SUBJECT: Se for assim, o meu deve estar do tamanho de uma bola de gude!...
FROM: "JVictor" <j.victor.neto@uol.com.br>
TO: <ciencialist@yahoogrupos.com.br>
DATE: 22/06/2010 19:59

Olá,

 

Parece que estou em apuros!

Até onde este estudo é sério e cientificamente  verdadeiro?

Se o item estresse foi tão daninho, como pinta o estudo abaixo,

o tamanho do meu já está tão pequeno, que um montão nem dá para ver...

 

De qq maneira,  o tema pode interessar a muitos de vocês. A mim, coitado de mim.

 

Sds,

Victor.

 

Estresse pode fazer o cérebro encolher, segundo pesquisa

Do UOL

Em São Paulo

Comente

Situações como o fim de um relacionamento podem alterar o volume de massa cinzenta

Todo mundo sabe que o estresse causa dores de cabeça e insônia. Mas um estudo publicado na edição online da revista “Biological Psychiatry” sugere que ele também pode fazer o cérebro encolher.

Segundo a neurobióloga Rajita Sinha, autora da pesquisa, passar por momentos de tensão, como perder o ônibus, não tem nenhum impacto importante. Mas acontecimentos mais sérios, como a perda de um ente querido ou o fim de um relacionamento podem, sim, alterar a quantidade de massa cinzenta do cérebro.

O encolhimento, de acordo a pesquisadora da Universidade de Yale, ocorre mais em uma parte do córtex pré-frontal que regula as emoções, o autocontrole, a pressão arterial e os níveis de açúcar no sangue. A alteração, portanto, pode servir como um “sinal vermelho” para doenças como hipertensão e transtornos psiquiátricos.

Sinha explica que as situações de estresse vividas hoje são mais complicadas que as experimentadas por nossos ancestrais. Tanto que o problema tem contribuído para o aumento da ocorrência de doenças crônicas.

Pessoas saudáveis

A maioria dos estudos sobre o impacto do estresse no cérebro tinha como objeto de estudo pacientes com transtornos como dependência química ou ansiedade. Essas pesquisas já sinalizavam uma redução de volume no lobo frontal, considerado o centro do controle das emoções e da personalidade.

Mas trabalhos sobre os efeitos cumulativos do estresse no cérebro de pessoas saudáveis, como o da equipe de Sinha, são raros.

O estudo contou com 103 adultos de 18 a 48 anos. Os voluntários foram entrevistados pela equipe e também tiveram o cérebro escaneado em exames de ressonância magnética.

Infelizmente, os pesquisadores não tinham o número suficiente de mulheres participando do estudo para concluir se elas, ou eles, sofrem mais com o encolhimento do cérebro decorrente do estresse.

Para Sinha, quanto melhor as pessoas lidarem com situações de estresse, menor será o impacto para o cérebro.

 


SUBJECT: Re: [ciencialist] Boletim do Einstein
FROM: "Luiz Ferraz Netto" <leobarretos@uol.com.br>
TO: <ciencialist@yahoogrupos.com.br>
DATE: 16/08/2011 13:53


Que poderia haver de mais interessante que a rotina da escola em "março de 1879"? Ipad? Touchscreen?  1905 - 1879 = 26 anos antes da publicação das '4 páginas'!
Nesta época (1879) ele não refletia ... por isso casou? Encheu a cara?
 
[]´
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            Luiz Ferraz Netto [Léo] 
        leo@feiradeciencias.com.br
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         luizferraz.netto@gmail.com
     http://www.feiradeciencias.com.br
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----- Original Message -----
From: luiz silva
To: ciencialist@yahoogrupos.com.br
Sent: Sunday, August 14, 2011 10:43 PM
Subject: Re: [ciencialist] Boletim do Einstein

 

Ele devia se ocupar com reflexões mais interessantes do que as que a rotina da escola apresentava. :-)
 
Abs
Felipe

--- Em dom, 14/8/11, Prof. Emiliano Chemello <chemelloe@yahoo.com.br> escreveu:

De: Prof. Emiliano Chemello <chemelloe@yahoo.com.br>
Assunto: [ciencialist] Boletim do Einstein
Para: "ciencialist" <ciencialist@yahoogrupos.com.br>
Data: Domingo, 14 de Agosto de 2011, 20:32

 
Boletim do Einstein
 
[ ] 's do Prof. Emiliano Chemello[mail] chemelloe@yahoo.com.br
[website] http://www.quimica.net/emiliano


SUBJECT: Re: [ciencialist] Boletim do Einstein
FROM: luiz silva <luizfelipecsrj@yahoo.com.br>
TO: ciencialist@yahoogrupos.com.br
DATE: 16/08/2011 14:25

Ola Leo,

Acredito que o problema que temos hoje, tb ocorresse naquela época : um modelo de ensino que afasta o interesse do aluno. Especialmente das exatas.

E como qqer coisa é melhor do que assistir a uma aula de física ou matemática na escola, ele devia ficar se concentrando nas colegas de sala!!!

Abs
Felipe

--- Em ter, 16/8/11, Luiz Ferraz Netto <leobarretos@uol.com.br> escreveu:

De: Luiz Ferraz Netto <leobarretos@uol.com.br>
Assunto: Re: [ciencialist] Boletim do Einstein
Para: ciencialist@yahoogrupos.com.br
Data: Terça-feira, 16 de Agosto de 2011, 13:53

 



Que poderia haver de mais interessante que a rotina da escola em "março de 1879"? Ipad? Touchscreen?  1905 - 1879 = 26 anos antes da publicação das '4 páginas'!
Nesta época (1879) ele não refletia ... por isso casou? Encheu a cara?
 
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            Luiz Ferraz Netto [Léo] 
        leo@feiradeciencias.com.br
           leobarretos@uol.com.br
         luizferraz.netto@gmail.com
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----- Original Message -----
From: luiz silva
Sent: Sunday, August 14, 2011 10:43 PM
Subject: Re: [ciencialist] Boletim do Einstein

 

Ele devia se ocupar com reflexões mais interessantes do que as que a rotina da escola apresentava. :-)
 
Abs
Felipe

--- Em dom, 14/8/11, Prof. Emiliano Chemello <chemelloe@yahoo.com.br> escreveu:

De: Prof. Emiliano Chemello <chemelloe@yahoo.com.br>
Assunto: [ciencialist] Boletim do Einstein
Para: "ciencialist" <ciencialist@yahoogrupos.com.br>
Data: Domingo, 14 de Agosto de 2011, 20:32

 
Boletim do Einstein
 
[ ] 's do Prof. Emiliano Chemello[mail] chemelloe@yahoo.com.br
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SUBJECT: RES: [ciencialist] Boletim do Einstein
FROM: "JVictor" <j.victor.neto@uol.com.br>
TO: <ciencialist@yahoogrupos.com.br>
DATE: 17/08/2011 11:05

Léo,

 

1879: ano em que Einstein viu o mundo pela primeira, e berrou. 1896: tinha 17 anos e prestou os exames cujas notas o Chemello disponibilizou. A nota máxima, adotada pelas escolas alemãs, à época, era o sibilante 6!

Na ocasião, ou pouco mais à frente,  já deveria estar de olho na futura primeira esposa. Então, abestalhou-se, pediu um vale adiantado, no que foi atendido, e...casou-se.  As notas inferiores à máxima referem-se a geografia, história, essas coisas que, talvez, na época, não lhe despertassem o  interesse. Devia ler estas matérias só nas horas de folga ou nos momentos de certos e incontornáveis  “alívios”.

Sds,

Victor

 

De: ciencialist@yahoogrupos.com.br [mailto:ciencialist@yahoogrupos.com.br] Em nome de Luiz Ferraz Netto
Enviada em: terça-feira, 16 de agosto de 2011 13:54
Para: ciencialist@yahoogrupos.com.br
Assunto: Re: [ciencialist] Boletim do Einstein

 

 



Que poderia haver de mais interessante que a rotina da escola em "março de 1879"? Ipad? Touchscreen?  1905 - 1879 = 26 anos antes da publicação das '4 páginas'!

Nesta época (1879) ele não refletia ... por isso casou? Encheu a cara?

 

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            Luiz Ferraz Netto [Léo] 
        leo@feiradeciencias.com.br
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----- Original Message -----

From: luiz silva

Sent: Sunday, August 14, 2011 10:43 PM

Subject: Re: [ciencialist] Boletim do Einstein

 

 

Ele devia se ocupar com reflexões mais interessantes do que as que a rotina da escola apresentava. :-)

 

Abs

Felipe

--- Em dom, 14/8/11, Prof. Emiliano Chemello <chemelloe@yahoo.com.br> escreveu:


De: Prof. Emiliano Chemello <chemelloe@yahoo.com.br>
Assunto: [ciencialist] Boletim do Einstein
Para: "ciencialist" <ciencialist@yahoogrupos.com.br>
Data: Domingo, 14 de Agosto de 2011, 20:32

 

Boletim do Einstein

 

[ ] 's do Prof. Emiliano Chemello[mail] chemelloe@yahoo.com.br
[website] http://www.quimica.net/emiliano


SUBJECT: Re: Enc: Águia Oxigenada
FROM: "inventordobrasil" <inventorbr@yahoo.com.br>
TO: ciencialist@yahoogrupos.com.br
DATE: 17/08/2011 11:50

Oi Felipe.
Também recebi essa mensagem na época e estou experimentando na velha carcaça. Resultados preliminares:
1 - Reduz sensivelmente a placa bacteriana. Recomendo como coadjuvante, substituindo o creme dental após as refeições, mas pela manhã o mentolado já viciou
2 - Nem tentei. o peróxido decai rapidamente e o efeito tópico é + proveitoso.
3 - Desperdício, como no item 2.
4 - Efeito confirmado mas não comprovado, não tenho como fazer culturas e medi-las. Se alguem puder, recomendo.
5 - Pode ser psicológico kkkkkkkk.
6 - Antes da msg eu só fazia uso tópico (sou diabético). Recomendo.
7 - É muito incômodo e parece que matou também a turma que estava a meu favor, pois nas três vezes em que experimentei tive reboot na rinite.
8 - Sabonete também, com melhor custo-benefício.
9 - Manda p/ autoclave!!!


--- Em ciencialist@yahoogrupos.com.br, luiz silva <luizfelipecsrj@...> escreveu
>
> Pessoal,
>
> As infos são corretas ?
>
> Abs
> Felipe
>
>
>
>
> #yiv252130532 v\00003a* {
> }
>
>
>
>
>
>
>
>
>
>
>                                    ÁGUA OXIGENADA - H2O2
>
>
>
>  
>                                                  
>                                                             Você sabia disso?
>
> A água oxigenada foi desenvolvida na década de 1920 por cientistas para conter problemas de infecções e gangrena em soldados em frente de batalha. A pesquisa buscava um produto barato, fácil de transportar e usar, que pudesse ser conservado de forma fácil e à temperatura ambiente, sem problemas colaterais. Durante a segunda guerra mundial, a redução no número de baixas e amputações foi tremenda, graças ao uso da água oxigenada. Numa solução a 3%, é um dos mais potentes desinfetantes que existem. Isso é pouco divulgado e pode-se entender porquê. Um produto barato e simples de usar, concorre com outros desenvolvidos por laboratórios farmacêuticos e indústrias de desinfetantes domésticos e hospitalares. Portanto, não há interesse comercial no seu uso em larga escala.
>                                            O que se pode fazer com água oxigenada:
>
> 1 - Uma colher de sobremesa do produto usada para bochechos e mantido na boca por alguns minutos, mata todos os germes bucais, branqueando os dentes! Cuspir após o bochecho.
>
> 2 - Manter escovas de dentes numa solução de água oxigenada conserva as escovas livres de germes que causam gengivite e outros problemas bucais.
>
> 3 - Um pouco de água oxigenada num pano desinfeta superfícies melhor do que qualquer outro produto. Excelente para usar em cozinhas e banheiros.
>
> 4 - Tábuas de carne e outros utensílios são totalmente desinfetados após uso, com um pouco de água oxigenada. O produto mata qualquer bactéria ou germe, inclusive salmonela.
>
> 5 - Passada nos pés, à noite, evita problemas de frieiras e outros
> fungos que causam os principais problemas nos pés, inclusive mau cheiro (chulé).
>
> 6 - Passada em ferimentos (várias vezes ao dia) evita infecções e
> ajuda na cicatrização. Até casos de gangrena regrediram com o seu uso.
>
> 7 - Numa mistura meio-a-meio com água pura, pode ser pingada no nariz em resfriados e sinusites. Esperar alguns instantes e assoar o nariz. Isso mata germes e outros microorganismos nocivos.
>
> 8 - Um pouco de água oxigenada na água do banho ajuda a manter a pele saudável, podendo ser usada em casos de micoses e fungos .
>
> 9 - Roupas que precisem desinfecção (lençóis, fraldas, etc), ou
> aquelas em contato com secreções corporais e sangue, podem ser totalmente desinfetadas se ficarem de molho numa solução
> contendo água oxigenada antes da lavagem normal.
>                                                                                     -----------------------------------------
>
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> --
>
> Você está recebendo esta mensagem porque se inscreveu no grupo "Ex-Esso" dos Grupos do Google.
>
> Para postar neste grupo, envie um e-mail para ex_esso@googlegroups.com
>
> Para cancelar a inscrição nesse grupo, envie um e-mail para ex_esso+unsubscribe@googlegroups.com
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>
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>




SUBJECT: Re: [ciencialist] Boletim do Einstein
FROM: "Luiz Ferraz Netto" <leobarretos@uol.com.br>
TO: <ciencialist@yahoogrupos.com.br>
DATE: 18/08/2011 08:28


Sorry, confundi (em alemão) a data de nascimento com a data do boletim escolar.
Conclusão: preciso estudar alemão!
 
[]´
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            Luiz Ferraz Netto [Léo] 
        leo@feiradeciencias.com.br
           leobarretos@uol.com.br
         luizferraz.netto@gmail.com
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----- Original Message -----
From: luiz silva
To: ciencialist@yahoogrupos.com.br
Sent: Tuesday, August 16, 2011 2:25 PM
Subject: Re: [ciencialist] Boletim do Einstein

 

Ola Leo,

Acredito que o problema que temos hoje, tb ocorresse naquela época : um modelo de ensino que afasta o interesse do aluno. Especialmente das exatas.

E como qqer coisa é melhor do que assistir a uma aula de física ou matemática na escola, ele devia ficar se concentrando nas colegas de sala!!!

Abs
Felipe

--- Em ter, 16/8/11, Luiz Ferraz Netto <leobarretos@uol.com.br> escreveu:

De: Luiz Ferraz Netto <leobarretos@uol.com.br>
Assunto: Re: [ciencialist] Boletim do Einstein
Para: ciencialist@yahoogrupos.com.br
Data: Terça-feira, 16 de Agosto de 2011, 13:53

 



Que poderia haver de mais interessante que a rotina da escola em "março de 1879"? Ipad? Touchscreen?  1905 - 1879 = 26 anos antes da publicação das '4 páginas'!
Nesta época (1879) ele não refletia ... por isso casou? Encheu a cara?
 
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            Luiz Ferraz Netto [Léo] 
        leo@feiradeciencias.com.br
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----- Original Message -----
From: luiz silva
Sent: Sunday, August 14, 2011 10:43 PM
Subject: Re: [ciencialist] Boletim do Einstein

 

Ele devia se ocupar com reflexões mais interessantes do que as que a rotina da escola apresentava. :-)
 
Abs
Felipe

--- Em dom, 14/8/11, Prof. Emiliano Chemello <chemelloe@yahoo.com.br> escreveu:

De: Prof. Emiliano Chemello <chemelloe@yahoo.com.br>
Assunto: [ciencialist] Boletim do Einstein
Para: "ciencialist" <ciencialist@yahoogrupos.com.br>
Data: Domingo, 14 de Agosto de 2011, 20:32

 
Boletim do Einstein
 
[ ] 's do Prof. Emiliano Chemello[mail] chemelloe@yahoo.com.br
[website] http://www.quimica.net/emiliano


SUBJECT: RES: [ciencialist] Boletim do Einstein
FROM: "JVictor" <j.victor.neto@uol.com.br>
TO: <ciencialist@yahoogrupos.com.br>
DATE: 18/08/2011 08:52

Amigos,

 

Há um bom tempo que não leio a Scientific American.  Mas, agora, comprei a de agosto 2011.  Sei que alguns de vocês não gostam  dessa revista. Se bem me lembro, já li alguns comentários por aqui a esse respeito. Mas, lhes digo: esta última edição esta repleta de assuntos da mais alta relevância, assuntos que têm incomodado, ao longo dos milênios, as mentes mais inquisitivas. Tópicos abordados:

1) Mente Fora do Corpo, que foca as especulações sobre o controle da mente humana sobre máquinas, escrito pelo “maluco” genial Miguel A.L. Nicolelis, há muito na mira de cientistas céticos a respeito dessas coisas

 

 2) Os Limites da Inteligência:  as próprias Leis da física podem ser um óbice na evolução da mente, a ponto de fazer o animal racional (racional?) que somos não atinja nunca o estágio de uma super inteligência, assim como 1,1 vezes a de um Einstein!... (Enfim, condenados às limitações chatas do conhecimento mais profundo, que todos desejaríamos ter. E que não teremos. Simples assim!

 

3) Um artigo muito interessante sobre a evolução do olho(este eu não li todo, ainda) e outro sobre Tabela Periódica do Universo,  que fará os oinhos do Chemello brilharem...e giraram nas respectivas caixas...

Bem, e outros de extrema importância.

 

4) Na página 28 e seguintes há uma entrevista com um dos grandes físicos da atualidade: L.Susskind. Este, um dos fundadores da TC,  um cientista de pensamentos originais e discordantes da grande  maioria  de seus pares, enfoca assuntos polêmicos.  Um deles, para mim nem tão polêmico, e com o qual concordo(acho que a vida toda) plenamente: não sabemos, nem saberemos, nunca, o que é a realidade.  A maioria dos físicos sequer se preocupa com isso. Parece tabu.  Exceto o Susskind. Além do fato, natural, de que o nosso estado mental só pode percebê-la pelo que se pode medir com réguas e relógios. Seu princípio holográfico e também suas idéias do que acontece no horizonte de eventos e no interior de um buraco negro, parecem ter sentido, dentro do escopo do que define como “realidade”.  Bem interessante, seu pensamento. Particularmente, e em minha “leiguice” filosófica e outros que tais, admiro muito o Susskind, mas não alcanço como pode pensar em multiversos(exceto pelos sinais apontados pela estrutura matemática relevante aos processos), universos paralelos, essas coisas ficcionistas-e que nunca passarão disso(Em minha não abalizada opinião, carregadinha de subjetividades, reconheço).

 

4) Uma outra matéria que, decerto, é também da maior relevância está a partir da pág. 58: Em  Busca de Outra Matéria. Trata da Estação Espacial Internacional(ISS) e do AMS(Alpha Magnmetic Spectrometer), sua construção, as expectativas, suas possibilidades, seus incríveis muitos bilhões de dólares investidos, os problemas encontrados no meio do caminho e tudo o mais relacionado à busca de coisas desconhecidas do universo, principalmente  matéria que não emite luz e que, parece, tem se responsabilizado por certas medições e observações que não encontram explicação na física nossa de cada dia.

 

Quem sabe, os  amigos do fórum não comecem a discutir aqueles artigos, o que dará  uma cara mais científica e útil ao Ciencialist, além do que já vem acontecendo.

 

Sds,

 

 

Victor

 

 

 

   


SUBJECT: Palestra: "A arte refinada de detectar tolices - um tributo a Carl Sagan"
FROM: "Alvaro Augusto \(L\)" <alvaro@lunabay.com.br>
TO: <ciencialist@yahoogrupos.com.br>
DATE: 18/08/2011 16:35

Na próxima quinta-feira, 25 de agosto, irei apresentar a palestra "A arte refinada de detectar tolices - um tributo a Carl Sagan". O evento faz parte do programa de palestras do Departamento Acadêmico de Eletrotécnica (DAELT).

 

Horário: 19h30 às 21h.

 

Local: Miniauditório do campus Curitiba da UTFPR (Av. Sete de Setembro, 3165). Entrada gratuita.

 

Sinopse: Existe muita discussão atualmente, dentro e fora da internet, mas boa parte dela é de baixa qualidade. Felizmente, existe uma grande quantidade de ferramentas para se detectar quando um argumentador está “enrolando”. Algumas delas são:

 

1.       Argumento de autoridade.

2.       A evidência silenciosa.

3.       Ataques pessoais.

4.       Non sequitur.

5.       Correlação versus causa e efeito.

6.       Consequências adversas.

7.       Apelo à ignorância.

8.       Petição de princípio.

9.       A navalha de Occam.

10.   Espantalho.

 

O título da palestra é emprestado do 12º capítulo do livro de Carl Sagan, “The Demon-Haunted World: Science as a Candle in the Dark” (1995).

 

Abraços,

 

Prof. Alvaro Augusto W. de Almeida

UTFPR/DAELT/Curso de Engenharia Elétrica

alvaroaugusto@utfpr.edu.br   

@alvaug

 


SUBJECT: RES: [ciencialist] Palestra: "A arte refinada de detectar tolices - um tributo a Carl Sagan"
FROM: "JVictor" <j.victor.neto@uol.com.br>
TO: <ciencialist@yahoogrupos.com.br>
DATE: 18/08/2011 17:15

Caro Álvaro,

 

Pedido oportunista:

Se preparou um texto para o evento, poderia disponibilizá-lo para nós outros?

 

O ideal seria assistir tua palestra. Mas a distância é O óbice.

 

Sds,

Victor.

 

 

De: ciencialist@yahoogrupos.com.br [mailto:ciencialist@yahoogrupos.com.br] Em nome de Alvaro Augusto (L)
Enviada em: quinta-feira, 18 de agosto de 2011 16:35
Para: ciencialist@yahoogrupos.com.br
Assunto: [ciencialist] Palestra: "A arte refinada de detectar tolices - um tributo a Carl Sagan"

 

 

Na próxima quinta-feira, 25 de agosto, irei apresentar a palestra "A arte refinada de detectar tolices - um tributo a Carl Sagan". O evento faz parte do programa de palestras do Departamento Acadêmico de Eletrotécnica (DAELT).

 

Horário: 19h30 às 21h.

 

Local: Miniauditório do campus Curitiba da UTFPR (Av. Sete de Setembro, 3165). Entrada gratuita.

 

Sinopse: Existe muita discussão atualmente, dentro e fora da internet, mas boa parte dela é de baixa qualidade. Felizmente, existe uma grande quantidade de ferramentas para se detectar quando um argumentador está “enrolando”. Algumas delas são:

 

1.       Argumento de autoridade.

2.       A evidência silenciosa.

3.       Ataques pessoais.

4.       Non sequitur.

5.       Correlação versus causa e efeito.

6.       Consequências adversas.

7.       Apelo à ignorância.

8.       Petição de princípio.

9.       A navalha de Occam.

10.   Espantalho.

 

O título da palestra é emprestado do 12º capítulo do livro de Carl Sagan, “The Demon-Haunted World: Science as a Candle in the Dark” (1995).

 

Abraços,

 

Prof. Alvaro Augusto W. de Almeida

UTFPR/DAELT/Curso de Engenharia Elétrica

alvaroaugusto@utfpr.edu.br   

@alvaug

 


SUBJECT: Re: [ciencialist] Boletim do Einstein
FROM: "Luiz Ferraz Netto" <leobarretos@uol.com.br>
TO: <ciencialist@yahoogrupos.com.br>
DATE: 18/08/2011 22:24


Aproveito a deixa ... ou seja, deixa prá lá o tema atual, e pergunto: Já rodou por aqui a tal de ressonância de Schumann?
Apreciaria saber sobre o papo.
[]´
 
     ===========================
            Luiz Ferraz Netto [Léo] 
        leo@feiradeciencias.com.br
           leobarretos@uol.com.br
         luizferraz.netto@gmail.com
     http://www.feiradeciencias.com.br
     ===========================

SUBJECT: Re: Boletim do Einstein
FROM: "roberto" <roberto.takata@bol.com.br>
TO: ciencialist@yahoogrupos.com.br
DATE: 19/08/2011 02:09

--- Em ciencialist@yahoogrupos.com.br, "Luiz Ferraz Netto"
> Já rodou por aqui a tal de ressonância de Schumann?

Yep:

http://br.groups.yahoo.com/group/ciencialist/msearch?query=schumann&submit=OK&charset=ISO-8859-1
----------------

[]s,

Roberto Takata



SUBJECT: RE: [ciencialist] Re: Enc: Águia Oxigenada
FROM: Ivan Carlos <icarlos@icarlos.net>
TO: "ciencialist@yahoogrupos.com.br" <ciencialist@yahoogrupos.com.br>
DATE: 19/08/2011 05:02

> 1 - Uma colher de sobremesa do produto usada para bochechos e mantido na boca por alguns minutos, mata todos os germes bucais, branqueando os dentes! Cuspir após o bochecho.
Verdade, porém, pode queimar a mucosa em contato prolongado. Dentistas recomendam em casos específicos, como cáseos amigdalianos, já no uso diário, pelo risco de acidentes, não. Muitos agentes clareadores possuem peróxido de hidrogênio, isso não quer dizer que ele sozinho, em breve contato, irá clareá-los.

> 2 - Manter escovas de dentes numa solução de água oxigenada conserva as escovas livres de germes que causam gengivite e outros problemas bucais.
Suposta verdade, é preciso fazer testes. Se a idéia é eliminar germes da escova, esterilize-a.

> 3 - Um pouco de água oxigenada num pano desinfeta superfícies melhor do que qualquer outro produto. Excelente para usar em cozinhas e banheiros.
Suposta verdade, como a água precisa de um tempo de contato e evapora rápido, qualquer "pinho sol" seria mais eficiente.

> 4 - Tábuas de carne e outros utensílios são totalmente desinfetados após uso, com um pouco de água oxigenada. O produto mata qualquer bactéria ou germe, inclusive salmonela.
Suposta verdade, vide acima

> 5 - Passada nos pés, à noite, evita problemas de frieiras e outros
Qualquer produto com base em nitrato de miconazol provoca necrose de fungos, o que elimina e previne frieiras.

> 6 - Passada em ferimentos (várias vezes ao dia) evita infecções e ajuda na cicatrização. Até casos de gangrena regrediram com o seu uso.
Gangrena? Difícil. Já evitar infecções, sim, todo ferimento pode ser limpo com agua oxigenada.

> 7 - Numa mistura meio-a-meio com água pura, pode ser pingada no nariz em resfriados e sinusites. Esperar alguns instantes e assoar o nariz. Isso mata germes e outros microorganismos nocivos.
Am... estranho isso. Nada comprovado.

> 8 - Um pouco de água oxigenada na água do banho ajuda a manter a pele saudável, podendo ser usada em casos de micoses e fungos .
Homeopatia?

> 9 - Roupas que precisem desinfecção (lençóis, fraldas, etc), ou aquelas em contato com secreções corporais e sangue, podem ser totalmente desinfetadas se ficarem de molho numa solução contendo água oxigenada antes da lavagem normal.
Álcool etílico e isopropílico, hipoclorito de sódio, fenólicos, iodóforos, quaternário de amônia... garantem desinfecção.

Ivan Carlos
CISO, Consultant
+55 (11) 8112-0666
www.icarlos.net

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From: ciencialist@yahoogrupos.com.br [mailto:ciencialist@yahoogrupos.com.br] On Behalf Of inventordobrasil
Sent: quarta-feira, 17 de agosto de 2011 11:50
To: ciencialist@yahoogrupos.com.br
Subject: [ciencialist] Re: Enc: Águia Oxigenada

Oi Felipe.
Também recebi essa mensagem na época e estou experimentando na velha carcaça. Resultados preliminares:
1 - Reduz sensivelmente a placa bacteriana. Recomendo como coadjuvante, substituindo o creme dental após as refeições, mas pela manhã o mentolado já viciou
2 - Nem tentei. o peróxido decai rapidamente e o efeito tópico é + proveitoso.
3 - Desperdício, como no item 2.
4 - Efeito confirmado mas não comprovado, não tenho como fazer culturas e medi-las. Se alguem puder, recomendo.
5 - Pode ser psicológico kkkkkkkk.
6 - Antes da msg eu só fazia uso tópico (sou diabético). Recomendo.
7 - É muito incômodo e parece que matou também a turma que estava a meu favor, pois nas três vezes em que experimentei tive reboot na rinite.
8 - Sabonete também, com melhor custo-benefício.
9 - Manda p/ autoclave!!!


--- Em ciencialist@yahoogrupos.com.br, luiz silva <luizfelipecsrj@...> escreveu
>
> Pessoal,
>
> As infos são corretas ?
>
> Abs
> Felipe
>
>
>
>
> #yiv252130532 v\00003a* {
> }
>
>
>
>
>
>
>
>
>
>
>                                    ÁGUA OXIGENADA - H2O2
>
>
>
>  
>                                                  
>                                                             Você sabia disso?
>
> A água oxigenada foi desenvolvida na década de 1920 por cientistas para conter problemas de infecções e gangrena em soldados em frente de batalha. A pesquisa buscava um produto barato, fácil de transportar e usar, que pudesse ser conservado de forma fácil e à temperatura ambiente, sem problemas colaterais. Durante a segunda guerra mundial, a redução no número de baixas e amputações foi tremenda, graças ao uso da água oxigenada. Numa solução a 3%, é um dos mais potentes desinfetantes que existem. Isso é pouco divulgado e pode-se entender porquê. Um produto barato e simples de usar, concorre com outros desenvolvidos por laboratórios farmacêuticos e indústrias de desinfetantes domésticos e hospitalares. Portanto, não há interesse comercial no seu uso em larga escala.
>                                            O que se pode fazer com água oxigenada:
>
> 1 - Uma colher de sobremesa do produto usada para bochechos e mantido na boca por alguns minutos, mata todos os germes bucais, branqueando os dentes! Cuspir após o bochecho.
>
> 2 - Manter escovas de dentes numa solução de água oxigenada conserva as escovas livres de germes que causam gengivite e outros problemas bucais.
>
> 3 - Um pouco de água oxigenada num pano desinfeta superfícies melhor do que qualquer outro produto. Excelente para usar em cozinhas e banheiros.
>
> 4 - Tábuas de carne e outros utensílios são totalmente desinfetados após uso, com um pouco de água oxigenada. O produto mata qualquer bactéria ou germe, inclusive salmonela.
>
> 5 - Passada nos pés, à noite, evita problemas de frieiras e outros
> fungos que causam os principais problemas nos pés, inclusive mau cheiro (chulé).
>
> 6 - Passada em ferimentos (várias vezes ao dia) evita infecções e
> ajuda na cicatrização. Até casos de gangrena regrediram com o seu uso.
>
> 7 - Numa mistura meio-a-meio com água pura, pode ser pingada no nariz em resfriados e sinusites. Esperar alguns instantes e assoar o nariz. Isso mata germes e outros microorganismos nocivos.
>
> 8 - Um pouco de água oxigenada na água do banho ajuda a manter a pele saudável, podendo ser usada em casos de micoses e fungos .
>
> 9 - Roupas que precisem desinfecção (lençóis, fraldas, etc), ou
> aquelas em contato com secreções corporais e sangue, podem ser
> totalmente desinfetadas se ficarem de molho numa solução contendo água oxigenada antes da lavagem normal.
>                                                                                    
> -----------------------------------------
>
>
>
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>
>
>
> --
>
> Você está recebendo esta mensagem porque se inscreveu no grupo "Ex-Esso" dos Grupos do Google.
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> Para postar neste grupo, envie um e-mail para ex_esso@googlegroups.com
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> Para cancelar a inscrição nesse grupo, envie um e-mail para
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>




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SUBJECT: Re: RE: [ciencialist] Re: Enc: Águia Oxigenada
FROM: Luiz Ferraz Netto [Léo] <leobarretos@uol.com.br>
TO: ciencialist@yahoogrupos.com.br
DATE: 19/08/2011 07:41

> 4 - Tábuas de carne e outros utensílios são totalmente desinfetados após uso, com um pouco de água oxigenada. O produto mata qualquer bactéria ou germe, inclusive salmonela.

Tábuas de carne, paninhos de pia, esponjas de limpeza, etc., da cozinha, o melhor mesmo é (após lavagem típica) é 10 s de microondas!
[]´
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Luiz Ferraz Netto [Léo]


SUBJECT: Re: RE: [ciencialist] Re: Enc: Águia Oxigenada
FROM: Belmiro Wolski <belmirow@yahoo.com.br>
TO: "ciencialist@yahoogrupos.com.br" <ciencialist@yahoogrupos.com.br>
DATE: 19/08/2011 08:55

Beleza! Mas até agora não entendi onde entra a referida ave de rapina devidamente oxigenada:)) gargalhadas.
 
[],s
 
Belmiro

De: Luiz Ferraz Netto [Léo] <leobarretos@uol.com.br>
Para: ciencialist@yahoogrupos.com.br
Enviadas: Sexta-feira, 19 de Agosto de 2011 7:41
Assunto: Re: RE: [ciencialist] Re: Enc: Águia Oxigenada

 
> 4 - Tábuas de carne e outros utensílios são totalmente desinfetados após uso, com um pouco de água oxigenada. O produto mata qualquer bactéria ou germe, inclusive salmonela.

Tábuas de carne, paninhos de pia, esponjas de limpeza, etc., da cozinha, o melhor mesmo é (após lavagem típica) é 10 s de microondas!
[]´
===================
Luiz Ferraz Netto [Léo]




SUBJECT: Robôs e instintos
FROM: jeff@jeff.com.br
TO: ciencialist@yahoogrupos.com.br
DATE: 19/08/2011 09:33

Por mais inteligente que um robô possa ser, apenas sua inteligência não
produziria "amor próprio", vontade de "viver", auto-proteção, medo de
"morrer", etc, certo? Pois entendo inteligência é só a capacidade de
raciocínio e estes sentimento nem são racionais, são instintivos. Então,
um robô poderia ter uma capacidade de resolver problemas e até uma
"consciência" muito maiores do que qualquer humano poderia ter sem
implicar no surgimento destes sentimentos, certo? Mesmo super inteligente,
apenas pela sua inteligência, uma máquina não deveria se preocupar com sua
destruição então...

Pergunto isso pra ter outras opiniões porque todo mundo fala que robôs
super inteligentes deveriam se rebelar motivados por sentimentos destes
tipos! Acho que é porque acreditam que quanto mais inteligente uma coisa
ficar, mais deve se parecer com humanos, em todo os aspectos, sei lá... :)

Mas, se a fabricação destes robôs estiver, de alguma forma, sujeita a uma
evolução por seleção natural, aí sim, estes instintos animais poderiam (ou
talvez até deveriam) surgir gradualmente né!

[]´,s
Jeff.



SUBJECT: Re: [ciencialist] Robôs e instintos
FROM: "Pesky Bee" <peskybee2@gmail.com>
TO: <ciencialist@yahoogrupos.com.br>
DATE: 19/08/2011 10:04

Jeffão, concordo com boa parte do que dizes. Uma coisa
é inteligência (mais ligada ao que se conhece por "cognição")
outras coisas são instinto de auto-sobrevivência, "amor",
empatia, altruísmo, etc.
 
Na minha visão, não tardará muito para termos companheiros
cognitivos de altíssimo poder computacional. Coisa de fazer
arrepiar os cabelinhos "daquele lugar". Mas essas máquinas/robôs
serão o equivalente a uma porta em termos emocionais.
 
E também acho que a seleção natural poderia, depois de um
bom tempo, produzir robôs com protótipos de emoção, mas
esses camaradas nunca vão ser equivalentes em termos
emocionais a nós, humanos. Por uma razão: a biologia
(o nosso "sangue quente", cólicas intestinais, dor de
cabeça, vontade de fornicar, irritabilidade, medo,
impaciência, inveja, coragem, audácia, etc., etc.)
são coisas ligadas a processos orgânicos/hormonais, que
não creio terem contrapartida em arquiteturas baseadas
em silício (ou outra coisa parecida). Em resumo, quando
esses novos coleguinhas surgirem na face da Terra, teremos
dado origem a uma nova e completamente diferente espécie de
organismo. E se nós humanos já nos enroscamos com outros
Homo Sapiens ligeiramente diferentes (cor diferente, olhos
puxadinhos, cabeça achatada) o que irá acontecer quando
viermos a interagir com essa cambada? Só Zeus sabe...
 
*PB*
 
 
 
 
-----Mensagem Original-----
From: jeff@jeff.com.br
Sent: Friday, August 19, 2011 9:33 AM
To: ciencialist@yahoogrupos.com.br
Subject: [ciencialist] Robôs e instintos
 
Por mais inteligente que um robô possa ser, apenas sua inteligência não
produziria "amor próprio", vontade de "viver", auto-proteção, medo de
"morrer", etc, certo? Pois entendo inteligência é só a capacidade de
raciocínio e estes sentimento nem são racionais, são instintivos. Então,
um robô poderia ter uma capacidade de resolver problemas e até uma
"consciência" muito maiores do que qualquer humano poderia ter sem
implicar no surgimento destes sentimentos, certo? Mesmo super inteligente,
apenas pela sua inteligência, uma máquina não deveria se preocupar com sua
destruição então...
 
Pergunto isso pra ter outras opiniões porque todo mundo fala que robôs
super inteligentes deveriam se rebelar motivados por sentimentos destes
tipos! Acho que é porque acreditam que quanto mais inteligente uma coisa
ficar, mais deve se parecer com humanos, em todo os aspectos, sei lá... :)
 
Mas, se a fabricação destes robôs estiver, de alguma forma, sujeita a uma
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[]´,s
Jeff.
 
 
 
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SUBJECT: RES: [ciencialist] Robôs e instintos
FROM: "JVictor" <j.victor.neto@uol.com.br>
TO: <ciencialist@yahoogrupos.com.br>
DATE: 20/08/2011 07:20

Pesky,

Você, realmente, é um visionário. No caso, de coisas que não acontecerão. Mas pensar, elocubrar não dói, e você o faz muito bem. Infelizmente, meus conhecimentos, minhas tradições e limitações me dotam de um  ceticismo nesse mister que dá gosto, que  é máximo.

Considero, cá para as  minhas “visionaridades”, que as coisas mais básicas da Natureza, e não sabemos as causas, são: as simetrias, que parecem ser o “modus operandi” do espaço e a capacidade de discernimento desse ser vivo, chamado racional, no você está incluído.  

As simetrias da Natureza – e os físicos de porte sempre procuram por elas, mostram o comportamento simples, descomplicado, da Natureza(com o bônus de serem perfeitamente descritas elas estruturas matemáticas existentes, de maneira clara. Basta adiantar que as estruturas básicas Newtonianas podem ser inferidas a partir dos conceitos de simetrias, o resto vindo por acréscimo), “decretando” o que pode acontecer e o que não pode acontecer, de maneira absolutamente inequívoca; e o discernimento, aquele mesmo que faz você voar na maionese ou não, que define se alguma coisa está ou não conforme seu quadro de referência, ou, melhor, a capacidade única que temos de sabermos que sabemos, ou que não sabemos. Estas duas coisas, em minha concepção, limitam tudo. Uma vaca sabe. Mas não sabe disso. Um robô ultra sabido, sabe. Mas não sabe, ou deixa de saber inteiramente, se um mísero bit for apagado ou mudado de posição, devido a algum “susto” eletrônico, como um surto ou um pequeno cc. Se ele puder concertar o eventual dano, esta ação está muito distante daquela que nos leva a tomar um comprimido, espontânea e naturalmente, compulsória,  quando sentimos alguma gripe, ou gastar 50 pilas com um viagrinha, que aliás, serve mais para a memória do que para qq outra coisa...ao contrário do que muitos pensam...)

Então, do mesmo jeito que, de maneira natural, você não pode cair para cima, uma máquina jamais terá discernimento.  Poderá, sim, ser ultra, ultra, capacitada a fazer cálculos, tomar “decisões”, tudo baseado em algorítimos matemáticos como, por exemplo aqueles sistemas empregados nas redes neurais. Que são bastante aprimorados, a tal ponto de, se “treinados” um número suficiente de vezes, parecem não precisar de mais nada para executar operações não treinadas(ou ensaiadas). Mas daí partir para a extrapolações como essas ficcionistas, “em meu abalizado” ponto de vista,  vai uma distância intransponível.

 

Mas, bom para os imaginativos autores de ficção, que estarão sempre bem evidência.  Por falar nisso, vez ou outra, mas outra do que vez,  assisto um filme de ficcção, desses de seriados via TV. E gosto.

 

Sds,

Victor.

 

 

De: ciencialist@yahoogrupos.com.br [mailto:ciencialist@yahoogrupos.com.br] Em nome de Pesky Bee
Enviada em: sexta-feira, 19 de agosto de 2011 10:04
Para: ciencialist@yahoogrupos.com.br
Assunto: Re: [ciencialist] Robôs e instintos

 

 

Jeffão, concordo com boa parte do que dizes. Uma coisa

é inteligência (mais ligada ao que se conhece por "cognição")

outras coisas são instinto de auto-sobrevivência, "amor",

empatia, altruísmo, etc.

 

Na minha visão, não tardará muito para termos companheiros

cognitivos de altíssimo poder computacional. Coisa de fazer

arrepiar os cabelinhos "daquele lugar". Mas essas máquinas/robôs

serão o equivalente a uma porta em termos emocionais.

 

E também acho que a seleção natural poderia, depois de um

bom tempo, produzir robôs com protótipos de emoção, mas

esses camaradas nunca vão ser equivalentes em termos

emocionais a nós, humanos. Por uma razão: a biologia

(o nosso "sangue quente", cólicas intestinais, dor de

cabeça, vontade de fornicar, irritabilidade, medo,

impaciência, inveja, coragem, audácia, etc., etc.)

são coisas ligadas a processos orgânicos/hormonais, que

não creio terem contrapartida em arquiteturas baseadas

em silício (ou outra coisa parecida). Em resumo, quando

esses novos coleguinhas surgirem na face da Terra, teremos

dado origem a uma nova e completamente diferente espécie de

organismo. E se nós humanos já nos enroscamos com outros

Homo Sapiens ligeiramente diferentes (cor diferente, olhos

puxadinhos, cabeça achatada) o que irá acontecer quando

viermos a interagir com essa cambada? Só Zeus sabe...

 

*PB*

 

 

 

 

-----Mensagem Original-----

From: jeff@jeff.com.br

Sent: Friday, August 19, 2011 9:33 AM

To: ciencialist@yahoogrupos.com.br

Subject: [ciencialist] Robôs e instintos

 

Por mais inteligente que um robô possa ser, apenas sua inteligência não

produziria "amor próprio", vontade de "viver", auto-proteção, medo de

"morrer", etc, certo? Pois entendo inteligência é só a capacidade de

raciocínio e estes sentimento nem são racionais, são instintivos. Então,

um robô poderia ter uma capacidade de resolver problemas e até uma

"consciência" muito maiores do que qualquer humano poderia ter sem

implicar no surgimento destes sentimentos, certo? Mesmo super inteligente,

apenas pela sua inteligência, uma máquina não deveria se preocupar com sua

destruição então...

 

Pergunto isso pra ter outras opiniões porque todo mundo fala que robôs

super inteligentes deveriam se rebelar motivados por sentimentos destes

tipos! Acho que é porque acreditam que quanto mais inteligente uma coisa

ficar, mais deve se parecer com humanos, em todo os aspectos, sei lá... :)

 

Mas, se a fabricação destes robôs estiver, de alguma forma, sujeita a uma

evolução por seleção natural, aí sim, estes instintos animais poderiam (ou

talvez até deveriam) surgir gradualmente né!

 

[]´,s

Jeff.

 

 

 

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SUBJECT: Re: [ciencialist] Robôs e instintos
FROM: "Pesky Bee" <peskybee2@gmail.com>
TO: <ciencialist@yahoogrupos.com.br>
DATE: 20/08/2011 11:15

Caríssimo JVictor, acho que entendi suas colocações e, claro, tenho
cá algumas ressalvas. Sim, sim, há simetrias imensas na natureza.
É verdade sim que existem leis que podem ser "cheiradas" a partir
dessa curiosa similaridade entre coisas que deduzimos. Mas...
 
O "mas" aqui é que, mesmo com esse incrível número de simetrias,
mesmo que tenhamos uma notável capacidade dedutiva acerca do
universo, nós não temos como "predizer" o futuro desse universo
além do curtíssimo prazo. As coisas, mesmo simétricas e simples,
sofrem pequenas variações, e essas diminutas variações, ao serem
capitalizadas por interações não lineares, levam à tão malfadada
"complexidade" dos sistemas caóticos. Resultado: mesmo em sistemas
super-simples como pêndulos não temos como predizer seu comportamento
exato no longo prazo. Porque um pêndulo ideal não existe: ele sempre
tem componentes não lineares que no médio/longo prazo "esgarçam"
aquilo que nossas equações descrevem.
 
Agora, de volta ao cérebro. Êta máquininha complicada! É uma
maquininha sim (estamos cada vez mais entendendo as "engrenagens"
dele). Um mísero neurônio é um dispositivo inacreditavelmente
não linear, cheio de complexidade. Agora imagine uma centena.
Um milhar. Um bilhão. E o que dizer de uma centena de bilhões? É algo
complexíssimo, praticamente impossível de se predizer mesmo no curto
prazo (basta lembrar dos cérebros femininos no meio de uma loja
de roupas em shopping para ter um exemplo).
 
E isso não tem nada a ver com o fato de ser "biológico": se fossem
100 bilhões de transístores, com comportamento também não linear,
seriam igualmente não previsíveis. Pronto! Está formado um "cérebro
eletrônico" tão esquizofrênico e complicado quanto o nosso, basta
que tenha essa não linearidade embutida em seus microcomponentes.
 
Com isso quero dizer (prepare-se para um salto lógico intergalático,
só dirimível com várias páginas de texto) que acho perfeitamente
possível termos inteligências robóticas, feitas a partir desses
circuitinhos não biológicos, capazes de ter insight, criatividade,
e até mesmo consciência! Mas... (de novo)...
 
Embora eu seja "crente" nesse tipo de futura situação, sou
cético em relação a outra coisa fundamental para nós, humanos.
Sou cético de que essas maquininhas hiper-inteligentes e
criativas possam ser portadoras de emoções genuínas, comparáveis
às nossas.
 
Você deve saber que já faz algumas décadas que vários pensadores
têm colocado as emoções como componentes essenciais até mesmo
do processo decisório (um nome famoso é aquele neurocientista
António Damasio e o seu livro "O erro de Descartes"). Pois eu acho
que é por aí que a porca irá torcer o rabo, não vejo como esses
futuros (e diria inevitáveis) companheiros cognitivos cibernéticos
possam "competir" conosco no panorama emocional. Esses robôs serão
muito, mas muito mais fraquinhos em termos emocionais do que nossos
cãezinhos domésticos.
 
E creio nisso porque vejo as emoções como sendo estados de um
sistema biológico, com um montão de interações complexas entre
hormônios, órgãos e mecanismos pré-fabricados por várias dezenas
de milhões de anos de evolução (precedendo muito o Homo Sapiens,
e mesmo os primatas que nos antecederam). Então inteligência
(cognição) é uma coisa. Consciência é outra coisa. Mas emoções,
esse é um problema bem mais estratosférico.
 
Claro, tudo isso que estamos aqui falando é mera "elocubração de
mesa de bar". A realidade tem um péssimo hábito de nos surpreender
(ainda bem!), então estou prontinho para revisar esses meus
pensamentos. Mas não vou me surpreender se no final das contas
eu estiver certo...
 
*PB*
 
 
 
From: JVictor
Sent: Saturday, August 20, 2011 7:20 AM
Subject: RES: [ciencialist] Robôs e instintos
 


Pesky,

Você, realmente, é um visionário. No caso, de coisas que não acontecerão. Mas pensar, elocubrar não dói, e você o faz muito bem. Infelizmente, meus conhecimentos, minhas tradições e limitações me dotam de um  ceticismo nesse mister que dá gosto, que  é máximo.

Considero, cá para as  minhas “visionaridades”, que as coisas mais básicas da Natureza, e não sabemos as causas, são: as simetrias, que parecem ser o “modus operandi” do espaço e a capacidade de discernimento desse ser vivo, chamado racional, no você está incluído. 

As simetrias da Natureza – e os físicos de porte sempre procuram por elas, mostram o comportamento simples, descomplicado, da Natureza(com o bônus de serem perfeitamente descritas elas estruturas matemáticas existentes, de maneira clara. Basta adiantar que as estruturas básicas Newtonianas podem ser inferidas a partir dos conceitos de simetrias, o resto vindo por acréscimo), “decretando” o que pode acontecer e o que não pode acontecer, de maneira absolutamente inequívoca; e o discernimento, aquele mesmo que faz você voar na maionese ou não, que define se alguma coisa está ou não conforme seu quadro de referência, ou, melhor, a capacidade única que temos de sabermos que sabemos, ou que não sabemos. Estas duas coisas, em minha concepção, limitam tudo. Uma vaca sabe. Mas não sabe disso. Um robô ultra sabido, sabe. Mas não sabe, ou deixa de saber inteiramente, se um mísero bit for apagado ou mudado de posição, devido a algum “susto” eletrônico, como um surto ou um pequeno cc. Se ele puder concertar o eventual dano, esta ação está muito distante daquela que nos leva a tomar um comprimido, espontânea e naturalmente, compulsória,  quando sentimos alguma gripe, ou gastar 50 pilas com um viagrinha, que aliás, serve mais para a memória do que para qq outra coisa...ao contrário do que muitos pensam...)

Então, do mesmo jeito que, de maneira natural, você não pode cair para cima, uma máquina jamais terá discernimento.  Poderá, sim, ser ultra, ultra, capacitada a fazer cálculos, tomar “decisões”, tudo baseado em algorítimos matemáticos como, por exemplo aqueles sistemas empregados nas redes neurais. Que são bastante aprimorados, a tal ponto de, se “treinados” um número suficiente de vezes, parecem não precisar de mais nada para executar operações não treinadas(ou ensaiadas). Mas daí partir para a extrapolações como essas ficcionistas, “em meu abalizado” ponto de vista,  vai uma distância intransponível.

 

Mas, bom para os imaginativos autores de ficção, que estarão sempre bem evidência.  Por falar nisso, vez ou outra, mas outra do que vez,  assisto um filme de ficcção, desses de seriados via TV. E gosto.

 

Sds,

Victor.

 

 

De: ciencialist@yahoogrupos.com.br [mailto:ciencialist@yahoogrupos.com.br] Em nome de Pesky Bee
Enviada em: sexta-feira, 19 de agosto de 2011 10:04
Para: ciencialist@yahoogrupos.com.br
Assunto: Re: [ciencialist] Robôs e instintos

 

 

Jeffão, concordo com boa parte do que dizes. Uma coisa

é inteligência (mais ligada ao que se conhece por "cognição")

outras coisas são instinto de auto-sobrevivência, "amor",

empatia, altruísmo, etc.

 

Na minha visão, não tardará muito para termos companheiros

cognitivos de altíssimo poder computacional. Coisa de fazer

arrepiar os cabelinhos "daquele lugar". Mas essas máquinas/robôs

serão o equivalente a uma porta em termos emocionais.

 

E também acho que a seleção natural poderia, depois de um

bom tempo, produzir robôs com protótipos de emoção, mas

esses camaradas nunca vão ser equivalentes em termos

emocionais a nós, humanos. Por uma razão: a biologia

(o nosso "sangue quente", cólicas intestinais, dor de

cabeça, vontade de fornicar, irritabilidade, medo,

impaciência, inveja, coragem, audácia, etc., etc.)

são coisas ligadas a processos orgânicos/hormonais, que

não creio terem contrapartida em arquiteturas baseadas

em silício (ou outra coisa parecida). Em resumo, quando

esses novos coleguinhas surgirem na face da Terra, teremos

dado origem a uma nova e completamente diferente espécie de

organismo. E se nós humanos já nos enroscamos com outros

Homo Sapiens ligeiramente diferentes (cor diferente, olhos

puxadinhos, cabeça achatada) o que irá acontecer quando

viermos a interagir com essa cambada? Só Zeus sabe...

 

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-----Mensagem Original-----

From: jeff@jeff.com.br

Sent: Friday, August 19, 2011 9:33 AM

To: ciencialist@yahoogrupos.com.br

Subject: [ciencialist] Robôs e instintos

 

Por mais inteligente que um robô possa ser, apenas sua inteligência não

produziria "amor próprio", vontade de "viver", auto-proteção, medo de

"morrer", etc, certo? Pois entendo inteligência é só a capacidade de

raciocínio e estes sentimento nem são racionais, são instintivos. Então,

um robô poderia ter uma capacidade de resolver problemas e até uma

"consciência" muito maiores do que qualquer humano poderia ter sem

implicar no surgimento destes sentimentos, certo? Mesmo super inteligente,

apenas pela sua inteligência, uma máquina não deveria se preocupar com sua

destruição então...

 

Pergunto isso pra ter outras opiniões porque todo mundo fala que robôs

super inteligentes deveriam se rebelar motivados por sentimentos destes

tipos! Acho que é porque acreditam que quanto mais inteligente uma coisa

ficar, mais deve se parecer com humanos, em todo os aspectos, sei lá... :)

 

Mas, se a fabricação destes robôs estiver, de alguma forma, sujeita a uma

evolução por seleção natural, aí sim, estes instintos animais poderiam (ou

talvez até deveriam) surgir gradualmente né!

 

[]´,s

Jeff.

 

 

 

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SUBJECT: Re: [ciencialist] Robôs e instintos
FROM: jeff@jeff.com.br
TO: ciencialist@yahoogrupos.com.br
DATE: 21/08/2011 09:33

> E também acho que a seleção natural poderia, depois de um
> bom tempo, produzir robôs com protótipos de emoção, mas
> esses camaradas nunca vão ser equivalentes em termos
> emocionais a nós, humanos. Por uma razão: a biologia
> (o nosso "sangue quente", cólicas intestinais, dor de
> cabeça, vontade de fornicar, irritabilidade, medo,
> impaciência, inveja, coragem, audácia, etc., etc.)
> são coisas ligadas a processos orgânicos/hormonais, que
> não creio terem contrapartida em arquiteturas baseadas
> em silício (ou outra coisa parecida).


Também acho que seriam "emoções" bem diferentes, por estes motivos
citados. Talvez tenham "emoções" até muito estranhas para nós... :)


> Em resumo, quando esses novos coleguinhas surgirem na face
> da Terra, teremos dado origem a uma nova e completamente
> diferente espécie de organismo. E se nós humanos já nos
> enroscamos com outros Homo Sapiens ligeiramente diferentes
> (cor diferente, olhos puxadinhos, cabeça achatada) o que
> irá acontecer quando viermos a interagir com essa cambada?
> Só Zeus sabe...
>


Acho que não deveríamos buscar muita semelhança física nem emocional dos
robôs conosco. Mesmo assim, apenas a interação fluente que teremos com
essas máquinas já deve ser suficiente pra nos afeiçoarmos bastante a elas
né... o que até já acontece com computadores, IPhones, etc. :)

[]´,s
Jeff.


>
> *PB*
>
>
>
>
> -----Mensagem Original-----
> From: jeff@jeff.com.br
> Sent: Friday, August 19, 2011 9:33 AM
> To: ciencialist@yahoogrupos.com.br
> Subject: [ciencialist] Robôs e instintos
>
> Por mais inteligente que um robô possa ser, apenas sua inteligência não
produziria "amor próprio", vontade de "viver", auto-proteção, medo de
"morrer", etc, certo? Pois entendo inteligência é só a capacidade de
raciocínio e estes sentimento nem são racionais, são instintivos. Então,
um robô poderia ter uma capacidade de resolver problemas e até uma
"consciência" muito maiores do que qualquer humano poderia ter sem
implicar no surgimento destes sentimentos, certo? Mesmo super
inteligente,
> apenas pela sua inteligência, uma máquina não deveria se preocupar com
sua
> destruição então...
>
> Pergunto isso pra ter outras opiniões porque todo mundo fala que robôs
super inteligentes deveriam se rebelar motivados por sentimentos destes
tipos! Acho que é porque acreditam que quanto mais inteligente uma coisa
ficar, mais deve se parecer com humanos, em todo os aspectos, sei lá...
:)
>
> Mas, se a fabricação destes robôs estiver, de alguma forma, sujeita a
uma
> evolução por seleção natural, aí sim, estes instintos animais poderiam
(ou
> talvez até deveriam) surgir gradualmente né!
>
> []´,s
> Jeff.
>
>
>
> ------------------------------------
>
> ##### ##### #####
>
> Página de apoio
> http://www.ciencialist.com
>
>
> ##### ##### ##### #####Links do Yahoo! Grupos
>
>






SUBJECT: RES: [ciencialist] Robôs e instintos
FROM: "JVictor" <j.victor.neto@uol.com.br>
TO: <ciencialist@yahoogrupos.com.br>
DATE: 21/08/2011 09:48

Sou cético de que essas maquininhas hiper-inteligentes e

criativas possam ser portadoras de emoções genuínas, comparáveis

às nossas.

 

Eis onde está o nó, indesatável: emoções. Esta, a “signatura” do ser humano. Não é devido a emoções, em alguma de suas formas,  que o processo criativo eclode? Penso que sim. Um robô chegará à criatividade de um simples poeta de cordel?  Nem  duvido: assevero que não. Embora, em termos de cálculo e processamento matemático possa chegar a níveis altos. Xadrez. Xadrez é uma ciência matemática. Depende nada de sorte, e totalmente de relações de lógica matemática. Os grandes mestres do xadrez, como o nosso Mequinho( e por onde anda essa figura?), entre outros, podem até perder para um computador, como já aconteceu com o russo Grande Mestre Internacional do Xadrez. Mas este apenas não desenvolveu em sua mente o número de algoritmos matemáticos implantado por outros grandes mestres na “torradeira”. Quem manda ser “burro”?

A mente humana, sim, tem capacidade para superar esta e outras coisas, e deixar o pc sabidão lá para trás.  As emoções são o gatilho para tudo. Simples assim. Simples? Pois sim.

 

Mas continuo pensando que, nesse mister, sempre seremos únicos. Você afirmou em algum momento que inteligência e consciência são coisas diferentes. Ok, parece que sim, mas não sei poderá haver uma sem o concurso da outra, em algum nível.  Há uma relação. A consciência, o saber que sabemos ou não, é o que parece ser responsável por isto: discernimento, que é o que faz a diferença nesse contexto.  Agora, tanto a inteligência, quanto a consciência, estão atrelados à complexidade dos sistemas neurônicos do cérebro, e de uma maneira que não se sabe explicar, ainda. A AS de agosto, como postei num e-mail anterior, tem um artigo bem interessante a respeito.  Que elucida alguns senões. Mas falta muito ainda.  Parece-me que aquilo lá é o nível de conhecimento mais avançado que já logramos obter nessa área. O estudo das redes neurais, que estou fazendo, de maneira tímida e esporádica, tem sido um caminho na simulação dos processos lógicos da mente, ainda que com modelos matemáticos criados ou sugeridos por pessoas de formação tão diferentes quanto psicólogos e matemáticos. Aliás, nem há outra caminho! Ou o matemático, ou a permanente e abissal escuridão!

Mas é tudo que temos.

Sugiro até que você o comente, dentro dessa sua linha de pensamento “maionésico, de mesa de bar, como diz”, que tenho dúvidas se se manterá, após...

 

Só uma perguntinha: você acha mesmo que o super-super PC da geração de 3000 poderá escrever um e-mail como os que vocês fazem por aqui,postando as mais diversas questões, emitindo as mais diversas opiniões até mesmo sobre o mesmo tema,  como esses que você faz, por exemplo? 

Minha resposta é: Non.

 

Sds,

Victor.

 

 

 

De: ciencialist@yahoogrupos.com.br [mailto:ciencialist@yahoogrupos.com.br] Em nome de Pesky Bee
Enviada em: sábado, 20 de agosto de 2011 11:16
Para: ciencialist@yahoogrupos.com.br
Assunto: Re: [ciencialist] Robôs e instintos

 

 

Caríssimo JVictor, acho que entendi suas colocações e, claro, tenho

cá algumas ressalvas. Sim, sim, há simetrias imensas na natureza.

É verdade sim que existem leis que podem ser "cheiradas" a partir

dessa curiosa similaridade entre coisas que deduzimos. Mas...

 

O "mas" aqui é que, mesmo com esse incrível número de simetrias,

mesmo que tenhamos uma notável capacidade dedutiva acerca do

universo, nós não temos como "predizer" o futuro desse universo

além do curtíssimo prazo. As coisas, mesmo simétricas e simples,

sofrem pequenas variações, e essas diminutas variações, ao serem

capitalizadas por interações não lineares, levam à tão malfadada

"complexidade" dos sistemas caóticos. Resultado: mesmo em sistemas

super-simples como pêndulos não temos como predizer seu comportamento

exato no longo prazo. Porque um pêndulo ideal não existe: ele sempre

tem componentes não lineares que no médio/longo prazo "esgarçam"

aquilo que nossas equações descrevem.

 

Agora, de volta ao cérebro. Êta máquininha complicada! É uma

maquininha sim (estamos cada vez mais entendendo as "engrenagens"

dele). Um mísero neurônio é um dispositivo inacreditavelmente

não linear, cheio de complexidade. Agora imagine uma centena.

Um milhar. Um bilhão. E o que dizer de uma centena de bilhões? É algo

complexíssimo, praticamente impossível de se predizer mesmo no curto

prazo (basta lembrar dos cérebros femininos no meio de uma loja

de roupas em shopping para ter um exemplo).

 

E isso não tem nada a ver com o fato de ser "biológico": se fossem

100 bilhões de transístores, com comportamento também não linear,

seriam igualmente não previsíveis. Pronto! Está formado um "cérebro

eletrônico" tão esquizofrênico e complicado quanto o nosso, basta

que tenha essa não linearidade embutida em seus microcomponentes.

 

Com isso quero dizer (prepare-se para um salto lógico intergalático,

só dirimível com várias páginas de texto) que acho perfeitamente

possível termos inteligências robóticas, feitas a partir desses

circuitinhos não biológicos, capazes de ter insight, criatividade,

e até mesmo consciência! Mas... (de novo)...

 

Embora eu seja "crente" nesse tipo de futura situação, sou

cético em relação a outra coisa fundamental para nós, humanos.

Sou cético de que essas maquininhas hiper-inteligentes e

criativas possam ser portadoras de emoções genuínas, comparáveis

às nossas.

 

Você deve saber que já faz algumas décadas que vários pensadores

têm colocado as emoções como componentes essenciais até mesmo

do processo decisório (um nome famoso é aquele neurocientista

António Damasio e o seu livro "O erro de Descartes"). Pois eu acho

que é por aí que a porca irá torcer o rabo, não vejo como esses

futuros (e diria inevitáveis) companheiros cognitivos cibernéticos

possam "competir" conosco no panorama emocional. Esses robôs serão

muito, mas muito mais fraquinhos em termos emocionais do que nossos

cãezinhos domésticos.

 

E creio nisso porque vejo as emoções como sendo estados de um

sistema biológico, com um montão de interações complexas entre

hormônios, órgãos e mecanismos pré-fabricados por várias dezenas

de milhões de anos de evolução (precedendo muito o Homo Sapiens,

e mesmo os primatas que nos antecederam). Então inteligência

(cognição) é uma coisa. Consciência é outra coisa. Mas emoções,

esse é um problema bem mais estratosférico.

 

Claro, tudo isso que estamos aqui falando é mera "elocubração de

mesa de bar". A realidade tem um péssimo hábito de nos surpreender

(ainda bem!), então estou prontinho para revisar esses meus

pensamentos. Mas não vou me surpreender se no final das contas

eu estiver certo...

 

*PB*

 

 

 

From: JVictor

Sent: Saturday, August 20, 2011 7:20 AM

Subject: RES: [ciencialist] Robôs e instintos

 




Pesky,

Você, realmente, é um visionário. No caso, de coisas que não acontecerão. Mas pensar, elocubrar não dói, e você o faz muito bem. Infelizmente, meus conhecimentos, minhas tradições e limitações me dotam de um  ceticismo nesse mister que dá gosto, que  é máximo.

