICO

O encontro terapêutico enraíza no método fenomenológico, de tal modo que é apreensão da presença do outro “tal como” ele aparece diante do terapeuta – apreensão da presença do outro tal como ele se fenomenaliza frente ao terapeuta, sem distorsões interpretativas – pelo que é necessário estabelecer contacto (sintonizando), aceder ao seu estado de consciência (empatizando) e compreender, captando as modalidades de constituição da sua presença no mundo. O foco é a realidade do outro, isto é, a experiência que ele tem do mundo. Caracteriza-se por uma relação existencial que envolve estar-com e estar-para.

 

4.1. Características da relação existencial em terapia

A relação existencial é estar-com porque é encontro enquanto tal (Spinelli, 2003), de uma existência com outra existência, implicando uma presença sentida (estar-por-si), a reciprocidade (estar-para-o-outro), cuidado (acolher o outro na sua esfera vital), o laço emocional (eu/tu que criam um “nós”, numa reciprocidade activa para que o outro se ilumine e descubra) e convite ao diálogo autêntico, a partir das vivências ou intencionalidades significativas. A atitude fundamental é a atitude fenomenológica, de aproximação ao mundo do outro com abertura e espírito de descoberta dos significados que ele atribui (O quê? Como?), permitindo aumentar a consciência que ele tem da sua experiência (auto-consciência), compreender a importância que dá ao futuro nas suas decisões (auto-realização) e perspectivar a autenticidade em termos de agir interacções determinadas (autodeterminação) e fundadas na sua individualidade e integradas no seu projecto. A psicoterapia desenvolve-se a partir da aplicação do método fenomenológico aplicado à existência. As características principais do encontro terapêutico em psicoterapia existencial são: a coerência (comportamento mútuo de co-relação), o carácter fortuito, uma vez que o encontro pode chegar no instante de forma imprevista (acontece…), a liberdade de deixar o outro ser como é, e a abertura a novas possibilidades. Envolve também o face-a-face, porque o encontro acontece no olhar. As grandes finalidades relacionam-se com facilitar ao cliente o aceitar-se (como se é), querer-se (a si mesmo), sentir-se e escolher-se. Na entrevista clínica de avaliação inicial é necessário considerar um conjunto de focos e dinâmicas existenciais. Entre os focos salientam-se: experiência subjectiva, intencionalidade, liberdade e responsabilidade, escolhas, autenticidade e o mundo pessoal (dimensões da existência, sonhos). Entre as dinâmicas existenciais salientam-se a incorporação do passado e do futuro no presente e, também, o comprometimento para vir-a-ser.

4.2. Estilo terapêutico

O estilo terapêutico é marcado pela variabilidade adaptável às necessidades individuais, passividade/actividade, ritmo que segue as preocupações do cliente, temas considerados e explorados em diálogo e interesse por aquilo que interessa ao sujeito. As intervenções mais essenciais destinam-se a contrariar a persistência, na pessoa do cliente, em evitar o reconhecimento da sua auto-afirmação (responsabilidade) e a facilitar-lhe a identificação de alternativas pessoalmente viáveis. É possível sistematizar as estratégias de intervenção que são mais utilizadas em psicoterapia existencial (Deurzen-Smith, 1996):

 

- Utilizar a atitude fenomenológica na abordagem dos conteúdos temáticos que estão implícitos nas produções discursivas do indivíduo, dos seus valores e crenças pessoais, explorando as suas construções mais significativas sobre si próprio e o mundo (Qual a minha natureza essencial? Quais as minhas qualidades? O que é importante para mim? Quais as pessoas mais importantes para mim? O que é o mundo? É seguro ou ameaçador?).  O método fenomenológico é usado para compreender o existente tal como ele é e se escolhe

 

– Confrontar com as limitações existenciais, nomeadamente no que concerne à auto-decepção/ /frustração (ajudando a redescobrir as oportunidades e desafios esquecidos), à angústia existencial (facilitando a consciência das limitações provenientes da inevitabilidade da morte), à culpabilidade existencial, às consequências das escolhas passadas e futuras (reconhecendo limitações e possibilidades) e as contradições próprias relacionadas com sucesso/fracasso, liberdade/necessidade e certeza/dúvida

- Facilitar a exploração do mundo pessoal em relação às quatro dimensões da existência (física, psicológica, social e espiritual) para identificar prioridades e impasses, bem como eventuais preocupações em níveis particulares da existência, o que exige a facilitação de uma atitude expressiva de auto-exploração e envolvimento emocional. Inclui também a eventual exploração dos sonhos, entendidos como mensagens do sonhador para si próprio e reflectindo as várias dimensões da existência

- Facilitar a elucidação de significados, encorajando uma atitude de procura focalizada em si próprio, com abertura à auto-descoberta para se encontrar (Como se identifica a si próprio e ao mundo? O que é que lhe interessa realmente neste momento? Que conflitos encontra? Quais são os desejos? Quais são os obstáculos?).

 

Assim, as intervenções deverão facilitar as alternativas ao cliente, pelo que beneficiam de aspectos tais como: 

- Porque não? Haverá outras possibilidades?  – Encoraja a reflexão, cria uma oportunidade para a auto-exploração e pode gerar alternativas

- Poderia…? – Promove o confronto com a responsabilidade existencial e com a liberdade

- O que terá feito para criar essa situação? – Permite aumentar a consciência da autoria das suas escolhas

- O que é que isto quer dizer para si?– Solicita uma compreensão do significado dos acontecimentos para o próprio

- O que vai fazer para o futuro?– Perspectiva a possibilidade de vir-a-ser - Será que poderia fazer de outra maneira? – Proporciona a possibilidade de mudança ao desafiar o cliente a compreender como poderá fazer outras escolhas.

 

Pretende-se facilitar o confronto activo do cliente com o seu projecto, questionando a sua existência e facilitando a abertura à construção de alternativas, para que possa mudar o presente e o futuro. Esta reconstrução alternativa da experiência destina-se a proporcionar mudança e deve ter em conta que a mudança terapêutica é um processo de construção gradual que implica comprometimento com o desejo (projecto), escolha e acção. Trata-se de ajudar o outro a ser o seu nome (o “quem”), fazendo aquilo que deseja e se permite, convertendo a história na sua história e a realidade individual em realização pessoal. Procura-se activar as zonas de desenvolvimento potencial da pessoa do cliente que se integrem no seu projecto, para que ele possa cuidar de si e da situação.

 

4.3. Atitudes e qualidades profissionais e pessoais desejáveis

 

As atitudes do terapeuta permitem escrutinar o nível de consciência que o cliente tem da sua experiência e devem também facilitar-lhe tomar ainda mais consciência de si. Devem permitir também ao cliente perspectivar a sua autenticidade para agir acções determinadas e fundadas na sua individualidade, integradas no seu projecto. Entre essas atitudes clínicas destacam-se (Carvalho Teixeira, 1996):

 

- A autenticidade de apresentar-se “tal como se é”, evitando esconder-se atrás do profissionalismo, estando consciente dos seus próprios sentimentos em relação à pessoa do cliente. Implica uma atitude natural e espontânea, com vontade da ser verdadeiro para a pessoa do outro, que lhe facilite o auto-conhecimento e seja sensível e factor de confiança

- A aceitação incondicional da pessoa do cliente, sem pré-juízos nem ideias preconcebidas da originalidade do cliente, tal como se apresenta. Implica recusa de qualquer atitude avaliativa, para que venha a ser possível libertar o medo e confirmar a responsabilidade de cuidar de si e da situação. Envolve interesse positivo, respeito por todas as manifestações da personalidade do cliente, escuta acreditante, consideração pelo seu sistema explicativo e respeito pela sua capacidade potencial de vir-a-ser mais autêntico

- A compreensão empática, enquanto partilha baseada na intuição participante, uma aproximação que permitirá ressoar as referências internas do outros tal como ele as experimenta e que alternará com o distanciamento analítico que permite a distância terapêutica óptima para a compreensão da totalidade da existência do cliente.

 

No seu conjunto, as atitudes de autenticidade, aceitação incondicional e compreensão empática permitem o escrutínio do nível de consciência que o cliente tem sobre a sua experiência (para facilitar uma maior consciência de si) e, também, compreender a importância que ele confere ao futuro ou ao seu passado nas decisões pessoais. Pode questionar-se se existem qualidades desejáveis para ser terapeuta existencial. Para além dos conhecimentos teóricos e do treino profissional que são necessários, a natureza específica da psicoterapia existencial torna desejável a presença de certas características pessoais e de certa experiência de vida. Entre as características pessoais destacam-se: capacidade de auto-reflexão, atitude de procura de significados e abertura a várias perspectivas. A experiência de vida envolve diferentes experiências profissionais em diferentes contextos, experiência de crises existenciais e de conflito satisfatoriamente resolvidas e capacidade de lidar com um número muito diverso de contradições, atitudes, sentimentos, pensamentos, valores e experiências. A relação terapêutica deverá caracterizar-se por um movimento para a reciprocidade positiva, no interior de uma relação real em desenvolvimento (Cannon, 1993).

 

5. MODALIDADES DE PSICOTERAPIA EXISTENCIAL

 

Um dos aspectos difíceis para quem se inicia é o confronto com a diversidade de concepções e de propostas de intervenção existencial, dada a heterogeneidade de metodologias. Tal como Cooper (2003), distinguimos os seguintes seis modalidades principais de psicoterapia existencial, que apresentam fundamentações teóricas consistentes e objectivos coerentemente delimitados,

 

QUADRO 3 - Modalidades de psicoterapia existencial

 

MODALIDADES

AUTORES

 

Daseinanálise

L. Binswanger, M. Boss,  G. Condrau

Logoterapia

V. Frankl, J.P. Fabry, A. Tengan, P. Wong

Psicoterapia existencial-humanista norte-americana

Rollo May, J. Bugental, I. Yalom, Kirk Schneider

Psicoterapia existencial britânica

D. Laing E. Spinelli, E. Van Deurzen-Smith, H. Cohn

Psicoterapia existencial breve

F. Strasser & A. Strasser

Psicoterapia existencial sartreana

M. Villegas, T. Erthal, B. Cannon

 

 

5.1. Dasein análise

 

A Dasein análise, também designada por Análise Existencial ou Análise do Dasein foi introduzida por Binswanger e teve influência predominante da filosofia de Heidegger. A proposta inicial de Binswanger (1971) foi a de utilizar o método fenomenológico para tentar a descrição e compreensão do Dasein perturbado (que o autor chegou mesmo a designar por “Dasein psiquiátrico”), ou seja, uma análise fenomenológica das formas de existência frustrada.

 

Assim, partindo das categorias da psicopatologia, focalizou na presença perturbada (melancólica, esquizofrénica, entre outras) procurou, numa primeira fase, compreender a estrutura do Dasein perturbado em termos de alterações das categorias existenciais. O seu questionamento inicial foi o seguinte: Como é que o Dasein perturbado se projecta no mundo?Concluiu que a psicopatologia está associada ao que denominou por flexões existenciais do ser: uma tematização numa ou mais categorias (ontológicas do ser) em detrimento das outras, tornando-o unidimensional. O que é patológico é o que se afasta da estrutura apriorística do ser. Uma só categoria existencial serve de fio condutor ao projecto de mundo, o que é restritivo e limitado. Por exemplo: a corporalidade domina ou tematiza o Daseinhipocondríaco, dismorfofóbico, anoréxico e bulímico; a temporalidade domina o Dasein melancólico na detenção do tempo vivido e o Dasein esquizofrénico na atomatização da vivência do tempo, que fragmenta o vivido; a espacialidade domina o Daseinagorafóbico.

 

Presenças tematizadas (frustradas) em torno de uma categoria existencial. Numa segunda fase, Binswanger procurou a compreensão da existência perturbada em termos da abertura do ser da presença perturbada, concluindo que o Dasein perturbado é um extravio da sua realização ontológica que o tornaria opaco a si próprio, esvaziado e limitado, pelo que a psicopatologia associa-se a frustração existencial. Para Binswanger, os diferentes quadros psicopatológicos são assim entendidos como desvios ou alterações da norma ontológica, ou seja, formas de existência frustrada. A saúde mental seria caracterizada pela abertura ao mundo próprio, enquanto as diferentes perturbações mentais seriam caracterizadas pelo encerramento do Dasein, uma privação e bloqueio da relação consigo mesmo, na qual o individuo se fecha ao seu mundo. O indivíduo mentalmente perturbado seria um ser restrito e oprimido, no qual prevaleceria uma opacidade para si mesmo e uma perda da comunalidade com o mundo do outro.

 

Assim, seria ainda possível identificar as características essenciais da presença perturbada em diferentes estados psicopatológicos: presença perdida (melancolia), presença momentânea (mania), presença vazia (esquizofrenia), presença de exibição (histeria) e presença controlada (neurose obsessiva). A tematização da existência, resultante da psicopatologia, implicaria a reconstrução da experiência. Assim, o factor terapêutico seria a investigação metódica da biografia interna, onde apareceria uma nova forma de comunicação e reconstituição mental das vivências com um retorno à pluridimensionalidade do Dasein. Enquanto Bisnwanger se focalizou essencialmente na análise fenomenológica do Dasein perturbado, Boss centrou-se no método terapêutico, no qual enfatizou como finalidade principal a facilitação duma maior consciência das experiências actualmente vividas através da relação terapêutica, cuja permissividade e abertura permitiria ao cliente descobrir outras possibilidades de relação com as outras pessoas que encontra. Rejeitando o inconsciente e a transferência, Boss definiu que, utilizando o método fenomenológico, os objectivos são: ajudar a ver a forma como o paciente experimenta o seu-mundo, identificar as suas escolhas, promover a abertura completa em relação a si próprio e mobilizar as suas capacidades e potencialidades. Comporta a análise dos sonhos, que poderiam revelar a abertura do ser ao mundo e, portanto, devem ser analisados a partir das suas analogias com a vida de quem sonha. Entre outros aspectos, a Daseinanálise tem sido criticada por estar excessivamente centrada nas categorias psicopatológicas e por, apesar de propôr um método terapêutico, não utilizar uma técnica específica para promover a mudança individual. Neste último aspecto não está sozinha. Partilha a crítica com outras modalidades de psicoterapia existencial. Por outro lado, ao centrar-se numa estrutura apriorística do ser, saiu da relação sujeito-objecto e, portanto, saiu da dimensão psicológica para trabalhar apenas com o sujeito transcendental.

 

5.2. Logoterapia

 

Para Frankl (1986, 1984) a motivação fundamental da existência seria a procura de significado, único e específico da existência individual, sendo que a falta de significado conduziria à frustração existencial e esta, por sua vez, à neurose. Frankl qualificou a neurose como noogénica, para evidenciar a sua relação com a dimensão existencial. Elegendo a procura de significado como central na existência individual, a proposta de Logoterapia é a de facilitar ao cliente a procura do significado (logos) e propósito da sua vida, procurando superar o vazio e o desespero. Influenciado essencialmente pela filosofia dos valores de Max Scheler e pela psicanálise de Freud, Frankl foi também influenciado pelo pensamento religioso – o ser humano deve viver de acordo com valores e tem um núcleo de espiritualidade e uma tarefa específica na sua vida; o sofrimento, a culpa e a ansiedade podem algum ter papel positivo – e pela sua própria experiência como prisioneiro dos nazis num campo de concentração, no qual encontrou suporte para a ideia de que, mesmo nas circunstâncias mais adversas, o ser humano pode escolher o modo de se confrontar com essas circunstâncias. O método da logoterapia tem por finalidade ajudar os indivíduos que sofrem ou não de neuroses noogénicas a redescobrirem o significado e propósito das suas vidas, em situações em que o sofrimento seja induzido por factores externos ou por factores internos, uma vez que Frankl defendeu que o espírito humano é a capacidade para transcender e desafiar as experiências corporais (por exemplo, as experiências dolorosas mas também as experiências psicológicas (normais e perturbadas). Assim, assume importância a procura de significado para o próprio sofrimento psicológico. Trata-se, portanto, de ajudar a descobrir o significado da experiência – “O que é que eu posso fazer com esta situação? Em que é que esta situação me desafia?” – fundamentalmente a partir de valores atitudinais, que podem ser actualizados através da mudança da atitude individual em relação à situação. Para atingir as suas finalidades, a logoterapia tem proposto várias técnicas de intervenção, nomeadamente:

 

- Apelo– Intervenção mais directiva que consiste em recordar que cada situação de vida tem um significado e/ou que o cliente tem sempre a possibilidade de mudar a sua atitude em relação ao sofrimento

- Diálogo socrático – Tal como utilizado pela terapia racional-emotiva, consiste em colocar questões de tal maneira ao cliente que este se torna cada vez mais consciente das suas decisões pré-reflexivas, das suas esperanças reprimidas e do seu conhecimento até aí não admitido por ele

- Fast-forwarding – Consiste em encorajar o cliente a imaginar o tipo de cenários que seriam consequências desta ou daquela escolha que ele possa fazer e questionar-se sobre os significados daí decorrentes para a sua vida

- Intervenção paradoxal– Trata-se de encorajar o cliente a deixar de lutar contra as suas dificuldades e a evocar desejos ou intenções fortes mesmo que sejam muito embaraçosas ou aterrorizadores para ele. Ou seja, o cliente é solicitado a desejar aquilo de que tem medo. Esta técnica pode ser facilitada com algum humor que ajude o cliente a distanciar-se das suas dificuldades e, no final, encará-las de uma outra forma

- De-reflexão – partindo do pressuposto que em certas perturbações os indivíduos estariam demasiado centrados em si próprios (estado de hiperreflexão) ao ponto de escotomizarem a sua orientação para o exterior, Frankl introduziu a técnica de de-reflexão que consiste em encorajar o cliente a ignorar os seus sintomas e a orientar a sua atenção para o mundo externo.

 

Mais recentemente, Wong (1998), propôs uma integração da logoterapia com terapia cognitivo-comportamental (aconselhamento centrado nos significados) e sistematizou como objectivos terapêuticos para ajudar o cliente a descobrir novos significados para o seu passado, presente e futuro: propósito da sua vida, compreensão de si próprio, modos de viver e de se relacionar e os seus papéis sociais. O foco do trabalho terapêutico, que procura clarificar significados passados, presentes e futuros, pode incluir as distorções cognitivas, dificuldades de aprendizagem, regulação afectiva, dificuldades relacionais, confronto com problemas e potencialidades, dificuldades de identidade, significação e projecção ao futuro, bem como as tarefas do crescimento, os desafios do fracasso (doença, morte) e os obstáculos internos ao significado.

 

5.3. Psicoterapia existencial-humanista norte-americana

 

O desenvolvimento da psicoterapia existencial nos Estados Unidos da América foi iniciado em 1958 quando Rollo May (1909-1994) publicou o livro Existence: A New Dimension in Psychiatry and Psychology, tendo Bugental (1981, 1978), Yalom (2001, 1980) e, mais recentemente, Kirk Schneider (1999) como representantes principais. Esse desenvolvimento assentou em influência múltiplas: filosofias existenciais de Tillich, Kierkegaard, Nietzsche e pragamatismo de William James; movimento da psicologia humanista, nomeadamente Carl Rogers e a A. Maslow; psicanálise, sobretudo através de Adler, Otto Rank, E. Fromm e F. Fromm-Reichman. Centrada no mundo próprio individual, o mundo das experiências subjectivas individuais, a psicoterapia existencial-humanista norte-americana tem enfatizado os seguintes aspectos essenciais:

 

-  A consciência da realidade da existência é que conduz à ansiedade . A ansiedade aparece a partir da consciência da realidade duma existência incerta livre e sem sentido e não os impulsos sexuais e agressivos, mas aceitando que o problema é inconsciente e que a ansiedade conduz  a mecanismos de defesa que servem para negar ou distorcer aquela realidade. As estratégias defensivas que são usadas para proteger contra a ansiedade existencial poderiam conduzir a ansiedade neurótica

-  A finalidade principal da intervenção terapêutica é ajudar o cliente a identificar e superar as suas resistências ou modos de evitamento da ansiedade existencial.  A proposta terapêutica passa por ajudar o cliente a identificar as suas auto-decepções, facilitar o encontro com a sua ansiedade existencial através de uma atitude de compromisso e resolução e voltar a relacionar-se com o seu potencial de crescimento

- O confronto com a existência implica a tomada de consciência do mundo próprio da experiência subjectiva– A intervenção terapêutica implica a facilitação no cliente duma consciencialização das suas experiências  

   actuais, a partir de uma focalização nas preocupações principais e num processo de associações livres em torno dessas preocupações. A finalidade é colocar o cliente cada vez em maior relação com a sua realidade

   subjectiva interna. O papel do terapeuta consiste aqui em identificar quando o cliente resiste a esse processo e confrontá-lo com isso

- A autenticidade existencial define-se na relação consigo próprio mas também  com as relações interpessoais – É dada ênfase à importância da presença interpessoal para a autenticidade, pelo que uma das finalidades principais da intervenção terapêutica é tornar o cliente mais autêntico nas  relações com os outros. Assim, Bugental e Yalom consideram mesmo que é importante questionar o cliente a consciencializar o que experimenta no encontro terapêutico no confronto com a presença do terapeuta

- A experiência de confronto com os dados da existência é a fonte da ansiedade – A compreensão do funcionamento mental (normal e patológico) assenta na forma como o indivíduo se confronta com a ansiedade que emerge da experiência de confronto com os dados da existência. Para Yalom são a morte, a liberdade, a solidão e a falta de sentido. Para Bugental são a finitude, capacidade potencial para agir, a escolha, a corporalidade e o isolamento.