Considero, cá para as  minhas “visionaridades”, que as coisas mais básicas da Natureza, e não sabemos as causas, são: as simetrias, que parecem ser o “modus operandi” do espaço e a capacidade de discernimento desse ser vivo, chamado racional, no você está incluído. 

As simetrias da Natureza – e os físicos de porte sempre procuram por elas, mostram o comportamento simples, descomplicado, da Natureza(com o bônus de serem perfeitamente descritas elas estruturas matemáticas existentes, de maneira clara. Basta adiantar que as estruturas básicas Newtonianas podem ser inferidas a partir dos conceitos de simetrias, o resto vindo por acréscimo), “decretando” o que pode acontecer e o que não pode acontecer, de maneira absolutamente inequívoca; e o discernimento, aquele mesmo que faz você voar na maionese ou não, que define se alguma coisa está ou não conforme seu quadro de referência, ou, melhor, a capacidade única que temos de sabermos que sabemos, ou que não sabemos. Estas duas coisas, em minha concepção, limitam tudo. Uma vaca sabe. Mas não sabe disso. Um robô ultra sabido, sabe. Mas não sabe, ou deixa de saber inteiramente, se um mísero bit for apagado ou mudado de posição, devido a algum “susto” eletrônico, como um surto ou um pequeno cc. Se ele puder concertar o eventual dano, esta ação está muito distante daquela que nos leva a tomar um comprimido, espontânea e naturalmente, compulsória,  quando sentimos alguma gripe, ou gastar 50 pilas com um viagrinha, que aliás, serve mais para a memória do que para qq outra coisa...ao contrário do que muitos pensam...)

Então, do mesmo jeito que, de maneira natural, você não pode cair para cima, uma máquina jamais terá discernimento.  Poderá, sim, ser ultra, ultra, capacitada a fazer cálculos, tomar “decisões”, tudo baseado em algorítimos matemáticos como, por exemplo aqueles sistemas empregados nas redes neurais. Que são bastante aprimorados, a tal ponto de, se “treinados” um número suficiente de vezes, parecem não precisar de mais nada para executar operações não treinadas(ou ensaiadas). Mas daí partir para a extrapolações como essas ficcionistas, “em meu abalizado” ponto de vista,  vai uma distância intransponível.

 

Mas, bom para os imaginativos autores de ficção, que estarão sempre bem evidência.  Por falar nisso, vez ou outra, mas outra do que vez,  assisto um filme de ficcção, desses de seriados via TV. E gosto.

 

Sds,

Victor.

 

 

De: ciencialist@yahoogrupos.com.br [mailto:ciencialist@yahoogrupos.com.br] Em nome de Pesky Bee
Enviada em: sexta-feira, 19 de agosto de 2011 10:04
Para: ciencialist@yahoogrupos.com.br
Assunto: Re: [ciencialist] Robôs e instintos

 

 

Jeffão, concordo com boa parte do que dizes. Uma coisa

é inteligência (mais ligada ao que se conhece por "cognição")

outras coisas são instinto de auto-sobrevivência, "amor",

empatia, altruísmo, etc.

 

Na minha visão, não tardará muito para termos companheiros

cognitivos de altíssimo poder computacional. Coisa de fazer

arrepiar os cabelinhos "daquele lugar". Mas essas máquinas/robôs

serão o equivalente a uma porta em termos emocionais.

 

E também acho que a seleção natural poderia, depois de um

bom tempo, produzir robôs com protótipos de emoção, mas

esses camaradas nunca vão ser equivalentes em termos

emocionais a nós, humanos. Por uma razão: a biologia

(o nosso "sangue quente", cólicas intestinais, dor de

cabeça, vontade de fornicar, irritabilidade, medo,

impaciência, inveja, coragem, audácia, etc., etc.)

são coisas ligadas a processos orgânicos/hormonais, que

não creio terem contrapartida em arquiteturas baseadas

em silício (ou outra coisa parecida). Em resumo, quando

esses novos coleguinhas surgirem na face da Terra, teremos

dado origem a uma nova e completamente diferente espécie de

organismo. E se nós humanos já nos enroscamos com outros

Homo Sapiens ligeiramente diferentes (cor diferente, olhos

puxadinhos, cabeça achatada) o que irá acontecer quando

viermos a interagir com essa cambada? Só Zeus sabe...

 

*PB*

 

 

 

 

-----Mensagem Original-----

From: jeff@jeff.com.br

Sent: Friday, August 19, 2011 9:33 AM

To: ciencialist@yahoogrupos.com.br

Subject: [ciencialist] Robôs e instintos

 

Por mais inteligente que um robô possa ser, apenas sua inteligência não

produziria "amor próprio", vontade de "viver", auto-proteção, medo de

"morrer", etc, certo? Pois entendo inteligência é só a capacidade de

raciocínio e estes sentimento nem são racionais, são instintivos. Então,

um robô poderia ter uma capacidade de resolver problemas e até uma

"consciência" muito maiores do que qualquer humano poderia ter sem

implicar no surgimento destes sentimentos, certo? Mesmo super inteligente,

apenas pela sua inteligência, uma máquina não deveria se preocupar com sua

destruição então...

 

Pergunto isso pra ter outras opiniões porque todo mundo fala que robôs

super inteligentes deveriam se rebelar motivados por sentimentos destes

tipos! Acho que é porque acreditam que quanto mais inteligente uma coisa

ficar, mais deve se parecer com humanos, em todo os aspectos, sei lá... :)

 

Mas, se a fabricação destes robôs estiver, de alguma forma, sujeita a uma

evolução por seleção natural, aí sim, estes instintos animais poderiam (ou

talvez até deveriam) surgir gradualmente né!

 

[]´,s

Jeff.

 

 

 

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SUBJECT: Fósseis de ser vivo de 3,4 bilhões de anos - Nature Geoscience
FROM: "JR" <jrma@terra.com.br>
TO: <ciencialist@yahoogrupos.com.br>
DATE: 21/08/2011 19:33

ÚLTIMAS NOTÍCIAS TERRA
 
 
Cientistas descobrem fósseis de ser vivo de 3,4 bilhões de anos
21 de agosto de 2011 16h43 atualizado às 18h15
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Os fósseis indicam a presença de micróbios que viveram sem oxigênio e que proliferavam graças a enxofre. Foto: AFP PHOTO / NATURE/ DAVID WACEY/AFP

Os fósseis indicam a presença de micróbios que viviam sem oxigênio
Foto: AFP PHOTO / NATURE/ DAVID WACEY/AFP

Uma equipe científica encontrou nas rochas do oeste da Austrália fósseis que indicam a presença de micróbios que viveram há 3,4 bilhões de anos em um mundo sem oxigênio e que proliferavam graças a compostos à base de enxofre, segundo um estudo publicado neste domingo na revista científica Nature Geoscience.

"Temos por fim uma boa prova de vida com mais de 3,4 bilhões de anos. Isso confirma que na época havia bactérias que viviam sem oxigênio", declarou o professor Martin Brasier, da Universidade de Oxford, que participou destas pesquisas dirigidas por David Wacey, da Universidade da Austrália Ocidental.

"São os fósseis mais antigos achados na Terra", afirmou a Universidade de Oxford em um comunicado. A Terra tem 4,5 bilhões de anos. A vida surgiu entre 3,5 e 3,8 bilhões de anos, segundo os pesquisadores anteriores. Os fósseis descobertos por David Wacey e sua equipe em uma das praias mais antigas da Terra, em um lugar chamado "Strandley Pool", estão incrustados em microscópicos cristais de pirita, de minerais à base de sulfeto de ferro, segundo o estudo.

Estes cristais seriam o efeito da atividade biológica (metabolismo) dos microorganismos fósseis. Os cientistas acreditam estar certos sobre a idade dos fósseis, já que as rochas sedimentares onde os encontraram foram formadas entre dois episódios vulcânicos.

"Isso limita a algumas dezenas de milhões de anos o intervalo de tempo no qual os fósseis puderam se formar", afirma o professor Brasier. Ele enfatiza que os microfósseis foram submetidos a provas que demonstram que as formas detectadas na rocha são de natureza biológica e que não são o resultado de um processo de mineralização. Foram observadas estruturas similares a células.

"Pela primeira vez achamos em rochas arqueanas uma associação direta entre uma morfologia celular e subprodutos do metabolismo", concluem os pesquisadores. Há 3,4 bilhões de anos, a Terra era um lugar quente, com uma forte atividade vulcânica, e a temperatura dos oceanos alcançava os 40 a 50°C.

Atualmente, afirma o professor Brasier, ainda existem bactérias que utilizam mais enxofre do que oxigênio para carregar de energia e proliferar. São encontradas principalmente em lugares quentes como chaminés hidrotermais, no fundo dos oceanos.

AFP
AFP - Todos os direitos de reprodução e representação reservados. Clique aqui para limitações e restrições ao uso.

SUBJECT: AnelPet e PirâmidePet 2.0
FROM: Tipoalgo <tipoalgo@gmail.com>
TO: ciencialist@yahoogrupos.com.br
DATE: 22/08/2011 07:56

Olá a todos.

Agora ficou mais fácil montar estruturas planas ou espaciais100% PET e com boa resistência mecânica.



Abraços
tipoalgo   @   gmail   .  com



SUBJECT: Re: [ciencialist] Robôs e instintos
FROM: "Pesky Bee" <peskybee2@gmail.com>
TO: <ciencialist@yahoogrupos.com.br>
DATE: 22/08/2011 11:31

> Minha resposta é: Non.
 
E eu concordo com isso, mas também com algumas ressalvas.
Só relembrando a questão, poderia um robô-computador escrever
um email discutindo questões que se discute por aqui?
 
Na verdade, um computador bem programado mesmo hoje conseguiria
nos enganar por algum tempo, gerando frases e questionamentos
gramaticalmente corretos. Os "talk-bots" conseguem enganar
muitas pessoas. E no futuro, com bastante conhecimento inclusive
de senso comum, pode ser difícil distinguir uma máquina de
um humano através simplesmente do que ele está a escrever.
 
O problema é outro: a questão é que, deixados por si sós,
os computadores e robôs não teriam porque conversar, a não
ser que um humano estivesse no cangote deles, impelindo-os
para fazer isso. A motivação que leva alguém a conversar
(ou um cientista a pesquisar, um artista a pintar, um músico
a tocar, um empresário a lucrar, um político a roubar) é algo
de cunho essencialmente emocional. Máquinas não se incomodam
em processar loucamente ou em ter sua tomada retirada da parede.
Para elas, essas duas situações são a mesma coisa.
 
Um computador ataca um problema com toda a sua CPU. Pode ser
um problema relevante, importante (determinar a sequência causal
completa da formação e desenvolvimento de um câncer). Ou pode ser
um problema banal, irrisório, ridículo (calcular quanto vale
oito mil quinhentos e vinte fatorial). Ele vai para cima do problema
usando todo o seu processador e memória. Já um humano direciona
seus esforços conforme o "valor" do problema. E valor é algo
que está diretamente atrelado aos nossos hormônios e
neurotransmissores, aquela sopa bioquímica cuja receita vem
sendo aprimorada por milhões de anos de evolução. É isso
o que realmente nos torna únicos.
 
*PB*
 
 
 
From: JVictor
Sent: Sunday, August 21, 2011 9:48 AM
Subject: RES: [ciencialist] Robôs e instintos
 


Sou cético de que essas maquininhas hiper-inteligentes e

criativas possam ser portadoras de emoções genuínas, comparáveis

às nossas.

 

Eis onde está o nó, indesatável: emoções. Esta, a “signatura” do ser humano. Não é devido a emoções, em alguma de suas formas,  que o processo criativo eclode? Penso que sim. Um robô chegará à criatividade de um simples poeta de cordel?  Nem  duvido: assevero que não. Embora, em termos de cálculo e processamento matemático possa chegar a níveis altos. Xadrez. Xadrez é uma ciência matemática. Depende nada de sorte, e totalmente de relações de lógica matemática. Os grandes mestres do xadrez, como o nosso Mequinho( e por onde anda essa figura?), entre outros, podem até perder para um computador, como já aconteceu com o russo Grande Mestre Internacional do Xadrez. Mas este apenas não desenvolveu em sua mente o número de algoritmos matemáticos implantado por outros grandes mestres na “torradeira”. Quem manda ser “burro”?

A mente humana, sim, tem capacidade para superar esta e outras coisas, e deixar o pc sabidão lá para trás.  As emoções são o gatilho para tudo. Simples assim. Simples? Pois sim.

 

Mas continuo pensando que, nesse mister, sempre seremos únicos. Você afirmou em algum momento que inteligência e consciência são coisas diferentes. Ok, parece que sim, mas não sei poderá haver uma sem o concurso da outra, em algum nível.  Há uma relação. A consciência, o saber que sabemos ou não, é o que parece ser responsável por isto: discernimento, que é o que faz a diferença nesse contexto.  Agora, tanto a inteligência, quanto a consciência, estão atrelados à complexidade dos sistemas neurônicos do cérebro, e de uma maneira que não se sabe explicar, ainda. A AS de agosto, como postei num e-mail anterior, tem um artigo bem interessante a respeito.  Que elucida alguns senões. Mas falta muito ainda.  Parece-me que aquilo lá é o nível de conhecimento mais avançado que já logramos obter nessa área. O estudo das redes neurais, que estou fazendo, de maneira tímida e esporádica, tem sido um caminho na simulação dos processos lógicos da mente, ainda que com modelos matemáticos criados ou sugeridos por pessoas de formação tão diferentes quanto psicólogos e matemáticos. Aliás, nem há outra caminho! Ou o matemático, ou a permanente e abissal escuridão!

Mas é tudo que temos.

Sugiro até que você o comente, dentro dessa sua linha de pensamento “maionésico, de mesa de bar, como diz”, que tenho dúvidas se se manterá, após...

 

Só uma perguntinha: você acha mesmo que o super-super PC da geração de 3000 poderá escrever um e-mail como os que vocês fazem por aqui,postando as mais diversas questões, emitindo as mais diversas opiniões até mesmo sobre o mesmo tema,  como esses que você faz, por exemplo? 

Minha resposta é: Non.

 

Sds,

Victor.

 

 

 

De: ciencialist@yahoogrupos.com.br [mailto:ciencialist@yahoogrupos.com.br] Em nome de Pesky Bee
Enviada em: sábado, 20 de agosto de 2011 11:16
Para: ciencialist@yahoogrupos.com.br
Assunto: Re: [ciencialist] Robôs e instintos

 

 

Caríssimo JVictor, acho que entendi suas colocações e, claro, tenho

cá algumas ressalvas. Sim, sim, há simetrias imensas na natureza.

É verdade sim que existem leis que podem ser "cheiradas" a partir

dessa curiosa similaridade entre coisas que deduzimos. Mas...

 

O "mas" aqui é que, mesmo com esse incrível número de simetrias,

mesmo que tenhamos uma notável capacidade dedutiva acerca do

universo, nós não temos como "predizer" o futuro desse universo

além do curtíssimo prazo. As coisas, mesmo simétricas e simples,

sofrem pequenas variações, e essas diminutas variações, ao serem

capitalizadas por interações não lineares, levam à tão malfadada

"complexidade" dos sistemas caóticos. Resultado: mesmo em sistemas

super-simples como pêndulos não temos como predizer seu comportamento

exato no longo prazo. Porque um pêndulo ideal não existe: ele sempre

tem componentes não lineares que no médio/longo prazo "esgarçam"

aquilo que nossas equações descrevem.

 

Agora, de volta ao cérebro. Êta máquininha complicada! É uma

maquininha sim (estamos cada vez mais entendendo as "engrenagens"

dele). Um mísero neurônio é um dispositivo inacreditavelmente

não linear, cheio de complexidade. Agora imagine uma centena.

Um milhar. Um bilhão. E o que dizer de uma centena de bilhões? É algo

complexíssimo, praticamente impossível de se predizer mesmo no curto

prazo (basta lembrar dos cérebros femininos no meio de uma loja

de roupas em shopping para ter um exemplo).

 

E isso não tem nada a ver com o fato de ser "biológico": se fossem

100 bilhões de transístores, com comportamento também não linear,

seriam igualmente não previsíveis. Pronto! Está formado um "cérebro

eletrônico" tão esquizofrênico e complicado quanto o nosso, basta

que tenha essa não linearidade embutida em seus microcomponentes.

 

Com isso quero dizer (prepare-se para um salto lógico intergalático,

só dirimível com várias páginas de texto) que acho perfeitamente

possível termos inteligências robóticas, feitas a partir desses

circuitinhos não biológicos, capazes de ter insight, criatividade,

e até mesmo consciência! Mas... (de novo)...

 

Embora eu seja "crente" nesse tipo de futura situação, sou

cético em relação a outra coisa fundamental para nós, humanos.

Sou cético de que essas maquininhas hiper-inteligentes e

criativas possam ser portadoras de emoções genuínas, comparáveis

às nossas.

 

Você deve saber que já faz algumas décadas que vários pensadores

têm colocado as emoções como componentes essenciais até mesmo

do processo decisório (um nome famoso é aquele neurocientista

António Damasio e o seu livro "O erro de Descartes"). Pois eu acho

que é por aí que a porca irá torcer o rabo, não vejo como esses

futuros (e diria inevitáveis) companheiros cognitivos cibernéticos

possam "competir" conosco no panorama emocional. Esses robôs serão

muito, mas muito mais fraquinhos em termos emocionais do que nossos

cãezinhos domésticos.

 

E creio nisso porque vejo as emoções como sendo estados de um

sistema biológico, com um montão de interações complexas entre

hormônios, órgãos e mecanismos pré-fabricados por várias dezenas

de milhões de anos de evolução (precedendo muito o Homo Sapiens,

e mesmo os primatas que nos antecederam). Então inteligência

(cognição) é uma coisa. Consciência é outra coisa. Mas emoções,

esse é um problema bem mais estratosférico.

 

Claro, tudo isso que estamos aqui falando é mera "elocubração de

mesa de bar". A realidade tem um péssimo hábito de nos surpreender

(ainda bem!), então estou prontinho para revisar esses meus

pensamentos. Mas não vou me surpreender se no final das contas

eu estiver certo...

 

*PB*

 

 

 

From: JVictor

Sent: Saturday, August 20, 2011 7:20 AM

Subject: RES: [ciencialist] Robôs e instintos

 




Pesky,

Você, realmente, é um visionário. No caso, de coisas que não acontecerão. Mas pensar, elocubrar não dói, e você o faz muito bem. Infelizmente, meus conhecimentos, minhas tradições e limitações me dotam de um  ceticismo nesse mister que dá gosto, que  é máximo.

Considero, cá para as  minhas “visionaridades”, que as coisas mais básicas da Natureza, e não sabemos as causas, são: as simetrias, que parecem ser o “modus operandi” do espaço e a capacidade de discernimento desse ser vivo, chamado racional, no você está incluído. 

As simetrias da Natureza – e os físicos de porte sempre procuram por elas, mostram o comportamento simples, descomplicado, da Natureza(com o bônus de serem perfeitamente descritas elas estruturas matemáticas existentes, de maneira clara. Basta adiantar que as estruturas básicas Newtonianas podem ser inferidas a partir dos conceitos de simetrias, o resto vindo por acréscimo), “decretando” o que pode acontecer e o que não pode acontecer, de maneira absolutamente inequívoca; e o discernimento, aquele mesmo que faz você voar na maionese ou não, que define se alguma coisa está ou não conforme seu quadro de referência, ou, melhor, a capacidade única que temos de sabermos que sabemos, ou que não sabemos. Estas duas coisas, em minha concepção, limitam tudo. Uma vaca sabe. Mas não sabe disso. Um robô ultra sabido, sabe. Mas não sabe, ou deixa de saber inteiramente, se um mísero bit for apagado ou mudado de posição, devido a algum “susto” eletrônico, como um surto ou um pequeno cc. Se ele puder concertar o eventual dano, esta ação está muito distante daquela que nos leva a tomar um comprimido, espontânea e naturalmente, compulsória,  quando sentimos alguma gripe, ou gastar 50 pilas com um viagrinha, que aliás, serve mais para a memória do que para qq outra coisa...ao contrário do que muitos pensam...)

Então, do mesmo jeito que, de maneira natural, você não pode cair para cima, uma máquina jamais terá discernimento.  Poderá, sim, ser ultra, ultra, capacitada a fazer cálculos, tomar “decisões”, tudo baseado em algorítimos matemáticos como, por exemplo aqueles sistemas empregados nas redes neurais. Que são bastante aprimorados, a tal ponto de, se “treinados” um número suficiente de vezes, parecem não precisar de mais nada para executar operações não treinadas(ou ensaiadas). Mas daí partir para a extrapolações como essas ficcionistas, “em meu abalizado” ponto de vista,  vai uma distância intransponível.

 

Mas, bom para os imaginativos autores de ficção, que estarão sempre bem evidência.  Por falar nisso, vez ou outra, mas outra do que vez,  assisto um filme de ficcção, desses de seriados via TV. E gosto.

 

Sds,

Victor.

 

 

De: ciencialist@yahoogrupos.com.br [mailto:ciencialist@yahoogrupos.com.br] Em nome de Pesky Bee
Enviada em: sexta-feira, 19 de agosto de 2011 10:04
Para: ciencialist@yahoogrupos.com.br
Assunto: Re: [ciencialist] Robôs e instintos

 

 

Jeffão, concordo com boa parte do que dizes. Uma coisa

é inteligência (mais ligada ao que se conhece por "cognição")

outras coisas são instinto de auto-sobrevivência, "amor",

empatia, altruísmo, etc.

 

Na minha visão, não tardará muito para termos companheiros

cognitivos de altíssimo poder computacional. Coisa de fazer

arrepiar os cabelinhos "daquele lugar". Mas essas máquinas/robôs

serão o equivalente a uma porta em termos emocionais.

 

E também acho que a seleção natural poderia, depois de um

bom tempo, produzir robôs com protótipos de emoção, mas

esses camaradas nunca vão ser equivalentes em termos

emocionais a nós, humanos. Por uma razão: a biologia

(o nosso "sangue quente", cólicas intestinais, dor de

cabeça, vontade de fornicar, irritabilidade, medo,

impaciência, inveja, coragem, audácia, etc., etc.)

são coisas ligadas a processos orgânicos/hormonais, que

não creio terem contrapartida em arquiteturas baseadas

em silício (ou outra coisa parecida). Em resumo, quando

esses novos coleguinhas surgirem na face da Terra, teremos

dado origem a uma nova e completamente diferente espécie de

organismo. E se nós humanos já nos enroscamos com outros

Homo Sapiens ligeiramente diferentes (cor diferente, olhos

puxadinhos, cabeça achatada) o que irá acontecer quando

viermos a interagir com essa cambada? Só Zeus sabe...

 

*PB*

 

 

 

 

-----Mensagem Original-----

From: jeff@jeff.com.br

Sent: Friday, August 19, 2011 9:33 AM

To: ciencialist@yahoogrupos.com.br

Subject: [ciencialist] Robôs e instintos

 

Por mais inteligente que um robô possa ser, apenas sua inteligência não

produziria "amor próprio", vontade de "viver", auto-proteção, medo de

"morrer", etc, certo? Pois entendo inteligência é só a capacidade de

raciocínio e estes sentimento nem são racionais, são instintivos. Então,

um robô poderia ter uma capacidade de resolver problemas e até uma

"consciência" muito maiores do que qualquer humano poderia ter sem

implicar no surgimento destes sentimentos, certo? Mesmo super inteligente,

apenas pela sua inteligência, uma máquina não deveria se preocupar com sua

destruição então...

 

Pergunto isso pra ter outras opiniões porque todo mundo fala que robôs

super inteligentes deveriam se rebelar motivados por sentimentos destes

tipos! Acho que é porque acreditam que quanto mais inteligente uma coisa

ficar, mais deve se parecer com humanos, em todo os aspectos, sei lá... :)

 

Mas, se a fabricação destes robôs estiver, de alguma forma, sujeita a uma

evolução por seleção natural, aí sim, estes instintos animais poderiam (ou

talvez até deveriam) surgir gradualmente né!

 

[]´,s

Jeff.

 

 

 

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SUBJECT: RES: [ciencialist] Robôs e instintos
FROM: "JVictor" <j.victor.neto@uol.com.br>
TO: <ciencialist@yahoogrupos.com.br>
DATE: 24/08/2011 06:00

Pesky,

 

Ok. Esbarra-se mesmo na questão emocional.  Esse enfoque que dá a este assunto é pertinente, mas acaba  refletindo, basicamente, tudo que conversamos a respeito.

 

Sds,

Victor.

 

De: ciencialist@yahoogrupos.com.br [mailto:ciencialist@yahoogrupos.com.br] Em nome de Pesky Bee
Enviada em: segunda-feira, 22 de agosto de 2011 11:32
Para: ciencialist@yahoogrupos.com.br
Assunto: Re: [ciencialist] Robôs e instintos

 

 

> Minha resposta é: Non.

 

E eu concordo com isso, mas também com algumas ressalvas.

Só relembrando a questão, poderia um robô-computador escrever

um email discutindo questões que se discute por aqui?

 

Na verdade, um computador bem programado mesmo hoje conseguiria

nos enganar por algum tempo, gerando frases e questionamentos

gramaticalmente corretos. Os "talk-bots" conseguem enganar

muitas pessoas. E no futuro, com bastante conhecimento inclusive

de senso comum, pode ser difícil distinguir uma máquina de

um humano através simplesmente do que ele está a escrever.

 

O problema é outro: a questão é que, deixados por si sós,

os computadores e robôs não teriam porque conversar, a não

ser que um humano estivesse no cangote deles, impelindo-os

para fazer isso. A motivação que leva alguém a conversar

(ou um cientista a pesquisar, um artista a pintar, um músico

a tocar, um empresário a lucrar, um político a roubar) é algo

de cunho essencialmente emocional. Máquinas não se incomodam

em processar loucamente ou em ter sua tomada retirada da parede.

Para elas, essas duas situações são a mesma coisa.

 

Um computador ataca um problema com toda a sua CPU. Pode ser

um problema relevante, importante (determinar a sequência causal

completa da formação e desenvolvimento de um câncer). Ou pode ser

um problema banal, irrisório, ridículo (calcular quanto vale

oito mil quinhentos e vinte fatorial). Ele vai para cima do problema

usando todo o seu processador e memória. Já um humano direciona

seus esforços conforme o "valor" do problema. E valor é algo

que está diretamente atrelado aos nossos hormônios e

neurotransmissores, aquela sopa bioquímica cuja receita vem

sendo aprimorada por milhões de anos de evolução. É isso

o que realmente nos torna únicos.

 

*PB*

 

 

 

From: JVictor

Sent: Sunday, August 21, 2011 9:48 AM

Subject: RES: [ciencialist] Robôs e instintos

 




Sou cético de que essas maquininhas hiper-inteligentes e

criativas possam ser portadoras de emoções genuínas, comparáveis

às nossas.

 

Eis onde está o nó, indesatável: emoções. Esta, a “signatura” do ser humano. Não é devido a emoções, em alguma de suas formas,  que o processo criativo eclode? Penso que sim. Um robô chegará à criatividade de um simples poeta de cordel?  Nem  duvido: assevero que não. Embora, em termos de cálculo e processamento matemático possa chegar a níveis altos. Xadrez. Xadrez é uma ciência matemática. Depende nada de sorte, e totalmente de relações de lógica matemática. Os grandes mestres do xadrez, como o nosso Mequinho( e por onde anda essa figura?), entre outros, podem até perder para um computador, como já aconteceu com o russo Grande Mestre Internacional do Xadrez. Mas este apenas não desenvolveu em sua mente o número de algoritmos matemáticos implantado por outros grandes mestres na “torradeira”. Quem manda ser “burro”?

A mente humana, sim, tem capacidade para superar esta e outras coisas, e deixar o pc sabidão lá para trás.  As emoções são o gatilho para tudo. Simples assim. Simples? Pois sim.

 

Mas continuo pensando que, nesse mister, sempre seremos únicos. Você afirmou em algum momento que inteligência e consciência são coisas diferentes. Ok, parece que sim, mas não sei poderá haver uma sem o concurso da outra, em algum nível.  Há uma relação. A consciência, o saber que sabemos ou não, é o que parece ser responsável por isto: discernimento, que é o que faz a diferença nesse contexto.  Agora, tanto a inteligência, quanto a consciência, estão atrelados à complexidade dos sistemas neurônicos do cérebro, e de uma maneira que não se sabe explicar, ainda. A AS de agosto, como postei num e-mail anterior, tem um artigo bem interessante a respeito.  Que elucida alguns senões. Mas falta muito ainda.  Parece-me que aquilo lá é o nível de conhecimento mais avançado que já logramos obter nessa área. O estudo das redes neurais, que estou fazendo, de maneira tímida e esporádica, tem sido um caminho na simulação dos processos lógicos da mente, ainda que com modelos matemáticos criados ou sugeridos por pessoas de formação tão diferentes quanto psicólogos e matemáticos. Aliás, nem há outra caminho! Ou o matemático, ou a permanente e abissal escuridão!

Mas é tudo que temos.

Sugiro até que você o comente, dentro dessa sua linha de pensamento “maionésico, de mesa de bar, como diz”, que tenho dúvidas se se manterá, após...

 

Só uma perguntinha: você acha mesmo que o super-super PC da geração de 3000 poderá escrever um e-mail como os que vocês fazem por aqui,postando as mais diversas questões, emitindo as mais diversas opiniões até mesmo sobre o mesmo tema,  como esses que você faz, por exemplo? 

Minha resposta é: Non.

 

Sds,

Victor.

 

 

 

De: ciencialist@yahoogrupos.com.br [mailto:ciencialist@yahoogrupos.com.br] Em nome de Pesky Bee
Enviada em: sábado, 20 de agosto de 2011 11:16
Para: ciencialist@yahoogrupos.com.br
Assunto: Re: [ciencialist] Robôs e instintos

 

 

Caríssimo JVictor, acho que entendi suas colocações e, claro, tenho

cá algumas ressalvas. Sim, sim, há simetrias imensas na natureza.

É verdade sim que existem leis que podem ser "cheiradas" a partir

dessa curiosa similaridade entre coisas que deduzimos. Mas...

 

O "mas" aqui é que, mesmo com esse incrível número de simetrias,

mesmo que tenhamos uma notável capacidade dedutiva acerca do

universo, nós não temos como "predizer" o futuro desse universo

além do curtíssimo prazo. As coisas, mesmo simétricas e simples,

sofrem pequenas variações, e essas diminutas variações, ao serem

capitalizadas por interações não lineares, levam à tão malfadada

"complexidade" dos sistemas caóticos. Resultado: mesmo em sistemas

super-simples como pêndulos não temos como predizer seu comportamento

exato no longo prazo. Porque um pêndulo ideal não existe: ele sempre

tem componentes não lineares que no médio/longo prazo "esgarçam"

aquilo que nossas equações descrevem.

 

Agora, de volta ao cérebro. Êta máquininha complicada! É uma

maquininha sim (estamos cada vez mais entendendo as "engrenagens"

dele). Um mísero neurônio é um dispositivo inacreditavelmente

não linear, cheio de complexidade. Agora imagine uma centena.

Um milhar. Um bilhão. E o que dizer de uma centena de bilhões? É algo

complexíssimo, praticamente impossível de se predizer mesmo no curto

prazo (basta lembrar dos cérebros femininos no meio de uma loja

de roupas em shopping para ter um exemplo).

 

E isso não tem nada a ver com o fato de ser "biológico": se fossem

100 bilhões de transístores, com comportamento também não linear,

seriam igualmente não previsíveis. Pronto! Está formado um "cérebro

eletrônico" tão esquizofrênico e complicado quanto o nosso, basta

que tenha essa não linearidade embutida em seus microcomponentes.

 

Com isso quero dizer (prepare-se para um salto lógico intergalático,

só dirimível com várias páginas de texto) que acho perfeitamente

possível termos inteligências robóticas, feitas a partir desses

circuitinhos não biológicos, capazes de ter insight, criatividade,

e até mesmo consciência! Mas... (de novo)...

 

Embora eu seja "crente" nesse tipo de futura situação, sou

cético em relação a outra coisa fundamental para nós, humanos.

Sou cético de que essas maquininhas hiper-inteligentes e

criativas possam ser portadoras de emoções genuínas, comparáveis

às nossas.

 

Você deve saber que já faz algumas décadas que vários pensadores

têm colocado as emoções como componentes essenciais até mesmo

do processo decisório (um nome famoso é aquele neurocientista

António Damasio e o seu livro "O erro de Descartes"). Pois eu acho

que é por aí que a porca irá torcer o rabo, não vejo como esses

futuros (e diria inevitáveis) companheiros cognitivos cibernéticos

possam "competir" conosco no panorama emocional. Esses robôs serão

muito, mas muito mais fraquinhos em termos emocionais do que nossos

cãezinhos domésticos.

 

E creio nisso porque vejo as emoções como sendo estados de um

sistema biológico, com um montão de interações complexas entre

hormônios, órgãos e mecanismos pré-fabricados por várias dezenas

de milhões de anos de evolução (precedendo muito o Homo Sapiens,

e mesmo os primatas que nos antecederam). Então inteligência

(cognição) é uma coisa. Consciência é outra coisa. Mas emoções,

esse é um problema bem mais estratosférico.

 

Claro, tudo isso que estamos aqui falando é mera "elocubração de

mesa de bar". A realidade tem um péssimo hábito de nos surpreender

(ainda bem!), então estou prontinho para revisar esses meus

pensamentos. Mas não vou me surpreender se no final das contas

eu estiver certo...

 

*PB*

 

 

 

From: JVictor

Sent: Saturday, August 20, 2011 7:20 AM

Subject: RES: [ciencialist] Robôs e instintos

 





Pesky,

Você, realmente, é um visionário. No caso, de coisas que não acontecerão. Mas pensar, elocubrar não dói, e você o faz muito bem. Infelizmente, meus conhecimentos, minhas tradições e limitações me dotam de um  ceticismo nesse mister que dá gosto, que  é máximo.

Considero, cá para as  minhas “visionaridades”, que as coisas mais básicas da Natureza, e não sabemos as causas, são: as simetrias, que parecem ser o “modus operandi” do espaço e a capacidade de discernimento desse ser vivo, chamado racional, no você está incluído. 

As simetrias da Natureza – e os físicos de porte sempre procuram por elas, mostram o comportamento simples, descomplicado, da Natureza(com o bônus de serem perfeitamente descritas elas estruturas matemáticas existentes, de maneira clara. Basta adiantar que as estruturas básicas Newtonianas podem ser inferidas a partir dos conceitos de simetrias, o resto vindo por acréscimo), “decretando” o que pode acontecer e o que não pode acontecer, de maneira absolutamente inequívoca; e o discernimento, aquele mesmo que faz você voar na maionese ou não, que define se alguma coisa está ou não conforme seu quadro de referência, ou, melhor, a capacidade única que temos de sabermos que sabemos, ou que não sabemos. Estas duas coisas, em minha concepção, limitam tudo. Uma vaca sabe. Mas não sabe disso. Um robô ultra sabido, sabe. Mas não sabe, ou deixa de saber inteiramente, se um mísero bit for apagado ou mudado de posição, devido a algum “susto” eletrônico, como um surto ou um pequeno cc. Se ele puder concertar o eventual dano, esta ação está muito distante daquela que nos leva a tomar um comprimido, espontânea e naturalmente, compulsória,  quando sentimos alguma gripe, ou gastar 50 pilas com um viagrinha, que aliás, serve mais para a memória do que para qq outra coisa...ao contrário do que muitos pensam...)

Então, do mesmo jeito que, de maneira natural, você não pode cair para cima, uma máquina jamais terá discernimento.  Poderá, sim, ser ultra, ultra, capacitada a fazer cálculos, tomar “decisões”, tudo baseado em algorítimos matemáticos como, por exemplo aqueles sistemas empregados nas redes neurais. Que são bastante aprimorados, a tal ponto de, se “treinados” um número suficiente de vezes, parecem não precisar de mais nada para executar operações não treinadas(ou ensaiadas). Mas daí partir para a extrapolações como essas ficcionistas, “em meu abalizado” ponto de vista,  vai uma distância intransponível.

 

Mas, bom para os imaginativos autores de ficção, que estarão sempre bem evidência.  Por falar nisso, vez ou outra, mas outra do que vez,  assisto um filme de ficcção, desses de seriados via TV. E gosto.

 

Sds,

Victor.

 

 

De: ciencialist@yahoogrupos.com.br [mailto:ciencialist@yahoogrupos.com.br] Em nome de Pesky Bee
Enviada em: sexta-feira, 19 de agosto de 2011 10:04
Para: ciencialist@yahoogrupos.com.br
Assunto: Re: [ciencialist] Robôs e instintos

 

 

Jeffão, concordo com boa parte do que dizes. Uma coisa

é inteligência (mais ligada ao que se conhece por "cognição")

outras coisas são instinto de auto-sobrevivência, "amor",

empatia, altruísmo, etc.

 

Na minha visão, não tardará muito para termos companheiros

cognitivos de altíssimo poder computacional. Coisa de fazer

arrepiar os cabelinhos "daquele lugar". Mas essas máquinas/robôs

serão o equivalente a uma porta em termos emocionais.

 

E também acho que a seleção natural poderia, depois de um

bom tempo, produzir robôs com protótipos de emoção, mas

esses camaradas nunca vão ser equivalentes em termos

emocionais a nós, humanos. Por uma razão: a biologia

(o nosso "sangue quente", cólicas intestinais, dor de

cabeça, vontade de fornicar, irritabilidade, medo,

impaciência, inveja, coragem, audácia, etc., etc.)

são coisas ligadas a processos orgânicos/hormonais, que

não creio terem contrapartida em arquiteturas baseadas

em silício (ou outra coisa parecida). Em resumo, quando

esses novos coleguinhas surgirem na face da Terra, teremos

dado origem a uma nova e completamente diferente espécie de

organismo. E se nós humanos já nos enroscamos com outros

Homo Sapiens ligeiramente diferentes (cor diferente, olhos

puxadinhos, cabeça achatada) o que irá acontecer quando

viermos a interagir com essa cambada? Só Zeus sabe...

 

*PB*

 

 

 

 

-----Mensagem Original-----

From: jeff@jeff.com.br

Sent: Friday, August 19, 2011 9:33 AM

To: ciencialist@yahoogrupos.com.br

Subject: [ciencialist] Robôs e instintos

 

Por mais inteligente que um robô possa ser, apenas sua inteligência não

produziria "amor próprio", vontade de "viver", auto-proteção, medo de

"morrer", etc, certo? Pois entendo inteligência é só a capacidade de

raciocínio e estes sentimento nem são racionais, são instintivos. Então,

um robô poderia ter uma capacidade de resolver problemas e até uma

"consciência" muito maiores do que qualquer humano poderia ter sem

implicar no surgimento destes sentimentos, certo? Mesmo super inteligente,

apenas pela sua inteligência, uma máquina não deveria se preocupar com sua

destruição então...

 

Pergunto isso pra ter outras opiniões porque todo mundo fala que robôs

super inteligentes deveriam se rebelar motivados por sentimentos destes

tipos! Acho que é porque acreditam que quanto mais inteligente uma coisa

ficar, mais deve se parecer com humanos, em todo os aspectos, sei lá... :)

 

Mas, se a fabricação destes robôs estiver, de alguma forma, sujeita a uma

evolução por seleção natural, aí sim, estes instintos animais poderiam (ou

talvez até deveriam) surgir gradualmente né!

 

[]´,s

Jeff.

 

 

 

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SUBJECT: Proposição lógica-Matemática avançada. Fórum.
FROM: "JVictor" <j.victor.neto@uol.com.br>
TO: <ciencialist@yahoogrupos.com.br>
DATE: 24/08/2011 06:37

Solução de um problema proposto por um PhD em matemática:

Sds,

Victor.

 

Obs.: tempoxR$,  que é sempre maximizada, qq que seja o caminho.

 

http://img217.imageshack.us/img217/415/1273001170940.gif

 

 


SUBJECT: Dinâmica da infecção - Fábio de Castro - FAPESP
FROM: José Renato Terra <jrma@terra.com.br>
TO: <ciencialist@yahoogrupos.com.br>
DATE: 24/08/2011 11:05

 

Pesquisadores da Unifesp desvendam mecanismo pelo qual uma citocina controla a replicação de bactérias do complexo Mycobacterium avium no interior das células do hospedeiro. Trabalho foi publicado na PLoS One (reprodução) agencia.fapesp.br/14381

Especiais

Dinâmica da infecção

24/08/2011

Por Fábio de Castro

Agência FAPESP – O fator de transformação de crescimento beta (TGF-β, na sigla em inglês) tem sido relacionado à patogênese de diversas doenças, incluindo as infecções oportunistas causadas pelo complexo Mycobacterium avium , que afetam pessoas com o sistema imune comprometido, como os pacientes de Aids.

No entanto, o mecanismo pelo qual o TGF-β controla a replicação das bactérias do complexo Mycobacterium avium é mais intrincado do que se imaginava, de acordo com um estudo realizado por um grupo de pesquisadores da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

O trabalho, publicado na revista PLoS One, foi parte da pesquisa de doutorado de Carolina L’Abbate, orientada por Joel Machado Junior e Celia Regina Whitaker Carneiro, respectivamente professores do Departamento de Ciências Biológicas e do Departamento de Microbiologia, Imunobiologia e Parasitologia da Unifesp.

O estudo foi feito no âmbito do Projeto Temático “Micobactérias de importância médica no Brasil: caracterização molecular, interação com o meio ambiente e com macrófagos”, apoiado pela FAPESP, coordenado por Sylvia Luisa Pincherle Cardoso Leão e que teve Carneiro entre seus pesquisadores principais. Além deles, o artigo teve participação de Elizabeth Cristina Pérez-Hurtado e Ivone Cipriano.

De acordo com Machado Junior, ao desvendar o importante mecanismo de controle do TGF-β sobre a replicação das bactérias do complexo Mycobacterium avium, o trabalho ajuda a “compreender como funcionam as armas do inimigo”.

“O estudo traz novas perspectivas para a compreensão da influência do TGF-β sobre a resposta do hospedeiro. Quanto melhor entendermos os mecanismos pelos quais essas bactérias subvertem a resposta do hospedeiro, mais abrimos perspectivas para o design de intervenções terapêuticas mais eficazes no tratamento dessas infecções”, disse Machado à Agência FAPESP.

Segundo ele, vários patógenos que infectam macrófagos, como a Toxoplasma gondii, Leishmania amazonensis, Trypanossoma cruzi e as bactérias do complexo Mycobacterium avium, desenvolveram mecanismos capazes de induzir a produção do TGF-β, que é uma citocina – grupo de moléculas envolvidas na emissão de sinais entre as células durante o desencadeamento das respostas imunes.

“Acreditava-se que a função do TGF-β estava associada apenas à sua capacidade imunossupressora sobre a atividade dos macrófagos, permitindo a proliferação dos patógenos dentro da célula. No entanto, neste estudo mostramos que o mecanismo é mais complexo e os efeitos dessa citocina não são tão diretos”, disse.

O estudo mostrou que os efeitos do TGF-β dependem fortemente da sua amplitude de ação. A citocina coordena a magnitude e a duração da ativação de uma quinase – enzimas que catalisam as reações de fosforilação de proteínas –, a ERK1/2, e dessa forma controla a replicação da bactéria. “Os efeitos dependem da quantidade da citocina presente no macrófago infectado e de quais vias de sinalização ela está coordenando na célula infectada”, disse Machado.

A literatura, segundo ele, já indicava que os macrófagos infectados passavam a produzir maior quantidade da citocina e, com isso, favorecia o crescimento da bactéria dentro da célula. Os cientistas da Unifesp utilizaram um modelo de macrófagos diferenciados pela citocina IL-4, que produzem de forma endógena grandes quantidades de TGF-β, mantendo altos os níveis de atividade de ERK1/2.

“Mas no modelo o efeito era o contrário: a ação do TGF-β sobre o ERK1/2 inibia a replicação da bactéria no interior da célula. Isso sugeria que esse mecanismo pode ser uma estratégia para manter a replicação intracelular de patógenos sobre controle”, explicou.

Arsenal dinâmico

As vias de sinalização intracelular são importantes componentes dos sistemas biológicos, que permitem que as células alterem seu comportamento em função de mudanças ambientais como a infecção.

“Essas vias convertem os sinais externos e geram respostas apropriadas para as mudanças do ambiente externo. Essas respostas incluem mudanças na regulação de processos metabólicos e expressão gênica. Tudo isso é determinado pela amplitude e pelo tipo do sinal que é gerado pelos estímulos. O TGF-β, portanto, funcionaria como um arsenal dinâmico no controle adicional de patógenos”, disse Machado.

....................................................

O artigo TGF-β-Mediated Sustained ERK1/2 Activity Promotes the Inhibition of Intracellular Growth of Mycobacterium avium in Epithelioid Cells Surrogates (doi:10.1371/journal.pone.0021465), de Carolina L’Abbate e outros, pode ser lido em www.plosone.org/article/info%3Adoi%2F10.1371%2Fjournal.pone.0021465.


SUBJECT: Re: RES: [ciencialist] Robôs e instintos
FROM: "Ricardo S." <ricardo@rj1.info>
TO: "ciencialist@yahoogrupos.com.br" <ciencialist@yahoogrupos.com.br>
DATE: 24/08/2011 18:40



Em 21/08/2011, às 09:48, "JVictor"
 

Eis onde está o nó, indesatável: emoções. Esta, a “signatura” do ser humano. Não é devido a emoções, em alguma de suas formas,  que o processo criativo eclode? Penso que sim. Um robô chegará à criatividade de um simples poeta de cordel?  Nem  duvido: assevero que não.  

Pessoalmente discordo.

Não vejo a emoção como um processo assim tão especial, como muitos o descrevem. Pelo menos não o suficiente para que não possa ser induzido em outra máquina, que não o corpo humano. Gosto bastante dos estudos do neuro-cientista Antonio Damásio com relação aos mecanismos por trás da emoção e aconselho a todos o livro "Em Busca de Espinoza", com boas reflexões sobre o assunto.

Como os processos ligados à consciência e às emoções acontecem por mecanismos diferentes (seguindo a linha de raciocínio do estudo) e como a resposta a estímulos emocionais competentes ocorre mais rapidamente, servindo inclusive de insumo para o processo consciente, tendemos a ver a emoção como algo sobrenatural, intuição, etc. Mas, é só mais um processo que "roda" nessa extremamente complexa máquina que é o corpo humano. 

Não vejo porque no futuro não poderíamos construir outra máquina tão, ou mais, comexa do que o homem. Está (muuuuito) longe ainda, mas já trilhamos um longo caminho.

Abraços,

Ricardo S.


SUBJECT: Novo Fenômeno Natural tem Nome: Crown Flash
FROM: Kentaro Mori <kentaro.mori@gmail.com>
TO: undisclosed-recipients:;
BCC: ciencialist@yahoogroups.com
DATE: 25/08/2011 00:04

http://www.ceticismoaberto.com/fortianismo/6286/novo-fenmeno-natural-tem-nome-crown-flash

Novo Fenômeno Natural tem Nome: Crown Flash

Publicado em 24 de agosto de 2011

Novos vídeos de um  fascinante fenômeno foram capturados na Singapura no último dia 14 de agosto de 2011, e prontamente partilhados na rede em alta definição. O usuário “abrigatti” descreve o registro:

“Estava ao lado da piscina na Singapura, quando vi algo estranho nos céus. Quando olhei para cima vi estranhas nuvens dispararem luz e vapores enquanto elas se alteravam esporadicamente. Podia ver que a nuvem de tempestade estava se formando, mas o show de luz visual me intrigou. Então peguei meu iPhone e gravei isto”.

O segundo vídeo permite uma visão um tanto mais detalhada, e pelo visto a melhor já feita do fenômeno:

Assista aos vídeos

No mês passado havíamos abordado em CeticismoAberto como este novo fenômeno natural, sugerido pelo engenheiro William Beaty e encontrado em vídeos diversos pela rede poderia ser explicado.

Seriam algo relacionado a parélios e nuvens pileus, onde os cristais de gelo no topo de nuvens de tempestade se realinhariam rapidamente – em conjunto, em velocidades superiores à do som — em resposta quase imediata às mudanças dos campos elétricos de tempestades próximas.

pileus 1 900 ciencia
[Nuvem pileus]

Desde então, Beaty adicionou novas especulações em sua página, e recebemos em correspondência pessoal mais confirmações do fenômeno. Ao final de nosso artigo perguntávamos por que o fenômeno ainda não havia sido explorado academicamente, ou mesmo na literatura alternativa.

Resulta que ele já foi descrito, como nos apontou o belga Wim Van Utrecht. Em uma correspondência à revista Nature em 1971, John Gall e Maurice Graves descrevem um “Possível Novo Fenômeno Meteorológico Chamado Crown Flash”:

2 de Julho de 1970, Ann Arbor, Michigan: Enquanto observávamos uma nuvem de tempestade, “No e logo acima do pico de uma célula de tempestade uma massa de nuvem pareceu passar por mudanças bruscas de luminosidade durando vários segundos de cada vez… O fenômeno continuou a ocorrer repetidamente em intervalos de 30-60s durante os próximos 15 ou 20 minutos, fornecendo a base para a seguinte descrição. O aumento no brilho repentino começou ao mesmo tempo que os raios na massa principal da nuvem, mas continuou depois que o flash do raio havia acabado. Tinha a aparência de um facho estendendo-se como uma onda para cima e para fora da região logo a oeste do pico da nuvem cúmulo, lembrando uma exibição em leque da aurora boreal. Durou uma fração substancial de um segundo com cada raio. Em uma ou duas ocasiões tinha a aparência de um anel luminoso movendo-se rapidamente para fora e cima do pico do cúmulo. Nestas ocasiões, observou-se claramente que se estendia além da nuvem e em direção ao céu azul. Uma sombra linear, aparentemente causada por uma das massas de cúmulo, pareceu alterar sua posição subitamente para cima ou para baixo em cada ocorrência do evento”.

A referência havia sido compilada por William Corliss, conhecido estudioso coletando anomalias relatadas na literatura científica. Utrecht encontrou diversas outras referências descrevendo o fenômeno datando desde o fim do século 19, e que agora sabemos ter sido batizado de “Crown Flash”, e que podem ser lidas na versão em inglês desta nota.

O britânico Martin Shough também notou que nos anais de um congresso científico realizado em 1999  (PDF), há menção à súbita mudança na luminosidade de nuvens associada a tempestades elétricas. Que teriam sido… observadas por satélites! E uma das explicações, de fato “a única explicação viável” à qual os cientistas chegaram para explicar o evento foi aquela apontada por Beaty em sua página: “o realinhamento de cristais de gelo como resultado da dinâmica de cargas associada com grandes eventos de relâmpagos positivos”.

Há pouco, Utrecht nos avisou ter encontrado um artigo do periódico da Sociedade Meteorológica Americana (PDF), em que a observação de Gall e Graves do Crown Flash é mencionada, bem como a explicação a ele, em linha com a sugestão de Beaty, mas indicada pelo professor Bernard Vonnegut, publicada nada menos que em 1965!

“A teoria de Vonnegut sugere a seguinte explicação ao fenômeno crown flash. Acima da faixa de derretimento, a nuvem é composta primariamente de cristais de gelo, comumente na forma de placas, agulhas ou colunas hexagonais. Na ausência de um campo eletrostático forte, a orientação dos cristais de gelo é governada primariamente pela gravidade e forças aerodinâmicas dentro da massa da nuvem. Durante uma tempestade, a carga começa a se separar dentro da nuvem. Na influência de um campo eletrostático assim formado, os cristais de gelo aceitam um momento de dipolo induzido. (…) Quando a descarga ocorre, a corrente tende a relaxar os campos nas nuvens rapidamente, com um drástico realinhamento subsequente dos cristais de gelo. Uma mudança na distribuição de luz sobre a superfície da nuvem ocorre enquanto os cristais de gelo, agindo como pequenos espelhos, mudam seu ângulo de reflectividade da luz solar incidente. Um observador no ângulo apropriado perceberá o efeito como um flash de luz”.

Apesar de descrito como um “possível novo fenômeno” em 1971 e já ter uma explicação física indicada em 1965, até onde sabemos não havia nenhum registro filmográfico de um crown flash. A Internet, Bill Beaty, usuários do Youtube e os pesquisadores incluindo Utrecht podem merecer o crédito por serem os primeiros a registrar, e então a reconhecer este novo fenômeno em vídeo.

O que seria realmente notável: nem tudo que surge no Youtube é falso. De fato, esta poderosa ferramenta de compartilhamento de vídeos, que agora podem ser capturados por centenas de milhões de tudo de inusitado que vejam, pode finalmente ter capturado um fenômeno descrito há séculos mas que havia escapado das câmeras mesmo por décadas após ter sido descrito por cientistas.

O que não significa que tudo que surja no Youtube deva ser verdadeiro – de fato, existe a possibilidade de que o recente vídeo na Singapura seja falso, apesar de (ou mesmo exatamente por que) combina com as descrições na literatura acadêmica.

Contudo, a literatura, combinada com diversos vídeos independentes fornece cada vez mais apoio à aceitação de que o Crown Flash foi capturado, e que podemos vê-lo em alta definição, dias depois de capturado quase do outro lado do mundo, pela Internet.

- – -

[Com agradecimentos a Bill Beaty, Martin Shough e Wim Van Utrecht. Tristemente, William Corliss, grande compilador, faleceu no mês passado]


SUBJECT: COMUNICADO
FROM: "Lucimary Vargas-Obs.Monoceros" <observatorio.monoceros@gmail.com>
TO: <Lucimary.vargas@gmail.com>
DATE: 30/08/2011 03:33

   COMUNICADO A TODOS 
 
 
No último dia 15 de Julho, o Observatório Astronômico Monoceros completou 36 anos de sua fundação. Houve muitas e importantes conquistas, mas também muitas dificuldades, principalmente nos últimos 8 anos, onde muitos fatos ocorreram , que dificultaram bastante seu pleno funcionamento.
 
Variados ajustes precisaram ser feitos, tanto a nível físico e estrutural de nossa Instituição, como a formação de nova Diretoria e nova equipe de Pesquisadores. Mantivemos nossas pesquisas a nível interno e recebemos visitação de alguns grupos de pessoas e escolas, mediante agendamento prévio.
 
Reconstruímos e reformamos totalmente a nossa Sede, desde as Cúpulas, Estação Meteorológica,  Sala de Palestras e Cursos, aquisição de novos e modernos instrumentos...
 
Construímos nosso novo Planetário. Maior que o anterior, com projetores novos e com  tecnologia de ponta.
 
É com muita alegria que , através deste, comunicamos a todos que, após quase 3 anos de intensa e total reforma da Sede do nosso Observatório, dentro de alguns dias, voltaremos a abrir nossas portas ao público em geral, Colégios, Escolas, enfim , a todos que desejarem adquirir conhecimento  e se interessarem pela Astronomia, Meteorologia e Ciências afins.
 
Para vencermos todos os obstáculos desta caminhada e chegarmos até aqui, não foi tarefa fácil, visto que tudo o que foi feito só se tornou realidade com nossos próprios recursos , empenho , dedicação e a convicção da importância do nosso trabalho  para a nossa cidade, região, Estado, enfim.
 
A importância  de um Observatório Astronômico é incomensurável e transpõe limites territoriais, divisas e fronteiras.
 
 
Saudações Cordiais,
 
 
Lucimary Vargas de Oliveira Guardamino Espinoza
Presidente
Observatório Astronômico Monoceros
Planetário Além Paraíba
Estação Meteorológica Nº083/MG-5ºDISME-INMET
Além Paraíba-MG-Brasil

SUBJECT: Buracos Negros e Big bang - Discovery
FROM: luiz silva <luizfelipecsrj@yahoo.com.br>
TO: ListadeCiência <ciencialist@yahoogrupos.com.br>
DATE: 30/08/2011 13:12

Pessoal,

Em um programa narrado pelo Marcelo Gleiser, no Discovery, sobre buracos negros, ele falou sobre um modelo cosmológico onde cada buraco negro dá origem a outro big-bang (como se do nosso lado tivessemos nosso universo, e do "outro lado", um outro universo que nasceu do nosso).

Alguem sabe dizer como este modelo trata a questão da entrada de nova matéria no buraco negro. O meu pensamento, sem conhecer bem o que este modelo, e querendo conhecer,  é :

1. Se o buraco negro ficasse somente com a sua massa de origem, então o outro universo teria qde de massa e energia constante, e a lei de conservação de energia seria válida neste outo universo;

2. Mas quando temos um buraco negro que suga matéria, luz, etc, então temos cada vez mais massa e energia "entrando" neste buraco negro e tendo o mesmo destino (ou não?) que a matéria da estrela original, ou seja, alimentando o big-bang do "outro lado". Então, não teríamos um universo onde a conservação de energia não seria válida ? E, neste caso, o nosso universo não poderia ter tido esta origem, pois pelas evidências,  a conservação é válida, não ?

3. Neste modelo, existiria alguma relação entre a matéria/energia sugada pelo buraco negro e a expansão acelerada(energia escura) e inflação,o tipo : em um primeiro momento, o próprio colapso geraria a inflação do outro lado e, depois, qdo o buraco negro começasse a sugar matéria e energia do nosso universo, isto impulsionaria a expansão acelerada do outro lado?

4. Aliás, como fica a relação de conservação de energia, qdo analisamos um multiverso desses ?

Não lembro se já fiz esta pergunta, mas de qqer forma, como não estou lembrando da resposta, não custa nada perguntar de novo. Então, se alguem conhecer este modelo e puder me ajudar, agradeço.

Abs
Felipe

SUBJECT: RES: RES: [ciencialist] Robôs e instintos
FROM: "JVictor" <j.victor.neto@uol.com.br>
TO: <ciencialist@yahoogrupos.com.br>
DATE: 30/08/2011 13:37

Não vejo porque no futuro não poderíamos construir outra máquina tão, ou mais, comexa do que o homem. Está (muuuuito) longe ainda, mas já trilhamos um longo caminho.”

 

Claro, a tecnologia marcha para o aprimoramento do que já existe e a tendência é mesmo refinar as simulações. Há recursos tecnológicos para o mister. Mas, infelizmente, em minha opinião, há limites intransponíveis. Entre eles, os que comento mais abaixo.

 

Há que se considerar certos aspectos dessa questão:  um deles sendo o velho companheiro nosso, o  pensamento! Até onde sei, todos pensamos.

 

Pois bem, máquina, que é máquina de vergonha, tem que pensar...Mas pensar como os humanos, que estamos muiiiiiiiiiiiiii...iiiiiiiiiiiiiiii...ii..to) longe de sabermos o que diabos é o pensamento. Ás vezes eles surgem, mexem com a gente, mostram soluções, apontam caminhos, vão embora sem avisar, ou ficam importunando, sem controle. Outras vezes nós os controlamos(controlamos?), and so on. Então, há, nessa história: consciência(sobre o que já se discutiu por aqui), pensamentos,  e mais isto, que é um baita  terceiro aspecto: sonhos! O que diabos são os sonhos?

 

Só precisamos saber o que são estes três “simples”  ingredientes para refletirmos sobre o que é vida. Fácil, não?

 

Então, uma máquina para entrar no clube do bolinha, do qual somos sócios fundadores,  teria que ser equipada com os ”simples” três  requesitos acima...

 

Ainda continuo convicto de que as emoções, para mim impulsos atrelados inexoravelmente à consciência, pensamentos e sonhos, nos tornam únicos na natureza. Mas...

 

Sds,

Victor.

 

 

 

 

 

De: ciencialist@yahoogrupos.com.br [mailto:ciencialist@yahoogrupos.com.br] Em nome de Ricardo S.
Enviada em: quarta-feira, 24 de agosto de 2011 18:41
Para: ciencialist@yahoogrupos.com.br
Assunto: Re: RES: [ciencialist] Robôs e instintos

 

 

 


Em 21/08/2011, às 09:48, "JVictor"

 

Eis onde está o nó, indesatável: emoções. Esta, a “signatura” do ser humano. Não é devido a emoções, em alguma de suas formas,  que o processo criativo eclode? Penso que sim. Um robô chegará à criatividade de um simples poeta de cordel?  Nem  duvido: assevero que não.  

Pessoalmente discordo.

 

Não vejo a emoção como um processo assim tão especial, como muitos o descrevem. Pelo menos não o suficiente para que não possa ser induzido em outra máquina, que não o corpo humano. Gosto bastante dos estudos do neuro-cientista Antonio Damásio com relação aos mecanismos por trás da emoção e aconselho a todos o livro "Em Busca de Espinoza", com boas reflexões sobre o assunto.

 

Como os processos ligados à consciência e às emoções acontecem por mecanismos diferentes (seguindo a linha de raciocínio do estudo) e como a resposta a estímulos emocionais competentes ocorre mais rapidamente, servindo inclusive de insumo para o processo consciente, tendemos a ver a emoção como algo sobrenatural, intuição, etc. Mas, é só mais um processo que "roda" nessa extremamente complexa máquina que é o corpo humano. 

 

Não vejo porque no futuro não poderíamos construir outra máquina tão, ou mais, comexa do que o homem. Está (muuuuito) longe ainda, mas já trilhamos um longo caminho.

 

Abraços,

 

Ricardo S.

 


SUBJECT: Doenças Mentais, Teorias e Tratamentos
FROM: luiz silva <luizfelipecsrj@yahoo.com.br>
TO: ListadeCiência <ciencialist@yahoogrupos.com.br>
DATE: 30/08/2011 15:50

Pessoal,
 
Gostaria da opinião de vcs sobre o texto que foi postado em outro forum (estou sem a fonte original, mas acho que foi alguma reportagem em algum jornal de expressão - o que não quer dizer muita coisa).
 

Parece que os americanos estão em meio a uma violenta epidemia de doenças mentais. A quantidade de pessoas incapacitadas por transtornos mentais, e com direito a receber a renda de seguridade suplementar ou o seguro por incapacidade, aumentou quase duas vezes e meia entre 1987 e 2007 – de 1 em cada 184 americanos passou para 1 em 76.

 

No que se refere às crianças, o número é ainda mais espantoso: um aumento de 35 vezes nas mesmas duas décadas. A doença mental é hoje a principal causa de incapacitação de crianças, bem à frente de deficiências físicas como a paralisia cerebral ou a síndrome de Down.

 

Um grande estudo de adultos (selecionados aleatoriamente), patrocinado pelo Instituto Nacional de Saúde Mental, realizado entre 2001 e 2003, descobriu que um percentual assombroso de 46% se encaixava nos critérios estabelecidos pela Associação Americana de Psiquiatria, por ter tido em algum momento de suas vidas pelo menos uma doença mental, entre quatro categorias.

 

As categorias seriam “transtornos de ansiedade”, que incluem fobias e estresse pós-traumático; “transtornos de humor”, como depressão e transtorno bipolar; “transtornos de controle dos impulsos”, que abrangem problemas de comportamento e de déficit de atenção/hiperatividade; e “transtornos causados pelo uso de substâncias”, como o abuso de álcool e drogas. A maioria dos pesquisados se encaixava em mais de um diagnóstico.

 

O tratamento médico desses transtornos quase sempre implica o uso de drogas psicoativas, os medicamentos que afetam o estado mental.Na verdade, a maioria dos psiquiatras usa apenas remédios no tratamento e encaminha os pacientes para psicólogos ou terapeutas se acha que uma psicoterapia é igualmente necessária.

 

A substituição da “terapia de conversa” pela das drogas como tratamento majoritário coincide com o surgimento, nas últimas quatro décadas, da teoria de que as doenças mentais são causadas por desequilíbrios químicos no cérebro, que podem ser corrigidos pelo uso de medicamentos. Essa teoria passou a ser amplamente aceita pela mídia e pelo público, bem como pelos médicos, depois que o Prozac chegou ao mercado, em 1987, e foi intensamente divulgado como um corretivo para a deficiência de serotonina no cérebro.

 

O número de pessoas depressivas tratadas triplicou nos dez anos seguintes e, hoje, cerca de 10% dos americanos com mais de 6 anos de idade tomam antidepressivos. O aumento do uso de drogas para tratar a psicose é ainda mais impressionante. A nova geração de antipsicóticos, como o Risperdal, o Zyprexa e o Seroquel, ultrapassou os redutores do colesterol no topo da lista de remédios mais vendidos nos Estados Unidos.

 

O que está acontecendo? A preponderância das doenças mentais sobre as físicas é de fato tão alta, e continua a crescer? Se os transtornos mentais são biologicamente determinados e não um produto de influências ambientais, é plausível supor que o seu crescimento seja real? Ou será que estamos aprendendo a diagnosticar transtornos mentais que sempre existiram? Ou, por outro lado, será que simplesmente ampliamos os critérios para definir as doenças mentais, de modo que quase todo mundo agora sofre de uma delas? E o que dizer dos medicamentos que viraram a base dos tratamentos? Eles funcionam? E, se funcionam, não deveríamos esperar que o número de doentes mentais estivesse em declínio e não em ascensão?

 

Essas são as questões que preocupam os autores de três livros provocativos, aqui analisados. Eles vêm de diferentes formações: Irving Kirsch é psicólogo da Universidade de Hull, no Reino Unido; Robert Whitaker é jornalista; e Daniel Carlat é um psiquiatra que clinica num subúrbio de Boston.

 

Os autores enfatizam diferentes aspectos da epidemia de doença mental. Kirsch está preocupado em saber se os antidepressivos funcionam. Whitaker pergunta se as drogas psicoativas não criam problemas piores do que aqueles que resolvem. Carlat examina como a sua profissão se aliou à indústria farmacêutica e é manipulada por ela. Mas, apesar de suas diferenças, os três estão de acordo sobre algumas questões importantes.

 

Em primeiro lugar, concordam que é preocupante a extensão com a qual as empresas que vendem drogas psicoativas – por meio de várias formas de marketing, tanto legal como ilegal, e usando o que muita gente chamaria de suborno – passaram a determinar o que constitui uma doença mental e como os distúrbios devem ser diagnosticados e tratados.

 

Em segundo lugar, nenhum dos três aceita a teoria de que a doença mental é provocada por um desequilíbrio químico no cérebro. Whitaker conta que essa teoria surgiu pouco depois que os remédios psicotrópicos foram introduzidos no mercado, na década de 50. O primeiro foi o Amplictil (clorpromazina), lançado em 1954, que rapidamente passou a ser muito usado em hospitais psiquiátricos, para acalmar pacientes psicóticos, sobretudo os com esquizofrenia. No ano seguinte, chegou o Miltown (meprobamato), vendido para tratar a ansiedade em pacientes ambulatoriais. Em 1957, o Marsilid (iproniazid) entrou no mercado como um “energizador psíquico” para tratar a depressão.

 

Desse modo, no curto espaço de três anos, tornaram-se disponíveis medicamentos para tratar aquelas que, na época, eram consideradas as três principais categorias de doença mental – ansiedade, psicose e depressão – e a psiquiatria transformou-se totalmente. Essas drogas, no entanto, não haviam sido desenvolvidas para tratar doenças mentais. Elas foram derivadas de remédios destinados ao combate de infecções, e se descobriu por acaso que alteravam o estado mental.

 

No início, ninguém tinha ideia de como funcionavam. Elas simplesmente embotavam sintomas mentais perturbadores. Durante a década seguinte, pesquisadores descobriram que essas drogas afetavam os níveis de certas substâncias químicas no cérebro.

 

Um pouco de pano de fundo, e necessariamente muito simplificado: o cérebro contém bilhões de células nervosas, os neurônios, distribuídos em redes complexas, que se comunicam uns com os outros constantemente. O neurônio típico tem múltiplas extensões filamentosas (uma chamada axônio e as outras chamadas dendritos), por meio das quais ele envia e recebe sinais de outros neurônios. Para um neurônio se comunicar com outro, no entanto, o sinal deve ser transmitido através do minúsculo espaço que os separa, a sinapse. Para conseguir isso, o axônio do neurônio libera na sinapse uma substância química chamada neurotransmissor.

 

O neurotransmissor atravessa a sinapse e liga-se a receptores no segundo neurônio, muitas vezes um dendrito, ativando ou inibindo a célula receptora. Os axônios têm vários terminais e, desse modo, cada neurônio tem múltiplas sinapses. Depois, o neurotransmissor é reabsorvido pelo primeiro neurônio ou metabolizado pelas enzimas, de tal modo que o status quo anterior é restaurado.

 

Quando se descobriu que as drogas psicoativas afetam os níveis de neurotransmissores, surgiu a teoria de que a causa da doença mental é uma anormalidade na concentração cerebral desses elementos químicos, a qual é combatida pelo medicamento apropriado.

 

Por exemplo: como o Thorazine diminui os níveis de dopamina no cérebro, postulou-se que psicoses como a esquizofrenia são causadas ​​por excesso de dopamina. Ou então: tendo em vista que alguns antidepressivos aumentam os níveis do neurotransmissor chamado serotonina, defendeu-se que a depressão é causada pela escassez de serotonina. Antidepressivos como o Prozac ou o Celexa impedem a reabsorção de serotonina pelos neurônios que a liberam, e assim ela permanece mais nas sinapses e ativa outros neurônios. Desse modo, em vez de desenvolver um medicamento para tratar uma anormalidade, uma anormalidade foi postulada para se adequar a um medicamento.

 

Trata-se de uma grande pirueta lógica, como apontam os três autores. Era perfeitamente possível que as drogas que afetam os níveis dos neurotransmissores pudessem aliviar os sintomas, mesmo que os neurotransmissores não tivessem nada a ver com a doença. Como escreve Carlat: “Por essa mesma lógica, se poderia argumentar que a causa de todos os estados de dor é uma deficiência de opiáceos, uma vez que analgésicos narcóticos ativam os receptores de opiáceos do cérebro.” Ou, do mesmo modo, se poderia dizer que as febres são causadas pela escassez de aspirina.

 

Mas o principal problema com essa teoria é que, após décadas tentando prová-la, os pesquisadores ainda estão de mãos vazias. Os três autores documentam o fracasso dos cientistas para encontrar boas provas a seu favor. Antes do tratamento, a função dos neurotransmissores parece ser normal nas pessoas com doença mental. Nas palavras de Whitaker:

 

Antes do tratamento, os pacientes diagnosticados com depressão, esquizofrenia e outros transtornos psiquiátricos não sofrem nenhum “desequilíbrio químico”. No entanto, depois que uma pessoa passa a tomar medicação psiquiátrica, que perturba a mecânica normal de uma via neuronal, seu cérebro começa a funcionar... anormalmente.

 

Carlat refere-se à teoria do desequilíbrio químico como um “mito” (que ele chama de “conveniente” porque reduziria o estigma da doença mental). E Kirsch,cujo livro centra-se na depressão, resume a questão assim: “Parece fora de dúvida que o conceito tradicional de considerar a depressão como um desequilíbrio químico no cérebro está simplesmente errado.” (O motivo da persistência dessa teoria, apesar da falta de provas, é um tema que tratarei adiante.)

 

Os remédios funcionam? Afinal de contas, independentemente da teoria, essa é a questão prática. Em seu livro seco e extremamente cativante, The Emperor’s New Drugs [As Novas Drogas do Imperador], Kirsch descreve os seus quinze anos de pesquisa científica para responder a essa pergunta, no que diz respeito aos antidepressivos.

 

Quando começou o trabalho em 1995, seu principal interesse eram os efeitos de placebos. Para estudá-los, ele e um colega revisaram 38 ensaios clínicos que comparavam vários tratamentos da depressão com placebos, ou comparavam a psicoterapia com nenhum tratamento. A maioria dessas experiências durava de seis a oito semanas, e durante esse período os pacientes tendiam a melhorar um pouco, mesmo se não tivessem nenhum tratamento.

 

Mas Kirsch descobriu que os placebos eram três vezes mais eficazes do que a ausência de tratamento. Isso não o surpreendeu. O que o surpreendeu mesmo foi que os antidepressivos foram apenas marginalmente mais úteis do que os placebos: 75% dos placebos foram tão eficazes quanto os antidepressivos. Kirsch resolveu então repetir o estudo, dessa vez com a análise de um conjunto de dados mais completo e padronizado.

 

Os dados que ele usou foram obtidos da Food and Drug Administration, a FDA [o órgão público americano encarregado do licenciamento e controle de medicamentos]. Quando buscam a aprovação da FDA para comercializar um novo remédio, os laboratórios farmacêuticos devem apresentar à agência todos os testes clínicos que patrocinaram. Os testes são geralmente duplo-cego e controlados com placebo. Ou seja: os pacientes participantes recebem aleatoriamente a droga ou o placebo, e nem eles nem os seus médicos sabem o que receberam.

 

Os pacientes são informados de que receberão ou um medicamento ativo ou um placebo. E também são avisados dos efeitos colaterais que podem ocorrer. Se dois testes comprovam que o medicamento é mais eficaz do que o placebo, ele é geralmente aprovado. Mas os laboratórios podem patrocinar quantos testes quiserem, e a maioria deles pode dar negativo – isto é, não mostrar a eficácia do remédio. Tudo o que eles precisam é de dois testes com resultados positivos. (Os resultados dos testes de um mesmo medicamento podem variar por muitas razões, entre elas a forma como o ensaio foi concebido e realizado, seu tamanho e os tipos de pacientes pesquisados.)

 

Por razões óbvias, as indústrias farmacêuticas fazem questão de que seus testes positivos sejam publicados em revistas médicas, e os médicos fiquem sabendo deles. Já os testes negativos ficam nas gavetas da FDA, que os considera propriedade privada e, portanto, confidenciais. Essa prática distorce a literatura médica, o ensino da medicina e as decisões de tratamento.

 

irsch e seus colegas usaram a Lei de Liberdade de Informação para obter as revisões da FDA de todos os testes clínicos controlados por placebo, positivos ou negativos, submetidos para a aprovação dos seis antidepressivos mais utilizados, aprovados entre 1987 e 1999: Prozac, Paxil, Zoloft, Celexa, Serzone e Effexor.

Ao todo, havia 42 testes das seis drogas. A maioria deles era negativo. No total, os placebos eram 82% tão eficazes quanto os medicamentos, tal como medido pela Escala de Depressão de Hamilton, uma classificação dos sintomas de depressão amplamente utilizada. A diferença média entre remédio e placebo era de apenas 1,8 ponto na Escala, uma diferença que, embora estatisticamente significativa, era insignificante do ponto de vista clínico. Os resultados foram quase os mesmos para as seis drogas: todos igualmente inexpressivos. No entanto, como os estudos positivos foram amplamente divulgados, enquanto os negativos eram escondidos, o público e os médicos passaram a acreditar que esses medicamentos antidepressivos eram altamente eficazes.

 

Kirsch ficou impressionado com outro achado inesperado. Em seu estudo anterior, e em trabalhos de outros, observara que até mesmo tratamentos com substâncias que não eram consideradas antidepressivas – como hormônio sintético da tireoide, opiáceos, sedativos, estimulantes e algumas ervas medicinais – eram tão eficazes quanto os antidepressivos para aliviar os sintomas da depressão. Kirsch escreve: “Quando administrados como antidepressivos, remédios que aumentam, diminuem ou não têm nenhuma influência sobre a serotonina aliviam a depressão mais ou menos no mesmo grau.”

 

O que todos esses medicamentos “eficazes” tinham em comum era que produziam efeitos colaterais, sobre os quais os pacientes participantes haviam sido informados de que poderiam ocorrer.

 

Diante da descoberta de que quase qualquer comprimido com efeitos colaterais era ligeiramente mais eficaz no tratamento da depressão do que um placebo, Kirsch especulou que a presença de efeitos colaterais em indivíduos que recebem medicamentos lhes permitia adivinhar que recebiam tratamento ativo – e isso foi corroborado por entrevistas com pacientes e médicos –, o que os tornava mais propensos a relatar uma melhora. Ele sugere que a razão pela qual os antidepressivos parecem funcionar melhor no alívio de depressão grave do que em casos menos graves é que os pacientes com sintomas graves provavelmente tomam doses mais elevadas e, portanto, sofrem mais efeitos colaterais.

 

Para investigar melhor se os efeitos colaterais distorciam as respostas, Kirsch analisou alguns ensaios que utilizaram placebos “ativos”, em vez de inertes. Um placebo ativo é aquele que produz efeitos colaterais, como a atropina – droga que bloqueia a ação de certos tipos de fibras nervosas. Apesar de não ser um antidepressivo, a atropina causa, entre outras coisas, secura da boca. Em testes utilizando atropina como placebo, não houve diferença entre os antidepressivos e o placebo ativo. Todos tinham efeitos colaterais, e todos relataram o mesmo nível de melhora.

 

Kirsch registrou outras descobertas estranhas em testes clínicos de antidepressivos, entre elas o fato de que não há nenhuma curva de dose-resposta, ou seja, altas doses não funcionavam melhor do que as baixas, o que é extremamente improvável para medicamentos eficazes.

 

“Ao se juntar tudo isso”, escreve Kirsch,“chega-se à conclusão de que a diferença relativamente pequena entre medicamentos e placebos pode não ser um efeito verdadeiro do remédio. Em vez disso, pode ser um efeito placebo acentuado, produzido pelo fato de que alguns pacientes passaram a perceber que recebiam medicamentos ou placebos. Se este for o caso, então não há nenhum efeito antidepressivo dos medicamentos. Em vez de compararmos placebo com remédio, estávamos comparando placebos ‘normais’ com placebos ‘extrafortes’.”

 

Trata-se de uma conclusão surpreendente, que desafia a opinião médica, mas Kirsch chega a ela de uma forma cuidadosa e lógica. Psiquiatras que usam antidepressivos – e isso significa a maioria deles – e pacientes que os tomam talvez insistam que sabem por experiência clínica que os medicamentos funcionam.

 

Mas casos individuais são uma forma traiçoeira de avaliar tratamentos médicos, pois estão sujeitos a distorções. Eles podem sugerir hipóteses a serem estudadas, mas não podem prová-las. É por isso que o desenvolvimento do teste clínico duplo-cego, aleatório e controlado com placebo, foi um avanço tão importante na ciência médica, em meados do século passado. Histórias sobre sanguessugas, megadoses de vitamina cou vários outros tratamentos populares não suportariam o escrutínio de testes bem planejados. Kirsch é um defensor devotado do método científico e sua voz, portanto, traz objetividade a um tema muitas vezes influenciado por subjetividade, emoções ou, como veremos, interesse pessoal.

 

O livro de Whitaker, Anatomy of an Epidemic [Anatomia de uma Epidemia], é mais amplo e polêmico. Ele leva em conta todas as doenças mentais, não apenas a depressão. EnquantoKirsch conclui que os antidepressivos não são provavelmente mais eficazes do que placebos, Whitaker conclui que eles e a maioria das drogas psicoativas não são apenas ineficazes, mas prejudiciais. Whitaker começa por observar que, se o tratamento de doenças mentais por meio de medicamentos disparou, o mesmo aconteceu com as patologias tratadas:

 

O número de doentes mentais incapacitados aumentou imensamente desde 1955 e durante as duas últimas décadas, período em que a prescrição de medicamentos psiquiátricos explodiu e o número de adultos e crianças incapacitados por doença mental aumentou numa taxa alucinante. Assim, chegamos a uma pergunta óbvia, embora herética: o paradigma de tratamento baseado em drogas poderia estar alimentando, de alguma maneira imprevista, essa praga dos tempos modernos?

 

Além disso, Whitaker sustenta que a história natural da doença mental mudou. Enquanto transtornos como esquizofrenia e depressão eram outrora episódicos, e cada episódio durava não mais de seis meses, sendo intercalado por longos períodos de normalidade, os distúrbios agora são crônicos e duram a vida inteira. Whitaker acredita que isso talvez aconteça porque os medicamentos, mesmo aqueles que aliviam os sintomas em curto prazo, causam em longo prazo danos mentais que continuam depois que a doença teria naturalmente se resolvido.

 

As provas que ele apresenta para essa teoria variam em qualidade. Whitaker não reconhece suficientemente a dificuldade de estudar a história natural de qualquer doença durante um período de cinquenta anos, no qual muitas circunstâncias mudaram, além do uso de medicamentos. É ainda mais difícil comparar resultados de longo prazo de pacientes tratados e não tratados. No entanto, os indícios de Whitaker são sugestivos, se não conclusivos.

 

Se as drogas psicoativas causam danos, como afirma Whitaker, qual é o seu mecanismo? A resposta, ele acredita, encontra-se em seus efeitos sobre os neurotransmissores. É bem sabido que as drogas psicoativas perturbam os neurotransmissores, mesmo que essa não seja a causa primeira da doença.

Whitaker descreve uma cadeia de efeitos. Quando, por exemplo, um antidepressivo como o Celexa aumenta os níveis de serotonina nas sinapses, ele estimula mudanças compensatórias por meio de um processo chamado feedback negativo. Em reação aos altos níveis de serotonina, os neurônios que a secretam liberam menos dela, e os neurônios pós-sinápticos tornam-se insensíveis a ela. Na verdade, o cérebro está tentando anular os efeitos da droga. O mesmo vale para os medicamentos que bloqueiam neurotransmissores, exceto no sentido inverso.

 

A maioria dos antipsicóticos, por exemplo, bloqueia a dopamina, mas os neurônios pré-sinápticos compensam isso liberando mais dopamina, e os neurônios pós-sinápticos a aceitam com mais avidez.

 

As consequências do uso prolongado de drogas psicoativas, nas palavras de Steve Hyman, até recentemente reitor da Universidade de Harvard, são “alterações substanciais e de longa duração na função neural”.

 

Depois de várias semanas de drogas psicoativas, os esforços de compensação do cérebro começam a falhar e surgem efeitos colaterais que refletem o mecanismo de ação dos medicamentos. Antipsicóticos causam efeitos secundários que se assemelham ao mal de Parkinson, por causa do esgotamento de dopamina (que também se esgota no Parkinson). À medida que surgem efeitos colaterais, eles são tratados por outros medicamentos, e muitos pacientes acabam tomando um coquetel de drogas psicoativas, prescrito para um coquetel de diagnósticos. Os episódios de mania causada por antidepressivos podem levar a um novo diagnóstico de “transtorno bipolar” e ao tratamento com um “estabilizador de humor”, como Depokote (anticonvulsivo), acompanhado de uma das novas drogas antipsicóticas. E assim por diante.

 

A respeitada pesquisadora Nancy Andreasen e seus colegas publicaram indícios de que o uso de antipsicóticos está associado ao encolhimento do cérebro, e que o efeito está diretamente relacionado à dose e à duração do tratamento. Como Andreasen explicou ao New York Times: “O córtex pré-frontal não obtém o que precisa e vai sendo fechado pelos medicamentos. Isso reduz os sintomas psicóticos. E faz também com que o córtex pré-frontal se atrofie lentamente.”

 

Largar os remédios é extremamente difícil, segundo Whitaker, porque quando eles são retirados, os mecanismos compensatórios ficam sem oposição. Quando se retira o Celexa, os níveis de serotonina caem bruscamente porque os neurônios pré-sinápticos não estão liberando quantidades normais. Da mesma forma, quando se suspende um antipsicótico, os níveis de dopamina podem disparar.Os sintomas produzidos pela retirada de drogas psicoativas são confundidos com recaídas da doença original, o que pode levar psiquiatras a retomar o tratamento com remédios, talvez em doses mais elevadas.

 

Whitaker está indignado com o que considera uma epidemia iatrogênica (isto é, introduzida inadvertidamente pelos médicos) de disfunção cerebral, especialmente a causada pelo uso generalizado dos novos antipsicóticos, como o Zyprexa, que provoca graves efeitos colaterais. Eis o que ele chama de “experimento de pensamento rápido”:

 

Imagine que aparece de repente um vírus que faz com que as pessoas durmam doze, catorze horas por dia. As pessoas infectadas se movimentam devagar e parecem emocionalmente desligadas. Muitas ganham quantidades imensas de peso – 10, 20 e até 50 quilos. Os seus níveis de açúcar no sangue disparam, assim como os de colesterol.

 

Vários dos atingidos pela doença misteriosa – entre eles, crianças e adolescentes – se tornam diabéticos. O governo federal dá centenas de milhões de dólares aos cientistas para decifrar o funcionamento do vírus, e eles relatam que ele bloqueia uma multidão de receptores no cérebro. Enquanto isso, exames de ressonância magnética descobrem que, ao longo de vários anos, o vírus encolhe o córtex cerebral, e esta diminuição está ligada ao declínio cognitivo. O público aterrorizado clama por uma cura.

 

Ora, essa doença está, de fato, atingindo milhões de crianças e adultos. Acabamos de descrever os efeitos do antipsicótico Zyprexa, um dos mais vendidos do laboratório Eli Lilly.

 

eon Eisenberg, professor da Universidade Johns Hopkins e da Escola de Medicina de Harvard, escreveu que a psiquiatria americana passou,no final do século XX, de uma fase “descerebrada” para uma “desmentalizada”. Ele quis dizer que, antes das drogas psicoativas, os psiquiatras tinham pouco interesse por neurotransmissores ou outros aspectos físicos do cérebro. Em vez disso, aceitavam a visão freudiana de que a doença mental tinha suas raízes em conflitos inconscientes, geralmente com origem na infância, que afetavam a mente como se ela fosse separada do cérebro.

 

Com a entrada em cena dessas drogas, na década de 50 – processo que se acelerou na década de 80 –, o foco mudou para o cérebro. Os psiquiatras começaram a se referir a si mesmos como psicofarmacologistas, e se interessaram cada vez menos pelas histórias de vida dos pacientes.

 

A preocupação deles era eliminar ou reduzir os sintomas, tratando os pacientes com medicamentos que alterariam a função cerebral. Tendo sido um dos primeiros defensores do modelo biológico de doença mental, Eisenberg veio a se tornar um crítico do uso indiscriminado de drogas psicoativas, impulsionado pelas maquinações da indústria farmacêutica.

 

Quando as drogas psicoativas surgiram, houve um período de otimismo na profissão psiquiátrica, mas na década de 70 o otimismo deu lugar a uma sensação de ameaça. Ficaram claros os graves efeitos colaterais dos medicamentos e um movimento de antipsiquiatria lançou raízes, como exemplificam os escritos de Thomas Szasz e o filme Um Estranho no Ninho.

 

Havia também a concorrência crescente de psicólogos e terapeutas. Além disso, os psiquiatras sofreram divisões internas: alguns abraçaram o modelo biológico, outros se agarraram ao modelo freudiano, e uns poucos viam a doença mental como uma resposta sadia a um mundo insano. Ademais, dentro da medicina, os psiquiatras eram considerados uma espécie de parentes pobres: mesmo com suas novas drogas, eram vistos como menos científicos do que os outros especialistas, e sua renda era geralmente mais baixa.

 

No final da década de 70, os psiquiatras contra-atacaram, e com força. Como conta Robert Whitaker em Anatomy of an Epidemic, o diretor médico da Associação Americana de Psiquiatria, Melvin Sabshin, declarou, em 1977: “Devemos apoiar fortemente um esforço vigoroso para remedicalizar a psiquiatria.” E lançou uma campanha maciça de relações públicas para fazer exatamente isso.

 

A psiquiatria detinha uma arma poderosa, que seus concorrentes não podiam ter. Como cursaram medicina, os psiquiatras têm autoridade legal para escrever receitas.

 

Ao abraçar o modelo biológico de doença mental, e o uso de drogas psicoativas para tratá-la, a psiquiatria conseguiu relegar os outros prestadores de serviços de saúde mental para cargos secundários. E se apresentou também como uma disciplina científica. E, o que é mais importante, ao enfatizar o tratamento medicamentoso, a psiquiatria tornou-se a queridinha da indústria farmacêutica, que logo tornou tangível sua gratidão.

 

A Associação Americana de Psiquiatria, a APA, estava preparando então a terceira edição do Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais, o DSM, que estabelece os critérios de diagnóstico para todos os transtornos mentais. O presidente da Associação havia indicado Robert Spitzer, eminente professor de psiquiatria da Universidade de Columbia, para chefiar a força-tarefa que supervisionaria o Manual.

 

As duas primeiras edições, publicadas em 1952 e 1968, refletiam a visão freudiana da doença mental, e eram pouco conhecidas fora da profissão. Spitzer decidiu fazer da terceira edição, o DSM-III, algo bem diferente. Ele prometeu que o Manual seria “uma defesa do modelo médico aplicado a problemas psiquiátricos”, e o presidente da Associação, Jack Weinberg, disse que ele “deixaria claro para quem tivesse dúvidas que consideramos a psiquiatria uma especialidade da medicina”.

 

Quando foi publicado, em 1980, o DSM-III continha 265 diagnósticos (acima dos 182 da edição anterior) e logo teve um uso quase universal: não apenas por parte de psiquiatras, mas também por companhias de seguros, hospitais, tribunais, prisões, escolas, pesquisadores, agências governamentais e médicos de todas as especialidades. Seu principal objetivo era trazer coerência (normalmente chamada de “confiabilidade”) ao diagnóstico psiquiátrico. Ou seja, garantir que os psiquiatras que viam o mesmo paciente concordassem com o diagnóstico. Para isso, cada diagnóstico era definido por uma lista de sintomas, com limites numéricos. Por exemplo, ter pelo menos cinco de nove sintomas determinados garantia ao paciente um diagnóstico definitivo de episódio depressivo dentro da ampla categoria de “transtornos do humor”.

 

Mas havia outro objetivo: justificar o uso de drogas psicoativas. Com efeito, Carol Bernstein, a presidente da apa, reconheceu isso ao escrever: “Na década de 70, foi preciso facilitar um acordo sobre diagnósticos entre clínicos, cientistas e autoridades reguladoras, dada a necessidade de ligar os pacientes aos novos tratamentos farmacológicos.”

 

A terceira edição do Manual era talvez mais “confiável” do que as versões anteriores, mas confiabilidade não é a mesma coisa que validade. O termo confiabilidade é usado como sinônimo de “coerência”; validade refere-se à correção ou solidez. Se todos os médicos concordassem que as sardas são um sinal de câncer, o diagnóstico seria “confiável”, mas não válido.

 

O problema com o Manual é que, em todas as suas edições, ele simplesmente refletia as opiniões de seus autores. E, no caso do DSM-III, sobretudo as opiniões do próprio Spitzer, que foi apontado com justiça como um dos psiquiatras mais influentes do século xx. Em suas palavras, ele “pegou todo mundo com quem se sentia à vontade” para participar da força-tarefa de quinze membros, e houve queixas de que ele convocou poucas reuniões e conduziu o processo de uma maneira desordenada, mas ditatorial.

 

Num artigo de 1984 intitulado “As desvantagens do DSM-III superam suas vantagens”, George Vaillant, professor de psiquiatria de Harvard, afirmou que o DSM-III representou “uma audaciosa série de escolhas baseadas em palpite, gosto, preconceito e esperança”, o que parece ser uma boa descrição.

 

  DSM se tornou a bíblia da psiquiatria e, tal como a Bíblia cristã, dependia muito de algo parecido com a fé: não há nele citações de estudos científicos para sustentar suas decisões. É uma omissão espantosa, porque em todas as publicações médicas, sejam revistas ou livros didáticos, as declarações de fatos devem estar apoiadas em referências comprováveis. (Há quatro “livros de consulta” separados para a edição atual do DSM, que apresentam a razão para algumas decisões, junto com referências, mas isso não é a mesma coisa que referências específicas.)

 

Pode ser de muito interesse para um grupo de especialistas se reunir e dar suas opiniões, mas a menos que essas opiniões possam ser sustentadas por provas, elas não autorizam a deferência extraordinária dedicada ao DSM. “A cada edição subsequente”, escreve Daniel Carlat, “o número de categorias de diagnósticos se multiplicava, e os livros se tornaram maiores e mais caros. Cada um deles se tornou um best-seller, e o DSM é hoje uma das principais fontes de renda da Associação Americana de Psiquiatria.” O Manual atual, o DSM-IV, vendeu mais de 1 milhão de exemplares.

 

Os laboratórios farmacêuticos passaram a dar toda a atenção e generosidade aos psiquiatras, tanto individual como coletivamente, direta e indiretamente. Choveram presentes e amostras grátis, contratos de consultores e palestrantes, refeições, ajuda para participar de conferências. Quando os estados de Minnesota e Vermont implantaram “leis de transparência”, que exigem que os laboratórios informem todos os pagamentos a médicos, descobriu-se que os psiquiatras recebiam mais dinheiro do que os médicos de qualquer outra especialidade. A indústria farmacêutica também subsidia as reuniões da APA e outras conferências psiquiátricas. Cerca de um quinto do financiamento da APA vem agora da indústria farmacêutica.

 

Os laboratórios buscam conquistar psiquiatras de centros médicos universitários de prestígio. Chamados pela indústria de “líderes-chave de opinião”, eles são os profissionais que, por meio do que escrevem e ensinam, influenciam o tratamento das doenças mentais. Eles também publicam grande parte da pesquisa clínica sobre medicamentos e, o que é fundamental, determinam o conteúdo do DSM. Em certo sentido, eles são a melhor equipe de vendas que a indústria poderia ter e valem cada centavo gasto com eles. Dos 170 colaboradores da versão atual do DSM, dos quais quase todos poderiam ser descritos como líderes-chave, 95 tinham vínculos financeiros com laboratórios farmacêuticos, inclusive todos os colaboradores das seções sobre transtornos de humor e esquizofrenia.

 

Carlat pergunta: “Por que os psiquiatras estão na frente de todos os outros especialistas quando se trata de tomar dinheiro de laboratórios?” Sua resposta: “Nossos diagnósticos são subjetivos e expansíveis, e temos poucas razões racionais para a escolha de um tratamento em relação a outro.” Ao contrário das enfermidades tratadas pela maioria dos outros ramos da medicina, não há sinais ou exames objetivos para as doenças mentais – nenhum dado de laboratório ou descoberta por ressonância magnética – e as fronteiras entre o normal e o anormal são muitas vezes pouco claras.

 

Isso torna possível expandir as fronteiras do diagnóstico ou até mesmo criar novas diagnoses, de uma forma que seria impossível, por exemplo, em um campo como a cardiologia. E as empresas farmacêuticas têm todo o interesse em induzir os psiquiatras a fazer exatamente isso.

 

Além do dinheiro gasto com os psiquiatras, os laboratórios apoiam muitos grupos de defesa de pacientes e organizações educacionais. Whitaker informa que, somente no primeiro trimestre de 2009, o “Eli Lilly deu 551 mil dólares à Aliança Nacional para Doenças Mentais, 465 mil dólares para a Associação Nacional de Saúde Mental, 130 mil dólares para um grupo de defesa dos pacientes de déficit de atenção/hiperatividade, e 69 250 dólares para a Fundação Americana de Prevenção ao Suicídio”.

 

E isso foi o que apenas um laboratório gastou em três meses; pode-se imaginar qual deve ser o total anual de todas as empresas que produzem drogas psicoativas. Esses grupos aparentemente existem para conscientizar a opinião pública sobre transtornos psiquiátricos, mas também têm o efeito de promover o uso de drogas psicoativas e influenciar os planos de saúde para cobri-los.

 

Como a maioria dos psiquiatras, Carlat trata seus pacientes apenas com medicamentos, sem terapia de conversa, e é sincero a respeito das vantagens de fazer isso. Ele calcula que, se atender três pacientes por hora com psicofarmacologia, ganha cerca de 180 dólares por hora dos planos de saúde. Em contrapartida, poderia atender apenas um paciente por hora com terapia de conversa, pela qual os planos lhe pagariam menos de 100 dólares. Carlat não acredita que a psicofarmacologia seja particularmente complicada, muito menos precisa, embora o público seja levado a acreditar que é.

 

Seu trabalho consiste em fazer aos pacientes uma série de perguntas sobre seus sintomas, para ver se eles combinam com algum dos transtornos catalogados no DSM. Esse exercício de correspondência, diz ele, propicia “a ilusão de que compreendemos os nossos pacientes, quando tudo o que estamos fazendo é atribuir-lhes rótulos”. Muitas vezes os pacientes preenchem critérios para mais de um diagnóstico, porque há sobreposição de sintomas.

 

Um dos pacientes de Carlat acabou com sete diagnósticos distintos. “Nós miramos sintomas distintos com os tratamentos, e outros medicamentos são adicionados para tratar os efeitos colaterais.” Um paciente típico, diz ele, pode estar tomando Celexa para depressão, Ativan para ansiedade, Ambien para insônia, Provigil para fadiga (um efeito colateral do Celexa) e Viagra para impotência (outro efeito colateral do Celexa).

 

Quanto aos próprios medicamentos, Carlat escreve que “há apenas um punhado de categorias guarda-chuva de drogas psicotrópicas”, sob as quais os medicamentos não são muito diferentes uns dos outros. Ele não acredita que exista muita base para escolher entre eles. E resume:

 

Assim é a moderna psicofarmacologia. Guiados apenas por sintomas, tentamos diferentes medicamentos, sem nenhuma concepção verdadeira do que estamos tentando corrigir, ou de como as drogas estão funcionando. Espanto-me que sejamos tão eficazes para tantos pacientes.

 

Carlat passa então a especular, como Kirsch em The Emperor’s New Drugs, que os pacientes talvez estejam respondendo a um efeito placebo ativado. Se as drogas psicoativas não são tudo o que é alardeado – e os indícios indicam que não são –, o que acontece com os próprios diagnósticos? Como eles se multiplicam a cada edição do DSM?

 

Em 1999, a APA começou a trabalhar em sua quinta revisão do DSM, programado para ser publicado em 2013. A força-tarefa de 27 membros é chefiada por David Kupfer, professor de psiquiatria da Universidade de Pittsburgh. Tal como nas edições anteriores, a força-tarefa é assessorada por vários grupos de trabalho, que agora totalizam cercade 140 membros, correspondentes às categorias principais de diagnóstico. As deliberações e propostas em curso foram amplamente divulgadas, e parece que a constelação de transtornos mentais vai crescer ainda mais.

 

Em particular, os limites dos diagnósticos serão ampliados para incluir os precursores dos transtornos, tais como “síndrome do risco de psicose” e “transtorno cognitivo leve” (possível início do mal de Alzheimer). O termo “espectro” é usado para ampliar categorias, e temos,por exemplo, “espectro de transtorno obsessivo-compulsivo”, “transtorno do espectro da esquizofrenia” e “transtorno do espectro do autismo”. E há propostas para a inclusão de distúrbios totalmente novos, como “transtorno hipersexual”, “síndrome das pernas inquietas” e “compulsão alimentar”. Até mesmo Allen Frances, presidente da força-tarefa do DSM-IV, escreveu que a próxima edição do Manual será uma “mina de ouro para a indústria farmacêutica”.

 

A indústria farmacêutica influencia psiquiatras a receitar drogas psicoativas até mesmo a pacientes para os quais os medicamentos não foram considerados seguros e eficazes. O que deveria preocupar enormemente é o aumento espantoso do diagnóstico e tratamento de doenças mentais em crianças, algumas com apenas 2 anos de idade.

 

Essas crianças são tratadas muitas vezes com medicamentos que nunca foram aprovados pela FDA para uso nessa faixa etária, e têm efeitos colaterais graves. A prevalência de “transtorno bipolar juvenil” aumentou quarenta vezes entre 1993 e 2004, e a de “autismo” aumentou de 1 em 500 crianças para 1 em 90 ao longo da mesma década. Dez por cento dos meninos de 10 anos de idade tomam agora estimulantes diários para o transtorno de déficit de atenção/hiperatividade.

 

Seria muito difícil achar uma criança de 2 anos que não seja às vezes irritante, um menino de 5ª série que não seja ocasionalmente desatento, ou uma menina no ensino médio que não seja ansiosa. Rotular essas crianças como tendo um transtorno mental e tratá-las com medicamentos depende muito de quem elas são e das pressões que seus pais enfrentam.

 

Como as famílias de baixa renda estão passando por dificuldades econômicas

crescentes, muitas descobriram que o pedido de renda de seguridade suplementar com base na invalidez mental é a única maneira de sobreviver. Segundo um estudo da Universidade Rutgers, descobriu-se que crianças de famílias de baixa renda têm quatro vezes mais probabilidade de receber medicamentos antipsicóticos do que crianças com plano de saúde privado.

 

Os livros de Irving Kirsch, Robert Whitaker e Daniel Carlat são acusações enérgicas ao modo como a psiquiatria é praticada hoje em dia. Eles documentam o “frenesi” do diagnóstico, o uso excessivo de medicamentos com efeitos colaterais devastadores e os conflitos de interesse generalizados. Os críticos podem argumentar, como Nancy

Andreasen o faz em seu artigo sobre a perda de tecido cerebral no tratamento antipsicótico de longo prazo, que os efeitos colaterais são o preço que se deve pagar para aliviar o sofrimento causado pela doença mental. Se soubéssemos que os benefícios das drogas psicoativas superam seus danos, isso seria um argumento forte, uma vez que não há dúvida de que muitas pessoas sofrem gravemente com doenças mentais. Mas como Kirsch, Whitaker e Carlat argumentam, essa expectativa pode estar errada.

 

No mínimo, precisamos parar de pensar que as drogas psicoativas são o melhor e, muitas vezes, o único tratamento para as doenças mentais. Tanto a psicoterapia como os exercícios físicos têm se mostrado tão eficazes quanto os medicamentos para a depressão, e seus efeitos são mais duradouros. Mas, infelizmente, não existe indústria que promova essas alternativas. Mais pesquisas são necessárias para estudar alternativas às drogas psicoativas.

 

Em particular, precisamos repensar o tratamento de crianças. Nesse ponto, o problema é muitas vezes uma família perturbada em circunstâncias conturbadas. Tratamentos voltados para essas condições ambientais – como auxílio individual para pais ou centros pós-escola para as crianças – devem ser estudados e comparados com o tratamento farmacológico.

 

No longo prazo, essas alternativas seriam provavelmente mais baratas. Nossa confiança nas drogas psicoativas, receitadas para todos os descontentes com a vida, tende a excluir as outras opções. Em vista dos riscos, e da eficácia questionável dos medicamentos em longo prazo, precisamos fazer melhor do que isso. Acima de tudo, devemos lembrar o consagrado ditado médico: em primeiro lugar, não causar dano (primum non nocere).

 

Abs
Felipe

SUBJECT: Re: [ciencialist] Robôs e instintos
FROM: "Pesky Bee" <peskybee2@gmail.com>
TO: <ciencialist@yahoogrupos.com.br>
DATE: 30/08/2011 16:40

Acabei não comentando a mensagem do Ricardo S., onde ele
não vê tanta dificuldade assim para replicar processos
emocionais em outro tipo de "arquitetura". Há um pouco
de verdade nisso, mas é preciso separar as coisas.
 
Mesmo hoje já existem bons modelos sobre as emoções, e
não me parece muito difícil implementá-los em "organismos
computacionais". A questão é que esses modelos transformam
em "caixas pretas" processos que são muito complexos no
organismo humano. Emoções, em nós humanos, envolvem mais do
que a pura atividade do sistema nervoso central. Envolvem
inúmeros aspectos hormonais e até mesmo de arquitetura
dos órgãos, de forma que implantar isso em um organismo
com constituição física diferente (um robô) fará esse
robô ter sim emoções, mas não emoções humanas. Quem duvidar
disso, basta observar o que acontece conosco durante uma
chuva de cortisol e adrenalina. É o cão chupando manga!
 
Simular isso, além de complicadérrimo, poderá ser um big
de um problemão, pois já enfrentamos vários dilemas éticos/morais
quando tratamos de humanos que estão nos "extremos de
comportamento" da média (basta lembrar daquele seriado Dexter
para ter um exemplo bem simples). Reafirmo que sou cético em
relação à construção de mecanismos de natureza não biológica
que tenham emoções comparáveis às nossas.
 
Já nosso amigo JVitor colocou três empecilhos que seriam
impeditivos até mesmo de termos máquinas inteligentes, e
ele citou três elementos: pensamentos, consciência e sonhos.
 
Eu vejo esses três elementos como sendo pertencentes a uma
única instância de processos: a atividade neural do cérebro
humano. Se construirmos algo que disponha das mesmas propriedades
funcionais do cérebro humano, poderíamos ter também o
equivalente a esses três elementos. Afinal, pensamento é
o encadeamento sequenciado de ativações sincronizadas de populações
de neurônios, sonhos são a mesma coisa, mas sem um controle
volitivo e consciência seria "o pensamento que percebe
aquilo que está sendo pensado". Portanto, é tudo a mesma
coisa. A encrenca aparece, na minha visão, quando se jogam
as emoções nesse caldeirão. Aí a festa fica complexa mesmo.
 
*PB*
 
 
 
 
 
 
From: JVictor
Sent: Tuesday, August 30, 2011 1:37 PM
Subject: RES: RES: [ciencialist] Robôs e instintos
 


Não vejo porque no futuro não poderíamos construir outra máquina tão, ou mais, comexa do que o homem. Está (muuuuito) longe ainda, mas já trilhamos um longo caminho.”

 

Claro, a tecnologia marcha para o aprimoramento do que já existe e a tendência é mesmo refinar as simulações. Há recursos tecnológicos para o mister. Mas, infelizmente, em minha opinião, há limites intransponíveis. Entre eles, os que comento mais abaixo.

 

Há que se considerar certos aspectos dessa questão:  um deles sendo o velho companheiro nosso, o  pensamento! Até onde sei, todos pensamos.

 

Pois bem, máquina, que é máquina de vergonha, tem que pensar...Mas pensar como os humanos, que estamos muiiiiiiiiiiiiii...iiiiiiiiiiiiiiii...ii..to) longe de sabermos o que diabos é o pensamento. Ás vezes eles surgem, mexem com a gente, mostram soluções, apontam caminhos, vão embora sem avisar, ou ficam importunando, sem controle. Outras vezes nós os controlamos(controlamos?), and so on. Então, há, nessa história: consciência(sobre o que já se discutiu por aqui), pensamentos,  e mais isto, que é um baita  terceiro aspecto: sonhos! O que diabos são os sonhos?

 

Só precisamos saber o que são estes três “simples”  ingredientes para refletirmos sobre o que é vida. Fácil, não?

 

Então, uma máquina para entrar no clube do bolinha, do qual somos sócios fundadores,  teria que ser equipada com os ”simples” três  requesitos acima...

 

Ainda continuo convicto de que as emoções, para mim impulsos atrelados inexoravelmente à consciência, pensamentos e sonhos, nos tornam únicos na natureza. Mas...

 

Sds,

Victor.

 

 

 

 

 

De: ciencialist@yahoogrupos.com.br [mailto:ciencialist@yahoogrupos.com.br] Em nome de Ricardo S.
Enviada em: quarta-feira, 24 de agosto de 2011 18:41
Para: ciencialist@yahoogrupos.com.br
Assunto: Re: RES: [ciencialist] Robôs e instintos

 

 

 


Em 21/08/2011, às 09:48, "JVictor"

 

Eis onde está o nó, indesatável: emoções. Esta, a “signatura” do ser humano. Não é devido a emoções, em alguma de suas formas,  que o processo criativo eclode? Penso que sim. Um robô chegará à criatividade de um simples poeta de cordel?  Nem  duvido: assevero que não.  

Pessoalmente discordo.

 

Não vejo a emoção como um processo assim tão especial, como muitos o descrevem. Pelo menos não o suficiente para que não possa ser induzido em outra máquina, que não o corpo humano. Gosto bastante dos estudos do neuro-cientista Antonio Damásio com relação aos mecanismos por trás da emoção e aconselho a todos o livro "Em Busca de Espinoza", com boas reflexões sobre o assunto.

 

Como os processos ligados à consciência e às emoções acontecem por mecanismos diferentes (seguindo a linha de raciocínio do estudo) e como a resposta a estímulos emocionais competentes ocorre mais rapidamente, servindo inclusive de insumo para o processo consciente, tendemos a ver a emoção como algo sobrenatural, intuição, etc. Mas, é só mais um processo que "roda" nessa extremamente complexa máquina que é o corpo humano.

 

Não vejo porque no futuro não poderíamos construir outra máquina tão, ou mais, comexa do que o homem. Está (muuuuito) longe ainda, mas já trilhamos um longo caminho.

 

Abraços,

 

Ricardo S.

 


SUBJECT: Re: RES: RES: [ciencialist] Robôs e instintos
FROM: jeff@jeff.com.br
TO: ciencialist@yahoogrupos.com.br
DATE: 30/08/2011 20:22

Olá Vitor!

>
> Pois bem, máquina, que é máquina de vergonha, tem que pensar...
> Mas pensar como os humanos, que estamos
> muiiiiiiiiiiiiii...iiiiiiiiiiiiiiii...ii..to) longe de sabermos o que
diabos é o pensamento.


Entendo que pensamento é só qualquer forma de processamento de informação
pra resolver alguma coisa. Pensamentos podem então ser menos, tão ou mais
complexos e inteligentes do que os do homem. Se uma máquina pensante puder
"pensar" sobre sí e sobre seus próprios pensamentos, acho que seria uma
máquina com uma consciência, que poderia ser menor, tão ou maior que a do
homem, não?

>
> Então, há, nessa história: consciência(sobre o que já se discutiu
> por aqui), pensamentos, e mais isto, que é um baita terceiro
> aspecto: sonhos! O que diabos são os sonhos?
>

Sonhos em que sentido? No sentido de pensamentos durante o sono, acho que
seria só algum processo de manutenção do cérebro, sem maior importância
(tipo um ScanDisk muito mais sofisticado :)), ou até um bug do sistema! :)

No sentido de desejos humanos que tentamos realizar, acho que são
similares a processos computacionais de grandes prioridades que
infelizmente estão no fim de uma longa fila! :). E desejos humanos só tem
importância pra humanos né...

>
> Então, uma máquina para entrar no clube do bolinha, do qual somos
> sócios fundadores, teria que ser equipada com os "simples" três
> requesitos acima...
>

Não acho tão difícil! :) Logo logo, se continuarmos a tentar criar
máquinas parecidas com humanos, diremos corriqueiramente "aquele androide
pensou que...", veremos máquinas passando fácil no Teste de Turing e,
assim, começaremos a considerá-las como uma forma de "gente".

Mas, voltando ao tópico, como disse o Pesky, mesmo se máquinas pudessem
ter algo semelhante a emoções, estas não seriam "naturalmente" iguais as
nossas (poderiam ser simuladas), pois as nossas emoções envolvem coisas do
nosso organismo, o modo de funcionamento do nosso cérebro, onde tem os
instintos e tal. É isso que eu questiono: Independentemente da
inteligência e consciência de um robô, só devido a estas, não devem surgir
neles instintos e muito menos emoções como dos animais, pois estas são
produtos de evolução, não de inteligência e consciência.

>
>
> Ainda continuo convicto de que as emoções, para mim impulsos atrelados
inexoravelmente a consciência, pensamentos e sonhos, nos tornam
> únicos na natureza. Mas...
>

Únicos sim, uma coisa que não deve ter em nenhum outro lugar do Universo,
mas, mais inteligentes e conscientes só por ter ódio, raiva, alegria,
tristeza, agressividade, etc, não faz sentido pra mim! :) Ter emoções
humanas só torna algo mais humano.

Acho que um robô inteligentíssimo não se tornaria "idiota" só por não não
se importar em trabalhar 24hs por dia até pifar ou em com triturado,
concorda ou sem corda?! :) A nossa resistência a isso não é racional é
instintiva (um robô poderia ter isso programado, como um instinto).

[]´s,
Jeff.

>
>
> Sds,
>
> Victor.
>






SUBJECT: Enc: Carros ao Sol
FROM: Belmiro Wolski <belmirow@yahoo.com.br>
TO: "ciencialist@yahoogrupos.com.br" <ciencialist@yahoogrupos.com.br>
DATE: 30/08/2011 20:29

      Mais uma da internet! Especialistas., pronunciem-se por favor.
 
      [],s
 
      Belmiro

----- Mensagem encaminhada -----
De: anastasia besciak <anastasiabesciak@hotmail.com>
Para:
Enviadas: Terça-feira, 30 de Agosto de 2011 19:41
Assunto: FW: Carros ao Sol
Anastásia 
 

 



 

Carros Estacionados no SolPara:
                                                                                  CARROS ESTACIONADOS AO SOL....
 
Preste atenção!!! Isto é importante! 
 
Um carro estacionado na sombra durante um dia com as janelas fechadas pode conter de 400-800 mg. de Benzeno. Se esta no sol a uma temperatura superior a 16º C., o nível de Benzeno subirá a 2000-4000 mg, 40 vezes mais o nível aceitável... 
                         
       A pessoa que entra no carro mantendo as janelas fechadas inevitavelmente aspirará em rápida sucessão, excessivas quantidades desta toxina. 


       O Benzeno é uma toxina que
afeta o rim e o fígado. E o que é pior, é extremamente difícil para o organismo expulsar esta substancia tóxica.

 
Ar condicionado ou ar simples dos  Automóveis              

O manual do condutor indica que antes de ligar o ar condicionado, deve-se primeiramente abrir as janelas e deixá-las assim por um tempo de dois minutos, porém não especificam "o porquê", só deixam entender que é para seu "melhor funcionamento".
           
Aqui vem a razão médica:
 
         De acordo com um estudo realizado, o ar refrescante antes de sair frio, manda todo o ar do plástico quente o qual libera Benzeno, que causa câncer (leva-se um tempo para dar se conta do odor do plástico quente no carro). Por isto é a importância de manter
os vidros abertos uns minutos. 
"Por favor, não ligar o ar condicionado ou simplesmente o ar, imediatamente ao se entrar no carro. 
       Primeiramente, devem-se abrir as janelas e depois de um momento, ligar o ar e manter as janelas abertas até uns minutos.
Além de causar câncer, o Benzeno envenena os ossos,  causa anemia e reduz as células brancas do sangue. 
Uma exposição prolongada pode causar Leucemia, incrementando o risco de câncer. 
        Também pode causar um aborto. O nivel apropriado de Benzeno em lugares fechados é de 50 mg/929 cm2. 
 
Assim amigos, por favor, antes de entrar no carro, abrir as janelas e a porta para assim dar tempo a que o ar interior saia e disperse esta toxina mortal.
 
Não se esqueçam de repassar, será muito importante.

 

SUBJECT: Comunicação nativus x modernus
FROM: José Renato Terra <jrma@terra.com.br>
TO: <ciencialist@yahoogrupos.com.br>
DATE: 30/08/2011 21:18

Um vídeo especial para os antropólogos, humanistas, sociólogos, cientistas...
[]s
JR
..............................................................



Tribo Toulambi da Papua Nova Guiné em seu primeiro encontro com o homem branco.
 
Vídeo incrível de 1976.
 
Aparentemente eles pensaram que se tratava de um encontro com alguém morto, logo depois de perceber que era um humano vivo eles tentaram limpar a pele pensando se tratar de cinzas ou algo do tipo. Nao imaginavam que era um homem branco.
 
Lindo ver a reaçao ao se olhar no espelho...O susto e o modo de se proteger com a folha da arvore e se havia alguem atras do homem branco.
 
Mais adiante quando o homem branco serve arroz para eles nada incrível acontece até que ele adiciona sal, então o gosto deixa o índio surpreso.
 

 

 




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Atualizado em 29/08/2011


SUBJECT: Re: Enc: Carros ao Sol
FROM: "roberto" <roberto.takata@bol.com.br>
TO: ciencialist@yahoogrupos.com.br
DATE: 30/08/2011 23:00

Nenhuma referência, letras garrafais e coloridas e pede pra repassar. Pode descartar sem dó.

Confunde *micro*grama com *mili*grama... E confunde voláteis orgânicos (VOC) *totais* com benzeno.

Apenas pra efeito de argumentação:
" Static vehicle testing demonstrated TVOC levels of approximately 400 – 800 &#956;g/m3 at warm interior vehicle temperatures ( approximately 80oF), whereas TVOCs at least fivefold higher were observed under extreme heat conditions( e.g., up to 145oF)."
http://www.environmental-expert.com/Files%5C7588%5Carticles%5C2970%5C4.pdf

"The highest in-vehicle benzene concentration measured during these malfunctions was 45.2 &#956;g/m3"
http://pubs.acs.org/doi/abs/10.1021/es950225n

"A recent study in California (D. Shikiya, unpublished data) indicates that automobile interior concentrations of benzene during commutes in Los Angeles average about 13 ppb (40 pg/m3)."
http://onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1111/j.1539-6924.1990.tb01020.x/abstract

----------
O benzeno, no entanto, de fato é carcinogênico e de ação cumulativa. A OMS diz que não há níveis seguros.
http://www.euro.who.int/__data/assets/pdf_file/0005/74732/E71922.pdf

Em condições estáticas, o benzeno corresponde por cerca de 1/9 dos CVO no interior do veículo.

[]s,

Roberto Takata

--- Em ciencialist@yahoogrupos.com.br, Belmiro Wolski <belmirow@...> escreveu
>
>       Mais uma da internet! Especialistas., pronunciem-se por favor.
>  
>       [],s
>  
>       Belmiro
>
> ----- Mensagem encaminhada -----
> De: anastasia besciak <anastasiabesciak@...>
> Para:
> Enviadas: Terça-feira, 30 de Agosto de 2011 19:41
> Assunto: FW: Carros ao Sol
>
> Anastásia 
>  
>
>
>  
>
>
>
>
> >
> > 
> >
> >
> >Carros Estacionados no SolPara:
> >                                                                                  CARROS ESTACIONADOS AO SOL....
> >  Preste atenção!!! Isto é importante! 
> > 
> >Um carro estacionado na sombra durante um dia com as janelas fechadas pode conter de 400-800 mg. de Benzeno. Se esta no sol a uma temperatura superior a 16º C., o nível de Benzeno subirá a 2000-4000 mg, 40 vezes mais o nível aceitável... 
> >                         
> >       A pessoa que entra no carro mantendo as janelas fechadasinevitavelmente aspirará em rápida sucessão, excessivas quantidades desta toxina. 
> >
> >       O Benzeno é uma toxina que afeta o rim e o fígado. E o que é pior, é extremamente difícil para o organismo expulsar esta substancia tóxica.
> >
> > Ar condicionado ou ar simples dos  Automóveis              
> >
> >
> >O manual do condutor indica que antes de ligar o ar condicionado, deve-se primeiramente abrir as janelas e deixá-las assim por um tempo de dois minutos, porém não especificam "o porquê", só deixam entender que é para seu "melhor funcionamento".
> >           Aqui vem a razão médica: 
> >         De acordo com um estudo realizado, o ar refrescante antes de sair frio, manda todo o ar do plástico quente o qual libera Benzeno, que causa câncer (leva-se um tempo para dar se conta do odor do plástico quente no carro). Por isto é a importância de manter os vidros abertos uns minutos. 
> >"Por favor, não ligar o ar condicionado ou simplesmente o ar, imediatamente ao se entrar no carro. 
> >       Primeiramente, devem-se abrir as janelas e depois de um momento, ligar o ar e manter as janelas abertas até uns minutos.
> >Além de causar câncer, o Benzeno envenena os ossos,  causa anemia e reduz as células brancas do sangue. 
> >Uma exposição prolongada pode causar Leucemia, incrementando o risco de câncer. 
> >        Também pode causar um aborto. O nivel apropriado de Benzeno em lugares fechados é de 50 mg/929 cm2. 
> > 
> >Assim amigos, por favor, antes de entrar no carro, abrir as janelas e a porta para assim dar tempo a que o ar interior saia e disperse esta toxina mortal.
> > 
> >Não se esqueçam de repassar, será muito importante.
> >
> >
>




SUBJECT: RES: [ciencialist] Comunicação nativus x modernus
FROM: "JVictor" <j.victor.neto@uol.com.br>
TO: <ciencialist@yahoogrupos.com.br>
DATE: 31/08/2011 00:18

Caro Renato,

 

Este vídeo não é só para as classes que você citou. Mas  para todos.

Fiquei deveras perplexo e, sem exageros, extasiado. Não lembro de nada que me tenha tocado tanto.

Só espero que o contato conosco, cá da outra civilização, já não haja destruído aquele povo simples e ignorante(de nosso ponto de vista, claro) ou mesmo...corrompido-o.

Esta postagem, em minha opinião, é uma das melhores contribuições que alguém já disponibilizou por aqui.

Obrigado e parabéns.

 

Mas, como estará aquele povo simples, hoje, após o contato com o cara-pálida?

 

Sds,

Victor.

 

De: ciencialist@yahoogrupos.com.br [mailto:ciencialist@yahoogrupos.com.br] Em nome de José Renato Terra
Enviada em: terça-feira, 30 de agosto de 2011 21:19
Para: ciencialist@yahoogrupos.com.br
Assunto: [ciencialist] Comunicação nativus x modernus

 

 

Um vídeo especial para os antropólogos, humanistas, sociólogos, cientistas...

[]s

JR

..............................................................

 

 

Tribo Toulambi da Papua Nova Guiné em seu primeiro encontro com o homem branco.

 

Vídeo incrível de 1976.

 

Aparentemente eles pensaram que se tratava de um encontro com alguém morto, logo depois de perceber que era um humano vivo eles tentaram limpar a pele pensando se tratar de cinzas ou algo do tipo. Nao imaginavam que era um homem branco.

 

Lindo ver a reaçao ao se olhar no espelho...O susto e o modo de se proteger com a folha da arvore e se havia alguem atras do homem branco.

 

Mais adiante quando o homem branco serve arroz para eles nada incrível acontece até que ele adiciona sal, então o gosto deixa o índio surpreso.

 

 

 

 

 


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Atualizado em 29/08/2011


SUBJECT: Tribo Toulambi
FROM: "JVictor" <j.victor.neto@uol.com.br>
TO: <ciencialist@yahoogrupos.com.br>
DATE: 31/08/2011 03:29

Sobre a tribo e nômade e desconhecida, indago:

 

1 – Como terá surgido um povo assim? Ok, ok, a partir de um casal da mesma espécie. Mas... aí  volta a pergunta para a gênese  casal, and so on.

2- Estariam ainda em estágio de evolução? Creio que sim. E creio também que a mudança  do meio em que vivem aceleraria o processo.

     Só fico imaginando como eram eles há umas centenas ou milhares de anos.

3- O meio certamente contribuiu para o estado evolutivo atual. Mas nenhum povo começou a  partir de considerações ambientais melhores.

Então?

Este assunto, até por dizer respeito a nós outros, em minha opinião, deveria ser melhor estudado e comentários sobre o fato seriam muito bem vindos. E digo isso pois sabemos que há especialistas, ou mais sabidos, nessa área, por aqui. Que  se pronunciem pelamordegod.

Afinal, nem só de física vive o homem.

 

Sds,

 

Victor.


SUBJECT: TreliçaPet versão 2.0 e HexaPet versão 2.0
FROM: Tipoalgo <tipoalgo@gmail.com>
TO: ciencialist@yahoogrupos.com.br
DATE: 31/08/2011 07:37

Olá a todos.

Duas estruturas que podem ser úteis:

 
Abraços
tipoalgo   @   gmail   .  com



SUBJECT: Re: [ciencialist] Tribo Toulambi
FROM: jeff@jeff.com.br
TO: ciencialist@yahoogrupos.com.br
DATE: 31/08/2011 09:51

>
> 1 – Como terá surgido um povo assim? Ok, ok, a partir de um casal
> da mesma espécie. Mas... aí volta a pergunta para a gênese casal,
>and so on.
>


Pelo cara deles parecem ser "Negritos", povo que parece estar alí há
dezenas de milhares de anos!


>
> 2- Estariam ainda em estágio de evolução? Creio que sim. E creio
> também que a mudança do meio em que vivem aceleraria o processo.
>


Todas as populações de todas as espécies estão e sempre estarão em
"estágio de evolução"! :)


>
> Só fico imaginando como eram eles há umas centenas ou milhares de anos.
>


Provavelmente do mesmo jeito! :)


>
> 3- O meio certamente contribuiu para o estado evolutivo atual.
> Mas nenhum povo começou a partir de considerações ambientais
> melhores.
>
> Então?
>


Não entendí! :)


>
> Este assunto, até por dizer respeito a nós outros, em minha
> opinião, deveria ser melhor estudado e comentários sobre o
> fato seriam muito bem vindos.
> E digo isso pois sabemos que há especialistas, ou mais sabidos,
> nessa área, por aqui. Que se pronunciem pelamordegod.
>


Eu sou bastante interessado nessa área também!


>
> Afinal, nem só de física vive o homem.
>


É verdade, eu já ia sugerir mudar o nome da lista pra Física-List! :)


>
> Sds,
>
> Victor.
>



SUBJECT: Re: [ciencialist] Doenças Mentais, Teorias e Tratamentos
FROM: "Luiz Ferraz Netto" <leobarretos@uol.com.br>
TO: <ciencialist@yahoogrupos.com.br>
DATE: 31/08/2011 10:30


Os U.S.A. constituem um país livre, logo, com todo direito de terem todas as doenças que quiserem. No capitalismo, onde a exploração da espécie atinge a própria espécie, todos devem ter seu 'psicólogo'; de cada dois americanos do norte, um é 'psicoxxxxx', o outro é doente mental.
Vamos dar a eles mais uma década ... e veremos o que sobra.
 
[]´
     ===========================
            Luiz Ferraz Netto [Léo] 
        leo@feiradeciencias.com.br
           leobarretos@uol.com.br
         luizferraz.netto@gmail.com
     http://www.feiradeciencias.com.br
     ===========================
----- Original Message -----
From: luiz silva
Sent: Tuesday, August 30, 2011 3:50 PM
Subject: [ciencialist] Doenças Mentais, Teorias e Tratamentos

 

Pessoal,
 
Gostaria da opinião de vcs sobre o texto que foi postado em outro forum (estou sem a fonte original, mas acho que foi alguma reportagem em algum jornal de expressão - o que não quer dizer muita coisa).
 

Parece que os americanos estão em meio a uma violenta epidemia de doenças mentais. A quantidade de pessoas incapacitadas por transtornos mentais, e com direito a receber a renda de seguridade suplementar ou o seguro por incapacidade, aumentou quase duas vezes e meia entre 1987 e 2007 – de 1 em cada 184 americanos passou para 1 em 76.

No que se refere às crianças, o número é ainda mais espantoso: um aumento de 35 vezes nas mesmas duas décadas. A doença mental é hoje a principal causa de incapacitação de crianças, bem à frente de deficiências físicas como a paralisia cerebral ou a síndrome de Down.

Um grande estudo de adultos (selecionados aleatoriamente), patrocinado pelo Instituto Nacional de Saúde Mental, realizado entre 2001 e 2003, descobriu que um percentual assombroso de 46% se encaixava nos critérios estabelecidos pela Associação Americana de Psiquiatria, por ter tido em algum momento de suas vidas pelo menos uma doença mental, entre quatro categorias.

As categorias seriam “transtornos de ansiedade”, que incluem fobias e estresse pós-traumático; “transtornos de humor”, como depressão e transtorno bipolar; “transtornos de controle dos impulsos”, que abrangem problemas de comportamento e de déficit de atenção/hiperatividade; e “transtornos causados pelo uso de substâncias”, como o abuso de álcool e drogas. A maioria dos pesquisados se encaixava em mais de um diagnóstico.

O tratamento médico desses transtornos quase sempre implica o uso de drogas psicoativas, os medicamentos que afetam o estado mental.Na verdade, a maioria dos psiquiatras usa apenas remédios no tratamento e encaminha os pacientes para psicólogos ou terapeutas se acha que uma psicoterapia é igualmente necessária.

A substituição da “terapia de conversa” pela das drogas como tratamento majoritário coincide com o surgimento, nas últimas quatro décadas, da teoria de que as doenças mentais são causadas por desequilíbrios químicos no cérebro, que podem ser corrigidos pelo uso de medicamentos. Essa teoria passou a ser amplamente aceita pela mídia e pelo público, bem como pelos médicos, depois que o Prozac chegou ao mercado, em 1987, e foi intensamente divulgado como um corretivo para a deficiência de serotonina no cérebro.