 

Mais recentemente, Kirk Schneider (1999) introduziu o conceito de polaridade constritiva/ /expansiva da realidade, que seria aplicável à experiência. Considerou que a saúde mental se caracterizaria pela capacidade de se movimentar com abertura e flexibilidade ao longo desse continuum e que a psicopatologia seria caracterizada por uma tendência do indivíduo para se situar nos extremos dessa polaridade. Assim, seria possível diferenciar entre disfunções hiper-constritivas (depressão, agorafobia, dependência) hiper-expansivas (impulsividade, mania, claustrofobia) e hiperconstritivas/expansivas (perturbação bipolar e esquizofrenia). As críticas principais que têm sido apontadas à psicoterapia existencial-humanista norte-americana têm-se relacionado com a sua dependência excessiva dos processos inconscientes (nomeadamente as resistências), com a sua focalização predominante na experiência subjectiva individual em detrimento da inter-subjectiva e com a importância, também excessiva, que é dada ao desenvolvimento da autenticidade quase como se fosse uma forma superior de ser

 

5.4. Psicoterapia existencial de Ronald Laing

 

Influenciado pelo pensamento filosófico de Kirkegaard, Nietzsche, Heidegger, Jaspers, Husserl e Sartre, bem como pela psicanálise e pelo marxismo, pela psiquiatria interpessoal de Harry Stack Sullivan e estudos da comunicação de Gregory Bateson e da escola de Palo Alto (Califórnia), Ronald Laing (1927-1989) centrou a sua investigação na psicopatologia, em particular na esquizofrenia, procurando o seu significado. Destacou essencialmente a importância da insegurança ontológica e do contexto social da perturbação mental. Introduziu o conceito de insegurança ontológica para designar o sentimento fundamental dos indivíduos com patologia esquizofrénica caracterizado por uma diminuição do sentimento de identidade e de realidade acompanhada pelo medo da aniquilação. Este, poderia incluir três medos específicos: o medo do engolfamento ou de que a sua autonomia seja submetida a outros; o medo da implosão ou de ser esmagado pelo mundo externo e o medo da petrificação ou de se tornar num objecto inanimado. A insegurança ontológica poderia conduzir à esquizofrenia na medida em que o indivíduo tentaria proteger-se dividindo o self em dois: retiraria a sua verdadeiro self do seu corpo e permaneceria retirado num local privado da mente (o delírio) no qual tem esperança de estar defendido contra a aniquilação. Desta forma, tornar-se-ia cada vez menos capaz de experimentar relações reais com os outros. Refugiando-se no delírio procuraria ainda recuperar a segurança ontológica.

 

A perturbação esquizofrénica não poderia ser compreendida apenas em termos de disfuncionamentos intra-psíquicos, mas sim como uma estratégia que o indivíduo desenvolveria para sobreviver a determinadas situações do contexto social. Em particular, enfatizou a importância das fantasias familiares que podem invalidar os sentimentos e as percepções do indivíduo, bem como da comunicação em duplo vínculo (double bind) no contexto família, podendo conduzir ao que denominou por posição insustentável em relação à qual a única saída poderia ser a psicose, uma espécie de tentativa de se manter saudável num mundo doente: fechando aos canais de comunicação (retirada autista), escolhendo ao acaso (desorganização hebefrénica) ou construindo novos significados (delírio paranóide). Do ponto de vista da intervenção, a proposta terapêutica de Laing baseia-se na escuta que permite ao cliente articular e relacionar as suas experiências, mas de forma não invasiva nem intrusiva para facilitar a sua auto-recuperação e reintegração. No seu conjunto preconizou um encontro autêntico (sem máscaras) e designou esse percurso por metanóia. A finalidade seria a de restabelecer a capacidade do cliente se relacionar com os outros e com a possibilidade de se encontrar com as suas necessidades existenciais: amor, segurança ontológica, liberdade, auto-descoberta, afirmação pelos outros e capacidade de relacionamento. Do ponto de vista crítico tem sido apontado o facto da perspectiva da Laing não ter superado os modelos de doença e de cura, ter conceptualizado o selfcomo se fosse algo com existência concreta e localizada, bem como ter atribuído um significado exclusivo ao que chamou insegurança ontológica, ligando-a especificamente à esquizofrenia quando, na realidade, pode ser experimentada mais generalizadamente como ansiedade existencial.

 

5.5. Psicoterapia existencial britânica

 

A análise existencial e psicoterapia desenvolvida na Grã-Bretanha teve influências das filosofias de Heidegger, Kierkeggard, Nietzsche, Sartre, Jaspers, Buber e Merleau-Ponty, mas também da filosofia de Husserl, com alguma proximidade em relação à Daseinanálise e tendo também influências significativas das concepções de Laing. Rejeitando o individualismo, o subjectivismo e o modelo médico da saúde mental, esta corrente tem como representantes principais Van Deurzen-Smith, Spinelli, DuPlock e Cohn e, mais recentemente, Wolf, Milton e Madison. Como característica essencial refira-se a recusa da patologização e a grande importância de compreensão do mundo próprio do cliente e dos seus problemas com o viver. Van Deurzen-Smith (2002, 1997) centra a sua abordagem na superação dos desafios e vicissitudes da existência, pelo que definiu que a finalidade principal da intervenção terapêutica é ajudar o cliente a confrontar-se com os desafios da vida quotidiana, muito mais do que com os dados da existência. O questionamento central é: Como é que eu posso viver uma vida melhor?

 

O ponto de partida é a ideia de que a ansiedade existencial é inevitável, dadas as imperfeições, tensões, dilemas, paradoxos e desafios do viver. Confrontando-se com a ansiedade, o indivíduo tentaria reduzi-la fantasiando a existência de um mundo perfeito, sem problemas, mostrando-se relutante em confrontar-se com a realidade da sua vida. Seria uma atitude de auto-decepção que proporcionaria uma segurança temporária, mas que ao mesmo tempo seria uma forma de se distanciar da realidade. No confronto crucial com a situação de crise pessoal, o indivíduo pode escolher confrontar-se resolutamente com os problemas ou, então, afastar-se ainda mais da realidade, o que acabaria por conduzir a situações vividas com desespero. Do seu ponto de vista, o indivíduo em sofrimento psicológico não estaria doente. Pelo contrário, teria desenvolvido uma filosofia de vida enganadora que conduz à autodestruição. Assim, a grande finalidade da intervenção terapêutica é ajudar o cliente a confrontar-se com a realidade da sua situação e deixar atitudes de auto-decepção, envolvendo-se criativamente com problemas da vida. O que é proposto é uma atitude de encorajamento ao confronto com as tensões e dilemas e à descoberta de modos de superação desses desafios. Os objectivos são:

 

- Ajudar a retomar o controlo sobre a sua própria vida, com sentimento de mestria

- Facilitar uma compreensão de si próprio com mais capacidades e poder do que as anteriormente auto-percepcionadas

- Substituir percepções de ameaça por percepções de desafio

- Experimentar os seus diferentes e mais flexíveis modos de ser e responder o mais construtivamente possível aos desafios da existência, redescobrindo o entusiasmo e o comprometimento

- Superar o medo de viver e descobrir como a vida pode ser vivida de forma mais satisfatória e feliz.

 

A proposta de Van Deurzen-Smith (1998, 1997) tem impregnação filosófica marcada e, em última análise, pretende ajudar o cliente a identificar os seus valores mais essenciais: o que realmente importa para ele. Assim, centra-se em grande parte na dimensão espiritual dos valores e significados, passo considerado indispensável para que possa considerar melhor a sua projecção ao futuro.

Esta proposta é operacionalizada através de uma abordagem descritiva da experiência vivida actual, dos modos de relação com o seu-mundo em quatro dimensões: física, social, pessoal e espiritual. Nestas quatro dimensões o cliente é encorajado a explorar os dilemas e paradoxos com que se confronta.

 

Spinelli (2003, 1994, 1989) representa a corrente inspirada predominante pela fenomenologia de Husserl, interessada numa perspectiva descritiva, com grande ênfase na atitude de abertura ao ser e à qualidade da relação do terapeuta com o cliente. Acentuou no método fenomenológico aplicado à entrevista a importância da époché(“pôr o mundo entre parêntesis”), da descrição (do vivido) e da equalização (evitamento da hierarquização dos fenómenos observados). Mais especificamente, chamou a atenção para:

 

- A distinção entre o modo com o indivíduo desenvolve a estrutura do self e a actualidade das experiências vividas, e a sua tendência para se dissociar daquelas experiências que não são vividas como concordantes com aquela estrutura, procurando então atribuições externas. A estrutura do self não é conceptualizada como uma entidade independente, mas sim construída e mantida na relação com os outros

- O facto das recordações do passado serem interpretações construídas a partir da forma com o indivíduo se vê no presente e se antecipa em relação ao futuro.  Desta forma, o relato de acontecimentos passados pode ter interesse para compreender quais são as características da estrutura do self e o que projecta para o seu futuro

- A necessidade de respeitar e aceitar a existência do cliente tal como é vivida. Em consequência, a finalidade da intervenção terapêutica não é no sentido do que deveria ser mas sim é o encorajamento à mudança ou adoptar um modo mais existencial de viver, reflectindo e clarificando a sua experiência de estar-no-mundo

- A importância da atitude terapêutica do estar-com e estar-para.  Isto significa estar com a experiência vivida pelo cliente, no sentido fenomenológico da sua compreensão tal como é vivida, pelo que se procura facilitar-lhe uma exploração dos seus valores, significados, interpretações, sentimentos e crenças. Em particular, é dada grande importância às interpretações do cliente acerca de si próprio, acerca daquilo que ele acha que é, de forma a compreender como é que certos comportamentos estão relacionados com a estrutura do self e como é que poderia encontrar modalidades alternativas de se representar a si e ao seu-mundo.

 

Hans Cohn (1997) representou a corrente inspirada predominantemente pelo pensamento de Heidegger, defendendo que as dificuldades psicológicas seriam experimentadas quando o individuo tenta lutar contra os dados da existência – estar-no-mundo, estar-com-os-outros; mortalidade, inevitabilidade da escolha, corporalidade, espacialidade, temporalidade, humor e sexualidade – não relacionando essas dificuldades com ansiedades existenciais específicas.

 

5.6. Psicoterapia existencial breve

 

Têm sido propostas diferentes abordagens breves em psicoterapia existencial, nomeadamente por Bugental (1995) e Strasser e Strasser (1997).

 

5.6.1. Psicoterapia existencial-humanista breve

A proposta de Bugental de psicoterapia existencial-humanista breve envolve uma intervenção por fases sequenciais, cada uma das quais ocupando uma sessão ou mais consoante os casos. Trata-se de uma versão curta da sua proposta de terapia existencial de longa duração, considerando esta última mais eficaz. O modelo breve desenvolve-se nas seguintes fases: avaliação, identificação da preocupação, consciencialização das experiências subjectivas, identificação de resistências, trabalho terapêutico focalizado e terminação. Admite-se a possibilidade de realizar novas séries de terapia breve.

 

5.6.2. Psicoterapia existencial limitada no tempo

 

Strasser e Strasser (1997) enfatizaram as vantagens que, a seu ver, podem ter os modelos breves: uma intervenção limitada no tempo é mais concordante com a natureza também finita da existência humana; impulsiona mais facilmente para a mudança, uma vez que a permanente recordação da terminação da terapia intensiva o comprometimento no processo terapêutico. Diferem de Bugental uma vez que não procuram focalizar numa preocupação específica nem num conjunto de objectivos, embora estipulem um conjunto de doze sessões, seguidas por duas sessões de follow-up de seis em seis semanas. A abordagem está estruturada em torno de duas rodas da existência (existencial wheels), que são representações esquemáticas sob a forma de roda que os autores consideram acelerar o processo terapêutico:

 

- A primeira é uma representação dos dados da existência – Incerteza, relações interpessoais, tempo e temporalidade, criação de padrões de valores e comportamentos, criação de sedimentações de valores e comportamentos, polaridades, quatro dimensões da existência (física, social, psicológica e espiritual), auto-conceito e auto-estima, ansiedade existencial e liberdade de escolha

- A segunda é uma representação dos métodos e skills que o terapeuta pode usar para cada uma das possibilidades e limitações do estar-no-mundo– Estabelecer o contrato, método fenomenológico e investigação das relações interpessoais, estabelecer a percepção do tempo e o momento (timing) das intervenções, identificar o sistema de valores e as polaridades, desafiar sedimentações rígidas, identificar polaridades e paradoxos, explorar os quatro mundos, identificar o auto-conceito e auto-estima, desafiar interpretações distorcidas sobre a ansiedade, identificar escolhas e significados.

 

A primeira roda serve para, num primeiro momento, identificar o tipo de problemas que o cliente coloca, bem como os que não coloca, permitindo ao terapeuta compreender o cliente de uma forma ampla. A segunda roda contém estratégias para ajudar o terapeuta a facilitar o percurso do cliente no processo terapêutico, quer tornando-se mais consciente de aspectos particulares da sua existência, quer desafiando algumas das suas concepções do mundo.

 

5.7. Psicoterapia existencial sartreana

 

A Análise da Existência, que é uma análise do existente com preocupação primordial com a sua existência concreta (o seu-mundo), parte do pressuposto que a existência é um projecto que tem estrutura narrativa. Foi predominantemente influenciada pela filosofia de J. P. Sartre, em especial por aquilo a que o autor chamou “psicanálise existencial”, na qual a proposta é a de compreender o existente a partir dos diferentes modos como a consciência se relaciona com o mundo, com os outros e consigo mesmo, e como tenta evitar a angústia que se associa ao confronto com a sua liberdade e a sua responsabilidade (Rodriguez, 2001). O Homem é aquilo que se projecta ser e não existe antes desse projecto. Assim, a análise da existência toma por objecto a análise do projecto existencialenquanto chave organizadora da existência, continuidade compreensível (coerência) de vivências passadas, presentes e futuras que está presente no discurso e que envolve construções pessoais duradouras e significativas dos sentimentos, compromissos e auto-realização, bem como as escolhas que faz de si mesmo em situação. Assim, a finalidade é identificar as escolhas que o indivíduo faz para se tornar pessoa, ou seja, o seu projecto originário, matriz dos demais projectos e determinante das acções concretas. O ponto de partida não é a psicopatologia mas sim a existência concreta do indivíduo. A finalidade é analisar a existência como expressão dum projecto concreto para que, ao promover o seu questionamento, o indivíduo possa compreender-se e a mudança seja possível. O questionamento central é: Como é que eu me escolho e me projecto? Pretende-se que o projecto que emerge da análise do passado e do presente seja assumido e enfrentado e, se necessário, seja modificado no sentido da auto-realização e da autonomia. Villegas (1991) defendeu que é essencial delimitar bem o método e a técnica. O método proposto é a hermenêutica do discurso, sendo este o lugar de construção do seu-mundo, onde reside o significado, a intencionalidade que unifica as dimensões afectiva, cognitiva e comportamental/relacional da experiência psicológica. O método hermenêutico (compreensivo) toma por objecto a forma como o indivíduo constitui a relação com o mundo, sendo o projecto o que dá o sentido. Os fenómenos psicológicos estão em coerência com o projecto.

 

Não se trata de conhecer o mundo projectado mas sim de ter acesso ao como é que o indivíduo se projecta no mundo, com unidade, coerência e continuidade, condicionado pela facticidade mas gerindo a sua liberdade de escolha de várias possibilidades. Ou seja, trata-se de determinar o projecto originário, matriz dos demais projectos (Erthal, 1994).  A técnica envolve a análise semântica de textos de auto-descrição, com a finalidade de identificar os significados. Assim, é uma análise textual da redundância (conteúdos) e da coerência (relações estruturais). A finalidade última é a descoberta das intencionalidades significativas e a identificação da coerência global, que é homóloga do projecto. Permite identificar e fornecer ao indivíduo significados e colocá-lo em confronto com a maneira como estrutura o seu-mundo. Permite-lhe questionar a sua existência e re-situar-se. Escolher outras possibilidades. Introduzir mudança no presente e no futuro, pondo-se mais de acordo consigo próprio, mais próximo do seu projecto. O objectivo da psicoterapia é facilitar ao indivíduo o encontro com formas de se tornar mais coerente com o seu projecto ou, então, questionar e reformular o seu projecto. Assim podemos dizer que, a partir desta perspectiva de análise da existência, a intervenção psicoterapêutica envolve uma dimensão analítica e uma dimensão terapêutica.

 

5.7.1. Dimensão analítica

 

A finalidade é descobrir as estruturas ontológicas da existência que se manifestam na experiência, o que envolve três fases sucessivas (Cannon, 1993): explorar a estrutura ontológica do projecto fundamental (escolha original do ser), compreender as dificuldades actuais do indivíduo nas suas relações com as experiências passadas que suportaram a escolha do seu modo de ser-no-mundo e, ao mesmo tempo, dos significados futuros, facilitando-lhe o questionamento do seu projecto e, se necessário, facilitando novas escolhas, que lhe permitam projectar-se num futuro diferente mas escolhido por ele.  É a análise da existência que toma por objecto o projecto existencial do sujeito, isto é, a existência enquanto projecto que tem estrutura narrativa e que é continuidade compreensível das vivências passadas, presentes e futuras. Tem-se em conta que o ser não é analisável, porque abstracto. O que é analisável é o seu-mundo, isto é, o existente. Assim, o ponto de partida não são as categorias da psicopatologia nem as categorias transcendentes do Dasein, mas sim o mundo da experiência (Lebenswelt), ou seja, a estrutura das vivências individuais que têm continuidade compreensível, intencionalidade (que unifica as dimensões afectiva, cognitiva e comportamental) e forma narrativa.

 

A análise da existência é a análise dessa continuidade compreensível na dialéctica Eu/Mundo que é o projecto. Centra-se na totalidade unificada da existência, que se exprime numa estrutura do mundo ou sistema de constructos pessoais, produto da constante reconstrução da experiência passada a partir do presente e projectada para a antecipação do futuro. A análise da existência é um regresso à história (movimento analítico-regressivo) para facilitar a compreensão do estar-no-mundo, isto é, como é que o problema actual faz parte da pessoa e qual foi a escolha que fez de si próprio (projecto). A elucidação do projecto permitirá re-descobrir o presente (movimento progressivo-sintético) e compreender os significados pessoais. Neste âmbito assumem importância particular (Cannon, 1993):

 

- A reconstrução do passado para interpretar o presente e o futuro em função da escolha de um projecto fundamental (existencial), uma vez que o projecto existencial e a acção individual livre (praxis) estão no centro   das relações com os outros; neste particular, importa identificar as condições que se relacionaram mesmo com a escolha do projecto mas também como é que o indivíduo procura desenvolvê-lo no futuro

- A relação do projecto com a temporalidade (passado, presente e futuro), mas também com a espacialidade em termos de proximidade ou distanciamento dos outros

- A focalização sobre a experiência pré-reflexiva para descobrir as estruturas da má fé, isto é, para saber como é que as escolhas pré-reflexivas poderão ter sido deformadas reflexivamente - O acesso ao mundo individual e concreto que se mostra na experiência, promovendo uma reflexão sobre si próprio que permita ao cliente compreender como se relaciona com os objectos do mundo (ser-em-si), como se relaciona com os outros (ser-para-o-outro) e como se relaciona consigo próprio (ser-para-si).

 

O objectivo é, assim, a elucidação do significado (intencionalidade), aumentando a auto-consciência para facilitar a possibilidade de escolha, ajudando a aceitar os riscos e responsabilidade das decisões próprias, aceitando a sua liberdade e sendo capaz de gerir as suas próprias possibilidades de existir. A metodologia é uma hermenêutica do discurso, uma vez que se entende que este é a representação mental das vivências pessoais, o lugar da construção do mundo do sujeito que pode ser estudada por uma técnica de análise semântica textual de textos de auto-descrição e auto-biográficos (Quadro 4).

 

A análise da existência exige uma técnica que permita reler a existência como um texto que projecta a pessoa, considerando que o seu projecto existencial manifesta-se nas várias modalidades fenoménicas (linguagem, emoções, comportamento, entre outras). Assim, Villegas (1990) propôs a análise semântica textual baseada em critérios existenciais como a técnica que permitiria remeter para um discurso, projecto de possibilidades. A análise semântica centra-se na redundância (conteúdos) e na coerência (relações estruturais) e destina-se a responder ao questionamento central: Como é que este Homem constrói o seu-mundo?Se existirem perturbações mentais, elas não interessam aqui como categorias nosológicas mas sim como formas de compreender as estratégias que o indivíduo usa para resolver o problema de ser. A análise da existência é, assim, uma análise do projecto existencial (a existência enquanto projecto que tem estrutura narrativa), tem por objectivo a elucidação do significado (intencionalidade), o seu método é a hermenêutica do discurso, usando a análise semântica de textos de auto-descrição como técnica. A finalidade última é aqui colocar a pessoa em contacto com o seu projecto, facilitando-lhe a autenticidade.

 

QUADRO 4 -  Características da análise da existência segundo Villegas

 

 

    ANÁLISE DA EXISTÊNCIA

 

Objecto

        Projecto existencial

Objectivo

       Elucidar o significado

Metodologia

  Hermenêutica do discurso

Técnica

   Análise semântica textual

 

5.7.2. Dimensão Terapêutica

 

Como foi referido por Martín-Santos (1964), a análise existencial poderia ser considerada num sentido mais de conhecimento (compreensão) e num sentido mais dinâmico e modificador. A análise da existência fornece a chave para a dimensão da compreensão ou interpretação, isto é, coloca o indivíduo em contacto com o seu projecto (como se escolheu). Contudo, a psicoterapia relaciona-se com uma dimensão de mudança e transformação, que supõe a dimensão analítica mas ultrapassa-a largamente para:

 

- Considerar mais o futuro do que o passado nos momentos de tomada de decisão

- Desenvolver as expressões significativas que proporcionam as escolhas, nomeadamente ao nível da simbolização (palavras) e da imaginação (exploração interior)

- Desenvolver mais livremente interacções determinadas e apoiadas na sua individualidade, relacionando-se mais profundamente consigo próprio

- Abrir-se a novos modos de ser e de agir, mais autênticos e concordantes com o projecto

 

A relação de ajuda que poderá facilitar a mudança é a que ajude o cliente a (re)encontrar a sua liberdade ontológica (condição humana) e uma maior liberdade prática (Cannon, 1993), comprometendo-se num processo mais autêntico de criação de si próprio no seu contexto social. 