O número de pessoas depressivas tratadas triplicou nos dez anos seguintes e, hoje, cerca de 10% dos americanos com mais de 6 anos de idade tomam antidepressivos. O aumento do uso de drogas para tratar a psicose é ainda mais impressionante. A nova geração de antipsicóticos, como o Risperdal, o Zyprexa e o Seroquel, ultrapassou os redutores do colesterol no topo da lista de remédios mais vendidos nos Estados Unidos.

O que está acontecendo? A preponderância das doenças mentais sobre as físicas é de fato tão alta, e continua a crescer? Se os transtornos mentais são biologicamente determinados e não um produto de influências ambientais, é plausível supor que o seu crescimento seja real? Ou será que estamos aprendendo a diagnosticar transtornos mentais que sempre existiram? Ou, por outro lado, será que simplesmente ampliamos os critérios para definir as doenças mentais, de modo que quase todo mundo agora sofre de uma delas? E o que dizer dos medicamentos que viraram a base dos tratamentos? Eles funcionam? E, se funcionam, não deveríamos esperar que o número de doentes mentais estivesse em declínio e não em ascensão?

Essas são as questões que preocupam os autores de três livros provocativos, aqui analisados. Eles vêm de diferentes formações: Irving Kirsch é psicólogo da Universidade de Hull, no Reino Unido; Robert Whitaker é jornalista; e Daniel Carlat é um psiquiatra que clinica num subúrbio de Boston.

Os autores enfatizam diferentes aspectos da epidemia de doença mental. Kirsch está preocupado em saber se os antidepressivos funcionam. Whitaker pergunta se as drogas psicoativas não criam problemas piores do que aqueles que resolvem. Carlat examina como a sua profissão se aliou à indústria farmacêutica e é manipulada por ela. Mas, apesar de suas diferenças, os três estão de acordo sobre algumas questões importantes.

Em primeiro lugar, concordam que é preocupante a extensão com a qual as empresas que vendem drogas psicoativas – por meio de várias formas de marketing, tanto legal como ilegal, e usando o que muita gente chamaria de suborno – passaram a determinar o que constitui uma doença mental e como os distúrbios devem ser diagnosticados e tratados.

Em segundo lugar, nenhum dos três aceita a teoria de que a doença mental é provocada por um desequilíbrio químico no cérebro. Whitaker conta que essa teoria surgiu pouco depois que os remédios psicotrópicos foram introduzidos no mercado, na década de 50. O primeiro foi o Amplictil (clorpromazina), lançado em 1954, que rapidamente passou a ser muito usado em hospitais psiquiátricos, para acalmar pacientes psicóticos, sobretudo os com esquizofrenia. No ano seguinte, chegou o Miltown (meprobamato), vendido para tratar a ansiedade em pacientes ambulatoriais. Em 1957, o Marsilid (iproniazid) entrou no mercado como um “energizador psíquico” para tratar a depressão.

Desse modo, no curto espaço de três anos, tornaram-se disponíveis medicamentos para tratar aquelas que, na época, eram consideradas as três principais categorias de doença mental – ansiedade, psicose e depressão – e a psiquiatria transformou-se totalmente. Essas drogas, no entanto, não haviam sido desenvolvidas para tratar doenças mentais. Elas foram derivadas de remédios destinados ao combate de infecções, e se descobriu por acaso que alteravam o estado mental.

No início, ninguém tinha ideia de como funcionavam. Elas simplesmente embotavam sintomas mentais perturbadores. Durante a década seguinte, pesquisadores descobriram que essas drogas afetavam os níveis de certas substâncias químicas no cérebro.

Um pouco de pano de fundo, e necessariamente muito simplificado: o cérebro contém bilhões de células nervosas, os neurônios, distribuídos em redes complexas, que se comunicam uns com os outros constantemente. O neurônio típico tem múltiplas extensões filamentosas (uma chamada axônio e as outras chamadas dendritos), por meio das quais ele envia e recebe sinais de outros neurônios. Para um neurônio se comunicar com outro, no entanto, o sinal deve ser transmitido através do minúsculo espaço que os separa, a sinapse. Para conseguir isso, o axônio do neurônio libera na sinapse uma substância química chamada neurotransmissor.

O neurotransmissor atravessa a sinapse e liga-se a receptores no segundo neurônio, muitas vezes um dendrito, ativando ou inibindo a célula receptora. Os axônios têm vários terminais e, desse modo, cada neurônio tem múltiplas sinapses. Depois, o neurotransmissor é reabsorvido pelo primeiro neurônio ou metabolizado pelas enzimas, de tal modo que o status quo anterior é restaurado.

Quando se descobriu que as drogas psicoativas afetam os níveis de neurotransmissores, surgiu a teoria de que a causa da doença mental é uma anormalidade na concentração cerebral desses elementos químicos, a qual é combatida pelo medicamento apropriado.

Por exemplo: como o Thorazine diminui os níveis de dopamina no cérebro, postulou-se que psicoses como a esquizofrenia são causadas ​​por excesso de dopamina. Ou então: tendo em vista que alguns antidepressivos aumentam os níveis do neurotransmissor chamado serotonina, defendeu-se que a depressão é causada pela escassez de serotonina. Antidepressivos como o Prozac ou o Celexa impedem a reabsorção de serotonina pelos neurônios que a liberam, e assim ela permanece mais nas sinapses e ativa outros neurônios. Desse modo, em vez de desenvolver um medicamento para tratar uma anormalidade, uma anormalidade foi postulada para se adequar a um medicamento.

Trata-se de uma grande pirueta lógica, como apontam os três autores. Era perfeitamente possível que as drogas que afetam os níveis dos neurotransmissores pudessem aliviar os sintomas, mesmo que os neurotransmissores não tivessem nada a ver com a doença. Como escreve Carlat: “Por essa mesma lógica, se poderia argumentar que a causa de todos os estados de dor é uma deficiência de opiáceos, uma vez que analgésicos narcóticos ativam os receptores de opiáceos do cérebro.” Ou, do mesmo modo, se poderia dizer que as febres são causadas pela escassez de aspirina.

Mas o principal problema com essa teoria é que, após décadas tentando prová-la, os pesquisadores ainda estão de mãos vazias. Os três autores documentam o fracasso dos cientistas para encontrar boas provas a seu favor. Antes do tratamento, a função dos neurotransmissores parece ser normal nas pessoas com doença mental. Nas palavras de Whitaker:

Antes do tratamento, os pacientes diagnosticados com depressão, esquizofrenia e outros transtornos psiquiátricos não sofrem nenhum “desequilíbrio químico”. No entanto, depois que uma pessoa passa a tomar medicação psiquiátrica, que perturba a mecânica normal de uma via neuronal, seu cérebro começa a funcionar... anormalmente.

Carlat refere-se à teoria do desequilíbrio químico como um “mito” (que ele chama de “conveniente” porque reduziria o estigma da doença mental). E Kirsch,cujo livro centra-se na depressão, resume a questão assim: “Parece fora de dúvida que o conceito tradicional de considerar a depressão como um desequilíbrio químico no cérebro está simplesmente errado.” (O motivo da persistência dessa teoria, apesar da falta de provas, é um tema que tratarei adiante.)

Os remédios funcionam? Afinal de contas, independentemente da teoria, essa é a questão prática. Em seu livro seco e extremamente cativante, The Emperor’s New Drugs [As Novas Drogas do Imperador], Kirsch descreve os seus quinze anos de pesquisa científica para responder a essa pergunta, no que diz respeito aos antidepressivos.

Quando começou o trabalho em 1995, seu principal interesse eram os efeitos de placebos. Para estudá-los, ele e um colega revisaram 38 ensaios clínicos que comparavam vários tratamentos da depressão com placebos, ou comparavam a psicoterapia com nenhum tratamento. A maioria dessas experiências durava de seis a oito semanas, e durante esse período os pacientes tendiam a melhorar um pouco, mesmo se não tivessem nenhum tratamento.

Mas Kirsch descobriu que os placebos eram três vezes mais eficazes do que a ausência de tratamento. Isso não o surpreendeu. O que o surpreendeu mesmo foi que os antidepressivos foram apenas marginalmente mais úteis do que os placebos: 75% dos placebos foram tão eficazes quanto os antidepressivos. Kirsch resolveu então repetir o estudo, dessa vez com a análise de um conjunto de dados mais completo e padronizado.

Os dados que ele usou foram obtidos da Food and Drug Administration, a FDA [o órgão público americano encarregado do licenciamento e controle de medicamentos]. Quando buscam a aprovação da FDA para comercializar um novo remédio, os laboratórios farmacêuticos devem apresentar à agência todos os testes clínicos que patrocinaram. Os testes são geralmente duplo-cego e controlados com placebo. Ou seja: os pacientes participantes recebem aleatoriamente a droga ou o placebo, e nem eles nem os seus médicos sabem o que receberam.

Os pacientes são informados de que receberão ou um medicamento ativo ou um placebo. E também são avisados dos efeitos colaterais que podem ocorrer. Se dois testes comprovam que o medicamento é mais eficaz do que o placebo, ele é geralmente aprovado. Mas os laboratórios podem patrocinar quantos testes quiserem, e a maioria deles pode dar negativo – isto é, não mostrar a eficácia do remédio. Tudo o que eles precisam é de dois testes com resultados positivos. (Os resultados dos testes de um mesmo medicamento podem variar por muitas razões, entre elas a forma como o ensaio foi concebido e realizado, seu tamanho e os tipos de pacientes pesquisados.)

Por razões óbvias, as indústrias farmacêuticas fazem questão de que seus testes positivos sejam publicados em revistas médicas, e os médicos fiquem sabendo deles. Já os testes negativos ficam nas gavetas da FDA, que os considera propriedade privada e, portanto, confidenciais. Essa prática distorce a literatura médica, o ensino da medicina e as decisões de tratamento.

irsch e seus colegas usaram a Lei de Liberdade de Informação para obter as revisões da FDA de todos os testes clínicos controlados por placebo, positivos ou negativos, submetidos para a aprovação dos seis antidepressivos mais utilizados, aprovados entre 1987 e 1999: Prozac, Paxil, Zoloft, Celexa, Serzone e Effexor.

Ao todo, havia 42 testes das seis drogas. A maioria deles era negativo. No total, os placebos eram 82% tão eficazes quanto os medicamentos, tal como medido pela Escala de Depressão de Hamilton, uma classificação dos sintomas de depressão amplamente utilizada. A diferença média entre remédio e placebo era de apenas 1,8 ponto na Escala, uma diferença que, embora estatisticamente significativa, era insignificante do ponto de vista clínico. Os resultados foram quase os mesmos para as seis drogas: todos igualmente inexpressivos. No entanto, como os estudos positivos foram amplamente divulgados, enquanto os negativos eram escondidos, o público e os médicos passaram a acreditar que esses medicamentos antidepressivos eram altamente eficazes.

Kirsch ficou impressionado com outro achado inesperado. Em seu estudo anterior, e em trabalhos de outros, observara que até mesmo tratamentos com substâncias que não eram consideradas antidepressivas – como hormônio sintético da tireoide, opiáceos, sedativos, estimulantes e algumas ervas medicinais – eram tão eficazes quanto os antidepressivos para aliviar os sintomas da depressão. Kirsch escreve: “Quando administrados como antidepressivos, remédios que aumentam, diminuem ou não têm nenhuma influência sobre a serotonina aliviam a depressão mais ou menos no mesmo grau.”

O que todos esses medicamentos “eficazes” tinham em comum era que produziam efeitos colaterais, sobre os quais os pacientes participantes haviam sido informados de que poderiam ocorrer.

Diante da descoberta de que quase qualquer comprimido com efeitos colaterais era ligeiramente mais eficaz no tratamento da depressão do que um placebo, Kirsch especulou que a presença de efeitos colaterais em indivíduos que recebem medicamentos lhes permitia adivinhar que recebiam tratamento ativo – e isso foi corroborado por entrevistas com pacientes e médicos –, o que os tornava mais propensos a relatar uma melhora. Ele sugere que a razão pela qual os antidepressivos parecem funcionar melhor no alívio de depressão grave do que em casos menos graves é que os pacientes com sintomas graves provavelmente tomam doses mais elevadas e, portanto, sofrem mais efeitos colaterais.

Para investigar melhor se os efeitos colaterais distorciam as respostas, Kirsch analisou alguns ensaios que utilizaram placebos “ativos”, em vez de inertes. Um placebo ativo é aquele que produz efeitos colaterais, como a atropina – droga que bloqueia a ação de certos tipos de fibras nervosas. Apesar de não ser um antidepressivo, a atropina causa, entre outras coisas, secura da boca. Em testes utilizando atropina como placebo, não houve diferença entre os antidepressivos e o placebo ativo. Todos tinham efeitos colaterais, e todos relataram o mesmo nível de melhora.

Kirsch registrou outras descobertas estranhas em testes clínicos de antidepressivos, entre elas o fato de que não há nenhuma curva de dose-resposta, ou seja, altas doses não funcionavam melhor do que as baixas, o que é extremamente improvável para medicamentos eficazes.

“Ao se juntar tudo isso”, escreve Kirsch,“chega-se à conclusão de que a diferença relativamente pequena entre medicamentos e placebos pode não ser um efeito verdadeiro do remédio. Em vez disso, pode ser um efeito placebo acentuado, produzido pelo fato de que alguns pacientes passaram a perceber que recebiam medicamentos ou placebos. Se este for o caso, então não há nenhum efeito antidepressivo dos medicamentos. Em vez de compararmos placebo com remédio, estávamos comparando placebos ‘normais’ com placebos ‘extrafortes’.”

Trata-se de uma conclusão surpreendente, que desafia a opinião médica, mas Kirsch chega a ela de uma forma cuidadosa e lógica. Psiquiatras que usam antidepressivos – e isso significa a maioria deles – e pacientes que os tomam talvez insistam que sabem por experiência clínica que os medicamentos funcionam.

Mas casos individuais são uma forma traiçoeira de avaliar tratamentos médicos, pois estão sujeitos a distorções. Eles podem sugerir hipóteses a serem estudadas, mas não podem prová-las. É por isso que o desenvolvimento do teste clínico duplo-cego, aleatório e controlado com placebo, foi um avanço tão importante na ciência médica, em meados do século passado. Histórias sobre sanguessugas, megadoses de vitamina cou vários outros tratamentos populares não suportariam o escrutínio de testes bem planejados. Kirsch é um defensor devotado do método científico e sua voz, portanto, traz objetividade a um tema muitas vezes influenciado por subjetividade, emoções ou, como veremos, interesse pessoal.

O livro de Whitaker, Anatomy of an Epidemic [Anatomia de uma Epidemia], é mais amplo e polêmico. Ele leva em conta todas as doenças mentais, não apenas a depressão. EnquantoKirsch conclui que os antidepressivos não são provavelmente mais eficazes do que placebos, Whitaker conclui que eles e a maioria das drogas psicoativas não são apenas ineficazes, mas prejudiciais. Whitaker começa por observar que, se o tratamento de doenças mentais por meio de medicamentos disparou, o mesmo aconteceu com as patologias tratadas:

O número de doentes mentais incapacitados aumentou imensamente desde 1955 e durante as duas últimas décadas, período em que a prescrição de medicamentos psiquiátricos explodiu e o número de adultos e crianças incapacitados por doença mental aumentou numa taxa alucinante. Assim, chegamos a uma pergunta óbvia, embora herética: o paradigma de tratamento baseado em drogas poderia estar alimentando, de alguma maneira imprevista, essa praga dos tempos modernos?

Além disso, Whitaker sustenta que a história natural da doença mental mudou. Enquanto transtornos como esquizofrenia e depressão eram outrora episódicos, e cada episódio durava não mais de seis meses, sendo intercalado por longos períodos de normalidade, os distúrbios agora são crônicos e duram a vida inteira. Whitaker acredita que isso talvez aconteça porque os medicamentos, mesmo aqueles que aliviam os sintomas em curto prazo, causam em longo prazo danos mentais que continuam depois que a doença teria naturalmente se resolvido.

As provas que ele apresenta para essa teoria variam em qualidade. Whitaker não reconhece suficientemente a dificuldade de estudar a história natural de qualquer doença durante um período de cinquenta anos, no qual muitas circunstâncias mudaram, além do uso de medicamentos. É ainda mais difícil comparar resultados de longo prazo de pacientes tratados e não tratados. No entanto, os indícios de Whitaker são sugestivos, se não conclusivos.

Se as drogas psicoativas causam danos, como afirma Whitaker, qual é o seu mecanismo? A resposta, ele acredita, encontra-se em seus efeitos sobre os neurotransmissores. É bem sabido que as drogas psicoativas perturbam os neurotransmissores, mesmo que essa não seja a causa primeira da doença.

Whitaker descreve uma cadeia de efeitos. Quando, por exemplo, um antidepressivo como o Celexa aumenta os níveis de serotonina nas sinapses, ele estimula mudanças compensatórias por meio de um processo chamado feedback negativo. Em reação aos altos níveis de serotonina, os neurônios que a secretam liberam menos dela, e os neurônios pós-sinápticos tornam-se insensíveis a ela. Na verdade, o cérebro está tentando anular os efeitos da droga. O mesmo vale para os medicamentos que bloqueiam neurotransmissores, exceto no sentido inverso.

A maioria dos antipsicóticos, por exemplo, bloqueia a dopamina, mas os neurônios pré-sinápticos compensam isso liberando mais dopamina, e os neurônios pós-sinápticos a aceitam com mais avidez.

As consequências do uso prolongado de drogas psicoativas, nas palavras de Steve Hyman, até recentemente reitor da Universidade de Harvard, são “alterações substanciais e de longa duração na função neural”.

Depois de várias semanas de drogas psicoativas, os esforços de compensação do cérebro começam a falhar e surgem efeitos colaterais que refletem o mecanismo de ação dos medicamentos. Antipsicóticos causam efeitos secundários que se assemelham ao mal de Parkinson, por causa do esgotamento de dopamina (que também se esgota no Parkinson). À medida que surgem efeitos colaterais, eles são tratados por outros medicamentos, e muitos pacientes acabam tomando um coquetel de drogas psicoativas, prescrito para um coquetel de diagnósticos. Os episódios de mania causada por antidepressivos podem levar a um novo diagnóstico de “transtorno bipolar” e ao tratamento com um “estabilizador de humor”, como Depokote (anticonvulsivo), acompanhado de uma das novas drogas antipsicóticas. E assim por diante.

A respeitada pesquisadora Nancy Andreasen e seus colegas publicaram indícios de que o uso de antipsicóticos está associado ao encolhimento do cérebro, e que o efeito está diretamente relacionado à dose e à duração do tratamento. Como Andreasen explicou ao New York Times: “O córtex pré-frontal não obtém o que precisa e vai sendo fechado pelos medicamentos. Isso reduz os sintomas psicóticos. E faz também com que o córtex pré-frontal se atrofie lentamente.”

Largar os remédios é extremamente difícil, segundo Whitaker, porque quando eles são retirados, os mecanismos compensatórios ficam sem oposição. Quando se retira o Celexa, os níveis de serotonina caem bruscamente porque os neurônios pré-sinápticos não estão liberando quantidades normais. Da mesma forma, quando se suspende um antipsicótico, os níveis de dopamina podem disparar.Os sintomas produzidos pela retirada de drogas psicoativas são confundidos com recaídas da doença original, o que pode levar psiquiatras a retomar o tratamento com remédios, talvez em doses mais elevadas.

Whitaker está indignado com o que considera uma epidemia iatrogênica (isto é, introduzida inadvertidamente pelos médicos) de disfunção cerebral, especialmente a causada pelo uso generalizado dos novos antipsicóticos, como o Zyprexa, que provoca graves efeitos colaterais. Eis o que ele chama de “experimento de pensamento rápido”:

Imagine que aparece de repente um vírus que faz com que as pessoas durmam doze, catorze horas por dia. As pessoas infectadas se movimentam devagar e parecem emocionalmente desligadas. Muitas ganham quantidades imensas de peso – 10, 20 e até 50 quilos. Os seus níveis de açúcar no sangue disparam, assim como os de colesterol.

Vários dos atingidos pela doença misteriosa – entre eles, crianças e adolescentes – se tornam diabéticos. O governo federal dá centenas de milhões de dólares aos cientistas para decifrar o funcionamento do vírus, e eles relatam que ele bloqueia uma multidão de receptores no cérebro. Enquanto isso, exames de ressonância magnética descobrem que, ao longo de vários anos, o vírus encolhe o córtex cerebral, e esta diminuição está ligada ao declínio cognitivo. O público aterrorizado clama por uma cura.

Ora, essa doença está, de fato, atingindo milhões de crianças e adultos. Acabamos de descrever os efeitos do antipsicótico Zyprexa, um dos mais vendidos do laboratório Eli Lilly.

eon Eisenberg, professor da Universidade Johns Hopkins e da Escola de Medicina de Harvard, escreveu que a psiquiatria americana passou,no final do século XX, de uma fase “descerebrada” para uma “desmentalizada”. Ele quis dizer que, antes das drogas psicoativas, os psiquiatras tinham pouco interesse por neurotransmissores ou outros aspectos físicos do cérebro. Em vez disso, aceitavam a visão freudiana de que a doença mental tinha suas raízes em conflitos inconscientes, geralmente com origem na infância, que afetavam a mente como se ela fosse separada do cérebro.

Com a entrada em cena dessas drogas, na década de 50 – processo que se acelerou na década de 80 –, o foco mudou para o cérebro. Os psiquiatras começaram a se referir a si mesmos como psicofarmacologistas, e se interessaram cada vez menos pelas histórias de vida dos pacientes.

A preocupação deles era eliminar ou reduzir os sintomas, tratando os pacientes com medicamentos que alterariam a função cerebral. Tendo sido um dos primeiros defensores do modelo biológico de doença mental, Eisenberg veio a se tornar um crítico do uso indiscriminado de drogas psicoativas, impulsionado pelas maquinações da indústria farmacêutica.

Quando as drogas psicoativas surgiram, houve um período de otimismo na profissão psiquiátrica, mas na década de 70 o otimismo deu lugar a uma sensação de ameaça. Ficaram claros os graves efeitos colaterais dos medicamentos e um movimento de antipsiquiatria lançou raízes, como exemplificam os escritos de Thomas Szasz e o filme Um Estranho no Ninho.

Havia também a concorrência crescente de psicólogos e terapeutas. Além disso, os psiquiatras sofreram divisões internas: alguns abraçaram o modelo biológico, outros se agarraram ao modelo freudiano, e uns poucos viam a doença mental como uma resposta sadia a um mundo insano. Ademais, dentro da medicina, os psiquiatras eram considerados uma espécie de parentes pobres: mesmo com suas novas drogas, eram vistos como menos científicos do que os outros especialistas, e sua renda era geralmente mais baixa.

No final da década de 70, os psiquiatras contra-atacaram, e com força. Como conta Robert Whitaker em Anatomy of an Epidemic, o diretor médico da Associação Americana de Psiquiatria, Melvin Sabshin, declarou, em 1977: “Devemos apoiar fortemente um esforço vigoroso para remedicalizar a psiquiatria.” E lançou uma campanha maciça de relações públicas para fazer exatamente isso.

A psiquiatria detinha uma arma poderosa, que seus concorrentes não podiam ter. Como cursaram medicina, os psiquiatras têm autoridade legal para escrever receitas.

Ao abraçar o modelo biológico de doença mental, e o uso de drogas psicoativas para tratá-la, a psiquiatria conseguiu relegar os outros prestadores de serviços de saúde mental para cargos secundários. E se apresentou também como uma disciplina científica. E, o que é mais importante, ao enfatizar o tratamento medicamentoso, a psiquiatria tornou-se a queridinha da indústria farmacêutica, que logo tornou tangível sua gratidão.

A Associação Americana de Psiquiatria, a APA, estava preparando então a terceira edição do Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais, o DSM, que estabelece os critérios de diagnóstico para todos os transtornos mentais. O presidente da Associação havia indicado Robert Spitzer, eminente professor de psiquiatria da Universidade de Columbia, para chefiar a força-tarefa que supervisionaria o Manual.

As duas primeiras edições, publicadas em 1952 e 1968, refletiam a visão freudiana da doença mental, e eram pouco conhecidas fora da profissão. Spitzer decidiu fazer da terceira edição, o DSM-III, algo bem diferente. Ele prometeu que o Manual seria “uma defesa do modelo médico aplicado a problemas psiquiátricos”, e o presidente da Associação, Jack Weinberg, disse que ele “deixaria claro para quem tivesse dúvidas que consideramos a psiquiatria uma especialidade da medicina”.

Quando foi publicado, em 1980, o DSM-III continha 265 diagnósticos (acima dos 182 da edição anterior) e logo teve um uso quase universal: não apenas por parte de psiquiatras, mas também por companhias de seguros, hospitais, tribunais, prisões, escolas, pesquisadores, agências governamentais e médicos de todas as especialidades. Seu principal objetivo era trazer coerência (normalmente chamada de “confiabilidade”) ao diagnóstico psiquiátrico. Ou seja, garantir que os psiquiatras que viam o mesmo paciente concordassem com o diagnóstico. Para isso, cada diagnóstico era definido por uma lista de sintomas, com limites numéricos. Por exemplo, ter pelo menos cinco de nove sintomas determinados garantia ao paciente um diagnóstico definitivo de episódio depressivo dentro da ampla categoria de “transtornos do humor”.

Mas havia outro objetivo: justificar o uso de drogas psicoativas. Com efeito, Carol Bernstein, a presidente da apa, reconheceu isso ao escrever: “Na década de 70, foi preciso facilitar um acordo sobre diagnósticos entre clínicos, cientistas e autoridades reguladoras, dada a necessidade de ligar os pacientes aos novos tratamentos farmacológicos.”

A terceira edição do Manual era talvez mais “confiável” do que as versões anteriores, mas confiabilidade não é a mesma coisa que validade. O termo confiabilidade é usado como sinônimo de “coerência”; validade refere-se à correção ou solidez. Se todos os médicos concordassem que as sardas são um sinal de câncer, o diagnóstico seria “confiável”, mas não válido.

O problema com o Manual é que, em todas as suas edições, ele simplesmente refletia as opiniões de seus autores. E, no caso do DSM-III, sobretudo as opiniões do próprio Spitzer, que foi apontado com justiça como um dos psiquiatras mais influentes do século xx. Em suas palavras, ele “pegou todo mundo com quem se sentia à vontade” para participar da força-tarefa de quinze membros, e houve queixas de que ele convocou poucas reuniões e conduziu o processo de uma maneira desordenada, mas ditatorial.

Num artigo de 1984 intitulado “As desvantagens do DSM-III superam suas vantagens”, George Vaillant, professor de psiquiatria de Harvard, afirmou que o DSM-III representou “uma audaciosa série de escolhas baseadas em palpite, gosto, preconceito e esperança”, o que parece ser uma boa descrição.

  DSM se tornou a bíblia da psiquiatria e, tal como a Bíblia cristã, dependia muito de algo parecido com a fé: não há nele citações de estudos científicos para sustentar suas decisões. É uma omissão espantosa, porque em todas as publicações médicas, sejam revistas ou livros didáticos, as declarações de fatos devem estar apoiadas em referências comprováveis. (Há quatro “livros de consulta” separados para a edição atual do DSM, que apresentam a razão para algumas decisões, junto com referências, mas isso não é a mesma coisa que referências específicas.)

Pode ser de muito interesse para um grupo de especialistas se reunir e dar suas opiniões, mas a menos que essas opiniões possam ser sustentadas por provas, elas não autorizam a deferência extraordinária dedicada ao DSM. “A cada edição subsequente”, escreve Daniel Carlat, “o número de categorias de diagnósticos se multiplicava, e os livros se tornaram maiores e mais caros. Cada um deles se tornou um best-seller, e o DSM é hoje uma das principais fontes de renda da Associação Americana de Psiquiatria.” O Manual atual, o DSM-IV, vendeu mais de 1 milhão de exemplares.

Os laboratórios farmacêuticos passaram a dar toda a atenção e generosidade aos psiquiatras, tanto individual como coletivamente, direta e indiretamente. Choveram presentes e amostras grátis, contratos de consultores e palestrantes, refeições, ajuda para participar de conferências. Quando os estados de Minnesota e Vermont implantaram “leis de transparência”, que exigem que os laboratórios informem todos os pagamentos a médicos, descobriu-se que os psiquiatras recebiam mais dinheiro do que os médicos de qualquer outra especialidade. A indústria farmacêutica também subsidia as reuniões da APA e outras conferências psiquiátricas. Cerca de um quinto do financiamento da APA vem agora da indústria farmacêutica.

Os laboratórios buscam conquistar psiquiatras de centros médicos universitários de prestígio. Chamados pela indústria de “líderes-chave de opinião”, eles são os profissionais que, por meio do que escrevem e ensinam, influenciam o tratamento das doenças mentais. Eles também publicam grande parte da pesquisa clínica sobre medicamentos e, o que é fundamental, determinam o conteúdo do DSM. Em certo sentido, eles são a melhor equipe de vendas que a indústria poderia ter e valem cada centavo gasto com eles. Dos 170 colaboradores da versão atual do DSM, dos quais quase todos poderiam ser descritos como líderes-chave, 95 tinham vínculos financeiros com laboratórios farmacêuticos, inclusive todos os colaboradores das seções sobre transtornos de humor e esquizofrenia.

Carlat pergunta: “Por que os psiquiatras estão na frente de todos os outros especialistas quando se trata de tomar dinheiro de laboratórios?” Sua resposta: “Nossos diagnósticos são subjetivos e expansíveis, e temos poucas razões racionais para a escolha de um tratamento em relação a outro.” Ao contrário das enfermidades tratadas pela maioria dos outros ramos da medicina, não há sinais ou exames objetivos para as doenças mentais – nenhum dado de laboratório ou descoberta por ressonância magnética – e as fronteiras entre o normal e o anormal são muitas vezes pouco claras.

Isso torna possível expandir as fronteiras do diagnóstico ou até mesmo criar novas diagnoses, de uma forma que seria impossível, por exemplo, em um campo como a cardiologia. E as empresas farmacêuticas têm todo o interesse em induzir os psiquiatras a fazer exatamente isso.

Além do dinheiro gasto com os psiquiatras, os laboratórios apoiam muitos grupos de defesa de pacientes e organizações educacionais. Whitaker informa que, somente no primeiro trimestre de 2009, o “Eli Lilly deu 551 mil dólares à Aliança Nacional para Doenças Mentais, 465 mil dólares para a Associação Nacional de Saúde Mental, 130 mil dólares para um grupo de defesa dos pacientes de déficit de atenção/hiperatividade, e 69 250 dólares para a Fundação Americana de Prevenção ao Suicídio”.

E isso foi o que apenas um laboratório gastou em três meses; pode-se imaginar qual deve ser o total anual de todas as empresas que produzem drogas psicoativas. Esses grupos aparentemente existem para conscientizar a opinião pública sobre transtornos psiquiátricos, mas também têm o efeito de promover o uso de drogas psicoativas e influenciar os planos de saúde para cobri-los.

Como a maioria dos psiquiatras, Carlat trata seus pacientes apenas com medicamentos, sem terapia de conversa, e é sincero a respeito das vantagens de fazer isso. Ele calcula que, se atender três pacientes por hora com psicofarmacologia, ganha cerca de 180 dólares por hora dos planos de saúde. Em contrapartida, poderia atender apenas um paciente por hora com terapia de conversa, pela qual os planos lhe pagariam menos de 100 dólares. Carlat não acredita que a psicofarmacologia seja particularmente complicada, muito menos precisa, embora o público seja levado a acreditar que é.

Seu trabalho consiste em fazer aos pacientes uma série de perguntas sobre seus sintomas, para ver se eles combinam com algum dos transtornos catalogados no DSM. Esse exercício de correspondência, diz ele, propicia “a ilusão de que compreendemos os nossos pacientes, quando tudo o que estamos fazendo é atribuir-lhes rótulos”. Muitas vezes os pacientes preenchem critérios para mais de um diagnóstico, porque há sobreposição de sintomas.

Um dos pacientes de Carlat acabou com sete diagnósticos distintos. “Nós miramos sintomas distintos com os tratamentos, e outros medicamentos são adicionados para tratar os efeitos colaterais.” Um paciente típico, diz ele, pode estar tomando Celexa para depressão, Ativan para ansiedade, Ambien para insônia, Provigil para fadiga (um efeito colateral do Celexa) e Viagra para impotência (outro efeito colateral do Celexa).

Quanto aos próprios medicamentos, Carlat escreve que “há apenas um punhado de categorias guarda-chuva de drogas psicotrópicas”, sob as quais os medicamentos não são muito diferentes uns dos outros. Ele não acredita que exista muita base para escolher entre eles. E resume:

Assim é a moderna psicofarmacologia. Guiados apenas por sintomas, tentamos diferentes medicamentos, sem nenhuma concepção verdadeira do que estamos tentando corrigir, ou de como as drogas estão funcionando. Espanto-me que sejamos tão eficazes para tantos pacientes.

Carlat passa então a especular, como Kirsch em The Emperor’s New Drugs, que os pacientes talvez estejam respondendo a um efeito placebo ativado. Se as drogas psicoativas não são tudo o que é alardeado – e os indícios indicam que não são –, o que acontece com os próprios diagnósticos? Como eles se multiplicam a cada edição do DSM?

Em 1999, a APA começou a trabalhar em sua quinta revisão do DSM, programado para ser publicado em 2013. A força-tarefa de 27 membros é chefiada por David Kupfer, professor de psiquiatria da Universidade de Pittsburgh. Tal como nas edições anteriores, a força-tarefa é assessorada por vários grupos de trabalho, que agora totalizam cercade 140 membros, correspondentes às categorias principais de diagnóstico. As deliberações e propostas em curso foram amplamente divulgadas, e parece que a constelação de transtornos mentais vai crescer ainda mais.

Em particular, os limites dos diagnósticos serão ampliados para incluir os precursores dos transtornos, tais como “síndrome do risco de psicose” e “transtorno cognitivo leve” (possível início do mal de Alzheimer). O termo “espectro” é usado para ampliar categorias, e temos,por exemplo, “espectro de transtorno obsessivo-compulsivo”, “transtorno do espectro da esquizofrenia” e “transtorno do espectro do autismo”. E há propostas para a inclusão de distúrbios totalmente novos, como “transtorno hipersexual”, “síndrome das pernas inquietas” e “compulsão alimentar”. Até mesmo Allen Frances, presidente da força-tarefa do DSM-IV, escreveu que a próxima edição do Manual será uma “mina de ouro para a indústria farmacêutica”.

A indústria farmacêutica influencia psiquiatras a receitar drogas psicoativas até mesmo a pacientes para os quais os medicamentos não foram considerados seguros e eficazes. O que deveria preocupar enormemente é o aumento espantoso do diagnóstico e tratamento de doenças mentais em crianças, algumas com apenas 2 anos de idade.

Essas crianças são tratadas muitas vezes com medicamentos que nunca foram aprovados pela FDA para uso nessa faixa etária, e têm efeitos colaterais graves. A prevalência de “transtorno bipolar juvenil” aumentou quarenta vezes entre 1993 e 2004, e a de “autismo” aumentou de 1 em 500 crianças para 1 em 90 ao longo da mesma década. Dez por cento dos meninos de 10 anos de idade tomam agora estimulantes diários para o transtorno de déficit de atenção/hiperatividade.

Seria muito difícil achar uma criança de 2 anos que não seja às vezes irritante, um menino de 5ª série que não seja ocasionalmente desatento, ou uma menina no ensino médio que não seja ansiosa. Rotular essas crianças como tendo um transtorno mental e tratá-las com medicamentos depende muito de quem elas são e das pressões que seus pais enfrentam.

Como as famílias de baixa renda estão passando por dificuldades econômicas

crescentes, muitas descobriram que o pedido de renda de seguridade suplementar com base na invalidez mental é a única maneira de sobreviver. Segundo um estudo da Universidade Rutgers, descobriu-se que crianças de famílias de baixa renda têm quatro vezes mais probabilidade de receber medicamentos antipsicóticos do que crianças com plano de saúde privado.

Os livros de Irving Kirsch, Robert Whitaker e Daniel Carlat são acusações enérgicas ao modo como a psiquiatria é praticada hoje em dia. Eles documentam o “frenesi” do diagnóstico, o uso excessivo de medicamentos com efeitos colaterais devastadores e os conflitos de interesse generalizados. Os críticos podem argumentar, como Nancy

Andreasen o faz em seu artigo sobre a perda de tecido cerebral no tratamento antipsicótico de longo prazo, que os efeitos colaterais são o preço que se deve pagar para aliviar o sofrimento causado pela doença mental. Se soubéssemos que os benefícios das drogas psicoativas superam seus danos, isso seria um argumento forte, uma vez que não há dúvida de que muitas pessoas sofrem gravemente com doenças mentais. Mas como Kirsch, Whitaker e Carlat argumentam, essa expectativa pode estar errada.

No mínimo, precisamos parar de pensar que as drogas psicoativas são o melhor e, muitas vezes, o único tratamento para as doenças mentais. Tanto a psicoterapia como os exercícios físicos têm se mostrado tão eficazes quanto os medicamentos para a depressão, e seus efeitos são mais duradouros. Mas, infelizmente, não existe indústria que promova essas alternativas. Mais pesquisas são necessárias para estudar alternativas às drogas psicoativas.

Em particular, precisamos repensar o tratamento de crianças. Nesse ponto, o problema é muitas vezes uma família perturbada em circunstâncias conturbadas. Tratamentos voltados para essas condições ambientais – como auxílio individual para pais ou centros pós-escola para as crianças – devem ser estudados e comparados com o tratamento farmacológico.

No longo prazo, essas alternativas seriam provavelmente mais baratas. Nossa confiança nas drogas psicoativas, receitadas para todos os descontentes com a vida, tende a excluir as outras opções. Em vista dos riscos, e da eficácia questionável dos medicamentos em longo prazo, precisamos fazer melhor do que isso. Acima de tudo, devemos lembrar o consagrado ditado médico: em primeiro lugar, não causar dano (primum non nocere).

Abs
Felipe


SUBJECT: Re: [ciencialist] Doenças Mentais, Teorias e Tratamentos
FROM: luiz silva <luizfelipecsrj@yahoo.com.br>
TO: ciencialist@yahoogrupos.com.br
DATE: 31/08/2011 11:10

Ola Leo,

Independentemente dos psicólogos, acho que temos má ciência na psiquiatria tb!!! Este é o ponto principal.

Eu pesquisei todos os pesquisadores citados (incluindo neurocientistas), e todos parecem ser bons pesquisadores.

Abs
Felipe

--- Em qua, 31/8/11, Luiz Ferraz Netto <leobarretos@uol.com.br> escreveu:

De: Luiz Ferraz Netto <leobarretos@uol.com.br>
Assunto: Re: [ciencialist] Doenças Mentais, Teorias e Tratamentos
Para: ciencialist@yahoogrupos.com.br
Data: Quarta-feira, 31 de Agosto de 2011, 10:30

 



Os U.S.A. constituem um país livre, logo, com todo direito de terem todas as doenças que quiserem. No capitalismo, onde a exploração da espécie atinge a própria espécie, todos devem ter seu 'psicólogo'; de cada dois americanos do norte, um é 'psicoxxxxx', o outro é doente mental.
Vamos dar a eles mais uma década ... e veremos o que sobra.
 
[]´
     ===========================
            Luiz Ferraz Netto [Léo] 
        leo@feiradeciencias.com.br
           leobarretos@uol.com.br
         luizferraz.netto@gmail.com
     http://www.feiradeciencias.com.br
     ===========================
----- Original Message -----
From: luiz silva
Sent: Tuesday, August 30, 2011 3:50 PM
Subject: [ciencialist] Doenças Mentais, Teorias e Tratamentos

 

Pessoal,
 
Gostaria da opinião de vcs sobre o texto que foi postado em outro forum (estou sem a fonte original, mas acho que foi alguma reportagem em algum jornal de expressão - o que não quer dizer muita coisa).
 

Parece que os americanos estão em meio a uma violenta epidemia de doenças mentais. A quantidade de pessoas incapacitadas por transtornos mentais, e com direito a receber a renda de seguridade suplementar ou o seguro por incapacidade, aumentou quase duas vezes e meia entre 1987 e 2007 – de 1 em cada 184 americanos passou para 1 em 76.

No que se refere às crianças, o número é ainda mais espantoso: um aumento de 35 vezes nas mesmas duas décadas. A doença mental é hoje a principal causa de incapacitação de crianças, bem à frente de deficiências físicas como a paralisia cerebral ou a síndrome de Down.

Um grande estudo de adultos (selecionados aleatoriamente), patrocinado pelo Instituto Nacional de Saúde Mental, realizado entre 2001 e 2003, descobriu que um percentual assombroso de 46% se encaixava nos critérios estabelecidos pela Associação Americana de Psiquiatria, por ter tido em algum momento de suas vidas pelo menos uma doença mental, entre quatro categorias.

As categorias seriam “transtornos de ansiedade”, que incluem fobias e estresse pós-traumático; “transtornos de humor”, como depressão e transtorno bipolar; “transtornos de controle dos impulsos”, que abrangem problemas de comportamento e de déficit de atenção/hiperatividade; e “transtornos causados pelo uso de substâncias”, como o abuso de álcool e drogas. A maioria dos pesquisados se encaixava em mais de um diagnóstico.

O tratamento médico desses transtornos quase sempre implica o uso de drogas psicoativas, os medicamentos que afetam o estado mental.Na verdade, a maioria dos psiquiatras usa apenas remédios no tratamento e encaminha os pacientes para psicólogos ou terapeutas se acha que uma psicoterapia é igualmente necessária.

A substituição da “terapia de conversa” pela das drogas como tratamento majoritário coincide com o surgimento, nas últimas quatro décadas, da teoria de que as doenças mentais são causadas por desequilíbrios químicos no cérebro, que podem ser corrigidos pelo uso de medicamentos. Essa teoria passou a ser amplamente aceita pela mídia e pelo público, bem como pelos médicos, depois que o Prozac chegou ao mercado, em 1987, e foi intensamente divulgado como um corretivo para a deficiência de serotonina no cérebro.

O número de pessoas depressivas tratadas triplicou nos dez anos seguintes e, hoje, cerca de 10% dos americanos com mais de 6 anos de idade tomam antidepressivos. O aumento do uso de drogas para tratar a psicose é ainda mais impressionante. A nova geração de antipsicóticos, como o Risperdal, o Zyprexa e o Seroquel, ultrapassou os redutores do colesterol no topo da lista de remédios mais vendidos nos Estados Unidos.

O que está acontecendo? A preponderância das doenças mentais sobre as físicas é de fato tão alta, e continua a crescer? Se os transtornos mentais são biologicamente determinados e não um produto de influências ambientais, é plausível supor que o seu crescimento seja real? Ou será que estamos aprendendo a diagnosticar transtornos mentais que sempre existiram? Ou, por outro lado, será que simplesmente ampliamos os critérios para definir as doenças mentais, de modo que quase todo mundo agora sofre de uma delas? E o que dizer dos medicamentos que viraram a base dos tratamentos? Eles funcionam? E, se funcionam, não deveríamos esperar que o número de doentes mentais estivesse em declínio e não em ascensão?

Essas são as questões que preocupam os autores de três livros provocativos, aqui analisados. Eles vêm de diferentes formações: Irving Kirsch é psicólogo da Universidade de Hull, no Reino Unido; Robert Whitaker é jornalista; e Daniel Carlat é um psiquiatra que clinica num subúrbio de Boston.

Os autores enfatizam diferentes aspectos da epidemia de doença mental. Kirsch está preocupado em saber se os antidepressivos funcionam. Whitaker pergunta se as drogas psicoativas não criam problemas piores do que aqueles que resolvem. Carlat examina como a sua profissão se aliou à indústria farmacêutica e é manipulada por ela. Mas, apesar de suas diferenças, os três estão de acordo sobre algumas questões importantes.

Em primeiro lugar, concordam que é preocupante a extensão com a qual as empresas que vendem drogas psicoativas – por meio de várias formas de marketing, tanto legal como ilegal, e usando o que muita gente chamaria de suborno – passaram a determinar o que constitui uma doença mental e como os distúrbios devem ser diagnosticados e tratados.

Em segundo lugar, nenhum dos três aceita a teoria de que a doença mental é provocada por um desequilíbrio químico no cérebro. Whitaker conta que essa teoria surgiu pouco depois que os remédios psicotrópicos foram introduzidos no mercado, na década de 50. O primeiro foi o Amplictil (clorpromazina), lançado em 1954, que rapidamente passou a ser muito usado em hospitais psiquiátricos, para acalmar pacientes psicóticos, sobretudo os com esquizofrenia. No ano seguinte, chegou o Miltown (meprobamato), vendido para tratar a ansiedade em pacientes ambulatoriais. Em 1957, o Marsilid (iproniazid) entrou no mercado como um “energizador psíquico” para tratar a depressão.

Desse modo, no curto espaço de três anos, tornaram-se disponíveis medicamentos para tratar aquelas que, na época, eram consideradas as três principais categorias de doença mental – ansiedade, psicose e depressão – e a psiquiatria transformou-se totalmente. Essas drogas, no entanto, não haviam sido desenvolvidas para tratar doenças mentais. Elas foram derivadas de remédios destinados ao combate de infecções, e se descobriu por acaso que alteravam o estado mental.

No início, ninguém tinha ideia de como funcionavam. Elas simplesmente embotavam sintomas mentais perturbadores. Durante a década seguinte, pesquisadores descobriram que essas drogas afetavam os níveis de certas substâncias químicas no cérebro.

Um pouco de pano de fundo, e necessariamente muito simplificado: o cérebro contém bilhões de células nervosas, os neurônios, distribuídos em redes complexas, que se comunicam uns com os outros constantemente. O neurônio típico tem múltiplas extensões filamentosas (uma chamada axônio e as outras chamadas dendritos), por meio das quais ele envia e recebe sinais de outros neurônios. Para um neurônio se comunicar com outro, no entanto, o sinal deve ser transmitido através do minúsculo espaço que os separa, a sinapse. Para conseguir isso, o axônio do neurônio libera na sinapse uma substância química chamada neurotransmissor.

O neurotransmissor atravessa a sinapse e liga-se a receptores no segundo neurônio, muitas vezes um dendrito, ativando ou inibindo a célula receptora. Os axônios têm vários terminais e, desse modo, cada neurônio tem múltiplas sinapses. Depois, o neurotransmissor é reabsorvido pelo primeiro neurônio ou metabolizado pelas enzimas, de tal modo que o status quo anterior é restaurado.

Quando se descobriu que as drogas psicoativas afetam os níveis de neurotransmissores, surgiu a teoria de que a causa da doença mental é uma anormalidade na concentração cerebral desses elementos químicos, a qual é combatida pelo medicamento apropriado.

Por exemplo: como o Thorazine diminui os níveis de dopamina no cérebro, postulou-se que psicoses como a esquizofrenia são causadas ​​por excesso de dopamina. Ou então: tendo em vista que alguns antidepressivos aumentam os níveis do neurotransmissor chamado serotonina, defendeu-se que a depressão é causada pela escassez de serotonina. Antidepressivos como o Prozac ou o Celexa impedem a reabsorção de serotonina pelos neurônios que a liberam, e assim ela permanece mais nas sinapses e ativa outros neurônios. Desse modo, em vez de desenvolver um medicamento para tratar uma anormalidade, uma anormalidade foi postulada para se adequar a um medicamento.

Trata-se de uma grande pirueta lógica, como apontam os três autores. Era perfeitamente possível que as drogas que afetam os níveis dos neurotransmissores pudessem aliviar os sintomas, mesmo que os neurotransmissores não tivessem nada a ver com a doença. Como escreve Carlat: “Por essa mesma lógica, se poderia argumentar que a causa de todos os estados de dor é uma deficiência de opiáceos, uma vez que analgésicos narcóticos ativam os receptores de opiáceos do cérebro.” Ou, do mesmo modo, se poderia dizer que as febres são causadas pela escassez de aspirina.

Mas o principal problema com essa teoria é que, após décadas tentando prová-la, os pesquisadores ainda estão de mãos vazias. Os três autores documentam o fracasso dos cientistas para encontrar boas provas a seu favor. Antes do tratamento, a função dos neurotransmissores parece ser normal nas pessoas com doença mental. Nas palavras de Whitaker:

Antes do tratamento, os pacientes diagnosticados com depressão, esquizofrenia e outros transtornos psiquiátricos não sofrem nenhum “desequilíbrio químico”. No entanto, depois que uma pessoa passa a tomar medicação psiquiátrica, que perturba a mecânica normal de uma via neuronal, seu cérebro começa a funcionar... anormalmente.

Carlat refere-se à teoria do desequilíbrio químico como um “mito” (que ele chama de “conveniente” porque reduziria o estigma da doença mental). E Kirsch,cujo livro centra-se na depressão, resume a questão assim: “Parece fora de dúvida que o conceito tradicional de considerar a depressão como um desequilíbrio químico no cérebro está simplesmente errado.” (O motivo da persistência dessa teoria, apesar da falta de provas, é um tema que tratarei adiante.)

Os remédios funcionam? Afinal de contas, independentemente da teoria, essa é a questão prática. Em seu livro seco e extremamente cativante, The Emperor’s New Drugs [As Novas Drogas do Imperador], Kirsch descreve os seus quinze anos de pesquisa científica para responder a essa pergunta, no que diz respeito aos antidepressivos.

Quando começou o trabalho em 1995, seu principal interesse eram os efeitos de placebos. Para estudá-los, ele e um colega revisaram 38 ensaios clínicos que comparavam vários tratamentos da depressão com placebos, ou comparavam a psicoterapia com nenhum tratamento. A maioria dessas experiências durava de seis a oito semanas, e durante esse período os pacientes tendiam a melhorar um pouco, mesmo se não tivessem nenhum tratamento.

Mas Kirsch descobriu que os placebos eram três vezes mais eficazes do que a ausência de tratamento. Isso não o surpreendeu. O que o surpreendeu mesmo foi que os antidepressivos foram apenas marginalmente mais úteis do que os placebos: 75% dos placebos foram tão eficazes quanto os antidepressivos. Kirsch resolveu então repetir o estudo, dessa vez com a análise de um conjunto de dados mais completo e padronizado.

Os dados que ele usou foram obtidos da Food and Drug Administration, a FDA [o órgão público americano encarregado do licenciamento e controle de medicamentos]. Quando buscam a aprovação da FDA para comercializar um novo remédio, os laboratórios farmacêuticos devem apresentar à agência todos os testes clínicos que patrocinaram. Os testes são geralmente duplo-cego e controlados com placebo. Ou seja: os pacientes participantes recebem aleatoriamente a droga ou o placebo, e nem eles nem os seus médicos sabem o que receberam.

Os pacientes são informados de que receberão ou um medicamento ativo ou um placebo. E também são avisados dos efeitos colaterais que podem ocorrer. Se dois testes comprovam que o medicamento é mais eficaz do que o placebo, ele é geralmente aprovado. Mas os laboratórios podem patrocinar quantos testes quiserem, e a maioria deles pode dar negativo – isto é, não mostrar a eficácia do remédio. Tudo o que eles precisam é de dois testes com resultados positivos. (Os resultados dos testes de um mesmo medicamento podem variar por muitas razões, entre elas a forma como o ensaio foi concebido e realizado, seu tamanho e os tipos de pacientes pesquisados.)

Por razões óbvias, as indústrias farmacêuticas fazem questão de que seus testes positivos sejam publicados em revistas médicas, e os médicos fiquem sabendo deles. Já os testes negativos ficam nas gavetas da FDA, que os considera propriedade privada e, portanto, confidenciais. Essa prática distorce a literatura médica, o ensino da medicina e as decisões de tratamento.

irsch e seus colegas usaram a Lei de Liberdade de Informação para obter as revisões da FDA de todos os testes clínicos controlados por placebo, positivos ou negativos, submetidos para a aprovação dos seis antidepressivos mais utilizados, aprovados entre 1987 e 1999: Prozac, Paxil, Zoloft, Celexa, Serzone e Effexor.

Ao todo, havia 42 testes das seis drogas. A maioria deles era negativo. No total, os placebos eram 82% tão eficazes quanto os medicamentos, tal como medido pela Escala de Depressão de Hamilton, uma classificação dos sintomas de depressão amplamente utilizada. A diferença média entre remédio e placebo era de apenas 1,8 ponto na Escala, uma diferença que, embora estatisticamente significativa, era insignificante do ponto de vista clínico. Os resultados foram quase os mesmos para as seis drogas: todos igualmente inexpressivos. No entanto, como os estudos positivos foram amplamente divulgados, enquanto os negativos eram escondidos, o público e os médicos passaram a acreditar que esses medicamentos antidepressivos eram altamente eficazes.

Kirsch ficou impressionado com outro achado inesperado. Em seu estudo anterior, e em trabalhos de outros, observara que até mesmo tratamentos com substâncias que não eram consideradas antidepressivas – como hormônio sintético da tireoide, opiáceos, sedativos, estimulantes e algumas ervas medicinais – eram tão eficazes quanto os antidepressivos para aliviar os sintomas da depressão. Kirsch escreve: “Quando administrados como antidepressivos, remédios que aumentam, diminuem ou não têm nenhuma influência sobre a serotonina aliviam a depressão mais ou menos no mesmo grau.”

O que todos esses medicamentos “eficazes” tinham em comum era que produziam efeitos colaterais, sobre os quais os pacientes participantes haviam sido informados de que poderiam ocorrer.

Diante da descoberta de que quase qualquer comprimido com efeitos colaterais era ligeiramente mais eficaz no tratamento da depressão do que um placebo, Kirsch especulou que a presença de efeitos colaterais em indivíduos que recebem medicamentos lhes permitia adivinhar que recebiam tratamento ativo – e isso foi corroborado por entrevistas com pacientes e médicos –, o que os tornava mais propensos a relatar uma melhora. Ele sugere que a razão pela qual os antidepressivos parecem funcionar melhor no alívio de depressão grave do que em casos menos graves é que os pacientes com sintomas graves provavelmente tomam doses mais elevadas e, portanto, sofrem mais efeitos colaterais.

Para investigar melhor se os efeitos colaterais distorciam as respostas, Kirsch analisou alguns ensaios que utilizaram placebos “ativos”, em vez de inertes. Um placebo ativo é aquele que produz efeitos colaterais, como a atropina – droga que bloqueia a ação de certos tipos de fibras nervosas. Apesar de não ser um antidepressivo, a atropina causa, entre outras coisas, secura da boca. Em testes utilizando atropina como placebo, não houve diferença entre os antidepressivos e o placebo ativo. Todos tinham efeitos colaterais, e todos relataram o mesmo nível de melhora.

Kirsch registrou outras descobertas estranhas em testes clínicos de antidepressivos, entre elas o fato de que não há nenhuma curva de dose-resposta, ou seja, altas doses não funcionavam melhor do que as baixas, o que é extremamente improvável para medicamentos eficazes.

“Ao se juntar tudo isso”, escreve Kirsch,“chega-se à conclusão de que a diferença relativamente pequena entre medicamentos e placebos pode não ser um efeito verdadeiro do remédio. Em vez disso, pode ser um efeito placebo acentuado, produzido pelo fato de que alguns pacientes passaram a perceber que recebiam medicamentos ou placebos. Se este for o caso, então não há nenhum efeito antidepressivo dos medicamentos. Em vez de compararmos placebo com remédio, estávamos comparando placebos ‘normais’ com placebos ‘extrafortes’.”

Trata-se de uma conclusão surpreendente, que desafia a opinião médica, mas Kirsch chega a ela de uma forma cuidadosa e lógica. Psiquiatras que usam antidepressivos – e isso significa a maioria deles – e pacientes que os tomam talvez insistam que sabem por experiência clínica que os medicamentos funcionam.

Mas casos individuais são uma forma traiçoeira de avaliar tratamentos médicos, pois estão sujeitos a distorções. Eles podem sugerir hipóteses a serem estudadas, mas não podem prová-las. É por isso que o desenvolvimento do teste clínico duplo-cego, aleatório e controlado com placebo, foi um avanço tão importante na ciência médica, em meados do século passado. Histórias sobre sanguessugas, megadoses de vitamina cou vários outros tratamentos populares não suportariam o escrutínio de testes bem planejados. Kirsch é um defensor devotado do método científico e sua voz, portanto, traz objetividade a um tema muitas vezes influenciado por subjetividade, emoções ou, como veremos, interesse pessoal.

O livro de Whitaker, Anatomy of an Epidemic [Anatomia de uma Epidemia], é mais amplo e polêmico. Ele leva em conta todas as doenças mentais, não apenas a depressão. EnquantoKirsch conclui que os antidepressivos não são provavelmente mais eficazes do que placebos, Whitaker conclui que eles e a maioria das drogas psicoativas não são apenas ineficazes, mas prejudiciais. Whitaker começa por observar que, se o tratamento de doenças mentais por meio de medicamentos disparou, o mesmo aconteceu com as patologias tratadas:

O número de doentes mentais incapacitados aumentou imensamente desde 1955 e durante as duas últimas décadas, período em que a prescrição de medicamentos psiquiátricos explodiu e o número de adultos e crianças incapacitados por doença mental aumentou numa taxa alucinante. Assim, chegamos a uma pergunta óbvia, embora herética: o paradigma de tratamento baseado em drogas poderia estar alimentando, de alguma maneira imprevista, essa praga dos tempos modernos?

Além disso, Whitaker sustenta que a história natural da doença mental mudou. Enquanto transtornos como esquizofrenia e depressão eram outrora episódicos, e cada episódio durava não mais de seis meses, sendo intercalado por longos períodos de normalidade, os distúrbios agora são crônicos e duram a vida inteira. Whitaker acredita que isso talvez aconteça porque os medicamentos, mesmo aqueles que aliviam os sintomas em curto prazo, causam em longo prazo danos mentais que continuam depois que a doença teria naturalmente se resolvido.

As provas que ele apresenta para essa teoria variam em qualidade. Whitaker não reconhece suficientemente a dificuldade de estudar a história natural de qualquer doença durante um período de cinquenta anos, no qual muitas circunstâncias mudaram, além do uso de medicamentos. É ainda mais difícil comparar resultados de longo prazo de pacientes tratados e não tratados. No entanto, os indícios de Whitaker são sugestivos, se não conclusivos.

Se as drogas psicoativas causam danos, como afirma Whitaker, qual é o seu mecanismo? A resposta, ele acredita, encontra-se em seus efeitos sobre os neurotransmissores. É bem sabido que as drogas psicoativas perturbam os neurotransmissores, mesmo que essa não seja a causa primeira da doença.

Whitaker descreve uma cadeia de efeitos. Quando, por exemplo, um antidepressivo como o Celexa aumenta os níveis de serotonina nas sinapses, ele estimula mudanças compensatórias por meio de um processo chamado feedback negativo. Em reação aos altos níveis de serotonina, os neurônios que a secretam liberam menos dela, e os neurônios pós-sinápticos tornam-se insensíveis a ela. Na verdade, o cérebro está tentando anular os efeitos da droga. O mesmo vale para os medicamentos que bloqueiam neurotransmissores, exceto no sentido inverso.

A maioria dos antipsicóticos, por exemplo, bloqueia a dopamina, mas os neurônios pré-sinápticos compensam isso liberando mais dopamina, e os neurônios pós-sinápticos a aceitam com mais avidez.

As consequências do uso prolongado de drogas psicoativas, nas palavras de Steve Hyman, até recentemente reitor da Universidade de Harvard, são “alterações substanciais e de longa duração na função neural”.

Depois de várias semanas de drogas psicoativas, os esforços de compensação do cérebro começam a falhar e surgem efeitos colaterais que refletem o mecanismo de ação dos medicamentos. Antipsicóticos causam efeitos secundários que se assemelham ao mal de Parkinson, por causa do esgotamento de dopamina (que também se esgota no Parkinson). À medida que surgem efeitos colaterais, eles são tratados por outros medicamentos, e muitos pacientes acabam tomando um coquetel de drogas psicoativas, prescrito para um coquetel de diagnósticos. Os episódios de mania causada por antidepressivos podem levar a um novo diagnóstico de “transtorno bipolar” e ao tratamento com um “estabilizador de humor”, como Depokote (anticonvulsivo), acompanhado de uma das novas drogas antipsicóticas. E assim por diante.

A respeitada pesquisadora Nancy Andreasen e seus colegas publicaram indícios de que o uso de antipsicóticos está associado ao encolhimento do cérebro, e que o efeito está diretamente relacionado à dose e à duração do tratamento. Como Andreasen explicou ao New York Times: “O córtex pré-frontal não obtém o que precisa e vai sendo fechado pelos medicamentos. Isso reduz os sintomas psicóticos. E faz também com que o córtex pré-frontal se atrofie lentamente.”

Largar os remédios é extremamente difícil, segundo Whitaker, porque quando eles são retirados, os mecanismos compensatórios ficam sem oposição. Quando se retira o Celexa, os níveis de serotonina caem bruscamente porque os neurônios pré-sinápticos não estão liberando quantidades normais. Da mesma forma, quando se suspende um antipsicótico, os níveis de dopamina podem disparar.Os sintomas produzidos pela retirada de drogas psicoativas são confundidos com recaídas da doença original, o que pode levar psiquiatras a retomar o tratamento com remédios, talvez em doses mais elevadas.

Whitaker está indignado com o que considera uma epidemia iatrogênica (isto é, introduzida inadvertidamente pelos médicos) de disfunção cerebral, especialmente a causada pelo uso generalizado dos novos antipsicóticos, como o Zyprexa, que provoca graves efeitos colaterais. Eis o que ele chama de “experimento de pensamento rápido”:

Imagine que aparece de repente um vírus que faz com que as pessoas durmam doze, catorze horas por dia. As pessoas infectadas se movimentam devagar e parecem emocionalmente desligadas. Muitas ganham quantidades imensas de peso – 10, 20 e até 50 quilos. Os seus níveis de açúcar no sangue disparam, assim como os de colesterol.

Vários dos atingidos pela doença misteriosa – entre eles, crianças e adolescentes – se tornam diabéticos. O governo federal dá centenas de milhões de dólares aos cientistas para decifrar o funcionamento do vírus, e eles relatam que ele bloqueia uma multidão de receptores no cérebro. Enquanto isso, exames de ressonância magnética descobrem que, ao longo de vários anos, o vírus encolhe o córtex cerebral, e esta diminuição está ligada ao declínio cognitivo. O público aterrorizado clama por uma cura.

Ora, essa doença está, de fato, atingindo milhões de crianças e adultos. Acabamos de descrever os efeitos do antipsicótico Zyprexa, um dos mais vendidos do laboratório Eli Lilly.

eon Eisenberg, professor da Universidade Johns Hopkins e da Escola de Medicina de Harvard, escreveu que a psiquiatria americana passou,no final do século XX, de uma fase “descerebrada” para uma “desmentalizada”. Ele quis dizer que, antes das drogas psicoativas, os psiquiatras tinham pouco interesse por neurotransmissores ou outros aspectos físicos do cérebro. Em vez disso, aceitavam a visão freudiana de que a doença mental tinha suas raízes em conflitos inconscientes, geralmente com origem na infância, que afetavam a mente como se ela fosse separada do cérebro.

Com a entrada em cena dessas drogas, na década de 50 – processo que se acelerou na década de 80 –, o foco mudou para o cérebro. Os psiquiatras começaram a se referir a si mesmos como psicofarmacologistas, e se interessaram cada vez menos pelas histórias de vida dos pacientes.

A preocupação deles era eliminar ou reduzir os sintomas, tratando os pacientes com medicamentos que alterariam a função cerebral. Tendo sido um dos primeiros defensores do modelo biológico de doença mental, Eisenberg veio a se tornar um crítico do uso indiscriminado de drogas psicoativas, impulsionado pelas maquinações da indústria farmacêutica.