 

É assim que Villegas (1981) considera que a análise do passado e do comportamento como expressão dum projecto fundamental permite enfrentar directamente esse projecto para modificá-lo, o que só é possível em relação ao futuro e como integração, assumido e compreendido numa nova dimensão. O passado não pode ser mudado mas pode ser assumido. O presente e o futuro são os tempos de mudança, expansão e realização. A dimensão terapêutica centra-se na restauração da liberdade que permita uma reconstrução alternativa da experiência.

 

5.8. Diferentes métodos, diferentes posicionamentos e novos desafios

 

Como é possível verificar, dentro das propostas de psicoterapia existencial existe uma diversidade de concepções, que acaba por caracterizar esta área de intervenção terapêutica por uma grande heterogeneidade de possibilidades. Neste aspecto, interessa saber que os diferentes autores e propostas terapêuticas podem posicionar-se de forma diversa em relação a diferentes dimensões (Cooper, 2003):

 

- Influências fenomenológica/existencial – A influência fenomenológica é mais notória em Spinelli (centração na experiência vivida) e a existencial na logoterapia de Frankl (procura de significado) e na análise da existência (questionamento do projecto). Numa posição intermédia ficam a Daseinanálise, a psicoterapia existencial-humanista norte americana e as concepções de Van Deurzen-Smith e de Laing

- Directividade/não directividade– A directividade é mais notória na logoterapia de Frankl e a não-directividade na psicoterapia existencial britânica. Numa posição intermédia ficam a Daseinanálise, a psicoterapia existencial-humanista norte-americana, a terapia existencial de Laing e a análise da existência. A directividade é uma tendência mais marcada nas perspectivas que associam o mal-estar e as crises existenciais ao evitamento do confronto com os dados da existência

- Metodologias descritivas/compreensivas – A metodologia descritiva é a mais notória na psicoterapia existencial britânica e a compreensiva na análise da existência. Numa posição intermédia situam-se a Daseinanálise, a psicoterapia existencial-humanista norte americana e a psicoterapia existencial de Laing

- Abordagem psicológica/filosófica – A abordagem é mais psicológica na análise da existência, na psicoterapia existencial-humanista norte- americana e na psicoterapia existencial de Laing e mais filosófica na análise existencial proposta por Van Deurzen-Smith. Numa posição intermédia situam-se a Daseinanálise e a logoterapia. Em geral, as abordagens mais psicológicas são mais focalizadas nas emoções, com excepção da a análise da existência que se centra nos significados, enquanto as abordagens mais filosóficas são mais centradas nos significados e valores

- Centração pessoal/transpessoal– Uma centração individual encontra-se mais na Daseinanálise, análise da existência, psicoterapia existencial-humanista norte-americana e psicoterapia existencial de Laing; as concepções de Van Deurzen-Smith são mais transpessoais, sendo que a logoterapia ocupa posição intermédia

- Centração na psicopatologia – A centração na psicopatologia é mais notória na Daseinanálise e na logoterapia e menos notória na análise existencial britânica. A psicoterapia existencial-humanista norte americana, a psicoterapia existencial de Laing e a análise da existência ocupam posição intermédia

- Centração na subjectividade/inter-subjectividade – Uma centração na subjectividade encontra-se mais na psicoterapia existencial-humanista norte-americana e na psicoterapia existencial de Laing, enquanto a centração na intersubjectividade é mais notória na análise existencial britânica e na logoterapia. A análise da existência e a Daseinanálise ocupam posição intermédia

- Espontaneidade/uso de técnicas– A espontaneidade é mais evidente na análise existencial britânica e na psicoterapia existencial de Laing, enquanto o uso de técnicas é mais notório na logoterapia e na análise da existência. A Daseinanálise e a psicoterapia existencial-humanista norte-americana situam-se numa posição intermédia.

 

Finalmente, é importante identificar quais os desafios principais que a psicoterapia existencial enfrenta no nosso tempo. Assim, é possível identificar os seguintes desafios:

- Necessidade de demonstrar a eficácia terapêutica

- Atender a exigências profissionais

- Contextualizar a intervenção terapêutica em termos sociais e culturais

- Assegurar a qualidade do serviço prestado aos utilizadores (clientes).

 

A psicoterapia existencial compartilha actualmente com outras modalidades de psicoterapia a necessidade de demonstrar a sua eficácia terapêutica. A questão central é “como” demonstrar a eficácia terapêutica: com resultados baseados na evidência ou com resultados baseados na experiência? Dada a natureza específica da psicoterapia existencial parece desejável contribuir para ultrapassar o distanciamento tradicional entre a investigação e a prática, nomeadamente desenvolvendo investigação empírica com metodologias qualitativas que procurem identificar as chamadas mudanças clínicas significativas e compreender como aparecem e com que factores do processo psicoterapêutico se relacionam. Atender a exigências profissionais é imperioso, sobretudo na área da formação de psicoterapeutas existenciais, quer no plano do desenvolvimento de competências quer na observância da ética profissional.

 

Assim, será desejável adoptar as recomendações da Associação Europeia de Psicoterapia, para assegurar padrões de qualidade em termos de formação, treino e supervisão. Importa cada vez mais situar a existência individual no contexto familiar e social e integrar as novas realidades decorrentes das mudanças sociais aceleradas que conduziram à fragmentação da vida social, a novas desigualdades sociais, ao predomínio da racionalização da existência, à inovação tecnológica, ao predomínio de uma cultura do efémero e da superficialidade e à generalização das relações de exterioridade com desvalorização do envolvimento emocional nas relações interpessoais e ao desaparecimento da família como fonte tradicional de suporte. Importa ter em conta também o aumento da longevidade, o aumento da sobrevivência com doenças crónicas, a tendência crescente para a medicalização do stress, a pressão para o consumo de medicamentos psicotropos face a qualquer problema e a insegurança laboral, com precaridade dos vínculos, grande mobilidade e aumento do desemprego. Ao mesmo tempo, importa cada vez mais contrabalançar pressupostos filosóficos excessivamente centrados na ideologia individualista com a consideração que parte significativa do mal-estar e das crises existenciais associam-se à presença de estruturas de alienação e de opressão, exploração, desigualdades, discriminação, pobreza, desemprego e violência; ou seja, compreender as condições históricas e sociais da subjectividade (Gomez-Muller, 2004) ou, se se quiser, compreender o biográfico no seu contexto sócio-material (Cannon, 1993).

 

A psicoterapia existencial, se estiver excessivamente centrada no chamado “mundo interno”, pode não assumir valores de justiça, defesa dos direitos dos clientes e de solidariedade. Pode não ajudar a lutar contra as injustiças e desigualdades associadas ao sofrimento. Convém recordar que a psicologia existencial considera o Eu indissociável da situação: o Eu existe em situação e a situação faz parte do Eu. É o estar-no-mundo. Ora, a subjectividade individual é uma síntese de experiências vividas, de uma multiplicidade de relações que nos ligam a nós próprios e aos outros, memórias, projectos e significações. Estar-no-mundo através de um movimento duplo de interiorização do exterior (das relações sociais e sócio-materiais) e da exteriorização do interior.

 

A subjectividade responde ao contexto social ao mesmo tempo que o molda (Thomé Ferreira, 2005). Como elo de ligação entre o indivíduo e o social, a própria subjectividade está em mudança, por vezes fragmentada, incerta ou mesmo desnorteada. Assim, a compreensão do existente enquanto compreensão da subjectividade que está-no-mundo tem que ser contextualizada na sua situação sócio-histórica, enfatizar o desenvolvimento do empowerment individual do cliente e contribuir para a sua libertação, comprometendo-se na luta contra todas as formas de opressão e alienação. Para tal, é necessário adoptar uma ética de liberdade em situação, tomar consciência da opressão, compreender como é que a opressão afecta a existência individual e identificar quais a estratégias adequadas de luta contra a opressão, quer a nível individual quer a nível social. A psicoterapia existencial implica ser-se político na relação com os clientes. Implica adoptar claramente uma perspectiva crítica que dê relevância no trabalho clínico à responsabilidade existencial (liberdade de escolha e projecto) e à responsabilidade social (comunitária) do cliente.

 

Uma relação de ajuda existencial servirá para facilitar o exercício da liberdade de escolha, ajudar a identificar factores de vazio existencial e de falta de poder pessoal e a aumentar a consciência crítica e o sentido do colectivo, facilitando atitudes positivas face à participação na vida colectiva. Só desta maneira se atingirá a finalidade de ajudar o cliente a re-encontrar a sua liberdade ontológica e uma maior liberdade prática, comprometendo-se com um processo mais autêntico de criação de si próprio no contexto social em que vive. Para assegurar a qualidade do serviço prestado aos utilizadores é necessário desenvolver dispositivos de melhoria contínua, nomeadamente relacionados com a formação profissional dos terapeutas, com o sistema de supervisão das práticas profissionais, com a avaliação de conformidade com os padrões que forem recomendados e com o necessário desenvolvimento de indicadores de processo e de resultados, em função da investigação da eficácia terapêutica.

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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RESUMO

Neste artigo o autor introduz diferentes modalidades de psicoterapia existencial. Faz uma descrição breve das várias propostas terapêuticas, nomeadamente análise do Dasein, logoterapia, psicoterapia existencial humanista norte-americana, psicoterapia existencial de Laing, psicoterapia existencial britânica, psicoterapia existencial breve e psicoterapia existencial sartreana. Palavras-chave: Existência, psicoterapia existencial.

ABSTRACT

In this article the author introduces the different perspectives of existential psychotherapy. He describes different therapeutical proposals, namely Daseinanalyse, logotherapy, nort-american existential-humanist psychotherapy, Laing’s existential psychotherapy, british existential psychotherapy, brief existential psychotherapy and sartrean existential and psychotherapy. Key words: Existence, existential psychotherapy

 

De: ciencialist@yahoogrupos.com.br [mailto:ciencialist@yahoogrupos.com.br]
Enviada em: sexta-feira, 12 de dezembro de 2014 11:53
Para: ciencialist@yahoogrupos.com.br
Assunto: Re: [ciencialist] É a lógica, mano Pibófilo, é a lógica...

 

 

> A nossa sorte é que Ele está de plantão aqui pertinho.

 

Rapaz, o Freudófilo está aí perto de ti? Por gentileza,

eu lhe imploro, diga lá qual é a marca da caninha que

tu estás sorvendo, a que eu estou usando não está

fazendo tanto efeito, hahahaha

 

*PB*

 

 

Sent: Thursday, December 11, 2014 5:41 PM

Subject: [ciencialist] É a lógica, mano Pibófilo, é a lógica...

 






Mano Pibófilo.

 

A “minha” frase é apenas o prolegômeno da definição de ciência.

A ATIVIDADE CIENTIFICA é uma coisa muito diferente de “CIÊNCIA ESTRUTURADA” com base nos conceitos vigentes no mundo cientifico. (ou dos cartolas da ciência).

Essa atividade surgiu muito antes dos cientistas. Já dei o exemplo da revolução tecnológica da agricultura, realizada por analfabetos há 10 mil anos ou mais.

Lamento informá-lo, mano, você FALSIFICOU minhas palavras que foram estas:

 

================================================

O principio da definição ( ou um dos seus elementos) é o seguinte:

CIÊNCIA É CONHECIMENTO APLICADO COM BASE NUMA METODOLOGIA

================================================

Como resultado da sua falsificação,  um feto foi TRANSFORMADO num recém-nascido,   é um transtorno comum da humanidade, mas que ainda é desconhecido pelos cientistas que abominam a psicologia dos fenômenos inconscientes. Nós temos em nosso misterioso “mundo interior” algumas ferramentas mentais invisíveis e imateriais, como por exemplo um TRANSFORMADOR PSICO-LINGUISTICO, que altera as palavras e frases de nossos interlocutores com a finalidade de atender ao PRINCIPIO DO PRAZER,  que orienta a vida dos humanos – e de outros animais. No seu caso este transformador está também a serviço do processo de desqualificação de seus colegas de espécie, o que lhe proporciona prazer. Se o homem tem prazer até em matar seus semelhantes, desqualificar o próximo pode ser considerado até um transtorno virtuoso porque sublima a vontade de matar. O homem é um sublimador da guerra. Por isso o futebol é uma paixão nacional (e mundial) – o povo brasileiro prefere assistir e jogar futebol do que fazer por exemplo uma revolução para que o Brasil deixe de ser eternamente o país do futuro. Mas enquanto Deus for Brasileiro, a revolução continuará sendo sublimada pelo Futebol.

*MC* (Muito Calmo)

 

Ps. Podes tirar o cavalo da chuva que tu não conseguirás me chatear, desde, é claro, que mantenhas teus limites já conhecidos. Porém, diante de minhas provocações malignas, poderás ultrapassar esses limites, provocando uma indesejável crise emocional que exigirá a intervenção do Freud. A nossa sorte é que Ele está de plantão aqui pertinho.

 

 

Sent: Thursday, December 11, 2014 3:51 PM

Subject: Re: [ciencialist] Parabéns ao elocubrador Sarafelli + Definição de ciência

 

 

CIÊNCIA É CONHECIMENTO APLICADO COM BASE NUMA METODOLOGIA

 

Mano Calilzófilo, tu vais ficar muito chateado se eu disser

que essa definição deveria ser impressa em papel picotado

e com folha dupla para uso subsequente na higienização de

orifícios corrugados traseiros? (ou então, o que é quase a

mesma coisa, como guardanapo pela Graça Fóster).

 

Porque segundo essa definição, o "Espiritismo das pernas

bambas das centopéias que beberam demais" também deve ser

considerado ciência. É um conhecimento aplicado através

de uma metodologia. Tô certo ou tô errado?

 

*PB*

 

 

 

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SUBJECT: Água na fogueira.
FROM: sarafelli@hotmail.com
TO: <ciencialist@yahoogrupos.com.br>
DATE: 15/12/2014 15:17

Pessoal,


Vamos supor que já tenhamos constituído todos os conceitos, todas as definições possíveis que representem, de modo mais abrangente e lógico possível, a essência de todas as palavras já criadas pelo ser humano.


E o que poderíamos fazer, então, apenas com essa multidão de conceitos, somente com esse amontoado de tijolos, simplesmente com essa abundancia de peças de um gigantesco quebra-cabeça que chamamos de ciência.


Assim como um monte de tijolos não é uma casa, uma multidão de conceitos, por si, não se constitui em ciência ou, pelo menos, não dá direcionamento a qualquer dos infindáveis ramos da ciência.


Se não tivermos os teóricos para teorizarem, os arquitetos para construírem ou as crianças para darem formas a imaginação, nada de proveitoso pode ser obtido.


O que estou dizendo é que conceituar, apesar de ser importante, não é tudo para a ciência e que, tão importante quanto, é o tipo de direcionamento, de interconexão e de ordenamento que podemos dar e fazer com esses conceitos.


Conceitos que, até mesmo, podem ser um tanto superfícies ou incompletos, algo como os aspectos macroscópicos dos conceitos, sem muito refinamento, mas que, se ordenados adequadamente, são capazes de nos dar pistas, assim como soluções para os problemas da ciência.


O que pensam a respeito dessa ideia? 

 

Sarafelli



SUBJECT: Re: [ciencialist] É a lógica animal, mano Pibófilo ....
FROM: "Pesky Bee" <peskybee2@gmail.com>
TO: <ciencialist@yahoogrupos.com.br>
DATE: 15/12/2014 15:42

> Desta vez faltou criatividade à sua manifestação de bom humor
 
Carambóides, mas tu és bem exigente, né não? hahahahaha
 
>  as abelhas formam conceitos?
 
Positivo operante, Calilzófilo. Qualquer espécie dotada
de um sistema nervoso central que aprenda e responda a
estímulos externos com certeza terá algum tipo de "conceito",
mesmo que esse bichinho não faça a menor ideia do que seja
isso.
 
> os animais mais inteligentes formam sim conceitos
 
Digamos que quanto mais inteligente for o animalóide,
tanto mais hierarquicamente complexos serão seus
conceitos (é aquela coisa de "conceitos sobre conceitos...").
 
> Não estou portanto dizendo que os animais pensam
 
Já eu estou sim dizendo que todos os animais pensam.
 
> As abelhas parece que formam conceitos porque tem um cérebro com muitos neurônios
 
Muitos e muitos mesmo! Por volta de um milhão. É um bichinho
safado de espertinho.
 
> Minha duvida é em relação às formigas – como elas poderiam adquirir uma inteligência
> coletiva sem formar conceitos?
 
Veja lá, Calilzão: a tal da inteligência coletiva (ou inteligência
social) não é necessariamente algo decorrente da complexidade e
capacidade neural dos indivíduos dessa comunidade. Pode ser decorrente
apenasmente da "complexidade estrutural" dessa organização. E lembremos
todos nós que existe algo por cima de tudo isso: é a seleção natural.
Pequenenuchas modificações cerebrais podem ocorrer em espécies
justamente quando seu comportamento social é "moldado" pela
seleção natural, como é o caso não só das formigóides, mas também
de muitos passaralhos (digo,... passarinhos).
 
> Sugiro que você faça uma ressonância magnética do cérebro para verificar se a
> área do humor cresceu mais do que o normal.
 
Só que antes de entrar na maquinona, terei que obter o "estado
alfa-cetônico", que obtenho sugerindo à mente que acabei de
emborcar uma garrafa de cerveja de boa qualidade. O mesmo
também pode ser conseguido de forma imediata, basta me
apresentar uma foto da Scarlett Johansson peladérrima da silva.
Só que nesse caso não é só a área do humor que vai crescer,
hahahahahahaha
 
*PB*
 
 
 
Sent: Monday, December 15, 2014 1:29 PM
Subject: RES: [ciencialist] É a lógica animal, mano Pibófilo ....
 


Desta vez faltou criatividade à sua manifestação de bom humor ... ou será que foi de mau humor?

E para melhorar seu bom humor  informo que tive este insight animal:  as abelhas formam conceitos?  O insight veio sob a forma de pergunta.

Mas de uma coisa agora tenho certeza – os animais mais inteligentes formam sim conceitos porque o conceito é apenas matéria prima do pensamento.

Não estou portanto dizendo que os animais pensam.

As abelhas parece que formam conceitos porque tem um cérebro com muitos neurônios.

Minha duvida é em relação às formigas – como elas poderiam adquirir uma inteligência coletiva sem formar conceitos?

Elas produziriam conceitos em grupo?

 

Absmc

 

Ps. Sugiro que você faça uma ressonância magnética do cérebro para verificar se a área do humor cresceu mais do que o normal.

 

De: ciencialist@yahoogrupos.com.br [mailto:ciencialist@yahoogrupos.com.br]
Enviada em: segunda-feira, 15 de dezembro de 2014 12:39
Para: ciencialist@yahoogrupos.com.br
Assunto: Re: [ciencialist] É a lógica, mano Pibófilo, é a lógica... EXISTENCIAL

 

 

> E para aliviar este esforço você poderá dividir o resumo em 52 itens, redigindo um por semana

 

Vou começar a leitura fazendo uma palavra por semestre, assim

acho que conseguirei. Então lá vai: "1. Introdução". Pronto.

No semestre que vem continuo.

 

*PB*

 

 

 


SUBJECT: Re: [ciencialist] Água na fogueira.
FROM: "Pesky Bee" <peskybee2@gmail.com>
TO: <ciencialist@yahoogrupos.com.br>
DATE: 15/12/2014 15:53

> O que estou dizendo é que conceituar, apesar de ser
> importante, não é tudo para a ciência
 
Mano Sarafellizão, eu diria até mais: diria que os conceitos
em ciência são os "itens número 2" das atividades pesquisatórias.
O item número 1 são um punhado de evidências. Óia como eu vejo
essa coisarada:
 
Nós, humanóides de cérebro (e instrumentos penianos) grandes
temos uma vantagem sobre os outros animalecos deste planeta.
Temos um cérebro capaz de descobrir padrões complexos em estímulos
(ou seja, dados) que nos chegam por via sensória. Essas
descobertas de padrões nos fazem "cosquinha" em nossso rabo
mental que gera conceitos. Criamos conceitos e abstrações movidos
por supostos padrões que encontramos nos estímulos. Um
exemplóide simplificadíssimo: um zé mané lá dos idos tempos
de Aristóteles fica olhando uma floresta imensa e percebe que
a grande maioria dela é esverdeada. Aí, esse zé mané começa a
conjecturar que deve ter alguma coisa que "esverdeia" as folhas
das árvores. Põe alguns séculos de entabulações e experimentações
e pronto: descobre-se a clorofila. Então é assim que as coisas
costumam ocorrer, nota-se algum padrão, dá-se um nome para essa
coisa e depois fica-se atrás de uma explanação para essas
desgraceiras todas.
 
Mas temos também os cientistas teóricos, que fazem quase a
mesma coisa, mas os padrões que eles descobrem são sobre os
conceitos abstratos e elaborações lógicas que eles "cagam"
mentalmente, mesmo sem precisar de estímulos externos. Com o
tempo, eles jogam essas coisaradas todas no colo dos cientistas
experimentais e aí é a hora de ver se essas devaneações teoriconas
tem algum suporte empirico. Se tiverem, então pimba! Vira ciência.
Se não tiverem, então pimba! Latão de lixo.
 
*PB*
 
 
 
 
Sent: Monday, December 15, 2014 3:17 PM
Subject: [ciencialist] Água na fogueira.
 


Pessoal,

 

Vamos supor que já tenhamos constituído todos os conceitos, todas as definições possíveis que representem, de modo mais abrangente e lógico possível, a essência de todas as palavras já criadas pelo ser humano.

 

E o que poderíamos fazer, então, apenas com essa multidão de conceitos, somente com esse amontoado de tijolos, simplesmente com essa abundancia de peças de um gigantesco quebra-cabeça que chamamos de ciência.