Quando as drogas psicoativas surgiram, houve um período de otimismo na profissão psiquiátrica, mas na década de 70 o otimismo deu lugar a uma sensação de ameaça. Ficaram claros os graves efeitos colaterais dos medicamentos e um movimento de antipsiquiatria lançou raízes, como exemplificam os escritos de Thomas Szasz e o filme Um Estranho no Ninho.

Havia também a concorrência crescente de psicólogos e terapeutas. Além disso, os psiquiatras sofreram divisões internas: alguns abraçaram o modelo biológico, outros se agarraram ao modelo freudiano, e uns poucos viam a doença mental como uma resposta sadia a um mundo insano. Ademais, dentro da medicina, os psiquiatras eram considerados uma espécie de parentes pobres: mesmo com suas novas drogas, eram vistos como menos científicos do que os outros especialistas, e sua renda era geralmente mais baixa.

No final da década de 70, os psiquiatras contra-atacaram, e com força. Como conta Robert Whitaker em Anatomy of an Epidemic, o diretor médico da Associação Americana de Psiquiatria, Melvin Sabshin, declarou, em 1977: “Devemos apoiar fortemente um esforço vigoroso para remedicalizar a psiquiatria.” E lançou uma campanha maciça de relações públicas para fazer exatamente isso.

A psiquiatria detinha uma arma poderosa, que seus concorrentes não podiam ter. Como cursaram medicina, os psiquiatras têm autoridade legal para escrever receitas.

Ao abraçar o modelo biológico de doença mental, e o uso de drogas psicoativas para tratá-la, a psiquiatria conseguiu relegar os outros prestadores de serviços de saúde mental para cargos secundários. E se apresentou também como uma disciplina científica. E, o que é mais importante, ao enfatizar o tratamento medicamentoso, a psiquiatria tornou-se a queridinha da indústria farmacêutica, que logo tornou tangível sua gratidão.

A Associação Americana de Psiquiatria, a APA, estava preparando então a terceira edição do Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais, o DSM, que estabelece os critérios de diagnóstico para todos os transtornos mentais. O presidente da Associação havia indicado Robert Spitzer, eminente professor de psiquiatria da Universidade de Columbia, para chefiar a força-tarefa que supervisionaria o Manual.

As duas primeiras edições, publicadas em 1952 e 1968, refletiam a visão freudiana da doença mental, e eram pouco conhecidas fora da profissão. Spitzer decidiu fazer da terceira edição, o DSM-III, algo bem diferente. Ele prometeu que o Manual seria “uma defesa do modelo médico aplicado a problemas psiquiátricos”, e o presidente da Associação, Jack Weinberg, disse que ele “deixaria claro para quem tivesse dúvidas que consideramos a psiquiatria uma especialidade da medicina”.

Quando foi publicado, em 1980, o DSM-III continha 265 diagnósticos (acima dos 182 da edição anterior) e logo teve um uso quase universal: não apenas por parte de psiquiatras, mas também por companhias de seguros, hospitais, tribunais, prisões, escolas, pesquisadores, agências governamentais e médicos de todas as especialidades. Seu principal objetivo era trazer coerência (normalmente chamada de “confiabilidade”) ao diagnóstico psiquiátrico. Ou seja, garantir que os psiquiatras que viam o mesmo paciente concordassem com o diagnóstico. Para isso, cada diagnóstico era definido por uma lista de sintomas, com limites numéricos. Por exemplo, ter pelo menos cinco de nove sintomas determinados garantia ao paciente um diagnóstico definitivo de episódio depressivo dentro da ampla categoria de “transtornos do humor”.

Mas havia outro objetivo: justificar o uso de drogas psicoativas. Com efeito, Carol Bernstein, a presidente da apa, reconheceu isso ao escrever: “Na década de 70, foi preciso facilitar um acordo sobre diagnósticos entre clínicos, cientistas e autoridades reguladoras, dada a necessidade de ligar os pacientes aos novos tratamentos farmacológicos.”

A terceira edição do Manual era talvez mais “confiável” do que as versões anteriores, mas confiabilidade não é a mesma coisa que validade. O termo confiabilidade é usado como sinônimo de “coerência”; validade refere-se à correção ou solidez. Se todos os médicos concordassem que as sardas são um sinal de câncer, o diagnóstico seria “confiável”, mas não válido.

O problema com o Manual é que, em todas as suas edições, ele simplesmente refletia as opiniões de seus autores. E, no caso do DSM-III, sobretudo as opiniões do próprio Spitzer, que foi apontado com justiça como um dos psiquiatras mais influentes do século xx. Em suas palavras, ele “pegou todo mundo com quem se sentia à vontade” para participar da força-tarefa de quinze membros, e houve queixas de que ele convocou poucas reuniões e conduziu o processo de uma maneira desordenada, mas ditatorial.

Num artigo de 1984 intitulado “As desvantagens do DSM-III superam suas vantagens”, George Vaillant, professor de psiquiatria de Harvard, afirmou que o DSM-III representou “uma audaciosa série de escolhas baseadas em palpite, gosto, preconceito e esperança”, o que parece ser uma boa descrição.

  DSM se tornou a bíblia da psiquiatria e, tal como a Bíblia cristã, dependia muito de algo parecido com a fé: não há nele citações de estudos científicos para sustentar suas decisões. É uma omissão espantosa, porque em todas as publicações médicas, sejam revistas ou livros didáticos, as declarações de fatos devem estar apoiadas em referências comprováveis. (Há quatro “livros de consulta” separados para a edição atual do DSM, que apresentam a razão para algumas decisões, junto com referências, mas isso não é a mesma coisa que referências específicas.)

Pode ser de muito interesse para um grupo de especialistas se reunir e dar suas opiniões, mas a menos que essas opiniões possam ser sustentadas por provas, elas não autorizam a deferência extraordinária dedicada ao DSM. “A cada edição subsequente”, escreve Daniel Carlat, “o número de categorias de diagnósticos se multiplicava, e os livros se tornaram maiores e mais caros. Cada um deles se tornou um best-seller, e o DSM é hoje uma das principais fontes de renda da Associação Americana de Psiquiatria.” O Manual atual, o DSM-IV, vendeu mais de 1 milhão de exemplares.

Os laboratórios farmacêuticos passaram a dar toda a atenção e generosidade aos psiquiatras, tanto individual como coletivamente, direta e indiretamente. Choveram presentes e amostras grátis, contratos de consultores e palestrantes, refeições, ajuda para participar de conferências. Quando os estados de Minnesota e Vermont implantaram “leis de transparência”, que exigem que os laboratórios informem todos os pagamentos a médicos, descobriu-se que os psiquiatras recebiam mais dinheiro do que os médicos de qualquer outra especialidade. A indústria farmacêutica também subsidia as reuniões da APA e outras conferências psiquiátricas. Cerca de um quinto do financiamento da APA vem agora da indústria farmacêutica.

Os laboratórios buscam conquistar psiquiatras de centros médicos universitários de prestígio. Chamados pela indústria de “líderes-chave de opinião”, eles são os profissionais que, por meio do que escrevem e ensinam, influenciam o tratamento das doenças mentais. Eles também publicam grande parte da pesquisa clínica sobre medicamentos e, o que é fundamental, determinam o conteúdo do DSM. Em certo sentido, eles são a melhor equipe de vendas que a indústria poderia ter e valem cada centavo gasto com eles. Dos 170 colaboradores da versão atual do DSM, dos quais quase todos poderiam ser descritos como líderes-chave, 95 tinham vínculos financeiros com laboratórios farmacêuticos, inclusive todos os colaboradores das seções sobre transtornos de humor e esquizofrenia.

Carlat pergunta: “Por que os psiquiatras estão na frente de todos os outros especialistas quando se trata de tomar dinheiro de laboratórios?” Sua resposta: “Nossos diagnósticos são subjetivos e expansíveis, e temos poucas razões racionais para a escolha de um tratamento em relação a outro.” Ao contrário das enfermidades tratadas pela maioria dos outros ramos da medicina, não há sinais ou exames objetivos para as doenças mentais – nenhum dado de laboratório ou descoberta por ressonância magnética – e as fronteiras entre o normal e o anormal são muitas vezes pouco claras.

Isso torna possível expandir as fronteiras do diagnóstico ou até mesmo criar novas diagnoses, de uma forma que seria impossível, por exemplo, em um campo como a cardiologia. E as empresas farmacêuticas têm todo o interesse em induzir os psiquiatras a fazer exatamente isso.

Além do dinheiro gasto com os psiquiatras, os laboratórios apoiam muitos grupos de defesa de pacientes e organizações educacionais. Whitaker informa que, somente no primeiro trimestre de 2009, o “Eli Lilly deu 551 mil dólares à Aliança Nacional para Doenças Mentais, 465 mil dólares para a Associação Nacional de Saúde Mental, 130 mil dólares para um grupo de defesa dos pacientes de déficit de atenção/hiperatividade, e 69 250 dólares para a Fundação Americana de Prevenção ao Suicídio”.

E isso foi o que apenas um laboratório gastou em três meses; pode-se imaginar qual deve ser o total anual de todas as empresas que produzem drogas psicoativas. Esses grupos aparentemente existem para conscientizar a opinião pública sobre transtornos psiquiátricos, mas também têm o efeito de promover o uso de drogas psicoativas e influenciar os planos de saúde para cobri-los.

Como a maioria dos psiquiatras, Carlat trata seus pacientes apenas com medicamentos, sem terapia de conversa, e é sincero a respeito das vantagens de fazer isso. Ele calcula que, se atender três pacientes por hora com psicofarmacologia, ganha cerca de 180 dólares por hora dos planos de saúde. Em contrapartida, poderia atender apenas um paciente por hora com terapia de conversa, pela qual os planos lhe pagariam menos de 100 dólares. Carlat não acredita que a psicofarmacologia seja particularmente complicada, muito menos precisa, embora o público seja levado a acreditar que é.

Seu trabalho consiste em fazer aos pacientes uma série de perguntas sobre seus sintomas, para ver se eles combinam com algum dos transtornos catalogados no DSM. Esse exercício de correspondência, diz ele, propicia “a ilusão de que compreendemos os nossos pacientes, quando tudo o que estamos fazendo é atribuir-lhes rótulos”. Muitas vezes os pacientes preenchem critérios para mais de um diagnóstico, porque há sobreposição de sintomas.

Um dos pacientes de Carlat acabou com sete diagnósticos distintos. “Nós miramos sintomas distintos com os tratamentos, e outros medicamentos são adicionados para tratar os efeitos colaterais.” Um paciente típico, diz ele, pode estar tomando Celexa para depressão, Ativan para ansiedade, Ambien para insônia, Provigil para fadiga (um efeito colateral do Celexa) e Viagra para impotência (outro efeito colateral do Celexa).

Quanto aos próprios medicamentos, Carlat escreve que “há apenas um punhado de categorias guarda-chuva de drogas psicotrópicas”, sob as quais os medicamentos não são muito diferentes uns dos outros. Ele não acredita que exista muita base para escolher entre eles. E resume:

Assim é a moderna psicofarmacologia. Guiados apenas por sintomas, tentamos diferentes medicamentos, sem nenhuma concepção verdadeira do que estamos tentando corrigir, ou de como as drogas estão funcionando. Espanto-me que sejamos tão eficazes para tantos pacientes.

Carlat passa então a especular, como Kirsch em The Emperor’s New Drugs, que os pacientes talvez estejam respondendo a um efeito placebo ativado. Se as drogas psicoativas não são tudo o que é alardeado – e os indícios indicam que não são –, o que acontece com os próprios diagnósticos? Como eles se multiplicam a cada edição do DSM?

Em 1999, a APA começou a trabalhar em sua quinta revisão do DSM, programado para ser publicado em 2013. A força-tarefa de 27 membros é chefiada por David Kupfer, professor de psiquiatria da Universidade de Pittsburgh. Tal como nas edições anteriores, a força-tarefa é assessorada por vários grupos de trabalho, que agora totalizam cercade 140 membros, correspondentes às categorias principais de diagnóstico. As deliberações e propostas em curso foram amplamente divulgadas, e parece que a constelação de transtornos mentais vai crescer ainda mais.

Em particular, os limites dos diagnósticos serão ampliados para incluir os precursores dos transtornos, tais como “síndrome do risco de psicose” e “transtorno cognitivo leve” (possível início do mal de Alzheimer). O termo “espectro” é usado para ampliar categorias, e temos,por exemplo, “espectro de transtorno obsessivo-compulsivo”, “transtorno do espectro da esquizofrenia” e “transtorno do espectro do autismo”. E há propostas para a inclusão de distúrbios totalmente novos, como “transtorno hipersexual”, “síndrome das pernas inquietas” e “compulsão alimentar”. Até mesmo Allen Frances, presidente da força-tarefa do DSM-IV, escreveu que a próxima edição do Manual será uma “mina de ouro para a indústria farmacêutica”.

A indústria farmacêutica influencia psiquiatras a receitar drogas psicoativas até mesmo a pacientes para os quais os medicamentos não foram considerados seguros e eficazes. O que deveria preocupar enormemente é o aumento espantoso do diagnóstico e tratamento de doenças mentais em crianças, algumas com apenas 2 anos de idade.

Essas crianças são tratadas muitas vezes com medicamentos que nunca foram aprovados pela FDA para uso nessa faixa etária, e têm efeitos colaterais graves. A prevalência de “transtorno bipolar juvenil” aumentou quarenta vezes entre 1993 e 2004, e a de “autismo” aumentou de 1 em 500 crianças para 1 em 90 ao longo da mesma década. Dez por cento dos meninos de 10 anos de idade tomam agora estimulantes diários para o transtorno de déficit de atenção/hiperatividade.

Seria muito difícil achar uma criança de 2 anos que não seja às vezes irritante, um menino de 5ª série que não seja ocasionalmente desatento, ou uma menina no ensino médio que não seja ansiosa. Rotular essas crianças como tendo um transtorno mental e tratá-las com medicamentos depende muito de quem elas são e das pressões que seus pais enfrentam.

Como as famílias de baixa renda estão passando por dificuldades econômicas

crescentes, muitas descobriram que o pedido de renda de seguridade suplementar com base na invalidez mental é a única maneira de sobreviver. Segundo um estudo da Universidade Rutgers, descobriu-se que crianças de famílias de baixa renda têm quatro vezes mais probabilidade de receber medicamentos antipsicóticos do que crianças com plano de saúde privado.

Os livros de Irving Kirsch, Robert Whitaker e Daniel Carlat são acusações enérgicas ao modo como a psiquiatria é praticada hoje em dia. Eles documentam o “frenesi” do diagnóstico, o uso excessivo de medicamentos com efeitos colaterais devastadores e os conflitos de interesse generalizados. Os críticos podem argumentar, como Nancy

Andreasen o faz em seu artigo sobre a perda de tecido cerebral no tratamento antipsicótico de longo prazo, que os efeitos colaterais são o preço que se deve pagar para aliviar o sofrimento causado pela doença mental. Se soubéssemos que os benefícios das drogas psicoativas superam seus danos, isso seria um argumento forte, uma vez que não há dúvida de que muitas pessoas sofrem gravemente com doenças mentais. Mas como Kirsch, Whitaker e Carlat argumentam, essa expectativa pode estar errada.

No mínimo, precisamos parar de pensar que as drogas psicoativas são o melhor e, muitas vezes, o único tratamento para as doenças mentais. Tanto a psicoterapia como os exercícios físicos têm se mostrado tão eficazes quanto os medicamentos para a depressão, e seus efeitos são mais duradouros. Mas, infelizmente, não existe indústria que promova essas alternativas. Mais pesquisas são necessárias para estudar alternativas às drogas psicoativas.

Em particular, precisamos repensar o tratamento de crianças. Nesse ponto, o problema é muitas vezes uma família perturbada em circunstâncias conturbadas. Tratamentos voltados para essas condições ambientais – como auxílio individual para pais ou centros pós-escola para as crianças – devem ser estudados e comparados com o tratamento farmacológico.

No longo prazo, essas alternativas seriam provavelmente mais baratas. Nossa confiança nas drogas psicoativas, receitadas para todos os descontentes com a vida, tende a excluir as outras opções. Em vista dos riscos, e da eficácia questionável dos medicamentos em longo prazo, precisamos fazer melhor do que isso. Acima de tudo, devemos lembrar o consagrado ditado médico: em primeiro lugar, não causar dano (primum non nocere).

Abs
Felipe


SUBJECT: RES: [ciencialist] Doenças Mentais, Teorias e Tratamentos
FROM: "JVictor" <j.victor.neto@uol.com.br>
TO: <ciencialist@yahoogrupos.com.br>
DATE: 31/08/2011 15:29

E assim continua o festival de teorias alternativas e...conspiratórias. Parece-me mais a criação de motivos para vender livros e espantar.  Todas essas doenças, “anomalias”, mentais  ou não,  sempre existiram, em todas as sociedades. Levantem-se dados a respeito, em cada uma, e se verá que nada há de espantoso nas  sociedades, umas em relação às outras. Tudo farinha do mesmo saco, nesse aspecto.   Apenas, quem tem a bola da vez, e é o mais visado, é o centro das especulações.

Nada contra ou favor, dos U.S.A. Aliás, mais a favor.  Afinal, somos  diferentes em quê?  Só em recursos e...juizo.

 

Para se aferir o nível de doentes, em cada lugar, basta ver o número de farmácias que existe em cada rua, em cada logradouro, de qualquer cidade.  Aquí no Recife, há uma numa  rua sim,e na seguinte  também.

 

Sds,

Victor.

 

De: ciencialist@yahoogrupos.com.br [mailto:ciencialist@yahoogrupos.com.br] Em nome de Luiz Ferraz Netto
Enviada em: quarta-feira, 31 de agosto de 2011 10:31
Para: ciencialist@yahoogrupos.com.br
Assunto: Re: [ciencialist] Doenças Mentais, Teorias e Tratamentos

 

 



Os U.S.A. constituem um país livre, logo, com todo direito de terem todas as doenças que quiserem. No capitalismo, onde a exploração da espécie atinge a própria espécie, todos devem ter seu 'psicólogo'; de cada dois americanos do norte, um é 'psicoxxxxx', o outro é doente mental.

Vamos dar a eles mais uma década ... e veremos o que sobra.

 

[]´

     ===========================
            Luiz Ferraz Netto [Léo] 
        leo@feiradeciencias.com.br
           leobarretos@uol.com.br
         luizferraz.netto@gmail.com
     http://www.feiradeciencias.com.br
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----- Original Message -----

From: luiz silva

Sent: Tuesday, August 30, 2011 3:50 PM

Subject: [ciencialist] Doenças Mentais, Teorias e Tratamentos

 

 

Pessoal,

 

Gostaria da opinião de vcs sobre o texto que foi postado em outro forum (estou sem a fonte original, mas acho que foi alguma reportagem em algum jornal de expressão - o que não quer dizer muita coisa).

 

Parece que os americanos estão em meio a uma violenta epidemia de doenças mentais. A quantidade de pessoas incapacitadas por transtornos mentais, e com direito a receber a renda de seguridade suplementar ou o seguro por incapacidade, aumentou quase duas vezes e meia entre 1987 e 2007 – de 1 em cada 184 americanos passou para 1 em 76.

No que se refere às crianças, o número é ainda mais espantoso: um aumento de 35 vezes nas mesmas duas décadas. A doença mental é hoje a principal causa de incapacitação de crianças, bem à frente de deficiências físicas como a paralisia cerebral ou a síndrome de Down.

Um grande estudo de adultos (selecionados aleatoriamente), patrocinado pelo Instituto Nacional de Saúde Mental, realizado entre 2001 e 2003, descobriu que um percentual assombroso de 46% se encaixava nos critérios estabelecidos pela Associação Americana de Psiquiatria, por ter tido em algum momento de suas vidas pelo menos uma doença mental, entre quatro categorias.

As categorias seriam “transtornos de ansiedade”, que incluem fobias e estresse pós-traumático; “transtornos de humor”, como depressão e transtorno bipolar; “transtornos de controle dos impulsos”, que abrangem problemas de comportamento e de déficit de atenção/hiperatividade; e “transtornos causados pelo uso de substâncias”, como o abuso de álcool e drogas. A maioria dos pesquisados se encaixava em mais de um diagnóstico.

O tratamento médico desses transtornos quase sempre implica o uso de drogas psicoativas, os medicamentos que afetam o estado mental.Na verdade, a maioria dos psiquiatras usa apenas remédios no tratamento e encaminha os pacientes para psicólogos ou terapeutas se acha que uma psicoterapia é igualmente necessária.

A substituição da “terapia de conversa” pela das drogas como tratamento majoritário coincide com o surgimento, nas últimas quatro décadas, da teoria de que as doenças mentais são causadas por desequilíbrios químicos no cérebro, que podem ser corrigidos pelo uso de medicamentos. Essa teoria passou a ser amplamente aceita pela mídia e pelo público, bem como pelos médicos, depois que o Prozac chegou ao mercado, em 1987, e foi intensamente divulgado como um corretivo para a deficiência de serotonina no cérebro.

O número de pessoas depressivas tratadas triplicou nos dez anos seguintes e, hoje, cerca de 10% dos americanos com mais de 6 anos de idade tomam antidepressivos. O aumento do uso de drogas para tratar a psicose é ainda mais impressionante. A nova geração de antipsicóticos, como o Risperdal, o Zyprexa e o Seroquel, ultrapassou os redutores do colesterol no topo da lista de remédios mais vendidos nos Estados Unidos.

O que está acontecendo? A preponderância das doenças mentais sobre as físicas é de fato tão alta, e continua a crescer? Se os transtornos mentais são biologicamente determinados e não um produto de influências ambientais, é plausível supor que o seu crescimento seja real? Ou será que estamos aprendendo a diagnosticar transtornos mentais que sempre existiram? Ou, por outro lado, será que simplesmente ampliamos os critérios para definir as doenças mentais, de modo que quase todo mundo agora sofre de uma delas? E o que dizer dos medicamentos que viraram a base dos tratamentos? Eles funcionam? E, se funcionam, não deveríamos esperar que o número de doentes mentais estivesse em declínio e não em ascensão?

Essas são as questões que preocupam os autores de três livros provocativos, aqui analisados. Eles vêm de diferentes formações: Irving Kirsch é psicólogo da Universidade de Hull, no Reino Unido; Robert Whitaker é jornalista; e Daniel Carlat é um psiquiatra que clinica num subúrbio de Boston.

Os autores enfatizam diferentes aspectos da epidemia de doença mental. Kirsch está preocupado em saber se os antidepressivos funcionam. Whitaker pergunta se as drogas psicoativas não criam problemas piores do que aqueles que resolvem. Carlat examina como a sua profissão se aliou à indústria farmacêutica e é manipulada por ela. Mas, apesar de suas diferenças, os três estão de acordo sobre algumas questões importantes.

Em primeiro lugar, concordam que é preocupante a extensão com a qual as empresas que vendem drogas psicoativas – por meio de várias formas de marketing, tanto legal como ilegal, e usando o que muita gente chamaria de suborno – passaram a determinar o que constitui uma doença mental e como os distúrbios devem ser diagnosticados e tratados.

Em segundo lugar, nenhum dos três aceita a teoria de que a doença mental é provocada por um desequilíbrio químico no cérebro. Whitaker conta que essa teoria surgiu pouco depois que os remédios psicotrópicos foram introduzidos no mercado, na década de 50. O primeiro foi o Amplictil (clorpromazina), lançado em 1954, que rapidamente passou a ser muito usado em hospitais psiquiátricos, para acalmar pacientes psicóticos, sobretudo os com esquizofrenia. No ano seguinte, chegou o Miltown (meprobamato), vendido para tratar a ansiedade em pacientes ambulatoriais. Em 1957, o Marsilid (iproniazid) entrou no mercado como um “energizador psíquico” para tratar a depressão.

Desse modo, no curto espaço de três anos, tornaram-se disponíveis medicamentos para tratar aquelas que, na época, eram consideradas as três principais categorias de doença mental – ansiedade, psicose e depressão – e a psiquiatria transformou-se totalmente. Essas drogas, no entanto, não haviam sido desenvolvidas para tratar doenças mentais. Elas foram derivadas de remédios destinados ao combate de infecções, e se descobriu por acaso que alteravam o estado mental.

No início, ninguém tinha ideia de como funcionavam. Elas simplesmente embotavam sintomas mentais perturbadores. Durante a década seguinte, pesquisadores descobriram que essas drogas afetavam os níveis de certas substâncias químicas no cérebro.

Um pouco de pano de fundo, e necessariamente muito simplificado: o cérebro contém bilhões de células nervosas, os neurônios, distribuídos em redes complexas, que se comunicam uns com os outros constantemente. O neurônio típico tem múltiplas extensões filamentosas (uma chamada axônio e as outras chamadas dendritos), por meio das quais ele envia e recebe sinais de outros neurônios. Para um neurônio se comunicar com outro, no entanto, o sinal deve ser transmitido através do minúsculo espaço que os separa, a sinapse. Para conseguir isso, o axônio do neurônio libera na sinapse uma substância química chamada neurotransmissor.

O neurotransmissor atravessa a sinapse e liga-se a receptores no segundo neurônio, muitas vezes um dendrito, ativando ou inibindo a célula receptora. Os axônios têm vários terminais e, desse modo, cada neurônio tem múltiplas sinapses. Depois, o neurotransmissor é reabsorvido pelo primeiro neurônio ou metabolizado pelas enzimas, de tal modo que o status quo anterior é restaurado.

Quando se descobriu que as drogas psicoativas afetam os níveis de neurotransmissores, surgiu a teoria de que a causa da doença mental é uma anormalidade na concentração cerebral desses elementos químicos, a qual é combatida pelo medicamento apropriado.

Por exemplo: como o Thorazine diminui os níveis de dopamina no cérebro, postulou-se que psicoses como a esquizofrenia são causadas ​​por excesso de dopamina. Ou então: tendo em vista que alguns antidepressivos aumentam os níveis do neurotransmissor chamado serotonina, defendeu-se que a depressão é causada pela escassez de serotonina. Antidepressivos como o Prozac ou o Celexa impedem a reabsorção de serotonina pelos neurônios que a liberam, e assim ela permanece mais nas sinapses e ativa outros neurônios. Desse modo, em vez de desenvolver um medicamento para tratar uma anormalidade, uma anormalidade foi postulada para se adequar a um medicamento.

Trata-se de uma grande pirueta lógica, como apontam os três autores. Era perfeitamente possível que as drogas que afetam os níveis dos neurotransmissores pudessem aliviar os sintomas, mesmo que os neurotransmissores não tivessem nada a ver com a doença. Como escreve Carlat: “Por essa mesma lógica, se poderia argumentar que a causa de todos os estados de dor é uma deficiência de opiáceos, uma vez que analgésicos narcóticos ativam os receptores de opiáceos do cérebro.” Ou, do mesmo modo, se poderia dizer que as febres são causadas pela escassez de aspirina.

Mas o principal problema com essa teoria é que, após décadas tentando prová-la, os pesquisadores ainda estão de mãos vazias. Os três autores documentam o fracasso dos cientistas para encontrar boas provas a seu favor. Antes do tratamento, a função dos neurotransmissores parece ser normal nas pessoas com doença mental. Nas palavras de Whitaker:

Antes do tratamento, os pacientes diagnosticados com depressão, esquizofrenia e outros transtornos psiquiátricos não sofrem nenhum “desequilíbrio químico”. No entanto, depois que uma pessoa passa a tomar medicação psiquiátrica, que perturba a mecânica normal de uma via neuronal, seu cérebro começa a funcionar... anormalmente.

Carlat refere-se à teoria do desequilíbrio químico como um “mito” (que ele chama de “conveniente” porque reduziria o estigma da doença mental). E Kirsch,cujo livro centra-se na depressão, resume a questão assim: “Parece fora de dúvida que o conceito tradicional de considerar a depressão como um desequilíbrio químico no cérebro está simplesmente errado.” (O motivo da persistência dessa teoria, apesar da falta de provas, é um tema que tratarei adiante.)

Os remédios funcionam? Afinal de contas, independentemente da teoria, essa é a questão prática. Em seu livro seco e extremamente cativante, The Emperor’s New Drugs [As Novas Drogas do Imperador], Kirsch descreve os seus quinze anos de pesquisa científica para responder a essa pergunta, no que diz respeito aos antidepressivos.

Quando começou o trabalho em 1995, seu principal interesse eram os efeitos de placebos. Para estudá-los, ele e um colega revisaram 38 ensaios clínicos que comparavam vários tratamentos da depressão com placebos, ou comparavam a psicoterapia com nenhum tratamento. A maioria dessas experiências durava de seis a oito semanas, e durante esse período os pacientes tendiam a melhorar um pouco, mesmo se não tivessem nenhum tratamento.

Mas Kirsch descobriu que os placebos eram três vezes mais eficazes do que a ausência de tratamento. Isso não o surpreendeu. O que o surpreendeu mesmo foi que os antidepressivos foram apenas marginalmente mais úteis do que os placebos: 75% dos placebos foram tão eficazes quanto os antidepressivos. Kirsch resolveu então repetir o estudo, dessa vez com a análise de um conjunto de dados mais completo e padronizado.

Os dados que ele usou foram obtidos da Food and Drug Administration, a FDA [o órgão público americano encarregado do licenciamento e controle de medicamentos]. Quando buscam a aprovação da FDA para comercializar um novo remédio, os laboratórios farmacêuticos devem apresentar à agência todos os testes clínicos que patrocinaram. Os testes são geralmente duplo-cego e controlados com placebo. Ou seja: os pacientes participantes recebem aleatoriamente a droga ou o placebo, e nem eles nem os seus médicos sabem o que receberam.

Os pacientes são informados de que receberão ou um medicamento ativo ou um placebo. E também são avisados dos efeitos colaterais que podem ocorrer. Se dois testes comprovam que o medicamento é mais eficaz do que o placebo, ele é geralmente aprovado. Mas os laboratórios podem patrocinar quantos testes quiserem, e a maioria deles pode dar negativo – isto é, não mostrar a eficácia do remédio. Tudo o que eles precisam é de dois testes com resultados positivos. (Os resultados dos testes de um mesmo medicamento podem variar por muitas razões, entre elas a forma como o ensaio foi concebido e realizado, seu tamanho e os tipos de pacientes pesquisados.)

Por razões óbvias, as indústrias farmacêuticas fazem questão de que seus testes positivos sejam publicados em revistas médicas, e os médicos fiquem sabendo deles. Já os testes negativos ficam nas gavetas da FDA, que os considera propriedade privada e, portanto, confidenciais. Essa prática distorce a literatura médica, o ensino da medicina e as decisões de tratamento.

irsch e seus colegas usaram a Lei de Liberdade de Informação para obter as revisões da FDA de todos os testes clínicos controlados por placebo, positivos ou negativos, submetidos para a aprovação dos seis antidepressivos mais utilizados, aprovados entre 1987 e 1999: Prozac, Paxil, Zoloft, Celexa, Serzone e Effexor.

Ao todo, havia 42 testes das seis drogas. A maioria deles era negativo. No total, os placebos eram 82% tão eficazes quanto os medicamentos, tal como medido pela Escala de Depressão de Hamilton, uma classificação dos sintomas de depressão amplamente utilizada. A diferença média entre remédio e placebo era de apenas 1,8 ponto na Escala, uma diferença que, embora estatisticamente significativa, era insignificante do ponto de vista clínico. Os resultados foram quase os mesmos para as seis drogas: todos igualmente inexpressivos. No entanto, como os estudos positivos foram amplamente divulgados, enquanto os negativos eram escondidos, o público e os médicos passaram a acreditar que esses medicamentos antidepressivos eram altamente eficazes.

Kirsch ficou impressionado com outro achado inesperado. Em seu estudo anterior, e em trabalhos de outros, observara que até mesmo tratamentos com substâncias que não eram consideradas antidepressivas – como hormônio sintético da tireoide, opiáceos, sedativos, estimulantes e algumas ervas medicinais – eram tão eficazes quanto os antidepressivos para aliviar os sintomas da depressão. Kirsch escreve: “Quando administrados como antidepressivos, remédios que aumentam, diminuem ou não têm nenhuma influência sobre a serotonina aliviam a depressão mais ou menos no mesmo grau.”

O que todos esses medicamentos “eficazes” tinham em comum era que produziam efeitos colaterais, sobre os quais os pacientes participantes haviam sido informados de que poderiam ocorrer.

Diante da descoberta de que quase qualquer comprimido com efeitos colaterais era ligeiramente mais eficaz no tratamento da depressão do que um placebo, Kirsch especulou que a presença de efeitos colaterais em indivíduos que recebem medicamentos lhes permitia adivinhar que recebiam tratamento ativo – e isso foi corroborado por entrevistas com pacientes e médicos –, o que os tornava mais propensos a relatar uma melhora. Ele sugere que a razão pela qual os antidepressivos parecem funcionar melhor no alívio de depressão grave do que em casos menos graves é que os pacientes com sintomas graves provavelmente tomam doses mais elevadas e, portanto, sofrem mais efeitos colaterais.

Para investigar melhor se os efeitos colaterais distorciam as respostas, Kirsch analisou alguns ensaios que utilizaram placebos “ativos”, em vez de inertes. Um placebo ativo é aquele que produz efeitos colaterais, como a atropina – droga que bloqueia a ação de certos tipos de fibras nervosas. Apesar de não ser um antidepressivo, a atropina causa, entre outras coisas, secura da boca. Em testes utilizando atropina como placebo, não houve diferença entre os antidepressivos e o placebo ativo. Todos tinham efeitos colaterais, e todos relataram o mesmo nível de melhora.

Kirsch registrou outras descobertas estranhas em testes clínicos de antidepressivos, entre elas o fato de que não há nenhuma curva de dose-resposta, ou seja, altas doses não funcionavam melhor do que as baixas, o que é extremamente improvável para medicamentos eficazes.

“Ao se juntar tudo isso”, escreve Kirsch,“chega-se à conclusão de que a diferença relativamente pequena entre medicamentos e placebos pode não ser um efeito verdadeiro do remédio. Em vez disso, pode ser um efeito placebo acentuado, produzido pelo fato de que alguns pacientes passaram a perceber que recebiam medicamentos ou placebos. Se este for o caso, então não há nenhum efeito antidepressivo dos medicamentos. Em vez de compararmos placebo com remédio, estávamos comparando placebos ‘normais’ com placebos ‘extrafortes’.”

Trata-se de uma conclusão surpreendente, que desafia a opinião médica, mas Kirsch chega a ela de uma forma cuidadosa e lógica. Psiquiatras que usam antidepressivos – e isso significa a maioria deles – e pacientes que os tomam talvez insistam que sabem por experiência clínica que os medicamentos funcionam.

Mas casos individuais são uma forma traiçoeira de avaliar tratamentos médicos, pois estão sujeitos a distorções. Eles podem sugerir hipóteses a serem estudadas, mas não podem prová-las. É por isso que o desenvolvimento do teste clínico duplo-cego, aleatório e controlado com placebo, foi um avanço tão importante na ciência médica, em meados do século passado. Histórias sobre sanguessugas, megadoses de vitamina cou vários outros tratamentos populares não suportariam o escrutínio de testes bem planejados. Kirsch é um defensor devotado do método científico e sua voz, portanto, traz objetividade a um tema muitas vezes influenciado por subjetividade, emoções ou, como veremos, interesse pessoal.

O livro de Whitaker, Anatomy of an Epidemic [Anatomia de uma Epidemia], é mais amplo e polêmico. Ele leva em conta todas as doenças mentais, não apenas a depressão. EnquantoKirsch conclui que os antidepressivos não são provavelmente mais eficazes do que placebos, Whitaker conclui que eles e a maioria das drogas psicoativas não são apenas ineficazes, mas prejudiciais. Whitaker começa por observar que, se o tratamento de doenças mentais por meio de medicamentos disparou, o mesmo aconteceu com as patologias tratadas:

O número de doentes mentais incapacitados aumentou imensamente desde 1955 e durante as duas últimas décadas, período em que a prescrição de medicamentos psiquiátricos explodiu e o número de adultos e crianças incapacitados por doença mental aumentou numa taxa alucinante. Assim, chegamos a uma pergunta óbvia, embora herética: o paradigma de tratamento baseado em drogas poderia estar alimentando, de alguma maneira imprevista, essa praga dos tempos modernos?

Além disso, Whitaker sustenta que a história natural da doença mental mudou. Enquanto transtornos como esquizofrenia e depressão eram outrora episódicos, e cada episódio durava não mais de seis meses, sendo intercalado por longos períodos de normalidade, os distúrbios agora são crônicos e duram a vida inteira. Whitaker acredita que isso talvez aconteça porque os medicamentos, mesmo aqueles que aliviam os sintomas em curto prazo, causam em longo prazo danos mentais que continuam depois que a doença teria naturalmente se resolvido.

As provas que ele apresenta para essa teoria variam em qualidade. Whitaker não reconhece suficientemente a dificuldade de estudar a história natural de qualquer doença durante um período de cinquenta anos, no qual muitas circunstâncias mudaram, além do uso de medicamentos. É ainda mais difícil comparar resultados de longo prazo de pacientes tratados e não tratados. No entanto, os indícios de Whitaker são sugestivos, se não conclusivos.

Se as drogas psicoativas causam danos, como afirma Whitaker, qual é o seu mecanismo? A resposta, ele acredita, encontra-se em seus efeitos sobre os neurotransmissores. É bem sabido que as drogas psicoativas perturbam os neurotransmissores, mesmo que essa não seja a causa primeira da doença.

Whitaker descreve uma cadeia de efeitos. Quando, por exemplo, um antidepressivo como o Celexa aumenta os níveis de serotonina nas sinapses, ele estimula mudanças compensatórias por meio de um processo chamado feedback negativo. Em reação aos altos níveis de serotonina, os neurônios que a secretam liberam menos dela, e os neurônios pós-sinápticos tornam-se insensíveis a ela. Na verdade, o cérebro está tentando anular os efeitos da droga. O mesmo vale para os medicamentos que bloqueiam neurotransmissores, exceto no sentido inverso.

A maioria dos antipsicóticos, por exemplo, bloqueia a dopamina, mas os neurônios pré-sinápticos compensam isso liberando mais dopamina, e os neurônios pós-sinápticos a aceitam com mais avidez.

As consequências do uso prolongado de drogas psicoativas, nas palavras de Steve Hyman, até recentemente reitor da Universidade de Harvard, são “alterações substanciais e de longa duração na função neural”.

Depois de várias semanas de drogas psicoativas, os esforços de compensação do cérebro começam a falhar e surgem efeitos colaterais que refletem o mecanismo de ação dos medicamentos. Antipsicóticos causam efeitos secundários que se assemelham ao mal de Parkinson, por causa do esgotamento de dopamina (que também se esgota no Parkinson). À medida que surgem efeitos colaterais, eles são tratados por outros medicamentos, e muitos pacientes acabam tomando um coquetel de drogas psicoativas, prescrito para um coquetel de diagnósticos. Os episódios de mania causada por antidepressivos podem levar a um novo diagnóstico de “transtorno bipolar” e ao tratamento com um “estabilizador de humor”, como Depokote (anticonvulsivo), acompanhado de uma das novas drogas antipsicóticas. E assim por diante.

A respeitada pesquisadora Nancy Andreasen e seus colegas publicaram indícios de que o uso de antipsicóticos está associado ao encolhimento do cérebro, e que o efeito está diretamente relacionado à dose e à duração do tratamento. Como Andreasen explicou ao New York Times: “O córtex pré-frontal não obtém o que precisa e vai sendo fechado pelos medicamentos. Isso reduz os sintomas psicóticos. E faz também com que o córtex pré-frontal se atrofie lentamente.”

Largar os remédios é extremamente difícil, segundo Whitaker, porque quando eles são retirados, os mecanismos compensatórios ficam sem oposição. Quando se retira o Celexa, os níveis de serotonina caem bruscamente porque os neurônios pré-sinápticos não estão liberando quantidades normais. Da mesma forma, quando se suspende um antipsicótico, os níveis de dopamina podem disparar.Os sintomas produzidos pela retirada de drogas psicoativas são confundidos com recaídas da doença original, o que pode levar psiquiatras a retomar o tratamento com remédios, talvez em doses mais elevadas.

Whitaker está indignado com o que considera uma epidemia iatrogênica (isto é, introduzida inadvertidamente pelos médicos) de disfunção cerebral, especialmente a causada pelo uso generalizado dos novos antipsicóticos, como o Zyprexa, que provoca graves efeitos colaterais. Eis o que ele chama de “experimento de pensamento rápido”:

Imagine que aparece de repente um vírus que faz com que as pessoas durmam doze, catorze horas por dia. As pessoas infectadas se movimentam devagar e parecem emocionalmente desligadas. Muitas ganham quantidades imensas de peso – 10, 20 e até 50 quilos. Os seus níveis de açúcar no sangue disparam, assim como os de colesterol.

Vários dos atingidos pela doença misteriosa – entre eles, crianças e adolescentes – se tornam diabéticos. O governo federal dá centenas de milhões de dólares aos cientistas para decifrar o funcionamento do vírus, e eles relatam que ele bloqueia uma multidão de receptores no cérebro. Enquanto isso, exames de ressonância magnética descobrem que, ao longo de vários anos, o vírus encolhe o córtex cerebral, e esta diminuição está ligada ao declínio cognitivo. O público aterrorizado clama por uma cura.

Ora, essa doença está, de fato, atingindo milhões de crianças e adultos. Acabamos de descrever os efeitos do antipsicótico Zyprexa, um dos mais vendidos do laboratório Eli Lilly.

eon Eisenberg, professor da Universidade Johns Hopkins e da Escola de Medicina de Harvard, escreveu que a psiquiatria americana passou,no final do século XX, de uma fase “descerebrada” para uma “desmentalizada”. Ele quis dizer que, antes das drogas psicoativas, os psiquiatras tinham pouco interesse por neurotransmissores ou outros aspectos físicos do cérebro. Em vez disso, aceitavam a visão freudiana de que a doença mental tinha suas raízes em conflitos inconscientes, geralmente com origem na infância, que afetavam a mente como se ela fosse separada do cérebro.

Com a entrada em cena dessas drogas, na década de 50 – processo que se acelerou na década de 80 –, o foco mudou para o cérebro. Os psiquiatras começaram a se referir a si mesmos como psicofarmacologistas, e se interessaram cada vez menos pelas histórias de vida dos pacientes.

A preocupação deles era eliminar ou reduzir os sintomas, tratando os pacientes com medicamentos que alterariam a função cerebral. Tendo sido um dos primeiros defensores do modelo biológico de doença mental, Eisenberg veio a se tornar um crítico do uso indiscriminado de drogas psicoativas, impulsionado pelas maquinações da indústria farmacêutica.

Quando as drogas psicoativas surgiram, houve um período de otimismo na profissão psiquiátrica, mas na década de 70 o otimismo deu lugar a uma sensação de ameaça. Ficaram claros os graves efeitos colaterais dos medicamentos e um movimento de antipsiquiatria lançou raízes, como exemplificam os escritos de Thomas Szasz e o filme Um Estranho no Ninho.

Havia também a concorrência crescente de psicólogos e terapeutas. Além disso, os psiquiatras sofreram divisões internas: alguns abraçaram o modelo biológico, outros se agarraram ao modelo freudiano, e uns poucos viam a doença mental como uma resposta sadia a um mundo insano. Ademais, dentro da medicina, os psiquiatras eram considerados uma espécie de parentes pobres: mesmo com suas novas drogas, eram vistos como menos científicos do que os outros especialistas, e sua renda era geralmente mais baixa.

No final da década de 70, os psiquiatras contra-atacaram, e com força. Como conta Robert Whitaker em Anatomy of an Epidemic, o diretor médico da Associação Americana de Psiquiatria, Melvin Sabshin, declarou, em 1977: “Devemos apoiar fortemente um esforço vigoroso para remedicalizar a psiquiatria.” E lançou uma campanha maciça de relações públicas para fazer exatamente isso.

A psiquiatria detinha uma arma poderosa, que seus concorrentes não podiam ter. Como cursaram medicina, os psiquiatras têm autoridade legal para escrever receitas.

Ao abraçar o modelo biológico de doença mental, e o uso de drogas psicoativas para tratá-la, a psiquiatria conseguiu relegar os outros prestadores de serviços de saúde mental para cargos secundários. E se apresentou também como uma disciplina científica. E, o que é mais importante, ao enfatizar o tratamento medicamentoso, a psiquiatria tornou-se a queridinha da indústria farmacêutica, que logo tornou tangível sua gratidão.

A Associação Americana de Psiquiatria, a APA, estava preparando então a terceira edição do Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais, o DSM, que estabelece os critérios de diagnóstico para todos os transtornos mentais. O presidente da Associação havia indicado Robert Spitzer, eminente professor de psiquiatria da Universidade de Columbia, para chefiar a força-tarefa que supervisionaria o Manual.

As duas primeiras edições, publicadas em 1952 e 1968, refletiam a visão freudiana da doença mental, e eram pouco conhecidas fora da profissão. Spitzer decidiu fazer da terceira edição, o DSM-III, algo bem diferente. Ele prometeu que o Manual seria “uma defesa do modelo médico aplicado a problemas psiquiátricos”, e o presidente da Associação, Jack Weinberg, disse que ele “deixaria claro para quem tivesse dúvidas que consideramos a psiquiatria uma especialidade da medicina”.

Quando foi publicado, em 1980, o DSM-III continha 265 diagnósticos (acima dos 182 da edição anterior) e logo teve um uso quase universal: não apenas por parte de psiquiatras, mas também por companhias de seguros, hospitais, tribunais, prisões, escolas, pesquisadores, agências governamentais e médicos de todas as especialidades. Seu principal objetivo era trazer coerência (normalmente chamada de “confiabilidade”) ao diagnóstico psiquiátrico. Ou seja, garantir que os psiquiatras que viam o mesmo paciente concordassem com o diagnóstico. Para isso, cada diagnóstico era definido por uma lista de sintomas, com limites numéricos. Por exemplo, ter pelo menos cinco de nove sintomas determinados garantia ao paciente um diagnóstico definitivo de episódio depressivo dentro da ampla categoria de “transtornos do humor”.

Mas havia outro objetivo: justificar o uso de drogas psicoativas. Com efeito, Carol Bernstein, a presidente da apa, reconheceu isso ao escrever: “Na década de 70, foi preciso facilitar um acordo sobre diagnósticos entre clínicos, cientistas e autoridades reguladoras, dada a necessidade de ligar os pacientes aos novos tratamentos farmacológicos.”

A terceira edição do Manual era talvez mais “confiável” do que as versões anteriores, mas confiabilidade não é a mesma coisa que validade. O termo confiabilidade é usado como sinônimo de “coerência”; validade refere-se à correção ou solidez. Se todos os médicos concordassem que as sardas são um sinal de câncer, o diagnóstico seria “confiável”, mas não válido.

O problema com o Manual é que, em todas as suas edições, ele simplesmente refletia as opiniões de seus autores. E, no caso do DSM-III, sobretudo as opiniões do próprio Spitzer, que foi apontado com justiça como um dos psiquiatras mais influentes do século xx. Em suas palavras, ele “pegou todo mundo com quem se sentia à vontade” para participar da força-tarefa de quinze membros, e houve queixas de que ele convocou poucas reuniões e conduziu o processo de uma maneira desordenada, mas ditatorial.

Num artigo de 1984 intitulado “As desvantagens do DSM-III superam suas vantagens”, George Vaillant, professor de psiquiatria de Harvard, afirmou que o DSM-III representou “uma audaciosa série de escolhas baseadas em palpite, gosto, preconceito e esperança”, o que parece ser uma boa descrição.

  DSM se tornou a bíblia da psiquiatria e, tal como a Bíblia cristã, dependia muito de algo parecido com a fé: não há nele citações de estudos científicos para sustentar suas decisões. É uma omissão espantosa, porque em todas as publicações médicas, sejam revistas ou livros didáticos, as declarações de fatos devem estar apoiadas em referências comprováveis. (Há quatro “livros de consulta” separados para a edição atual do DSM, que apresentam a razão para algumas decisões, junto com referências, mas isso não é a mesma coisa que referências específicas.)

Pode ser de muito interesse para um grupo de especialistas se reunir e dar suas opiniões, mas a menos que essas opiniões possam ser sustentadas por provas, elas não autorizam a deferência extraordinária dedicada ao DSM. “A cada edição subsequente”, escreve Daniel Carlat, “o número de categorias de diagnósticos se multiplicava, e os livros se tornaram maiores e mais caros. Cada um deles se tornou um best-seller, e o DSM é hoje uma das principais fontes de renda da Associação Americana de Psiquiatria.” O Manual atual, o DSM-IV, vendeu mais de 1 milhão de exemplares.

Os laboratórios farmacêuticos passaram a dar toda a atenção e generosidade aos psiquiatras, tanto individual como coletivamente, direta e indiretamente. Choveram presentes e amostras grátis, contratos de consultores e palestrantes, refeições, ajuda para participar de conferências. Quando os estados de Minnesota e Vermont implantaram “leis de transparência”, que exigem que os laboratórios informem todos os pagamentos a médicos, descobriu-se que os psiquiatras recebiam mais dinheiro do que os médicos de qualquer outra especialidade. A indústria farmacêutica também subsidia as reuniões da APA e outras conferências psiquiátricas. Cerca de um quinto do financiamento da APA vem agora da indústria farmacêutica.

Os laboratórios buscam conquistar psiquiatras de centros médicos universitários de prestígio. Chamados pela indústria de “líderes-chave de opinião”, eles são os profissionais que, por meio do que escrevem e ensinam, influenciam o tratamento das doenças mentais. Eles também publicam grande parte da pesquisa clínica sobre medicamentos e, o que é fundamental, determinam o conteúdo do DSM. Em certo sentido, eles são a melhor equipe de vendas que a indústria poderia ter e valem cada centavo gasto com eles. Dos 170 colaboradores da versão atual do DSM, dos quais quase todos poderiam ser descritos como líderes-chave, 95 tinham vínculos financeiros com laboratórios farmacêuticos, inclusive todos os colaboradores das seções sobre transtornos de humor e esquizofrenia.

Carlat pergunta: “Por que os psiquiatras estão na frente de todos os outros especialistas quando se trata de tomar dinheiro de laboratórios?” Sua resposta: “Nossos diagnósticos são subjetivos e expansíveis, e temos poucas razões racionais para a escolha de um tratamento em relação a outro.” Ao contrário das enfermidades tratadas pela maioria dos outros ramos da medicina, não há sinais ou exames objetivos para as doenças mentais – nenhum dado de laboratório ou descoberta por ressonância magnética – e as fronteiras entre o normal e o anormal são muitas vezes pouco claras.

Isso torna possível expandir as fronteiras do diagnóstico ou até mesmo criar novas diagnoses, de uma forma que seria impossível, por exemplo, em um campo como a cardiologia. E as empresas farmacêuticas têm todo o interesse em induzir os psiquiatras a fazer exatamente isso.

Além do dinheiro gasto com os psiquiatras, os laboratórios apoiam muitos grupos de defesa de pacientes e organizações educacionais. Whitaker informa que, somente no primeiro trimestre de 2009, o “Eli Lilly deu 551 mil dólares à Aliança Nacional para Doenças Mentais, 465 mil dólares para a Associação Nacional de Saúde Mental, 130 mil dólares para um grupo de defesa dos pacientes de déficit de atenção/hiperatividade, e 69 250 dólares para a Fundação Americana de Prevenção ao Suicídio”.

E isso foi o que apenas um laboratório gastou em três meses; pode-se imaginar qual deve ser o total anual de todas as empresas que produzem drogas psicoativas. Esses grupos aparentemente existem para conscientizar a opinião pública sobre transtornos psiquiátricos, mas também têm o efeito de promover o uso de drogas psicoativas e influenciar os planos de saúde para cobri-los.

Como a maioria dos psiquiatras, Carlat trata seus pacientes apenas com medicamentos, sem terapia de conversa, e é sincero a respeito das vantagens de fazer isso. Ele calcula que, se atender três pacientes por hora com psicofarmacologia, ganha cerca de 180 dólares por hora dos planos de saúde. Em contrapartida, poderia atender apenas um paciente por hora com terapia de conversa, pela qual os planos lhe pagariam menos de 100 dólares. Carlat não acredita que a psicofarmacologia seja particularmente complicada, muito menos precisa, embora o público seja levado a acreditar que é.

Seu trabalho consiste em fazer aos pacientes uma série de perguntas sobre seus sintomas, para ver se eles combinam com algum dos transtornos catalogados no DSM. Esse exercício de correspondência, diz ele, propicia “a ilusão de que compreendemos os nossos pacientes, quando tudo o que estamos fazendo é atribuir-lhes rótulos”. Muitas vezes os pacientes preenchem critérios para mais de um diagnóstico, porque há sobreposição de sintomas.

Um dos pacientes de Carlat acabou com sete diagnósticos distintos. “Nós miramos sintomas distintos com os tratamentos, e outros medicamentos são adicionados para tratar os efeitos colaterais.” Um paciente típico, diz ele, pode estar tomando Celexa para depressão, Ativan para ansiedade, Ambien para insônia, Provigil para fadiga (um efeito colateral do Celexa) e Viagra para impotência (outro efeito colateral do Celexa).

Quanto aos próprios medicamentos, Carlat escreve que “há apenas um punhado de categorias guarda-chuva de drogas psicotrópicas”, sob as quais os medicamentos não são muito diferentes uns dos outros. Ele não acredita que exista muita base para escolher entre eles. E resume:

Assim é a moderna psicofarmacologia. Guiados apenas por sintomas, tentamos diferentes medicamentos, sem nenhuma concepção verdadeira do que estamos tentando corrigir, ou de como as drogas estão funcionando. Espanto-me que sejamos tão eficazes para tantos pacientes.

Carlat passa então a especular, como Kirsch em The Emperor’s New Drugs, que os pacientes talvez estejam respondendo a um efeito placebo ativado. Se as drogas psicoativas não são tudo o que é alardeado – e os indícios indicam que não são –, o que acontece com os próprios diagnósticos? Como eles se multiplicam a cada edição do DSM?

Em 1999, a APA começou a trabalhar em sua quinta revisão do DSM, programado para ser publicado em 2013. A força-tarefa de 27 membros é chefiada por David Kupfer, professor de psiquiatria da Universidade de Pittsburgh. Tal como nas edições anteriores, a força-tarefa é assessorada por vários grupos de trabalho, que agora totalizam cercade 140 membros, correspondentes às categorias principais de diagnóstico. As deliberações e propostas em curso foram amplamente divulgadas, e parece que a constelação de transtornos mentais vai crescer ainda mais.

Em particular, os limites dos diagnósticos serão ampliados para incluir os precursores dos transtornos, tais como “síndrome do risco de psicose” e “transtorno cognitivo leve” (possível início do mal de Alzheimer). O termo “espectro” é usado para ampliar categorias, e temos,por exemplo, “espectro de transtorno obsessivo-compulsivo”, “transtorno do espectro da esquizofrenia” e “transtorno do espectro do autismo”. E há propostas para a inclusão de distúrbios totalmente novos, como “transtorno hipersexual”, “síndrome das pernas inquietas” e “compulsão alimentar”. Até mesmo Allen Frances, presidente da força-tarefa do DSM-IV, escreveu que a próxima edição do Manual será uma “mina de ouro para a indústria farmacêutica”.

A indústria farmacêutica influencia psiquiatras a receitar drogas psicoativas até mesmo a pacientes para os quais os medicamentos não foram considerados seguros e eficazes. O que deveria preocupar enormemente é o aumento espantoso do diagnóstico e tratamento de doenças mentais em crianças, algumas com apenas 2 anos de idade.

Essas crianças são tratadas muitas vezes com medicamentos que nunca foram aprovados pela FDA para uso nessa faixa etária, e têm efeitos colaterais graves. A prevalência de “transtorno bipolar juvenil” aumentou quarenta vezes entre 1993 e 2004, e a de “autismo” aumentou de 1 em 500 crianças para 1 em 90 ao longo da mesma década. Dez por cento dos meninos de 10 anos de idade tomam agora estimulantes diários para o transtorno de déficit de atenção/hiperatividade.

Seria muito difícil achar uma criança de 2 anos que não seja às vezes irritante, um menino de 5ª série que não seja ocasionalmente desatento, ou uma menina no ensino médio que não seja ansiosa. Rotular essas crianças como tendo um transtorno mental e tratá-las com medicamentos depende muito de quem elas são e das pressões que seus pais enfrentam.

Como as famílias de baixa renda estão passando por dificuldades econômicas

crescentes, muitas descobriram que o pedido de renda de seguridade suplementar com base na invalidez mental é a única maneira de sobreviver. Segundo um estudo da Universidade Rutgers, descobriu-se que crianças de famílias de baixa renda têm quatro vezes mais probabilidade de receber medicamentos antipsicóticos do que crianças com plano de saúde privado.

Os livros de Irving Kirsch, Robert Whitaker e Daniel Carlat são acusações enérgicas ao modo como a psiquiatria é praticada hoje em dia. Eles documentam o “frenesi” do diagnóstico, o uso excessivo de medicamentos com efeitos colaterais devastadores e os conflitos de interesse generalizados. Os críticos podem argumentar, como Nancy

Andreasen o faz em seu artigo sobre a perda de tecido cerebral no tratamento antipsicótico de longo prazo, que os efeitos colaterais são o preço que se deve pagar para aliviar o sofrimento causado pela doença mental. Se soubéssemos que os benefícios das drogas psicoativas superam seus danos, isso seria um argumento forte, uma vez que não há dúvida de que muitas pessoas sofrem gravemente com doenças mentais. Mas como Kirsch, Whitaker e Carlat argumentam, essa expectativa pode estar errada.

No mínimo, precisamos parar de pensar que as drogas psicoativas são o melhor e, muitas vezes, o único tratamento para as doenças mentais. Tanto a psicoterapia como os exercícios físicos têm se mostrado tão eficazes quanto os medicamentos para a depressão, e seus efeitos são mais duradouros. Mas, infelizmente, não existe indústria que promova essas alternativas. Mais pesquisas são necessárias para estudar alternativas às drogas psicoativas.

Em particular, precisamos repensar o tratamento de crianças. Nesse ponto, o problema é muitas vezes uma família perturbada em circunstâncias conturbadas. Tratamentos voltados para essas condições ambientais – como auxílio individual para pais ou centros pós-escola para as crianças – devem ser estudados e comparados com o tratamento farmacológico.

No longo prazo, essas alternativas seriam provavelmente mais baratas. Nossa confiança nas drogas psicoativas, receitadas para todos os descontentes com a vida, tende a excluir as outras opções. Em vista dos riscos, e da eficácia questionável dos medicamentos em longo prazo, precisamos fazer melhor do que isso. Acima de tudo, devemos lembrar o consagrado ditado médico: em primeiro lugar, não causar dano (primum non nocere).

Abs

Felipe


SUBJECT: E ainda falam em teoria da conspiração
FROM: luiz silva <luizfelipecsrj@yahoo.com.br>
TO: ListadeCiência <ciencialist@yahoogrupos.com.br>
DATE: 31/08/2011 15:45

SUBJECT: Re: RES: [ciencialist] Doenças Mentais, Teorias e Tratamentos
FROM: luiz silva <luizfelipecsrj@yahoo.com.br>
TO: ciencialist@yahoogrupos.com.br
DATE: 31/08/2011 15:48

Ola Victor,
 
Concordo com vc. O que acho interessante é a discussão sobre as causas destas doenças.
 
Abs
Felipe

--- Em qua, 31/8/11, JVictor <j.victor.neto@uol.com.br> escreveu:

De: JVictor <j.victor.neto@uol.com.br>
Assunto: RES: [ciencialist] Doenças Mentais, Teorias e Tratamentos
Para: ciencialist@yahoogrupos.com.br
Data: Quarta-feira, 31 de Agosto de 2011, 15:29

 

E assim continua o festival de teorias alternativas e...conspiratórias. Parece-me mais a criação de motivos para vender livros e espantar.  Todas essas doenças, “anomalias”, mentais  ou não,  sempre existiram, em todas as sociedades. Levantem-se dados a respeito, em cada uma, e se verá que nada há de espantoso nas  sociedades, umas em relação às outras. Tudo farinha do mesmo saco, nesse aspecto.   Apenas, quem tem a bola da vez, e é o mais visado, é o centro das especulações.

Nada contra ou favor, dos U.S.A. Aliás, mais a favor.  Afinal, somos  diferentes em quê?  Só em recursos e...juizo.

 

Para se aferir o nível de doentes, em cada lugar, basta ver o número de farmácias que existe em cada rua, em cada logradouro, de qualquer cidade.  Aquí no Recife, há uma numa  rua sim,e na seguinte  também.

 

Sds,

Victor.

 

De: ciencialist@yahoogrupos.com.br [mailto:ciencialist@yahoogrupos.com.br] Em nome de Luiz Ferraz Netto
Enviada em: quarta-feira, 31 de agosto de 2011 10:31
Para: ciencialist@yahoogrupos.com.br
Assunto: Re: [ciencialist] Doenças Mentais, Teorias e Tratamentos

 

 



Os U.S.A. constituem um país livre, logo, com todo direito de terem todas as doenças que quiserem. No capitalismo, onde a exploração da espécie atinge a própria espécie, todos devem ter seu 'psicólogo'; de cada dois americanos do norte, um é 'psicoxxxxx', o outro é doente mental.

Vamos dar a eles mais uma década ... e veremos o que sobra.

 

[]´

     ===========================
            Luiz Ferraz Netto [Léo] 
        leo@feiradeciencias.com.br
           leobarretos@uol.com.br
         luizferraz.netto@gmail.com
     http://www.feiradeciencias.com.br
     ===========================

----- Original Message -----

From: luiz silva

Sent: Tuesday, August 30, 2011 3:50 PM

Subject: [ciencialist] Doenças Mentais, Teorias e Tratamentos

 

 

Pessoal,

 

Gostaria da opinião de vcs sobre o texto que foi postado em outro forum (estou sem a fonte original, mas acho que foi alguma reportagem em algum jornal de expressão - o que não quer dizer muita coisa).

 

Parece que os americanos estão em meio a uma violenta epidemia de doenças mentais. A quantidade de pessoas incapacitadas por transtornos mentais, e com direito a receber a renda de seguridade suplementar ou o seguro por incapacidade, aumentou quase duas vezes e meia entre 1987 e 2007 – de 1 em cada 184 americanos passou para 1 em 76.

No que se refere às crianças, o número é ainda mais espantoso: um aumento de 35 vezes nas mesmas duas décadas. A doença mental é hoje a principal causa de incapacitação de crianças, bem à frente de deficiências físicas como a paralisia cerebral ou a síndrome de Down.

Um grande estudo de adultos (selecionados aleatoriamente), patrocinado pelo Instituto Nacional de Saúde Mental, realizado entre 2001 e 2003, descobriu que um percentual assombroso de 46% se encaixava nos critérios estabelecidos pela Associação Americana de Psiquiatria, por ter tido em algum momento de suas vidas pelo menos uma doença mental, entre quatro categorias.

As categorias seriam “transtornos de ansiedade”, que incluem fobias e estresse pós-traumático; “transtornos de humor”, como depressão e transtorno bipolar; “transtornos de controle dos impulsos”, que abrangem problemas de comportamento e de déficit de atenção/hiperatividade; e “transtornos causados pelo uso de substâncias”, como o abuso de álcool e drogas. A maioria dos pesquisados se encaixava em mais de um diagnóstico.

O tratamento médico desses transtornos quase sempre implica o uso de drogas psicoativas, os medicamentos que afetam o estado mental.Na verdade, a maioria dos psiquiatras usa apenas remédios no tratamento e encaminha os pacientes para psicólogos ou terapeutas se acha que uma psicoterapia é igualmente necessária.

A substituição da “terapia de conversa” pela das drogas como tratamento majoritário coincide com o surgimento, nas últimas quatro décadas, da teoria de que as doenças mentais são causadas por desequilíbrios químicos no cérebro, que podem ser corrigidos pelo uso de medicamentos. Essa teoria passou a ser amplamente aceita pela mídia e pelo público, bem como pelos médicos, depois que o Prozac chegou ao mercado, em 1987, e foi intensamente divulgado como um corretivo para a deficiência de serotonina no cérebro.