 

Assim como um monte de tijolos não é uma casa, uma multidão de conceitos, por si, não se constitui em ciência ou, pelo menos, não dá direcionamento a qualquer dos infindáveis ramos da ciência.

 

Se não tivermos os teóricos para teorizarem, os arquitetos para construírem ou as crianças para darem formas a imaginação, nada de proveitoso pode ser obtido.

 

O que estou dizendo é que conceituar, apesar de ser importante, não é tudo para a ciência e que, tão importante quanto, é o tipo de direcionamento, de interconexão e de ordenamento que podemos dar e fazer com esses conceitos.

 

Conceitos que, até mesmo, podem ser um tanto superfícies ou incompletos, algo como os aspectos macroscópicos dos conceitos, sem muito refinamento, mas que, se ordenados adequadamente, são capazes de nos dar pistas, assim como soluções para os problemas da ciência.

 

O que pensam a respeito dessa ideia?

 

Sarafelli



SUBJECT: RES: [ciencialist] Água na fogueira.
FROM: "JVictor" <j.victor.neto@uol.com.br>
TO: <ciencialist@yahoogrupos.com.br>
DATE: 15/12/2014 16:03

Bem,embora filologar não seja  o objetivo deste fórum, nem coisa que me interessr, mas,  já que estão filologando, tentemos voltar a assuntos de interesse, conceituando o seguinte, no que representa para a ciência, matemática e física, especificamente. (Proporei outos, à frente. Comecemos, por ora, com este, aparentemente mais simples, mas fundamental).

 

1 – Vetor.

 

A conceituação deve ser precisa e abranger todas as situações  de aplicabilidade do objeto proposto para filologação. Garanto que darei meus pitáculos. Um aviso:a existência do ente acima é que permitiu que a física (e a matemática) dessem  quase um salto quântico(...) no que tange à formalização e ancoragem das teorias(todas), onde comparece. Então, deve merecer a atenção dos senhores filologueiros.

 

 

Sds,

Victor.

 

 

 

 

De: ciencialist@yahoogrupos.com.br [mailto:ciencialist@yahoogrupos.com.br]
Enviada em: segunda-feira, 15 de dezembro de 2014 14:18
Para: ciencialist@yahoogrupos.com.br
Assunto: [ciencialist] Água na fogueira.

 

 

Pessoal,

 

Vamos supor que já tenhamos constituído todos os conceitos, todas as definições possíveis que representem, de modo mais abrangente e lógico possível, a essência de todas as palavras já criadas pelo ser humano.

 

E o que poderíamos fazer, então, apenas com essa multidão de conceitos, somente com esse amontoado de tijolos, simplesmente com essa abundancia de peças de um gigantesco quebra-cabeça que chamamos de ciência.

 

Assim como um monte de tijolos não é uma casa, uma multidão de conceitos, por si, não se constitui em ciência ou, pelo menos, não dá direcionamento a qualquer dos infindáveis ramos da ciência.

 

Se não tivermos os teóricos para teorizarem, os arquitetos para construírem ou as crianças para darem formas a imaginação, nada de proveitoso pode ser obtido.

 

O que estou dizendo é que conceituar, apesar de ser importante, não é tudo para a ciência e que, tão importante quanto, é o tipo de direcionamento, de interconexão e de ordenamento que podemos dar e fazer com esses conceitos.

 

Conceitos que, até mesmo, podem ser um tanto superfícies ou incompletos, algo como os aspectos macroscópicos dos conceitos, sem muito refinamento, mas que, se ordenados adequadamente, são capazes de nos dar pistas, assim como soluções para os problemas da ciência.

 

O que pensam a respeito dessa ideia? 

 

Sarafelli

 


SUBJECT: Re: RES: [ciencialist] Água na fogue ira.
FROM: sarafelli@hotmail.com
TO: <ciencialist@yahoogrupos.com.br>
DATE: 15/12/2014 16:47

Vitor,

 

É surpreendente como você menospreza a filosofia, parece que desconhece a importância que a mesma desempenhou na fundação do que veriam a se todas as ciências, e que ainda desempenha no papel investigativo de todos, eu disse, todos os ramos das ciências modernas, principalmente na física, este ramo você tanto defende como sendo algo imune, totalmente indiferente a filosofia.


Talvez essas questões filosóficas discutidas, por nós, aqui no fórum, nos últimos meses, não sirvam para um tipo de física superficial, não investigativa, apenas didática, explanatória, sem compromisso com as verdadeiras questões fundamentais, para uma física ginasial, mas somente para um tipo de física descompromissada como essa.


Não podemos avançar em física, assim como em qualquer outra área, que seja, até mesmo, a nanotecnologia, sem as ferramentas logicas que somente a filosofia é capaz de fornecer.  Não basta só medir e pesar, antes mesmo, devemos entender o que seja, propriamente, esse medir e pesar. Não existe ciência sem filosofia.



Sarafelli

 

 

 


SUBJECT: RES: [ciencialist] Água na fogueira + ps2 para PB
FROM: "Mtnos Calil" <mtnoscalil@terra.com.br>
TO: <ciencialist@yahoogrupos.com.br>
DATE: 15/12/2014 17:24

Cco. Para a minha psicoterapeuta cognitiva.

 

Prezado Sarafelli

 

Para responder a sua pergunta sobre sua idéia assim expressa:

[O que estou dizendo é que conceituar, apesar de ser importante, não é tudo para a ciência e que, tão importante quanto, é o tipo de direcionamento, de interconexão e de ordenamento que podemos dar e fazer com esses conceitos. Conceitos que, até mesmo, podem ser um tanto superfícies (superficiais?)  ou incompletos, algo como os aspectos macroscópicos dos conceitos, sem muito refinamento, mas que, se ordenados adequadamente, são capazes de nos dar pistas, assim como soluções para os problemas da ciência]

tenho que ser deselegante e afirmar que nenhum conceito pode ser superficial ou incompleto, embora seja macroscópico por natureza (ou por definição). O que pode ter essa vicissitude é a IDÉIA, que pelo que tenho observado, TODOS USAM COMO SINÔNIMO DE CONCEITO.  Como se vê estamos ainda na pré-história da ciência da linguagem.

Obs. Minha sugestão para curar o transtorno esquizoide dos termos conceituar e conceito é a seguinte.

a) Atribuir à palavra conceito um significado que não tenha NENHUM SINÔNIMO.  

b) Aposentar a palavra conceituar, que como já vimos, cria uma confusão semântica danada. O ser humano não pode conceituar nada porque os conceitos se formam na sua mente através de um processo autopoiético. Quando olhamos para um ET não paramos para criar um conceito de ET. A sua representação imagética invade a nossa mente e nela se fixa; mesmo que a gente se esqueça do ET ele fica arquivado no porão empoeirado da nossa mente chamado elegantemente de “inconsciente”. Aos 7 anos eu vi uma moça ensanguentada nos trilhos de um bonde. Não fiquei traumatizado com isso, mas essa cena vem logo à minha mente sempre que faço uma viajem usando como meio de transporte a máquina do tempo.

O desafio da ciência hoje é juntar todas as ciências numa única ciência. Como isso não é possível, que se formem então grupos de ciências como a “psicossociobiologia” e a “ecossociofisicoquimica”. A sigla “sócio” deve estar presente em todos os grupos, porque supostamente todas as ciências têm o dever ético de servir à humanidade, representada nesta sigla. Muitos cientistas anti-sociais afirmam que a única função da ciência é descobrir a verdade. Acho que me enganei... não são os cientistas que afirmam isso e sim os filósofos da ciência, cujo vinculo com a sociedade, como sabemos é descritivo-contemplativo. Face ao mesmo espírito contemplativo,  os sociólogos estão bem mais próximos da filosofia do que da ciência. Já os psicólogos estão no meio do caminho, o que nos deve aliviar bastante. Quem sabe a humanidade venha um dia a se beneficiar da psicologia como ciência aplicada a todos os seres humanos. Utopia? Sim!  E de que mais depende o nosso futuro amigável além das utopias do conhecimento?

Obrigado, Sarafa!  Da sua provocação benigna surgiu mais um conceito para a definição de conceito que é a sua (dele) formação autopoiética. A propósito, a nossa formação no útero materno não seria também autopoiética? Você sabia que nascemos por acaso? Como a vida não pode ser nem criada nem planejada por nós, algumas de nossas necessidades são supridas pelo acaso. Se o homem tinha necessidade se comunicar com a palavra, as nossas cordas vocais adquiriram a competência de articular os sons da fala linguística devido a um evento casual da seleção natural, que também se desenvolve ao acaso e não apenas para fins programados como sugerem alguns darwinistas ortodoxos. E com a evolução de nossa industria cientifica muitos de nossos aparatos físicos vão se tornando obsoletos. Por exemplo, não precisamos mais de 32 dentes para nos alimentar. Certamente 28 seriam suficientes. Ou não? E as sobrancelhas para que servem? E nos pés: precisamos mesmo de 5 dedos em cada pé? E o apêndice fixado no intestino que vive se inflamando e exigindo uma desagradável cirurgia? E as dobras superiores da orelha? Bem... para os idosos surdos elas ainda têm alguma utilidade, se eles não puderem comprar um aparelho auditivo que custa o olho da cara. Mas o que mais me irrita destas coisas naturais jurássicas é a barba e o cabelo que não param de crescer nunca. Nem na velhice?

Será que na formação dos conceitos existe algum procedimento jurássico? Espero que não!

M.Calil  

Ps1. Confesso que os ilustres pensadores deste grupo estão me mostrando que o CONCEITO é muito mais importante para a formação da espécie humana do que eu tinha pensado. Na verdade nem fiz a ligação entre formação de conceito e formação da espécie humana... Oopss.... mais um conceito (darwinista) para a definição de conceito. Sem o conceito não existiria a palavra e sem ela a espécie humana não teria surgido. Isso reforça a hipótese de que os animais formam conceitos. Se eles têm uma linguagem e se comunicam com bastante eficácia

Ps2 para PB – Estou de férias na companhia diuturna do meu computer e por isso ando escrevendo loucamente. No final deste mês acabam minhas férias. E o mais grave é que o prazo que eu tenho para acabar a definição de conceito se esgota também no final do mês. Vamos então criar uma definição não defintiva... Só nesta mensagem surgiram 2 novos conceitos:  (favor não confundir com ideias – pera aí... não se trata de duas ideias a serem utilizadas na criação da definição da palavra conceito... shiii ... a coisa agora se complicou; mas haveremos de encontrar uma solução, calma PB!):

a) a formação autopoiética dos conceitos

b) importância da formação dos conceitos para a formação da espécie humana> se isso for bobagem depois a gente joga fora – o importante é ter em mente que BRAINSTORM sem direito a falar bobagem é um contrassenso.

Ps3. Quantas páginas terá a definição de conceito? Imagino que sem contar as notas de rodapé,  20 págs. serão suficientes, o que equivale ao espaço utilizado pelo Abbagnano no seu genial Dicionário de Filosofia, para definir várias palavras se mudarmos a  letrinha que ele usa para esse arial 11. O diabo é que estou escrevendo 200 págs. para extrair 20. Acho que deveríamos fazer uma cerimônia para apresentação desta definição, que será a primeira da história da humanidade construída por um grupo pessoas que nunca se viram na vida. Os cientistas deveriam trabalhar assim: em dupla o tempo todo, um discordando do outro e uma vez por ano se reunindo em grupo para fortalecer as teses contrárias.

Ps3.1. Acho que vou usar as 200 páginas, incluindo as mensagens do grupo, para uma versão eletrônica da definição que poderá ter centenas de páginas anexas. Entre as referências iriam alguns livros inteiros. Um deles é o “Notas introdutórias à lógica dialética”. O autor – Caio Prado Jr. – foi muito infeliz neste titulo pois mais de 90% do espaço do livro foi reservado para a lógica da linguagem e dos conceitos.

Ps4. Estou enviando cópia para a minha psicoterapeuta, na esperança que ela tenha tempo de ler essa texterada para os devidos fins, ou seja: o diagnóstico dos meus transtornos psico-neuróticos, que ela chama elegantemente de “cognitivos”.  Talvez essa minha “voracidade redacional oceânica” seja um sintoma. A ver.

 

 

De: ciencialist@yahoogrupos.com.br [mailto:ciencialist@yahoogrupos.com.br]
Enviada em: segunda-feira, 15 de dezembro de 2014 15:18
Para: ciencialist@yahoogrupos.com.br
Assunto: [ciencialist] Água na fogueira.

 

 

Pessoal,

Vamos supor que já tenhamos constituído todos os conceitos, todas as definições possíveis que representem, de modo mais abrangente e lógico possível, a essência de todas as palavras já criadas pelo ser humano.

E o que poderíamos fazer, então, apenas com essa multidão de conceitos, somente com esse amontoado de tijolos, simplesmente com essa abundancia de peças de um gigantesco quebra-cabeça que chamamos de ciência.

Assim como um monte de tijolos não é uma casa, uma multidão de conceitos, por si, não se constitui em ciência ou, pelo menos, não dá direcionamento a qualquer dos infindáveis ramos da ciência.

Se não tivermos os teóricos para teorizarem, os arquitetos para construírem ou as crianças para darem formas a imaginação, nada de proveitoso pode ser obtido.

O que estou dizendo é que conceituar, apesar de ser importante, não é tudo para a ciência e que, tão importante quanto, é o tipo de direcionamento, de interconexão e de ordenamento que podemos dar e fazer com esses conceitos. Conceitos que, até mesmo, podem ser um tanto superfícies ou incompletos, algo como os aspectos macroscópicos dos conceitos, sem muito refinamento, mas que, se ordenados adequadamente, são capazes de nos dar pistas, assim como soluções para os problemas da ciência.

O que pensam a respeito dessa ideia? 

Sarafelli

Enviado por: sarafelli@hotmail.com


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SUBJECT: RES: [ciencialist] É a lógica animal, mano Pibófilo ....
FROM: "Mtnos Calil" <mtnoscalil@terra.com.br>
TO: <ciencialist@yahoogrupos.com.br>
DATE: 15/12/2014 17:58

 

Meu Deus... vou ter que estudar agora o processo de formação de conceitos no cérebro das abelhas onde se agitam o tempo todo um milhão de neurônios ???

Eu estava pensando nas formigas, mas vou dar prioridade às abelhas em homenagem ao nosso humorista da ciência, Pesky Bee.

Quanto às passara... perdão passarinhos, eles são muito mais inteligentes do que a mais genial das abelhas e exigiriam um estudo especifico dos seus conceitos musicais.

Os pássaros quase falam... pois seus cantos constituem uma forma de linguagem utilizada para a comunicação com os colegas. Isso significa que o canto tem um significado já que não existe linguagem sem significado. Pelo visto a definição de conceito deveria ser precedida pela hipótese da formação de conceitos em alguns animais como abelhas, aves e formigas. Que fique claro então, para todo o sempre que o CONCEITO não precisa de palavras para se formar. Mais do que isso – não existe nenhuma palavra na formação de nenhum conceito. Quem transformou a palavra conceito em sinônimo de idéia foi vitima de um transtorno conceitual que se disseminou por toda a humanidade.

Abraços

Mtnos Calil

 

Ps. Para quem acha que este assunto não tem a ver com a ciência, sugiro a leitura da matéria abaixo.

 

 

 

birds-singing

 

Cientistas descobrem elos entre canto dos pássaros e fala humana

REINALDO JOSÉ LOPES
COLABORAÇÃO PARA A
 FOLHA

12/12/2014  01h41

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As línguas humanas são muito mais complicadas do que o canto das aves, mas um novo estudo acaba de mostrar paralelos profundos entre as duas coisas: dezenas dos mesmos genes estão por trás das habilidades de um tenor italiano ou de um sabiá-laranjeira.

O resultado, publicado na revista especializada "Science", faz parte de uma análise monumental do DNA de quase 50 espécies de aves, da qual participaram pesquisadores brasileiros que trabalham no Pará, no Rio e nos EUA.

Após "soletrar" o genoma (conjunto do DNA) dessa multidão emplumada, os cientistas têm um retrato mais claro não só das origens do canto como também das relações de parentesco entre as aves atuais, da evolução do grupo e até de como esses bichos perderam dentes e ganharam bicos.

A comparação do cérebro das aves com o de humanos já havia mostrado semelhanças intrigantes entre as áreas que controlam a fala na nossa espécie e as que regulam o canto nas espécies que precisam aprender essa arte.

Essa ressalva é importante porque muitas aves já "nascem sabendo" emitir os sons de sua espécie (é o caso das galinhas). Formas mais complexas de canto são produzidas apenas pelas aves que possuem aprendizado vocal.

"Tanto esse tipo de canto quanto a fala requerem que os indivíduos jovens ouçam as vocalizações do adulto e modifiquem suas próprias vocalizações para conseguir imitar o que ouviram", explica Claudio Mello, brasileiro que trabalha na Universidade de Saúde e Ciência do Oregon (noroeste dos EUA) e assina dois dos estudos sobre o tema na "Science".

"É um processo ativo de aprendizado que requer bastante esforço e circuitos complexos do cérebro, que incluem áreas corticais [região mais 'nobre' do cérebro] e dos gânglios da base [região mais 'primitiva' do órgão], em ambos os casos."

No novo estudo, Mello e seus colegas compararam a expressão (ou seja, o grau de atividade) de genes do DNA de várias espécies de aves, de pessoas e de macacos resos (os quais não têm aprendizado vocal). Essa análise de expressão foi feita a partir de amostras de células de vários locais do cérebro de cada espécie.

Resultado: não só dezenas dos mesmos genes ficam ativos no cérebro das aves "cantoras" e no cérebro humano como esse paralelo envolve regiões específicas - são conjuntos específicos de genes que ficam "ligados" nas áreas ligadas ao controle da laringe (ou da siringe, o equivalente desse órgão nos animais penosos).

"Vários desses genes são relacionados à formação de conexões entre neurônios", diz Mello. "Podemos estar identificando elementos que constituem a base da aquisição da fala."

E os papagaios? Teriam algo de especial para conseguir imitar a fala humana? Pode ser que a resposta venha da análise do genoma do papagaio-amazônico, um estudo que ainda está em andamento e inclui Francisco Prosdocimi, da UFRJ, e Maria Paula Cruz Schneider, da UFPA.

Tanto Mello quanto os demais brasileiros também ajudaram a construir o álbum de família das aves do planeta, no qual estão incluídos os genomas de três espécies típicas do Brasil: a seriema, o macuco e o pavãozinho-do-pará.

Entre as surpresas dessa análise, segundo Mello, está o fato de que tanto os papagaios quanto as aves mais "cantoras", com aprendizado vocal, têm parentesco relativamente próximo, apesar do aspecto bastante diferente. Um grupo intermediário entre elas, o do bem-te-vi e joão-de-barro, teria perdido a capacidade do aprendizado vocal ao longo da evolução.

E, para quem ainda duvida que as aves surgiram a partir de um grupo de répteis (provavelmente os dinossauros), outro estudo, coordenado por Robert Meredith, da Universidade Estadual Montclair (EUA), mostrou que elas possuem em seu DNA os genes necessários para fabricar o esmalte e a dentina dos dentes. Só que esses genes estão truncados, o que ajuda a explicar a origem do bico. 

 

 

De: ciencialist@yahoogrupos.com.br [mailto:ciencialist@yahoogrupos.com.br]
Enviada em: segunda-feira, 15 de dezembro de 2014 15:42
Para: ciencialist@yahoogrupos.com.br
Assunto: Re: [ciencialist] É a lógica animal, mano Pibófilo ....

 

 

> Desta vez faltou criatividade à sua manifestação de bom humor

 

Carambóides, mas tu és bem exigente, né não? hahahahaha

 

>  as abelhas formam conceitos?

 

Positivo operante, Calilzófilo. Qualquer espécie dotada

de um sistema nervoso central que aprenda e responda a

estímulos externos com certeza terá algum tipo de "conceito",

mesmo que esse bichinho não faça a menor ideia do que seja

isso.

 

> os animais mais inteligentes formam sim conceitos

 

Digamos que quanto mais inteligente for o animalóide,

tanto mais hierarquicamente complexos serão seus

conceitos (é aquela coisa de "conceitos sobre conceitos...").

 

> Não estou portanto dizendo que os animais pensam

 

Já eu estou sim dizendo que todos os animais pensam.

 

> As abelhas parece que formam conceitos porque tem um cérebro com muitos neurônios

 

Muitos e muitos mesmo! Por volta de um milhão. É um bichinho

safado de espertinho.

 

> Minha duvida é em relação às formigas – como elas poderiam adquirir uma inteligência

> coletiva sem formar conceitos?

 

Veja lá, Calilzão: a tal da inteligência coletiva (ou inteligência

social) não é necessariamente algo decorrente da complexidade e

capacidade neural dos indivíduos dessa comunidade. Pode ser decorrente

apenasmente da "complexidade estrutural" dessa organização. E lembremos

todos nós que existe algo por cima de tudo isso: é a seleção natural.

Pequenenuchas modificações cerebrais podem ocorrer em espécies

justamente quando seu comportamento social é "moldado" pela

seleção natural, como é o caso não só das formigóides, mas também

de muitos passaralhos (digo,... passarinhos).

 

> Sugiro que você faça uma ressonância magnética do cérebro para verificar se a

> área do humor cresceu mais do que o normal.

 

Só que antes de entrar na maquinona, terei que obter o "estado

alfa-cetônico", que obtenho sugerindo à mente que acabei de

emborcar uma garrafa de cerveja de boa qualidade. O mesmo

também pode ser conseguido de forma imediata, basta me

apresentar uma foto da Scarlett Johansson peladérrima da silva.

Só que nesse caso não é só a área do humor que vai crescer,

hahahahahahaha

 

*PB*

 

 

 

Sent: Monday, December 15, 2014 1:29 PM

Subject: RES: [ciencialist] É a lógica animal, mano Pibófilo ....

 




Desta vez faltou criatividade à sua manifestação de bom humor ... ou será que foi de mau humor?

E para melhorar seu bom humor  informo que tive este insight animal:  as abelhas formam conceitos?  O insight veio sob a forma de pergunta.

Mas de uma coisa agora tenho certeza – os animais mais inteligentes formam sim conceitos porque o conceito é apenas matéria prima do pensamento.

Não estou portanto dizendo que os animais pensam.

As abelhas parece que formam conceitos porque tem um cérebro com muitos neurônios.

Minha duvida é em relação às formigas – como elas poderiam adquirir uma inteligência coletiva sem formar conceitos?

Elas produziriam conceitos em grupo?

 

Absmc

 

Ps. Sugiro que você faça uma ressonância magnética do cérebro para verificar se a área do humor cresceu mais do que o normal.

 

De: ciencialist@yahoogrupos.com.br [mailto:ciencialist@yahoogrupos.com.br]
Enviada em: segunda-feira, 15 de dezembro de 2014 12:39
Para: ciencialist@yahoogrupos.com.br
Assunto: Re: [ciencialist] É a lógica, mano Pibófilo, é a lógica... EXISTENCIAL

 

 

> E para aliviar este esforço você poderá dividir o resumo em 52 itens, redigindo um por semana

 

Vou começar a leitura fazendo uma palavra por semestre, assim

acho que conseguirei. Então lá vai: "1. Introdução". Pronto.

No semestre que vem continuo.

 

*PB*

 

 

 




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SUBJECT: Re: Modelo Merônico
FROM: sarafelli@hotmail.com
TO: <ciencialist@yahoogrupos.com.br>
DATE: 15/12/2014 18:55

E então pessoal, 

Já tiveram a curiosidade de ver o verdadeiro "átomo" de hidrogênio?

Não custa nada, vejam um pouco sobre aquilo do qual estou falando o tempo todo.


Sarafelli

SUBJECT: Vetor é "ente" matemático?
FROM: "Mtnos Calil" <mtnoscalil@terra.com.br>
TO: <ciencialist@yahoogrupos.com.br>
DATE: 15/12/2014 18:57

Olá Victor

Você concorda com estes conceitos de vetor apresentados abaixo?

 

a) Eu achei o termo ente muito antropomórfico para ser usado em matemática. Mas me senti deveras muito aliviado em ver que não foi utilizada em nenhum momento a palavra conceito. Pelo menos desta ambiguidade a matemática esta livre! (rsrs)

 

b) Está correta esta significação (não confundir com conceituação) dos termos direção e sentido?:

 

A DIREÇÃO INDICA SE PODE TER UM MOVIMENTO HORIZONTAL OU VERTICAL; 

JÁ O SENTIDO INDICA SE O MOVIMENTO É PARA CIMA, BAIXO ,TRÁS OU FRENTE EM QUE A FORÇA OU O MOVIMENTO ESTÃO SENDO APLICADOS

 

O movimento SE APLICA?

 

c) O que distingue a velocidade vetorial de outras formas de velocidade?

 

Abraços vetoriais

Mtnos Calil

 

Ps. Se fiz muitas perguntas, me desculpe.

====================================

 

Vetor:  

1) Ente matemático que representa o conjunto dos segmentos orientados de reta que têm o mesmo módulo, a mesma direção e o mesmo sentido.

 

2) Vetor é uma entidade matemática inventada para representar grandezas que  necessitam, além de um número, o conhecimento da direção e sentido para que sejam perfeitamente definidas. 
Para a representação geométrica das grandezas vetoriais criou-se um ente geométrico chamado vetor que é representado por um segmento de reta cujo comprimento seja proporcional à intensidade da grandeza representada, que tenha a mesma direção e mesmo sentido da grandeza. 
Ex: força e velocidade. 
Por ex um problema clássico de física é a aplicação de uma força para puxar uma caixa pesada. Faça as 2 seguintes experiencias: Amarre uma corda numa caixa pesada e primeiro puxe com a corda pararelamente ao solo, o suficiente para começar a deslocar a caixa, e meça a força com uma dessas balanças de mola usadas em feiras. Na segunda experiencia puxe a caixa com a corda fazendo 60 graus com o solo e meça a força, qdo a caixa começar a se deslocar. Qual das 2 é maior? Fazendo a representação gráfica, no primeiro caso o vetor força (F1) aplicado na caixa é pararelo ao solo com o comprimento proporcional a força lida na primeira experiencia e sentido da caixa para fora. No segundo caso, o vetor(F2) faz um angulo de 60 graus com o solo e tb com o comprimento proporcional ao lido na experiencia e sentido para cima, e naturalmente é muito maior do q o primeiro vetor. Agora fazendo a projeção desse segundo vetor na linha horizontal, esse vetor projetado(q é a força q realmente puxa a caixa) deve ter o mesmo comprimento do vetor da primeira experiencia q é a força necessária para começar a deslocar a caixa e o seu valor é F2*cos60. 
O plano cartesiano é utilizado na física para representação gráfica das funções S=f1(t), V=f2(t) e γ=f3(t) q são chamadas equações horárias. As grandezas S(espaço), V(velocidade) e γ(acerelação) são levadas nas ordenadas como funções do tempo(nas abcissas). Assim no movimento retilíneo e uniforme, a equação horária é S = So + Vt, q é uma equação do primeiro grau e a sua representação gráfica é uma reta q corta o eixo das ordenadas no ponto So e faz um ângulo Ө com o eixo das abcissas, onde tgӨ = V. 
Para o movimento retilíneo uniformemente variado a equação horária é S = So + Vot + γt²/2, equação do segundo grau e a sua representação gráfica é uma parábola.

==========================================

 

Entenda a diferença entre o cálculo da velocidade escalar (rapidez) e da velocidade vetorial.

·         A velocidade escalar (rapidez) é obtida quando você divide a distância pelo tempo. A velocidade é simplesmente uma medida do movimento ao longo do tempo, em vez de uma direção.

·         Velocidade vetorial é obtida quando você pega o deslocamento de um objeto, com sua direção, e divide por uma mudança no tempo. Ela exige uma direção. Por esta razão, um objeto que retorna à sua posição original não tem uma velocidade.

 

 

De: ciencialist@yahoogrupos.com.br [mailto:ciencialist@yahoogrupos.com.br]
Enviada em: segunda-feira, 15 de dezembro de 2014 16:04
Para: ciencialist@yahoogrupos.com.br
Assunto: RES: [ciencialist] Água na fogueira.

 

 

Bem,embora filologar não seja  o objetivo deste fórum, nem coisa que me interessr, mas,  já que estão filologando, tentemos voltar a assuntos de interesse, conceituando o seguinte, no que representa para a ciência, matemática e física, especificamente. (Proporei outos, à frente. Comecemos, por ora, com este, aparentemente mais simples, mas fundamental).

 

1 – Vetor.

 

A conceituação deve ser precisa e abranger todas as situações  de aplicabilidade do objeto proposto para filologação. Garanto que darei meus pitáculos. Um aviso:a existência do ente acima é que permitiu que a física (e a matemática) dessem  quase um salto quântico(...) no que tange à formalização e ancoragem das teorias(todas), onde comparece. Então, deve merecer a atenção dos senhores filologueiros.

 

 

Sds,

Victor.

 

 

 

 

De: ciencialist@yahoogrupos.com.br [mailto:ciencialist@yahoogrupos.com.br]
Enviada em: segunda-feira, 15 de dezembro de 2014 14:18
Para: ciencialist@yahoogrupos.com.br
Assunto: [ciencialist] Água na fogueira.

 

 

Pessoal,

 

Vamos supor que já tenhamos constituído todos os conceitos, todas as definições possíveis que representem, de modo mais abrangente e lógico possível, a essência de todas as palavras já criadas pelo ser humano.

 

E o que poderíamos fazer, então, apenas com essa multidão de conceitos, somente com esse amontoado de tijolos, simplesmente com essa abundancia de peças de um gigantesco quebra-cabeça que chamamos de ciência.

 

Assim como um monte de tijolos não é uma casa, uma multidão de conceitos, por si, não se constitui em ciência ou, pelo menos, não dá direcionamento a qualquer dos infindáveis ramos da ciência.

 

Se não tivermos os teóricos para teorizarem, os arquitetos para construírem ou as crianças para darem formas a imaginação, nada de proveitoso pode ser obtido.

 

O que estou dizendo é que conceituar, apesar de ser importante, não é tudo para a ciência e que, tão importante quanto, é o tipo de direcionamento, de interconexão e de ordenamento que podemos dar e fazer com esses conceitos.

 

Conceitos que, até mesmo, podem ser um tanto superfícies ou incompletos, algo como os aspectos macroscópicos dos conceitos, sem muito refinamento, mas que, se ordenados adequadamente, são capazes de nos dar pistas, assim como soluções para os problemas da ciência.

 

O que pensam a respeito dessa ideia? 

 

Sarafelli

 




Este email está limpo de vírus e malwares porque a proteção do avast! Antivírus está ativa.



SUBJECT: Vetor
FROM: Belmiro Wolski <belmirow@yahoo.com.br>
TO: "ciencialist@yahoogrupos.com.br" <ciencialist@yahoogrupos.com.br>
DATE: 15/12/2014 19:14

Victor>>>Bem,embora filologar não seja  o objetivo deste fórum, nem coisa que me interessr, mas,  já que estão filologando, tentemos voltar a assuntos de interesse, conceituando o seguinte, no que representa para a ciência, matemática e física, especificamente. (Proporei outos, à frente. Comecemos, por ora, com este, aparentemente mais simples, mas fundamental): Vetor

     Meu pitaco:

     Vetor é uma entidade matemática capaz de atribuir módulo, direção e sentido a uma grandeza física.

     Vetor é todo ser vivo capaz de transmitir ativa ou passivamente um agente infectante.

     *BW*

SUBJECT: Re: RES: [ciencialist] Água na fogueira + ps2 para PB
FROM: Belmiro Wolski <belmirow@yahoo.com.br>
TO: "ciencialist@yahoogrupos.com.br" <ciencialist@yahoogrupos.com.br>
DATE: 15/12/2014 19:17

A sua psicoterapeuta cobra também para ler as mensagens? Caso contrário, duvido que leia.

*BW*


Em Segunda-feira, 15 de Dezembro de 2014 17:25, "'Mtnos Calil' mtnoscalil@terra.com.br [ciencialist]" <ciencialist@yahoogrupos.com.br> escreveu:


 
Cco. Para a minha psicoterapeuta cognitiva.
 
Prezado Sarafelli
 
Para responder a sua pergunta sobre sua idéia assim expressa:
[O que estou dizendo é que conceituar, apesar de ser importante, não é tudo para a ciência e que, tão importante quanto, é o tipo de direcionamento, de interconexão e de ordenamento que podemos dar e fazer com esses conceitos. Conceitos que, até mesmo, podem ser um tanto superfícies (superficiais?)  ou incompletos, algo como os aspectos macroscópicos dos conceitos, sem muito refinamento, mas que, se ordenados adequadamente, são capazes de nos dar pistas, assim como soluções para os problemas da ciência]
tenho que ser deselegante e afirmar que nenhum conceito pode ser superficial ou incompleto, embora seja macroscópico por natureza (ou por definição). O que pode ter essa vicissitude é a IDÉIA, que pelo que tenho observado, TODOS USAM COMO SINÔNIMO DE CONCEITO.  Como se vê estamos ainda na pré-história da ciência da linguagem.
Obs. Minha sugestão para curar o transtorno esquizoide dos termos conceituar e conceito é a seguinte.
a) Atribuir à palavra conceito um significado que não tenha NENHUM SINÔNIMO.  
b) Aposentar a palavra conceituar, que como já vimos, cria uma confusão semântica danada. O ser humano não pode conceituar nada porque os conceitos se formam na sua mente através de um processo autopoiético. Quando olhamos para um ET não paramos para criar um conceito de ET. A sua representação imagética invade a nossa mente e nela se fixa; mesmo que a gente se esqueça do ET ele fica arquivado no porão empoeirado da nossa mente chamado elegantemente de “inconsciente”. Aos 7 anos eu vi uma moça ensanguentada nos trilhos de um bonde. Não fiquei traumatizado com isso, mas essa cena vem logo à minha mente sempre que faço uma viajem usando como meio de transporte a máquina do tempo.
O desafio da ciência hoje é juntar todas as ciências numa única ciência. Como isso não é possível, que se formem então grupos de ciências como a “psicossociobiologia” e a “ecossociofisicoquimica”. A sigla “sócio” deve estar presente em todos os grupos, porque supostamente todas as ciências têm o dever ético de servir à humanidade, representada nesta sigla. Muitos cientistas anti-sociais afirmam que a única função da ciência é descobrir a verdade. Acho que me enganei... não são os cientistas que afirmam isso e sim os filósofos da ciência, cujo vinculo com a sociedade, como sabemos é descritivo-contemplativo. Face ao mesmo espírito contemplativo,  os sociólogos estão bem mais próximos da filosofia do que da ciência. Já os psicólogos estão no meio do caminho, o que nos deve aliviar bastante. Quem sabe a humanidade venha um dia a se beneficiar da psicologia como ciência aplicada a todos os seres humanos. Utopia? Sim!  E de que mais depende o nosso futuro amigável além das utopias do conhecimento?
Obrigado, Sarafa!  Da sua provocação benigna surgiu mais um conceito para a definição de conceito que é a sua (dele) formação autopoiética. A propósito, a nossa formação no útero materno não seria também autopoiética? Você sabia que nascemos por acaso? Como a vida não pode ser nem criada nem planejada por nós, algumas de nossas necessidades são supridas pelo acaso. Se o homem tinha necessidade se comunicar com a palavra, as nossas cordas vocais adquiriram a competência de articular os sons da fala linguística devido a um evento casual da seleção natural, que também se desenvolve ao acaso e não apenas para fins programados como sugerem alguns darwinistas ortodoxos. E com a evolução de nossa industria cientifica muitos de nossos aparatos físicos vão se tornando obsoletos. Por exemplo, não precisamos mais de 32 dentes para nos alimentar. Certamente 28 seriam suficientes. Ou não? E as sobrancelhas para que servem? E nos pés: precisamos mesmo de 5 dedos em cada pé? E o apêndice fixado no intestino que vive se inflamando e exigindo uma desagradável cirurgia? E as dobras superiores da orelha? Bem... para os idosos surdos elas ainda têm alguma utilidade, se eles não puderem comprar um aparelho auditivo que custa o olho da cara. Mas o que mais me irrita destas coisas naturais jurássicas é a barba e o cabelo que não param de crescer nunca. Nem na velhice?
Será que na formação dos conceitos existe algum procedimento jurássico? Espero que não!
M.Calil  
Ps1. Confesso que os ilustres pensadores deste grupo estão me mostrando que o CONCEITO é muito mais importante para a formação da espécie humana do que eu tinha pensado. Na verdade nem fiz a ligação entre formação de conceito e formação da espécie humana... Oopss.... mais um conceito (darwinista) para a definição de conceito. Sem o conceito não existiria a palavra e sem ela a espécie humana não teria surgido. Isso reforça a hipótese de que os animais formam conceitos. Se eles têm uma linguagem e se comunicam com bastante eficácia
Ps2 para PB – Estou de férias na companhia diuturna do meu computer e por isso ando escrevendo loucamente. No final deste mês acabam minhas férias. E o mais grave é que o prazo que eu tenho para acabar a definição de conceito se esgota também no final do mês. Vamos então criar uma definição não defintiva... Só nesta mensagem surgiram 2 novos conceitos:  (favor não confundir com ideias – pera aí... não se trata de duas ideias a serem utilizadas na criação da definição da palavra conceito... shiii ... a coisa agora se complicou; mas haveremos de encontrar uma solução, calma PB!):
a) a formação autopoiética dos conceitos
b) importância da formação dos conceitos para a formação da espécie humana> se isso for bobagem depois a gente joga fora – o importante é ter em mente que BRAINSTORM sem direito a falar bobagem é um contrassenso.
Ps3. Quantas páginas terá a definição de conceito? Imagino que sem contar as notas de rodapé,  20 págs. serão suficientes, o que equivale ao espaço utilizado pelo Abbagnano no seu genial Dicionário de Filosofia, para definir várias palavras se mudarmos a  letrinha que ele usa para esse arial 11. O diabo é que estou escrevendo 200 págs. para extrair 20. Acho que deveríamos fazer uma cerimônia para apresentação desta definição, que será a primeira da história da humanidade construída por um grupo pessoas que nunca se viram na vida. Os cientistas deveriam trabalhar assim: em dupla o tempo todo, um discordando do outro e uma vez por ano se reunindo em grupo para fortalecer as teses contrárias.
Ps3.1. Acho que vou usar as 200 páginas, incluindo as mensagens do grupo, para uma versão eletrônica da definição que poderá ter centenas de páginas anexas. Entre as referências iriam alguns livros inteiros. Um deles é o “Notas introdutórias à lógica dialética”. O autor – Caio Prado Jr. – foi muito infeliz neste titulo pois mais de 90% do espaço do livro foi reservado para a lógica da linguagem e dos conceitos.
Ps4. Estou enviando cópia para a minha psicoterapeuta, na esperança que ela tenha tempo de ler essa texterada para os devidos fins, ou seja: o diagnóstico dos meus transtornos psico-neuróticos, que ela chama elegantemente de “cognitivos”.  Talvez essa minha “voracidade redacional oceânica” seja um sintoma. A ver.
 
De: ciencialist@yahoogrupos.com.br [mailto:ciencialist@yahoogrupos.com.br]
Enviada em: segunda-feira, 15 de dezembro de 2014 15:18
Para: ciencialist@yahoogrupos.com.br
Assunto: [ciencialist] Água na fogueira.
 
 
Pessoal,
Vamos supor que já tenhamos constituído todos os conceitos, todas as definições possíveis que representem, de modo mais abrangente e lógico possível, a essência de todas as palavras já criadas pelo ser humano.
E o que poderíamos fazer, então, apenas com essa multidão de conceitos, somente com esse amontoado de tijolos, simplesmente com essa abundancia de peças de um gigantesco quebra-cabeça que chamamos de ciência.
Assim como um monte de tijolos não é uma casa, uma multidão de conceitos, por si, não se constitui em ciência ou, pelo menos, não dá direcionamento a qualquer dos infindáveis ramos da ciência.
Se não tivermos os teóricos para teorizarem, os arquitetos para construírem ou as crianças para darem formas a imaginação, nada de proveitoso pode ser obtido.
O que estou dizendo é que conceituar, apesar de ser importante, não é tudo para a ciência e que, tão importante quanto, é o tipo de direcionamento, de interconexão e de ordenamento que podemos dar e fazer com esses conceitos. Conceitos que, até mesmo, podem ser um tanto superfícies ou incompletos, algo como os aspectos macroscópicos dos conceitos, sem muito refinamento, mas que, se ordenados adequadamente, são capazes de nos dar pistas, assim como soluções para os problemas da ciência.
O que pensam a respeito dessa ideia? 
Sarafelli
Enviado por: sarafelli@hotmail.com

#####   #####   #####

Página de apoio
http://www.ciencialist.com


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SUBJECT: O tom de agressividade verbal de "BW"
FROM: "Mtnos Calil" <mtnoscalil@terra.com.br>
TO: <ciencialist@yahoogrupos.com.br>
DATE: 15/12/2014 19:55

Vou tentar selecionar as suas mensagens para a avaliação dela.

Segundo a minha avaliação a sua comunicação dirigida a mim é marcada por um flagrante “tom de agressividade” que é em si uma reação emocional negativa desprovida de uma razão lógica.

Eu tenho uma reunião semanal com a minha psicoterapeuta, a ser retomada em janeiro.

As mensagens que eu envio a ela apenas aquelas que têm relação com o trabalho dela e também algumas sobre lógica na comunicação, já que eu estou sugerindo a “logicoterapia”.

Se você mora na cidade de São Paulo poderemos ter uma reunião a três sem você precisar pagar nada.

Eu estou, como pode ver, bem treinado para não reagir agressivamente a mensagens agressivas.

Agora por exemplo, estou muito bem humorado – e não estou usando nenhuma ironia.

Abraços

Mtnos Calil

TBHR – Teoria do Bom Humor Radical

Ps. Um dos elementos desta teoria é o pensamento automático, de natureza semelhança ao que ocorre no processo de formação dos conceitos.

 

 

 

De: ciencialist@yahoogrupos.com.br [mailto:ciencialist@yahoogrupos.com.br]
Enviada em: segunda-feira, 15 de dezembro de 2014 19:17
Para: ciencialist@yahoogrupos.com.br
Assunto: Re: RES: [ciencialist] Água na fogueira + ps2 para PB

 

 

A sua psicoterapeuta cobra também para ler as mensagens? Caso contrário, duvido que leia.

 

*BW*

 

Em Segunda-feira, 15 de Dezembro de 2014 17:25, "'Mtnos Calil' mtnoscalil@terra.com.br [ciencialist]" <ciencialist@yahoogrupos.com.br> escreveu:

 

 

Cco. Para a minha psicoterapeuta cognitiva.

 

Prezado Sarafelli

 

Para responder a sua pergunta sobre sua idéia assim expressa:

[O que estou dizendo é que conceituar, apesar de ser importante, não é tudo para a ciência e que, tão importante quanto, é o tipo de direcionamento, de interconexão e de ordenamento que podemos dar e fazer com esses conceitos. Conceitos que, até mesmo, podem ser um tanto superfícies (superficiais?)  ou incompletos, algo como os aspectos macroscópicos dos conceitos, sem muito refinamento, mas que, se ordenados adequadamente, são capazes de nos dar pistas, assim como soluções para os problemas da ciência]

tenho que ser deselegante e afirmar que nenhum conceito pode ser superficial ou incompleto, embora seja macroscópico por natureza (ou por definição). O que pode ter essa vicissitude é a IDÉIA, que pelo que tenho observado, TODOS USAM COMO SINÔNIMO DE CONCEITO.  Como se vê estamos ainda na pré-história da ciência da linguagem.