O número de pessoas depressivas tratadas triplicou nos dez anos seguintes e, hoje, cerca de 10% dos americanos com mais de 6 anos de idade tomam antidepressivos. O aumento do uso de drogas para tratar a psicose é ainda mais impressionante. A nova geração de antipsicóticos, como o Risperdal, o Zyprexa e o Seroquel, ultrapassou os redutores do colesterol no topo da lista de remédios mais vendidos nos Estados Unidos.

O que está acontecendo? A preponderância das doenças mentais sobre as físicas é de fato tão alta, e continua a crescer? Se os transtornos mentais são biologicamente determinados e não um produto de influências ambientais, é plausível supor que o seu crescimento seja real? Ou será que estamos aprendendo a diagnosticar transtornos mentais que sempre existiram? Ou, por outro lado, será que simplesmente ampliamos os critérios para definir as doenças mentais, de modo que quase todo mundo agora sofre de uma delas? E o que dizer dos medicamentos que viraram a base dos tratamentos? Eles funcionam? E, se funcionam, não deveríamos esperar que o número de doentes mentais estivesse em declínio e não em ascensão?

Essas são as questões que preocupam os autores de três livros provocativos, aqui analisados. Eles vêm de diferentes formações: Irving Kirsch é psicólogo da Universidade de Hull, no Reino Unido; Robert Whitaker é jornalista; e Daniel Carlat é um psiquiatra que clinica num subúrbio de Boston.

Os autores enfatizam diferentes aspectos da epidemia de doença mental. Kirsch está preocupado em saber se os antidepressivos funcionam. Whitaker pergunta se as drogas psicoativas não criam problemas piores do que aqueles que resolvem. Carlat examina como a sua profissão se aliou à indústria farmacêutica e é manipulada por ela. Mas, apesar de suas diferenças, os três estão de acordo sobre algumas questões importantes.

Em primeiro lugar, concordam que é preocupante a extensão com a qual as empresas que vendem drogas psicoativas – por meio de várias formas de marketing, tanto legal como ilegal, e usando o que muita gente chamaria de suborno – passaram a determinar o que constitui uma doença mental e como os distúrbios devem ser diagnosticados e tratados.

Em segundo lugar, nenhum dos três aceita a teoria de que a doença mental é provocada por um desequilíbrio químico no cérebro. Whitaker conta que essa teoria surgiu pouco depois que os remédios psicotrópicos foram introduzidos no mercado, na década de 50. O primeiro foi o Amplictil (clorpromazina), lançado em 1954, que rapidamente passou a ser muito usado em hospitais psiquiátricos, para acalmar pacientes psicóticos, sobretudo os com esquizofrenia. No ano seguinte, chegou o Miltown (meprobamato), vendido para tratar a ansiedade em pacientes ambulatoriais. Em 1957, o Marsilid (iproniazid) entrou no mercado como um “energizador psíquico” para tratar a depressão.

Desse modo, no curto espaço de três anos, tornaram-se disponíveis medicamentos para tratar aquelas que, na época, eram consideradas as três principais categorias de doença mental – ansiedade, psicose e depressão – e a psiquiatria transformou-se totalmente. Essas drogas, no entanto, não haviam sido desenvolvidas para tratar doenças mentais. Elas foram derivadas de remédios destinados ao combate de infecções, e se descobriu por acaso que alteravam o estado mental.

No início, ninguém tinha ideia de como funcionavam. Elas simplesmente embotavam sintomas mentais perturbadores. Durante a década seguinte, pesquisadores descobriram que essas drogas afetavam os níveis de certas substâncias químicas no cérebro.

Um pouco de pano de fundo, e necessariamente muito simplificado: o cérebro contém bilhões de células nervosas, os neurônios, distribuídos em redes complexas, que se comunicam uns com os outros constantemente. O neurônio típico tem múltiplas extensões filamentosas (uma chamada axônio e as outras chamadas dendritos), por meio das quais ele envia e recebe sinais de outros neurônios. Para um neurônio se comunicar com outro, no entanto, o sinal deve ser transmitido através do minúsculo espaço que os separa, a sinapse. Para conseguir isso, o axônio do neurônio libera na sinapse uma substância química chamada neurotransmissor.

O neurotransmissor atravessa a sinapse e liga-se a receptores no segundo neurônio, muitas vezes um dendrito, ativando ou inibindo a célula receptora. Os axônios têm vários terminais e, desse modo, cada neurônio tem múltiplas sinapses. Depois, o neurotransmissor é reabsorvido pelo primeiro neurônio ou metabolizado pelas enzimas, de tal modo que o status quo anterior é restaurado.

Quando se descobriu que as drogas psicoativas afetam os níveis de neurotransmissores, surgiu a teoria de que a causa da doença mental é uma anormalidade na concentração cerebral desses elementos químicos, a qual é combatida pelo medicamento apropriado.

Por exemplo: como o Thorazine diminui os níveis de dopamina no cérebro, postulou-se que psicoses como a esquizofrenia são causadas ​​por excesso de dopamina. Ou então: tendo em vista que alguns antidepressivos aumentam os níveis do neurotransmissor chamado serotonina, defendeu-se que a depressão é causada pela escassez de serotonina. Antidepressivos como o Prozac ou o Celexa impedem a reabsorção de serotonina pelos neurônios que a liberam, e assim ela permanece mais nas sinapses e ativa outros neurônios. Desse modo, em vez de desenvolver um medicamento para tratar uma anormalidade, uma anormalidade foi postulada para se adequar a um medicamento.

Trata-se de uma grande pirueta lógica, como apontam os três autores. Era perfeitamente possível que as drogas que afetam os níveis dos neurotransmissores pudessem aliviar os sintomas, mesmo que os neurotransmissores não tivessem nada a ver com a doença. Como escreve Carlat: “Por essa mesma lógica, se poderia argumentar que a causa de todos os estados de dor é uma deficiência de opiáceos, uma vez que analgésicos narcóticos ativam os receptores de opiáceos do cérebro.” Ou, do mesmo modo, se poderia dizer que as febres são causadas pela escassez de aspirina.

Mas o principal problema com essa teoria é que, após décadas tentando prová-la, os pesquisadores ainda estão de mãos vazias. Os três autores documentam o fracasso dos cientistas para encontrar boas provas a seu favor. Antes do tratamento, a função dos neurotransmissores parece ser normal nas pessoas com doença mental. Nas palavras de Whitaker:

Antes do tratamento, os pacientes diagnosticados com depressão, esquizofrenia e outros transtornos psiquiátricos não sofrem nenhum “desequilíbrio químico”. No entanto, depois que uma pessoa passa a tomar medicação psiquiátrica, que perturba a mecânica normal de uma via neuronal, seu cérebro começa a funcionar... anormalmente.

Carlat refere-se à teoria do desequilíbrio químico como um “mito” (que ele chama de “conveniente” porque reduziria o estigma da doença mental). E Kirsch,cujo livro centra-se na depressão, resume a questão assim: “Parece fora de dúvida que o conceito tradicional de considerar a depressão como um desequilíbrio químico no cérebro está simplesmente errado.” (O motivo da persistência dessa teoria, apesar da falta de provas, é um tema que tratarei adiante.)

Os remédios funcionam? Afinal de contas, independentemente da teoria, essa é a questão prática. Em seu livro seco e extremamente cativante, The Emperor’s New Drugs [As Novas Drogas do Imperador], Kirsch descreve os seus quinze anos de pesquisa científica para responder a essa pergunta, no que diz respeito aos antidepressivos.

Quando começou o trabalho em 1995, seu principal interesse eram os efeitos de placebos. Para estudá-los, ele e um colega revisaram 38 ensaios clínicos que comparavam vários tratamentos da depressão com placebos, ou comparavam a psicoterapia com nenhum tratamento. A maioria dessas experiências durava de seis a oito semanas, e durante esse período os pacientes tendiam a melhorar um pouco, mesmo se não tivessem nenhum tratamento.

Mas Kirsch descobriu que os placebos eram três vezes mais eficazes do que a ausência de tratamento. Isso não o surpreendeu. O que o surpreendeu mesmo foi que os antidepressivos foram apenas marginalmente mais úteis do que os placebos: 75% dos placebos foram tão eficazes quanto os antidepressivos. Kirsch resolveu então repetir o estudo, dessa vez com a análise de um conjunto de dados mais completo e padronizado.

Os dados que ele usou foram obtidos da Food and Drug Administration, a FDA [o órgão público americano encarregado do licenciamento e controle de medicamentos]. Quando buscam a aprovação da FDA para comercializar um novo remédio, os laboratórios farmacêuticos devem apresentar à agência todos os testes clínicos que patrocinaram. Os testes são geralmente duplo-cego e controlados com placebo. Ou seja: os pacientes participantes recebem aleatoriamente a droga ou o placebo, e nem eles nem os seus médicos sabem o que receberam.

Os pacientes são informados de que receberão ou um medicamento ativo ou um placebo. E também são avisados dos efeitos colaterais que podem ocorrer. Se dois testes comprovam que o medicamento é mais eficaz do que o placebo, ele é geralmente aprovado. Mas os laboratórios podem patrocinar quantos testes quiserem, e a maioria deles pode dar negativo – isto é, não mostrar a eficácia do remédio. Tudo o que eles precisam é de dois testes com resultados positivos. (Os resultados dos testes de um mesmo medicamento podem variar por muitas razões, entre elas a forma como o ensaio foi concebido e realizado, seu tamanho e os tipos de pacientes pesquisados.)

Por razões óbvias, as indústrias farmacêuticas fazem questão de que seus testes positivos sejam publicados em revistas médicas, e os médicos fiquem sabendo deles. Já os testes negativos ficam nas gavetas da FDA, que os considera propriedade privada e, portanto, confidenciais. Essa prática distorce a literatura médica, o ensino da medicina e as decisões de tratamento.

irsch e seus colegas usaram a Lei de Liberdade de Informação para obter as revisões da FDA de todos os testes clínicos controlados por placebo, positivos ou negativos, submetidos para a aprovação dos seis antidepressivos mais utilizados, aprovados entre 1987 e 1999: Prozac, Paxil, Zoloft, Celexa, Serzone e Effexor.

Ao todo, havia 42 testes das seis drogas. A maioria deles era negativo. No total, os placebos eram 82% tão eficazes quanto os medicamentos, tal como medido pela Escala de Depressão de Hamilton, uma classificação dos sintomas de depressão amplamente utilizada. A diferença média entre remédio e placebo era de apenas 1,8 ponto na Escala, uma diferença que, embora estatisticamente significativa, era insignificante do ponto de vista clínico. Os resultados foram quase os mesmos para as seis drogas: todos igualmente inexpressivos. No entanto, como os estudos positivos foram amplamente divulgados, enquanto os negativos eram escondidos, o público e os médicos passaram a acreditar que esses medicamentos antidepressivos eram altamente eficazes.

Kirsch ficou impressionado com outro achado inesperado. Em seu estudo anterior, e em trabalhos de outros, observara que até mesmo tratamentos com substâncias que não eram consideradas antidepressivas – como hormônio sintético da tireoide, opiáceos, sedativos, estimulantes e algumas ervas medicinais – eram tão eficazes quanto os antidepressivos para aliviar os sintomas da depressão. Kirsch escreve: “Quando administrados como antidepressivos, remédios que aumentam, diminuem ou não têm nenhuma influência sobre a serotonina aliviam a depressão mais ou menos no mesmo grau.”

O que todos esses medicamentos “eficazes” tinham em comum era que produziam efeitos colaterais, sobre os quais os pacientes participantes haviam sido informados de que poderiam ocorrer.

Diante da descoberta de que quase qualquer comprimido com efeitos colaterais era ligeiramente mais eficaz no tratamento da depressão do que um placebo, Kirsch especulou que a presença de efeitos colaterais em indivíduos que recebem medicamentos lhes permitia adivinhar que recebiam tratamento ativo – e isso foi corroborado por entrevistas com pacientes e médicos –, o que os tornava mais propensos a relatar uma melhora. Ele sugere que a razão pela qual os antidepressivos parecem funcionar melhor no alívio de depressão grave do que em casos menos graves é que os pacientes com sintomas graves provavelmente tomam doses mais elevadas e, portanto, sofrem mais efeitos colaterais.

Para investigar melhor se os efeitos colaterais distorciam as respostas, Kirsch analisou alguns ensaios que utilizaram placebos “ativos”, em vez de inertes. Um placebo ativo é aquele que produz efeitos colaterais, como a atropina – droga que bloqueia a ação de certos tipos de fibras nervosas. Apesar de não ser um antidepressivo, a atropina causa, entre outras coisas, secura da boca. Em testes utilizando atropina como placebo, não houve diferença entre os antidepressivos e o placebo ativo. Todos tinham efeitos colaterais, e todos relataram o mesmo nível de melhora.

Kirsch registrou outras descobertas estranhas em testes clínicos de antidepressivos, entre elas o fato de que não há nenhuma curva de dose-resposta, ou seja, altas doses não funcionavam melhor do que as baixas, o que é extremamente improvável para medicamentos eficazes.

“Ao se juntar tudo isso”, escreve Kirsch,“chega-se à conclusão de que a diferença relativamente pequena entre medicamentos e placebos pode não ser um efeito verdadeiro do remédio. Em vez disso, pode ser um efeito placebo acentuado, produzido pelo fato de que alguns pacientes passaram a perceber que recebiam medicamentos ou placebos. Se este for o caso, então não há nenhum efeito antidepressivo dos medicamentos. Em vez de compararmos placebo com remédio, estávamos comparando placebos ‘normais’ com placebos ‘extrafortes’.”

Trata-se de uma conclusão surpreendente, que desafia a opinião médica, mas Kirsch chega a ela de uma forma cuidadosa e lógica. Psiquiatras que usam antidepressivos – e isso significa a maioria deles – e pacientes que os tomam talvez insistam que sabem por experiência clínica que os medicamentos funcionam.

Mas casos individuais são uma forma traiçoeira de avaliar tratamentos médicos, pois estão sujeitos a distorções. Eles podem sugerir hipóteses a serem estudadas, mas não podem prová-las. É por isso que o desenvolvimento do teste clínico duplo-cego, aleatório e controlado com placebo, foi um avanço tão importante na ciência médica, em meados do século passado. Histórias sobre sanguessugas, megadoses de vitamina cou vários outros tratamentos populares não suportariam o escrutínio de testes bem planejados. Kirsch é um defensor devotado do método científico e sua voz, portanto, traz objetividade a um tema muitas vezes influenciado por subjetividade, emoções ou, como veremos, interesse pessoal.

O livro de Whitaker, Anatomy of an Epidemic [Anatomia de uma Epidemia], é mais amplo e polêmico. Ele leva em conta todas as doenças mentais, não apenas a depressão. EnquantoKirsch conclui que os antidepressivos não são provavelmente mais eficazes do que placebos, Whitaker conclui que eles e a maioria das drogas psicoativas não são apenas ineficazes, mas prejudiciais. Whitaker começa por observar que, se o tratamento de doenças mentais por meio de medicamentos disparou, o mesmo aconteceu com as patologias tratadas:

O número de doentes mentais incapacitados aumentou imensamente desde 1955 e durante as duas últimas décadas, período em que a prescrição de medicamentos psiquiátricos explodiu e o número de adultos e crianças incapacitados por doença mental aumentou numa taxa alucinante. Assim, chegamos a uma pergunta óbvia, embora herética: o paradigma de tratamento baseado em drogas poderia estar alimentando, de alguma maneira imprevista, essa praga dos tempos modernos?

Além disso, Whitaker sustenta que a história natural da doença mental mudou. Enquanto transtornos como esquizofrenia e depressão eram outrora episódicos, e cada episódio durava não mais de seis meses, sendo intercalado por longos períodos de normalidade, os distúrbios agora são crônicos e duram a vida inteira. Whitaker acredita que isso talvez aconteça porque os medicamentos, mesmo aqueles que aliviam os sintomas em curto prazo, causam em longo prazo danos mentais que continuam depois que a doença teria naturalmente se resolvido.

As provas que ele apresenta para essa teoria variam em qualidade. Whitaker não reconhece suficientemente a dificuldade de estudar a história natural de qualquer doença durante um período de cinquenta anos, no qual muitas circunstâncias mudaram, além do uso de medicamentos. É ainda mais difícil comparar resultados de longo prazo de pacientes tratados e não tratados. No entanto, os indícios de Whitaker são sugestivos, se não conclusivos.

Se as drogas psicoativas causam danos, como afirma Whitaker, qual é o seu mecanismo? A resposta, ele acredita, encontra-se em seus efeitos sobre os neurotransmissores. É bem sabido que as drogas psicoativas perturbam os neurotransmissores, mesmo que essa não seja a causa primeira da doença.

Whitaker descreve uma cadeia de efeitos. Quando, por exemplo, um antidepressivo como o Celexa aumenta os níveis de serotonina nas sinapses, ele estimula mudanças compensatórias por meio de um processo chamado feedback negativo. Em reação aos altos níveis de serotonina, os neurônios que a secretam liberam menos dela, e os neurônios pós-sinápticos tornam-se insensíveis a ela. Na verdade, o cérebro está tentando anular os efeitos da droga. O mesmo vale para os medicamentos que bloqueiam neurotransmissores, exceto no sentido inverso.

A maioria dos antipsicóticos, por exemplo, bloqueia a dopamina, mas os neurônios pré-sinápticos compensam isso liberando mais dopamina, e os neurônios pós-sinápticos a aceitam com mais avidez.

As consequências do uso prolongado de drogas psicoativas, nas palavras de Steve Hyman, até recentemente reitor da Universidade de Harvard, são “alterações substanciais e de longa duração na função neural”.

Depois de várias semanas de drogas psicoativas, os esforços de compensação do cérebro começam a falhar e surgem efeitos colaterais que refletem o mecanismo de ação dos medicamentos. Antipsicóticos causam efeitos secundários que se assemelham ao mal de Parkinson, por causa do esgotamento de dopamina (que também se esgota no Parkinson). À medida que surgem efeitos colaterais, eles são tratados por outros medicamentos, e muitos pacientes acabam tomando um coquetel de drogas psicoativas, prescrito para um coquetel de diagnósticos. Os episódios de mania causada por antidepressivos podem levar a um novo diagnóstico de “transtorno bipolar” e ao tratamento com um “estabilizador de humor”, como Depokote (anticonvulsivo), acompanhado de uma das novas drogas antipsicóticas. E assim por diante.

A respeitada pesquisadora Nancy Andreasen e seus colegas publicaram indícios de que o uso de antipsicóticos está associado ao encolhimento do cérebro, e que o efeito está diretamente relacionado à dose e à duração do tratamento. Como Andreasen explicou ao New York Times: “O córtex pré-frontal não obtém o que precisa e vai sendo fechado pelos medicamentos. Isso reduz os sintomas psicóticos. E faz também com que o córtex pré-frontal se atrofie lentamente.”

Largar os remédios é extremamente difícil, segundo Whitaker, porque quando eles são retirados, os mecanismos compensatórios ficam sem oposição. Quando se retira o Celexa, os níveis de serotonina caem bruscamente porque os neurônios pré-sinápticos não estão liberando quantidades normais. Da mesma forma, quando se suspende um antipsicótico, os níveis de dopamina podem disparar.Os sintomas produzidos pela retirada de drogas psicoativas são confundidos com recaídas da doença original, o que pode levar psiquiatras a retomar o tratamento com remédios, talvez em doses mais elevadas.

Whitaker está indignado com o que considera uma epidemia iatrogênica (isto é, introduzida inadvertidamente pelos médicos) de disfunção cerebral, especialmente a causada pelo uso generalizado dos novos antipsicóticos, como o Zyprexa, que provoca graves efeitos colaterais. Eis o que ele chama de “experimento de pensamento rápido”:

Imagine que aparece de repente um vírus que faz com que as pessoas durmam doze, catorze horas por dia. As pessoas infectadas se movimentam devagar e parecem emocionalmente desligadas. Muitas ganham quantidades imensas de peso – 10, 20 e até 50 quilos. Os seus níveis de açúcar no sangue disparam, assim como os de colesterol.

Vários dos atingidos pela doença misteriosa – entre eles, crianças e adolescentes – se tornam diabéticos. O governo federal dá centenas de milhões de dólares aos cientistas para decifrar o funcionamento do vírus, e eles relatam que ele bloqueia uma multidão de receptores no cérebro. Enquanto isso, exames de ressonância magnética descobrem que, ao longo de vários anos, o vírus encolhe o córtex cerebral, e esta diminuição está ligada ao declínio cognitivo. O público aterrorizado clama por uma cura.

Ora, essa doença está, de fato, atingindo milhões de crianças e adultos. Acabamos de descrever os efeitos do antipsicótico Zyprexa, um dos mais vendidos do laboratório Eli Lilly.

eon Eisenberg, professor da Universidade Johns Hopkins e da Escola de Medicina de Harvard, escreveu que a psiquiatria americana passou,no final do século XX, de uma fase “descerebrada” para uma “desmentalizada”. Ele quis dizer que, antes das drogas psicoativas, os psiquiatras tinham pouco interesse por neurotransmissores ou outros aspectos físicos do cérebro. Em vez disso, aceitavam a visão freudiana de que a doença mental tinha suas raízes em conflitos inconscientes, geralmente com origem na infância, que afetavam a mente como se ela fosse separada do cérebro.

Com a entrada em cena dessas drogas, na década de 50 – processo que se acelerou na década de 80 –, o foco mudou para o cérebro. Os psiquiatras começaram a se referir a si mesmos como psicofarmacologistas, e se interessaram cada vez menos pelas histórias de vida dos pacientes.

A preocupação deles era eliminar ou reduzir os sintomas, tratando os pacientes com medicamentos que alterariam a função cerebral. Tendo sido um dos primeiros defensores do modelo biológico de doença mental, Eisenberg veio a se tornar um crítico do uso indiscriminado de drogas psicoativas, impulsionado pelas maquinações da indústria farmacêutica.

Quando as drogas psicoativas surgiram, houve um período de otimismo na profissão psiquiátrica, mas na década de 70 o otimismo deu lugar a uma sensação de ameaça. Ficaram claros os graves efeitos colaterais dos medicamentos e um movimento de antipsiquiatria lançou raízes, como exemplificam os escritos de Thomas Szasz e o filme Um Estranho no Ninho.

Havia também a concorrência crescente de psicólogos e terapeutas. Além disso, os psiquiatras sofreram divisões internas: alguns abraçaram o modelo biológico, outros se agarraram ao modelo freudiano, e uns poucos viam a doença mental como uma resposta sadia a um mundo insano. Ademais, dentro da medicina, os psiquiatras eram considerados uma espécie de parentes pobres: mesmo com suas novas drogas, eram vistos como menos científicos do que os outros especialistas, e sua renda era geralmente mais baixa.

No final da década de 70, os psiquiatras contra-atacaram, e com força. Como conta Robert Whitaker em Anatomy of an Epidemic, o diretor médico da Associação Americana de Psiquiatria, Melvin Sabshin, declarou, em 1977: “Devemos apoiar fortemente um esforço vigoroso para remedicalizar a psiquiatria.” E lançou uma campanha maciça de relações públicas para fazer exatamente isso.

A psiquiatria detinha uma arma poderosa, que seus concorrentes não podiam ter. Como cursaram medicina, os psiquiatras têm autoridade legal para escrever receitas.

Ao abraçar o modelo biológico de doença mental, e o uso de drogas psicoativas para tratá-la, a psiquiatria conseguiu relegar os outros prestadores de serviços de saúde mental para cargos secundários. E se apresentou também como uma disciplina científica. E, o que é mais importante, ao enfatizar o tratamento medicamentoso, a psiquiatria tornou-se a queridinha da indústria farmacêutica, que logo tornou tangível sua gratidão.

A Associação Americana de Psiquiatria, a APA, estava preparando então a terceira edição do Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais, o DSM, que estabelece os critérios de diagnóstico para todos os transtornos mentais. O presidente da Associação havia indicado Robert Spitzer, eminente professor de psiquiatria da Universidade de Columbia, para chefiar a força-tarefa que supervisionaria o Manual.

As duas primeiras edições, publicadas em 1952 e 1968, refletiam a visão freudiana da doença mental, e eram pouco conhecidas fora da profissão. Spitzer decidiu fazer da terceira edição, o DSM-III, algo bem diferente. Ele prometeu que o Manual seria “uma defesa do modelo médico aplicado a problemas psiquiátricos”, e o presidente da Associação, Jack Weinberg, disse que ele “deixaria claro para quem tivesse dúvidas que consideramos a psiquiatria uma especialidade da medicina”.

Quando foi publicado, em 1980, o DSM-III continha 265 diagnósticos (acima dos 182 da edição anterior) e logo teve um uso quase universal: não apenas por parte de psiquiatras, mas também por companhias de seguros, hospitais, tribunais, prisões, escolas, pesquisadores, agências governamentais e médicos de todas as especialidades. Seu principal objetivo era trazer coerência (normalmente chamada de “confiabilidade”) ao diagnóstico psiquiátrico. Ou seja, garantir que os psiquiatras que viam o mesmo paciente concordassem com o diagnóstico. Para isso, cada diagnóstico era definido por uma lista de sintomas, com limites numéricos. Por exemplo, ter pelo menos cinco de nove sintomas determinados garantia ao paciente um diagnóstico definitivo de episódio depressivo dentro da ampla categoria de “transtornos do humor”.

Mas havia outro objetivo: justificar o uso de drogas psicoativas. Com efeito, Carol Bernstein, a presidente da apa, reconheceu isso ao escrever: “Na década de 70, foi preciso facilitar um acordo sobre diagnósticos entre clínicos, cientistas e autoridades reguladoras, dada a necessidade de ligar os pacientes aos novos tratamentos farmacológicos.”

A terceira edição do Manual era talvez mais “confiável” do que as versões anteriores, mas confiabilidade não é a mesma coisa que validade. O termo confiabilidade é usado como sinônimo de “coerência”; validade refere-se à correção ou solidez. Se todos os médicos concordassem que as sardas são um sinal de câncer, o diagnóstico seria “confiável”, mas não válido.

O problema com o Manual é que, em todas as suas edições, ele simplesmente refletia as opiniões de seus autores. E, no caso do DSM-III, sobretudo as opiniões do próprio Spitzer, que foi apontado com justiça como um dos psiquiatras mais influentes do século xx. Em suas palavras, ele “pegou todo mundo com quem se sentia à vontade” para participar da força-tarefa de quinze membros, e houve queixas de que ele convocou poucas reuniões e conduziu o processo de uma maneira desordenada, mas ditatorial.

Num artigo de 1984 intitulado “As desvantagens do DSM-III superam suas vantagens”, George Vaillant, professor de psiquiatria de Harvard, afirmou que o DSM-III representou “uma audaciosa série de escolhas baseadas em palpite, gosto, preconceito e esperança”, o que parece ser uma boa descrição.

  DSM se tornou a bíblia da psiquiatria e, tal como a Bíblia cristã, dependia muito de algo parecido com a fé: não há nele citações de estudos científicos para sustentar suas decisões. É uma omissão espantosa, porque em todas as publicações médicas, sejam revistas ou livros didáticos, as declarações de fatos devem estar apoiadas em referências comprováveis. (Há quatro “livros de consulta” separados para a edição atual do DSM, que apresentam a razão para algumas decisões, junto com referências, mas isso não é a mesma coisa que referências específicas.)

Pode ser de muito interesse para um grupo de especialistas se reunir e dar suas opiniões, mas a menos que essas opiniões possam ser sustentadas por provas, elas não autorizam a deferência extraordinária dedicada ao DSM. “A cada edição subsequente”, escreve Daniel Carlat, “o número de categorias de diagnósticos se multiplicava, e os livros se tornaram maiores e mais caros. Cada um deles se tornou um best-seller, e o DSM é hoje uma das principais fontes de renda da Associação Americana de Psiquiatria.” O Manual atual, o DSM-IV, vendeu mais de 1 milhão de exemplares.

Os laboratórios farmacêuticos passaram a dar toda a atenção e generosidade aos psiquiatras, tanto individual como coletivamente, direta e indiretamente. Choveram presentes e amostras grátis, contratos de consultores e palestrantes, refeições, ajuda para participar de conferências. Quando os estados de Minnesota e Vermont implantaram “leis de transparência”, que exigem que os laboratórios informem todos os pagamentos a médicos, descobriu-se que os psiquiatras recebiam mais dinheiro do que os médicos de qualquer outra especialidade. A indústria farmacêutica também subsidia as reuniões da APA e outras conferências psiquiátricas. Cerca de um quinto do financiamento da APA vem agora da indústria farmacêutica.

Os laboratórios buscam conquistar psiquiatras de centros médicos universitários de prestígio. Chamados pela indústria de “líderes-chave de opinião”, eles são os profissionais que, por meio do que escrevem e ensinam, influenciam o tratamento das doenças mentais. Eles também publicam grande parte da pesquisa clínica sobre medicamentos e, o que é fundamental, determinam o conteúdo do DSM. Em certo sentido, eles são a melhor equipe de vendas que a indústria poderia ter e valem cada centavo gasto com eles. Dos 170 colaboradores da versão atual do DSM, dos quais quase todos poderiam ser descritos como líderes-chave, 95 tinham vínculos financeiros com laboratórios farmacêuticos, inclusive todos os colaboradores das seções sobre transtornos de humor e esquizofrenia.

Carlat pergunta: “Por que os psiquiatras estão na frente de todos os outros especialistas quando se trata de tomar dinheiro de laboratórios?” Sua resposta: “Nossos diagnósticos são subjetivos e expansíveis, e temos poucas razões racionais para a escolha de um tratamento em relação a outro.” Ao contrário das enfermidades tratadas pela maioria dos outros ramos da medicina, não há sinais ou exames objetivos para as doenças mentais – nenhum dado de laboratório ou descoberta por ressonância magnética – e as fronteiras entre o normal e o anormal são muitas vezes pouco claras.

Isso torna possível expandir as fronteiras do diagnóstico ou até mesmo criar novas diagnoses, de uma forma que seria impossível, por exemplo, em um campo como a cardiologia. E as empresas farmacêuticas têm todo o interesse em induzir os psiquiatras a fazer exatamente isso.

Além do dinheiro gasto com os psiquiatras, os laboratórios apoiam muitos grupos de defesa de pacientes e organizações educacionais. Whitaker informa que, somente no primeiro trimestre de 2009, o “Eli Lilly deu 551 mil dólares à Aliança Nacional para Doenças Mentais, 465 mil dólares para a Associação Nacional de Saúde Mental, 130 mil dólares para um grupo de defesa dos pacientes de déficit de atenção/hiperatividade, e 69 250 dólares para a Fundação Americana de Prevenção ao Suicídio”.

E isso foi o que apenas um laboratório gastou em três meses; pode-se imaginar qual deve ser o total anual de todas as empresas que produzem drogas psicoativas. Esses grupos aparentemente existem para conscientizar a opinião pública sobre transtornos psiquiátricos, mas também têm o efeito de promover o uso de drogas psicoativas e influenciar os planos de saúde para cobri-los.

Como a maioria dos psiquiatras, Carlat trata seus pacientes apenas com medicamentos, sem terapia de conversa, e é sincero a respeito das vantagens de fazer isso. Ele calcula que, se atender três pacientes por hora com psicofarmacologia, ganha cerca de 180 dólares por hora dos planos de saúde. Em contrapartida, poderia atender apenas um paciente por hora com terapia de conversa, pela qual os planos lhe pagariam menos de 100 dólares. Carlat não acredita que a psicofarmacologia seja particularmente complicada, muito menos precisa, embora o público seja levado a acreditar que é.

Seu trabalho consiste em fazer aos pacientes uma série de perguntas sobre seus sintomas, para ver se eles combinam com algum dos transtornos catalogados no DSM. Esse exercício de correspondência, diz ele, propicia “a ilusão de que compreendemos os nossos pacientes, quando tudo o que estamos fazendo é atribuir-lhes rótulos”. Muitas vezes os pacientes preenchem critérios para mais de um diagnóstico, porque há sobreposição de sintomas.

Um dos pacientes de Carlat acabou com sete diagnósticos distintos. “Nós miramos sintomas distintos com os tratamentos, e outros medicamentos são adicionados para tratar os efeitos colaterais.” Um paciente típico, diz ele, pode estar tomando Celexa para depressão, Ativan para ansiedade, Ambien para insônia, Provigil para fadiga (um efeito colateral do Celexa) e Viagra para impotência (outro efeito colateral do Celexa).

Quanto aos próprios medicamentos, Carlat escreve que “há apenas um punhado de categorias guarda-chuva de drogas psicotrópicas”, sob as quais os medicamentos não são muito diferentes uns dos outros. Ele não acredita que exista muita base para escolher entre eles. E resume:

Assim é a moderna psicofarmacologia. Guiados apenas por sintomas, tentamos diferentes medicamentos, sem nenhuma concepção verdadeira do que estamos tentando corrigir, ou de como as drogas estão funcionando. Espanto-me que sejamos tão eficazes para tantos pacientes.

Carlat passa então a especular, como Kirsch em The Emperor’s New Drugs, que os pacientes talvez estejam respondendo a um efeito placebo ativado. Se as drogas psicoativas não são tudo o que é alardeado – e os indícios indicam que não são –, o que acontece com os próprios diagnósticos? Como eles se multiplicam a cada edição do DSM?

Em 1999, a APA começou a trabalhar em sua quinta revisão do DSM, programado para ser publicado em 2013. A força-tarefa de 27 membros é chefiada por David Kupfer, professor de psiquiatria da Universidade de Pittsburgh. Tal como nas edições anteriores, a força-tarefa é assessorada por vários grupos de trabalho, que agora totalizam cercade 140 membros, correspondentes às categorias principais de diagnóstico. As deliberações e propostas em curso foram amplamente divulgadas, e parece que a constelação de transtornos mentais vai crescer ainda mais.

Em particular, os limites dos diagnósticos serão ampliados para incluir os precursores dos transtornos, tais como “síndrome do risco de psicose” e “transtorno cognitivo leve” (possível início do mal de Alzheimer). O termo “espectro” é usado para ampliar categorias, e temos,por exemplo, “espectro de transtorno obsessivo-compulsivo”, “transtorno do espectro da esquizofrenia” e “transtorno do espectro do autismo”. E há propostas para a inclusão de distúrbios totalmente novos, como “transtorno hipersexual”, “síndrome das pernas inquietas” e “compulsão alimentar”. Até mesmo Allen Frances, presidente da força-tarefa do DSM-IV, escreveu que a próxima edição do Manual será uma “mina de ouro para a indústria farmacêutica”.

A indústria farmacêutica influencia psiquiatras a receitar drogas psicoativas até mesmo a pacientes para os quais os medicamentos não foram considerados seguros e eficazes. O que deveria preocupar enormemente é o aumento espantoso do diagnóstico e tratamento de doenças mentais em crianças, algumas com apenas 2 anos de idade.

Essas crianças são tratadas muitas vezes com medicamentos que nunca foram aprovados pela FDA para uso nessa faixa etária, e têm efeitos colaterais graves. A prevalência de “transtorno bipolar juvenil” aumentou quarenta vezes entre 1993 e 2004, e a de “autismo” aumentou de 1 em 500 crianças para 1 em 90 ao longo da mesma década. Dez por cento dos meninos de 10 anos de idade tomam agora estimulantes diários para o transtorno de déficit de atenção/hiperatividade.

Seria muito difícil achar uma criança de 2 anos que não seja às vezes irritante, um menino de 5ª série que não seja ocasionalmente desatento, ou uma menina no ensino médio que não seja ansiosa. Rotular essas crianças como tendo um transtorno mental e tratá-las com medicamentos depende muito de quem elas são e das pressões que seus pais enfrentam.

Como as famílias de baixa renda estão passando por dificuldades econômicas

crescentes, muitas descobriram que o pedido de renda de seguridade suplementar com base na invalidez mental é a única maneira de sobreviver. Segundo um estudo da Universidade Rutgers, descobriu-se que crianças de famílias de baixa renda têm quatro vezes mais probabilidade de receber medicamentos antipsicóticos do que crianças com plano de saúde privado.

Os livros de Irving Kirsch, Robert Whitaker e Daniel Carlat são acusações enérgicas ao modo como a psiquiatria é praticada hoje em dia. Eles documentam o “frenesi” do diagnóstico, o uso excessivo de medicamentos com efeitos colaterais devastadores e os conflitos de interesse generalizados. Os críticos podem argumentar, como Nancy

Andreasen o faz em seu artigo sobre a perda de tecido cerebral no tratamento antipsicótico de longo prazo, que os efeitos colaterais são o preço que se deve pagar para aliviar o sofrimento causado pela doença mental. Se soubéssemos que os benefícios das drogas psicoativas superam seus danos, isso seria um argumento forte, uma vez que não há dúvida de que muitas pessoas sofrem gravemente com doenças mentais. Mas como Kirsch, Whitaker e Carlat argumentam, essa expectativa pode estar errada.

No mínimo, precisamos parar de pensar que as drogas psicoativas são o melhor e, muitas vezes, o único tratamento para as doenças mentais. Tanto a psicoterapia como os exercícios físicos têm se mostrado tão eficazes quanto os medicamentos para a depressão, e seus efeitos são mais duradouros. Mas, infelizmente, não existe indústria que promova essas alternativas. Mais pesquisas são necessárias para estudar alternativas às drogas psicoativas.

Em particular, precisamos repensar o tratamento de crianças. Nesse ponto, o problema é muitas vezes uma família perturbada em circunstâncias conturbadas. Tratamentos voltados para essas condições ambientais – como auxílio individual para pais ou centros pós-escola para as crianças – devem ser estudados e comparados com o tratamento farmacológico.

No longo prazo, essas alternativas seriam provavelmente mais baratas. Nossa confiança nas drogas psicoativas, receitadas para todos os descontentes com a vida, tende a excluir as outras opções. Em vista dos riscos, e da eficácia questionável dos medicamentos em longo prazo, precisamos fazer melhor do que isso. Acima de tudo, devemos lembrar o consagrado ditado médico: em primeiro lugar, não causar dano (primum non nocere).

Abs

Felipe


SUBJECT: Re: [ciencialist] E ainda falam em teoria da conspiração
FROM: "Alberto Mesquita Filho" <albmesq@uol.com.br>
TO: <ciencialist@yahoogrupos.com.br>
DATE: 31/08/2011 16:20



-----Mensagem Original-----
From: luiz silva
Sent: Wednesday, August 31, 2011 3:45 PM
To: ListadeCiência
Subject: [ciencialist] E ainda falam em teoria da conspiração

> http://oglobo.globo.com/ciencia/mat/2011/08/30/investigacoes-revelam-detalhes-de-experiencia-dos-eua-com-cobaias-humanas-na-guatemala-925254050.asp

Pois é!!!

E eu acho que o Bush ainda nem havia nascido.

[ ]´s
Alberto
http://ecientificocultural.com.br
Mas indiferentemente a tudo isso, o elétron não é uma carga elétrica
coulombiana e a Terra se move. E a história se repetirá.



SUBJECT: Re: [ciencialist] Doenças Mentais, Teorias e Tratamentos
FROM: "Luiz Ferraz Netto" <leobarretos@uol.com.br>
TO: <ciencialist@yahoogrupos.com.br>
DATE: 31/08/2011 18:28


O problema é que se trata de psiquiatria e, em Ciência, não se afiança a ' palavra da autoridade'. Assim, não há Ciência em psiquiatria.
Psiquiatria e Advocacia é a mesma coisa; veja os textos e livros de ambos ... 70% de cópias, 20% de palavras de autoridade, 9% de espaço em branco no livro e 1% de obtusas opinião do autor.
 
[]´
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            Luiz Ferraz Netto [Léo] 
        leo@feiradeciencias.com.br
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----- Original Message -----
From: luiz silva
Sent: Wednesday, August 31, 2011 11:10 AM
Subject: Re: [ciencialist] Doenças Mentais, Teorias e Tratamentos

 

Ola Leo,

Independentemente dos psicólogos, acho que temos má ciência na psiquiatria tb!!! Este é o ponto principal.

Eu pesquisei todos os pesquisadores citados (incluindo neurocientistas), e todos parecem ser bons pesquisadores.

Abs
Felipe

--- Em qua, 31/8/11, Luiz Ferraz Netto <leobarretos@uol.com.br> escreveu:

De: Luiz Ferraz Netto <leobarretos@uol.com.br>
Assunto: Re: [ciencialist] Doenças Mentais, Teorias e Tratamentos
Para: ciencialist@yahoogrupos.com.br
Data: Quarta-feira, 31 de Agosto de 2011, 10:30

 



Os U.S.A. constituem um país livre, logo, com todo direito de terem todas as doenças que quiserem. No capitalismo, onde a exploração da espécie atinge a própria espécie, todos devem ter seu 'psicólogo'; de cada dois americanos do norte, um é 'psicoxxxxx', o outro é doente mental.
Vamos dar a eles mais uma década ... e veremos o que sobra.
 
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From: luiz silva
Sent: Tuesday, August 30, 2011 3:50 PM
Subject: [ciencialist] Doenças Mentais, Teorias e Tratamentos

 

Pessoal,
 
Gostaria da opinião de vcs sobre o texto que foi postado em outro forum (estou sem a fonte original, mas acho que foi alguma reportagem em algum jornal de expressão - o que não quer dizer muita coisa).
 

Parece que os americanos estão em meio a uma violenta epidemia de doenças mentais. A quantidade de pessoas incapacitadas por transtornos mentais, e com direito a receber a renda de seguridade suplementar ou o seguro por incapacidade, aumentou quase duas vezes e meia entre 1987 e 2007 – de 1 em cada 184 americanos passou para 1 em 76.

No que se refere às crianças, o número é ainda mais espantoso: um aumento de 35 vezes nas mesmas duas décadas. A doença mental é hoje a principal causa de incapacitação de crianças, bem à frente de deficiências físicas como a paralisia cerebral ou a síndrome de Down.

Um grande estudo de adultos (selecionados aleatoriamente), patrocinado pelo Instituto Nacional de Saúde Mental, realizado entre 2001 e 2003, descobriu que um percentual assombroso de 46% se encaixava nos critérios estabelecidos pela Associação Americana de Psiquiatria, por ter tido em algum momento de suas vidas pelo menos uma doença mental, entre quatro categorias.

As categorias seriam “transtornos de ansiedade”, que incluem fobias e estresse pós-traumático; “transtornos de humor”, como depressão e transtorno bipolar; “transtornos de controle dos impulsos”, que abrangem problemas de comportamento e de déficit de atenção/hiperatividade; e “transtornos causados pelo uso de substâncias”, como o abuso de álcool e drogas. A maioria dos pesquisados se encaixava em mais de um diagnóstico.

O tratamento médico desses transtornos quase sempre implica o uso de drogas psicoativas, os medicamentos que afetam o estado mental.Na verdade, a maioria dos psiquiatras usa apenas remédios no tratamento e encaminha os pacientes para psicólogos ou terapeutas se acha que uma psicoterapia é igualmente necessária.

A substituição da “terapia de conversa” pela das drogas como tratamento majoritário coincide com o surgimento, nas últimas quatro décadas, da teoria de que as doenças mentais são causadas por desequilíbrios químicos no cérebro, que podem ser corrigidos pelo uso de medicamentos. Essa teoria passou a ser amplamente aceita pela mídia e pelo público, bem como pelos médicos, depois que o Prozac chegou ao mercado, em 1987, e foi intensamente divulgado como um corretivo para a deficiência de serotonina no cérebro.

O número de pessoas depressivas tratadas triplicou nos dez anos seguintes e, hoje, cerca de 10% dos americanos com mais de 6 anos de idade tomam antidepressivos. O aumento do uso de drogas para tratar a psicose é ainda mais impressionante. A nova geração de antipsicóticos, como o Risperdal, o Zyprexa e o Seroquel, ultrapassou os redutores do colesterol no topo da lista de remédios mais vendidos nos Estados Unidos.

O que está acontecendo? A preponderância das doenças mentais sobre as físicas é de fato tão alta, e continua a crescer? Se os transtornos mentais são biologicamente determinados e não um produto de influências ambientais, é plausível supor que o seu crescimento seja real? Ou será que estamos aprendendo a diagnosticar transtornos mentais que sempre existiram? Ou, por outro lado, será que simplesmente ampliamos os critérios para definir as doenças mentais, de modo que quase todo mundo agora sofre de uma delas? E o que dizer dos medicamentos que viraram a base dos tratamentos? Eles funcionam? E, se funcionam, não deveríamos esperar que o número de doentes mentais estivesse em declínio e não em ascensão?

Essas são as questões que preocupam os autores de três livros provocativos, aqui analisados. Eles vêm de diferentes formações: Irving Kirsch é psicólogo da Universidade de Hull, no Reino Unido; Robert Whitaker é jornalista; e Daniel Carlat é um psiquiatra que clinica num subúrbio de Boston.

Os autores enfatizam diferentes aspectos da epidemia de doença mental. Kirsch está preocupado em saber se os antidepressivos funcionam. Whitaker pergunta se as drogas psicoativas não criam problemas piores do que aqueles que resolvem. Carlat examina como a sua profissão se aliou à indústria farmacêutica e é manipulada por ela. Mas, apesar de suas diferenças, os três estão de acordo sobre algumas questões importantes.

Em primeiro lugar, concordam que é preocupante a extensão com a qual as empresas que vendem drogas psicoativas – por meio de várias formas de marketing, tanto legal como ilegal, e usando o que muita gente chamaria de suborno – passaram a determinar o que constitui uma doença mental e como os distúrbios devem ser diagnosticados e tratados.

Em segundo lugar, nenhum dos três aceita a teoria de que a doença mental é provocada por um desequilíbrio químico no cérebro. Whitaker conta que essa teoria surgiu pouco depois que os remédios psicotrópicos foram introduzidos no mercado, na década de 50. O primeiro foi o Amplictil (clorpromazina), lançado em 1954, que rapidamente passou a ser muito usado em hospitais psiquiátricos, para acalmar pacientes psicóticos, sobretudo os com esquizofrenia. No ano seguinte, chegou o Miltown (meprobamato), vendido para tratar a ansiedade em pacientes ambulatoriais. Em 1957, o Marsilid (iproniazid) entrou no mercado como um “energizador psíquico” para tratar a depressão.

Desse modo, no curto espaço de três anos, tornaram-se disponíveis medicamentos para tratar aquelas que, na época, eram consideradas as três principais categorias de doença mental – ansiedade, psicose e depressão – e a psiquiatria transformou-se totalmente. Essas drogas, no entanto, não haviam sido desenvolvidas para tratar doenças mentais. Elas foram derivadas de remédios destinados ao combate de infecções, e se descobriu por acaso que alteravam o estado mental.

No início, ninguém tinha ideia de como funcionavam. Elas simplesmente embotavam sintomas mentais perturbadores. Durante a década seguinte, pesquisadores descobriram que essas drogas afetavam os níveis de certas substâncias químicas no cérebro.

Um pouco de pano de fundo, e necessariamente muito simplificado: o cérebro contém bilhões de células nervosas, os neurônios, distribuídos em redes complexas, que se comunicam uns com os outros constantemente. O neurônio típico tem múltiplas extensões filamentosas (uma chamada axônio e as outras chamadas dendritos), por meio das quais ele envia e recebe sinais de outros neurônios. Para um neurônio se comunicar com outro, no entanto, o sinal deve ser transmitido através do minúsculo espaço que os separa, a sinapse. Para conseguir isso, o axônio do neurônio libera na sinapse uma substância química chamada neurotransmissor.

O neurotransmissor atravessa a sinapse e liga-se a receptores no segundo neurônio, muitas vezes um dendrito, ativando ou inibindo a célula receptora. Os axônios têm vários terminais e, desse modo, cada neurônio tem múltiplas sinapses. Depois, o neurotransmissor é reabsorvido pelo primeiro neurônio ou metabolizado pelas enzimas, de tal modo que o status quo anterior é restaurado.

Quando se descobriu que as drogas psicoativas afetam os níveis de neurotransmissores, surgiu a teoria de que a causa da doença mental é uma anormalidade na concentração cerebral desses elementos químicos, a qual é combatida pelo medicamento apropriado.

Por exemplo: como o Thorazine diminui os níveis de dopamina no cérebro, postulou-se que psicoses como a esquizofrenia são causadas ​​por excesso de dopamina. Ou então: tendo em vista que alguns antidepressivos aumentam os níveis do neurotransmissor chamado serotonina, defendeu-se que a depressão é causada pela escassez de serotonina. Antidepressivos como o Prozac ou o Celexa impedem a reabsorção de serotonina pelos neurônios que a liberam, e assim ela permanece mais nas sinapses e ativa outros neurônios. Desse modo, em vez de desenvolver um medicamento para tratar uma anormalidade, uma anormalidade foi postulada para se adequar a um medicamento.

Trata-se de uma grande pirueta lógica, como apontam os três autores. Era perfeitamente possível que as drogas que afetam os níveis dos neurotransmissores pudessem aliviar os sintomas, mesmo que os neurotransmissores não tivessem nada a ver com a doença. Como escreve Carlat: “Por essa mesma lógica, se poderia argumentar que a causa de todos os estados de dor é uma deficiência de opiáceos, uma vez que analgésicos narcóticos ativam os receptores de opiáceos do cérebro.” Ou, do mesmo modo, se poderia dizer que as febres são causadas pela escassez de aspirina.

Mas o principal problema com essa teoria é que, após décadas tentando prová-la, os pesquisadores ainda estão de mãos vazias. Os três autores documentam o fracasso dos cientistas para encontrar boas provas a seu favor. Antes do tratamento, a função dos neurotransmissores parece ser normal nas pessoas com doença mental. Nas palavras de Whitaker:

Antes do tratamento, os pacientes diagnosticados com depressão, esquizofrenia e outros transtornos psiquiátricos não sofrem nenhum “desequilíbrio químico”. No entanto, depois que uma pessoa passa a tomar medicação psiquiátrica, que perturba a mecânica normal de uma via neuronal, seu cérebro começa a funcionar... anormalmente.

Carlat refere-se à teoria do desequilíbrio químico como um “mito” (que ele chama de “conveniente” porque reduziria o estigma da doença mental). E Kirsch,cujo livro centra-se na depressão, resume a questão assim: “Parece fora de dúvida que o conceito tradicional de considerar a depressão como um desequilíbrio químico no cérebro está simplesmente errado.” (O motivo da persistência dessa teoria, apesar da falta de provas, é um tema que tratarei adiante.)

Os remédios funcionam? Afinal de contas, independentemente da teoria, essa é a questão prática. Em seu livro seco e extremamente cativante, The Emperor’s New Drugs [As Novas Drogas do Imperador], Kirsch descreve os seus quinze anos de pesquisa científica para responder a essa pergunta, no que diz respeito aos antidepressivos.

Quando começou o trabalho em 1995, seu principal interesse eram os efeitos de placebos. Para estudá-los, ele e um colega revisaram 38 ensaios clínicos que comparavam vários tratamentos da depressão com placebos, ou comparavam a psicoterapia com nenhum tratamento. A maioria dessas experiências durava de seis a oito semanas, e durante esse período os pacientes tendiam a melhorar um pouco, mesmo se não tivessem nenhum tratamento.

Mas Kirsch descobriu que os placebos eram três vezes mais eficazes do que a ausência de tratamento. Isso não o surpreendeu. O que o surpreendeu mesmo foi que os antidepressivos foram apenas marginalmente mais úteis do que os placebos: 75% dos placebos foram tão eficazes quanto os antidepressivos. Kirsch resolveu então repetir o estudo, dessa vez com a análise de um conjunto de dados mais completo e padronizado.

Os dados que ele usou foram obtidos da Food and Drug Administration, a FDA [o órgão público americano encarregado do licenciamento e controle de medicamentos]. Quando buscam a aprovação da FDA para comercializar um novo remédio, os laboratórios farmacêuticos devem apresentar à agência todos os testes clínicos que patrocinaram. Os testes são geralmente duplo-cego e controlados com placebo. Ou seja: os pacientes participantes recebem aleatoriamente a droga ou o placebo, e nem eles nem os seus médicos sabem o que receberam.

Os pacientes são informados de que receberão ou um medicamento ativo ou um placebo. E também são avisados dos efeitos colaterais que podem ocorrer. Se dois testes comprovam que o medicamento é mais eficaz do que o placebo, ele é geralmente aprovado. Mas os laboratórios podem patrocinar quantos testes quiserem, e a maioria deles pode dar negativo – isto é, não mostrar a eficácia do remédio. Tudo o que eles precisam é de dois testes com resultados positivos. (Os resultados dos testes de um mesmo medicamento podem variar por muitas razões, entre elas a forma como o ensaio foi concebido e realizado, seu tamanho e os tipos de pacientes pesquisados.)

Por razões óbvias, as indústrias farmacêuticas fazem questão de que seus testes positivos sejam publicados em revistas médicas, e os médicos fiquem sabendo deles. Já os testes negativos ficam nas gavetas da FDA, que os considera propriedade privada e, portanto, confidenciais. Essa prática distorce a literatura médica, o ensino da medicina e as decisões de tratamento.

irsch e seus colegas usaram a Lei de Liberdade de Informação para obter as revisões da FDA de todos os testes clínicos controlados por placebo, positivos ou negativos, submetidos para a aprovação dos seis antidepressivos mais utilizados, aprovados entre 1987 e 1999: Prozac, Paxil, Zoloft, Celexa, Serzone e Effexor.

Ao todo, havia 42 testes das seis drogas. A maioria deles era negativo. No total, os placebos eram 82% tão eficazes quanto os medicamentos, tal como medido pela Escala de Depressão de Hamilton, uma classificação dos sintomas de depressão amplamente utilizada. A diferença média entre remédio e placebo era de apenas 1,8 ponto na Escala, uma diferença que, embora estatisticamente significativa, era insignificante do ponto de vista clínico. Os resultados foram quase os mesmos para as seis drogas: todos igualmente inexpressivos. No entanto, como os estudos positivos foram amplamente divulgados, enquanto os negativos eram escondidos, o público e os médicos passaram a acreditar que esses medicamentos antidepressivos eram altamente eficazes.

Kirsch ficou impressionado com outro achado inesperado. Em seu estudo anterior, e em trabalhos de outros, observara que até mesmo tratamentos com substâncias que não eram consideradas antidepressivas – como hormônio sintético da tireoide, opiáceos, sedativos, estimulantes e algumas ervas medicinais – eram tão eficazes quanto os antidepressivos para aliviar os sintomas da depressão. Kirsch escreve: “Quando administrados como antidepressivos, remédios que aumentam, diminuem ou não têm nenhuma influência sobre a serotonina aliviam a depressão mais ou menos no mesmo grau.”

O que todos esses medicamentos “eficazes” tinham em comum era que produziam efeitos colaterais, sobre os quais os pacientes participantes haviam sido informados de que poderiam ocorrer.

Diante da descoberta de que quase qualquer comprimido com efeitos colaterais era ligeiramente mais eficaz no tratamento da depressão do que um placebo, Kirsch especulou que a presença de efeitos colaterais em indivíduos que recebem medicamentos lhes permitia adivinhar que recebiam tratamento ativo – e isso foi corroborado por entrevistas com pacientes e médicos –, o que os tornava mais propensos a relatar uma melhora. Ele sugere que a razão pela qual os antidepressivos parecem funcionar melhor no alívio de depressão grave do que em casos menos graves é que os pacientes com sintomas graves provavelmente tomam doses mais elevadas e, portanto, sofrem mais efeitos colaterais.

Para investigar melhor se os efeitos colaterais distorciam as respostas, Kirsch analisou alguns ensaios que utilizaram placebos “ativos”, em vez de inertes. Um placebo ativo é aquele que produz efeitos colaterais, como a atropina – droga que bloqueia a ação de certos tipos de fibras nervosas. Apesar de não ser um antidepressivo, a atropina causa, entre outras coisas, secura da boca. Em testes utilizando atropina como placebo, não houve diferença entre os antidepressivos e o placebo ativo. Todos tinham efeitos colaterais, e todos relataram o mesmo nível de melhora.

Kirsch registrou outras descobertas estranhas em testes clínicos de antidepressivos, entre elas o fato de que não há nenhuma curva de dose-resposta, ou seja, altas doses não funcionavam melhor do que as baixas, o que é extremamente improvável para medicamentos eficazes.

“Ao se juntar tudo isso”, escreve Kirsch,“chega-se à conclusão de que a diferença relativamente pequena entre medicamentos e placebos pode não ser um efeito verdadeiro do remédio. Em vez disso, pode ser um efeito placebo acentuado, produzido pelo fato de que alguns pacientes passaram a perceber que recebiam medicamentos ou placebos. Se este for o caso, então não há nenhum efeito antidepressivo dos medicamentos. Em vez de compararmos placebo com remédio, estávamos comparando placebos ‘normais’ com placebos ‘extrafortes’.”

Trata-se de uma conclusão surpreendente, que desafia a opinião médica, mas Kirsch chega a ela de uma forma cuidadosa e lógica. Psiquiatras que usam antidepressivos – e isso significa a maioria deles – e pacientes que os tomam talvez insistam que sabem por experiência clínica que os medicamentos funcionam.

Mas casos individuais são uma forma traiçoeira de avaliar tratamentos médicos, pois estão sujeitos a distorções. Eles podem sugerir hipóteses a serem estudadas, mas não podem prová-las. É por isso que o desenvolvimento do teste clínico duplo-cego, aleatório e controlado com placebo, foi um avanço tão importante na ciência médica, em meados do século passado. Histórias sobre sanguessugas, megadoses de vitamina cou vários outros tratamentos populares não suportariam o escrutínio de testes bem planejados. Kirsch é um defensor devotado do método científico e sua voz, portanto, traz objetividade a um tema muitas vezes influenciado por subjetividade, emoções ou, como veremos, interesse pessoal.

O livro de Whitaker, Anatomy of an Epidemic [Anatomia de uma Epidemia], é mais amplo e polêmico. Ele leva em conta todas as doenças mentais, não apenas a depressão. EnquantoKirsch conclui que os antidepressivos não são provavelmente mais eficazes do que placebos, Whitaker conclui que eles e a maioria das drogas psicoativas não são apenas ineficazes, mas prejudiciais. Whitaker começa por observar que, se o tratamento de doenças mentais por meio de medicamentos disparou, o mesmo aconteceu com as patologias tratadas:

O número de doentes mentais incapacitados aumentou imensamente desde 1955 e durante as duas últimas décadas, período em que a prescrição de medicamentos psiquiátricos explodiu e o número de adultos e crianças incapacitados por doença mental aumentou numa taxa alucinante. Assim, chegamos a uma pergunta óbvia, embora herética: o paradigma de tratamento baseado em drogas poderia estar alimentando, de alguma maneira imprevista, essa praga dos tempos modernos?

Além disso, Whitaker sustenta que a história natural da doença mental mudou. Enquanto transtornos como esquizofrenia e depressão eram outrora episódicos, e cada episódio durava não mais de seis meses, sendo intercalado por longos períodos de normalidade, os distúrbios agora são crônicos e duram a vida inteira. Whitaker acredita que isso talvez aconteça porque os medicamentos, mesmo aqueles que aliviam os sintomas em curto prazo, causam em longo prazo danos mentais que continuam depois que a doença teria naturalmente se resolvido.

As provas que ele apresenta para essa teoria variam em qualidade. Whitaker não reconhece suficientemente a dificuldade de estudar a história natural de qualquer doença durante um período de cinquenta anos, no qual muitas circunstâncias mudaram, além do uso de medicamentos. É ainda mais difícil comparar resultados de longo prazo de pacientes tratados e não tratados. No entanto, os indícios de Whitaker são sugestivos, se não conclusivos.

Se as drogas psicoativas causam danos, como afirma Whitaker, qual é o seu mecanismo? A resposta, ele acredita, encontra-se em seus efeitos sobre os neurotransmissores. É bem sabido que as drogas psicoativas perturbam os neurotransmissores, mesmo que essa não seja a causa primeira da doença.

Whitaker descreve uma cadeia de efeitos. Quando, por exemplo, um antidepressivo como o Celexa aumenta os níveis de serotonina nas sinapses, ele estimula mudanças compensatórias por meio de um processo chamado feedback negativo. Em reação aos altos níveis de serotonina, os neurônios que a secretam liberam menos dela, e os neurônios pós-sinápticos tornam-se insensíveis a ela. Na verdade, o cérebro está tentando anular os efeitos da droga. O mesmo vale para os medicamentos que bloqueiam neurotransmissores, exceto no sentido inverso.

A maioria dos antipsicóticos, por exemplo, bloqueia a dopamina, mas os neurônios pré-sinápticos compensam isso liberando mais dopamina, e os neurônios pós-sinápticos a aceitam com mais avidez.

As consequências do uso prolongado de drogas psicoativas, nas palavras de Steve Hyman, até recentemente reitor da Universidade de Harvard, são “alterações substanciais e de longa duração na função neural”.

Depois de várias semanas de drogas psicoativas, os esforços de compensação do cérebro começam a falhar e surgem efeitos colaterais que refletem o mecanismo de ação dos medicamentos. Antipsicóticos causam efeitos secundários que se assemelham ao mal de Parkinson, por causa do esgotamento de dopamina (que também se esgota no Parkinson). À medida que surgem efeitos colaterais, eles são tratados por outros medicamentos, e muitos pacientes acabam tomando um coquetel de drogas psicoativas, prescrito para um coquetel de diagnósticos. Os episódios de mania causada por antidepressivos podem levar a um novo diagnóstico de “transtorno bipolar” e ao tratamento com um “estabilizador de humor”, como Depokote (anticonvulsivo), acompanhado de uma das novas drogas antipsicóticas. E assim por diante.

A respeitada pesquisadora Nancy Andreasen e seus colegas publicaram indícios de que o uso de antipsicóticos está associado ao encolhimento do cérebro, e que o efeito está diretamente relacionado à dose e à duração do tratamento. Como Andreasen explicou ao New York Times: “O córtex pré-frontal não obtém o que precisa e vai sendo fechado pelos medicamentos. Isso reduz os sintomas psicóticos. E faz também com que o córtex pré-frontal se atrofie lentamente.”

Largar os remédios é extremamente difícil, segundo Whitaker, porque quando eles são retirados, os mecanismos compensatórios ficam sem oposição. Quando se retira o Celexa, os níveis de serotonina caem bruscamente porque os neurônios pré-sinápticos não estão liberando quantidades normais. Da mesma forma, quando se suspende um antipsicótico, os níveis de dopamina podem disparar.Os sintomas produzidos pela retirada de drogas psicoativas são confundidos com recaídas da doença original, o que pode levar psiquiatras a retomar o tratamento com remédios, talvez em doses mais elevadas.

Whitaker está indignado com o que considera uma epidemia iatrogênica (isto é, introduzida inadvertidamente pelos médicos) de disfunção cerebral, especialmente a causada pelo uso generalizado dos novos antipsicóticos, como o Zyprexa, que provoca graves efeitos colaterais. Eis o que ele chama de “experimento de pensamento rápido”:

Imagine que aparece de repente um vírus que faz com que as pessoas durmam doze, catorze horas por dia. As pessoas infectadas se movimentam devagar e parecem emocionalmente desligadas. Muitas ganham quantidades imensas de peso – 10, 20 e até 50 quilos. Os seus níveis de açúcar no sangue disparam, assim como os de colesterol.

Vários dos atingidos pela doença misteriosa – entre eles, crianças e adolescentes – se tornam diabéticos. O governo federal dá centenas de milhões de dólares aos cientistas para decifrar o funcionamento do vírus, e eles relatam que ele bloqueia uma multidão de receptores no cérebro. Enquanto isso, exames de ressonância magnética descobrem que, ao longo de vários anos, o vírus encolhe o córtex cerebral, e esta diminuição está ligada ao declínio cognitivo. O público aterrorizado clama por uma cura.