Obs. Minha sugestão para curar o transtorno esquizoide dos termos conceituar e conceito é a seguinte.

a) Atribuir à palavra conceito um significado que não tenha NENHUM SINÔNIMO.  

b) Aposentar a palavra conceituar, que como já vimos, cria uma confusão semântica danada. O ser humano não pode conceituar nada porque os conceitos se formam na sua mente através de um processo autopoiético. Quando olhamos para um ET não paramos para criar um conceito de ET. A sua representação imagética invade a nossa mente e nela se fixa; mesmo que a gente se esqueça do ET ele fica arquivado no porão empoeirado da nossa mente chamado elegantemente de “inconsciente”. Aos 7 anos eu vi uma moça ensanguentada nos trilhos de um bonde. Não fiquei traumatizado com isso, mas essa cena vem logo à minha mente sempre que faço uma viajem usando como meio de transporte a máquina do tempo.

O desafio da ciência hoje é juntar todas as ciências numa única ciência. Como isso não é possível, que se formem então grupos de ciências como a “psicossociobiologia” e a “ecossociofisicoquimica”. A sigla “sócio” deve estar presente em todos os grupos, porque supostamente todas as ciências têm o dever ético de servir à humanidade, representada nesta sigla. Muitos cientistas anti-sociais afirmam que a única função da ciência é descobrir a verdade. Acho que me enganei... não são os cientistas que afirmam isso e sim os filósofos da ciência, cujo vinculo com a sociedade, como sabemos é descritivo-contemplativo. Face ao mesmo espírito contemplativo,  os sociólogos estão bem mais próximos da filosofia do que da ciência. Já os psicólogos estão no meio do caminho, o que nos deve aliviar bastante. Quem sabe a humanidade venha um dia a se beneficiar da psicologia como ciência aplicada a todos os seres humanos. Utopia? Sim!  E de que mais depende o nosso futuro amigável além das utopias do conhecimento?

Obrigado, Sarafa!  Da sua provocação benigna surgiu mais um conceito para a definição de conceito que é a sua (dele) formação autopoiética. A propósito, a nossa formação no útero materno não seria também autopoiética? Você sabia que nascemos por acaso? Como a vida não pode ser nem criada nem planejada por nós, algumas de nossas necessidades são supridas pelo acaso. Se o homem tinha necessidade se comunicar com a palavra, as nossas cordas vocais adquiriram a competência de articular os sons da fala linguística devido a um evento casual da seleção natural, que também se desenvolve ao acaso e não apenas para fins programados como sugerem alguns darwinistas ortodoxos. E com a evolução de nossa industria cientifica muitos de nossos aparatos físicos vão se tornando obsoletos. Por exemplo, não precisamos mais de 32 dentes para nos alimentar. Certamente 28 seriam suficientes. Ou não? E as sobrancelhas para que servem? E nos pés: precisamos mesmo de 5 dedos em cada pé? E o apêndice fixado no intestino que vive se inflamando e exigindo uma desagradável cirurgia? E as dobras superiores da orelha? Bem... para os idosos surdos elas ainda têm alguma utilidade, se eles não puderem comprar um aparelho auditivo que custa o olho da cara. Mas o que mais me irrita destas coisas naturais jurássicas é a barba e o cabelo que não param de crescer nunca. Nem na velhice?

Será que na formação dos conceitos existe algum procedimento jurássico? Espero que não!

M.Calil  

Ps1. Confesso que os ilustres pensadores deste grupo estão me mostrando que o CONCEITO é muito mais importante para a formação da espécie humana do que eu tinha pensado. Na verdade nem fiz a ligação entre formação de conceito e formação da espécie humana... Oopss.... mais um conceito (darwinista) para a definição de conceito. Sem o conceito não existiria a palavra e sem ela a espécie humana não teria surgido. Isso reforça a hipótese de que os animais formam conceitos. Se eles têm uma linguagem e se comunicam com bastante eficácia

Ps2 para PB – Estou de férias na companhia diuturna do meu computer e por isso ando escrevendo loucamente. No final deste mês acabam minhas férias. E o mais grave é que o prazo que eu tenho para acabar a definição de conceito se esgota também no final do mês. Vamos então criar uma definição não defintiva... Só nesta mensagem surgiram 2 novos conceitos:  (favor não confundir com ideias – pera aí... não se trata de duas ideias a serem utilizadas na criação da definição da palavra conceito... shiii ... a coisa agora se complicou; mas haveremos de encontrar uma solução, calma PB!):

a) a formação autopoiética dos conceitos

b) importância da formação dos conceitos para a formação da espécie humana> se isso for bobagem depois a gente joga fora – o importante é ter em mente que BRAINSTORM sem direito a falar bobagem é um contrassenso.

Ps3. Quantas páginas terá a definição de conceito? Imagino que sem contar as notas de rodapé,  20 págs. serão suficientes, o que equivale ao espaço utilizado pelo Abbagnano no seu genial Dicionário de Filosofia, para definir várias palavras se mudarmos a  letrinha que ele usa para esse arial 11. O diabo é que estou escrevendo 200 págs. para extrair 20. Acho que deveríamos fazer uma cerimônia para apresentação desta definição, que será a primeira da história da humanidade construída por um grupo pessoas que nunca se viram na vida. Os cientistas deveriam trabalhar assim: em dupla o tempo todo, um discordando do outro e uma vez por ano se reunindo em grupo para fortalecer as teses contrárias.

Ps3.1. Acho que vou usar as 200 páginas, incluindo as mensagens do grupo, para uma versão eletrônica da definição que poderá ter centenas de páginas anexas. Entre as referências iriam alguns livros inteiros. Um deles é o “Notas introdutórias à lógica dialética”. O autor – Caio Prado Jr. – foi muito infeliz neste titulo pois mais de 90% do espaço do livro foi reservado para a lógica da linguagem e dos conceitos.

Ps4. Estou enviando cópia para a minha psicoterapeuta, na esperança que ela tenha tempo de ler essa texterada para os devidos fins, ou seja: o diagnóstico dos meus transtornos psico-neuróticos, que ela chama elegantemente de “cognitivos”.  Talvez essa minha “voracidade redacional oceânica” seja um sintoma. A ver.

 

 

De: ciencialist@yahoogrupos.com.br [mailto:ciencialist@yahoogrupos.com.br]
Enviada em: segunda-feira, 15 de dezembro de 2014 15:18
Para: ciencialist@yahoogrupos.com.br
Assunto: [ciencialist] Água na fogueira.

 

 

Pessoal,

Vamos supor que já tenhamos constituído todos os conceitos, todas as definições possíveis que representem, de modo mais abrangente e lógico possível, a essência de todas as palavras já criadas pelo ser humano.

E o que poderíamos fazer, então, apenas com essa multidão de conceitos, somente com esse amontoado de tijolos, simplesmente com essa abundancia de peças de um gigantesco quebra-cabeça que chamamos de ciência.

Assim como um monte de tijolos não é uma casa, uma multidão de conceitos, por si, não se constitui em ciência ou, pelo menos, não dá direcionamento a qualquer dos infindáveis ramos da ciência.

Se não tivermos os teóricos para teorizarem, os arquitetos para construírem ou as crianças para darem formas a imaginação, nada de proveitoso pode ser obtido.

O que estou dizendo é que conceituar, apesar de ser importante, não é tudo para a ciência e que, tão importante quanto, é o tipo de direcionamento, de interconexão e de ordenamento que podemos dar e fazer com esses conceitos. Conceitos que, até mesmo, podem ser um tanto superfícies ou incompletos, algo como os aspectos macroscópicos dos conceitos, sem muito refinamento, mas que, se ordenados adequadamente, são capazes de nos dar pistas, assim como soluções para os problemas da ciência.

O que pensam a respeito dessa ideia? 

Sarafelli

Enviado por: sarafelli@hotmail.com


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SUBJECT: Re: [ciencialist] O tom de agressividade verbal de "BW"
FROM: Belmiro Wolski <belmirow@yahoo.com.br>
TO: "ciencialist@yahoogrupos.com.br" <ciencialist@yahoogrupos.com.br>
DATE: 15/12/2014 20:20

Caro Mtnos.

Creio que a razão lógica para a minha suposta agressividade esteja embutida dentro de um justificável preconceito em relação às suas mensagens sempre carregadas de ironia. Não obstante à ironia, também prima pelo péssimo hábito de sugerir aos interlocutores estarem sendo agredidos, mesmo não estando, como no caso da sugestão de eu quebrar o teclado do meu computador, enraivecido que estaria por conta de suas notáveis colocações incontestáveis. Assim, se desejar uma troca de mensagens amistosa e respeitosa, deve começar a pensar melhor no que escreve, deixando um pouco de lado o enfadonho vício de tentar explicar o que não precisa e fugir do foco, gerando intermináveis discussões paralelas. 

*BW*

P.S. E por favor, não tente me explicar o que é preconceito, pois sou, assim como todo mundo é, preconceituoso.


Em Segunda-feira, 15 de Dezembro de 2014 19:55, "'Mtnos Calil' mtnoscalil@terra.com.br [ciencialist]" <ciencialist@yahoogrupos.com.br> escreveu:


 
Vou tentar selecionar as suas mensagens para a avaliação dela.
Segundo a minha avaliação a sua comunicação dirigida a mim é marcada por um flagrante “tom de agressividade” que é em si uma reação emocional negativa desprovida de uma razão lógica.
Eu tenho uma reunião semanal com a minha psicoterapeuta, a ser retomada em janeiro.
As mensagens que eu envio a ela apenas aquelas que têm relação com o trabalho dela e também algumas sobre lógica na comunicação, já que eu estou sugerindo a “logicoterapia”.
Se você mora na cidade de São Paulo poderemos ter uma reunião a três sem você precisar pagar nada.
Eu estou, como pode ver, bem treinado para não reagir agressivamente a mensagens agressivas.
Agora por exemplo, estou muito bem humorado – e não estou usando nenhuma ironia.
Abraços
Mtnos Calil
TBHR – Teoria do Bom Humor Radical
Ps. Um dos elementos desta teoria é o pensamento automático, de natureza semelhança ao que ocorre no processo de formação dos conceitos.
 
 
De: ciencialist@yahoogrupos.com.br [mailto:ciencialist@yahoogrupos.com.br]
Enviada em: segunda-feira, 15 de dezembro de 2014 19:17
Para: ciencialist@yahoogrupos.com.br
Assunto: Re: RES: [ciencialist] Água na fogueira + ps2 para PB
 
 
A sua psicoterapeuta cobra também para ler as mensagens? Caso contrário, duvido que leia.
 
*BW*
 
Em Segunda-feira, 15 de Dezembro de 2014 17:25, "'Mtnos Calil' mtnoscalil@terra.com.br [ciencialist]" <ciencialist@yahoogrupos.com.br> escreveu:
 
 
Cco. Para a minha psicoterapeuta cognitiva.
 
Prezado Sarafelli
 
Para responder a sua pergunta sobre sua idéia assim expressa:
[O que estou dizendo é que conceituar, apesar de ser importante, não é tudo para a ciência e que, tão importante quanto, é o tipo de direcionamento, de interconexão e de ordenamento que podemos dar e fazer com esses conceitos. Conceitos que, até mesmo, podem ser um tanto superfícies (superficiais?)  ou incompletos, algo como os aspectos macroscópicos dos conceitos, sem muito refinamento, mas que, se ordenados adequadamente, são capazes de nos dar pistas, assim como soluções para os problemas da ciência]
tenho que ser deselegante e afirmar que nenhum conceito pode ser superficial ou incompleto, embora seja macroscópico por natureza (ou por definição). O que pode ter essa vicissitude é a IDÉIA, que pelo que tenho observado, TODOS USAM COMO SINÔNIMO DE CONCEITO.  Como se vê estamos ainda na pré-história da ciência da linguagem.
Obs. Minha sugestão para curar o transtorno esquizoide dos termos conceituar e conceito é a seguinte.
a) Atribuir à palavra conceito um significado que não tenha NENHUM SINÔNIMO.  
b) Aposentar a palavra conceituar, que como já vimos, cria uma confusão semântica danada. O ser humano não pode conceituar nada porque os conceitos se formam na sua mente através de um processo autopoiético. Quando olhamos para um ET não paramos para criar um conceito de ET. A sua representação imagética invade a nossa mente e nela se fixa; mesmo que a gente se esqueça do ET ele fica arquivado no porão empoeirado da nossa mente chamado elegantemente de “inconsciente”. Aos 7 anos eu vi uma moça ensanguentada nos trilhos de um bonde. Não fiquei traumatizado com isso, mas essa cena vem logo à minha mente sempre que faço uma viajem usando como meio de transporte a máquina do tempo.
O desafio da ciência hoje é juntar todas as ciências numa única ciência. Como isso não é possível, que se formem então grupos de ciências como a “psicossociobiologia” e a “ecossociofisicoquimica”. A sigla “sócio” deve estar presente em todos os grupos, porque supostamente todas as ciências têm o dever ético de servir à humanidade, representada nesta sigla. Muitos cientistas anti-sociais afirmam que a única função da ciência é descobrir a verdade. Acho que me enganei... não são os cientistas que afirmam isso e sim os filósofos da ciência, cujo vinculo com a sociedade, como sabemos é descritivo-contemplativo. Face ao mesmo espírito contemplativo,  os sociólogos estão bem mais próximos da filosofia do que da ciência. Já os psicólogos estão no meio do caminho, o que nos deve aliviar bastante. Quem sabe a humanidade venha um dia a se beneficiar da psicologia como ciência aplicada a todos os seres humanos. Utopia? Sim!  E de que mais depende o nosso futuro amigável além das utopias do conhecimento?
Obrigado, Sarafa!  Da sua provocação benigna surgiu mais um conceito para a definição de conceito que é a sua (dele) formação autopoiética. A propósito, a nossa formação no útero materno não seria também autopoiética? Você sabia que nascemos por acaso? Como a vida não pode ser nem criada nem planejada por nós, algumas de nossas necessidades são supridas pelo acaso. Se o homem tinha necessidade se comunicar com a palavra, as nossas cordas vocais adquiriram a competência de articular os sons da fala linguística devido a um evento casual da seleção natural, que também se desenvolve ao acaso e não apenas para fins programados como sugerem alguns darwinistas ortodoxos. E com a evolução de nossa industria cientifica muitos de nossos aparatos físicos vão se tornando obsoletos. Por exemplo, não precisamos mais de 32 dentes para nos alimentar. Certamente 28 seriam suficientes. Ou não? E as sobrancelhas para que servem? E nos pés: precisamos mesmo de 5 dedos em cada pé? E o apêndice fixado no intestino que vive se inflamando e exigindo uma desagradável cirurgia? E as dobras superiores da orelha? Bem... para os idosos surdos elas ainda têm alguma utilidade, se eles não puderem comprar um aparelho auditivo que custa o olho da cara. Mas o que mais me irrita destas coisas naturais jurássicas é a barba e o cabelo que não param de crescer nunca. Nem na velhice?
Será que na formação dos conceitos existe algum procedimento jurássico? Espero que não!
M.Calil  
Ps1. Confesso que os ilustres pensadores deste grupo estão me mostrando que o CONCEITO é muito mais importante para a formação da espécie humana do que eu tinha pensado. Na verdade nem fiz a ligação entre formação de conceito e formação da espécie humana... Oopss.... mais um conceito (darwinista) para a definição de conceito. Sem o conceito não existiria a palavra e sem ela a espécie humana não teria surgido. Isso reforça a hipótese de que os animais formam conceitos. Se eles têm uma linguagem e se comunicam com bastante eficácia
Ps2 para PB – Estou de férias na companhia diuturna do meu computer e por isso ando escrevendo loucamente. No final deste mês acabam minhas férias. E o mais grave é que o prazo que eu tenho para acabar a definição de conceito se esgota também no final do mês. Vamos então criar uma definição não defintiva... Só nesta mensagem surgiram 2 novos conceitos:  (favor não confundir com ideias – pera aí... não se trata de duas ideias a serem utilizadas na criação da definição da palavra conceito... shiii ... a coisa agora se complicou; mas haveremos de encontrar uma solução, calma PB!):
a) a formação autopoiética dos conceitos
b) importância da formação dos conceitos para a formação da espécie humana> se isso for bobagem depois a gente joga fora – o importante é ter em mente que BRAINSTORM sem direito a falar bobagem é um contrassenso.
Ps3. Quantas páginas terá a definição de conceito? Imagino que sem contar as notas de rodapé,  20 págs. serão suficientes, o que equivale ao espaço utilizado pelo Abbagnano no seu genial Dicionário de Filosofia, para definir várias palavras se mudarmos a  letrinha que ele usa para esse arial 11. O diabo é que estou escrevendo 200 págs. para extrair 20. Acho que deveríamos fazer uma cerimônia para apresentação desta definição, que será a primeira da história da humanidade construída por um grupo pessoas que nunca se viram na vida. Os cientistas deveriam trabalhar assim: em dupla o tempo todo, um discordando do outro e uma vez por ano se reunindo em grupo para fortalecer as teses contrárias.
Ps3.1. Acho que vou usar as 200 páginas, incluindo as mensagens do grupo, para uma versão eletrônica da definição que poderá ter centenas de páginas anexas. Entre as referências iriam alguns livros inteiros. Um deles é o “Notas introdutórias à lógica dialética”. O autor – Caio Prado Jr. – foi muito infeliz neste titulo pois mais de 90% do espaço do livro foi reservado para a lógica da linguagem e dos conceitos.
Ps4. Estou enviando cópia para a minha psicoterapeuta, na esperança que ela tenha tempo de ler essa texterada para os devidos fins, ou seja: o diagnóstico dos meus transtornos psico-neuróticos, que ela chama elegantemente de “cognitivos”.  Talvez essa minha “voracidade redacional oceânica” seja um sintoma. A ver.
 
 
De: ciencialist@yahoogrupos.com.br [mailto:ciencialist@yahoogrupos.com.br]
Enviada em: segunda-feira, 15 de dezembro de 2014 15:18
Para: ciencialist@yahoogrupos.com.br
Assunto: [ciencialist] Água na fogueira.
 
 
Pessoal,
Vamos supor que já tenhamos constituído todos os conceitos, todas as definições possíveis que representem, de modo mais abrangente e lógico possível, a essência de todas as palavras já criadas pelo ser humano.
E o que poderíamos fazer, então, apenas com essa multidão de conceitos, somente com esse amontoado de tijolos, simplesmente com essa abundancia de peças de um gigantesco quebra-cabeça que chamamos de ciência.
Assim como um monte de tijolos não é uma casa, uma multidão de conceitos, por si, não se constitui em ciência ou, pelo menos, não dá direcionamento a qualquer dos infindáveis ramos da ciência.
Se não tivermos os teóricos para teorizarem, os arquitetos para construírem ou as crianças para darem formas a imaginação, nada de proveitoso pode ser obtido.
O que estou dizendo é que conceituar, apesar de ser importante, não é tudo para a ciência e que, tão importante quanto, é o tipo de direcionamento, de interconexão e de ordenamento que podemos dar e fazer com esses conceitos. Conceitos que, até mesmo, podem ser um tanto superfícies ou incompletos, algo como os aspectos macroscópicos dos conceitos, sem muito refinamento, mas que, se ordenados adequadamente, são capazes de nos dar pistas, assim como soluções para os problemas da ciência.
O que pensam a respeito dessa ideia? 
Sarafelli
Enviado por: sarafelli@hotmail.com

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SUBJECT: RES: [ciencialist] O tom de agressividade verbal de "BW"
FROM: "Mtnos Calil" <mtnoscalil@terra.com.br>
TO: <ciencialist@yahoogrupos.com.br>
DATE: 15/12/2014 21:09

Cco. para a psicoterapeuta cognitiva.

================================================

 

Ok. Temos ai uma excelente oportunidade para uma análise psicológica de uma comunicação feita à distância por e-mail.

Precisamos VERIFICAR TUDO dos dois lados, pois em geral  quando se verificam dificuldades de relacionamento como estas, as “falhas comportamentais” ocorrem dos dois lados.

 

1. Me parece que há uma generalização sua em relação à minha ironia que precisamos verificar. .

Uma análise cientifica do meu comportamento exigiria que você apresentasse uma seleção das minhas falas irônicas.

Essa análise com rigor cientifico é possível porque toda a nossa comunicação está escrita.

 

2. Vejamos este seu depoimento:

 

Não obstante à ironia, também prima pelo péssimo hábito de sugerir aos interlocutores estarem sendo agredidos, mesmo não estando, como no caso da sugestão de eu quebrar o teclado do meu computador, enraivecido que estaria por conta de suas notáveis colocações incontestáveis.

 

a)  Aqui também caberia apresentar o texto porque há uma INTERPRETAÇÃO das minhas palavras. Se alguém me dissesse algo do gênero “Calil não fique enraivecido com a minha colocação e contenha seu impulso de quebrar o computador” a minha primeira reação emocional seria achar a coisa engraçada.  Em seguida em responderia certamente sem agressividade alguma pois não me sentira nada agredido com essa frase. A diferença de nossa conduta em relação é muito acentuada o que novamente reforça a minha hipótese de que você esteja reagindo com exagerada emoção por razões que não sabemos quais são.  O que eu fiz nesta 2ª. passagem minha pelo grupo foi me ADAPTAR à cultura reinante marcada por gozações. Verifiquei – agora como nunca – como podemos aproveitar muito o convívio com estes “gozadores” (ou mesmo as vezes destemperados) deixando as emoções de lado e nos concentrando no conteúdo das criticas e sugestões. As contribuições que tenho recebido superam qualquer expectativa. Se meu comportamento fosse tão negativo quanto sugere a sua avaliação eu não teria recebido tantas contribuições.

 

b) Mais uma desqualificação: eu estou sofrendo do “enfadonho vício de tentar explicar o que não precisa e fugir do foco, gerando intermináveis discussões paralelas”

 

Diante de um processo generalizado de desqualficações levanto a hipótese de que eu estou representando algum personagem da sua vida que teve o mesmo ou semelhante comportamento negativo a mim atribuído.

 

Você não percebeu o que estou fazendo aqui. Estou participando de um debate que para mim está sendo RIQUISSIMO porque do debate estão surgindo importantes e inesperados subsídios para o segundo volume do meu livrinho de lógica na comunicação, coisa que eu não esperava, pois quando voltei ao grupo foi com a expectativa muito menor de construir uma definição com o grupo de ciência e metodologia cientifica por uma razão prática.

 

3. Uma das necessidades VITAIS da humanidade hoje é rever suas condutas emocionais, vinculadas à desordem social que vai se disseminando pelo planeta. E o que os cientistas estão fazendo a respeito? No plano social, NADA ou praticamente nada. O mundo acadêmico vive fechando em si mesmo como se a humanidade não estivesse passando por uma gravíssima crise.

 

Abraços

Mtnos Calil

 

Ps. Eu aprendi com alguns escritores que eles escrevem muito mais do que publicam, jogando fora boa parte dos seus textos. Por isso não me preocupo com o excesso de palavras, porque basta uma frase em cada 50 ou 100 para justificar o desperdício, porque a QUALIDADE NASCE DA QUANTIDADE. Às vezes uma única frase é suficiente para nortear um objetivo de vida. Foi o que aconteceu comigo quando há cerca de 10 anos li esta frase num livro: “para serem felizes as pessoas precisam realizar suas potencialidades”. Poderia ter passado por essa vida sem ter conhecimento desta frase de importância vital. O fato de ela não ser disseminada não é casual, pois esse é o grande problema da humanidade – ela não conseguiu realizar suas potencialidades e corre o risco de ir para o beleléu.. O autor da frase – Rollo May – a colocou no meio de tantas outras em seu livro “O homem à procura de si mesmo” sem lhe dar o devido destaque. Essa frase é de uma importância tão extraordinária que mereceria um livro, pois a nossa sociedade está organizada de tal modo que as pessoas não são preparadas para realizarem as suas potencialidades o que provoca um tremendo atraso no desenvolvimento humano.

Veja como a sua critica despertou em mim a valorização da realização das potencialidades humanas para muito além do que eu tinha estabelecido.

Isso me surpreende- e muito – mesmo diante de uma critica não construtiva eu reajo construtivamente. Não consigo entender como estou conseguindo transformar o negativo em positivo. O que sabia a respeito é que devemos valorizar o positivo em detrimento do negativo, mas aproveitar o negativo para construir o positivo, me parece que estou aprendendo aqui e agora.

 

Essa minha passagem pelo grupo está sendo tão importante que vou montar um relatório para encaminhar para a psicoterapeuta.

 

 

 

 

De: ciencialist@yahoogrupos.com.br [mailto:ciencialist@yahoogrupos.com.br]
Enviada em: segunda-feira, 15 de dezembro de 2014 20:21
Para: ciencialist@yahoogrupos.com.br
Assunto: Re: [ciencialist] O tom de agressividade verbal de "BW"

 

 

Caro Mtnos.

 

Creio que a razão lógica para a minha suposta agressividade esteja embutida dentro de um justificável preconceito em relação às suas mensagens sempre carregadas de ironia. Não obstante à ironia, também prima pelo péssimo hábito de sugerir aos interlocutores estarem sendo agredidos, mesmo não estando, como no caso da sugestão de eu quebrar o teclado do meu computador, enraivecido que estaria por conta de suas notáveis colocações incontestáveis. Assim, se desejar uma troca de mensagens amistosa e respeitosa, deve começar a pensar melhor no que escreve, deixando um pouco de lado o enfadonho vício de tentar explicar o que não precisa e fugir do foco, gerando intermináveis discussões paralelas. 

 

*BW*

 

P.S. E por favor, não tente me explicar o que é preconceito, pois sou, assim como todo mundo é, preconceituoso.

 

Em Segunda-feira, 15 de Dezembro de 2014 19:55, "'Mtnos Calil' mtnoscalil@terra.com.br [ciencialist]" <ciencialist@yahoogrupos.com.br> escreveu:

 

 

Vou tentar selecionar as suas mensagens para a avaliação dela.

Segundo a minha avaliação a sua comunicação dirigida a mim é marcada por um flagrante “tom de agressividade” que é em si uma reação emocional negativa desprovida de uma razão lógica.

Eu tenho uma reunião semanal com a minha psicoterapeuta, a ser retomada em janeiro.

As mensagens que eu envio a ela apenas aquelas que têm relação com o trabalho dela e também algumas sobre lógica na comunicação, já que eu estou sugerindo a “logicoterapia”.

Se você mora na cidade de São Paulo poderemos ter uma reunião a três sem você precisar pagar nada.

Eu estou, como pode ver, bem treinado para não reagir agressivamente a mensagens agressivas.

Agora por exemplo, estou muito bem humorado – e não estou usando nenhuma ironia.

Abraços

Mtnos Calil

TBHR – Teoria do Bom Humor Radical

Ps. Um dos elementos desta teoria é o pensamento automático, de natureza semelhança ao que ocorre no processo de formação dos conceitos.

 

 

 

De: ciencialist@yahoogrupos.com.br [mailto:ciencialist@yahoogrupos.com.br]
Enviada em: segunda-feira, 15 de dezembro de 2014 19:17
Para: ciencialist@yahoogrupos.com.br
Assunto: Re: RES: [ciencialist] Água na fogueira + ps2 para PB

 

 

A sua psicoterapeuta cobra também para ler as mensagens? Caso contrário, duvido que leia.

 

*BW*

 

Em Segunda-feira, 15 de Dezembro de 2014 17:25, "'Mtnos Calil' mtnoscalil@terra.com.br [ciencialist]" <ciencialist@yahoogrupos.com.br> escreveu:

 

 

Cco. Para a minha psicoterapeuta cognitiva.

 

Prezado Sarafelli

 

Para responder a sua pergunta sobre sua idéia assim expressa:

[O que estou dizendo é que conceituar, apesar de ser importante, não é tudo para a ciência e que, tão importante quanto, é o tipo de direcionamento, de interconexão e de ordenamento que podemos dar e fazer com esses conceitos. Conceitos que, até mesmo, podem ser um tanto superfícies (superficiais?)  ou incompletos, algo como os aspectos macroscópicos dos conceitos, sem muito refinamento, mas que, se ordenados adequadamente, são capazes de nos dar pistas, assim como soluções para os problemas da ciência]

tenho que ser deselegante e afirmar que nenhum conceito pode ser superficial ou incompleto, embora seja macroscópico por natureza (ou por definição). O que pode ter essa vicissitude é a IDÉIA, que pelo que tenho observado, TODOS USAM COMO SINÔNIMO DE CONCEITO.  Como se vê estamos ainda na pré-história da ciência da linguagem.

Obs. Minha sugestão para curar o transtorno esquizoide dos termos conceituar e conceito é a seguinte.

a) Atribuir à palavra conceito um significado que não tenha NENHUM SINÔNIMO.  

b) Aposentar a palavra conceituar, que como já vimos, cria uma confusão semântica danada. O ser humano não pode conceituar nada porque os conceitos se formam na sua mente através de um processo autopoiético. Quando olhamos para um ET não paramos para criar um conceito de ET. A sua representação imagética invade a nossa mente e nela se fixa; mesmo que a gente se esqueça do ET ele fica arquivado no porão empoeirado da nossa mente chamado elegantemente de “inconsciente”. Aos 7 anos eu vi uma moça ensanguentada nos trilhos de um bonde. Não fiquei traumatizado com isso, mas essa cena vem logo à minha mente sempre que faço uma viajem usando como meio de transporte a máquina do tempo.

O desafio da ciência hoje é juntar todas as ciências numa única ciência. Como isso não é possível, que se formem então grupos de ciências como a “psicossociobiologia” e a “ecossociofisicoquimica”. A sigla “sócio” deve estar presente em todos os grupos, porque supostamente todas as ciências têm o dever ético de servir à humanidade, representada nesta sigla. Muitos cientistas anti-sociais afirmam que a única função da ciência é descobrir a verdade. Acho que me enganei... não são os cientistas que afirmam isso e sim os filósofos da ciência, cujo vinculo com a sociedade, como sabemos é descritivo-contemplativo. Face ao mesmo espírito contemplativo,  os sociólogos estão bem mais próximos da filosofia do que da ciência. Já os psicólogos estão no meio do caminho, o que nos deve aliviar bastante. Quem sabe a humanidade venha um dia a se beneficiar da psicologia como ciência aplicada a todos os seres humanos. Utopia? Sim!  E de que mais depende o nosso futuro amigável além das utopias do conhecimento?

Obrigado, Sarafa!  Da sua provocação benigna surgiu mais um conceito para a definição de conceito que é a sua (dele) formação autopoiética. A propósito, a nossa formação no útero materno não seria também autopoiética? Você sabia que nascemos por acaso? Como a vida não pode ser nem criada nem planejada por nós, algumas de nossas necessidades são supridas pelo acaso. Se o homem tinha necessidade se comunicar com a palavra, as nossas cordas vocais adquiriram a competência de articular os sons da fala linguística devido a um evento casual da seleção natural, que também se desenvolve ao acaso e não apenas para fins programados como sugerem alguns darwinistas ortodoxos. E com a evolução de nossa industria cientifica muitos de nossos aparatos físicos vão se tornando obsoletos. Por exemplo, não precisamos mais de 32 dentes para nos alimentar. Certamente 28 seriam suficientes. Ou não? E as sobrancelhas para que servem? E nos pés: precisamos mesmo de 5 dedos em cada pé? E o apêndice fixado no intestino que vive se inflamando e exigindo uma desagradável cirurgia? E as dobras superiores da orelha? Bem... para os idosos surdos elas ainda têm alguma utilidade, se eles não puderem comprar um aparelho auditivo que custa o olho da cara. Mas o que mais me irrita destas coisas naturais jurássicas é a barba e o cabelo que não param de crescer nunca. Nem na velhice?

Será que na formação dos conceitos existe algum procedimento jurássico? Espero que não!

M.Calil  

Ps1. Confesso que os ilustres pensadores deste grupo estão me mostrando que o CONCEITO é muito mais importante para a formação da espécie humana do que eu tinha pensado. Na verdade nem fiz a ligação entre formação de conceito e formação da espécie humana... Oopss.... mais um conceito (darwinista) para a definição de conceito. Sem o conceito não existiria a palavra e sem ela a espécie humana não teria surgido. Isso reforça a hipótese de que os animais formam conceitos. Se eles têm uma linguagem e se comunicam com bastante eficácia

Ps2 para PB – Estou de férias na companhia diuturna do meu computer e por isso ando escrevendo loucamente. No final deste mês acabam minhas férias. E o mais grave é que o prazo que eu tenho para acabar a definição de conceito se esgota também no final do mês. Vamos então criar uma definição não defintiva... Só nesta mensagem surgiram 2 novos conceitos:  (favor não confundir com ideias – pera aí... não se trata de duas ideias a serem utilizadas na criação da definição da palavra conceito... shiii ... a coisa agora se complicou; mas haveremos de encontrar uma solução, calma PB!):

a) a formação autopoiética dos conceitos

b) importância da formação dos conceitos para a formação da espécie humana> se isso for bobagem depois a gente joga fora – o importante é ter em mente que BRAINSTORM sem direito a falar bobagem é um contrassenso.

Ps3. Quantas páginas terá a definição de conceito? Imagino que sem contar as notas de rodapé,  20 págs. serão suficientes, o que equivale ao espaço utilizado pelo Abbagnano no seu genial Dicionário de Filosofia, para definir várias palavras se mudarmos a  letrinha que ele usa para esse arial 11. O diabo é que estou escrevendo 200 págs. para extrair 20. Acho que deveríamos fazer uma cerimônia para apresentação desta definição, que será a primeira da história da humanidade construída por um grupo pessoas que nunca se viram na vida. Os cientistas deveriam trabalhar assim: em dupla o tempo todo, um discordando do outro e uma vez por ano se reunindo em grupo para fortalecer as teses contrárias.

Ps3.1. Acho que vou usar as 200 páginas, incluindo as mensagens do grupo, para uma versão eletrônica da definição que poderá ter centenas de páginas anexas. Entre as referências iriam alguns livros inteiros. Um deles é o “Notas introdutórias à lógica dialética”. O autor – Caio Prado Jr. – foi muito infeliz neste titulo pois mais de 90% do espaço do livro foi reservado para a lógica da linguagem e dos conceitos.

Ps4. Estou enviando cópia para a minha psicoterapeuta, na esperança que ela tenha tempo de ler essa texterada para os devidos fins, ou seja: o diagnóstico dos meus transtornos psico-neuróticos, que ela chama elegantemente de “cognitivos”.  Talvez essa minha “voracidade redacional oceânica” seja um sintoma. A ver.

 

 

De: ciencialist@yahoogrupos.com.br [mailto:ciencialist@yahoogrupos.com.br]
Enviada em: segunda-feira, 15 de dezembro de 2014 15:18
Para: ciencialist@yahoogrupos.com.br
Assunto: [ciencialist] Água na fogueira.

 

 

Pessoal,

Vamos supor que já tenhamos constituído todos os conceitos, todas as definições possíveis que representem, de modo mais abrangente e lógico possível, a essência de todas as palavras já criadas pelo ser humano.

E o que poderíamos fazer, então, apenas com essa multidão de conceitos, somente com esse amontoado de tijolos, simplesmente com essa abundancia de peças de um gigantesco quebra-cabeça que chamamos de ciência.

Assim como um monte de tijolos não é uma casa, uma multidão de conceitos, por si, não se constitui em ciência ou, pelo menos, não dá direcionamento a qualquer dos infindáveis ramos da ciência.

Se não tivermos os teóricos para teorizarem, os arquitetos para construírem ou as crianças para darem formas a imaginação, nada de proveitoso pode ser obtido.

O que estou dizendo é que conceituar, apesar de ser importante, não é tudo para a ciência e que, tão importante quanto, é o tipo de direcionamento, de interconexão e de ordenamento que podemos dar e fazer com esses conceitos. Conceitos que, até mesmo, podem ser um tanto superfícies ou incompletos, algo como os aspectos macroscópicos dos conceitos, sem muito refinamento, mas que, se ordenados adequadamente, são capazes de nos dar pistas, assim como soluções para os problemas da ciência.

O que pensam a respeito dessa ideia? 

Sarafelli

Enviado por: sarafelli@hotmail.com


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SUBJECT: Re: Modelo Merônico
FROM: sarafelli@hotmail.com
TO: <ciencialist@yahoogrupos.com.br>
DATE: 15/12/2014 22:24

Olá pessoal,

 

Não estão interessados em saber que;


·         Um átomo de hidrogênio não é formado por um próton e um elétron;


·         O isótopo do átomo de hidrogênio, o deutério, não é constituído por um próton, um nêutron e um elétron;


·         Um próton, um nêutron e um elétron são, na verdade, a mesma estrutura;


·         Um átomo de hidrogênio é constituído pela interação de 48 campos magnéticos em vórtice, que são gerados por 12 partículas fundamentais de energia com dimensão zero;


·         Esses 48 campos magnéticos em vórtice são constituídos por apenas 4 tipos que só diferem na função que desempenham, sendo que dois tipos são puramente atrativos e dois tipos puramente repulsivos;


·         As 12 partículas fundamentais, com dimensão zero, são, ao mesmo tempo, responsáveis pela massa e pelas cargas atrativas e repulsivas geradas pelos 4 tipos fundamentais de campos magnéticos em vórtice;


·         As 12 partículas fundamentais, com dimensão zero, que formam os 4 tipos fundamentais de campos magnéticos em vórtice se constituem como uma estrutura giratória onde os sentidos de rotação desses vórtices são indicados por vetores;

   

·         As 12 partículas fundamentais, com dimensão zero, formam, no espaço, uma estrutura geométrica cuboctaédrica onde o fluxo dos giros dos vórtices, indicados pelos vetores, estão sempre em sincronismo rotacional;


·         O átomo de hidrogênio se liga a outros átomos de hidrogênio, por meio de seus campos magnéticos em vórtices, para constituírem todos os demais átomos do universo.


Ou, dito pelo meu modo;

 

Não estão interessados em saber que;


·         Um Méron Metalpha não é formado por um “próton” e um “elétron”;


·         O “isótopo” do Méron Metalpha, o Etalpha, não é constituído por um “próton”, um “nêutron” e um “elétron”;


·         Um “próton”, um “nêutron” e um “elétron” são, na verdade, a mesma estrutura;


·         Um Méron Metalpha é constituído pela interação de 48 “campos magnéticos” em vórtice, que são gerados por 12 Compalphas;


·         Esses 48 “campos magnéticos” em vórtice são constituídos por apenas 4 tipos que só diferem na função que desempenham, sendo que dois tipos são puramente atrativos e dois tipos puramente repulsivos;


·         Os 12 Compalphas são, ao mesmo tempo, responsáveis pela “massa” e pelas “cargas” atrativas e repulsivas geradas pelos 4 tipos fundamentais de “campos magnéticos” em vórtice;


·         Os 12 Compalphas, que formam os 4 tipos fundamentais de “campos magnéticos” em vórtice produzem uma estrutura giratória cujos sentidos de rotação dos vórtices são indicados por vetores ou eixos;

   

·         Os 12 Compalphas formam, no espaço, uma estrutura geométrica cuboctaédrica onde o fluxo dos giros dos vórtices, indicados pelos vetores ou eixos, estão sempre em sincronismo rotacional.


·         O Méron Metalpha se liga a outros Mérons Metalpha, por meio de seus “campos magnéticos” em vórtices, para constituírem todos os demais Mérons do universo.


Sarafelli


SUBJECT: RE: [ciencialist] Re: Estamos sós, no Universo?
FROM: Verner Stranz <verner64@hotmail.com>
TO: ciencialist@yahoogrupos.com.br
DATE: 16/12/2014 09:46

Então também para não perder o costume, o que ou quem digita este texto?



To: ciencialist@yahoogrupos.com.br
From: ciencialist@yahoogrupos.com.br
Date: Sun, 14 Dec 2014 14:28:13 -0800
Subject: [ciencialist] Re: Estamos sós, no Universo?

 
Oi Victor,

Para não perder o costume, ...

Eu não concordo contigo!!

Discordo deste teu ZERO.

Tenho certeza que este número é igual (ou maior) que 1.

Nós existimos!!!

Ou não???

Será??

Hélio

SUBJECT: Re: [ciencialist] Re: Modelo Merônico
FROM: <oraculo@atibaia.com.br>
TO: <ciencialist@yahoogrupos.com.br>
DATE: 16/12/2014 11:30

Prove.
 
Homero
 
Sent: Monday, December 15, 2014 10:24 PM
Subject: [ciencialist] Re: Modelo Merônico
 
 

Olá pessoal,

 

Não estão interessados em saber que;

 

·         Um átomo de hidrogênio não é formado por um próton e um elétron;

 

·         O isótopo do átomo de hidrogênio, o deutério, não é constituído por um próton, um nêutron e um elétron;

 

·         Um próton, um nêutron e um elétron são, na verdade, a mesma estrutura;

 

·         Um átomo de hidrogênio é constituído pela interação de 48 campos magnéticos em vórtice, que são gerados por 12 partículas fundamentais de energia com dimensão zero;

 

·         Esses 48 campos magnéticos em vórtice são constituídos por apenas 4 tipos que só diferem na função que desempenham, sendo que dois tipos são puramente atrativos e dois tipos puramente repulsivos;

 

·         As 12 partículas fundamentais, com dimensão zero, são, ao mesmo tempo, responsáveis pela massa e pelas cargas atrativas e repulsivas geradas pelos 4 tipos fundamentais de campos magnéticos em vórtice;

 

·         As 12 partículas fundamentais, com dimensão zero, que formam os 4 tipos fundamentais de campos magnéticos em vórtice se constituem como uma estrutura giratória onde os sentidos de rotação desses vórtices são indicados por vetores;

  

·         As 12 partículas fundamentais, com dimensão zero, formam, no espaço, uma estrutura geométrica cuboctaédrica onde o fluxo dos giros dos vórtices, indicados pelos vetores, estão sempre em sincronismo rotacional;

 

·         O átomo de hidrogênio se liga a outros átomos de hidrogênio, por meio de seus campos magnéticos em vórtices, para constituírem todos os demais átomos do universo.

 

Ou, dito pelo meu modo;

 

Não estão interessados em saber que;

 

·         Um Méron Metalpha não é formado por um “próton” e um “elétron”;

 

·         O “isótopo” do Méron Metalpha, o Etalpha, não é constituído por um “próton”, um “nêutron” e um “elétron”;

 

·         Um “próton”, um “nêutron” e um “elétron” são, na verdade, a mesma estrutura;

 

·         Um Méron Metalpha é constituído pela interação de 48 “campos magnéticos” em vórtice, que são gerados por 12 Compalphas;

 

·         Esses 48 “campos magnéticos” em vórtice são constituídos por apenas 4 tipos que só diferem na função que desempenham, sendo que dois tipos são puramente atrativos e dois tipos puramente repulsivos;

 

·         Os 12 Compalphas são, ao mesmo tempo, responsáveis pela “massa” e pelas “cargas” atrativas e repulsivas geradas pelos 4 tipos fundamentais de “campos magnéticos” em vórtice;

 

·         Os 12 Compalphas, que formam os 4 tipos fundamentais de “campos magnéticos” em vórtice produzem uma estrutura giratória cujos sentidos de rotação dos vórtices são indicados por vetores ou eixos;

  

·         Os 12 Compalphas formam, no espaço, uma estrutura geométrica cuboctaédrica onde o fluxo dos giros dos vórtices, indicados pelos vetores ou eixos, estão sempre em sincronismo rotacional.