Ora, essa doença está, de fato, atingindo milhões de crianças e adultos. Acabamos de descrever os efeitos do antipsicótico Zyprexa, um dos mais vendidos do laboratório Eli Lilly.

eon Eisenberg, professor da Universidade Johns Hopkins e da Escola de Medicina de Harvard, escreveu que a psiquiatria americana passou,no final do século XX, de uma fase “descerebrada” para uma “desmentalizada”. Ele quis dizer que, antes das drogas psicoativas, os psiquiatras tinham pouco interesse por neurotransmissores ou outros aspectos físicos do cérebro. Em vez disso, aceitavam a visão freudiana de que a doença mental tinha suas raízes em conflitos inconscientes, geralmente com origem na infância, que afetavam a mente como se ela fosse separada do cérebro.

Com a entrada em cena dessas drogas, na década de 50 – processo que se acelerou na década de 80 –, o foco mudou para o cérebro. Os psiquiatras começaram a se referir a si mesmos como psicofarmacologistas, e se interessaram cada vez menos pelas histórias de vida dos pacientes.

A preocupação deles era eliminar ou reduzir os sintomas, tratando os pacientes com medicamentos que alterariam a função cerebral. Tendo sido um dos primeiros defensores do modelo biológico de doença mental, Eisenberg veio a se tornar um crítico do uso indiscriminado de drogas psicoativas, impulsionado pelas maquinações da indústria farmacêutica.

Quando as drogas psicoativas surgiram, houve um período de otimismo na profissão psiquiátrica, mas na década de 70 o otimismo deu lugar a uma sensação de ameaça. Ficaram claros os graves efeitos colaterais dos medicamentos e um movimento de antipsiquiatria lançou raízes, como exemplificam os escritos de Thomas Szasz e o filme Um Estranho no Ninho.

Havia também a concorrência crescente de psicólogos e terapeutas. Além disso, os psiquiatras sofreram divisões internas: alguns abraçaram o modelo biológico, outros se agarraram ao modelo freudiano, e uns poucos viam a doença mental como uma resposta sadia a um mundo insano. Ademais, dentro da medicina, os psiquiatras eram considerados uma espécie de parentes pobres: mesmo com suas novas drogas, eram vistos como menos científicos do que os outros especialistas, e sua renda era geralmente mais baixa.

No final da década de 70, os psiquiatras contra-atacaram, e com força. Como conta Robert Whitaker em Anatomy of an Epidemic, o diretor médico da Associação Americana de Psiquiatria, Melvin Sabshin, declarou, em 1977: “Devemos apoiar fortemente um esforço vigoroso para remedicalizar a psiquiatria.” E lançou uma campanha maciça de relações públicas para fazer exatamente isso.

A psiquiatria detinha uma arma poderosa, que seus concorrentes não podiam ter. Como cursaram medicina, os psiquiatras têm autoridade legal para escrever receitas.

Ao abraçar o modelo biológico de doença mental, e o uso de drogas psicoativas para tratá-la, a psiquiatria conseguiu relegar os outros prestadores de serviços de saúde mental para cargos secundários. E se apresentou também como uma disciplina científica. E, o que é mais importante, ao enfatizar o tratamento medicamentoso, a psiquiatria tornou-se a queridinha da indústria farmacêutica, que logo tornou tangível sua gratidão.

A Associação Americana de Psiquiatria, a APA, estava preparando então a terceira edição do Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais, o DSM, que estabelece os critérios de diagnóstico para todos os transtornos mentais. O presidente da Associação havia indicado Robert Spitzer, eminente professor de psiquiatria da Universidade de Columbia, para chefiar a força-tarefa que supervisionaria o Manual.

As duas primeiras edições, publicadas em 1952 e 1968, refletiam a visão freudiana da doença mental, e eram pouco conhecidas fora da profissão. Spitzer decidiu fazer da terceira edição, o DSM-III, algo bem diferente. Ele prometeu que o Manual seria “uma defesa do modelo médico aplicado a problemas psiquiátricos”, e o presidente da Associação, Jack Weinberg, disse que ele “deixaria claro para quem tivesse dúvidas que consideramos a psiquiatria uma especialidade da medicina”.

Quando foi publicado, em 1980, o DSM-III continha 265 diagnósticos (acima dos 182 da edição anterior) e logo teve um uso quase universal: não apenas por parte de psiquiatras, mas também por companhias de seguros, hospitais, tribunais, prisões, escolas, pesquisadores, agências governamentais e médicos de todas as especialidades. Seu principal objetivo era trazer coerência (normalmente chamada de “confiabilidade”) ao diagnóstico psiquiátrico. Ou seja, garantir que os psiquiatras que viam o mesmo paciente concordassem com o diagnóstico. Para isso, cada diagnóstico era definido por uma lista de sintomas, com limites numéricos. Por exemplo, ter pelo menos cinco de nove sintomas determinados garantia ao paciente um diagnóstico definitivo de episódio depressivo dentro da ampla categoria de “transtornos do humor”.

Mas havia outro objetivo: justificar o uso de drogas psicoativas. Com efeito, Carol Bernstein, a presidente da apa, reconheceu isso ao escrever: “Na década de 70, foi preciso facilitar um acordo sobre diagnósticos entre clínicos, cientistas e autoridades reguladoras, dada a necessidade de ligar os pacientes aos novos tratamentos farmacológicos.”

A terceira edição do Manual era talvez mais “confiável” do que as versões anteriores, mas confiabilidade não é a mesma coisa que validade. O termo confiabilidade é usado como sinônimo de “coerência”; validade refere-se à correção ou solidez. Se todos os médicos concordassem que as sardas são um sinal de câncer, o diagnóstico seria “confiável”, mas não válido.

O problema com o Manual é que, em todas as suas edições, ele simplesmente refletia as opiniões de seus autores. E, no caso do DSM-III, sobretudo as opiniões do próprio Spitzer, que foi apontado com justiça como um dos psiquiatras mais influentes do século xx. Em suas palavras, ele “pegou todo mundo com quem se sentia à vontade” para participar da força-tarefa de quinze membros, e houve queixas de que ele convocou poucas reuniões e conduziu o processo de uma maneira desordenada, mas ditatorial.

Num artigo de 1984 intitulado “As desvantagens do DSM-III superam suas vantagens”, George Vaillant, professor de psiquiatria de Harvard, afirmou que o DSM-III representou “uma audaciosa série de escolhas baseadas em palpite, gosto, preconceito e esperança”, o que parece ser uma boa descrição.

  DSM se tornou a bíblia da psiquiatria e, tal como a Bíblia cristã, dependia muito de algo parecido com a fé: não há nele citações de estudos científicos para sustentar suas decisões. É uma omissão espantosa, porque em todas as publicações médicas, sejam revistas ou livros didáticos, as declarações de fatos devem estar apoiadas em referências comprováveis. (Há quatro “livros de consulta” separados para a edição atual do DSM, que apresentam a razão para algumas decisões, junto com referências, mas isso não é a mesma coisa que referências específicas.)

Pode ser de muito interesse para um grupo de especialistas se reunir e dar suas opiniões, mas a menos que essas opiniões possam ser sustentadas por provas, elas não autorizam a deferência extraordinária dedicada ao DSM. “A cada edição subsequente”, escreve Daniel Carlat, “o número de categorias de diagnósticos se multiplicava, e os livros se tornaram maiores e mais caros. Cada um deles se tornou um best-seller, e o DSM é hoje uma das principais fontes de renda da Associação Americana de Psiquiatria.” O Manual atual, o DSM-IV, vendeu mais de 1 milhão de exemplares.

Os laboratórios farmacêuticos passaram a dar toda a atenção e generosidade aos psiquiatras, tanto individual como coletivamente, direta e indiretamente. Choveram presentes e amostras grátis, contratos de consultores e palestrantes, refeições, ajuda para participar de conferências. Quando os estados de Minnesota e Vermont implantaram “leis de transparência”, que exigem que os laboratórios informem todos os pagamentos a médicos, descobriu-se que os psiquiatras recebiam mais dinheiro do que os médicos de qualquer outra especialidade. A indústria farmacêutica também subsidia as reuniões da APA e outras conferências psiquiátricas. Cerca de um quinto do financiamento da APA vem agora da indústria farmacêutica.

Os laboratórios buscam conquistar psiquiatras de centros médicos universitários de prestígio. Chamados pela indústria de “líderes-chave de opinião”, eles são os profissionais que, por meio do que escrevem e ensinam, influenciam o tratamento das doenças mentais. Eles também publicam grande parte da pesquisa clínica sobre medicamentos e, o que é fundamental, determinam o conteúdo do DSM. Em certo sentido, eles são a melhor equipe de vendas que a indústria poderia ter e valem cada centavo gasto com eles. Dos 170 colaboradores da versão atual do DSM, dos quais quase todos poderiam ser descritos como líderes-chave, 95 tinham vínculos financeiros com laboratórios farmacêuticos, inclusive todos os colaboradores das seções sobre transtornos de humor e esquizofrenia.

Carlat pergunta: “Por que os psiquiatras estão na frente de todos os outros especialistas quando se trata de tomar dinheiro de laboratórios?” Sua resposta: “Nossos diagnósticos são subjetivos e expansíveis, e temos poucas razões racionais para a escolha de um tratamento em relação a outro.” Ao contrário das enfermidades tratadas pela maioria dos outros ramos da medicina, não há sinais ou exames objetivos para as doenças mentais – nenhum dado de laboratório ou descoberta por ressonância magnética – e as fronteiras entre o normal e o anormal são muitas vezes pouco claras.

Isso torna possível expandir as fronteiras do diagnóstico ou até mesmo criar novas diagnoses, de uma forma que seria impossível, por exemplo, em um campo como a cardiologia. E as empresas farmacêuticas têm todo o interesse em induzir os psiquiatras a fazer exatamente isso.

Além do dinheiro gasto com os psiquiatras, os laboratórios apoiam muitos grupos de defesa de pacientes e organizações educacionais. Whitaker informa que, somente no primeiro trimestre de 2009, o “Eli Lilly deu 551 mil dólares à Aliança Nacional para Doenças Mentais, 465 mil dólares para a Associação Nacional de Saúde Mental, 130 mil dólares para um grupo de defesa dos pacientes de déficit de atenção/hiperatividade, e 69 250 dólares para a Fundação Americana de Prevenção ao Suicídio”.

E isso foi o que apenas um laboratório gastou em três meses; pode-se imaginar qual deve ser o total anual de todas as empresas que produzem drogas psicoativas. Esses grupos aparentemente existem para conscientizar a opinião pública sobre transtornos psiquiátricos, mas também têm o efeito de promover o uso de drogas psicoativas e influenciar os planos de saúde para cobri-los.

Como a maioria dos psiquiatras, Carlat trata seus pacientes apenas com medicamentos, sem terapia de conversa, e é sincero a respeito das vantagens de fazer isso. Ele calcula que, se atender três pacientes por hora com psicofarmacologia, ganha cerca de 180 dólares por hora dos planos de saúde. Em contrapartida, poderia atender apenas um paciente por hora com terapia de conversa, pela qual os planos lhe pagariam menos de 100 dólares. Carlat não acredita que a psicofarmacologia seja particularmente complicada, muito menos precisa, embora o público seja levado a acreditar que é.

Seu trabalho consiste em fazer aos pacientes uma série de perguntas sobre seus sintomas, para ver se eles combinam com algum dos transtornos catalogados no DSM. Esse exercício de correspondência, diz ele, propicia “a ilusão de que compreendemos os nossos pacientes, quando tudo o que estamos fazendo é atribuir-lhes rótulos”. Muitas vezes os pacientes preenchem critérios para mais de um diagnóstico, porque há sobreposição de sintomas.

Um dos pacientes de Carlat acabou com sete diagnósticos distintos. “Nós miramos sintomas distintos com os tratamentos, e outros medicamentos são adicionados para tratar os efeitos colaterais.” Um paciente típico, diz ele, pode estar tomando Celexa para depressão, Ativan para ansiedade, Ambien para insônia, Provigil para fadiga (um efeito colateral do Celexa) e Viagra para impotência (outro efeito colateral do Celexa).

Quanto aos próprios medicamentos, Carlat escreve que “há apenas um punhado de categorias guarda-chuva de drogas psicotrópicas”, sob as quais os medicamentos não são muito diferentes uns dos outros. Ele não acredita que exista muita base para escolher entre eles. E resume:

Assim é a moderna psicofarmacologia. Guiados apenas por sintomas, tentamos diferentes medicamentos, sem nenhuma concepção verdadeira do que estamos tentando corrigir, ou de como as drogas estão funcionando. Espanto-me que sejamos tão eficazes para tantos pacientes.

Carlat passa então a especular, como Kirsch em The Emperor’s New Drugs, que os pacientes talvez estejam respondendo a um efeito placebo ativado. Se as drogas psicoativas não são tudo o que é alardeado – e os indícios indicam que não são –, o que acontece com os próprios diagnósticos? Como eles se multiplicam a cada edição do DSM?

Em 1999, a APA começou a trabalhar em sua quinta revisão do DSM, programado para ser publicado em 2013. A força-tarefa de 27 membros é chefiada por David Kupfer, professor de psiquiatria da Universidade de Pittsburgh. Tal como nas edições anteriores, a força-tarefa é assessorada por vários grupos de trabalho, que agora totalizam cercade 140 membros, correspondentes às categorias principais de diagnóstico. As deliberações e propostas em curso foram amplamente divulgadas, e parece que a constelação de transtornos mentais vai crescer ainda mais.

Em particular, os limites dos diagnósticos serão ampliados para incluir os precursores dos transtornos, tais como “síndrome do risco de psicose” e “transtorno cognitivo leve” (possível início do mal de Alzheimer). O termo “espectro” é usado para ampliar categorias, e temos,por exemplo, “espectro de transtorno obsessivo-compulsivo”, “transtorno do espectro da esquizofrenia” e “transtorno do espectro do autismo”. E há propostas para a inclusão de distúrbios totalmente novos, como “transtorno hipersexual”, “síndrome das pernas inquietas” e “compulsão alimentar”. Até mesmo Allen Frances, presidente da força-tarefa do DSM-IV, escreveu que a próxima edição do Manual será uma “mina de ouro para a indústria farmacêutica”.

A indústria farmacêutica influencia psiquiatras a receitar drogas psicoativas até mesmo a pacientes para os quais os medicamentos não foram considerados seguros e eficazes. O que deveria preocupar enormemente é o aumento espantoso do diagnóstico e tratamento de doenças mentais em crianças, algumas com apenas 2 anos de idade.

Essas crianças são tratadas muitas vezes com medicamentos que nunca foram aprovados pela FDA para uso nessa faixa etária, e têm efeitos colaterais graves. A prevalência de “transtorno bipolar juvenil” aumentou quarenta vezes entre 1993 e 2004, e a de “autismo” aumentou de 1 em 500 crianças para 1 em 90 ao longo da mesma década. Dez por cento dos meninos de 10 anos de idade tomam agora estimulantes diários para o transtorno de déficit de atenção/hiperatividade.

Seria muito difícil achar uma criança de 2 anos que não seja às vezes irritante, um menino de 5ª série que não seja ocasionalmente desatento, ou uma menina no ensino médio que não seja ansiosa. Rotular essas crianças como tendo um transtorno mental e tratá-las com medicamentos depende muito de quem elas são e das pressões que seus pais enfrentam.

Como as famílias de baixa renda estão passando por dificuldades econômicas

crescentes, muitas descobriram que o pedido de renda de seguridade suplementar com base na invalidez mental é a única maneira de sobreviver. Segundo um estudo da Universidade Rutgers, descobriu-se que crianças de famílias de baixa renda têm quatro vezes mais probabilidade de receber medicamentos antipsicóticos do que crianças com plano de saúde privado.

Os livros de Irving Kirsch, Robert Whitaker e Daniel Carlat são acusações enérgicas ao modo como a psiquiatria é praticada hoje em dia. Eles documentam o “frenesi” do diagnóstico, o uso excessivo de medicamentos com efeitos colaterais devastadores e os conflitos de interesse generalizados. Os críticos podem argumentar, como Nancy

Andreasen o faz em seu artigo sobre a perda de tecido cerebral no tratamento antipsicótico de longo prazo, que os efeitos colaterais são o preço que se deve pagar para aliviar o sofrimento causado pela doença mental. Se soubéssemos que os benefícios das drogas psicoativas superam seus danos, isso seria um argumento forte, uma vez que não há dúvida de que muitas pessoas sofrem gravemente com doenças mentais. Mas como Kirsch, Whitaker e Carlat argumentam, essa expectativa pode estar errada.

No mínimo, precisamos parar de pensar que as drogas psicoativas são o melhor e, muitas vezes, o único tratamento para as doenças mentais. Tanto a psicoterapia como os exercícios físicos têm se mostrado tão eficazes quanto os medicamentos para a depressão, e seus efeitos são mais duradouros. Mas, infelizmente, não existe indústria que promova essas alternativas. Mais pesquisas são necessárias para estudar alternativas às drogas psicoativas.

Em particular, precisamos repensar o tratamento de crianças. Nesse ponto, o problema é muitas vezes uma família perturbada em circunstâncias conturbadas. Tratamentos voltados para essas condições ambientais – como auxílio individual para pais ou centros pós-escola para as crianças – devem ser estudados e comparados com o tratamento farmacológico.

No longo prazo, essas alternativas seriam provavelmente mais baratas. Nossa confiança nas drogas psicoativas, receitadas para todos os descontentes com a vida, tende a excluir as outras opções. Em vista dos riscos, e da eficácia questionável dos medicamentos em longo prazo, precisamos fazer melhor do que isso. Acima de tudo, devemos lembrar o consagrado ditado médico: em primeiro lugar, não causar dano (primum non nocere).

Abs
Felipe


SUBJECT: RES: [ciencialist] Doenças Mentais, Teorias e Tratamentos
FROM: "Alvaro Augusto \(L\)" <alvaro@lunabay.com.br>
TO: <ciencialist@yahoogrupos.com.br>
DATE: 01/09/2011 12:34

Imagino que você tenha lido todos os livros de advocacia e psiquiatria para fazer tal afirmação. Caso tenha, pode nos mostrar as estatísticas detalhadas e referências de seus estudos? Caso não tenha, que valor devemos dar a elas?

 

[ ]s

 

Alvaro Augusto

 

De: ciencialist@yahoogrupos.com.br [mailto:ciencialist@yahoogrupos.com.br] Em nome de Luiz Ferraz Netto
Enviada em: quarta-feira, 31 de agosto de 2011 18:29
Para: ciencialist@yahoogrupos.com.br
Assunto: Re: [ciencialist] Doenças Mentais, Teorias e Tratamentos

 






O problema é que se trata de psiquiatria e, em Ciência, não se afiança a ' palavra da autoridade'. Assim, não há Ciência em psiquiatria.

Psiquiatria e Advocacia é a mesma coisa; veja os textos e livros de ambos ... 70% de cópias, 20% de palavras de autoridade, 9% de espaço em branco no livro e 1% de obtusas opinião do autor.

 

[]´

     ===========================
            Luiz Ferraz Netto [Léo] 
        leo@feiradeciencias.com.br
           leobarretos@uol.com.br
         luizferraz.netto@gmail.com
     http://www.feiradeciencias.com.br
     ===========================

----- Original Message -----

From: luiz silva

Sent: Wednesday, August 31, 2011 11:10 AM

Subject: Re: [ciencialist] Doenças Mentais, Teorias e Tratamentos

 

 

Ola Leo,

Independentemente dos psicólogos, acho que temos má ciência na psiquiatria tb!!! Este é o ponto principal.

Eu pesquisei todos os pesquisadores citados (incluindo neurocientistas), e todos parecem ser bons pesquisadores.

Abs
Felipe

--- Em qua, 31/8/11, Luiz Ferraz Netto <leobarretos@uol.com.br> escreveu:


De: Luiz Ferraz Netto <leobarretos@uol.com.br>
Assunto: Re: [ciencialist] Doenças Mentais, Teorias e Tratamentos
Para: ciencialist@yahoogrupos.com.br
Data: Quarta-feira, 31 de Agosto de 2011, 10:30

 



Os U.S.A. constituem um país livre, logo, com todo direito de terem todas as doenças que quiserem. No capitalismo, onde a exploração da espécie atinge a própria espécie, todos devem ter seu 'psicólogo'; de cada dois americanos do norte, um é 'psicoxxxxx', o outro é doente mental.

Vamos dar a eles mais uma década ... e veremos o que sobra.

 

[]´

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            Luiz Ferraz Netto [Léo] 
        leo@feiradeciencias.com.br
           leobarretos@uol.com.br
         luizferraz.netto@gmail.com
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----- Original Message -----

From: luiz silva

Sent: Tuesday, August 30, 2011 3:50 PM

Subject: [ciencialist] Doenças Mentais, Teorias e Tratamentos

 

 

Pessoal,

 

Gostaria da opinião de vcs sobre o texto que foi postado em outro forum (estou sem a fonte original, mas acho que foi alguma reportagem em algum jornal de expressão - o que não quer dizer muita coisa).

 

Parece que os americanos estão em meio a uma violenta epidemia de doenças mentais. A quantidade de pessoas incapacitadas por transtornos mentais, e com direito a receber a renda de seguridade suplementar ou o seguro por incapacidade, aumentou quase duas vezes e meia entre 1987 e 2007 – de 1 em cada 184 americanos passou para 1 em 76.

No que se refere às crianças, o número é ainda mais espantoso: um aumento de 35 vezes nas mesmas duas décadas. A doença mental é hoje a principal causa de incapacitação de crianças, bem à frente de deficiências físicas como a paralisia cerebral ou a síndrome de Down.

Um grande estudo de adultos (selecionados aleatoriamente), patrocinado pelo Instituto Nacional de Saúde Mental, realizado entre 2001 e 2003, descobriu que um percentual assombroso de 46% se encaixava nos critérios estabelecidos pela Associação Americana de Psiquiatria, por ter tido em algum momento de suas vidas pelo menos uma doença mental, entre quatro categorias.

As categorias seriam “transtornos de ansiedade”, que incluem fobias e estresse pós-traumático; “transtornos de humor”, como depressão e transtorno bipolar; “transtornos de controle dos impulsos”, que abrangem problemas de comportamento e de déficit de atenção/hiperatividade; e “transtornos causados pelo uso de substâncias”, como o abuso de álcool e drogas. A maioria dos pesquisados se encaixava em mais de um diagnóstico.

O tratamento médico desses transtornos quase sempre implica o uso de drogas psicoativas, os medicamentos que afetam o estado mental.Na verdade, a maioria dos psiquiatras usa apenas remédios no tratamento e encaminha os pacientes para psicólogos ou terapeutas se acha que uma psicoterapia é igualmente necessária.

A substituição da “terapia de conversa” pela das drogas como tratamento majoritário coincide com o surgimento, nas últimas quatro décadas, da teoria de que as doenças mentais são causadas por desequilíbrios químicos no cérebro, que podem ser corrigidos pelo uso de medicamentos. Essa teoria passou a ser amplamente aceita pela mídia e pelo público, bem como pelos médicos, depois que o Prozac chegou ao mercado, em 1987, e foi intensamente divulgado como um corretivo para a deficiência de serotonina no cérebro.

O número de pessoas depressivas tratadas triplicou nos dez anos seguintes e, hoje, cerca de 10% dos americanos com mais de 6 anos de idade tomam antidepressivos. O aumento do uso de drogas para tratar a psicose é ainda mais impressionante. A nova geração de antipsicóticos, como o Risperdal, o Zyprexa e o Seroquel, ultrapassou os redutores do colesterol no topo da lista de remédios mais vendidos nos Estados Unidos.

O que está acontecendo? A preponderância das doenças mentais sobre as físicas é de fato tão alta, e continua a crescer? Se os transtornos mentais são biologicamente determinados e não um produto de influências ambientais, é plausível supor que o seu crescimento seja real? Ou será que estamos aprendendo a diagnosticar transtornos mentais que sempre existiram? Ou, por outro lado, será que simplesmente ampliamos os critérios para definir as doenças mentais, de modo que quase todo mundo agora sofre de uma delas? E o que dizer dos medicamentos que viraram a base dos tratamentos? Eles funcionam? E, se funcionam, não deveríamos esperar que o número de doentes mentais estivesse em declínio e não em ascensão?

Essas são as questões que preocupam os autores de três livros provocativos, aqui analisados. Eles vêm de diferentes formações: Irving Kirsch é psicólogo da Universidade de Hull, no Reino Unido; Robert Whitaker é jornalista; e Daniel Carlat é um psiquiatra que clinica num subúrbio de Boston.

Os autores enfatizam diferentes aspectos da epidemia de doença mental. Kirsch está preocupado em saber se os antidepressivos funcionam. Whitaker pergunta se as drogas psicoativas não criam problemas piores do que aqueles que resolvem. Carlat examina como a sua profissão se aliou à indústria farmacêutica e é manipulada por ela. Mas, apesar de suas diferenças, os três estão de acordo sobre algumas questões importantes.

Em primeiro lugar, concordam que é preocupante a extensão com a qual as empresas que vendem drogas psicoativas – por meio de várias formas de marketing, tanto legal como ilegal, e usando o que muita gente chamaria de suborno – passaram a determinar o que constitui uma doença mental e como os distúrbios devem ser diagnosticados e tratados.

Em segundo lugar, nenhum dos três aceita a teoria de que a doença mental é provocada por um desequilíbrio químico no cérebro. Whitaker conta que essa teoria surgiu pouco depois que os remédios psicotrópicos foram introduzidos no mercado, na década de 50. O primeiro foi o Amplictil (clorpromazina), lançado em 1954, que rapidamente passou a ser muito usado em hospitais psiquiátricos, para acalmar pacientes psicóticos, sobretudo os com esquizofrenia. No ano seguinte, chegou o Miltown (meprobamato), vendido para tratar a ansiedade em pacientes ambulatoriais. Em 1957, o Marsilid (iproniazid) entrou no mercado como um “energizador psíquico” para tratar a depressão.

Desse modo, no curto espaço de três anos, tornaram-se disponíveis medicamentos para tratar aquelas que, na época, eram consideradas as três principais categorias de doença mental – ansiedade, psicose e depressão – e a psiquiatria transformou-se totalmente. Essas drogas, no entanto, não haviam sido desenvolvidas para tratar doenças mentais. Elas foram derivadas de remédios destinados ao combate de infecções, e se descobriu por acaso que alteravam o estado mental.

No início, ninguém tinha ideia de como funcionavam. Elas simplesmente embotavam sintomas mentais perturbadores. Durante a década seguinte, pesquisadores descobriram que essas drogas afetavam os níveis de certas substâncias químicas no cérebro.

Um pouco de pano de fundo, e necessariamente muito simplificado: o cérebro contém bilhões de células nervosas, os neurônios, distribuídos em redes complexas, que se comunicam uns com os outros constantemente. O neurônio típico tem múltiplas extensões filamentosas (uma chamada axônio e as outras chamadas dendritos), por meio das quais ele envia e recebe sinais de outros neurônios. Para um neurônio se comunicar com outro, no entanto, o sinal deve ser transmitido através do minúsculo espaço que os separa, a sinapse. Para conseguir isso, o axônio do neurônio libera na sinapse uma substância química chamada neurotransmissor.

O neurotransmissor atravessa a sinapse e liga-se a receptores no segundo neurônio, muitas vezes um dendrito, ativando ou inibindo a célula receptora. Os axônios têm vários terminais e, desse modo, cada neurônio tem múltiplas sinapses. Depois, o neurotransmissor é reabsorvido pelo primeiro neurônio ou metabolizado pelas enzimas, de tal modo que o status quo anterior é restaurado.

Quando se descobriu que as drogas psicoativas afetam os níveis de neurotransmissores, surgiu a teoria de que a causa da doença mental é uma anormalidade na concentração cerebral desses elementos químicos, a qual é combatida pelo medicamento apropriado.

Por exemplo: como o Thorazine diminui os níveis de dopamina no cérebro, postulou-se que psicoses como a esquizofrenia são causadas ​​por excesso de dopamina. Ou então: tendo em vista que alguns antidepressivos aumentam os níveis do neurotransmissor chamado serotonina, defendeu-se que a depressão é causada pela escassez de serotonina. Antidepressivos como o Prozac ou o Celexa impedem a reabsorção de serotonina pelos neurônios que a liberam, e assim ela permanece mais nas sinapses e ativa outros neurônios. Desse modo, em vez de desenvolver um medicamento para tratar uma anormalidade, uma anormalidade foi postulada para se adequar a um medicamento.

Trata-se de uma grande pirueta lógica, como apontam os três autores. Era perfeitamente possível que as drogas que afetam os níveis dos neurotransmissores pudessem aliviar os sintomas, mesmo que os neurotransmissores não tivessem nada a ver com a doença. Como escreve Carlat: “Por essa mesma lógica, se poderia argumentar que a causa de todos os estados de dor é uma deficiência de opiáceos, uma vez que analgésicos narcóticos ativam os receptores de opiáceos do cérebro.” Ou, do mesmo modo, se poderia dizer que as febres são causadas pela escassez de aspirina.

Mas o principal problema com essa teoria é que, após décadas tentando prová-la, os pesquisadores ainda estão de mãos vazias. Os três autores documentam o fracasso dos cientistas para encontrar boas provas a seu favor. Antes do tratamento, a função dos neurotransmissores parece ser normal nas pessoas com doença mental. Nas palavras de Whitaker:

Antes do tratamento, os pacientes diagnosticados com depressão, esquizofrenia e outros transtornos psiquiátricos não sofrem nenhum “desequilíbrio químico”. No entanto, depois que uma pessoa passa a tomar medicação psiquiátrica, que perturba a mecânica normal de uma via neuronal, seu cérebro começa a funcionar... anormalmente.

Carlat refere-se à teoria do desequilíbrio químico como um “mito” (que ele chama de “conveniente” porque reduziria o estigma da doença mental). E Kirsch,cujo livro centra-se na depressão, resume a questão assim: “Parece fora de dúvida que o conceito tradicional de considerar a depressão como um desequilíbrio químico no cérebro está simplesmente errado.” (O motivo da persistência dessa teoria, apesar da falta de provas, é um tema que tratarei adiante.)

Os remédios funcionam? Afinal de contas, independentemente da teoria, essa é a questão prática. Em seu livro seco e extremamente cativante, The Emperor’s New Drugs [As Novas Drogas do Imperador], Kirsch descreve os seus quinze anos de pesquisa científica para responder a essa pergunta, no que diz respeito aos antidepressivos.

Quando começou o trabalho em 1995, seu principal interesse eram os efeitos de placebos. Para estudá-los, ele e um colega revisaram 38 ensaios clínicos que comparavam vários tratamentos da depressão com placebos, ou comparavam a psicoterapia com nenhum tratamento. A maioria dessas experiências durava de seis a oito semanas, e durante esse período os pacientes tendiam a melhorar um pouco, mesmo se não tivessem nenhum tratamento.

Mas Kirsch descobriu que os placebos eram três vezes mais eficazes do que a ausência de tratamento. Isso não o surpreendeu. O que o surpreendeu mesmo foi que os antidepressivos foram apenas marginalmente mais úteis do que os placebos: 75% dos placebos foram tão eficazes quanto os antidepressivos. Kirsch resolveu então repetir o estudo, dessa vez com a análise de um conjunto de dados mais completo e padronizado.

Os dados que ele usou foram obtidos da Food and Drug Administration, a FDA [o órgão público americano encarregado do licenciamento e controle de medicamentos]. Quando buscam a aprovação da FDA para comercializar um novo remédio, os laboratórios farmacêuticos devem apresentar à agência todos os testes clínicos que patrocinaram. Os testes são geralmente duplo-cego e controlados com placebo. Ou seja: os pacientes participantes recebem aleatoriamente a droga ou o placebo, e nem eles nem os seus médicos sabem o que receberam.

Os pacientes são informados de que receberão ou um medicamento ativo ou um placebo. E também são avisados dos efeitos colaterais que podem ocorrer. Se dois testes comprovam que o medicamento é mais eficaz do que o placebo, ele é geralmente aprovado. Mas os laboratórios podem patrocinar quantos testes quiserem, e a maioria deles pode dar negativo – isto é, não mostrar a eficácia do remédio. Tudo o que eles precisam é de dois testes com resultados positivos. (Os resultados dos testes de um mesmo medicamento podem variar por muitas razões, entre elas a forma como o ensaio foi concebido e realizado, seu tamanho e os tipos de pacientes pesquisados.)

Por razões óbvias, as indústrias farmacêuticas fazem questão de que seus testes positivos sejam publicados em revistas médicas, e os médicos fiquem sabendo deles. Já os testes negativos ficam nas gavetas da FDA, que os considera propriedade privada e, portanto, confidenciais. Essa prática distorce a literatura médica, o ensino da medicina e as decisões de tratamento.

irsch e seus colegas usaram a Lei de Liberdade de Informação para obter as revisões da FDA de todos os testes clínicos controlados por placebo, positivos ou negativos, submetidos para a aprovação dos seis antidepressivos mais utilizados, aprovados entre 1987 e 1999: Prozac, Paxil, Zoloft, Celexa, Serzone e Effexor.

Ao todo, havia 42 testes das seis drogas. A maioria deles era negativo. No total, os placebos eram 82% tão eficazes quanto os medicamentos, tal como medido pela Escala de Depressão de Hamilton, uma classificação dos sintomas de depressão amplamente utilizada. A diferença média entre remédio e placebo era de apenas 1,8 ponto na Escala, uma diferença que, embora estatisticamente significativa, era insignificante do ponto de vista clínico. Os resultados foram quase os mesmos para as seis drogas: todos igualmente inexpressivos. No entanto, como os estudos positivos foram amplamente divulgados, enquanto os negativos eram escondidos, o público e os médicos passaram a acreditar que esses medicamentos antidepressivos eram altamente eficazes.

Kirsch ficou impressionado com outro achado inesperado. Em seu estudo anterior, e em trabalhos de outros, observara que até mesmo tratamentos com substâncias que não eram consideradas antidepressivas – como hormônio sintético da tireoide, opiáceos, sedativos, estimulantes e algumas ervas medicinais – eram tão eficazes quanto os antidepressivos para aliviar os sintomas da depressão. Kirsch escreve: “Quando administrados como antidepressivos, remédios que aumentam, diminuem ou não têm nenhuma influência sobre a serotonina aliviam a depressão mais ou menos no mesmo grau.”

O que todos esses medicamentos “eficazes” tinham em comum era que produziam efeitos colaterais, sobre os quais os pacientes participantes haviam sido informados de que poderiam ocorrer.

Diante da descoberta de que quase qualquer comprimido com efeitos colaterais era ligeiramente mais eficaz no tratamento da depressão do que um placebo, Kirsch especulou que a presença de efeitos colaterais em indivíduos que recebem medicamentos lhes permitia adivinhar que recebiam tratamento ativo – e isso foi corroborado por entrevistas com pacientes e médicos –, o que os tornava mais propensos a relatar uma melhora. Ele sugere que a razão pela qual os antidepressivos parecem funcionar melhor no alívio de depressão grave do que em casos menos graves é que os pacientes com sintomas graves provavelmente tomam doses mais elevadas e, portanto, sofrem mais efeitos colaterais.

Para investigar melhor se os efeitos colaterais distorciam as respostas, Kirsch analisou alguns ensaios que utilizaram placebos “ativos”, em vez de inertes. Um placebo ativo é aquele que produz efeitos colaterais, como a atropina – droga que bloqueia a ação de certos tipos de fibras nervosas. Apesar de não ser um antidepressivo, a atropina causa, entre outras coisas, secura da boca. Em testes utilizando atropina como placebo, não houve diferença entre os antidepressivos e o placebo ativo. Todos tinham efeitos colaterais, e todos relataram o mesmo nível de melhora.

Kirsch registrou outras descobertas estranhas em testes clínicos de antidepressivos, entre elas o fato de que não há nenhuma curva de dose-resposta, ou seja, altas doses não funcionavam melhor do que as baixas, o que é extremamente improvável para medicamentos eficazes.

“Ao se juntar tudo isso”, escreve Kirsch,“chega-se à conclusão de que a diferença relativamente pequena entre medicamentos e placebos pode não ser um efeito verdadeiro do remédio. Em vez disso, pode ser um efeito placebo acentuado, produzido pelo fato de que alguns pacientes passaram a perceber que recebiam medicamentos ou placebos. Se este for o caso, então não há nenhum efeito antidepressivo dos medicamentos. Em vez de compararmos placebo com remédio, estávamos comparando placebos ‘normais’ com placebos ‘extrafortes’.”

Trata-se de uma conclusão surpreendente, que desafia a opinião médica, mas Kirsch chega a ela de uma forma cuidadosa e lógica. Psiquiatras que usam antidepressivos – e isso significa a maioria deles – e pacientes que os tomam talvez insistam que sabem por experiência clínica que os medicamentos funcionam.

Mas casos individuais são uma forma traiçoeira de avaliar tratamentos médicos, pois estão sujeitos a distorções. Eles podem sugerir hipóteses a serem estudadas, mas não podem prová-las. É por isso que o desenvolvimento do teste clínico duplo-cego, aleatório e controlado com placebo, foi um avanço tão importante na ciência médica, em meados do século passado. Histórias sobre sanguessugas, megadoses de vitamina cou vários outros tratamentos populares não suportariam o escrutínio de testes bem planejados. Kirsch é um defensor devotado do método científico e sua voz, portanto, traz objetividade a um tema muitas vezes influenciado por subjetividade, emoções ou, como veremos, interesse pessoal.

O livro de Whitaker, Anatomy of an Epidemic [Anatomia de uma Epidemia], é mais amplo e polêmico. Ele leva em conta todas as doenças mentais, não apenas a depressão. EnquantoKirsch conclui que os antidepressivos não são provavelmente mais eficazes do que placebos, Whitaker conclui que eles e a maioria das drogas psicoativas não são apenas ineficazes, mas prejudiciais. Whitaker começa por observar que, se o tratamento de doenças mentais por meio de medicamentos disparou, o mesmo aconteceu com as patologias tratadas:

O número de doentes mentais incapacitados aumentou imensamente desde 1955 e durante as duas últimas décadas, período em que a prescrição de medicamentos psiquiátricos explodiu e o número de adultos e crianças incapacitados por doença mental aumentou numa taxa alucinante. Assim, chegamos a uma pergunta óbvia, embora herética: o paradigma de tratamento baseado em drogas poderia estar alimentando, de alguma maneira imprevista, essa praga dos tempos modernos?

Além disso, Whitaker sustenta que a história natural da doença mental mudou. Enquanto transtornos como esquizofrenia e depressão eram outrora episódicos, e cada episódio durava não mais de seis meses, sendo intercalado por longos períodos de normalidade, os distúrbios agora são crônicos e duram a vida inteira. Whitaker acredita que isso talvez aconteça porque os medicamentos, mesmo aqueles que aliviam os sintomas em curto prazo, causam em longo prazo danos mentais que continuam depois que a doença teria naturalmente se resolvido.

As provas que ele apresenta para essa teoria variam em qualidade. Whitaker não reconhece suficientemente a dificuldade de estudar a história natural de qualquer doença durante um período de cinquenta anos, no qual muitas circunstâncias mudaram, além do uso de medicamentos. É ainda mais difícil comparar resultados de longo prazo de pacientes tratados e não tratados. No entanto, os indícios de Whitaker são sugestivos, se não conclusivos.

Se as drogas psicoativas causam danos, como afirma Whitaker, qual é o seu mecanismo? A resposta, ele acredita, encontra-se em seus efeitos sobre os neurotransmissores. É bem sabido que as drogas psicoativas perturbam os neurotransmissores, mesmo que essa não seja a causa primeira da doença.

Whitaker descreve uma cadeia de efeitos. Quando, por exemplo, um antidepressivo como o Celexa aumenta os níveis de serotonina nas sinapses, ele estimula mudanças compensatórias por meio de um processo chamado feedback negativo. Em reação aos altos níveis de serotonina, os neurônios que a secretam liberam menos dela, e os neurônios pós-sinápticos tornam-se insensíveis a ela. Na verdade, o cérebro está tentando anular os efeitos da droga. O mesmo vale para os medicamentos que bloqueiam neurotransmissores, exceto no sentido inverso.

A maioria dos antipsicóticos, por exemplo, bloqueia a dopamina, mas os neurônios pré-sinápticos compensam isso liberando mais dopamina, e os neurônios pós-sinápticos a aceitam com mais avidez.

As consequências do uso prolongado de drogas psicoativas, nas palavras de Steve Hyman, até recentemente reitor da Universidade de Harvard, são “alterações substanciais e de longa duração na função neural”.

Depois de várias semanas de drogas psicoativas, os esforços de compensação do cérebro começam a falhar e surgem efeitos colaterais que refletem o mecanismo de ação dos medicamentos. Antipsicóticos causam efeitos secundários que se assemelham ao mal de Parkinson, por causa do esgotamento de dopamina (que também se esgota no Parkinson). À medida que surgem efeitos colaterais, eles são tratados por outros medicamentos, e muitos pacientes acabam tomando um coquetel de drogas psicoativas, prescrito para um coquetel de diagnósticos. Os episódios de mania causada por antidepressivos podem levar a um novo diagnóstico de “transtorno bipolar” e ao tratamento com um “estabilizador de humor”, como Depokote (anticonvulsivo), acompanhado de uma das novas drogas antipsicóticas. E assim por diante.

A respeitada pesquisadora Nancy Andreasen e seus colegas publicaram indícios de que o uso de antipsicóticos está associado ao encolhimento do cérebro, e que o efeito está diretamente relacionado à dose e à duração do tratamento. Como Andreasen explicou ao New York Times: “O córtex pré-frontal não obtém o que precisa e vai sendo fechado pelos medicamentos. Isso reduz os sintomas psicóticos. E faz também com que o córtex pré-frontal se atrofie lentamente.”

Largar os remédios é extremamente difícil, segundo Whitaker, porque quando eles são retirados, os mecanismos compensatórios ficam sem oposição. Quando se retira o Celexa, os níveis de serotonina caem bruscamente porque os neurônios pré-sinápticos não estão liberando quantidades normais. Da mesma forma, quando se suspende um antipsicótico, os níveis de dopamina podem disparar.Os sintomas produzidos pela retirada de drogas psicoativas são confundidos com recaídas da doença original, o que pode levar psiquiatras a retomar o tratamento com remédios, talvez em doses mais elevadas.

Whitaker está indignado com o que considera uma epidemia iatrogênica (isto é, introduzida inadvertidamente pelos médicos) de disfunção cerebral, especialmente a causada pelo uso generalizado dos novos antipsicóticos, como o Zyprexa, que provoca graves efeitos colaterais. Eis o que ele chama de “experimento de pensamento rápido”:

Imagine que aparece de repente um vírus que faz com que as pessoas durmam doze, catorze horas por dia. As pessoas infectadas se movimentam devagar e parecem emocionalmente desligadas. Muitas ganham quantidades imensas de peso – 10, 20 e até 50 quilos. Os seus níveis de açúcar no sangue disparam, assim como os de colesterol.

Vários dos atingidos pela doença misteriosa – entre eles, crianças e adolescentes – se tornam diabéticos. O governo federal dá centenas de milhões de dólares aos cientistas para decifrar o funcionamento do vírus, e eles relatam que ele bloqueia uma multidão de receptores no cérebro. Enquanto isso, exames de ressonância magnética descobrem que, ao longo de vários anos, o vírus encolhe o córtex cerebral, e esta diminuição está ligada ao declínio cognitivo. O público aterrorizado clama por uma cura.

Ora, essa doença está, de fato, atingindo milhões de crianças e adultos. Acabamos de descrever os efeitos do antipsicótico Zyprexa, um dos mais vendidos do laboratório Eli Lilly.

eon Eisenberg, professor da Universidade Johns Hopkins e da Escola de Medicina de Harvard, escreveu que a psiquiatria americana passou,no final do século XX, de uma fase “descerebrada” para uma “desmentalizada”. Ele quis dizer que, antes das drogas psicoativas, os psiquiatras tinham pouco interesse por neurotransmissores ou outros aspectos físicos do cérebro. Em vez disso, aceitavam a visão freudiana de que a doença mental tinha suas raízes em conflitos inconscientes, geralmente com origem na infância, que afetavam a mente como se ela fosse separada do cérebro.

Com a entrada em cena dessas drogas, na década de 50 – processo que se acelerou na década de 80 –, o foco mudou para o cérebro. Os psiquiatras começaram a se referir a si mesmos como psicofarmacologistas, e se interessaram cada vez menos pelas histórias de vida dos pacientes.

A preocupação deles era eliminar ou reduzir os sintomas, tratando os pacientes com medicamentos que alterariam a função cerebral. Tendo sido um dos primeiros defensores do modelo biológico de doença mental, Eisenberg veio a se tornar um crítico do uso indiscriminado de drogas psicoativas, impulsionado pelas maquinações da indústria farmacêutica.

Quando as drogas psicoativas surgiram, houve um período de otimismo na profissão psiquiátrica, mas na década de 70 o otimismo deu lugar a uma sensação de ameaça. Ficaram claros os graves efeitos colaterais dos medicamentos e um movimento de antipsiquiatria lançou raízes, como exemplificam os escritos de Thomas Szasz e o filme Um Estranho no Ninho.

Havia também a concorrência crescente de psicólogos e terapeutas. Além disso, os psiquiatras sofreram divisões internas: alguns abraçaram o modelo biológico, outros se agarraram ao modelo freudiano, e uns poucos viam a doença mental como uma resposta sadia a um mundo insano. Ademais, dentro da medicina, os psiquiatras eram considerados uma espécie de parentes pobres: mesmo com suas novas drogas, eram vistos como menos científicos do que os outros especialistas, e sua renda era geralmente mais baixa.

No final da década de 70, os psiquiatras contra-atacaram, e com força. Como conta Robert Whitaker em Anatomy of an Epidemic, o diretor médico da Associação Americana de Psiquiatria, Melvin Sabshin, declarou, em 1977: “Devemos apoiar fortemente um esforço vigoroso para remedicalizar a psiquiatria.” E lançou uma campanha maciça de relações públicas para fazer exatamente isso.

A psiquiatria detinha uma arma poderosa, que seus concorrentes não podiam ter. Como cursaram medicina, os psiquiatras têm autoridade legal para escrever receitas.

Ao abraçar o modelo biológico de doença mental, e o uso de drogas psicoativas para tratá-la, a psiquiatria conseguiu relegar os outros prestadores de serviços de saúde mental para cargos secundários. E se apresentou também como uma disciplina científica. E, o que é mais importante, ao enfatizar o tratamento medicamentoso, a psiquiatria tornou-se a queridinha da indústria farmacêutica, que logo tornou tangível sua gratidão.

A Associação Americana de Psiquiatria, a APA, estava preparando então a terceira edição do Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais, o DSM, que estabelece os critérios de diagnóstico para todos os transtornos mentais. O presidente da Associação havia indicado Robert Spitzer, eminente professor de psiquiatria da Universidade de Columbia, para chefiar a força-tarefa que supervisionaria o Manual.

As duas primeiras edições, publicadas em 1952 e 1968, refletiam a visão freudiana da doença mental, e eram pouco conhecidas fora da profissão. Spitzer decidiu fazer da terceira edição, o DSM-III, algo bem diferente. Ele prometeu que o Manual seria “uma defesa do modelo médico aplicado a problemas psiquiátricos”, e o presidente da Associação, Jack Weinberg, disse que ele “deixaria claro para quem tivesse dúvidas que consideramos a psiquiatria uma especialidade da medicina”.

Quando foi publicado, em 1980, o DSM-III continha 265 diagnósticos (acima dos 182 da edição anterior) e logo teve um uso quase universal: não apenas por parte de psiquiatras, mas também por companhias de seguros, hospitais, tribunais, prisões, escolas, pesquisadores, agências governamentais e médicos de todas as especialidades. Seu principal objetivo era trazer coerência (normalmente chamada de “confiabilidade”) ao diagnóstico psiquiátrico. Ou seja, garantir que os psiquiatras que viam o mesmo paciente concordassem com o diagnóstico. Para isso, cada diagnóstico era definido por uma lista de sintomas, com limites numéricos. Por exemplo, ter pelo menos cinco de nove sintomas determinados garantia ao paciente um diagnóstico definitivo de episódio depressivo dentro da ampla categoria de “transtornos do humor”.

Mas havia outro objetivo: justificar o uso de drogas psicoativas. Com efeito, Carol Bernstein, a presidente da apa, reconheceu isso ao escrever: “Na década de 70, foi preciso facilitar um acordo sobre diagnósticos entre clínicos, cientistas e autoridades reguladoras, dada a necessidade de ligar os pacientes aos novos tratamentos farmacológicos.”

A terceira edição do Manual era talvez mais “confiável” do que as versões anteriores, mas confiabilidade não é a mesma coisa que validade. O termo confiabilidade é usado como sinônimo de “coerência”; validade refere-se à correção ou solidez. Se todos os médicos concordassem que as sardas são um sinal de câncer, o diagnóstico seria “confiável”, mas não válido.

O problema com o Manual é que, em todas as suas edições, ele simplesmente refletia as opiniões de seus autores. E, no caso do DSM-III, sobretudo as opiniões do próprio Spitzer, que foi apontado com justiça como um dos psiquiatras mais influentes do século xx. Em suas palavras, ele “pegou todo mundo com quem se sentia à vontade” para participar da força-tarefa de quinze membros, e houve queixas de que ele convocou poucas reuniões e conduziu o processo de uma maneira desordenada, mas ditatorial.

Num artigo de 1984 intitulado “As desvantagens do DSM-III superam suas vantagens”, George Vaillant, professor de psiquiatria de Harvard, afirmou que o DSM-III representou “uma audaciosa série de escolhas baseadas em palpite, gosto, preconceito e esperança”, o que parece ser uma boa descrição.

  DSM se tornou a bíblia da psiquiatria e, tal como a Bíblia cristã, dependia muito de algo parecido com a fé: não há nele citações de estudos científicos para sustentar suas decisões. É uma omissão espantosa, porque em todas as publicações médicas, sejam revistas ou livros didáticos, as declarações de fatos devem estar apoiadas em referências comprováveis. (Há quatro “livros de consulta” separados para a edição atual do DSM, que apresentam a razão para algumas decisões, junto com referências, mas isso não é a mesma coisa que referências específicas.)

Pode ser de muito interesse para um grupo de especialistas se reunir e dar suas opiniões, mas a menos que essas opiniões possam ser sustentadas por provas, elas não autorizam a deferência extraordinária dedicada ao DSM. “A cada edição subsequente”, escreve Daniel Carlat, “o número de categorias de diagnósticos se multiplicava, e os livros se tornaram maiores e mais caros. Cada um deles se tornou um best-seller, e o DSM é hoje uma das principais fontes de renda da Associação Americana de Psiquiatria.” O Manual atual, o DSM-IV, vendeu mais de 1 milhão de exemplares.

Os laboratórios farmacêuticos passaram a dar toda a atenção e generosidade aos psiquiatras, tanto individual como coletivamente, direta e indiretamente. Choveram presentes e amostras grátis, contratos de consultores e palestrantes, refeições, ajuda para participar de conferências. Quando os estados de Minnesota e Vermont implantaram “leis de transparência”, que exigem que os laboratórios informem todos os pagamentos a médicos, descobriu-se que os psiquiatras recebiam mais dinheiro do que os médicos de qualquer outra especialidade. A indústria farmacêutica também subsidia as reuniões da APA e outras conferências psiquiátricas. Cerca de um quinto do financiamento da APA vem agora da indústria farmacêutica.

Os laboratórios buscam conquistar psiquiatras de centros médicos universitários de prestígio. Chamados pela indústria de “líderes-chave de opinião”, eles são os profissionais que, por meio do que escrevem e ensinam, influenciam o tratamento das doenças mentais. Eles também publicam grande parte da pesquisa clínica sobre medicamentos e, o que é fundamental, determinam o conteúdo do DSM. Em certo sentido, eles são a melhor equipe de vendas que a indústria poderia ter e valem cada centavo gasto com eles. Dos 170 colaboradores da versão atual do DSM, dos quais quase todos poderiam ser descritos como líderes-chave, 95 tinham vínculos financeiros com laboratórios farmacêuticos, inclusive todos os colaboradores das seções sobre transtornos de humor e esquizofrenia.

Carlat pergunta: “Por que os psiquiatras estão na frente de todos os outros especialistas quando se trata de tomar dinheiro de laboratórios?” Sua resposta: “Nossos diagnósticos são subjetivos e expansíveis, e temos poucas razões racionais para a escolha de um tratamento em relação a outro.” Ao contrário das enfermidades tratadas pela maioria dos outros ramos da medicina, não há sinais ou exames objetivos para as doenças mentais – nenhum dado de laboratório ou descoberta por ressonância magnética – e as fronteiras entre o normal e o anormal são muitas vezes pouco claras.

Isso torna possível expandir as fronteiras do diagnóstico ou até mesmo criar novas diagnoses, de uma forma que seria impossível, por exemplo, em um campo como a cardiologia. E as empresas farmacêuticas têm todo o interesse em induzir os psiquiatras a fazer exatamente isso.

Além do dinheiro gasto com os psiquiatras, os laboratórios apoiam muitos grupos de defesa de pacientes e organizações educacionais. Whitaker informa que, somente no primeiro trimestre de 2009, o “Eli Lilly deu 551 mil dólares à Aliança Nacional para Doenças Mentais, 465 mil dólares para a Associação Nacional de Saúde Mental, 130 mil dólares para um grupo de defesa dos pacientes de déficit de atenção/hiperatividade, e 69 250 dólares para a Fundação Americana de Prevenção ao Suicídio”.

E isso foi o que apenas um laboratório gastou em três meses; pode-se imaginar qual deve ser o total anual de todas as empresas que produzem drogas psicoativas. Esses grupos aparentemente existem para conscientizar a opinião pública sobre transtornos psiquiátricos, mas também têm o efeito de promover o uso de drogas psicoativas e influenciar os planos de saúde para cobri-los.

Como a maioria dos psiquiatras, Carlat trata seus pacientes apenas com medicamentos, sem terapia de conversa, e é sincero a respeito das vantagens de fazer isso. Ele calcula que, se atender três pacientes por hora com psicofarmacologia, ganha cerca de 180 dólares por hora dos planos de saúde. Em contrapartida, poderia atender apenas um paciente por hora com terapia de conversa, pela qual os planos lhe pagariam menos de 100 dólares. Carlat não acredita que a psicofarmacologia seja particularmente complicada, muito menos precisa, embora o público seja levado a acreditar que é.

Seu trabalho consiste em fazer aos pacientes uma série de perguntas sobre seus sintomas, para ver se eles combinam com algum dos transtornos catalogados no DSM. Esse exercício de correspondência, diz ele, propicia “a ilusão de que compreendemos os nossos pacientes, quando tudo o que estamos fazendo é atribuir-lhes rótulos”. Muitas vezes os pacientes preenchem critérios para mais de um diagnóstico, porque há sobreposição de sintomas.

Um dos pacientes de Carlat acabou com sete diagnósticos distintos. “Nós miramos sintomas distintos com os tratamentos, e outros medicamentos são adicionados para tratar os efeitos colaterais.” Um paciente típico, diz ele, pode estar tomando Celexa para depressão, Ativan para ansiedade, Ambien para insônia, Provigil para fadiga (um efeito colateral do Celexa) e Viagra para impotência (outro efeito colateral do Celexa).

Quanto aos próprios medicamentos, Carlat escreve que “há apenas um punhado de categorias guarda-chuva de drogas psicotrópicas”, sob as quais os medicamentos não são muito diferentes uns dos outros. Ele não acredita que exista muita base para escolher entre eles. E resume:

Assim é a moderna psicofarmacologia. Guiados apenas por sintomas, tentamos diferentes medicamentos, sem nenhuma concepção verdadeira do que estamos tentando corrigir, ou de como as drogas estão funcionando. Espanto-me que sejamos tão eficazes para tantos pacientes.

Carlat passa então a especular, como Kirsch em The Emperor’s New Drugs, que os pacientes talvez estejam respondendo a um efeito placebo ativado. Se as drogas psicoativas não são tudo o que é alardeado – e os indícios indicam que não são –, o que acontece com os próprios diagnósticos? Como eles se multiplicam a cada edição do DSM?

Em 1999, a APA começou a trabalhar em sua quinta revisão do DSM, programado para ser publicado em 2013. A força-tarefa de 27 membros é chefiada por David Kupfer, professor de psiquiatria da Universidade de Pittsburgh. Tal como nas edições anteriores, a força-tarefa é assessorada por vários grupos de trabalho, que agora totalizam cercade 140 membros, correspondentes às categorias principais de diagnóstico. As deliberações e propostas em curso foram amplamente divulgadas, e parece que a constelação de transtornos mentais vai crescer ainda mais.

Em particular, os limites dos diagnósticos serão ampliados para incluir os precursores dos transtornos, tais como “síndrome do risco de psicose” e “transtorno cognitivo leve” (possível início do mal de Alzheimer). O termo “espectro” é usado para ampliar categorias, e temos,por exemplo, “espectro de transtorno obsessivo-compulsivo”, “transtorno do espectro da esquizofrenia” e “transtorno do espectro do autismo”. E há propostas para a inclusão de distúrbios totalmente novos, como “transtorno hipersexual”, “síndrome das pernas inquietas” e “compulsão alimentar”. Até mesmo Allen Frances, presidente da força-tarefa do DSM-IV, escreveu que a próxima edição do Manual será uma “mina de ouro para a indústria farmacêutica”.

A indústria farmacêutica influencia psiquiatras a receitar drogas psicoativas até mesmo a pacientes para os quais os medicamentos não foram considerados seguros e eficazes. O que deveria preocupar enormemente é o aumento espantoso do diagnóstico e tratamento de doenças mentais em crianças, algumas com apenas 2 anos de idade.

Essas crianças são tratadas muitas vezes com medicamentos que nunca foram aprovados pela FDA para uso nessa faixa etária, e têm efeitos colaterais graves. A prevalência de “transtorno bipolar juvenil” aumentou quarenta vezes entre 1993 e 2004, e a de “autismo” aumentou de 1 em 500 crianças para 1 em 90 ao longo da mesma década. Dez por cento dos meninos de 10 anos de idade tomam agora estimulantes diários para o transtorno de déficit de atenção/hiperatividade.

Seria muito difícil achar uma criança de 2 anos que não seja às vezes irritante, um menino de 5ª série que não seja ocasionalmente desatento, ou uma menina no ensino médio que não seja ansiosa. Rotular essas crianças como tendo um transtorno mental e tratá-las com medicamentos depende muito de quem elas são e das pressões que seus pais enfrentam.

Como as famílias de baixa renda estão passando por dificuldades econômicas

crescentes, muitas descobriram que o pedido de renda de seguridade suplementar com base na invalidez mental é a única maneira de sobreviver. Segundo um estudo da Universidade Rutgers, descobriu-se que crianças de famílias de baixa renda têm quatro vezes mais probabilidade de receber medicamentos antipsicóticos do que crianças com plano de saúde privado.

Os livros de Irving Kirsch, Robert Whitaker e Daniel Carlat são acusações enérgicas ao modo como a psiquiatria é praticada hoje em dia. Eles documentam o “frenesi” do diagnóstico, o uso excessivo de medicamentos com efeitos colaterais devastadores e os conflitos de interesse generalizados. Os críticos podem argumentar, como Nancy

Andreasen o faz em seu artigo sobre a perda de tecido cerebral no tratamento antipsicótico de longo prazo, que os efeitos colaterais são o preço que se deve pagar para aliviar o sofrimento causado pela doença mental. Se soubéssemos que os benefícios das drogas psicoativas superam seus danos, isso seria um argumento forte, uma vez que não há dúvida de que muitas pessoas sofrem gravemente com doenças mentais. Mas como Kirsch, Whitaker e Carlat argumentam, essa expectativa pode estar errada.

No mínimo, precisamos parar de pensar que as drogas psicoativas são o melhor e, muitas vezes, o único tratamento para as doenças mentais. Tanto a psicoterapia como os exercícios físicos têm se mostrado tão eficazes quanto os medicamentos para a depressão, e seus efeitos são mais duradouros. Mas, infelizmente, não existe indústria que promova essas alternativas. Mais pesquisas são necessárias para estudar alternativas às drogas psicoativas.

Em particular, precisamos repensar o tratamento de crianças. Nesse ponto, o problema é muitas vezes uma família perturbada em circunstâncias conturbadas. Tratamentos voltados para essas condições ambientais – como auxílio individual para pais ou centros pós-escola para as crianças – devem ser estudados e comparados com o tratamento farmacológico.

No longo prazo, essas alternativas seriam provavelmente mais baratas. Nossa confiança nas drogas psicoativas, receitadas para todos os descontentes com a vida, tende a excluir as outras opções. Em vista dos riscos, e da eficácia questionável dos medicamentos em longo prazo, precisamos fazer melhor do que isso. Acima de tudo, devemos lembrar o consagrado ditado médico: em primeiro lugar, não causar dano (primum non nocere).

Abs

Felipe





SUBJECT: Re: [ciencialist] Doenças Mentais, Teorias e Tratamentos
FROM: "Luiz Ferraz Netto" <leobarretos@uol.com.br>
TO: <ciencialist@yahoogrupos.com.br>
DATE: 02/09/2011 10:11


Não dê valor algum! Não sou palavra da autoridade!
Que valor devo dar à sua mensagem? Pra mim não passa da mesma bosta de sempre! Um garotinho em permanente disenteria mental e com ares de autoridade científica.
Me afastei da C-List para não ter que me defrontar com sua demência e prepotência; pensei que houvesse melhorado e arrisquei. E lá veio a besta com 'estatísticas detalhadas e referências de seus estudos'.
Até um outro ano! Curta bem suas fezes!
 
]['
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            Luiz Ferraz Netto [Léo] 
        leo@feiradeciencias.com.br
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Sent: Thursday, September 01, 2011 12:34 PM
Subject: RES: [ciencialist] Doenças Mentais, Teorias e Tratamentos

 

Imagino que você tenha lido todos os livros de advocacia e psiquiatria para fazer tal afirmação. Caso tenha, pode nos mostrar as estatísticas detalhadas e referências de seus estudos? Caso não tenha, que valor devemos dar a elas?

[ ]s

Alvaro Augusto

De: ciencialist@yahoogrupos.com.br [mailto:ciencialist@yahoogrupos.com.br] Em nome de Luiz Ferraz Netto
Enviada em: quarta-feira, 31 de agosto de 2011 18:29
Para: ciencialist@yahoogrupos.com.br
Assunto: Re: [ciencialist] Doenças Mentais, Teorias e Tratamentos






O problema é que se trata de psiquiatria e, em Ciência, não se afiança a ' palavra da autoridade'. Assim, não há Ciência em psiquiatria.

Psiquiatria e Advocacia é a mesma coisa; veja os textos e livros de ambos ... 70% de cópias, 20% de palavras de autoridade, 9% de espaço em branco no livro e 1% de obtusas opinião do autor.

[]´

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            Luiz Ferraz Netto [Léo] 
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From: luiz silva

Sent: Wednesday, August 31, 2011 11:10 AM

Subject: Re: [ciencialist] Doenças Mentais, Teorias e Tratamentos

 

Ola Leo,

Independentemente dos psicólogos, acho que temos má ciência na psiquiatria tb!!! Este é o ponto principal.

Eu pesquisei todos os pesquisadores citados (incluindo neurocientistas), e todos parecem ser bons pesquisadores.

Abs
Felipe

--- Em qua, 31/8/11, Luiz Ferraz Netto <leobarretos@uol.com.br> escreveu:


De: Luiz Ferraz Netto <leobarretos@uol.com.br>
Assunto: Re: [ciencialist] Doenças Mentais, Teorias e Tratamentos
Para: ciencialist@yahoogrupos.com.br
Data: Quarta-feira, 31 de Agosto de 2011, 10:30

 



Os U.S.A. constituem um país livre, logo, com todo direito de terem todas as doenças que quiserem. No capitalismo, onde a exploração da espécie atinge a própria espécie, todos devem ter seu 'psicólogo'; de cada dois americanos do norte, um é 'psicoxxxxx', o outro é doente mental.

Vamos dar a eles mais uma década ... e veremos o que sobra.

[]´

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            Luiz Ferraz Netto [Léo] 
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From: luiz silva

Sent: Tuesday, August 30, 2011 3:50 PM

Subject: [ciencialist] Doenças Mentais, Teorias e Tratamentos

 

Pessoal,

Gostaria da opinião de vcs sobre o texto que foi postado em outro forum (estou sem a fonte original, mas acho que foi alguma reportagem em algum jornal de expressão - o que não quer dizer muita coisa).

Parece que os americanos estão em meio a uma violenta epidemia de doenças mentais. A quantidade de pessoas incapacitadas por transtornos mentais, e com direito a receber a renda de seguridade suplementar ou o seguro por incapacidade, aumentou quase duas vezes e meia entre 1987 e 2007 – de 1 em cada 184 americanos passou para 1 em 76.

No que se refere às crianças, o número é ainda mais espantoso: um aumento de 35 vezes nas mesmas duas décadas. A doença mental é hoje a principal causa de incapacitação de crianças, bem à frente de deficiências físicas como a paralisia cerebral ou a síndrome de Down.

Um grande estudo de adultos (selecionados aleatoriamente), patrocinado pelo Instituto Nacional de Saúde Mental, realizado entre 2001 e 2003, descobriu que um percentual assombroso de 46% se encaixava nos critérios estabelecidos pela Associação Americana de Psiquiatria, por ter tido em algum momento de suas vidas pelo menos uma doença mental, entre quatro categorias.

As categorias seriam “transtornos de ansiedade”, que incluem fobias e estresse pós-traumático; “transtornos de humor”, como depressão e transtorno bipolar; “transtornos de controle dos impulsos”, que abrangem problemas de comportamento e de déficit de atenção/hiperatividade; e “transtornos causados pelo uso de substâncias”, como o abuso de álcool e drogas. A maioria dos pesquisados se encaixava em mais de um diagnóstico.

O tratamento médico desses transtornos quase sempre implica o uso de drogas psicoativas, os medicamentos que afetam o estado mental.Na verdade, a maioria dos psiquiatras usa apenas remédios no tratamento e encaminha os pacientes para psicólogos ou terapeutas se acha que uma psicoterapia é igualmente necessária.

A substituição da “terapia de conversa” pela das drogas como tratamento majoritário coincide com o surgimento, nas últimas quatro décadas, da teoria de que as doenças mentais são causadas por desequilíbrios químicos no cérebro, que podem ser corrigidos pelo uso de medicamentos. Essa teoria passou a ser amplamente aceita pela mídia e pelo público, bem como pelos médicos, depois que o Prozac chegou ao mercado, em 1987, e foi intensamente divulgado como um corretivo para a deficiência de serotonina no cérebro.

O número de pessoas depressivas tratadas triplicou nos dez anos seguintes e, hoje, cerca de 10% dos americanos com mais de 6 anos de idade tomam antidepressivos. O aumento do uso de drogas para tratar a psicose é ainda mais impressionante. A nova geração de antipsicóticos, como o Risperdal, o Zyprexa e o Seroquel, ultrapassou os redutores do colesterol no topo da lista de remédios mais vendidos nos Estados Unidos.

O que está acontecendo? A preponderância das doenças mentais sobre as físicas é de fato tão alta, e continua a crescer? Se os transtornos mentais são biologicamente determinados e não um produto de influências ambientais, é plausível supor que o seu crescimento seja real? Ou será que estamos aprendendo a diagnosticar transtornos mentais que sempre existiram? Ou, por outro lado, será que simplesmente ampliamos os critérios para definir as doenças mentais, de modo que quase todo mundo agora sofre de uma delas? E o que dizer dos medicamentos que viraram a base dos tratamentos? Eles funcionam? E, se funcionam, não deveríamos esperar que o número de doentes mentais estivesse em declínio e não em ascensão?

Essas são as questões que preocupam os autores de três livros provocativos, aqui analisados. Eles vêm de diferentes formações: Irving Kirsch é psicólogo da Universidade de Hull, no Reino Unido; Robert Whitaker é jornalista; e Daniel Carlat é um psiquiatra que clinica num subúrbio de Boston.

Os autores enfatizam diferentes aspectos da epidemia de doença mental. Kirsch está preocupado em saber se os antidepressivos funcionam. Whitaker pergunta se as drogas psicoativas não criam problemas piores do que aqueles que resolvem. Carlat examina como a sua profissão se aliou à indústria farmacêutica e é manipulada por ela. Mas, apesar de suas diferenças, os três estão de acordo sobre algumas questões importantes.

Em primeiro lugar, concordam que é preocupante a extensão com a qual as empresas que vendem drogas psicoativas – por meio de várias formas de marketing, tanto legal como ilegal, e usando o que muita gente chamaria de suborno – passaram a determinar o que constitui uma doença mental e como os distúrbios devem ser diagnosticados e tratados.

Em segundo lugar, nenhum dos três aceita a teoria de que a doença mental é provocada por um desequilíbrio químico no cérebro. Whitaker conta que essa teoria surgiu pouco depois que os remédios psicotrópicos foram introduzidos no mercado, na década de 50. O primeiro foi o Amplictil (clorpromazina), lançado em 1954, que rapidamente passou a ser muito usado em hospitais psiquiátricos, para acalmar pacientes psicóticos, sobretudo os com esquizofrenia. No ano seguinte, chegou o Miltown (meprobamato), vendido para tratar a ansiedade em pacientes ambulatoriais. Em 1957, o Marsilid (iproniazid) entrou no mercado como um “energizador psíquico” para tratar a depressão.

Desse modo, no curto espaço de três anos, tornaram-se disponíveis medicamentos para tratar aquelas que, na época, eram consideradas as três principais categorias de doença mental – ansiedade, psicose e depressão – e a psiquiatria transformou-se totalmente. Essas drogas, no entanto, não haviam sido desenvolvidas para tratar doenças mentais. Elas foram derivadas de remédios destinados ao combate de infecções, e se descobriu por acaso que alteravam o estado mental.

No início, ninguém tinha ideia de como funcionavam. Elas simplesmente embotavam sintomas mentais perturbadores. Durante a década seguinte, pesquisadores descobriram que essas drogas afetavam os níveis de certas substâncias químicas no cérebro.

Um pouco de pano de fundo, e necessariamente muito simplificado: o cérebro contém bilhões de células nervosas, os neurônios, distribuídos em redes complexas, que se comunicam uns com os outros constantemente. O neurônio típico tem múltiplas extensões filamentosas (uma chamada axônio e as outras chamadas dendritos), por meio das quais ele envia e recebe sinais de outros neurônios. Para um neurônio se comunicar com outro, no entanto, o sinal deve ser transmitido através do minúsculo espaço que os separa, a sinapse. Para conseguir isso, o axônio do neurônio libera na sinapse uma substância química chamada neurotransmissor.

O neurotransmissor atravessa a sinapse e liga-se a receptores no segundo neurônio, muitas vezes um dendrito, ativando ou inibindo a célula receptora. Os axônios têm vários terminais e, desse modo, cada neurônio tem múltiplas sinapses. Depois, o neurotransmissor é reabsorvido pelo primeiro neurônio ou metabolizado pelas enzimas, de tal modo que o status quo anterior é restaurado.

Quando se descobriu que as drogas psicoativas afetam os níveis de neurotransmissores, surgiu a teoria de que a causa da doença mental é uma anormalidade na concentração cerebral desses elementos químicos, a qual é combatida pelo medicamento apropriado.

Por exemplo: como o Thorazine diminui os níveis de dopamina no cérebro, postulou-se que psicoses como a esquizofrenia são causadas ​​por excesso de dopamina. Ou então: tendo em vista que alguns antidepressivos aumentam os níveis do neurotransmissor chamado serotonina, defendeu-se que a depressão é causada pela escassez de serotonina. Antidepressivos como o Prozac ou o Celexa impedem a reabsorção de serotonina pelos neurônios que a liberam, e assim ela permanece mais nas sinapses e ativa outros neurônios. Desse modo, em vez de desenvolver um medicamento para tratar uma anormalidade, uma anormalidade foi postulada para se adequar a um medicamento.

Trata-se de uma grande pirueta lógica, como apontam os três autores. Era perfeitamente possível que as drogas que afetam os níveis dos neurotransmissores pudessem aliviar os sintomas, mesmo que os neurotransmissores não tivessem nada a ver com a doença. Como escreve Carlat: “Por essa mesma lógica, se poderia argumentar que a causa de todos os estados de dor é uma deficiência de opiáceos, uma vez que analgésicos narcóticos ativam os receptores de opiáceos do cérebro.” Ou, do mesmo modo, se poderia dizer que as febres são causadas pela escassez de aspirina.

Mas o principal problema com essa teoria é que, após décadas tentando prová-la, os pesquisadores ainda estão de mãos vazias. Os três autores documentam o fracasso dos cientistas para encontrar boas provas a seu favor. Antes do tratamento, a função dos neurotransmissores parece ser normal nas pessoas com doença mental. Nas palavras de Whitaker:

Antes do tratamento, os pacientes diagnosticados com depressão, esquizofrenia e outros transtornos psiquiátricos não sofrem nenhum “desequilíbrio químico”. No entanto, depois que uma pessoa passa a tomar medicação psiquiátrica, que perturba a mecânica normal de uma via neuronal, seu cérebro começa a funcionar... anormalmente.

Carlat refere-se à teoria do desequilíbrio químico como um “mito” (que ele chama de “conveniente” porque reduziria o estigma da doença mental). E Kirsch,cujo livro centra-se na depressão, resume a questão assim: “Parece fora de dúvida que o conceito tradicional de considerar a depressão como um desequilíbrio químico no cérebro está simplesmente errado.” (O motivo da persistência dessa teoria, apesar da falta de provas, é um tema que tratarei adiante.)

Os remédios funcionam? Afinal de contas, independentemente da teoria, essa é a questão prática. Em seu livro seco e extremamente cativante, The Emperor’s New Drugs [As Novas Drogas do Imperador], Kirsch descreve os seus quinze anos de pesquisa científica para responder a essa pergunta, no que diz respeito aos antidepressivos.

Quando começou o trabalho em 1995, seu principal interesse eram os efeitos de placebos. Para estudá-los, ele e um colega revisaram 38 ensaios clínicos que comparavam vários tratamentos da depressão com placebos, ou comparavam a psicoterapia com nenhum tratamento. A maioria dessas experiências durava de seis a oito semanas, e durante esse período os pacientes tendiam a melhorar um pouco, mesmo se não tivessem nenhum tratamento.

Mas Kirsch descobriu que os placebos eram três vezes mais eficazes do que a ausência de tratamento. Isso não o surpreendeu. O que o surpreendeu mesmo foi que os antidepressivos foram apenas marginalmente mais úteis do que os placebos: 75% dos placebos foram tão eficazes quanto os antidepressivos. Kirsch resolveu então repetir o estudo, dessa vez com a análise de um conjunto de dados mais completo e padronizado.

Os dados que ele usou foram obtidos da Food and Drug Administration, a FDA [o órgão público americano encarregado do licenciamento e controle de medicamentos]. Quando buscam a aprovação da FDA para comercializar um novo remédio, os laboratórios farmacêuticos devem apresentar à agência todos os testes clínicos que patrocinaram. Os testes são geralmente duplo-cego e controlados com placebo. Ou seja: os pacientes participantes recebem aleatoriamente a droga ou o placebo, e nem eles nem os seus médicos sabem o que receberam.

Os pacientes são informados de que receberão ou um medicamento ativo ou um placebo. E também são avisados dos efeitos colaterais que podem ocorrer. Se dois testes comprovam que o medicamento é mais eficaz do que o placebo, ele é geralmente aprovado. Mas os laboratórios podem patrocinar quantos testes quiserem, e a maioria deles pode dar negativo – isto é, não mostrar a eficácia do remédio. Tudo o que eles precisam é de dois testes com resultados positivos. (Os resultados dos testes de um mesmo medicamento podem variar por muitas razões, entre elas a forma como o ensaio foi concebido e realizado, seu tamanho e os tipos de pacientes pesquisados.)

Por razões óbvias, as indústrias farmacêuticas fazem questão de que seus testes positivos sejam publicados em revistas médicas, e os médicos fiquem sabendo deles. Já os testes negativos ficam nas gavetas da FDA, que os considera propriedade privada e, portanto, confidenciais. Essa prática distorce a literatura médica, o ensino da medicina e as decisões de tratamento.

irsch e seus colegas usaram a Lei de Liberdade de Informação para obter as revisões da FDA de todos os testes clínicos controlados por placebo, positivos ou negativos, submetidos para a aprovação dos seis antidepressivos mais utilizados, aprovados entre 1987 e 1999: Prozac, Paxil, Zoloft, Celexa, Serzone e Effexor.

Ao todo, havia 42 testes das seis drogas. A maioria deles era negativo. No total, os placebos eram 82% tão eficazes quanto os medicamentos, tal como medido pela Escala de Depressão de Hamilton, uma classificação dos sintomas de depressão amplamente utilizada. A diferença média entre remédio e placebo era de apenas 1,8 ponto na Escala, uma diferença que, embora estatisticamente significativa, era insignificante do ponto de vista clínico. Os resultados foram quase os mesmos para as seis drogas: todos igualmente inexpressivos. No entanto, como os estudos positivos foram amplamente divulgados, enquanto os negativos eram escondidos, o público e os médicos passaram a acreditar que esses medicamentos antidepressivos eram altamente eficazes.

Kirsch ficou impressionado com outro achado inesperado. Em seu estudo anterior, e em trabalhos de outros, observara que até mesmo tratamentos com substâncias que não eram consideradas antidepressivas – como hormônio sintético da tireoide, opiáceos, sedativos, estimulantes e algumas ervas medicinais – eram tão eficazes quanto os antidepressivos para aliviar os sintomas da depressão. Kirsch escreve: “Quando administrados como antidepressivos, remédios que aumentam, diminuem ou não têm nenhuma influência sobre a serotonina aliviam a depressão mais ou menos no mesmo grau.”

O que todos esses medicamentos “eficazes” tinham em comum era que produziam efeitos colaterais, sobre os quais os pacientes participantes haviam sido informados de que poderiam ocorrer.

Diante da descoberta de que quase qualquer comprimido com efeitos colaterais era ligeiramente mais eficaz no tratamento da depressão do que um placebo, Kirsch especulou que a presença de efeitos colaterais em indivíduos que recebem medicamentos lhes permitia adivinhar que recebiam tratamento ativo – e isso foi corroborado por entrevistas com pacientes e médicos –, o que os tornava mais propensos a relatar uma melhora. Ele sugere que a razão pela qual os antidepressivos parecem funcionar melhor no alívio de depressão grave do que em casos menos graves é que os pacientes com sintomas graves provavelmente tomam doses mais elevadas e, portanto, sofrem mais efeitos colaterais.

Para investigar melhor se os efeitos colaterais distorciam as respostas, Kirsch analisou alguns ensaios que utilizaram placebos “ativos”, em vez de inertes. Um placebo ativo é aquele que produz efeitos colaterais, como a atropina – droga que bloqueia a ação de certos tipos de fibras nervosas. Apesar de não ser um antidepressivo, a atropina causa, entre outras coisas, secura da boca. Em testes utilizando atropina como placebo, não houve diferença entre os antidepressivos e o placebo ativo. Todos tinham efeitos colaterais, e todos relataram o mesmo nível de melhora.

Kirsch registrou outras descobertas estranhas em testes clínicos de antidepressivos, entre elas o fato de que não há nenhuma curva de dose-resposta, ou seja, altas doses não funcionavam melhor do que as baixas, o que é extremamente improvável para medicamentos eficazes.

“Ao se juntar tudo isso”, escreve Kirsch,“chega-se à conclusão de que a diferença relativamente pequena entre medicamentos e placebos pode não ser um efeito verdadeiro do remédio. Em vez disso, pode ser um efeito placebo acentuado, produzido pelo fato de que alguns pacientes passaram a perceber que recebiam medicamentos ou placebos. Se este for o caso, então não há nenhum efeito antidepressivo dos medicamentos. Em vez de compararmos placebo com remédio, estávamos comparando placebos ‘normais’ com placebos ‘extrafortes’.”

Trata-se de uma conclusão surpreendente, que desafia a opinião médica, mas Kirsch chega a ela de uma forma cuidadosa e lógica. Psiquiatras que usam antidepressivos – e isso significa a maioria deles – e pacientes que os tomam talvez insistam que sabem por experiência clínica que os medicamentos funcionam.

Mas casos individuais são uma forma traiçoeira de avaliar tratamentos médicos, pois estão sujeitos a distorções. Eles podem sugerir hipóteses a serem estudadas, mas não podem prová-las. É por isso que o desenvolvimento do teste clínico duplo-cego, aleatório e controlado com placebo, foi um avanço tão importante na ciência médica, em meados do século passado. Histórias sobre sanguessugas, megadoses de vitamina cou vários outros tratamentos populares não suportariam o escrutínio de testes bem planejados. Kirsch é um defensor devotado do método científico e sua voz, portanto, traz objetividade a um tema muitas vezes influenciado por subjetividade, emoções ou, como veremos, interesse pessoal.

O livro de Whitaker, Anatomy of an Epidemic [Anatomia de uma Epidemia], é mais amplo e polêmico. Ele leva em conta todas as doenças mentais, não apenas a depressão. EnquantoKirsch conclui que os antidepressivos não são provavelmente mais eficazes do que placebos, Whitaker conclui que eles e a maioria das drogas psicoativas não são apenas ineficazes, mas prejudiciais. Whitaker começa por observar que, se o tratamento de doenças mentais por meio de medicamentos disparou, o mesmo aconteceu com as patologias tratadas:

O número de doentes mentais incapacitados aumentou imensamente desde 1955 e durante as duas últimas décadas, período em que a prescrição de medicamentos psiquiátricos explodiu e o número de adultos e crianças incapacitados por doença mental aumentou numa taxa alucinante. Assim, chegamos a uma pergunta óbvia, embora herética: o paradigma de tratamento baseado em drogas poderia estar alimentando, de alguma maneira imprevista, essa praga dos tempos modernos?

Além disso, Whitaker sustenta que a história natural da doença mental mudou. Enquanto transtornos como esquizofrenia e depressão eram outrora episódicos, e cada episódio durava não mais de seis meses, sendo intercalado por longos períodos de normalidade, os distúrbios agora são crônicos e duram a vida inteira. Whitaker acredita que isso talvez aconteça porque os medicamentos, mesmo aqueles que aliviam os sintomas em curto prazo, causam em longo prazo danos mentais que continuam depois que a doença teria naturalmente se resolvido.

As provas que ele apresenta para essa teoria variam em qualidade. Whitaker não reconhece suficientemente a dificuldade de estudar a história natural de qualquer doença durante um período de cinquenta anos, no qual muitas circunstâncias mudaram, além do uso de medicamentos. É ainda mais difícil comparar resultados de longo prazo de pacientes tratados e não tratados. No entanto, os indícios de Whitaker são sugestivos, se não conclusivos.

Se as drogas psicoativas causam danos, como afirma Whitaker, qual é o seu mecanismo? A resposta, ele acredita, encontra-se em seus efeitos sobre os neurotransmissores. É bem sabido que as drogas psicoativas perturbam os neurotransmissores, mesmo que essa não seja a causa primeira da doença.

Whitaker descreve uma cadeia de efeitos. Quando, por exemplo, um antidepressivo como o Celexa aumenta os níveis de serotonina nas sinapses, ele estimula mudanças compensatórias por meio de um processo chamado feedback negativo. Em reação aos altos níveis de serotonina, os neurônios que a secretam liberam menos dela, e os neurônios pós-sinápticos tornam-se insensíveis a ela. Na verdade, o cérebro está tentando anular os efeitos da droga. O mesmo vale para os medicamentos que bloqueiam neurotransmissores, exceto no sentido inverso.

A maioria dos antipsicóticos, por exemplo, bloqueia a dopamina, mas os neurônios pré-sinápticos compensam isso liberando mais dopamina, e os neurônios pós-sinápticos a aceitam com mais avidez.

As consequências do uso prolongado de drogas psicoativas, nas palavras de Steve Hyman, até recentemente reitor da Universidade de Harvard, são “alterações substanciais e de longa duração na função neural”.

Depois de várias semanas de drogas psicoativas, os esforços de compensação do cérebro começam a falhar e surgem efeitos colaterais que refletem o mecanismo de ação dos medicamentos. Antipsicóticos causam efeitos secundários que se assemelham ao mal de Parkinson, por causa do esgotamento de dopamina (que também se esgota no Parkinson). À medida que surgem efeitos colaterais, eles são tratados por outros medicamentos, e muitos pacientes acabam tomando um coquetel de drogas psicoativas, prescrito para um coquetel de diagnósticos. Os episódios de mania causada por antidepressivos podem levar a um novo diagnóstico de “transtorno bipolar” e ao tratamento com um “estabilizador de humor”, como Depokote (anticonvulsivo), acompanhado de uma das novas drogas antipsicóticas. E assim por diante.

A respeitada pesquisadora Nancy Andreasen e seus colegas publicaram indícios de que o uso de antipsicóticos está associado ao encolhimento do cérebro, e que o efeito está diretamente relacionado à dose e à duração do tratamento. Como Andreasen explicou ao New York Times: “O córtex pré-frontal não obtém o que precisa e vai sendo fechado pelos medicamentos. Isso reduz os sintomas psicóticos. E faz também com que o córtex pré-frontal se atrofie lentamente.”

Largar os remédios é extremamente difícil, segundo Whitaker, porque quando eles são retirados, os mecanismos compensatórios ficam sem oposição. Quando se retira o Celexa, os níveis de serotonina caem bruscamente porque os neurônios pré-sinápticos não estão liberando quantidades normais. Da mesma forma, quando se suspende um antipsicótico, os níveis de dopamina podem disparar.Os sintomas produzidos pela retirada de drogas psicoativas são confundidos com recaídas da doença original, o que pode levar psiquiatras a retomar o tratamento com remédios, talvez em doses mais elevadas.

Whitaker está indignado com o que considera uma epidemia iatrogênica (isto é, introduzida inadvertidamente pelos médicos) de disfunção cerebral, especialmente a causada pelo uso generalizado dos novos antipsicóticos, como o Zyprexa, que provoca graves efeitos colaterais. Eis o que ele chama de “experimento de pensamento rápido”:

Imagine que aparece de repente um vírus que faz com que as pessoas durmam doze, catorze horas por dia. As pessoas infectadas se movimentam devagar e parecem emocionalmente desligadas. Muitas ganham quantidades imensas de peso – 10, 20 e até 50 quilos. Os seus níveis de açúcar no sangue disparam, assim como os de colesterol.

Vários dos atingidos pela doença misteriosa – entre eles, crianças e adolescentes – se tornam diabéticos. O governo federal dá centenas de milhões de dólares aos cientistas para decifrar o funcionamento do vírus, e eles relatam que ele bloqueia uma multidão de receptores no cérebro. Enquanto isso, exames de ressonância magnética descobrem que, ao longo de vários anos, o vírus encolhe o córtex cerebral, e esta diminuição está ligada ao declínio cognitivo. O público aterrorizado clama por uma cura.

Ora, essa doença está, de fato, atingindo milhões de crianças e adultos. Acabamos de descrever os efeitos do antipsicótico Zyprexa, um dos mais vendidos do laboratório Eli Lilly.

eon Eisenberg, professor da Universidade Johns Hopkins e da Escola de Medicina de Harvard, escreveu que a psiquiatria americana passou,no final do século XX, de uma fase “descerebrada” para uma “desmentalizada”. Ele quis dizer que, antes das drogas psicoativas, os psiquiatras tinham pouco interesse por neurotransmissores ou outros aspectos físicos do cérebro. Em vez disso, aceitavam a visão freudiana de que a doença mental tinha suas raízes em conflitos inconscientes, geralmente com origem na infância, que afetavam a mente como se ela fosse separada do cérebro.

Com a entrada em cena dessas drogas, na década de 50 – processo que se acelerou na década de 80 –, o foco mudou para o cérebro. Os psiquiatras começaram a se referir a si mesmos como psicofarmacologistas, e se interessaram cada vez menos pelas histórias de vida dos pacientes.

A preocupação deles era eliminar ou reduzir os sintomas, tratando os pacientes com medicamentos que alterariam a função cerebral. Tendo sido um dos primeiros defensores do modelo biológico de doença mental, Eisenberg veio a se tornar um crítico do uso indiscriminado de drogas psicoativas, impulsionado pelas maquinações da indústria farmacêutica.

Quando as drogas psicoativas surgiram, houve um período de otimismo na profissão psiquiátrica, mas na década de 70 o otimismo deu lugar a uma sensação de ameaça. Ficaram claros os graves efeitos colaterais dos medicamentos e um movimento de antipsiquiatria lançou raízes, como exemplificam os escritos de Thomas Szasz e o filme Um Estranho no Ninho.

Havia também a concorrência crescente de psicólogos e terapeutas. Além disso, os psiquiatras sofreram divisões internas: alguns abraçaram o modelo biológico, outros se agarraram ao modelo freudiano, e uns poucos viam a doença mental como uma resposta sadia a um mundo insano. Ademais, dentro da medicina, os psiquiatras eram considerados uma espécie de parentes pobres: mesmo com suas novas drogas, eram vistos como menos científicos do que os outros especialistas, e sua renda era geralmente mais baixa.

No final da década de 70, os psiquiatras contra-atacaram, e com força. Como conta Robert Whitaker em Anatomy of an Epidemic, o diretor médico da Associação Americana de Psiquiatria, Melvin Sabshin, declarou, em 1977: “Devemos apoiar fortemente um esforço vigoroso para remedicalizar a psiquiatria.” E lançou uma campanha maciça de relações públicas para fazer exatamente isso.

A psiquiatria detinha uma arma poderosa, que seus concorrentes não podiam ter. Como cursaram medicina, os psiquiatras têm autoridade legal para escrever receitas.

Ao abraçar o modelo biológico de doença mental, e o uso de drogas psicoativas para tratá-la, a psiquiatria conseguiu relegar os outros prestadores de serviços de saúde mental para cargos secundários. E se apresentou também como uma disciplina científica. E, o que é mais importante, ao enfatizar o tratamento medicamentoso, a psiquiatria tornou-se a queridinha da indústria farmacêutica, que logo tornou tangível sua gratidão.

A Associação Americana de Psiquiatria, a APA, estava preparando então a terceira edição do Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais, o DSM, que estabelece os critérios de diagnóstico para todos os transtornos mentais. O presidente da Associação havia indicado Robert Spitzer, eminente professor de psiquiatria da Universidade de Columbia, para chefiar a força-tarefa que supervisionaria o Manual.

As duas primeiras edições, publicadas em 1952 e 1968, refletiam a visão freudiana da doença mental, e eram pouco conhecidas fora da profissão. Spitzer decidiu fazer da terceira edição, o DSM-III, algo bem diferente. Ele prometeu que o Manual seria “uma defesa do modelo médico aplicado a problemas psiquiátricos”, e o presidente da Associação, Jack Weinberg, disse que ele “deixaria claro para quem tivesse dúvidas que consideramos a psiquiatria uma especialidade da medicina”.

Quando foi publicado, em 1980, o DSM-III continha 265 diagnósticos (acima dos 182 da edição anterior) e logo teve um uso quase universal: não apenas por parte de psiquiatras, mas também por companhias de seguros, hospitais, tribunais, prisões, escolas, pesquisadores, agências governamentais e médicos de todas as especialidades. Seu principal objetivo era trazer coerência (normalmente chamada de “confiabilidade”) ao diagnóstico psiquiátrico. Ou seja, garantir que os psiquiatras que viam o mesmo paciente concordassem com o diagnóstico. Para isso, cada diagnóstico era definido por uma lista de sintomas, com limites numéricos. Por exemplo, ter pelo menos cinco de nove sintomas determinados garantia ao paciente um diagnóstico definitivo de episódio depressivo dentro da ampla categoria de “transtornos do humor”.

Mas havia outro objetivo: justificar o uso de drogas psicoativas. Com efeito, Carol Bernstein, a presidente da apa, reconheceu isso ao escrever: “Na década de 70, foi preciso facilitar um acordo sobre diagnósticos entre clínicos, cientistas e autoridades reguladoras, dada a necessidade de ligar os pacientes aos novos tratamentos farmacológicos.”

A terceira edição do Manual era talvez mais “confiável” do que as versões anteriores, mas confiabilidade não é a mesma coisa que validade. O termo confiabilidade é usado como sinônimo de “coerência”; validade refere-se à correção ou solidez. Se todos os médicos concordassem que as sardas são um sinal de câncer, o diagnóstico seria “confiável”, mas não válido.

O problema com o Manual é que, em todas as suas edições, ele simplesmente refletia as opiniões de seus autores. E, no caso do DSM-III, sobretudo as opiniões do próprio Spitzer, que foi apontado com justiça como um dos psiquiatras mais influentes do século xx. Em suas palavras, ele “pegou todo mundo com quem se sentia à vontade” para participar da força-tarefa de quinze membros, e houve queixas de que ele convocou poucas reuniões e conduziu o processo de uma maneira desordenada, mas ditatorial.

Num artigo de 1984 intitulado “As desvantagens do DSM-III superam suas vantagens”, George Vaillant, professor de psiquiatria de Harvard, afirmou que o DSM-III representou “uma audaciosa série de escolhas baseadas em palpite, gosto, preconceito e esperança”, o que parece ser uma boa descrição.

  DSM se tornou a bíblia da psiquiatria e, tal como a Bíblia cristã, dependia muito de algo parecido com a fé: não há nele citações de estudos científicos para sustentar suas decisões. É uma omissão espantosa, porque em todas as publicações médicas, sejam revistas ou livros didáticos, as declarações de fatos devem estar apoiadas em referências comprováveis. (Há quatro “livros de consulta” separados para a edição atual do DSM, que apresentam a razão para algumas decisões, junto com referências, mas isso não é a mesma coisa que referências específicas.)

Pode ser de muito interesse para um grupo de especialistas se reunir e dar suas opiniões, mas a menos que essas opiniões possam ser sustentadas por provas, elas não autorizam a deferência extraordinária dedicada ao DSM. “A cada edição subsequente”, escreve Daniel Carlat, “o número de categorias de diagnósticos se multiplicava, e os livros se tornaram maiores e mais caros. Cada um deles se tornou um best-seller, e o DSM é hoje uma das principais fontes de renda da Associação Americana de Psiquiatria.” O Manual atual, o DSM-IV, vendeu mais de 1 milhão de exemplares.

Os laboratórios farmacêuticos passaram a dar toda a atenção e generosidade aos psiquiatras, tanto individual como coletivamente, direta e indiretamente. Choveram presentes e amostras grátis, contratos de consultores e palestrantes, refeições, ajuda para participar de conferências. Quando os estados de Minnesota e Vermont implantaram “leis de transparência”, que exigem que os laboratórios informem todos os pagamentos a médicos, descobriu-se que os psiquiatras recebiam mais dinheiro do que os médicos de qualquer outra especialidade. A indústria farmacêutica também subsidia as reuniões da APA e outras conferências psiquiátricas. Cerca de um quinto do financiamento da APA vem agora da indústria farmacêutica.

Os laboratórios buscam conquistar psiquiatras de centros médicos universitários de prestígio. Chamados pela indústria de “líderes-chave de opinião”, eles são os profissionais que, por meio do que escrevem e ensinam, influenciam o tratamento das doenças mentais. Eles também publicam grande parte da pesquisa clínica sobre medicamentos e, o que é fundamental, determinam o conteúdo do DSM. Em certo sentido, eles são a melhor equipe de vendas que a indústria poderia ter e valem cada centavo gasto com eles. Dos 170 colaboradores da versão atual do DSM, dos quais quase todos poderiam ser descritos como líderes-chave, 95 tinham vínculos financeiros com laboratórios farmacêuticos, inclusive todos os colaboradores das seções sobre transtornos de humor e esquizofrenia.

Carlat pergunta: “Por que os psiquiatras estão na frente de todos os outros especialistas quando se trata de tomar dinheiro de laboratórios?” Sua resposta: “Nossos diagnósticos são subjetivos e expansíveis, e temos poucas razões racionais para a escolha de um tratamento em relação a outro.” Ao contrário das enfermidades tratadas pela maioria dos outros ramos da medicina, não há sinais ou exames objetivos para as doenças mentais – nenhum dado de laboratório ou descoberta por ressonância magnética – e as fronteiras entre o normal e o anormal são muitas vezes pouco claras.

Isso torna possível expandir as fronteiras do diagnóstico ou até mesmo criar novas diagnoses, de uma forma que seria impossível, por exemplo, em um campo como a cardiologia. E as empresas farmacêuticas têm todo o interesse em induzir os psiquiatras a fazer exatamente isso.

Além do dinheiro gasto com os psiquiatras, os laboratórios apoiam muitos grupos de defesa de pacientes e organizações educacionais. Whitaker informa que, somente no primeiro trimestre de 2009, o “Eli Lilly deu 551 mil dólares à Aliança Nacional para Doenças Mentais, 465 mil dólares para a Associação Nacional de Saúde Mental, 130 mil dólares para um grupo de defesa dos pacientes de déficit de atenção/hiperatividade, e 69 250 dólares para a Fundação Americana de Prevenção ao Suicídio”.

E isso foi o que apenas um laboratório gastou em três meses; pode-se imaginar qual deve ser o total anual de todas as empresas que produzem drogas psicoativas. Esses grupos aparentemente existem para conscientizar a opinião pública sobre transtornos psiquiátricos, mas também têm o efeito de promover o uso de drogas psicoativas e influenciar os planos de saúde para cobri-los.

Como a maioria dos psiquiatras, Carlat trata seus pacientes apenas com medicamentos, sem terapia de conversa, e é sincero a respeito das vantagens de fazer isso. Ele calcula que, se atender três pacientes por hora com psicofarmacologia, ganha cerca de 180 dólares por hora dos planos de saúde. Em contrapartida, poderia atender apenas um paciente por hora com terapia de conversa, pela qual os planos lhe pagariam menos de 100 dólares. Carlat não acredita que a psicofarmacologia seja particularmente complicada, muito menos precisa, embora o público seja levado a acreditar que é.

Seu trabalho consiste em fazer aos pacientes uma série de perguntas sobre seus sintomas, para ver se eles combinam com algum dos transtornos catalogados no DSM. Esse exercício de correspondência, diz ele, propicia “a ilusão de que compreendemos os nossos pacientes, quando tudo o que estamos fazendo é atribuir-lhes rótulos”. Muitas vezes os pacientes preenchem critérios para mais de um diagnóstico, porque há sobreposição de sintomas.

Um dos pacientes de Carlat acabou com sete diagnósticos distintos. “Nós miramos sintomas distintos com os tratamentos, e outros medicamentos são adicionados para tratar os efeitos colaterais.” Um paciente típico, diz ele, pode estar tomando Celexa para depressão, Ativan para ansiedade, Ambien para insônia, Provigil para fadiga (um efeito colateral do Celexa) e Viagra para impotência (outro efeito colateral do Celexa).

Quanto aos próprios medicamentos, Carlat escreve que “há apenas um punhado de categorias guarda-chuva de drogas psicotrópicas”, sob as quais os medicamentos não são muito diferentes uns dos outros. Ele não acredita que exista muita base para escolher entre eles. E resume:

Assim é a moderna psicofarmacologia. Guiados apenas por sintomas, tentamos diferentes medicamentos, sem nenhuma concepção verdadeira do que estamos tentando corrigir, ou de como as drogas estão funcionando. Espanto-me que sejamos tão eficazes para tantos pacientes.

Carlat passa então a especular, como Kirsch em The Emperor’s New Drugs, que os pacientes talvez estejam respondendo a um efeito placebo ativado. Se as drogas psicoativas não são tudo o que é alardeado – e os indícios indicam que não são –, o que acontece com os próprios diagnósticos? Como eles se multiplicam a cada edição do DSM?

Em 1999, a APA começou a trabalhar em sua quinta revisão do DSM, programado para ser publicado em 2013. A força-tarefa de 27 membros é chefiada por David Kupfer, professor de psiquiatria da Universidade de Pittsburgh. Tal como nas edições anteriores, a força-tarefa é assessorada por vários grupos de trabalho, que agora totalizam cercade 140 membros, correspondentes às categorias principais de diagnóstico. As deliberações e propostas em curso foram amplamente divulgadas, e parece que a constelação de transtornos mentais vai crescer ainda mais.

Em particular, os limites dos diagnósticos serão ampliados para incluir os precursores dos transtornos, tais como “síndrome do risco de psicose” e “transtorno cognitivo leve” (possível início do mal de Alzheimer). O termo “espectro” é usado para ampliar categorias, e temos,por exemplo, “espectro de transtorno obsessivo-compulsivo”, “transtorno do espectro da esquizofrenia” e “transtorno do espectro do autismo”. E há propostas para a inclusão de distúrbios totalmente novos, como “transtorno hipersexual”, “síndrome das pernas inquietas” e “compulsão alimentar”. Até mesmo Allen Frances, presidente da força-tarefa do DSM-IV, escreveu que a próxima edição do Manual será uma “mina de ouro para a indústria farmacêutica”.

A indústria farmacêutica influencia psiquiatras a receitar drogas psicoativas até mesmo a pacientes para os quais os medicamentos não foram considerados seguros e eficazes. O que deveria preocupar enormemente é o aumento espantoso do diagnóstico e tratamento de doenças mentais em crianças, algumas com apenas 2 anos de idade.

Essas crianças são tratadas muitas vezes com medicamentos que nunca foram aprovados pela FDA para uso nessa faixa etária, e têm efeitos colaterais graves. A prevalência de “transtorno bipolar juvenil” aumentou quarenta vezes entre 1993 e 2004, e a de “autismo” aumentou de 1 em 500 crianças para 1 em 90 ao longo da mesma década. Dez por cento dos meninos de 10 anos de idade tomam agora estimulantes diários para o transtorno de déficit de atenção/hiperatividade.

Seria muito difícil achar uma criança de 2 anos que não seja às vezes irritante, um menino de 5ª série que não seja ocasionalmente desatento, ou uma menina no ensino médio que não seja ansiosa. Rotular essas crianças como tendo um transtorno mental e tratá-las com medicamentos depende muito de quem elas são e das pressões que seus pais enfrentam.

Como as famílias de baixa renda estão passando por dificuldades econômicas

crescentes, muitas descobriram que o pedido de renda de seguridade suplementar com base na invalidez mental é a única maneira de sobreviver. Segundo um estudo da Universidade Rutgers, descobriu-se que crianças de famílias de baixa renda têm quatro vezes mais probabilidade de receber medicamentos antipsicóticos do que crianças com plano de saúde privado.

Os livros de Irving Kirsch, Robert Whitaker e Daniel Carlat são acusações enérgicas ao modo como a psiquiatria é praticada hoje em dia. Eles documentam o “frenesi” do diagnóstico, o uso excessivo de medicamentos com efeitos colaterais devastadores e os conflitos de interesse generalizados. Os críticos podem argumentar, como Nancy

Andreasen o faz em seu artigo sobre a perda de tecido cerebral no tratamento antipsicótico de longo prazo, que os efeitos colaterais são o preço que se deve pagar para aliviar o sofrimento causado pela doença mental. Se soubéssemos que os benefícios das drogas psicoativas superam seus danos, isso seria um argumento forte, uma vez que não há dúvida de que muitas pessoas sofrem gravemente com doenças mentais. Mas como Kirsch, Whitaker e Carlat argumentam, essa expectativa pode estar errada.

No mínimo, precisamos parar de pensar que as drogas psicoativas são o melhor e, muitas vezes, o único tratamento para as doenças mentais. Tanto a psicoterapia como os exercícios físicos têm se mostrado tão eficazes quanto os medicamentos para a depressão, e seus efeitos são mais duradouros. Mas, infelizmente, não existe indústria que promova essas alternativas. Mais pesquisas são necessárias para estudar alternativas às drogas psicoativas.

Em particular, precisamos repensar o tratamento de crianças. Nesse ponto, o problema é muitas vezes uma família perturbada em circunstâncias conturbadas. Tratamentos voltados para essas condições ambientais – como auxílio individual para pais ou centros pós-escola para as crianças – devem ser estudados e comparados com o tratamento farmacológico.

No longo prazo, essas alternativas seriam provavelmente mais baratas. Nossa confiança nas drogas psicoativas, receitadas para todos os descontentes com a vida, tende a excluir as outras opções. Em vista dos riscos, e da eficácia questionável dos medicamentos em longo prazo, precisamos fazer melhor do que isso. Acima de tudo, devemos lembrar o consagrado ditado médico: em primeiro lugar, não causar dano (primum non nocere).

Abs

Felipe





SUBJECT: Cerebro e Neurociência
FROM: luiz silva <luizfelipecsrj@yahoo.com.br>
TO: ListadeCiência <ciencialist@yahoogrupos.com.br>
DATE: 02/09/2011 14:17

Pessoal,
 
Em toda teoria (pelo pouco que conheço), localiza àreas específricas, colocando sobre os ombros dos neuronios dessa área a responsabilidade por determinada percepção.
 
Para isso, fazem uma correlação entre a atividade/percepção que está ocorrendo, e o nível de atividade cerebral(nos locais responsáveis, ele aumenta).
 
Ou seja, existe um modelo que relaciona o fenômeno observado (percepção visual, tato, paladar, etc..) com a ativação de determinadas áreas.
 
Me bateu uma dúvida : como podemos diferenciar se o fenômeno está sendo percebido pelo cérebro como um todo, devido a uma configuração especial, onde a área considerada específica seria a "responsável" por alterar uma dada configuração anterior ou se ele está sendo percebido de forma localizada, na área específica em questão (com maior ativação)?
 
Abs
Felipe
 

SUBJECT: Re: [ciencialist] Cerebro e Neurocincia
FROM: "Pesky Bee" <peskybee2@gmail.com>
TO: <ciencialist@yahoogrupos.com.br>
DATE: 02/09/2011 16:00

Felipão, esse é assunto complexo, mas basicamente um
neurônio em operação precisa gastar muita energia para
operar (só para ter uma ideia, metade da energia gasta
por um neurônio é só para manter em funcionamento as
bombas de íons de sódio/potássio que entram e saem
do neurônio). O nosso cérebro gasta cerca de 20% de
toda a energia do corpo, é um órgão danado de caro.
 
Essa energia vem de glicose e de O2, que são levadas ao
cérebro pela vascularização sanguínea. As ressonâncias
magnéticas funcionais (fMRI) anotam exatamente esse fluxo
de sangue aumentado, que ocorre nas áreas que estão mais
intensamente ativadas. Claro que isso não consegue ter
agilidade para registrar ativações muito rápidas, pois
o fluxo aumentado de sangue registrado pelo fMRI leva de
2 a 6 segundos para ser detectável, mas isso já dá uma
visão muito clara de que parte do cérebro está mais ativa.
 
E isso tem muito boa correlação com a região que estaria
processando os estímulos e computando as respostas. Só mais
um detalhinho: cada quadradinho colorido mostrado pelo fMRI
representa a operação de várias dezenas de milhões de
neurônios, portanto é uma visão bem aproximada de todo o
processo (mas é muitíssimo melhor do que nada).
 
*PB*
 
 
 
From: luiz silva
Sent: Friday, September 02, 2011 2:17 PM
Subject: [ciencialist] Cerebro e Neurociência
 


Pessoal,
 
Em toda teoria (pelo pouco que conheço), localiza àreas específricas, colocando sobre os ombros dos neuronios dessa área a responsabilidade por determinada percepção.
 
Para isso, fazem uma correlação entre a atividade/percepção que está ocorrendo, e o nível de atividade cerebral(nos locais responsáveis, ele aumenta).
 
Ou seja, existe um modelo que relaciona o fenômeno observado (percepção visual, tato, paladar, etc..) com a ativação de determinadas áreas.
 
Me bateu uma dúvida : como podemos diferenciar se o fenômeno está sendo percebido pelo cérebro como um todo, devido a uma configuração especial, onde a área considerada específica seria a "responsável" por alterar uma dada configuração anterior ou se ele está sendo percebido de forma localizada, na área específica em questão (com maior ativação)?
 
Abs
Felipe
 

SUBJECT: Re: Cerebro e Neurociência
FROM: "roberto" <roberto.takata@bol.com.br>
TO: ciencialist@yahoogrupos.com.br
DATE: 02/09/2011 20:24

-- Em ciencialist@yahoogrupos.com.br, luiz silva <luizfelipecsrj@...>
> Em toda teoria (pelo pouco que conheço), localiza àreas
> específricas, colocando sobre os ombros dos neuronios dessa área a
> responsabilidade por determinada percepção.

Nem toda. Miguel Nicolelis, p.e., descarta essa teoria localizacionista, adotando a q ele chama de distribucionista. Veja o livro de divulgação dele: Muito Além do Nosso Eu. (Tem bastante debate na comunidade neurocientífica a esse respeito - e a respeito de outros pontos.)

[]s,

Roberto Takata



SUBJECT: Re: [ciencialist] Cerebro e Neurociência
FROM: luiz silva <luizfelipecsrj@yahoo.com.br>
TO: ciencialist@yahoogrupos.com.br
DATE: 02/09/2011 22:37

Ola Pesky,
 
Ja postei aqui um artigo da Sciam, chamado "A Energia Escura do Cérebro". Basicamente, pelo que lembro, é falado que o que o cérebor gasta a mais, para "ativar" uma área representa somente 5% do que ele gasta com seu "funcionamento padrão"(vou chamar assim, pois não lembro direito).
 
Falam inclusive que é extremamente difícil diferenciar essas áreas no exame, e muito da diferença que vemos, vem dos sofwares que analisam pequenissemas variações nos dados.
 
Então, voltando a pergunta : como podemos falsear a questão que coloquei? Ou ela já foi falseada?
 
Abs
Felipe
Se pensarmos no cérebro como um todo integrado,

--- Em sex, 2/9/11, Pesky Bee <peskybee2@gmail.com> escreveu:

De: Pesky Bee <peskybee2@gmail.com>
Assunto: Re: [ciencialist] Cerebro e Neurociência
Para: ciencialist@yahoogrupos.com.br
Data: Sexta-feira, 2 de Setembro de 2011, 16:00

 
Felipão, esse é assunto complexo, mas basicamente um
neurônio em operação precisa gastar muita energia para
operar (só para ter uma ideia, metade da energia gasta
por um neurônio é só para manter em funcionamento as
bombas de íons de sódio/potássio que entram e saem
do neurônio). O nosso cérebro gasta cerca de 20% de
toda a energia do corpo, é um órgão danado de caro.
 
Essa energia vem de glicose e de O2, que são levadas ao
cérebro pela vascularização sanguínea. As ressonâncias
magnéticas funcionais (fMRI) anotam exatamente esse fluxo
de sangue aumentado, que ocorre nas áreas que estão mais
intensamente ativadas. Claro que isso não consegue ter
agilidade para registrar ativações muito rápidas, pois
o fluxo aumentado de sangue registrado pelo fMRI leva de
2 a 6 segundos para ser detectável, mas isso já dá uma
visão muito clara de que parte do cérebro está mais ativa.
 
E isso tem muito boa correlação com a região que estaria
processando os estímulos e computando as respostas. Só mais
um detalhinho: cada quadradinho colorido mostrado pelo fMRI
representa a operação de várias dezenas de milhões de
neurônios, portanto é uma visão bem aproximada de todo o
processo (mas é muitíssimo melhor do que nada).
 
*PB*
 
 
 
From: luiz silva
Sent: Friday, September 02, 2011 2:17 PM
Subject: [ciencialist] Cerebro e Neurociência
 


Pessoal,
 
Em toda teoria (pelo pouco que conheço), localiza àreas específricas, colocando sobre os ombros dos neuronios dessa área a responsabilidade por determinada percepção.
 
Para isso, fazem uma correlação entre a atividade/percepção que está ocorrendo, e o nível de atividade cerebral(nos locais responsáveis, ele aumenta).
 
Ou seja, existe um modelo que relaciona o fenômeno observado (percepção visual, tato, paladar, etc..) com a ativação de determinadas áreas.
 
Me bateu uma dúvida : como podemos diferenciar se o fenômeno está sendo percebido pelo cérebro como um todo, devido a uma configuração especial, onde a área considerada específica seria a "responsável" por alterar uma dada configuração anterior ou se ele está sendo percebido de forma localizada, na área específica em questão (com maior ativação)?
 
Abs
Felipe
 

SUBJECT: Re: [ciencialist] Re: Cerebro e Neurociência
FROM: luiz silva <luizfelipecsrj@yahoo.com.br>
TO: ciencialist@yahoogrupos.com.br
DATE: 02/09/2011 22:38

Ola Takata,
 
Obrigado pela dica.
 
Mas o tipo de questão que coloquei é falseável ?
 
Abs
Felipe

--- Em sex, 2/9/11, roberto <roberto.takata@bol.com.br> escreveu:

De: roberto <roberto.takata@bol.com.br>
Assunto: [ciencialist] Re: Cerebro e Neurociência
Para: ciencialist@yahoogrupos.com.br
Data: Sexta-feira, 2 de Setembro de 2011, 20:24

 
-- Em ciencialist@yahoogrupos.com.br, luiz silva <luizfelipecsrj@...>
> Em toda teoria (pelo pouco que conheço), localiza àreas
> específricas, colocando sobre os ombros dos neuronios dessa área a
> responsabilidade por determinada percepção.

Nem toda. Miguel Nicolelis, p.e., descarta essa teoria localizacionista, adotando a q ele chama de distribucionista. Veja o livro de divulgação dele: Muito Além do Nosso Eu. (Tem bastante debate na comunidade neurocientífica a esse respeito - e a respeito de outros pontos.)

[]s,

Roberto Takata


SUBJECT: Se todos os Padres Fossem Assim...
FROM: luiz silva <luizfelipecsrj@yahoo.com.br>
TO: ListadeCiência <ciencialist@yahoogrupos.com.br>
DATE: 03/09/2011 01:21

 
Vale a pena ver toda a entrevista do Dawkins com o padre Coyne

SUBJECT: Re: [ciencialist] Cerebro e Neurociência
FROM: "Pesky Bee" <peskybee2@gmail.com>
TO: <ciencialist@yahoogrupos.com.br>
DATE: 03/09/2011 11:58

Que existe algum processamento localizado, isso está fora
de discussão, existe sim. Que só uma área fique ativa durante
um tipo de processamento, isso não ocorre, são várias áreas.
O cérebro é uma maquininha muito dinâmica, que ativa rapidamente
diversas partes, muitas de forma transiente. Isso porque, por
exemplo, um certo tipo de atividade cognitiva requer a associação
entre várias áreas distintas, e para que uma área saiba
que é requisitada é necessário que chegue até ela algum
tipo de excitação. Esse tráfego de informação usa inúmeras
áreas, que só transitam a coisa, e não reagem muito a ela.
Fazendo uma analogia bem diferente, seria algo assim.

Imagine que o cérebro é composto de um porrilhão de corais
(bando de gente que gosta de cantar). Cada coral pode ter
de mil a um milhão de membros cantantes. Teremos dezenas
(ou mesmo centenas) de milhões de corais diferentes no cérebro.
Um coral recebe uma melodia proveniente de um estímulo visual.
Esse coral não sabe bem o que fazer com isso, então ele só
dá uma cantarolada nessa melodia, espalhando esse som para
todo lado. Cada coral próximo desse primeiro também não reconhece
a melodia, e faz a mesma coisa: cantarola espalhando o som
para mais longe ainda. Um outro coral, lá do caixaprego, ouve
essa melodia e o maestro identifica que é algo que eles já
cantaram antes. Então esse segundo coral replica (canta) a
mensagem que ouviu mas também agregando um pedacinho que ele
(o coral) lembrava de ter cantado antes.

E assim essa nova melodia é espalhada pelo ar, pelo mesmo
processo. Isso vai provocar uma (ou mais) novas reações de
corais que já ouviram a nova coisa (ou um pedaço dessa nova
coisa, talvez inexistente tanto na melodia original quanto
na adição, mas é algo derivado da junção das duas).

E assim essa coisa vai circulando e se refinando até que
vários corais estão cantarolando uma melodia bem mais complexa
e coerente do que a primeira. Essa gritaria toda pode chegar aos
ouvidos daquele primeiro coral, e lá o pessoal fica muito feliz
pois agora eles estão ouvindo algo que eles mesmo iniciaram, só
que agregado a diversos complementos que eles já tinham
ouvido antes. É o que faltava para a festa começar!

Esse pessoal responde também cantarolando forte a coisa, e
quando menos se espera uma enorme melodia sincronizada,
quase em uníssono, é entoada por todos os corais que
identificaram essa coisa (são vários, mas são pouquíssimos
perto do número total de corais, a maioria deles ouvindo
e repassando mecanicamente aquela melodia que não faz
sentido para eles).

Tem muito mais coisas, mas claro que isso vai requerer um bom de
um livro. Um ótimo exemplo é o que o Takata mencionou, o livro
do Miguel Nicolelis. Um dos maiores pesquisadores desse tipo de
modelo é Wolf Singer e um ótimo volume sobre a fundamentação
desse processo é o "Dynamic coordination in the Brain:

SUBJECT: Re: [ciencialist] Cerebro e Neurociência
FROM: luiz silva <luizfelipecsrj@yahoo.com.br>
TO: ciencialist@yahoogrupos.com.br
DATE: 03/09/2011 13:25

Ola Pesky,
 
Eu não estou negando que haja um processamento localizado. O modelo que vc descreveu bate bem com o que eu estava intuindo qdo coloquei a pergunta. Aliás, parabéns, o texto está bem claro.
 
Abs
Felipe

--- Em sáb, 3/9/11, Pesky Bee <peskybee2@gmail.com> escreveu:


De: Pesky Bee <peskybee2@gmail.com>
Assunto: Re: [ciencialist] Cerebro e Neurociência
Para: ciencialist@yahoogrupos.com.br
Data: Sábado, 3 de Setembro de 2011, 11:58


 









Que existe algum processamento localizado, isso está fora
de discussão, existe sim. Que só uma área fique ativa durante
um tipo de processamento, isso não ocorre, são várias áreas.
O cérebro é uma maquininha muito dinâmica, que ativa rapidamente
diversas partes, muitas de forma transiente. Isso porque, por
exemplo, um certo tipo de atividade cognitiva requer a associação
entre várias áreas distintas, e para que uma área saiba
que é requisitada é necessário que chegue até ela algum
tipo de excitação. Esse tráfego de informação usa inúmeras
áreas, que só transitam a coisa, e não reagem muito a ela.
Fazendo uma analogia bem diferente, seria algo assim.
 
Imagine que o cérebro é composto de um porrilhão de corais
(bando de gente que gosta de cantar). Cada coral pode ter
de mil a um milhão de membros cantantes. Teremos dezenas
(ou mesmo centenas) de milhões de corais diferentes no cérebro.
Um coral recebe uma melodia proveniente de um estímulo visual.
Esse coral não sabe bem o que fazer com isso, então ele só
dá uma cantarolada nessa melodia, espalhando esse som para
todo lado. Cada coral próximo desse primeiro também não reconhece
a melodia, e faz a mesma coisa: cantarola espalhando o som
para mais longe ainda. Um outro coral, lá do caixaprego, ouve
essa melodia e o maestro identifica que é algo que eles já
cantaram antes. Então esse segundo coral replica (canta) a
mensagem que ouviu mas também agregando um pedacinho que ele
(o coral) lembrava de ter cantado antes.
 
E assim essa nova melodia é espalhada pelo ar, pelo mesmo
processo. Isso vai provocar uma (ou mais) novas reações de
corais que já ouviram a nova coisa (ou um pedaço dessa nova
coisa, talvez inexistente tanto na melodia original quanto
na adição, mas é algo derivado da junção das duas).
 
E assim essa coisa vai circulando e se refinando até que
vários corais estão cantarolando uma melodia bem mais complexa
e coerente do que a primeira. Essa gritaria toda pode chegar aos
ouvidos daquele primeiro coral, e lá o pessoal fica muito feliz
pois agora eles estão ouvindo algo que eles mesmo iniciaram, só
que agregado a diversos complementos que eles já tinham
ouvido antes. É o que faltava para a festa começar!
 
Esse pessoal responde também cantarolando forte a coisa, e
quando menos se espera uma enorme melodia sincronizada,
quase em uníssono, é entoada por todos os corais que
identificaram essa coisa (são vários, mas são pouquíssimos
perto do número total de corais, a maioria deles ouvindo
e repassando mecanicamente aquela melodia que não faz
sentido para eles).
 
Tem muito mais coisas, mas claro que isso vai requerer um bom de
um livro. Um ótimo exemplo é o que o Takata mencionou, o livro
do Miguel Nicolelis. Um dos maiores pesquisadores desse tipo de
modelo é Wolf Singer e um ótimo volume sobre a fundamentação
desse processo é o "Dynamic coordination in the Brain:

SUBJECT: Re: [ciencialist] Cerebro e Neurociência
FROM: Joaquim Salles <joaquim.salles@estadao.com.br>
TO: ciencialist@yahoogrupos.com.br
DATE: 03/09/2011 13:35

Muito legal o texto PB, aprendi um pouco mais.

Abraços

Joaquim

Em 3 de setembro de 2011 11:58, Pesky Bee <peskybee2@gmail.com> escreveu:
 

Que existe algum processamento localizado, isso está fora
de discussão, existe sim. Que só uma área fique ativa durante
um tipo de processamento, isso não ocorre, são várias áreas.
O cérebro é uma maquininha muito dinâmica, que ativa rapidamente
diversas partes, muitas de forma transiente. Isso porque, por
exemplo, um certo tipo de atividade cognitiva requer a associação
entre várias áreas distintas, e para que uma área saiba
que é requisitada é necessário que chegue até ela algum
tipo de excitação. Esse tráfego de informação usa inúmeras
áreas, que só transitam a coisa, e não reagem muito a ela.
Fazendo uma analogia bem diferente, seria algo assim.
 
Imagine que o cérebro é composto de um porrilhão de corais
(bando de gente que gosta de cantar). Cada coral pode ter
de mil a um milhão de membros cantantes. Teremos dezenas
(ou mesmo centenas) de milhões de corais diferentes no cérebro.
Um coral recebe uma melodia proveniente de um estímulo visual.
Esse coral não sabe bem o que fazer com isso, então ele só
dá uma cantarolada nessa melodia, espalhando esse som para
todo lado. Cada coral próximo desse primeiro também não reconhece
a melodia, e faz a mesma coisa: cantarola espalhando o som
para mais longe ainda. Um outro coral, lá do caixaprego, ouve
essa melodia e o maestro identifica que é algo que eles já
cantaram antes. Então esse segundo coral replica (canta) a
mensagem que ouviu mas também agregando um pedacinho que ele
(o coral) lembrava de ter cantado antes.
 
E assim essa nova melodia é espalhada pelo ar, pelo mesmo
processo. Isso vai provocar uma (ou mais) novas reações de
corais que já ouviram a nova coisa (ou um pedaço dessa nova
coisa, talvez inexistente tanto na melodia original quanto
na adição, mas é algo derivado da junção das duas).
 
E assim essa coisa vai circulando e se refinando até que
vários corais estão cantarolando uma melodia bem mais complexa
e coerente do que a primeira. Essa gritaria toda pode chegar aos
ouvidos daquele primeiro coral, e lá o pessoal fica muito feliz
pois agora eles estão ouvindo algo que eles mesmo iniciaram, só
que agregado a diversos complementos que eles já tinham
ouvido antes. É o que faltava para a festa começar!
 
Esse pessoal responde também cantarolando forte a coisa, e
quando menos se espera uma enorme melodia sincronizada,
quase em uníssono, é entoada por todos os corais que
identificaram essa coisa (são vários, mas são pouquíssimos
perto do número total de corais, a maioria deles ouvindo
e repassando mecanicamente aquela melodia que não faz
sentido para eles).
 
Tem muito mais coisas, mas claro que isso vai requerer um bom de
um livro. Um ótimo exemplo é o que o Takata mencionou, o livro
do Miguel Nicolelis. Um dos maiores pesquisadores desse tipo de
modelo é Wolf Singer e um ótimo volume sobre a fundamentação
desse processo é o "Dynamic coordination in the Brain:
From neurons to mind".
 
*PB*
 
 
 
 
From: luiz silva
Sent: Friday, September 02, 2011 10:37 PM
Subject: Re: [ciencialist] Cerebro e Neurociência
 


Ola Pesky,
 
Ja postei aqui um artigo da Sciam, chamado "A Energia Escura do Cérebro". Basicamente, pelo que lembro, é falado que o que o cérebor gasta a mais, para "ativar" uma área representa somente 5% do que ele gasta com seu "funcionamento padrão"(vou chamar assim, pois não lembro direito).
 
Falam inclusive que é extremamente difícil diferenciar essas áreas no exame, e muito da diferença que vemos, vem dos sofwares que analisam pequenissemas variações nos dados.
 
Então, voltando a pergunta : como podemos falsear a questão que coloquei? Ou ela já foi falseada?
 
Abs
Felipe
Se pensarmos no cérebro como um todo integrado,

--- Em sex, 2/9/11, Pesky Bee <peskybee2@gmail.com> escreveu:

De: Pesky Bee <peskybee2@gmail.com>
Assunto: Re: [ciencialist] Cerebro e Neurociência
Para: ciencialist@yahoogrupos.com.br
Data: Sexta-feira, 2 de Setembro de 2011, 16:00

 
Felipão, esse é assunto complexo, mas basicamente um
neurônio em operação precisa gastar muita energia para
operar (só para ter uma ideia, metade da energia gasta
por um neurônio é só para manter em funcionamento as
bombas de íons de sódio/potássio que entram e saem
do neurônio). O nosso cérebro gasta cerca de 20% de
toda a energia do corpo, é um órgão danado de caro.
 
Essa energia vem de glicose e de O2, que são levadas ao
cérebro pela vascularização sanguínea. As ressonâncias
magnéticas funcionais (fMRI) anotam exatamente esse fluxo
de sangue aumentado, que ocorre nas áreas que estão mais
intensamente ativadas. Claro que isso não consegue ter
agilidade para registrar ativações muito rápidas, pois
o fluxo aumentado de sangue registrado pelo fMRI leva de
2 a 6 segundos para ser detectável, mas isso já dá uma
visão muito clara de que parte do cérebro está mais ativa.
 
E isso tem muito boa correlação com a região que estaria
processando os estímulos e computando as respostas. Só mais
um detalhinho: cada quadradinho colorido mostrado pelo fMRI
representa a operação de várias dezenas de milhões de
neurônios, portanto é uma visão bem aproximada de todo o
processo (mas é muitíssimo melhor do que nada).
 
*PB*
 
 
 
From: luiz silva
Sent: Friday, September 02, 2011 2:17 PM
Subject: [ciencialist] Cerebro e Neurociência
 


Pessoal,
 
Em toda teoria (pelo pouco que conheço), localiza àreas específricas, colocando sobre os ombros dos neuronios dessa área a responsabilidade por determinada percepção.
 
Para isso, fazem uma correlação entre a atividade/percepção que está ocorrendo, e o nível de atividade cerebral(nos locais responsáveis, ele aumenta).
 
Ou seja, existe um modelo que relaciona o fenômeno observado (percepção visual, tato, paladar, etc..) com a ativação de determinadas áreas.
 
Me bateu uma dúvida : como podemos diferenciar se o fenômeno está sendo percebido pelo cérebro como um todo, devido a uma configuração especial, onde a área considerada específica seria a "responsável" por alterar uma dada configuração anterior ou se ele está sendo percebido de forma localizada, na área específica em questão (com maior ativação)?
 
Abs
Felipe
 



SUBJECT: CestaPet e Vídeo Diversas Engenhocas 2
FROM: Tipoalgo <tipoalgo@gmail.com>
TO: ciencialist@yahoogrupos.com.br
DATE: 04/09/2011 10:09