 

·         O Méron Metalpha se liga a outros Mérons Metalpha, por meio de seus “campos magnéticos” em vórtices, para constituírem todos os demais Mérons do universo.

 

Sarafelli


SUBJECT: Re: [ciencialist] Re: Modelo Merônico
FROM: Betto Sarafelli <sarafelli@hotmail.com>
TO: "'JVictor' j.victor.neto@uol.com.br [ciencialist]" <ciencialist@yahoogrupos.com.br>
DATE: 16/12/2014 12:04

Homero,

Mas é isso mesmo que mais quero, e é por isso que estou buscando, em todo lugar, um tipo de ajuda técnica, qualquer tipo de colaboração.  Você mesmo, ou alguém que conheça, seria capaz de me ajudar com nisso?

Sarafelli

Enviado do Email do Windows

De: 'JVictor' j.victor.neto@uol.com.br [ciencialist]
Enviado: ‎terça-feira‎, ‎16‎ de ‎dezembro‎ de ‎2014 ‎10‎:‎31
Para: 'JVictor' j.victor.neto@uol.com.br [ciencialist]

 

Prove.
 
Homero
 
Sent: Monday, December 15, 2014 10:24 PM
Subject: [ciencialist] Re: Modelo Merônico
 
 

Olá pessoal,

 

Não estão interessados em saber que;

 

·         Um átomo de hidrogênio não é formado por um próton e um elétron;

 

·         O isótopo do átomo de hidrogênio, o deutério, não é constituído por um próton, um nêutron e um elétron;

 

·         Um próton, um nêutron e um elétron são, na verdade, a mesma estrutura;

 

·         Um átomo de hidrogênio é constituído pela interação de 48 campos magnéticos em vórtice, que são gerados por 12 partículas fundamentais de energia com dimensão zero;

 

·         Esses 48 campos magnéticos em vórtice são constituídos por apenas 4 tipos que só diferem na função que desempenham, sendo que dois tipos são puramente atrativos e dois tipos puramente repulsivos;

 

·         As 12 partículas fundamentais, com dimensão zero, são, ao mesmo tempo, responsáveis pela massa e pelas cargas atrativas e repulsivas geradas pelos 4 tipos fundamentais de campos magnéticos em vórtice;

 

·         As 12 partículas fundamentais, com dimensão zero, que formam os 4 tipos fundamentais de campos magnéticos em vórtice se constituem como uma estrutura giratória onde os sentidos de rotação desses vórtices são indicados por vetores;

  

·         As 12 partículas fundamentais, com dimensão zero, formam, no espaço, uma estrutura geométrica cuboctaédrica onde o fluxo dos giros dos vórtices, indicados pelos vetores, estão sempre em sincronismo rotacional;

 

·         O átomo de hidrogênio se liga a outros átomos de hidrogênio, por meio de seus campos magnéticos em vórtices, para constituírem todos os demais átomos do universo.

 

Ou, dito pelo meu modo;

 

Não estão interessados em saber que;

 

·         Um Méron Metalpha não é formado por um “próton” e um “elétron”;

 

·         O “isótopo” do Méron Metalpha, o Etalpha, não é constituído por um “próton”, um “nêutron” e um “elétron”;

 

·         Um “próton”, um “nêutron” e um “elétron” são, na verdade, a mesma estrutura;

 

·         Um Méron Metalpha é constituído pela interação de 48 “campos magnéticos” em vórtice, que são gerados por 12 Compalphas;

 

·         Esses 48 “campos magnéticos” em vórtice são constituídos por apenas 4 tipos que só diferem na função que desempenham, sendo que dois tipos são puramente atrativos e dois tipos puramente repulsivos;

 

·         Os 12 Compalphas são, ao mesmo tempo, responsáveis pela “massa” e pelas “cargas” atrativas e repulsivas geradas pelos 4 tipos fundamentais de “campos magnéticos” em vórtice;

 

·         Os 12 Compalphas, que formam os 4 tipos fundamentais de “campos magnéticos” em vórtice produzem uma estrutura giratória cujos sentidos de rotação dos vórtices são indicados por vetores ou eixos;

  

·         Os 12 Compalphas formam, no espaço, uma estrutura geométrica cuboctaédrica onde o fluxo dos giros dos vórtices, indicados pelos vetores ou eixos, estão sempre em sincronismo rotacional.

 

·         O Méron Metalpha se liga a outros Mérons Metalpha, por meio de seus “campos magnéticos” em vórtices, para constituírem todos os demais Mérons do universo.

 

Sarafelli



SUBJECT: RES: [ciencialist] Re: Modelo Merônico
FROM: "JVictor" <j.victor.neto@uol.com.br>
TO: <ciencialist@yahoogrupos.com.br>
DATE: 16/12/2014 12:06

Caro Beto,

 

Tenho certeza de que você está brincando com nossa(minha) pobre sapiência.

Continuando com conceito de que  que não existem  teorias erradas, apenas inadequadas, e, dentro desta premissa, declaro, alto e good som:

 

esta tua teoria sequer está errada.

 

Sabes o que acho? Que você, parece, está brincando conosco. Pois não é possível que, nos dias de hoje, com tanta informação, tanto ferramental matemático, tantos experimentos e com tão avançada tecnologia, tanta literatura desmilinguiindo os assuntos mais encrencados, você ainda nos venha com tais inadequações científicas - e ponha inadequação nisso - exibindo, ao mesmo tempo, uma insistência nos seus caros conceitos, com tanta segurança, com tanta certeza e tanto apego,  como quem morre(parafraseando um poeta português).

 

Resumindo: tudo quanto elencou abaixou não tem o menor sentido.

 

Já me pronunciei assim outras vezes, apenas estou repetindo o que acho, noutro termos.

 

É este o conceito que fiz dos teus conceitos. Só falta Mtnos conceituar este meu conceito de teus conceitos.

Feliz Natal.

Victor.

 

De: ciencialist@yahoogrupos.com.br [mailto:ciencialist@yahoogrupos.com.br]
Enviada em: segunda-feira, 15 de dezembro de 2014 21:25
Para: ciencialist@yahoogrupos.com.br
Assunto: [ciencialist] Re: Modelo Merônico

 

 

Olá pessoal,

 

Não estão interessados em saber que;

 

·         Um átomo de hidrogênio não é formado por um próton e um elétron;

 

·         O isótopo do átomo de hidrogênio, o deutério, não é constituído por um próton, um nêutron e um elétron;

 

·         Um próton, um nêutron e um elétron são, na verdade, a mesma estrutura;

 

·         Um átomo de hidrogênio é constituído pela interação de 48 campos magnéticos em vórtice, que são gerados por 12 partículas fundamentais de energia com dimensão zero;

 

·         Esses 48 campos magnéticos em vórtice são constituídos por apenas 4 tipos que só diferem na função que desempenham, sendo que dois tipos são puramente atrativos e dois tipos puramente repulsivos;

 

·         As 12 partículas fundamentais, com dimensão zero, são, ao mesmo tempo, responsáveis pela massa e pelas cargas atrativas e repulsivas geradas pelos 4 tipos fundamentais de campos magnéticos em vórtice;

 

·         As 12 partículas fundamentais, com dimensão zero, que formam os 4 tipos fundamentais de campos magnéticos em vórtice se constituem como uma estrutura giratória onde os sentidos de rotação desses vórtices são indicados por vetores;

   

·         As 12 partículas fundamentais, com dimensão zero, formam, no espaço, uma estrutura geométrica cuboctaédrica onde o fluxo dos giros dos vórtices, indicados pelos vetores, estão sempre em sincronismo rotacional;

 

·         O átomo de hidrogênio se liga a outros átomos de hidrogênio, por meio de seus campos magnéticos em vórtices, para constituírem todos os demais átomos do universo.

 

Ou, dito pelo meu modo;

 

Não estão interessados em saber que;

 

·         Um Méron Metalpha não é formado por um “próton” e um “elétron”;

 

·         O “isótopo” do Méron Metalpha, o Etalpha, não é constituído por um “próton”, um “nêutron” e um “elétron”;

 

·         Um “próton”, um “nêutron” e um “elétron” são, na verdade, a mesma estrutura;

 

·         Um Méron Metalpha é constituído pela interação de 48 “campos magnéticos” em vórtice, que são gerados por 12 Compalphas;

 

·         Esses 48 “campos magnéticos” em vórtice são constituídos por apenas 4 tipos que só diferem na função que desempenham, sendo que dois tipos são puramente atrativos e dois tipos puramente repulsivos;

 

·         Os 12 Compalphas são, ao mesmo tempo, responsáveis pela “massa” e pelas “cargas” atrativas e repulsivas geradas pelos 4 tipos fundamentais de “campos magnéticos” em vórtice;

 

·         Os 12 Compalphas, que formam os 4 tipos fundamentais de “campos magnéticos” em vórtice produzem uma estrutura giratória cujos sentidos de rotação dos vórtices são indicados por vetores ou eixos;

   

·         Os 12 Compalphas formam, no espaço, uma estrutura geométrica cuboctaédrica onde o fluxo dos giros dos vórtices, indicados pelos vetores ou eixos, estão sempre em sincronismo rotacional.

 

·         O Méron Metalpha se liga a outros Mérons Metalpha, por meio de seus “campos magnéticos” em vórtices, para constituírem todos os demais Mérons do universo.

 

Sarafelli




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SUBJECT: Re: RES: [ciencialist] Re: Modelo Me rônico
FROM: sarafelli@hotmail.com
TO: <ciencialist@yahoogrupos.com.br>
DATE: 16/12/2014 12:32

Vitor,

Não estou brincando, nem sendo irônico, disto também tenho certeza, pois sou muito sério no que faço. Sei também que os argumentos que você expôs não são suficientes para provarem que minha teoria não é, se quer, uma teoria e que tudo nela seja engano.  

Basta rever os inúmeros casos da história das ciências, onde paradigmas supostamente inquebráveis, foram completamente extintos ou substituídos por outros completamente diferentes, tidos como meras especulações. O que me parece que lhe falta um pouco de conhecimento filosófico. 

Gostaria muito que você deixasse o seu preconceito de lado e, pelo menos, desse uma olhada no meu modelo atômico (Modelo Merônico).  Pois confio muito no ditado que diz: mais vale uma imagem do que mil palavras.  Queira baixar suas armas, pois estou em missão de paz.

Sarafelli

   

SUBJECT: RES: [ciencialist] Re: Modelo Merônico - Calma Sarafelli - Recorramos à psico-semântica
FROM: "Mtnos Calil" <mtnoscalil@terra.com.br>
TO: <ciencialist@yahoogrupos.com.br>
DATE: 16/12/2014 13:27

Essa intervenção homérica * é mais uma da série  que cobra de você as provas.

 

Nunca ninguém me pediu para provar nada, exceto um juiz numa ação que eu acabei ganhando por ter apresentado a prova).

 

Mas pensando nesta cobrança homérica recorrente, me ocorreu sugerir ao meu amigo potencial o seguinte:

 

Escolha algum dos elementos da sua teoria para construir uma prova que satisfaça o seu inquisidor.

 

Eu posso ajudá-lo nesta tarefa pois sou o cara mais chato e meticuloso em termos de linguagem que existe no planeta Terra. Fui enviado para cá  com a missão impossível de curar a esquizofrenia linguística humanóide. Mas tenho que fazer o possível e o impossível para cumpri-la, se não serei condenado a morrer neste planeta.

 

absmc

 

Ps. E para provar que a minha intenção é das melhores, estou enviando Cco (não confundir com o termo semelhante e indigesto), para a minha psicoterapeuta, para que assim ela tenha mais uma amostra da minha psicopatologia. ( a língua portuguesa é tão humorística que basta você retirar o acento da palavra indigesta constituída por dois “c” e dois “o”, sendo o segundo acentuado, para assim enfatizar o mau cheiro, para que com essa sutil remoção você possa tomar um liquido saboroso que habita o ventre de uma famosa fruta brasileira que os estrangeiros adoram – falando em acentos, lembro que eles servem também para reforçar a frágil identidade das palavras. O acento circunflexo... CIRCUNFLEXO??? – olha o nome complicado que arrumaram para o pobre acento ^ ( não era mais lógico chamá-lo de “telhadinho”? )

 

 

*  este meu jeito humoristico de falar, referindo-se a uma intervenção do Homero,   eu aprendi com o Pesky Bee e não tem absolutamente a intenção de agredir ninguém, como equivocadamente “interpretou” o camarada BW que provavelmente se sente ofendido com este tipo de brincadeira. BW me lembra, logicamente, BMW. Se eu, brincando com as palavras, passasse a chamá-lo assim, - “B(m)W”-  é possível que ele se sentisse profundamente ofendido. Admitamos que algumas pessoas se sintam mesmo muito ofendidas com brincadeiras deste tipo. Se isso acontecesse com BW uma hipótese cientifica para explicar essa reação emocional seria a seguinte: o sentimento de ofensa foi disparado (ou agravado) por uma defesa narcísica”. B(m)W poderia se sentir novamente ofendido com essa análise cientifica  e para se defender desta  segunda ou 3ª. ofensa,  ele, tomado por uma incontida raiva poderia quebrar o teclado do seu computador, ou se controlar essa raiva, poderia dar um soco na mesa sem quebrar nem a mesa nem os dedos. Que brincadeira eu poderia fazer comigo mesmo, para demonstrar que estou simplesmente brincando com as palavras e não com as pessoas que são identificadas com essas palavras ( que foram promovidas à categoria de nome “próprio”), vou fazer uma brincadeira com a sigla do meu nome MC. (note que sequer estou o citando o nome de BW, e assim não precisarei citar o meu nome aqui, lembrando porém, que à diferença de alguns colegas do grupo, eu sempre ASSINO minhas mensagens, lembrando que MC é uma sigla de um nome verdadeiro registrado na Secretaria de Segurança da cidade de São Paulo ( curioso isso né – nossos nomes são regisrados em tal órgão – será que isso não é suficiente para provar cientificamente a hipótese de que ninguém é confiável até prova em contrário?) A primeira brincadeira que eu já consegui fazer com a sigla do meu nome é a seguinte: MC = MUITO CALMO.  Poderia acrescentar outros significados para a sigla:  MUITO CUIDADO,  MEA CULPA, MIM CALADO, MOMENTO CRUCIAL  e a por aí vai ... ou não vai.  Municiado por PB, ( não confundir dom Pro Bono – o nome animal de PB é “Pesky Bee”),  B(m)W poderia agora, proclamar em letras GARRAFAIS:

ESSE CARA NÃO TEM JEITO MESMO – A ÚNICA SOLUÇÃO SERIA EXPULSÁ-LO DO GRUPO. PENA QUE O MODERADOR SEJA DOTADO DE UMA TOLERÂNCIA INFINITA.

( OLHA O TAMANHO DA AGRESSIVIDADE – a criatividade virtual é assim: depois que criaram a internet os seus usuários passaram a usar o tamanho da letra para substituir o berro que não se ouve). Qual seria a terapia preventiva para evitar surtos desta natureza? A mais simples que eu conheço é programar a caixa postal para não receber mensagens enviadas por um neurótico (ou psicótico?) compulsivo que vomita palavras o tempo todo como esse tal de MC. Se tal programação for muito complexa, basta então deletar as mensagens ficando, porém, sem satisfazer a curiosidade de pelo menos saber o que o neurótico está vomitando. Se isso não remover o sintoma dos “gritos garrafais” consulte então a nossa psicoterapeuta virtual.

 

*1 – quer dizer então que existem nomes próprios e impróprios? – B (m)W seria impróprio?  Preciso então inventar um nome impróprio para mim... mas não achei... então vou usar este: “ M(?)C”

 

 

De: ciencialist@yahoogrupos.com.br [mailto:ciencialist@yahoogrupos.com.br]
Enviada em: terça-feira, 16 de dezembro de 2014 11:31
Para: ciencialist@yahoogrupos.com.br
Assunto: Re: [ciencialist] Re: Modelo Merônico

 

 

Prove.

 

Homero

 

Sent: Monday, December 15, 2014 10:24 PM

Subject: [ciencialist] Re: Modelo Merônico

 

 

Olá pessoal,

 

Não estão interessados em saber que;

 

·         Um átomo de hidrogênio não é formado por um próton e um elétron;

 

·         O isótopo do átomo de hidrogênio, o deutério, não é constituído por um próton, um nêutron e um elétron;

 

·         Um próton, um nêutron e um elétron são, na verdade, a mesma estrutura;

 

·         Um átomo de hidrogênio é constituído pela interação de 48 campos magnéticos em vórtice, que são gerados por 12 partículas fundamentais de energia com dimensão zero;

 

·         Esses 48 campos magnéticos em vórtice são constituídos por apenas 4 tipos que só diferem na função que desempenham, sendo que dois tipos são puramente atrativos e dois tipos puramente repulsivos;

 

·         As 12 partículas fundamentais, com dimensão zero, são, ao mesmo tempo, responsáveis pela massa e pelas cargas atrativas e repulsivas geradas pelos 4 tipos fundamentais de campos magnéticos em vórtice;

 

·         As 12 partículas fundamentais, com dimensão zero, que formam os 4 tipos fundamentais de campos magnéticos em vórtice se constituem como uma estrutura giratória onde os sentidos de rotação desses vórtices são indicados por vetores;

  

·         As 12 partículas fundamentais, com dimensão zero, formam, no espaço, uma estrutura geométrica cuboctaédrica onde o fluxo dos giros dos vórtices, indicados pelos vetores, estão sempre em sincronismo rotacional;

 

·         O átomo de hidrogênio se liga a outros átomos de hidrogênio, por meio de seus campos magnéticos em vórtices, para constituírem todos os demais átomos do universo.

 

Ou, dito pelo meu modo;

 

Não estão interessados em saber que;

 

·         Um Méron Metalpha não é formado por um “próton” e um “elétron”;

 

·         O “isótopo” do Méron Metalpha, o Etalpha, não é constituído por um “próton”, um “nêutron” e um “elétron”;

 

·         Um “próton”, um “nêutron” e um “elétron” são, na verdade, a mesma estrutura;

 

·         Um Méron Metalpha é constituído pela interação de 48 “campos magnéticos” em vórtice, que são gerados por 12 Compalphas;

 

·         Esses 48 “campos magnéticos” em vórtice são constituídos por apenas 4 tipos que só diferem na função que desempenham, sendo que dois tipos são puramente atrativos e dois tipos puramente repulsivos;

 

·         Os 12 Compalphas são, ao mesmo tempo, responsáveis pela “massa” e pelas “cargas” atrativas e repulsivas geradas pelos 4 tipos fundamentais de “campos magnéticos” em vórtice;

 

·         Os 12 Compalphas, que formam os 4 tipos fundamentais de “campos magnéticos” em vórtice produzem uma estrutura giratória cujos sentidos de rotação dos vórtices são indicados por vetores ou eixos;

  

·         Os 12 Compalphas formam, no espaço, uma estrutura geométrica cuboctaédrica onde o fluxo dos giros dos vórtices, indicados pelos vetores ou eixos, estão sempre em sincronismo rotacional.

 

·         O Méron Metalpha se liga a outros Mérons Metalpha, por meio de seus “campos magnéticos” em vórtices, para constituírem todos os demais Mérons do universo.

 

Sarafelli

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SUBJECT: Re: Modelo Merônico - Isso não é conceito, Mr. Victor - olha a neuro-matemática!
FROM: "Mtnos Calil" <mtnoscalil@terra.com.br>
TO: <ciencialist@yahoogrupos.com.br>
DATE: 16/12/2014 13:55

Prezado Victor.

O que você MANIFESTOU em relação às ideias do Safarelli não foi conceito e sim uma opinião (ou uma avaliação com base nos parâmetros científicos vigentes).

Eu extingui TODOS OS SINÔNIMOS DE CONCEITO, porque se trata da palavra mais pura e menos ambígua já criada pela humanidade. É uma palavra autenticamente neuro-matemática.

A palavra AI (o grito dos nossos selvagens) é também neuro-matemática, associada a uma sensação de dor, sendo portanto neuro-sensi-lógico-matemática. O conceito é concebido na percepção sensorial, mas logo que nasce rompe relações com todo e qualquer tipo de sensação. Este é um dos conceitos da definição de conceito que está sendo construída. A definição é  um conjunto (finito) de conceitos. Ninguém cria um conceito. O conceito não tem autor, tem apenas autoria (concepção).

 

MC

 

“AI”- duas letras que formam uma palavra cujo conceito originário é neuro-sensi-lógico-matemático.

 

 

De: ciencialist@yahoogrupos.com.br [mailto:ciencialist@yahoogrupos.com.br]
Enviada em: terça-feira, 16 de dezembro de 2014 12:06
Para: ciencialist@yahoogrupos.com.br
Assunto: RES: [ciencialist] Re: Modelo Merônico

 

 

Caro Beto,

 

Tenho certeza de que você está brincando com nossa(minha) pobre sapiência.

Continuando com conceito de que  que não existem  teorias erradas, apenas inadequadas, e, dentro desta premissa, declaro, alto e good som:

 

esta tua teoria sequer está errada.

 

Sabes o que acho? Que você, parece, está brincando conosco. Pois não é possível que, nos dias de hoje, com tanta informação, tanto ferramental matemático, tantos experimentos e com tão avançada tecnologia, tanta literatura desmilinguiindo os assuntos mais encrencados, você ainda nos venha com tais inadequações científicas - e ponha inadequação nisso - exibindo, ao mesmo tempo, uma insistência nos seus caros conceitos, com tanta segurança, com tanta certeza e tanto apego,  como quem morre(parafraseando um poeta português).

 

Resumindo: tudo quanto elencou abaixou não tem o menor sentido.

 

Já me pronunciei assim outras vezes, apenas estou repetindo o que acho, noutro termos.

 

É este o conceito que fiz dos teus conceitos. Só falta Mtnos conceituar este meu conceito de teus conceitos.

Feliz Natal.

Victor.